Vítimas estavam submetidas a condições degradantes de trabalho em uma fazenda de criação de gado
sábado, 16 de maio de 2026
Força-tarefa resgata dois trabalhadores em condições análogas às de escravo em Jacundá (PA)
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Postado por rogerio almeida às 5/16/2026 08:00:00 AM 0 comentários
quarta-feira, 13 de maio de 2026
Reforma agrária e a defesa do território é tema de seminário dos trabalhadores rurais em Santarém/PA
Ivete Bastos, pres. do STTR, Rosenilce dos Santos, pres. da Feagle e Sara Pereira, técnica da Fase
Passados 45 anos, assim como a
violência como elemento estruturante nos processos de luta pela terra, a pauta
pela defesa da terra, da floresta, dos rios e do território permanece como
bandeira de luta dos/as trabalhadores/as rurais.
Nesta direção do STTR realizou no
dia 12, o seminário sobre a reforma agrária, na sede da instituição. Além da categoria, contou com a presença de
estudantes do curso de Geografia da Universidade Federal do Oeste do Pará
(Ufopa), pesquisadores/as e professores/as, e de técnicos/as da Federação de
Órgãos para a Assistência Social e Educacional (FASE), histórica parceira do
sindicato.
Constavam tanto estudantes do
fluxo normal, quanto os contemplados pelo Programa Nacional de Educação da
Reforma Agrária (Pronera), que soma um quarto de século em 2026. O programa é
dos desdobramentos dos processos de luta das instituições do campo popular,
como esforço para manter o homem no campo.
Auditório do STTR de Santarém/PA
Ivete Bastos, presidenta do STTR,
histórica militante da região, adverte que a efetivação de políticas públicas
que favoreçam a permanência do assentado em seu território representa um grande
empecilho na luta pela defesa terra.
“Eu mesma estou na lista de
beneficiários (RB) do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(INCRA) desde 2005 e nunca recebi o crédito de fomento lá do assentamento Lago
Grande”. O território figura entre os mais tensos na luta pela terra no município.
A dirigente alertou para a
centralidade que possui a Amazônia, diante das múltiplas que precipita sobre a
sociedade contemporânea, entre elas, a civilizatória e climática. “Cumprimos um
importante papel do uso equilibrado das riquezas há milênios. A nossa relação com a terra não é de
propriedade ou negócio é de trabalho. É de vida. Por isso defendemos o nosso
território e a posse coletiva”, adverte Bastos.
Rosenilce dos Santos, atual
presidenta da Federação das Associações do Projeto de Assentamento Lago Grande
(Feagle), seguindo toada equivale às falas de Bastos, interpreta que “por conta
das inúmeras riquezas que o território agrega, acaba sendo alvo da cobiça de
pescadores clandestinos da própria região e de fora dela, exploradores ilegais
de madeira, grileiros de terra e de grandes corporações, a exemplo da
mineradora estadunidense Alcoa, que tem
pleiteado a todo custo explorar bauxita na região”.
A mineradora opera no município
de Juruti, na divisa com Santarém, desde o começo dos anos 2000. A jornada de
instalação da mineradora é eivada por abusos denunciados pelas populações
afetadas junto aos Ministérios Públicos Federal e Estadual. Na mesma quadra temporal da construção
ilegal do porto da igualmente estadunidense Cargill, na orla de Santarém.
Tais abusos encarnam uma fase
recente da presença do grande capital no Baixo Amazonas. É no começo do século
passado, que o multimilionário Ford
senta na praça na região. A experiência do empresário é considerara a primeira
experiência essencialmente capitalista na região.
Naquela época, assim como hoje, a
anuência do Estado para o saque cumpre papel fundamental. Seja afrouxando
normas, renunciando impostos, concedendo terras e financiamentos ou promovendo
a coerção pública contra as populações locais.
Sobre o caso da Alcoa, a
penalização de secretários da pasta de meio do estado no processo de
licenciamento ambiental configura foi um dos desdobramentos. Tensão que
permanece pelo constante assédio da empresa junto às populações do PAE Lago
Grande, quanto pela drenagem irregular do rio Amazonas. Ambos judicializados no
Ministério Público Federal (MPF).
Assentamentos pressionados
pela grilagem e a mineração
Prof Eneas/UFOPA e a técnica da Fase/RJ, Julianna Malerba
A Amazônia concentra o maior
número de projetos de assentamentos da reforma agrária do País. Em particular o
estado do Pará, com ênfase nas regiões sul e sudeste. As mais violentas quando
o tema é a agudeza da luta pela terra no território.
Os massacres de Corumbiara (RO),
ocorrido em 1995, e o de Eldorado do Carajás (PA), além da mobilização de
várias frentes pela reforma agrária, colaboram para a conformação do cenário. O
Estado brasileiro passou a reconhecer várias áreas ocupadas como PAs. Muitas
delas com histórico de mais de duas décadas. Como ocorre com a luta do PAE Lago
Grande.
Todavia, a descontinuidade de
políticas e a morosidade, entre outros vetores, colaboram para o abandono ou a
negociação dos lotes. O que redunda, na reconcentração da terra nas mãos de
poucos, novamente.
Como advertido pela presidenta da
Feagle, tem-se as constantes pressões e ameaças de vários setores que operam na
fronteira entre o lícito e o ilícito, grandes corporações do mercado mundial,
oligarquias regionais, bem como garimpeiros e facções criminosas.
Eneas Guedes, doutor em Geografia
pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da UFOPA, sobre a
reconcentração da terra nos PAs avalia, assim como as sindicalistas, que a
descontinuidade de políticas públicas como elemento estruturante.
Julianna Malerba, técnica da
Fase, do Rio de Janeiro e membro da Rede Brasileira de Justiça Ambiental
(RBJA), apresentou dados focados no avanço da fronteira mineral, geração de
energia e obras de infraestrutura, com foco nas grandes corporações.
Malerba apresentou dados
preliminares sistematizados pela Coalizão Terra é para Plantar e Proteger. Eles
apontam que: i) 18.276 processos
minerários incidem sobre assentamentos; ii) 4.691 assentamentos possuem áreas
sobrepostas a processos minerários; iii) 256 assentamentos são afetados por projetos de
energia, e iv) 2.884 assentamentos estão afetados por infraestrutura logística.
Acesse o estudo AQUI
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Postado por rogerio almeida às 5/13/2026 08:05:00 PM 0 comentários
segunda-feira, 11 de maio de 2026
STTR de Santarém realiza seminário Reforma Agrária e Direitos Territoriais
O Seminário Reforma Agrária e Direitos territoriais, que acontecerá no dia 12 de maio (terça-feira), em Santarém (PA), é uma iniciativa do Sindicato de Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras familiares de Santarém, da Feagle, Federação do PAE Lago Grande e da FASE Amazônia, organização de educação popular. O evento será realizado no auditório do STTR de Santarém e contará com mesas de debate, presença de representantes dos Ministérios Públicos e do Incra, apresentação do café agroecológico, além de exposição de vídeos e fotografias que mostram a realidade dos assentamentos de reforma agrária da região. Leia a íntegra no site da FASE
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Postado por rogerio almeida às 5/11/2026 09:40:00 AM 0 comentários
terça-feira, 5 de maio de 2026
MPF cobra providências de autoridades contra cerco policial a acampamento em área federal em Marabá (PA)
Movimentos sociais apontam restrição ao acesso à água e alimentos, além de atuação de civis armados
O Ministério Público Federal (MPF) expediu ofício na noite deste domingo (3), em caráter de urgência, requisitando providências ao governo do estado do Pará e às autoridades estaduais de segurança pública para garantir a imediata desobstrução do acesso a itens essenciais no acampamento Maria da Glória, situado em Marabá (PA).
Segundo movimentos sociais de defesa da reforma agrária, o local encontra-se sob cerco policial que está impedindo a entrada de água, alimentos e medicamentos destinados às famílias assentadas, afetando diretamente grupos vulneráveis, como crianças, idosos e gestantes. Leia a íntegra no site do MPF
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Postado por rogerio almeida às 5/05/2026 08:25:00 AM 0 comentários
Garimpo ilegal em Jacareacanga: pesquisadores da UEPA e da ONG Mãe Crioula apresentam relatório sobre retirada de intrusos
Tênue fronteira entre público e privado, lícito e
ilícito em espiral de transbordamento de violências constam nas digitais de
certidão de nascimento do País. Tudo forjado pelos pilares mais profundos de
privilégios, a partir de redes econômicas, políticas, culturais e sociais que
articulam o local ao global, em um eterno contínuo de apropriação privada do
Estado por frações da classe burguesa, já dizia, em certa medida, Chico de
Oliveira, em “Reconquista da Amazônia (1994)”, texto que não economiza em ironia
e nome de cardeais.
O argumento sobre a acumulação originária é a chave
interpretativa mobilizada por Oliveira, onde lá pela página 12, sobre as redes
interativas destes variados circuitos, ele dispara sem dó ou piedade: “[...] o
mesmo canal que serve para desovar cocaína, desova ouro, cassiterita, madeiras,
lava dólares do tráfico, subfatura nas exportações e superfatura nas
importações da Zona Franca de Manaus”.
Já que estamos em tempo de copa do mundo, o
professor usa a alegoria para escalar o escrete de ilicitudes, onde: “Numa
ponta, um alto executivo da Paranapanema, na meia direita, um deputado federal
ligado ao narcotráfico (que combina com o exercício de pastor de almas), na
meia esquerda, o contrabandista do garimpo e o madeireiro, e na ponta esquerda
o cartel de Medellin.”
Oliveira arremata que é desse cipoal de violência
privada, que forja representações de interesses (pois elege deputados e
senadores) no Congresso e nas grandes empresas estatais, Passarinhos, Barbalhos
e Mestrinhos, elegantes e refinados Lacombes, Associações de Empresários da
Amazônia (que têm sede em São Paulo), ações na bolsa entre as mais valorizadas
[....].
Em síntese, espaços dito normativos da política e
da economia acodem no processo em metamorfosear ilegalidades da atividade
garimpeira, entre outras.
Neste cenário, a extração mineral do ouro ocupa
centralidade na economia de Jacareacanga, adverte o relatório sobre desintrusão
(retirada de intrusos) em terras indígenas do povo Munduruku na cidade de
Jacareacanga, sudoeste paraense.
O documento é coordenado pelos pesquisadores Aiala
Colares e Fabiano Bringel, do curso de Geografia, da Universidade do Estado do
Pará (UEPA) e da ONG Mãe Crioula, que sinalizam que há uma minero-dependência do município com
relação a exploração ilegal do ouro. Bruno Malheiro (UFPA) é o pesquisador convidado e uma farta equipe de trabalho de campo.
O trabalho adota como amparo teórico os circuitos
espaciais de produção pensado por Milton Santos. Eles correspondem às
diferentes etapas pelas quais um produto percorre, desde o início do processo
produtivo até sua inserção no consumo final.
Além da extração ilegal de minério, o caleidoscópio
de ilegalidades contempla ainda grilagem de terras, atividade madeireira e
pecuária em boa parte da região amazônica. Seja a porção da Amazônia brasileira
ou não.
Como sugere o relatório em sua parte de
contextualização, as atividades mobilizam uma geografia que ativa processos
migratórios em diferentes escalas: local, regional, nacional e Panamazônica.
No caso nacional, há proeminência de nordestinos
com ênfase em maranhenses. Pará e Maranhão rivalizam em precários indicadores
sociais, violência no campo, desmatamento, trabalho análogo à escravidão e por
aí vai.
24.042 é a população do município de Jacareacanga.
Deste total, estima-se que 57% sejam indígenas. Um caso único na
geografia brasileira, apontam os números do derradeiro censo do IBGE (2022).
No caso da exploração de ouro, a cidade dialoga com os municípios
vizinhos, onde constam Itaituba, Novo Progresso, Trairão e Novo Progresso,
entre outros.
Jacareacanga opera como um nó urbano estratégico em
redes ilícitas e semi-ilícitas que articulam garimpos situados em áreas rurais
e terras indígenas, rotas fluviais e aéreas, e o comércio de ouro,
combustíveis, equipamentos e serviços, alerta o relatório.
Ambiente perfeito para argumento de série policial,
como o faz Edir Augusto Proença em sua literatura sobre o universo paralelo
paraense. Crime ao tucupi desprovido de gourmetização.
Ainda que o relatório não mencione, as relações
familiares, de amizade e de compadrio tendem ao esgarçamento quando do anúncio
de obras de infraestrutura do governo, projetos privados, exploração de ouro e
afins.
Assim sucedeu com a construção da hidroelétrica de
Belo Monte em Altamira, exploração de ouro em Novo Progresso e exploração
mineral em Carajás, sudeste do Para e em Juruti sudoeste do estado, entre
outras situações.
No caso de Novo Progresso, a ação ilegal de garimpeiros
promoveu a cisão entre contrários e alinhados à exploração do ouro no povo Kayapó na Terra Indígena (TI) Baú. O cardápio de
danos da exploração ilegal é extenso. Passa por questões ambientais, a exemplo
do desmatamento e a contaminação dos rios por mercúrio, violência, alcoolismo e
outras drogas.
Incremento da violência, alcoolismo, prostituição e
bolsões de miséria – seja por conta do processo migratório ou da desintrusão -
são outros elementos na composição da aquarela. Quando do pico das obras da
construção de Belo Monte, a cidade de Altamira ocupou o topo entre os
municípios mais violentos do Brasil.
Desintrusão
O comitê interministerial de desintrusão de terras
indígenas foi instituído em setembro de 2023, pelo decreto n.11.702 com a
missão em planejar, coordenar e operacionalizar medidas para efetivar o direito
dos povos indígenas ao usufruto exclusivo de seus territórios.
A desintrusão pode representar um grande
gargalo/nó/calcanhar de Aquiles?? O relatório sobre desintrusão adverte que ao
mesmo tempo que colabora para reestabelecer a configuração do território, cria
problemas de ordem humanitária por conta da efetivação de bolsões de miseráveis
no entorno na cidade, o que sobrecarrega a já precária estrutura de serviços do
município.
A ação dos garimpos ilegais não se restringe a
territórios indígenas. Abrange ainda várias modalidades de assentamentos da
reforma agrária e unidades de conservação sob a responsabilidade tanto do
governo federal, quanto do estadual.
Equacionar tal situação desponta como tarefa
hercúlea, que demanda ação integrada entre os vários níveis do governo de forma
continuada, tanto nos processos de fiscalização, quanto no equacionamento
de outras demandas que envolvem a organização, educação, produção, segurança,
saúde, fomento de oportunidades que contemplem jovens e mulheres, entre outras
questões.
Com pouco de mais 100 páginas, em percurso que
contempla revisão bibliográfica, atividade de campo – sempre algo oneroso e
arriscado – registro fotográfico, produção de mapas, quadros e figuras
ilustrativas a partir do uso da IA, o documento apresenta um quadro delicado
para que se alcance a superação da minero-dependência do município ilegal de
ouro no município.
Sobre a ação estatal, o documento avalia que tem sido marcada pela seletividade e pela descontinuidade, que, ao invés de enfrentar as bases econômicas e territoriais da ilegalidade, acaba por reforçar ciclos recorrentes de conflito, violência e vulnerabilização dos territórios e dos modos de vida do povo Munduruku.
O relatório pode ser baixado AQUI.
Acompanhe o lançamento do relatório no dia 11.
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Postado por rogerio almeida às 5/05/2026 08:19:00 AM 0 comentários
Comissão Pró Índio alerta sobre expansão da mineração em Oriximiná/PA e vizinhança
A exploração da bauxita em Oriximiná se dá pela Mineração Rio do Norte (MRN),
uma sociedade anônima de capital fechado, que tem como acionistas as empresas
Glencore (45% das ações), South32 (33%) e Rio Tinto (22%). A MRN é a maior
produtora e exportadora de bauxita do Brasil. O minério extraído em Oriximiná
representa 40,17% da produção nacional.
As operações da MRN consistem na extração do minério, beneficiamento, transporte ferroviário, secagem e embarque de navios. Em 2024, a MRN embarcou 13,1 milhões de toneladas de bauxita, sendo 9,8 milhões de toneladas para o mercado interno e 3, 3 milhões para o mercado externo. No mesmo ano, segundo o Relatório de Administração da empresa, foram vendidas 12,7 milhões de toneladas, sendo 62% destinadas para refinarias brasileiras, 18 % para América do Norte, 14% para Europa e 6% para a Ásia. Leia a íntegra AQUI
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Postado por rogerio almeida às 5/05/2026 07:58:00 AM 0 comentários
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Trabalho no Pará: observatório da UFPA apresenta relatório sobre cenário no estado
No Pará, os números revelam um mercado de trabalho estruturalmente mais frágil. Apesar da queda do desemprego (de 8,7% para 5,8% ao longo de 2025), a informalidade segue elevada, o desalento atinge 3,7% da força de trabalho – bem acima da média nacional – e os jovens de 18 a 24 anos enfrentam as maiores taxas de subutilização. Enquanto o comércio e a administração pública concentram a ocupação, a indústria de transformação encolhe, e o rendimento médio real no estado (R$ 2.487 no último trimestre) corresponde a apenas 71% do rendimento nacional, com trabalhadores domésticos e por conta própria recebendo menos da metade da média brasileira. Leia a íntegra AQUI
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Postado por rogerio almeida às 5/01/2026 07:12:00 PM 0 comentários
1º de Maio; MST ocupa áreas no sudeste do Pará como parte da agenda do Abril Vermelho
Ainda como parte do Abril Vermelho, parte das famílias acampadas no Terra e Liberdade, Acampamento localizado no sudeste paraense, ocuparam na madrugada desta sexta (01/05) com mil famílias cerca de 5 mil hectares das fazendas Encontro das Águas e Campo Alegre destinados pelo INCRA para assentamento das Famílias em Marabá.
A ação faz parte das reivindicação dos trabalhadores por Reforma Agrária. Neste 1 de Maio, quando se comemora no mundo o dia do Trabalhador e Trabalhadora, as famílias Sem Terra seguem na luta por direitos, justiça e dignidade!
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra afirma que continuará lutando para assentar todas as famílias acampadas no Pará.
Enviado pelo MST/PA
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Postado por rogerio almeida às 5/01/2026 09:39:00 AM 0 comentários
sábado, 25 de abril de 2026
Comuna Cepasp: Vitorioso Sarau de Todas as Lutas
Neste sábado (18) a Comuna CEPASP promoveu um glorioso evento, denominado Sarau de Todas as Lutas, que contou com a brilhante participação dos poetas e poetisas Fran Cerqueira, Bertin Di Carmelita, Joari Procópio, Eliane Soares, João Martins (Peixinho), Lara Borges, Cláudia Chini, Franklin Hipólito e Clei Souza. Compareceram também ao evento o artista plástico Félix Urano (Tibirica), a companheira Auricélia Arapium, liderança indígena da região do Tapajós, acompanhada da Vivi Reis, vereadora do PSOL em Belém, que passavam por Marabá, e muitos outros companheiros e companheiras de lutas, formando um público de quase 50 pessoas do inicio ao término da programação.
A
programação foi realizada em três belíssimos momentos, o primeiro com a
declamação de poesias na área da Feira Camponesa Comunal, o segundo no espaço
de usos múltiplos, Albertina Sandra Moreira dos Reis, com o lançamento do
último trabalho do Clei Souza, e um momento de músicas animado por valiosos
artistas comuneiros: Jorginho, Joari, Peixinho, Rafael e Rogério. Animaram
também, tocando e cantando, Wanderlei Padilha, Simone Contente, Angélica
Miranda e Claudia Chini. E quase no final ainda chegou para contribuir com a
animação o guitarrista Helbert. A atividade também contou com a venda de
artesanatos, brechó, licores comunais, doce artesanal e panelada.
No
início, do primeiro momento, o companheiro Raimundinho, em nome da Comuna
CEPASP, fez uma valorosa homenagem póstuma ao poeta Ademir Braz (Pagão), a quem
foi dedicado o sarau, lembrando de suas convivências com o também já falecido
Ademir Martins, por longos tempos entre dias e noites pela cidade de Marabá. E
finalizou declamando o poema de Ademir Braz, A Terra:
Brilham os gomos de terra
E voam aves de chumbo;
No ventre teso das águas
Foge a corte de boiunas
É março no sudoeste
No signo dessas águas
A sina dos retirantes
Há cinza nos olhos claros
Sombras escuras na cara
A boca cheia de sal
A ruiva ave do tempo
Presa na teia dos ventos
Roi muros de pedra e cal
Os poemas
declamados trataram de diversas temáticas da sociedade, e principalmente da
região sudeste do Pará, como patriarcado, sobre a cidade, mulheres em lutas, luta
camponesa, indígena, mineração, meio ambiente, Guerrilha do Araguaia,
violência....
Sobre o
patriarcado:
“Renuncio
ao patriarcado em mim
Sua
herança ilusória de poder
Ao suposto
controle do gênero
Da raça...
Do
outro...
A promoção
da violência
A
escravidão comercial...”
(do poema Carta
de Renúncia, Joari Procópio).
Sobre a
cidade:
“Marabá
Uma terra
quase ilha
Mesopotâmia
tropical
No meio
dos rios, uma trilha
Feita de
sangue, suor, lágrimas, mel
e sal
Babilônia
onde reinam os reis da terra
Na boca, o
progresso e o bem
geral”
(do poema
MARABELA[Preciosa], Eliane Soares).
Sobre o
saque dos minérios:
“Nos
trilhos vão, lá se vai decidido o trem.
Que
carrega a gente, o ferro, o ouro e o apito.
Que seca a
rica jazida e à floresta cala o grito,
Que cerra
aos faróis para quem no seu rastro vem.”
( do poema
O trem, João Martins).
Sobre
mulheres:
“Não
espero príncipe nem permissão.
Eu sou a cena, o ato, o enredo.
Sou a
autora que risca, reescreve,
e publica
a própria vida em voz alta.”
(do poema
Protagonista, Lara Borges).
“A
sociedade subscreve e exige
mulheres
boas, comportadas, silentes, mansas...
Manipula
mentes, pulveriza
que o
contrário é feminazi, mal depilada, mal amada
feminista
do mal...
Não
sejamos essas mulheres
[fetiche
do sistema patriarcal
(do poema
FETICHE, Fran Cerqueira).
Sobre a
Guerrilha do Araguaia:
“Pássaros
grandes
Que
vomitavam homens
E cuspiam
insetos de fogo
Mudaram as
regras do jogo
Ditadas
por pássaros de menor porte
E na
agonia azul da morte
Andorinhas
eram subjugadas, submetidas
Até
abrirem o bico, do papagaio...
Pro
curió.”
(do poema
SERRA DAS ANDORINHAS, Bertin Di Carmelita).
Sobre o
meio-ambiente:
“Pelo
caminho, passa um mar branco ruminando, rebanhos que avançam como se fossem
ondas de algodão. Eles ocupam o lugar do silêncio, e eu penso na castanheira
que ficou sem irmãs.” (da crônica Entre a Pressa e o Conselho, Claudia Chini).
Sobre
Gabriel Pimenta:
“...tombaste
na batalha
pelo que
professaste
(não em
vão):
a quem
trabalha
pão,
paz e
terra
mas agora
eis o teu
milagre da multiplicação:
outros
nomes em teu nome
vão
vencendo a guerra.”
(do poema
CANÇÃO PRO ARCANJO GABRIEL PIMENTA, Clei Souza).
O balanço feito, por muitos que procuramos
ouvir, sobre o evento foi de que foi muito bom e necessário. “Eu acredito que
esse sarau da Comuna pode ser realizado umas três vezes no ano e virar tradição
porque foi muito bacana” (Bertin Di Carmelita).
Nós, da Comuna, também avaliamos que foi uma
atividade muito bem participativa, com muita vontade de fazer acontecer por
todos e todas, que de forma generosa contribuíram, tanto poetas e poetisas como
artistas e demais que compareceram para prestigiar. Os conteúdos dos poemas
foram de alto nível de consciência política, questionadora, provocadora e
denunciadora das opressões vividas pelos povos, e principalmente a classe
trabalhadora. Em termos de visual, além do cartaz de publicização do sarau, foi
colocada uma faixa com a consigna: Viva a Luta Anti-Imperialista.
Enviado por Thiago Martins
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Postado por rogerio almeida às 4/25/2026 07:44:00 AM 0 comentários
sexta-feira, 24 de abril de 2026
Antônio Potência, presente!
Daqui da sala de estar do apartamento 302, no Bairro Rio Vermelho, na casa dos amigos Gustavo, Carla e Nise, que nos hospedam por uns dias, eu Géssica e Ali. Na rua Alagoinha, rua que fica a casa de Jorge Amado & Zélia Gattai, recebo a notícia que o Antônio Ferreira – o seu Antônio, ou simplesmente o Antônio Potência, faleceu, me dar a notícia, Ayala sua filha.
Foi 9 de fevereiro quando o vi pela ultima vez quando soube que estava em casa, no Assentamento 26 de março, próximo a Marabá por ocasião de levar três sobrinhos que ingressaram no IFPA -Campus Rural de Marabá que fica no mesmo assentamento.
Veio de São Luís do Maranhão onde fazia intenso tratamento com o mal que lhe cometia, veio se despedir agora eu sei e nossa prosa foi intensa porque tinha que ser: cultivamos uma intensa amizade desde 1990 quando fui trabalhador (ainda bem novo) da sua fabrica de moveis de madeira oficio em que era mestre e tinha admiração dos que o cercavam.
Sua vida foi um furor de juventude é assim que o vejo em muitas e seguidas vezes era o jovem na sala de estar criou e recriou destinos, escapou das ciladas da vida, fez militâncias pelas coisas belas que moldaram sua visão de mundo e sua paixão aterradora pela felicidade!
Dizem que este bairro que é o um mundo é um bairro boêmio, era onde queria que meu velho camarada estivesse! Vá em paz a passagem é irremediável, seguimos com a tenacidade que esbanjava esta emoção de ser gente!
Charles Trocate
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Postado por rogerio almeida às 4/24/2026 07:22:00 PM 0 comentários
MST/PA: nota de pesar
O Movimento Sem Terra recebe com tristeza a notícia da partida física de Antônio Ferreira, carinhosamente chamado Seu Potência, pelos seus camaradas e amigos.
Pai de nossa dirigente Ayala Ferreira e de mais cinco filhos, marceneiro de profissão, que fazia com todo cuidado e amor. Esteve presente na construção de Parauapebas junto com sua família, onde fizeram morada e trajetória.
A alguns anos havia tomado a decisão de ser camponês. Se dedicando ao cultivo e criações no assentamento 26 de março em Marabá.
A dois anos Antônio estava fazendo tratamento de saúde. Mesmo nos momentos difíceis dava exemplo de amor a vida na sua luta diária.
Nos despedimos de seu Potência, lutador e condutor do Sul e Sudeste do Pará e seu legado de amor pelo belo e pelo melhor do mundo.
MST Pará
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Postado por rogerio almeida às 4/24/2026 07:20:00 PM 0 comentários
quinta-feira, 23 de abril de 2026
BR 163: Justiça mantém suspensão de obras por falta de consulta a quilombolas em MT
A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal manteve a suspensão parcial da licença ambiental para intervenções na BR-163/364, em Mato Grosso. A decisão da 1ª Vara Federal de Cuiabá condiciona a liberação das obras de ampliação à realização de consulta prévia, livre e informada aos moradores do território da Comunidade Quilombola Abolição, em Santo Antônio do Leverger. Leia a íntegra AQUI
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Postado por rogerio almeida às 4/23/2026 07:09:00 PM 0 comentários
CHARLES TROCATE: levanta questionamentos irremediáveis sobre a criação da empresa estatal para o setor de mineração no Brasil, a “TerraBrás”.
| Estrada de Ferro de Carajás. Piquiá de Baixo, Açailândia/MA. Foto: Marcelo Cruz |
Em setembro de 2026, a Lei Kandir, que leva o sobrenome do político paulista, à época deputado federal por São Paulo, completa 30 anos. Assim como o ano passado, 2025 completou a mesma idade a quebra do monopólio estatal de pesquisa e lavra do setor mineral e, em 6 de maio de 2027, será o aniversário de 30 anos da venda do modelo mineral brasileiro em forma de empresa, a privatização da CVRD, que hoje tem apelido público de VALE S.A. Para qualquer político do status quo, implodir o patrimônio público foi necessário para gerar superávit primário, reservas estratégicas e equilíbrio da balança comercial.
Junto a tudo isso, imposição de segurança jurídica aos capitais, financeirização da economia e um setor que age de maneira incontrolável na economia, na natureza e na sociedade é o que restou, e de maneira presumivelmente intermináveis rodadas de precificação de natureza no esquadro de minerais críticos e estratégicos à transição energética. Ajustar pelo Estado a economia de mercado, aquilo que o mercado não conseguiu fazer, ganha nova arquitetura para que o rentismo continue a desbancar um projeto de nação e deixemos ainda mais de controlar os bens minerais da sociedade brasileira.
Confira a entrevista com Charles Trocate, que é integrante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração -MAM e professor visitante na Universidade Federal da Bahia-UFBA. Ele fala sobre o significado e os limites da criação da empresa estatal TerraBrás, com implicações profundas aos territórios sensíveis do país e da própria vertigem do modelo de minerar organizado de fora para dentro, que nos desmonta pedaço a pedaço. Além da crítica contundente a este movimento do capital travestido de boas intenções, deve haver saída, é o que ele propõe nesta conversa.
Blog Furo: Charles Trocate, o que está acontecendo, onde o rio é mais profundo neste debate que se apresenta como polêmica?
Charles Trocate: Enquanto o governo Trump pressiona por acordos assimétricos para garantir minerais críticos (lítio, nióbio, entre outros) à transição energética dos EUA, o discurso de soberania do presidente Lula soa como ironia perversa, mesmo estando certo em vocalizar as contradições com o governo Trump. Mas, na prática, o Brasil reforça sua posição de fornecedor de matérias-primas: o governo de Goiás, por exemplo, fechou parcerias com empresas norte-americanas e foram longos três anos para o acordo se viabilizar (2023-2026) para extrair lítio, níquel e cobalto em 124 mil hectares — sem exigir processamento local.
Outras informações dão conta de contrato entre MME e empresa americana para fazer levantamento geofísico dos minerais para estipular plano de negócios sobre este novo catálogo de minerais à disposição de investimentos. E, dessa forma, se criada como está, a TerraBrás consolida essa submissão geoeconômica. Seu modelo de partilha (Art. 8º do PL 1754/2026) entrega jazidas estratégicas a transnacionais, mantendo a CFEM em 3,5% e ignorando o exemplo chileno, que entrou em vigor em 2024, em que a média é 12%.
O parlamentar proponente do PL, os parlamentares que subscreveram, o burocrata ou técnico auspicioso sabe muito bem do que se trata; não é por acaso ou ingenuidade a proposição dessa magnitude.
A “estatal soberana” é, na verdade, um projeto de espoliação colonial. O PL altera o Código de Mineração (1967) para implantar partilhas lesivas, enquanto minérios fundamentais para tecnologias — como o nióbio (18% das reservas mundiais) — são exportados brutos em 90% dos casos, sem gerar indústrias ou empregos qualificados. Enquanto isso, na Australia, Chile e Peru tributam mineradoras entre 12% e 15%, mas aqui subsidiamos lucros bilionários com uma alíquota medieval.
O
projeto destrói patrimônios públicos estratégicos: ao anexar o Serviço
Geológico Brasileiro (CPRM), a TerraBrás privatiza dados de R$ 2,8 bi/ano em
pesquisas públicas. Essas informações viram moeda de troca para mineradoras
explorarem, por exemplo, 13,9 milhões de hectares de terras sensíveis —
incluindo 57,1% dos Assentamentos da Reforma Agrária (4.691 áreas) e regiões do
Aquífero Guarani. Nas zonas de conflito (como Norte e Centro-Oeste), 65,1% dos
territórios tradicionais sofrem com grilagem e contaminação hídrica acelerada.
Por fim, o PL consolida um circuito de espoliação. As mineradoras capturam rendas extraordinárias (ex.: Vale lucrou R$ 22 bilhões em 2023) e rendas monopolistas (5 empresas controlam 78% do mercado), ampliadas por incentivos fiscais sem contrapartidas (Art. 19). O resultado é uma perda fiscal de R$ 4,2 bilhões/ano, a destruição de biomas e o aumento em 22% dos conflitos territoriais. Chamar isso de "soberania" é uma ironia cruel: é a legalização do saque geoeconômico.
Blog Furo: Como a geoeconomia explica a entrega dos nossos bens minerais?
Charles Trocate: Geoeconomia é a estratégia global em que países com ativos financeiros buscam controlar os bens naturais para desenvolver tecnologias ao seu favor, ao seu projeto de desenvolvimento. A TerraBrás nos enfraquece nesse jogo. Em vez de usarmos minérios raros como o nióbio (18% das reservas mundiais) para desenvolver indústrias, entregamos dados do Serviço Geológico Brasileiro (CPRM) a empresas privadas. Esses mapas de jazidas, feitos com dinheiro público, viram segredos corporativos. Assim, viramos fornecedores pobres de matéria-prima, enquanto EUA em especial e outros países os querem para outros propósitos.
Blog Furo: Por que os baixos impostos minerais são um roubo?
Charles Trocate: Enquanto você paga 27% de IR, mineradoras pagam só 3,5% de CFEM sobre o minério extraído. Com a Terrabrás, ganharão ainda isenções fiscais (Art. 19 do PL). Isso é um subsídio que permite ao setor privado destruir territórios! Para piorar, os dados geológicos da CPRM, que custaram R$ 2,8 bilhões por ano em pesquisas públicas, serão monopolizados por empresas para explorar áreas sensíveis, como Assentamentos. O povo banca a pesquisa, e o lucro vai para acionistas.
Blog Furo: O que é 'renda extraordinária' e quem a captura
Charles
Trocate: É o superlucro de mineradoras que extraem bens escassos, mas não só
(como lítio ou terras-raras), quase de graça e vendem caro. A Vale teve R$ 22
bi de lucro em 2023, mas paga míseros 3,5% de tributo. Com a TerraBrás, essa
renda será ampliada: empresas usarão dados públicos da CPRM para identificar
jazidas em 13,9 milhões de hectares de terras públicas e pagarão quase nada por
isso. Enquanto isso, assentados, mas não só, perdem terras e água.
Blog Furo: Como a TerraBrás fortalece monopólios com dados públicos?
Charles Trocate: 5 empresas controlam 78% da mineração no Brasil. A TerraBrás não quebra esse cartel: pelo Art. 21 do PL, ela anexa o Serviço Geológico (CPRM) e seus dados estratégicos, transformando informações públicas em ativos privados. É a destruição de um patrimônio nacional: mapas de jazidas em áreas como o Aquífero Guarani viram moeda de troca em parcerias com transnacionais. Isso gera renda monopolista — elas definem preços e engolem mercados, enquanto comunidades são expulsas.
Blog Furo: Há como reverter essa espoliação geoeconômica?
Charles Trocate: Sim! Primeiro: definir onde e como minerar, taxar a renda extraordinária em 12% (como no Chile)), que ajude a superar as assimetrias e desigualdades regionais. Segundo: exigir que minérios virem produtos aqui (ex.: nióbio em indústria aeroespacial). Terceiro: tornar o Serviço Geológico inalienável — seus dados devem ser públicos, não privatizados pela TerraBrás. Quarto: dar às comunidades poder de veto sobre mineração em seus territórios. Assim, o Brasil vira peça-chave no tabuleiro geoeconômico, não colônia!
Blog Furo: O que exatamente altera na proposição e que você menciona com preocupação?
Charles Trocate: Veja, para o Decreto-Lei 227/1967, a alteração mais relevante é o Art. 3º do PL, que substitui o modelo de 'concessão' pelo de 'partilha da produção'. Isso tem implicações diretas na CFEM e na precarização das salvaguardas ambientais. Posso usar exemplos já mencionados, como a redução da tributação efetiva e os riscos para áreas e territórios não minerados até então, ou mesmo a alteração do uso dos dados que a CPRM é guardiã, o zoneamento de onde minerar e onde não minerar. Por exemplo, no regime de partilha, a União só fica com 43% e administra todas as externalidades do setor como rompimentos de barragens e etc. E a alíquota continua inalterada.
Sobre a Lei 8.970/1994, que criou a CPRM, o Art. 21 do PL é crucial porque transforma um órgão público em subsidiária da TerraBrás. Isso explica concretamente como ocorre a privatização dos dados geológicos.
Quanto à Lei 13.575/2017 (que trata da Agência Nacional de Mineração), o Art. 4º do PL enfraquece a regulação ao concentrar poderes na Terrabrás. Isso se conecta à crítica sobre monopólios e falta de transparência. A ANM é esvaziada para que a Terrabrás vire juiz e parte.
Blog Furo: E quais são as perspectivas que se avizinham?
Charles Trocate: De qualquer forma, os pontos críticos são esses. Insisto: geoeconomia pressupõe que países controlem bens estratégicos para gerar vantagens competitivas (ex.: cadeias produtivas integradas). O PL 1754/2026, porém, fomenta extração bruta. A TerraBrás atuará via 'partilha da produção' (Art. 8º) com transnacionais, prioritariamente exportando minérios crus em detrimento da industrialização local e, claro, ignora lições históricas: países como Bolívia e Indonésia nacionalizaram o lítio e o níquel para controlar preços e cadeias. A Terrabrás, ao contrário, não exige processamento, não propõe verticalização em nada, é só escoamento, minas e circulação.
E, como possibilidade, em vez dessa pressa, deveríamos, diante da urgência em frear a exploração predatória e os impactos socioambientais acumulados, estabelecer uma espécie de moratória imediata no modelo mineral brasileiro — não se decidir nada até estarmos em outras condições. Esta pausa estratégica é essencial para criar um espaço democrático em que os mobilizados e imobilizados pelo problema mineral — academia, trabalhadoras e trabalhadores, sindicatos e movimentos populares — possam construir propostas alternativas às atuais leis que instrumentalizam o Congresso como arena de negócios privados. Impede-se assim que o patrimônio mineral seja moeda de troca política, enquanto se organiza uma Conferência Popular dos Bens Minerais — processo permanente de debate que centralize as vozes historicamente silenciadas e constrangidas pelo argumento do progresso da atividade mineral feito à revelia na definição da política setorial.
Esta conferência precisa enfrentar o cerne do problema: a desconexão entre a extração mineral e o desenvolvimento regional. Enquanto os commodities seguem para o mercado global, as regiões mineradas herdam passivos geofísicos (como alterações hidrológicas e subsidências), economias dependentes e violações de direitos. Urge reverter a lógica que concentra danos nos territórios e benefícios em cadeias transnacionais, estabelecendo mecanismos vinculantes de controle social sobre os bens estratégicos da nação.
A TerraBrás é um projeto de saque geoeconômico: entrega minérios críticos a preço de banana, destrói dados públicos estratégicos e mantém o povo refém de monopólios. Enquanto outras nações usam seus bens minerais para desenvolver tecnologia, nós os trocamos por migalhas fiscais. Basta! Ou nacionalizamos nossa riqueza com controle popular, ou seremos eternamente espoliados!
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Postado por rogerio almeida às 4/23/2026 08:18:00 AM 0 comentários