quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Quilombo Arapemã, Santarém/PA: erosões e navegação ameaçam o território

Pressionada pela comunidade, Prefeitura de Santarém declara novamente situação de emergência em território que vive erosão intensa das margens 



Prefeitura de Santarém (PA) declarou novamente situação de emergência na comunidade quilombola de Arapemã em razão do avanço da erosão das margens do rio sobre o território tradicional, após pressão da comunidade e organizações sociais. Publicado no dia 16 de setembro e com prazo de vigência de 180 dias, o decreto determina uma série de medidas para proteger as famílias ameaçadas pelas “terras caídas”, como atendimento social e de saúde, apoio à subsistência, monitoramento das áreas de risco e possibilidade de evacuação.  Leia a íntegra em Terras de Direitos

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Tráfico de drogas na Amazônia: Justiça condena sete pessoas por tráfico em Itaituba/PA

Penas variam de 16 a 20 anos de prisão; aviões e caminhonete usados no transporte da droga foram confiscados em favor da União. Droga foi apreendida na fazenda Buburé, de Valmir Clímaco de Aguiar, à época, prefeito da cidade. 



A Justiça Federal condenou sete pessoas no Pará por tráfico internacional de drogas, associação criminosa e porte ilegal de armas de uso restrito. A decisão acolhe a pedidos de ação penal do Ministério Público Federal (MPF), que comprovou o transporte aéreo de mais de 580 quilos de cocaína da Bolívia para o Pará em 2019.

A Polícia Federal interceptou o grupo no dia 7 de julho daquele ano na Fazenda Buburé, localizada às margens da Rodovia Transamazônica, em Itaituba (PA). Os agentes realizavam vigilância na pista de pouso da propriedade rural. A abordagem ocorreu no momento em que os integrantes transferiam a droga do avião para uma caminhonete no hangar. Leia a íntegra AQUI

Pulverização de veneno no Planalto Santareno: Tribunal Federal confirma competência da Justiça Federal para julgar o caso

Tribunal acolheu argumentos do MPF, reconheceu a legitimidade da União e liberou a análise de pedidos urgentes



A pedido do Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) confirmou a competência absoluta da Justiça Federal para julgar a ação civil pública sobre a pulverização terrestre de agrotóxicos no Planalto Santareno, no Pará. Por unanimidade, a 12ª Turma do tribunal acolheu, na última quinta-feira (17), recurso apresentado pelo MPF e reformou a decisão da 2ª Vara Federal de Santarém que havia determinado o envio do processo à Justiça Estadual. O acórdão reconhece a legitimidade da União e permite a análise dos pedidos urgentes do MPF para reduzir imediatamente os danos socioambientais na região. Leia mais AQUI

Educação indígena no Amazonas:

Falta de turmas presenciais nos territórios tradicionais de Barreirinha e de Lábrea força o deslocamento dos jovens para os centros urbanos



 O Ministério Público Federal (MPF) recomendou à Secretaria do Estado de Educação e Desporto (Seduc) a implementação imediata de turmas de ensino médio presencial em comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas nos municípios de Barreirinha e de Lábrea, no interior do Amazonas. A medida busca combater a omissão do estado na oferta de ensino público adequado na zona rural e em áreas de preservação, garantindo a permanência dos estudantes em suas terras de origem.

 

Resultado do desmantelo na Educação promovida por agente de negócios e ex secretário de educação no Amazonas, Rossieli Soares,  autoridades cobram que o governo cumpra a missão em garantir educação presencial para indígenas.  Com expertise em transferir dinheiro para a iniciativa privada, Soares protagonizou a mesma prática nos estado do Pará e  Minas Gerais. Leia a íntegra no site do MPF


Lavagem de dinheiro no Pará: força tarefa cumpre mandatos de busca e ampreensão em Belém e Ananindeua

Operação Sonar cumpriu mandados de busca e bloqueou R$ 17 milhões; Justiça afastou 12 servidores e um suspeito foi preso em flagrante 



O Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Sonar no último dia 15, no Pará. A ação conjunta investiga um esquema de desvio de dinheiro público, cobrança de propina e fraudes em contratos dentro de uma empresa pública federal sediada em Belém. Leia a íntegra AQUI

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Padre Amaro: movimentos sociais repudiam condenação arbitrária do agente da CPT/PA


O juiz Victor Barreto Rampal, da comarca de Anapu, no Pará, publicou no dia 11/09/2026, sentença  condenatória contra o Padre Amaro, ex-pároco da paróquia de Anapu. O juiz fixou uma pena  absurda de 19 anos e 6 meses de prisão a Amaro, sob a alegação da prática dos crimes de Extorsão  e Organização Criminosa. Padre Amaro segue em liberdade até julgamento dos recursos nos tribunais superiores. O processo contra Amaro teve início em 2017 a partir da articulação de um grupo de fazendeiros, coordenada pelo grileiro Silvério Albano Fernandes. Leia mais AQUI

Em 2018 o padre chegou a ser preso por vários meses sob a acusação de formação de quadrilha, esbulho possessório ameaça a ordem. As mesmas acusações já tinham sido imputadas à missionária Dorothy Stang. 

A igualmente agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) foi executada em fevereiro de 2005. Amaro a sucedeu. Assim como ela, experimentou toda ordem de ameaças e tentativas de silenciamento.  Sobre o caso, leia mais AQUI

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Jornalismo e violência na Amazônia: site de Santarém/PA desiste de cobrir eleições por conta de ameaças de morte


 

A REDAÇÃO do Tapajós de Fato passou parte deste ano definindo a pauta e buscando financiamento para cobrir as eleições de 2026. Mas ameaças e episódios de violência levaram o site de Santarém, no oeste do Pará, a abandonar o projeto antes da primeira reportagem. Leia a íntegra no Repórter Brasil. 

01 da Faria Lima


 

O 01 da máfia da F. Lima

Negocia rebentos de gente fina

Para família americana

Gente bacana

Que faz das crias estrume de banana

O 01 da máfia da F. Lima

Não raro

Negocia minérios de raras terras

Entregar dedos e anéis é o lema

0 01 é puro poema

Em sua conta a dúzia possui somente dez seres

A contabilidade é o seu forte

Caixa forte de loja de chocolate

Lavanderia em concreto rachado

Na Faria Lima tudo termina em rachadinha?

Sob chuva forte, o pangaré manco em aposentados dá o bote

Jararaca, cascavel, caninana

O 01 da F. Lima é categoria Master em crime organizar

Insetos na lavoura do INSS

Domina tudo

Tudo dominado

Sabe de cor o bê-a-bá

De cor e salteado

Indo e voltando

De trás para a frente

A celebrar Madame Satã

Oceanos de novinhas

6x1

Quem quer dinheiro?

Vorcaro, qual é a música?

Desamor, bandidagem, pedra no lago... Paranoá

Togas e paletós caros...Vorcaros...

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Conflito fundiário em Rondônia: MPF garante revogação de reintegração de posse em terra pública

 Decisão atende a pedido feito pelo órgão em 2021 e suspende processo até a conclusão de outra ação de movida pelo Incra


O Ministério Público Federal (MPF) obteve a revogação de ordem de reintegração de posse de imóveis rurais no Projeto Fundiário Jaru Ouro Preto, Gleba Rio Alto, Setor Nova Floresta, em Rondônia. A área fica próxima ao Projeto de Assentamento (PA) Nova Floresta, e está situada nos municípios de Jaru e Governador Jorge Teixeira (RO). A decisão da 5ª Vara Federal Ambiental e Agrária de Rondônia acolhe a posição defendida pelo MPF desde 2021 sobre a necessidade de aprofundar os levantamentos fundiários antes da adoção de medidas de retirada das famílias. Leia a íntegra AQUI

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Raymond Klebbert de Sousa, comunicador da WebTV Catraia é condenado por racismo contra indígenas é preso por estupro


Raymond Klebbert de Sousa, comunicador da WebTV Catraia, da cidade de Santarém/PA é condenado por estupro vulnerável.  Ele foi preso no começo do mês de setembro.  Saiba mais no G1

Trata-se do mesmo apresentador que foi condenado por racismo contra os povos indígenas do Baixo Amazonas no mês de agosto. Além de multa, ele e a empresa  foram  obrigados a produzir um vídeo de retratação pelo ato cometido contra os povos indígenas em 2022. Saiba mais AQUI

Versos de náufrago


 

Em frente ao riomar

Imensa melancolia assobia em vento quente

Anuncia que a tristeza sabe nadar

Velas ao mar

Barravento

Quão sem graça é deus

Que despreza a arte de chorar

Quando o peixe-mulher triunfa sobre o mar...agitado...

Em oposição às ondas

Pescador sem pescado não dispõe de encanto em navegar

Diante da rede vazia

Edificante soa o naufragar

Camões...Pessoa....longe de Lisboa

Quem sabe da vida é o instante de se findar

Tal as folhas de outono sobre o solo do quintal do lar

Tempo de mormaço

A varar o peito de aço

Um fado entope a casa em desalinho

Um samba dolente ocupa a mesa do bar

Pixinguinha a dedilhar em casa de Ciata

Alegria em combustão a dispersar notas e rimas

Enquanto o solo de Cavaquinho corrompe as sílabas da dor

Poesia inventa Melodia

Um riso de Ivone a clarear o terreiro

Tinindo

Trincando

Assim...em dia solar.....

SEDUC/PA: realiza um concurso de araque e provoca indignação entre educadores e candidatos


A insatisfação geral tomou conta da população paraense após o lançamento do concurso público, no final de agosto, para a área da educação. Anunciado pela governadora e candidata à reeleição, Hana Ghassan (MDB), o certame gerou revolta devido ao baixíssimo número de vagas ofertadas. Leia a íntegra no site da Nova Democracia

Dia do Fogo: sete anos depois....



Em tempos de seca e sol inclemente é mister recordar um crime recente ocorrido na Amazônia, o Dia do Fogo.

Faz sete anos que criminosos que operam no sudoeste do Pará protagonizaram o Dia do Fogo. O lema do governo de então era “passar a boiada”. E, assim, motivados e mobilizados pelo obscurantismo atearam fogo em parte da Amazônia paraense, já ferida de guerra por ações ilegais de traficantes de madeira, ouro, drogas e quetais.

Com tal bandeira – passar a boiada - o autor do enredo foi eleito deputado federal por São Paulo. Na época ministro do Meio Ambiente, o “cidadão do bem” estufava o peito e dizia ter orgulho em não conhecer Chico Mendes.

O cabra encarna o espírito bandeirante, onde pilhar, saquear, sequestrar, torturar e matar funcionam como bússola. Por trapaça da sorte, ele veste a camisa de partido denominado de Novo.  Nada mais contraditório.

Novo Progresso, Brasil Novo, Itaituba, São Félix do Xingu foram o epicentro da selvageria.  Por estas paragens é recorrentes setores reacionários possuírem ojeriza contra servidores públicos do Ibama, Icmbio, PF e afins.  

O modus operandi dos setores em desacordo com a Lei é constranger os funcionários em hotéis e espaços públicos. Não raro, você encontra personagens empreendendo tramas contra operações de órgãos de fiscalização em cafés dos hotéis da região.

Não faço a menor ideia qual foi o desfecho dos crimes cometidos em operação ativada a partir de comunicados nas redes sociais ou seria um SALVE? 

Quando da passagem de um ano, o Greenpeace fez um registro sobre o crime. Leia AQUI

Na mesma quadra temporal, a polícia forjou uma ação com vistas a imputar crimes contra jovens brigadistas que operavam em Alter do Chão.  Alguns foram presos, tiveram os cabelos raspados e passaram por toda ordem de constrangimentos públicos.

Terra, floresta, rios, sobsolo e um voraz especulação imobiliária em jogo. O plano oficial é consolidar a região como um corredor de exportação de produtos primários. Santarém, a cidade polo da região, verticaliza com ligeireza.   

Ocupação, loteamentos, condomínios enquadrados como de alto padrão, vilas de kitnetes,

O site Amazônia Real fez excelente reportagem sobre a questão. Leia AQUI


Amazônia: temperatura máxima na estação seca já aumentou mais de 3º em área preservada

Luciana Constantino | Agência FAPESP  



Uma área de mais de 700 mil quilômetros quadrados no centro-norte da Amazônia – quase o tamanho do Chile – registrou um aumento de pelo menos 3,2 °C nas temperaturas extremas da estação seca desde 1981. Nesse território, a elevação foi de, no mínimo, 0,75 °C por década, revela pesquisa publicada nesta quinta-feira (10/09) na revista Communications Earth & Environment por um grupo de 53 cientistas internacionais, incluindo brasileiros. Leia a íntegra AQUI



quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Alfaiates



Tibico e Fedor dominaram a régua e o compasso da alfaiataria na Camboa do Mato, em São Luís, ali na ilharga da Rua da Viração com Silva Jardim e arredores nos idos dos anos 1980.   Ambos eram negros.  Um era porrudo e o outro pouquinho.

Em comum, além da atividade como alfaiates nutriam afeição em atender os clientes desnudos da cintura para cima. Talvez o inclemente calor explique a opção. Sobre o cós da calça ou bermuda a samba canção ficava exposta. Geralmente era branca.

Antônio Carlos era o nome de registro de Tibico. Era encorpado. Sempre andava armado com um riso largo. Os tamancos sobre a rua de paralelepípedos denunciavam quando o artista da tesoura rumava para a feira da Liberdade armado como uma cesta de vime ou uma sacola mais resistente.

Antônio Carlos herdou a habilidade da costura do pai. A prole de Tibico era vasta. Ao menos umas três meninas e o Junior. A família robusta obrigava que além da alfaiataria o apaixonado por futebol defendesse um extra como enfermeiro. Seria o contrário?

Era seu Tibico, além do comerciante Alden, os responsáveis pela aquisição da bola de futebol de praia no bairro. Toda a tropa da rua era levada para a praia da Ponta D´areia na camionete de Alden, que além do comércio na Viração tocava outro do Mercado Central. Na cabeça da ponte do São Francisco era cultural conceder carona.

Seu Alden deve ter ido direto para o céu, caso ele exista. Era justo na esquina da casa dele que a molecada resolvia sentar praça toda noite. Era barulho que não acabava mais. Ele nunca raiou com ninguém. Nem mesmo durante as gritarias mais ferozes após os clássicos dominicais ou do meio de semana.

As paredes da casa de Tibico eram recheadas de fotos das crianças. Aqueles quadros clássicos do século passado onde várias fotos do mesmo rebento tomavam todo o espaço. Umas seis, pelo menos.

Fedor era franzino. Desconheço o nome de batismo. Esse morava na Viração.  A casa fazia frente com a garagem da oficina da UFMA. Salve engano, ele possuía somente uma filha. Moça estudada. Não dava confiança para a moçada. Sob sol ou chuva, ela atravessava impoluta com máxima elegância o corredor polonês dos moleques que tomavam a rua. Fosse ela para o serviço ou para a escola.

Tibico e Fedor eram os ases indomáveis da costura popular da comunidade. Recordo bem deles no período da farda da escola. Eram eles os estilistas de quase toda a gurizada daquela latitude da Quinta do Macacão e imediações.  

A produção das calças, em particular, era por eles assinada. Assim como as fantasias de carnaval e mesmo as roupas das quadras juninas. Na Camboa, Liberdade e Diamante e demais bairros diante da escassez festa abundava.

Em tempos de aperreio e rareamento de grana, o fiado comia solto. Muitas das vezes não era honrado. Os panos para a produção de parte das fardas eram adquiridos na Rua Grande, assim como das demais agendas do ano. Não carecia de tomar transporte até o comércio. A operação era feita a pé.

Tesouras, alfinetes, fita métrica, ferro de passar à brasa eram as ferramentas recorrentes dos mal ajambrados estúdios. Tão precários quanto os ateliês das escolas de samba da segunda divisão.

E, claro, a velha e boa máquina de costura. Aquele movida a pedal.  Azeitada com o lubrificante óleo Singer, quando do excesso de uso.  Tudo muito simples e original. Longe da desfaçatez de fóruns, palácios e catedrais e superiores tribunais.

Trabalho escravo no Pará: trabalhadores são resgatados no sul do estado

 Ação integrada do MPT, MTE e DPU também constatou violações trabalhistas em Conceição do Araguaia e São Geraldo do Araguaia. Empregadores firmaram TAC para regularizar situação.

                                                                    Alojamento em São Félix do Xingu

Três trabalhadores rurais foram encontrados em condições degradantes de trabalho e moradia em uma fazenda localizada na zona rural de São Félix do Xingu, no sudeste do Pará. A força-tarefa, realizada entre os dias 17 e 26 de agosto, integra a Operação Resgate VI com foco no combate ao trabalho análogo ao escravo e tráfico de pessoas no país. No Pará, a ação envolveu representantes do Ministério Público do Trabalho no Pará e Amapá (MPT PA-AP), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Defensoria Pública da União (DPU). Leia mais AQUI

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Amador, doutora Zélia, ancestralizou

 

 


 Amador, doutora Zélia, ancestralizou.   Em 2017, creio, junto com discentes de jornalismo Lilian Campelo e Daniel Leite Junior  do curso de jornalismo da Unama, unidade de Belém, realizamos um pequeno perfil sobre a professora e militante do movimento negro. 

O trabalho integra o volume I do projeto Arenas Amazônicas, denominado de negros, mulheres, periferia cultura e resistência. O livro pode ser baixado AQUI

Neste ano, atualizamos o perfil e fizemos um texto que acreditamos ser um ensaio. Ele também coteja informações sobre a sindicalista de Santarém, Ivete Bastos. O trabalho foi finalista do concurso Margarida Alves.

Faz poucos dias a UFPA assentou um baobá em homenagem à longa jornada da educadora. Veja AQUI

Ao lado de Nilma Bentes e outros pares Zélia Amador foi essencial nas batalhas contra o racismo. 

A ventania Zélia emprenhou o solo do Pará e além riomar de  sementes de insubordinações.  Oxalá, que a terra lhe seja leve!!!

 

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Direitos Humanos e o povo Munduruku: corte internacional visita aldeia no Pará

Comitiva acompanhou as atividades para dialogar com a comunidade e apresentar iniciativas implementadas para garantir proteção

Assessoria do MPF/Santarém/PA

O Ministério Público Federal (MPF) integrou a delegação que acompanhou a visita da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) ao Território Indígena Munduruku, no Pará. Entre os dias 1º e 3 de setembro, representantes do MPF, do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) acompanharam as atividades no local com o objetivo de dialogar diretamente com as comunidades beneficiárias das medidas protetivas decretadas pelo tribunal internacional. As determinações exigem que o governo brasileiro garanta a integridade física, a saúde e a segurança do território contra invasões e o avanço do garimpo ilegal. Leia mais no site do MPF

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Raimundo Jinkings: uma vida marcada pela generosidade e pela luta em prol da emancipação humana



Por Ivana Jinkings

Era pra ser uma biografia. Juntamos documentos, fotografias e a fonte principal seria, claro, a companheira de toda uma vida: Isa Jinkings, minha mãe. O plano, ter o volume sobre o dirigente comunista, jornalista e livreiro Raimundo Jinkings, meu pai, pronto para ser publicado nos dez anos de seu falecimento. Leia a íntegra AQUI

Entre eleições, bandeiras e desumanidade do trabalho

 

A robustez das nuvens de poeira que se formam rotineiramente na avenida Ghilon é proporcionalmente direta ao porte dos veículos que diariamente percorrem a principal via da área de expansão do município de Santarém.  

Trata-se de uma geografia que expressa de forma nítida os diferentes sujeitos que operam pelo controle do território. Cá temos ocupação, loteamentos, vilas de kitinetes em abundância, atacarejos, shopping, Centro de Convenções, inúmeros prédios residências e outros em construção, conjunto classificado como de alto padrão a rivalizar com o Minha Casa, Minha Vida. Classes diametralmente em oposição. 

A ausência de calçamento povoa os bairros populares. Escolas públicas celebram representantes das burguesias locais. A exemplo de famílias de confederados e mães de oligarcas. Pequenas e médias "quitandas" da fé competem com comércios convencionais. 

Verão. O calor é inclemente. Beira a casa dos 40º.  Desconforto que é incrementado com a umidade que por cá nesta época do ano precipita. Situação que exige hidratação a todo momento.

É tempo de eleição. É sob tal guarda-chuva de aridez de múltiplas dimensões acima   mencionado que os párias da sociedade seguram bandeiras de candidatos a cargos nos legislativos e executivos (União e estado) desprovidos de quaisquer resquícios de identidade com a classe a que integram. Violências estruturais.

Árvores rareiam na via. O que obriga os temporários a caçarem sombra de postes que conforme o movimento do sol, muda de lugar.  A cada eleição, quase nada da situação precária a que os “bandeiras” estão acorrentados muda.

Sequer usam um boné, em vã tentativa de proteção. Dirá um kit de sobrevivência diante de sol tão potente. Protetor solar desponta como artigo de luxo. Assim como possível garrafa de água.  

Não faço ideia da carga horária diária a que estão submetidos, e se ao menos existe algum tipo de contrato como prestador de serviço em empunhar e sacudir a bandeira do opressor. Contudo, aposto na inexistência de qualquer de seguro para acidentes.

Cena triste. Mais triste que uma manhã de quarta-feira cinza de carnaval, quando a ilusão e a fantasia voltam de mãos dadas para o refúgio do barracão. Será que um dia o império da lei há de chegar no coração do Pará?