sábado, 10 de outubro de 2026

Eleições na Amazônia: reacionários festejam resultado do 1º turno tocando fogo na floresta em Santarém/PA



A vantagem parcial do PL à presidência no primeiro foi o gatilho necessário para que setores alinhados a ele ateassem fogo na floresta amazônica. O crime ocorreu na PA 370, que liga Santarém ao município de Uruará, no Baixo Amazonas paraense.

Trata-se de uma região estratégica para a agricultura capitalista, que pretende consolidar a mesma como um corredor de exportação de produtos primários. Modal de transporte (rodovia, hidrovia e ferrovia), complexos portuários e hidroelétricos constam na agenda.

A rodovia PA 370 é conhecida como Transuruará, recentemente asfaltada.  São pouco mais de 200km. É uma latitude marcada pelo crime, a exemplo de grilagem de terras, saque de madeira e criação de gado em área de preservação.  

Mesmo representantes do Legislativo de Santarém atrelados a pecuaristas e madeireiros ilegais trabalham na intimidação de funcionários públicos que operam na fiscalização das ações criminosas. 

O linha de frente destas ações de intimidação contra funcionários públicos do Icmbio e do Ibama é o vereador Malaquias Mottim (PL). Hoje notório nacionalmente pela tentativa de atropelamento de indígenas que se mobilizaram em defesa do rio Tapajós, no começo do ano, no pátio da Cargill.

Incêndios - É verão amazônico. A chuva escasseia, o sol é causticante, beira  a casa dos 40º em baixa umidade relativa do ar. O inferno na terra, ambiente propício a incêndios.  

Reportagem do portal Oestadonet sinaliza que o monitoramentos do sistema FIRMS (Fire Information for Resource Management System), mantido pela NASA, registraram uma intensa densidade de focos de calor nas 24 horas pós resultado da eleição, com especial gravidade no corredor da rodovia PA-370.

A mesma matéria do Oestadonet esclarece que o resultado das urnas na rodovia expressa o alinhamento da população com o candidato do PL, que teve vitória esmagadora contra o candidato do PT. O escore ficou 656 votos para o PL contra 114 do PT.

Queimar é a expertise dos setores indiferentes às normas ambientais. Neste xadrez fronteiriço, Itaituba, Novo Progresso, ali na fronteira com o Mato Grosso possuem relevo nestas ações, apontam os dados sobre as queimadas. Além de outras cidades, a exemplo de São Félix do Xingu.

Durante o desgoverno do militar Jair, a mesma região empreendeu a partir das redes sociais o Dia do Fogo.

Faz sete anos que criminosos que operam no sudoeste do Pará protagonizaram o Dia do Fogo. O lema do governo de então era “passar a boiada”. E, assim, motivados e mobilizados pelo obscurantismo atearam fogo em parte da Amazônia paraense, já ferida de guerra por ações ilegais de traficantes de madeira, ouro, drogas e outras modalidades.

Com tal bandeira – passar a boiada - o autor do enredo foi eleito deputado federal por São Paulo em eleição anterior. Na época ministro do Meio Ambiente, o “cidadão do bem” estufava o peito e dizia ter orgulho em não conhecer Chico Mendes.

O cabra encarna o espírito bandeirante, onde pilhar, saquear, sequestrar, torturar e matar funcionam como bússola. Por trapaça da sorte, ele veste a camisa de partido denominado de Novo.  Nada mais contraditório.

Novo Progresso, Brasil Novo, Itaituba, São Félix do Xingu foram o epicentro da selvageria.  Por estas paragens é recorrentes setores reacionários possuírem ojeriza contra servidores públicos do Ibama, Icmbio, PF e afins.  

O modus operandi dos setores em desacordo com a Lei é constranger os funcionários em hotéis e espaços públicos. Não raro, você encontra personagens empreendendo tramas contra operações de órgãos de fiscalização em cafés dos hotéis da região. Já presenciei deputado em hotel em Novo Progresso nesta empreitada. 

Não faço a menor ideia qual foi o desfecho dos crimes cometidos em operação ativada a partir de comunicados nas redes sociais ou seria um SALVE? 

O jornalista de Novo Progresso que denunciou o crime foi ameaçado de morte. E, teve de ficar alguns meses fora da cidade. Assim como os jovens do Tapajós de Fato, portal noticioso de Santarém, que por conta de ameaças decidiram em não cobrir as eleições. 

Quando da passagem de um ano do Dia do Fogo, o Greenpeace fez um registro sobre o crime. Leia AQUI

Na mesma quadra temporal, a polícia do Pará forjou uma ação com vistas a imputar crimes contra jovens brigadistas que operavam em Alter do Chão.  Alguns foram presos, tiveram os cabelos raspados e passaram por toda ordem de constrangimentos públicos.

Após várias dias a farsa da polícia do Pará caiu por terra. 

Terra, floresta, rios, sobsolo e um voraz especulação imobiliária em jogo. O plano oficial é consolidar a região como um corredor de exportação de produtos primários. Santarém, a cidade polo da região, verticaliza com ligeireza.  É prédio pra tudo que é lado.  

Ocupação, loteamentos, condomínios enquadrados como de alto padrão, vilas de kitnetes integram o complexo cenário das disputas pela cidade. 

O site Amazônia Real fez excelente reportagem sobre a questão. Leia AQUI

Ameaças de morte, coerção pública e privada, notícias falsas (fake news) despontam como método dos extremistas.  A exemplo das ações que estão fazendo contra as universidades públicas, pessoas que foram eleitas ao Congresso do campo popular.

O autoritarismo é o horizonte do PL e da família Bolsonaro.  Por isso, urge ocupar as ruas, como o fazem estudantes, movimentos sociais e sindicalistas em defesa da democracia!  

“Quem morre calado é sapo debaixo de pé de boi”, palavra de ordem do movimento camponês. 

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