A vantagem parcial
do PL à presidência no primeiro foi o gatilho necessário para que setores alinhados
a ele ateassem fogo na floresta amazônica. O crime ocorreu na PA 370, que liga
Santarém ao município de Uruará, no Baixo Amazonas paraense.
Trata-se de uma
região estratégica para a agricultura capitalista, que pretende consolidar a mesma
como um corredor de exportação de produtos primários. Modal de transporte
(rodovia, hidrovia e ferrovia), complexos portuários e hidroelétricos constam
na agenda.
A rodovia PA 370
é conhecida como Transuruará, recentemente asfaltada. São pouco mais de 200km. É uma latitude marcada
pelo crime, a exemplo de grilagem de terras, saque de madeira e criação de gado
em área de preservação.
Mesmo representantes
do Legislativo de Santarém atrelados a pecuaristas e madeireiros ilegais trabalham
na intimidação de funcionários públicos que operam na fiscalização das ações
criminosas.
O linha de frente
destas ações de intimidação contra funcionários públicos do Icmbio e do Ibama é
o vereador Malaquias Mottim (PL). Hoje notório nacionalmente pela tentativa de
atropelamento de indígenas que se mobilizaram em defesa do rio Tapajós, no
começo do ano, no pátio da Cargill.
Incêndios - É
verão amazônico. A chuva escasseia, o sol é causticante, beira a casa dos 40º em baixa umidade relativa do ar.
O inferno na terra, ambiente propício a incêndios.
Reportagem do
portal Oestadonet sinaliza que o monitoramentos do sistema FIRMS (Fire
Information for Resource Management System), mantido pela NASA, registraram uma
intensa densidade de focos de calor nas 24 horas pós resultado da eleição, com
especial gravidade no corredor da rodovia PA-370.
A mesma matéria do Oestadonet esclarece que o resultado das urnas na rodovia expressa o alinhamento da população com o candidato do PL, que teve vitória esmagadora contra o candidato do PT. O escore ficou 656 votos para o PL contra 114 do PT.
Queimar é a
expertise dos setores indiferentes às normas ambientais. Neste xadrez fronteiriço,
Itaituba, Novo Progresso, ali na fronteira com o Mato Grosso possuem relevo
nestas ações, apontam os dados sobre as queimadas. Além de outras cidades, a exemplo de São Félix do Xingu.
Durante o
desgoverno do militar Jair, a mesma região empreendeu a partir das redes sociais
o Dia do Fogo.
Faz sete anos
que criminosos que operam no sudoeste do Pará protagonizaram o Dia do Fogo. O
lema do governo de então era “passar a boiada”. E, assim, motivados e
mobilizados pelo obscurantismo atearam fogo em parte da Amazônia paraense, já
ferida de guerra por ações ilegais de traficantes de madeira, ouro, drogas e outras modalidades.
Com tal bandeira
– passar a boiada - o autor do enredo foi eleito deputado federal por São
Paulo em eleição anterior. Na época ministro do Meio Ambiente, o “cidadão do bem” estufava o peito
e dizia ter orgulho em não conhecer Chico Mendes.
O cabra encarna
o espírito bandeirante, onde pilhar, saquear, sequestrar, torturar e matar
funcionam como bússola. Por trapaça da sorte, ele veste a camisa de partido
denominado de Novo. Nada mais contraditório.
Novo Progresso,
Brasil Novo, Itaituba, São Félix do Xingu foram o epicentro da
selvageria. Por estas paragens é recorrentes setores reacionários
possuírem ojeriza contra servidores públicos do Ibama, Icmbio, PF e afins.
O modus operandi
dos setores em desacordo com a Lei é constranger os funcionários em hotéis e
espaços públicos. Não raro, você encontra personagens empreendendo tramas
contra operações de órgãos de fiscalização em cafés dos hotéis da região. Já presenciei deputado em hotel em Novo Progresso nesta empreitada.
Não faço a menor
ideia qual foi o desfecho dos crimes cometidos em operação ativada a partir de
comunicados nas redes sociais ou seria um SALVE?
O jornalista de Novo Progresso que denunciou o crime foi ameaçado de morte. E, teve de ficar alguns meses fora da cidade. Assim como os jovens do Tapajós de Fato, portal noticioso de Santarém, que por conta de ameaças decidiram em não cobrir as eleições.
Quando da
passagem de um ano do Dia do Fogo, o Greenpeace fez um registro sobre o crime. Leia AQUI
Na mesma quadra
temporal, a polícia do Pará forjou uma ação com vistas a imputar crimes contra
jovens brigadistas que operavam em Alter do Chão. Alguns foram presos,
tiveram os cabelos raspados e passaram por toda ordem de constrangimentos
públicos.
Após várias dias a farsa da polícia do Pará caiu por terra.
Terra, floresta,
rios, sobsolo e um voraz especulação imobiliária em jogo. O plano oficial é
consolidar a região como um corredor de exportação de produtos primários.
Santarém, a cidade polo da região, verticaliza com ligeireza. É prédio pra tudo que é lado.
Ocupação,
loteamentos, condomínios enquadrados como de alto padrão, vilas de kitnetes integram o complexo cenário das disputas pela cidade.
O site Amazônia
Real fez excelente reportagem sobre a questão. Leia AQUI
Ameaças de morte,
coerção pública e privada, notícias falsas (fake news) despontam como método dos extremistas. A exemplo das ações que estão fazendo contra
as universidades públicas, pessoas que foram eleitas ao Congresso do campo
popular.
O autoritarismo
é o horizonte do PL e da família Bolsonaro.
Por isso, urge ocupar as ruas, como o fazem estudantes, movimentos
sociais e sindicalistas em defesa da democracia!
“Quem morre calado é sapo debaixo de pé de boi”, palavra de ordem do movimento camponês.

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