domingo, 25 de outubro de 2026

Carta de Bispos Católicos ao Povo de Deus diante do Segundo Turno das Eleições Presidenciais de 2026

O Senhor Deus falou, quem não profetizará? (Amós 3,8)

Mais de 60 bispos católicos assinam a Carta ao Povo de Deus. Foto: Divulgação

O papa Leão XIV, em sua encíclica Magnifica Humanitas, diz: “Há situações em que, para permanecermos humanos, temos de abandonar as hesitações e tomar posição. Há conflitos nos quais não é justo permanecer neutros nem é suficiente pensar ‘não ser cúmplice’” (216). Leia mais AQUI

O Nordeste é arretado, por Guilherme Lopes

Como nordestino, economista, autor de uma tese sobre a estrutura produtiva nordestina e professor de Formação Econômica do Brasil, sinto-me compelido a comentar desse triste comentário/proposto.

Por 500 anos o Nordeste serviu como plataforma de exportação das riquezas e produtos naturais, especialmente a cana de açúcar em um primeiro momento. Depois o algodão e o cacau, e mais recente a soja e a fruticultura irritada. O problema é que a renda do setor externo que abastece os cofres - públicos e particulares-  não se traduz em desenvolvimento local. .

Celso Furtado, paraibano, economista brasileiro mais lido no mundo, compreendeu  que "o problema Nordeste" não poderia ser reduzida à questão hidráulica da escassez de água, diagnóstico comum até então. O problema era também econômico e estrutural. A concentração de terra nos grandes latifúndios implicava que as exportações não se traduziam em dinamismo sobre a economia local. Ao contrário, o excedente econômico era vazado ao exterior na forma de importação do padrão de consumo exógeno à estrutura de oferta regional. A renda não se fixava nos espaços internos de acumulação. 

Ou seja, a renda gerada no setor exportador não se convertia, necessariamente, em diversificação produtiva, ampliação do mercado interno, integração das cadeias econômicas e melhores condições de vida para a população. A concentração da terra e da renda reproduziam uma estrutura econômica profundamente desigual, com bloqueio sobre os circuitos internos de produção e consumo, limitando a  transformação da riqueza produzida em dinamismo para a própria região. 

A solução  para Furtado deveria vir de políticas e investimentos públicos voltadas para a transformação sobre a estrutura produtiva, com inclusão das pessoas no mercado de trabalho, expansão dos fluxo da renda, aumento no grau de circulação monetária, integração das cadeias setoriais, aumento da produtividade e diversificação produtiva.

Os avanços sociais e econômicos observados no Nordeste nos últimos anos precisam ser compreendidos nesse contexto. A ampliação do emprego e da renda, a redução da pobreza e da insegurança alimentar e a expansão de políticas habitacionais e de infraestrutura não aconteceram por geração espontânea. Resultam de uma combinação de políticas públicas, direitos sociais conquistas e mudanças sobre o direcionamento da política econômica.

Bolsa Família, Isenção Tributária, BPC, previdência rural, interiorização das universidades federais, Pé de Meia, Farmácia Popular, Mais Médicos, políticas de acesso à água (Programa das Cisternas), apoio à agricultura familiar (Pronaf e o Programa de Aquisição de Alimentos e ), investimentos em infraestrutura (PAC, NIB) e programas habitacionais (Minha Casa Minha Vida), compõem esse conjunto. São instrumentos que ajudam a sustentar a renda, ampliar direitos sociais e criar condições para que as famílias permaneçam em seus territórios, inclusive diante de adversidades climáticas.  Aliás, entre 2012 a 2016 vivemos uma das maiores secas nos últimos 100 anos. Sabe quantos migrantes ou mortos pela  secas tivemos? Nenhum. Ao contrário, mesmo com a seca houve um movimento de retorno demográfico ao Semiárido. Ela (a seca) passou despercebida, fruto das políticas públicas implementadas ao longo dos anos 2000 no governo Lula. 

Isso não significa ignorar os limites dessas políticas, tampouco afirmar que os problemas históricos do Nordeste foram superados. A região continua enfrentando desigualdades profundas, baixa renda relativa e importantes desafios de transformação produtiva. Mas reconhecer esses limites é muito diferente de desconsiderar os avanços alcançados.

Nesse último mandato o governo Lula trouxe avanços expressivos em alguns desses indicadores, como aumento de 16,1% do rendimento domiciliar per capta, crescimento de 13,9% da massa salarial e  expansão de 5,1% dos empregos no Nordeste. Crescimento de renda e emprego é sinônimo de redução da pobreza, que caiu 7,6 pontos percentuais entre 2022 e 2024, e da fome com declínio de 4,1% para 3,2% dos domicílios da região.  Em níveis nacionais, a taxa de desemprego no nordeste chegou a mínimas históricas de 6,6% e a taxa de analfabetismo caiu para 11,1%, . Ademais, houve ampliação de 4,1% nos investimentos sobre o saneamento chegando a R$ 4,96 bilhões e, entre 2024 e 2026(até o momento), R$ 13, 8 bilhões de investimentos pelo programa Minha Casa Minha Vida, retraindo o déficit habitacional na região.

Ignorar esses dados é desconsiderar décadas de reflexão sobre a economia brasileira e regional, é esquecer do importante papel das políticas públicas ao desendolvimenro regional. 

Diante desses desafios que precisamos ampliar a discussão científica sobre o desenvolvimento regional: como ampliar a capacidade de produzir, reter e reinvestir o excedente econômico? Como transformar exportações em cadeias produtivas mais diversificadas, empregos de qualidade e melhores condições de vida? Como reduzir a dependência de decisões tomadas fora dos territórios?

Cabe então perguntar: vocês realmente acreditam que a prosperidade do Nordeste virá de gorjetas?

Voltaremos a depender da suposta benevolência estrangeira, que tanto teria contribuído para desenvolver nosso país (sic!)? Faça-me o favor...

O desenvolvimento de uma região não se constrói com caridade, mas com transformação estrutural, políticas públicas, investimento, trabalho e ampliação de direitos.

Pelo Nordeste, que não cabe na gorjeta de ninguém, pelas políticas públicas, e pelo anseio de um Brasil mais justo, que voto 13, voto em Lula.


Guilherme Lopes - UFMT

sábado, 24 de outubro de 2026

Eleições: pequeno manifesto em defesa das ruas, do samba e da alegria

 


Desde remotas eras as burguesias nacionais possuem como esporte dileto incendiar espaços sagrados de religiões de matriz africana. O ódio de classe, raça, gênero, e mesmo de localização geográfica (Norte e Nordeste) se estende para outras modalidades de batuques, a exemplo do samba.

Os batuqueiros eram enquadrados como vagabundos, e as mulheres que participavam das rodas de samba como sem vergonhas. Assim , filosofou  o samba Delegado Chico Palha, de 1938, autoria de Tio Hélio e Nilton Campolino. Marcelo D2 atualizou a interpretação no Quintal do Zeca.   Pega a visão lá...

A atividade hoje reconhecida como manifestação cultural  de primeira linha  e relevante eixo da economia criativa era enquadrada como vadiagem.  Mais de dois pretos batucando em uma esquina eram recambiados para averiguação.  Pouca coisa mudou....

Criminalizar a pobreza é uma questão estrutural, assim como momentos de lazer. Se há pobreza e movimento social, tudo piora. Tu sacas o que fazem com o MST? O menino mimado que desconhece o que é uma enxada mandou o preconceito no debate.

Tal persperctiva, em parte, ajuda a explicar o combate no Congresso ao projeto da escala 5x2.  Traballhar até morrer é o ideal para o capital. Nada de samba, alegria e filosofia.

Ah, as nossas burguesias são fogo. Como Emicida, prefiro a categoria burguesia em detrimento de elite. Como argumenta o pensador/rapper/professor, elite é o que temos de melhor.

E o que temos de melhor, é  o nosso povo, que tomou as ruas em defesa da democracia e da nossa soberania nacional. Égua oxigênio mano. Saravá aos manos/as de Niterói/RJ. Laroyê, Exu! A rua é nois!.

Ah, as nossas burguesias são fogo: entreguistas e incendiárias. Nos dias recentes, ampliaram o espectro para além dos terreiros de macumbas  e passaram a tocar fogo em universidades, a exemplo do crime ocorrido na UFPE.  Crime de lesa pátria. Minha solidariedade aos irmãos de Pernambuco, até porque "um galo sozinho não tece uma manhã". Parada de João Cabral de Melo Neto.  

Como tá barra ser professor em dias tão obscuros. A todo momento uma ameaça que passa por assédio  jurídico ou mesmo de morte. Larrrisa Bombarti, professora da USP, por cartografar o uso abusivo de veneno em monocultivos teve de pegar o beco do país.

Criminosos conspiram em USA.  Os caras estão clamando por bombardeio do Brasil. Patriotismo de cair o cu da bunda. Clamam por taxação que provoca danos mesmo nos próprios setores que os apoiam.

Ah, as nossas burguesias.  Uns saem para fugir das barras da lei, a exemplo do Bananinha, irmão do candidato  miliciano, enquanto outros são obrigados para a manutenção da integridade física.

O caso não é isolado. Em todo país há registros de assédios judiciais e de ameaças de morte.  A vida do professor tá de matar! A vida de professor tá de morrer!

É fogo! É fogo! É fogo!.  O fogo que passou pelos terreiros e universidades, agora alcança as igrejas católicas e seus símbolos. Ódio territorializado.  Ah, Nossa Senhora de Nazaré, ah, Nossa Senhora de Aparecida, Ah, Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós.

Há uns sete anos o ódio articulado em redes sociais tocou fogo na Amazônia. O evento teve até batismo: o Dia do Fogo!.  Crime orquestrado durante o desgoverno do pai do candidato. Os colegas do Icmbio, Ibama, Incra, PF e PRF, entre outras funcionários públicos quando em operação de campo são hostilizados nas operações em combate aos crimes. Chapa quente operar no sertão amazônico.  

Samba é sabedoria. O músico paraense Billy Blanco, por conta de preconceito sofrido pela sua musa matriz, Dolores Duran, uma mulher negra, mandou o recado: Não fala com pobre/Nâo dá mão a preto/Não carrega embrulho/Pra que tanta pose, doutor/Pra que tanto orgulho/A bruxa que é cega esbarra na gente/E a vida estanca/O enfarte lhe pega, doutor/E acaba essa banca/A vaidade é assim, põe o bobo no alto/E retira a escada.  ...Mais alto o coqueiro/Maior é o tombo!

Seria um síntese do candidato que nunca escreveu um projeto em defesa da classe trabalhadora? Em contrapartida, mostra-se um ás em defender assassinos de crianças e notório em relações duvidosas com banqueiros, milícias e afins. 

Até uma ilha o cabra ajudou a tomar de  Richarlisson, um jogador de visibiidade internacional. O que fará das aposentadorias, pensões e outras políticas de seguridade social de marias e josés ninguém?

É o povo nas ruas, nas redes e oxalá nas urnas que tirará a escada do menino mimada que nunca soube o que é trabalho, levantar na madrugada, tomar várias conduções até chegar ao trabalho, já exaurido.

CésarTeixeira, nordestino do Maranhão, disparou a pérola da luta popular: “com as bandeiras nas ruas ninguém pode nos calar”.  

Em outra estrofe sintetiza: “Quem nos ajudará a não ser a própria gente!” 

As ruas, as giras, os batuques e sambas encarnam tecnologias sociais de reinvenção da vida diante da escassez. É comunhão! É puxirum! É mutirão! Saravá!! 

Alô Antonio Simas, Ivone Lara, Ciata, Nei Lopes e todas as velhas guardas do país, Clóvis Moura, Maria Aragão, Dandara, Zumbi e Chico Science...Bença, posto o homem coletivo sentir a necessidade de lutar, e é na rua que a gente se encontra!

 

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

ANDES-SN divulga carta pública de cientistas em defesa da democracia e do futuro do Brasil

 O ANDES-SN divulgou, nessa segunda-feira (19), a carta pública “Cientistas brasileiros se manifestam em defesa da democracia e do futuro do Brasil”, que reúne pesquisadoras e pesquisadores, docentes, estudantes, técnicas e técnicos em defesa da democracia, da soberania nacional e do sistema público de educação, ciência e tecnologia. A iniciativa ocorre na semana decisiva do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Leia a íntegra AQUI

Eleições e universidades: Comunidades universitárias sofrem com ameaças de morte e violência política

 Na tarde de 15 de outubro, Dia da Professora e do Professor, a professora Samara de Oliveira Silva, da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), campus de Parnaíba, encontrou 13 bilhetes com ameaças de morte no laboratório em que trabalha. Em nota divulgada nessa terça-feira (20), o ANDES-SN manifestou solidariedade à professora e à comunidade acadêmica da Uespi e cobrou a apuração célere da autoria das ameaças e a responsabilização das pessoas envolvidas. Leia íntegra do ANDES

Assédio eleitoral: executivos da Globo Paraná constrangem funcionários

 


Curitiba, 22/10/2026) Atendendo pedido do Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR), apresentada em ação civil pública ajuizada nesta semana, a Justiça do Trabalho concedeu, nesta quinta-feira (22), liminar que obriga a RPC TV, afiliada da Rede Globo no Paraná, a tomar medidas de prevenção e combate ao assédio eleitoral dentro da empresa. A ação é decorrente de denúncia recebida pelo MPT-PR com relatos de que trabalhadores da emissora estariam recebendo ameaças de cortes salários e de benefícios, a depender do resultado no segundo turno das eleições presidenciais, que acontece neste domingo (25). Leia a íntegra no MPT/PR

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Eleições 2026: MP Eleitoral aciona TSE para garantir que populações indígenas consigam votar no 2º turno

 Documento enviado ao ministro Kassio Nunes aponta falhas no 1º turno, como falta de transporte e barreiras linguísticas


Com o objetivo de assegurar o pleno exercício do voto às populações indígenas no segundo turno das Eleições 2026, o Ministério Público (MP) Eleitoral solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) providências para sanar problemas logísticos e operacionais identificados no primeiro turno. O pedido de apoio institucional foi feito pelo vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, por meio de ofício ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. Leia mais AQUI


Manipulação da Meta nas eleições mobiliza justiça

 O Ministério Público Federal (MPF) ingressou, nesta quarta-feira (21), com uma ação, com pedido de urgência, para barrar bloqueios, suspensões de contas e restrições de alcance promovidos de forma arbitrária pela Meta Platforms e pelo Facebook Serviços Online do Brasil nas plataformas Instagram, Facebook e WhatsApp. Leia a íntegra AQUI

Mineração no Xingu: MPF obtém no STF suspensão da licença de instalação do Projeto Volta Grande

 A pedido do Ministério Público Federal (MPF), o Supremo Tribunal Federal (STF) restabeleceu a suspensão da licença de instalação do Projeto Volta Grande de Mineração, previsto para o município de Senador José Porfírio, no Pará. A decisão impede, neste momento, a retomada das atividades de instalação do empreendimento. Leia mais no MPF

Indígenas nas eleições : indígenas ocupam UFOPA em plenária em defesa da democracia e de seus territórios

 Pelo menos mil indígenas de 14 povos do Baixo Amazonas ocuparam a UFOPA nesta manhã em defesa da democracia

Plenária indígena realizada da unidade Tapajós da Ufopa, Santarém/PA

É verão. A chuva escasseia. Os raios de sol atravessam as nuvens de fumaça de queimadas às margens dos rios Tapajós e Amazonas, na cidade de Santarém, no oeste do Pará.   Aos fundos do campus da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) algumas pessoas praticam esportes náuticos. 

A cidade reconhecida mundialmente pela vastidão de sítios arqueológicos, em décadas recentes tem sido palco recorrente de disputas territoriais e simbólicas, em particular por conta do avanço da agricultura capitalista. A todo momento há algum tipo tensão em toda a região do Baixo Amazonas.

Indígenas, quilombolas e camponeses em sua heterogeneidade em um flanco, madeireiros legais e ilegais, grileiros, garimpeiros, traficantes, grandes corporações de mineração, construtoras, o próprio Estado noutro.

Os considerados mais frágeis diante da agudização das tensões, forjam barricadas em defesa de seus territórios e pela manutenção de políticas públicas. Nesta direção, indígenas empreendem históricas manifestações, a exemplo do que ocorre agora na Ufopa.

Aos poucos os povos afrontam a cidadela da Ufopa. Muitos são estudantes de graduação e pós. Há também professores, contudo, ainda são poucos. O riomar de gente faz do corpo território. Pinturas e cocais distinguem a origem de cada um. Assim como os cantos e outras formas de representação. O sagrado rio Tapajós está ferido de morte por mercúrio de garimpos. 

Diante de inúmeras queimadas criminosas no município e vizinhança, ataques a espaços físicos de instituições camponesas e mesmo intimidação a padres em missas, pelo menos mil indígenas ocuparam pela parte da manhã a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), no município de Santarém, no oeste do Pará.

O segundo turno das eleições foi a pauta principal da plenária que reuniu representações de 14 povos da região do Tapajós.  Um representante do povo Tupinambá alertou que “A eleição do candidato do PL, Flávio Bolsonaro para os territórios indígenas e para a Ufopa representa uma grande ameaça. Não haverá reconhecimento dos territórios. A universidade pode acabar. Esse partido odeia indígena, quilombola e a classe trabalhadora. Não podemos permitir o avanço de Bolsonaro”.  

A UFOPA é considerada a universidade com o maior número de discentes indígenas e quilombolas do Brasil. Ela abriga pessoas oriundas de várias cidades da do Baixo Amazonas e mesmo de outros estados, a exemplo do vizinho Amazonas. 

A mesma inquietação foi ventilada com relação às instituições ligadas às temáticas indígenas, meio ambiente e camponesa, a exemplo do Icmbio, Ibama, Incra e Funai. Um representante do povo Munduruku advertiu que “se eleito, esse povo vai destruir tudo que a Constituição de 1988 conseguiu minimamente assegurar para os nossos povos.  A nossa saída é Lula”.  

Canções e falas fizeram parte da dinâmica da manhã marcada pelo revezamento das falas das representações dos povos. São 14 povos, onde constam Munduruku, Tupinambá, Kumaruara, Borari, Arapium, Apiaká, Maytapu, Tapajó, Tupaiú, Tapuia, Jaraqui, Arara-Vermelha, Munduruku-Cara Preta e Sateré-Mawé.

O Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (CITA) é um dos animadores da plenária, e agita a organização de fiscalizações nas seções de votações e conscientização dos parentes no voto pró-Lula.  “Gente, caso Bolsonaro vença, não terá dialogo, somente violência e bala. A nossa vida e o nosso futuro estão em jogo”, alerta uma jovem Arapiun.   

Composição da mesa com caciques dos 14 povos do Tapajós

Histórico de Luta Indígena

Ao longo dos anos recentes os povos da região do Baixo Amazonas e de outras latitudes do estado do Pará têm mobilizados várias ações diretas de enfrentamento às ameaças de seus territórios e de direitos indígenas, mesmo na gestão de Lula.

Há uns dez anos enfrentaram o projeto de construção da hidroelétrica de São Luiz do Tapajós.  Há mais ou menos uns dois anos, enfrentaram o governo Barbalho que desejava a imposição de ensino à distância (EAD). E, neste ano, conseguiram barrar a tentativa de privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.

Contra o ensino EAD os povos acamparam na secretaria de Educação em Belém por quase 30 dias. No caso da privatização dos rios, as ações ocorreram no pátio da empresa estadunidense Cargill, na cidade de Santarém, por 30 e poucos dias.


Em todas as ações o movimento indígena triunfou.  Como recurso para dialogar com o conjunto da sociedade, uma caminhada será realizada no fim da tarde, com concentração na orla da cidade de Santarém, a partir das 16h.

Maria do Carmo, deputada estadual reeleita (PT/PA), Airton Faleiro, deputado federal reeleito (PT/PA) e Sônia Guajajara, deputada federal (PT/SP) participam da jornada, que terá como culminância a ação de rua, orla da cidade, que um dia foi o solo sagrado do povo Tapajó. 

O Baixo Amazonas é um território considerado estratégico para a agricultura capitalista. O horizonte é consolidar a região como um corredor de exportação de produtos primários. Complexos portuários e hidroelétricos, modal de transporte (rodovia, ferrovia e hidrovia) constam na agenda de grandes corporações. 

É um território em constante tensão entre as comunidades consideradas com tradicionais e exploradores ilegais de madeira, garimpeiros, denominações religiosas, traficantes, Estado, construtores de portos ilegais e afins.    


segunda-feira, 19 de outubro de 2026

II Simpósio do Curso de Gestão Pública debate 38 anos da Constituição Federal

 



Diante da encruzilhada contemporânea marcada por múltiplas crises (civilizatória, do capital, da democracia e climática) e constantes ameaças dos direitos garantidos da Carta de 1988, o curso de Gestão Pública da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), realiza II Simpósio de Gestão Pública, entre os dias 20 e 21.

O objetivo é refletir sobre os desafios da democracia brasileira diante da ameaça obscurantista e reacionária de ideologias totalitárias. A abertura ocorre amanhã, dia 20, a partir das 17h, na auditório da unidade Tapajós.

As professoras Camila Jácome, Rui  Rui Harayama e a coordenadora do curso de Gestão Pública, Valeska Ferreira serão as conferencistas da mesa de abertura.  

Além de professores e professoras do próprio curso de Gestão Pública, professores de outros cursos contribuirão no debate, assim como representantes do Ministério Público do Estado, educadores populares e militantes dos movimentos sociais.

O evento é aberto e gratuito. A coordenação do evento convidou algumas escolas de ensino médio. 

 Confira a programação AQUI


domingo, 18 de outubro de 2026

Sindicalistas do mundo realizam mobilizações em defesa da democracia do Brasil



A Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), organização internacional com sede em Montevidéu, no Uruguai, que reúne centrais sindicais do continente e integra o movimento sindical mundial, anunciou oficialmente seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições brasileiras.


Em declaração publicada em 5 de outubro, intitulada “Eleger Lula em defesa da democracia e derrotar a extrema direita”, a entidade destacou a defesa dos direitos trabalhistas, da justiça social, da igualdade e da soberania nacional.

A mobilização ganhou dimensão internacional em 13 de outubro, quando a CSA e a Confederação Sindical Internacional (CSI) reuniram representantes sindicais de mais de 30 países, incluindo organizações das Américas, da Europa e da África.

Para a confederação, a eleição brasileira ultrapassa as fronteiras nacionais e tem implicações para a democracia, os direitos humanos e a proteção da classe trabalhadora em diferentes regiões do mundo.

Durante o encontro, organizações internacionais manifestaram solidariedade ao povo brasileiro e defenderam a mobilização dos brasileiros residentes no exterior.

O movimento também chega às ruas de outros países. Comunidades brasileiras estão organizando manifestações em defesa da democracia durante a reta final da disputa presidencial.

🇧🇷🌎 MOBILIZAÇÕES INTERNACIONAIS PELA DEMOCRACIA:

🇩🇪 17 de outubro, sábado | Berlim, Alemanha

Das 14h às 16h, na Pariser Platz, junto ao Portão de Brandemburgo. Manifestação contra Bolsonaro e em apoio a Lula.

🇺🇸 18 de outubro, domingo | Nova York, Estados Unidos

Às 15h, caminhada com concentração na Union Square e percurso até a Washington Square.

Os horários são locais e estão sujeitos a alterações pelos organizadores. Até o momento, essas são as duas próximas convocatórias no exterior com data e local identificados no levantamento.

O segundo turno brasileiro está marcado para 25 de outubro.

Povos da Floresta realizam caminhada pró-Lula no dia 21, quarta feira, em Santarém/PA

 


sábado, 17 de outubro de 2026

Ameaças às universidades: MPF acolhe denúncia do ANDES-SN



O Ministério Público Federal (MPF) acolheu uma representação do ANDES-SN que denuncia ameaças, intimidações e episódios de violência contra estudantes, docentes, técnicos e técnicas e comunidades acadêmicas em instituições de ensino superior brasileiras. Em despacho nesta quarta-feira (14), o procurador da República Julio José Araujo Junior determinou que universidades e institutos federais do Rio de Janeiro prestem informações sobre as medidas adotadas para proteger a comunidade acadêmica e assegurar a liberdade de expressão nos campi. Leia mais no ANDES

Eleições na Amazônia: movimento camponês de Santarém/PA sofre mais um ataque contra seus espaços de organização

 Há uns sete dias espaços estão sendo saqueados e incendiados 



A sanha contra o movimento de camponês de Santarém, oeste do Pará, continua.  Desta feita incendiaram um espaço da Federação das Associações de Moradores e Comunidades do Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande (Feagle).

O crime ocorreu na comunidade deMuruí, no dia de ontem, 16. A sede da federação e a casa dos cuidadores viraram cinza. Um boletim de ocorrência foi realizado pela representação dos extrativistas.

O PAE Lago Grande é o território marcado por inúmeras situações de conflitos que vai de exploração ilegal de madeira, passando por construção de portos clandestinos para escoar a madeira saqueada, tensões com a mineradora Alcoa e o tráfico de drogas.

Por conta destas tensões, o Sindicato de Trabalhadores Rurais contabiliza pelo menos 20 pessoas ameaçadas de morte.  Uma extrativista da comunidade que prefere não se identificar, defende que urge os responsáveis serem punidos.

Uma série de crimes em série estão sendo perpetrados contra com os movimentos que defendem os territórios na região, considerada estratégica para a agricultura capitalista.

Um comunitário do Lago Grande avalia, que a situação “passa pelos incêndios em vários lugares, a exemplo do que tem ocorrido no Chapadão (PA-370, Transuruará), Arapixuna, Aninduba e outras localidades, pelos roubos dos equipamentos e documentos da associação de mulheres e da cooperativa ligado ao sindicato dos trabalhadores rurais na semana passada”.





 

 

Quilombos: MPF obtém no TRF1 decisões favoráveis a comunidades quilombolas no Pará e na Bahia



O Ministério Público Federal (MPF) atuou em dois julgamentos recentes do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) sobre terras quilombolas. No Pará, o tribunal acolheu manifestação do MPF e confirmou que uma comunidade de Abaetetuba está isenta do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) desde a expedição do título da terra. Na Bahia, a Corte concedeu o prazo de seis meses para que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) avance no processo de regularização do Quilombo Pitanga dos Palmares e suspendeu temporariamente a multa diária fixada, sem afastar a obrigação da autarquia. Leia mais no MPF

Usina de Teles-Pires: TRF1 segue o MPF e mantém inversão do ônus da prova em ação sobre impactos de usina na divisa entre MT e PA

Ibama e concessionária devem provar o cumprimento das condicionantes da licença de operação da Usina Hidrelétrica Teles Pires

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) decidiu manter a inversão do ônus da prova na ação civil pública sobre os danos ambientais ligados ao enchimento do reservatório da Usina Hidrelétrica Teles Pires, na divisa entre Mato Grosso e Pará. A relatora do caso no tribunal negou o recurso do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que buscava afastar a medida ou restringi-la à Companhia Hidrelétrica Teles Pires (CHTP). Leia mais AQUI

Racismo contra nordestinos: Justiça Federal condena dois indivíduos


A Justiça Federal na Paraíba condenou duas pessoas pelo crime de racismo contra nordestinos, após publicação e compartilhamento de mensagem discriminatória na rede social Facebook. A sentença acolheu integralmente a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e reconheceu que associar a população nordestina beneficiária de programas sociais à falta de disposição para trabalhar reproduz preconceitos históricos contra pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Leia a íntegra no MPF

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

"Para a extrema direita, professores e estudantes são os inimigos a retaliar". Entrevista com Paulo Sérgio Pinheiro

O cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, ex-professor da Universidade de São Paulo (USP), criticou a “apatia” e a “falta de mobilização” de professores da maior instituição de ensino superior do país diante dos sucessivos ataques que ocorrem a universidades federais em reação às mobilizações estudantis que marcaram o início da campanha de segundo turno das eleições presidenciais.

Paulo Sérgio Pinheiro, 82 anos, é professor aposentado de ciência política na USP. Foi secretário nacional de Direitos Humanos, de 2001 a 2003, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e relator especial da ONU para a Síria e membro da Comissão Arns. Leia a íntegra no site IHU