sexta-feira, 24 de julho de 2026

Alcoa em Juruti/PA: laudo do MPF atesta irregularidade ambiental da mineradora em dragagem do rio Amazonas


O Ministério Público Federal (MPF) produziu um laudo científico que atesta graves ilegalidades no processo de licenciamento ambiental concedido à empresa Alcoa World Alumina Brasil para a dragagem do Rio Amazonas, em Juruti (PA). Peritos em Oceanografia, Engenharia Sanitária e Biologia apontaram que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) autorizou operações de grandes proporções com base em estudos simplificados, insuficientes e desatualizados, permitindo obras que causam danos diretos às comunidades tradicionais, à fauna aquática e à calha do rio. Leia mais no MPF

Movimento Tapajós Vivo apresenta relatório sobre o corredor de logística no Tapajós-Xingu




O Movimento Tapajós Vivo, em parceria com a Transparência Internacional – Brasil, lança o relatório “Corredor Logístico Tapajós-Xingu: Infraestrutura, Transparência e Governança”, que analisa a transparência de 10 intervenções de infraestrutura relacionadas ao Corredor Logístico Tapajós-Xingu. O estudo revela um cenário preocupante: os empreendimentos avaliados alcançaram média de apenas 27,75 pontos em uma escala de 0 a 100, indicando um baixo nível de transparência.

A pesquisa aponta lacunas importantes na divulgação de estudos técnicos e ambientais, informações sobre a execução e o monitoramento das obras, além de falhas na transparência dos processos de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI), fundamentais para garantir os direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais potencialmente afetados.


As grandes obras de infraestrutura que avançam sobre a Bacia do Tapajós precisam ser acompanhadas com transparência.

O novo relatório “Corredor Logístico Tapajós-Xingu: Infraestrutura, Transparência e Governança”, produzido pelo Movimento Tapajós Vivo em parceria com a Transparência Internacional – Brasil, analisou 10 intervenções de infraestrutura e identificou um cenário de baixa transparência, além de apresentar recomendações para fortalecer a participação social e a governança na Amazônia. 

📲 Confira a public

📄 Acesse o relatório completo:

Caso Gabriel Pimenta: entidades se reúnem para definirem o local de homenagem




Representantes do MPF, UNIFESPA, CPT, OAB, CEPASP, STR de Marabá e da Prefeitura Municipal, se encontraram nessa terça-feira, na sede da Unifesspa para visitarem e avaliaram o local indicado pela Universidade, para a construção de um espaço coletivo de memória, dedicado ao advogado Gabriel Sales Pimenta, assassinado em Marabá em 1982.

A nominação de um espaço público em homenagem a Gabriel, constitui uma obrigação imposta pela sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA. 

A sentença contra o Estado brasileiro foi publicada em 2023 e se encontra na fase de execução de todas cláusulas constantes da decisão. 

O local indicado foi aprovado pelos representantes das entidades presentes e, o próximo passo será a elaboração de um projeto arquitetônico por técnicos da Universidade, em um processo de diálogo com todo o coletivo.

terça-feira, 21 de julho de 2026

‘Uma página que o Brasil não virou’: romarias na Amazônia lembram mártires da luta camponesa


 Por Luís Indriunas 

Diversas romarias têm mobilizado regiões da Amazônia entre junho e julho deste ano para lembrar e refazer o caminho de mártires das lutas no campo, além de denunciar o avanço do agronegócio. Organizadas por movimentos e comunidades, as marchas, cheias de místicas e fé, são realizadas ao longo do ano por todo o país, com o objetivo de defender a vida no planeta. Leia a íntegra no Brasil de Fato

Garimpo ilegal: MPF recomenda à Marinha rigor na fiscalização de embarcações


O Ministério Público Federal (MPF) enviou uma recomendação aos Comandos da Marinha do Brasil na Amazônia Ocidental e na Amazônia Oriental com o objetivo de combater, de forma mais estratégica e eficiente, o uso de embarcações irregulares na exploração mineral ilegal. A mineração clandestina nos rios amazônicos está diretamente ligada a graves violações de direitos humanos, forte degradação ambiental e severos riscos à saúde pública, agravados pela contaminação generalizada por mercúrio. Leia mais no MPF

MPF realiza seminário sobre acesso a direitos de mulheres negras



Em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, o Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), realizará, no próximo dia 27 de julho, às 14h30, o webinar "Mulheres Negras, Espaços de Poder e Acesso a Direitos: Um Diálogo Interseccional". O evento será realizado pela plataforma Zoom, terá carga horária de duas horas, será aberto ao público e contará com transmissão ao vivo pelo canal do MPF na Paraíba no YouTube. Leia mais no MPF

Ufopa sediará encontro de Educomunicação em formato híbrido



O XI ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCOMUNICAÇÃO está previsto para ocorrer em dois momentos distintos e complementares, ao longo da primeira quinzena de outubro de 2026: a Unidade I, entre os dias 01 e 02 de outubro de 2026, a ser implementada na modalidade exclusivamente online, e a Unidade II, contemplando ações presenciais, previstas para ocorrer na cidade de Santarém, Pará, sede do evento, com transmissão a distância, via plataforma digital, entre 13 e 15 de outubro de 2026.

O tema Geral do XI Educom será: As águas que nos conectam: Educomunicação, Territórios e Práticas Socioambientais. A escolha do tema decorre do momento histórico em que vive a sociedade brasileira, preocupada com os impactos decorrentes da crise climática, no contexto de uma polarização ideológica em torno da relação do homem com o meio ambiente. Leia mais AQUI

Lutar pelo território e controlar o subsolo; defendendo a geodiversidade popular!

 

por Charles Trocate*



A mineração costuma ser apresentada como sinônimo de progresso, desenvolvimento e geração de riqueza. Governos, empresas e setores econômicos repetem que a extração mineral é indispensável para o crescimento do país e para a chamada transição energética.


No entanto, para milhares de comunidades tradicionais, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, geraizeiros e assentados da reforma agrária, a mineração tem significado algo muito diferente: perda de território, degradação ambiental e restrição de direitos. O problema não se limita aos grandes desastres que marcaram a história recente do país, como Mariana e Brumadinho (MG). Leia a íntegra no site Comboio. 

Justiça do Pará mantém vitória de comunidade do PAE Lago Grande em ação de reintegração de posse

Há anos o PAE tem se notabilizado como um território de aguda disputa, que mobiliza a cobiça de mineradoras (Alcoa), madeireiros, grileiros e mesmo facções 

Fonte: Ascom do MPF


 
A Justiça do Pará manteve a vitória da Comunidade Vila Brasil em uma disputa judicial envolvendo uma área localizada no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Lago Grande, em Santarém (PA). Em decisão monocrática proferida em 15 de julho de 2026, o desembargador Constantino Augusto Guerreiro, da 1ª Turma de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), negou o recurso de apelação apresentado pela parte autora da ação, Dinarte Dias Dourado e confirmou integralmente a sentença da Vara Agrária de Santarém, proferida em 19 de janeiro de 2021, havia rejeitado o pedido de reintegração de posse.  Leia mais no site Terra de Direitos

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Trabalho escravo em Altamira: operação resgata idoso em fazenda

 Fazenda fica na unidade de conservação Terra do Meio


Uma operação realizada no último dia 14, pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), encontrou um trabalhador rural, de 65 anos, vivendo em condições degradantes em uma fazenda localizada na Estação Ecológica Terra do Meio, unidade de conservação federal, no município de Altamira, sudoeste do Pará. A ação contou com a participação do Ministério Público do Trabalho no Pará e Amapá (MPT PA-AP), da Auditoria Fiscal do Trabalho, da Polícia Federal (PF) e da Defensoria Pública da União (DPU). Leia a íntegra do MPT

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Aiala Colares, professor da UEPA é semifinalista do Jabuti Acadêmico pela segunda vez

 


Em 1985, quando do derradeiro projeto da ditadura empresarial militar, o Calha Norte, a existência do narcotráfico que plantava, colhia e transformava a epadu (Erythroxylum coca) em cocaína, a mobilizar recursos financeiros capazes de neutralizar a ação do Estado constava entre os indicadores do diagnóstico realizado pelos militares.


Assim como: a) o contrabando de minérios e pedras preciosas; b) garimpo ilegal e trabalho escravo; c) conflitos por terra envolvendo indígenas, garimpeiros e empresas mineradoras; e d) forte interesse internacional pela região. Tensões que não cessam. Elementos de permanência mesmo nos dias atuais.  

Na década de 1990, o sociólogo Francisco de Oliveira advertia para as ações em rede que o campo mobilizava para a efetivação de sua reprodução, a partir de uma tênue fronteira entre o lícito e o lícito e sombreamentos com a política formal e sobreposições entre as fronteiras do público/privado.

Deste vasto caleidoscópio realizado na década de 1980 pelos militares, o geógrafo da UEPA, Aiala Colares, tem se dedicado há 20 anos a investigar as cadeias mobilizadas pelo tráfico de drogas. As pesquisas por ele elaboradas o credenciam pela segunda vez como semifinalista do Jabuti Acadêmico, na categoria de Geografia e Geociências, com a obra Geometrias de poder do narcotráfico na Amazônia: escalas, territórios e redes, lançada pela Editora Appris.

Compreendendo o narcotráfico como um sujeito produtor do território, o autor esclarece que “trata-se de uma pesquisa complexa, onde é possível identificar um conjunto consistente de conclusões que reposicionam o debate sobre o narcotráfico na Amazônia, deslocando-o de uma abordagem estritamente criminal para uma leitura territorial, geopolítica e multiescalar.”

Entre algumas conclusões, Colares considera que a Amazônia deixou de ser mera rota do tráfico, para metamorfosear-se em uma plataforma logística estratégica, articulando áreas de produção nos países andinos aos mercados consumidores internacionais, especialmente na Europa e na África, além do próprio mercado interno brasileiro. O que reposiciona a Amazônia como elemento central, e não periférico, nas redes globais do crime organizado, crava o pesquisador.

Assim como o diagnóstico elaborado pelo projeto Calha Norte e interpretações do professor Francisco de Oliveira, o geógrafo conclui que, “O narcotráfico, não opera de forma isolada, mas articulado a outras atividades, como o garimpo ilegal, o desmatamento e a grilagem de terras.”

O ambiente assim estruturado é compreendido como um verdadeiro ecossistema do crime, no qual diferentes mercados ilícitos compartilham infraestruturas, rotas e mecanismos de financiamento, conclui.

Na mesma categoria, além da obra do professor de Geografia da UEPA, Campus Belém, outros dois livros tematizam a Amazônia. Um trata sobre sociobieconomia, enquanto  o outro problematiza sobre cartografia.

Em 2024, o professor Colares foi semifinalista na mesma categoria com a obra "Geopolítica do narcotráfico na Amazônia”, livro também editada pela Appris. No próximo dia 27, o prêmio anuncia os cinco finalistas.  O Prêmio Jabuti é considerado como um dos mais relevantes do mercado editorial nacional, concentrado nas regiões Sudeste e Sul do país. 

FORMAÇÃO - professor quiilombola,  Aiala Colares é Bacharel e Licenciado em Geografia pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Bacharel em Direito pela Universidade da Amazônia (UNAMA), possui especialização em Planejamento Urbano pelo Curso de Formação Internacional de Pós Graduados em Áreas Amazônicas (FIPAM), é especialista em Direito Penal e Criminologia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS). Mestre em Planejamento do desenvolvimento pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA). Cursou Doutorado em Ciências do Desenvolvimento Socioambiental pelo Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido (NAEA-UFPA). É Pós em Geografia com ênfase em análise regional pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Professor Adjunto da Universidade do Estado do Pará (UEPA) onde atua como docente da graduação e do Programa de Pós Graduação em Geografia (PPGG-UEPA). Coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB-UEPA).

Para adquirir o livro, acesse o site da Appris


segunda-feira, 13 de julho de 2026

MPF aciona Justiça para garantir participação de comunidades na gestão das águas da Bacia do Tapajós

Ação judicial foi motivada pela exclusão histórica das populações locais nas decisões sobre o rio, evidenciada pelo protesto deste ano



O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ação civil pública na Justiça Federal, na última sexta-feira (10), para obrigar a União e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) a instituírem o Comitê de Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio Tapajós e sua respectiva Agência de Águas. A medida judicial é uma resposta à histórica exclusão das populações locais dos processos decisórios e aos pedidos da sociedade civil por participação na governança hídrica da região, que abrange os estados do Pará e de Mato Grosso. Leia a íntegra no MPF

sábado, 11 de julho de 2026

Mineração em Canaã dos Carajás: MPF investiga impactos de projeto de mineração na Vila Bom Jesus

Durante visita técnica à comunidade, moradores relataram contaminação ambiental, rachaduras em casas e truculência contra pescadores
 

O que antes era um polo de produção agrícola e pesqueira responsável por abastecer a região sudeste do Pará, hoje é uma comunidade sufocada pela poeira tóxica e pela perda do modo de vida tradicional e de suas fontes de subsistência. Este foi o cenário constatado pelo Ministério Público Federal (MPF) durante diligência realizada na Vila Bom Jesus, em Canaã dos Carajás (PA). A visita técnica teve como objetivo ouvir os moradores sobre os impactos socioambientais provocados pela operação do Projeto Sossego e pela iminente instalação do Projeto Bacaba, ambos da mineradora Vale S.A. Leia a íntegra no site do MPF

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Iurupari, teatro amador de Santarém encena o vanguardista e provocador Plínio Marcos

 Mocó é uma  adapatação livre do professor Leandro Cazula da peça Abajur Lilás


Inicia hoje, 09, a partir das 20h, no auditório Wilson Fonseca, da Ufopa, unidade Rondon, o espetáculo Mocó.  A peça é uma livre adaptação de Abajur Lilás, do autor Plínio Marcos.  Dia 25 será a última encenação.

A inciativa é do grupo Iurupari (máscara sobre o rosto), coordenado pelo professor Leandro Cazula.  A peça foi selcionada no edital  da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Edital 002/2025).

A peça tem 100 minutos de duração e classificação para pessoas a partir de 18 anos. Segundo a sinopse, o espetáculo transcorre em  quarto miserável de um bordel decadente e claustrofóbico.

“O Mocó” é o lugar onde vivem três prostitutas exploradas pelo cafetão e vigiadas por um violento capataz. Um motim é instaurado na tentativa de derrubar a estrutura do Mocó, mas sem a adesão integral das mulheres. Uma delas se rebela com destemor, o que leva o dono e o cupincha a iniciarem uma série de torturas psicológicas e físicas para descobrir quem é a rebelde.

Plinio Marcos (1935-1999) era um elemento de elevada periculosidade, assim o considerava a cúpula da ditadura empresarial militar (1964-1985), conforme atesta artigo da pesquisadora DeniseRibeiro Leppos, publicado no site Observatório da Imprensa, em novembro de 2017.


A partir de um fragmento de um documento dos representantes da censura, a professora realça que Marcos fazia par, entre outros, com o poeta e crítico de arte Ferreira Gullar, com o novelista Dias Gomes, com o cineasta Cacá Diegues e com o ator e autor Jean Francesco Guarnieri. Todos classificados com a mesma insginia imputada ao santista, que viveu e conspirou contra a ditadura. Sempre escreveu para incomodar a ordem.

Filho de uma dona de casa e um bancário, Plinio foi ponta direita da Portuguesa, artista de circo, dramaturgo e jornalista, sendo considerado uma ameaça aos bons costumes, à família e à sociedade brasileira. 

O motivo? Promover a visibilidade dos sujeitos colocados em condições de subalternização ou marginalizados, onde constam no rol: o porteiro, o malandro, a prostituta, o desempregado, o morador de rua, o cafetão,  etc.

Jornalista – Marcos trabalhou por cerca de duas décadas como jornalista na imprensa empresarial. Assim como colaborou na imprensa alternativa da época. Além de reportagens, assinou a notória coluna Navalha da Carne, que nomeará uma de suas peças teatrais.  

Além de reportagens e entrevistas com o cidadão comum e pessoas com destaque na sociedade daquela quadra temporal, o insubmisso assinou crônicas. Assim como Nelson Rodrigues, nelas, retratava o cotidiano do cidadão comum e os vícios da sociedade daquele tempo.

Folha de São Paulo, Veja, Última Hora, Diário da Noite, Folha da Tarde e algumas contribuições para a revista Realidade constam no currículo do jornalista Plínio Marcos, que também colaborou nos espaços considerados como alternativos, a exemplo do festejado Pasquim, Opinião, Movimento e Versus.

Dramaturgia – atravessado por uma paixão por uma artista circense, aos 16 anos ingressou no circo. Por ironia da vida, serviu a Aeronáutica.  É creditado a Pagu, Patrícia Galvão, a sua iniciação no teatro, onde fazia pequenos papéis no Teatro Liberdade, em Santos.  

Em 1960, muda para São Paulo, e passou a integrar a Companhia Cacilda Becker. E, nunca mais conheceu freio. Preferencialmente, encarnava no portfólio de personagens, mendigos, prostitutas, vagabundos e delinquentes.  

Podemos realçar entre os motes contemplados na obra de Marcos uma ácida crítica ao modo de produção capitalista, a crueldade da ditadura militar e a violência embuti nas relações humanas, como comenta Geovane Pereira, em artigo sobre o espetáculo Abajur Lilás.  

Abajur Lilás (1969) – escrita há quase 60 anos, assim como outras peças do autor, não passou pelo crivo da censura dos militares, que mantiveram a mesma decisão desde Barrela (1958), proibida de ser encenada pelo ministro da Justiça, o professor Gama e Silva.  


Abajur Lilás é ambientada em um prostíbulo decadente. O espetáculo é protagonizado por três prostitutas, Célia, Dilma e Leninha. A luz lilás do abajur era uma norma imposta pelo cafetão.

Segundo a sinopse da obra, quando o abajur é quebrado, o cafetão empreende uma onda de violências contra as mulheres com vistas a elucidar quem quebrou o eletrodoméstico.

Degradação humana, violências, covardias, a exploração da mulher pelo homem, o abuso de poder emolduram o espetáculo, que traz à tona o ambiente em que os próprios oprimidos se voltem uns contra os outros. Por conta da censura, a obra foi encenada pela primeira vez em 1980, 11 anos após ser escrita.   

Em 1988, quando da efetivação da Constituição Federal, Plínio Marcos foi o entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura/SP. 

Iurupari – o coletivo de teatro é um projeto de extensão da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), coordenado pelo professor Leandro Cazula, do curso de Geografia.  A iniciativa soma mais de uma década de experiência na cena de Santarém.

O grupo tem se notabilizado por promover oficinas de iniciação cênica divididas em núcleos como o de crianças e adolescentes, jovens e adultos; e contação de histórias. E, por promover a integração da comunidade externa ao ambiente acadêmico por meio da prática teatral acessível.

Ficha técnica de Mocó

Espetáculo: “O MOCÓ”

DATAS: 09, 10, 11, 16, 17, 18, 23, 24 e 25 de julho de 2026.

HORÁRIO: QUINTA e SEXTA: 20h. SÁBADOS – Seções Malditas: 23h

LOCAL DA APRESENTAÇÃO: Auditório Wilson Fonseca da Ufopa, Unidade Rondon, Campus de Santarém/PA, Localiza-se na Av. Marechal Rondon s/n.º, Bairro Caranazal – Próximo ao Shopping Paraíso.

ENTRADA: Gratuita

LOTAÇÃO: 120 (cento e vinte) pessoas

DISTRIBUIÇÃO DOS INGRESSOS: Uma hora de antecedência da apresentação

TEXTOS: Adaptação Livre do texto “Abajur Lilás” (1969) do dramaturgo Plínio Marcos (1935–1999)

DIRETOR: Leandro Cazula

FIGURINISTA E CENÓGRAFA: Conce Gomes

MAQUIADOR E SONOPLASTA: Domiciano Gomes

ILUMINADOR: Amaury Caldeira

FOTÓGRAFO: Wendel Freitas

DESIGNER GRÁFICO: Caê Oliveira

PRODUÇÃO: Karina Vasconcelos

ATOR CONVIDADO: Wendel Freitas

COLABORAÇÃO: Carolina Miranda

GÊNERO DO ESPETÁCULO: Drama

CLASSIFICAÇÃO: 18 anos

DURAÇÃO: 100 (cem) minutos

Mais informações

Cazula - 93 99130-6555

A pedido do MPF, TRF1 anula sentença que absolvia empresa acusada da compra de 1,3 tonelada de ouro ilegal no Pará

 A 12ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) acolheu, por unanimidade, apelação interposta pelo Ministério Público Federal (MPF) e anulou sentença que julgava improcedente a ação civil pública contra a FD’Gold. A empresa é acusada de adquirir e comercializar mais de 1,3 tonelada de ouro de origem ilegal, extraído nos municípios paraenses de Itaituba, Jacareacanga e Novo Progresso. Com a decisão, o processo sofre um recuo de fases e retorna à primeira instância, na Justiça Federal do Pará, para que o curso regular da instrução seja retomado. Leia a íntegra no MPF.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Mineração no Pará: livro desvenda as tramas do superlucro das empresas

 A obra foi  lançada durante a programação do I Encontro de professoras e professores pesquisadores na mineração da Amazonia nos dias 25 a 27 de junho em Belém do Pará, o livro “A RENDA DA MINERAÇÃO- a economia política do subsolo brasileiro”. Editorial iGuana, 2026.

 



Organizado por Giliad de Souza Silva e Charles Trocate, a obra reúne sete estudos que partem da teoria marxiana da renda da terra para analisar a economia política da mineração brasileira. 

A análise dos capítulos converge para um diagnóstico comum: a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), instrumento pelo qual o Estado se apropria de parcela da renda gerada pelo subsolo, está estruturalmente subdimensionada.

No Pará, a remuneração do capital responde por 95,2% do Valor Adicionado Bruto da indústria extrativa de minério de ferro, ao passo que salários e impostos somados ficam abaixo de 5%. Municípios receptores de royalties, como Parauapebas e Oriximiná, apresentam indicadores de desenvolvimento humano aquém da média estadual.

 

Os estudos demonstram que esse resultado decorre de um modelo de exploração projetado para a extração e concentração de renda. A financeirização das grandes mineradoras, a captura regulatória exercida pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) sobre o aparato estatal, a isenção fiscal garantida pela Lei Kandir e a lógica do lucro por expropriação compõem uma arquitetura política e jurídica que transfere sistematicamente ao capital privado a riqueza gerada por um bem público.

 

Cada capítulo ilumina uma dimensão específica desse dispositivo: a rolagem do capital e o horizonte do controle social; a teoria da renda mineral e o contrato fundiário em Marx; a taxonomia do rentismo no capitalismo contemporâneo; a renda diferencial nas minas de Carajás; os limites dos royalties como instrumento de desenvolvimento; a financeirização no Pará; e o papel do IBRAM como aparelho privado de hegemonia.

 

A obra dirige-se a pesquisadores de economia política, aos pesquisadores e pesquisadoras do problema mineral brasileiro, aos afetados e afetadas nas territorialidades urbanas e rurais que esta fase incontrolável da mineração conturba sem assinalar publicamente o seu significado, seja na forma como também nos seus resultados, se dirige aos gestores públicos e movimentos sociais comprometidos com a soberania popular sobre os bens minerais do povo brasileiro.

Acesse a obra AQUI

Divulgação da editora Iguana. 


segunda-feira, 6 de julho de 2026

Dragagem no Tapajós TCU impede retomada da operação sem licença ambiental e consulta a povos tradicionais



O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) só poderá retomar o Pregão Eletrônico nº 90515/2025, que prevê a contratação dos serviços de dragagem de manutenção na hidrovia do rio Tapajós, após obter a licença ambiental prévia e realizar a Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) aos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais potencialmente afetados. A decisão foi tomada por unanimidade no Acórdão nº 1736/2026, aprovado pelo plenário da Corte em 1º de julho. Leia mais no TDF


Povo da rua – abandonos de Belém

 Rogerio Almeida

Crédito: Eraldo Pauiino/Brasil de Fato

O estrondo do trovão é seguido por relâmpagos que alumeiam os moradores de rua do Centro de Belém, nos beirais da sede do Banco da Amazônia e arredores. Flores do jardim de terra fértil do adubo de desigualdades e pilhagens.  Um canteiro em cada canto. Terão conta no banco ou algum documento de identificação?

É mês de junho. Mês de santos. A cidade, um desmantelo. O vento forte que emana do Marajó não estanca a pororoca de indiferença dos gestores públicos. Punhal de morte. Barro de patrimonialismo. Geleia de tramas irrecuperáveis.

Tudo normal. Normandos diante dos pés de Nazaré blasfemam em torós. Barbadas! Barbalhadas em nós de cipós a estalar nas costas periféricas das favelas. Baixadas submersas. Atlantida cidade. 

As juninas manifestações não eclipsam o pus da ferida da miséria. Um riomar. Nada soa cordial.  O povo da rua terá ala no arrastão do boi? Entre as frestas do zinco, o raio da lua ilumina Jesus. O rebento mais novo que espocou do bucho da moça da Terra Firme.

Belém não parece nada bem. Paciente entubado no posto de saúde da 14, desprovido de atenção.  Sob a sombra da morte, a cidade viceja por entre becos e vielas inebriada pelo odor de fezes e urina. Abissais distâncias de palácios e catedrais.

A cidade se decompõe a olhos vistos. A porta de um centro de acolhimento mais lembra um campo de refugiados de muitas guerras. Casas em desalinho testemunham roupas sobre as calçadas em frangalhos.  O que diz a pichação na cumieira da casa já desnudada de telhado?

A calçada é estreita. A calçada está ocupada por aqueles que não possuem teto, pão ou chão.  E agora José? Terão participado da COP 30?  É o fim do caminho? É pouco agasalho para muito frio quando em noites de tempestades. No tempo regulamentar, o escrete da rua perde de goleada sem direito a Var.

É mês de junho. A metralhadora da saudade e do abandono mira o relógio da matriz. A esperança escapa por um triz. A canção é triste. Ninguém pede bis.  Adágio.  Tudo nesta vida cobra pedágio. “Nada vem de graça. Nem o pão. Nem a cachaça” assim versou Baleiro. A boca do mundo exala álcool. Entre cultos, vomita mentiras e balas. 

Chove. Mesmo assim, o agente de uma facção cumpre a missão em cobrar a taxa de “segurança”. Pequenos e médios negócios encarnam o alvo. Tudo com a máxima educação.

O “funcionário” da firma é dono de traços indígenas. Usa trajes esportivos: tênis, calça e camiseta. Mais perfumado que filho de barbeiro. Uma tipoia socorre o braço direito.

 Terá sido em alguma refrega de cobrança ou entrevero com o povo da rua? O povo da rua não deseja guerra com ninguém. Passei por eles várias vezes. Tudo no máximo respeito.

Na rua, quem vai fazer a morte descer do salto alto? Na rua, o tamborim é de lata, coberto por couro de gato!

A rua é combate diário sem oferta de colete salva-vidas ou lanterna para afogados. Salve-se quem puder. Um salve-se quem puder eterno, onde é impossível tirar leite de pedra.

É a cidade é uma enorme máfia?  A cidade, miolo de ambições. A cidade não para! Todo dia toma drinque na cozinha do inferno. 


terça-feira, 30 de junho de 2026

Polícia Civil: sindicato entra com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a criação da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Rurais, Roubo e Furto de Gado (Deleagro)

 

Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Estado do Pará ajuizou ontem, 29, na 5ª Vara da Fazenda Pública dos Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Belém/PA, Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a criação da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Rurais, Roubo e Furto de Gado (Deleagro).

Entre outras justificativas, o sindicato adota como argumento a grave crise estrutural e de efetivo da instituição. Segundo o documento do sindicato, a pasta  não dispõe de servidores suficientes para manter o funcionamento ininterrupto de suas unidades básicas.

A representação da categoria esclarece que as delegacias de polícia situadas em bairros populosos e de alta criminalidade na capital, Belém, e em sua região metropolitana, são rotineiramente fechadas durante o período noturno, nos finais de semana e em feriados.  Leia  íntegra do documento AQUI

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Censura? Banimentos de contas de jornalismo independente colocam em debate liberdade de expressão e poder das Big Techs

 Por Isabelle MAciel, do Tapajós de Fato

Entre os diversos desafios de fazer jornalismo no Brasil, veículos de comunicação e repórteres independentes enfrentam a censura de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, a Meta, comandada por Mark Zuckerberg. No Instagram, uma das plataformas da empresa,  o apagamento de contas sem critérios indica a fragilidade da liberdade de expressão em redes digitais sem regulação e o possível avanço de uma censura privada conduzida por interesses e robôs. Leia a íntegra AQUI