sexta-feira, 12 de junho de 2026


Enquanto povos do mundo todo comemoram a riqueza dos encontros entre culturas nos estádios da Copa do Mundo de Futebol, uma campanha que será lançada em Belém (PA) convida a população a seguir sempre celebrando e colocando em prática o respeito, a inclusão e a proteção de pessoas estrangeiras, refugiadas e apátridas que vivem no estado. O lançamento oficial da campanha será nesta segunda-feira (15), das 9h às 11h, na sede do Ministério Público Federal (MPF), localizada na rua Domingos Marreiros, 690, no bairro do Umarizal. Leia a íntegra no MPF

“Os Povos Indígenas e o Futuro”: Cartilha une quadrinhos, fuga do capitalismo e a retomada da Terra pela terra


Em meio ao avanço das mudanças climáticas antrópicas, à escalada da desigualdade e ao esgotamento do modelo capitalista de produção, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) lança uma ferramenta pedagógica, em história em quadrinhos, que pode ser utilizada como um manifesto e um compêndio de saberes tradicionais: a cartilha “Os Povos Indígenas e o Futuro”. Baixe a cartilha AQUI

Transamazônica e BR 163: projeto 50+50 lança livros e documentários em Santarém/PA

Afã de integrar Amazônia levou a desmatamento e morte de índios -  27/06/2020 - Poder - Folha

Lançamento de livros, palestras, exibição de documentários, entrega da comenda Avelino Ganzer, entre outras atividades, agita a devolutiva do projeto Transamazônica e BR 163 50+50, no dia 12.  A agenda inicia no auditório da Ufopa, campus Salé, em Santarém, passa pelo João Fona e Alter do Chão.  Acesse a íntegra da programação AQUI

Volkswagen é condena a pagar indenização de R$ 2 milhões por trabalho escravo no Pará

Foto: Wolfgang Weihs/picture alliance

A Vara do Trabalho de Redenção (PA) proferiu uma decisão histórica, nesta quinta-feira 11 de junho de 2026, ao condenar a Volkswagen do Brasil ao pagamento de R$2 milhões em indenização por danos morais e existenciais a um trabalhador submetido a condições análogas à escravidão na Fazenda Vale do Rio Cristalino, em Santana do Araguaia (PA), durante a década de 1980. Leia a íntegra no site da CPT

2 mil famílias ocupam o INCRA de Marabá/PA

Desde o dia 11 de abril deste ano, 2 mil famílias dos movimentos populares da luta pela Reforma Agrária Popular do campo e cidade, entre eles do MST, ocupam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), na Superintendência Regional do Sudeste do Pará (SR-27), no município de Marabá. Leia mais no MST

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Capital e fronteiras no Pará: dossiê recebe trabalhos até o fim de julho

 O objetivo do dossiê é receber trabalhos que reflitam sobre as dinâmicas territoriais nas regiões do Tapajós, Xingue e Araguaia-Tocantins



Fronteiras amazônicas: a permanência do avanço do capital no oeste, sudoeste e sul/sudeste do estado do Pará, nomeia o dossiê proposto pelos professores Carla Giovana Rocha (UFPA-Altamira), Fernando Michelotti (Unifesspa-Marabá-PA), Haroldo Souza (Unifesspa-Marabá-PA) e Rogerio Almeida (Ufopa-Santarém/PA), a partir da publicação Terceira Margem Amazônia (Qualis B1). Os trabalhos serão recebidos até o fim de julho. Leia o edital AQUI ou acesse o QRcode na imagem. 

Mineração na Amazônia: UEPA sediará seminário a partir do dia 25 de junho

 O seminário busca promover o diálogo entre  universidades, pesquisadores  e  movimentos sociais. 


Entre 25 a 27 de junho, a Universidade do Estado Pará (UEPA), campus de Belém, sediará o I Encontro de Professores(as) e Pesquisadores(as) sobre o Problema Mineral na Amazônia.

A iniciativa é do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) em diálogo com as universidades Federal do Pará (UFPA), Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e UEPA, que tem como horizonte a promoção de diálogos com vistas ao fortalecimento de pesquisas alinhadas com os movimentos sociais.  

Possuem relevo neste caso, situações de conflitos, desafios e contradições associados à atividade mineradora. Assim como contribuir para a troca de informações e a difusão do conhecimento tendo base a perspectiva crítica e interdisciplinar.  

O evento resulta de uma trajetória de 11 anos de parcerias construídas, em âmbito nacional, entre o e pesquisadores/as e professores/as comprometidos com o debate crítico sobre a mineração no Brasil e nas Amazônias.

Ao longo de suas jornadas o MAM em parceria com universidades de todo o Brasil, tem produzido uma série de documentos e livros sobre o tema.

O evento espera reunir militantes do MAM, docentes do ensino superior, núcleos e grupos de pesquisa, bem como pesquisadores/as vinculados a cursos e programas de graduação e pós-graduação dedicados à análise crítica da mineração na região amazônica.

Pretende-se de forma coletiva, construir leituras, caminhos e uma agenda de atuação que articule a academia, os territórios em luta frente ao setor mineral e a sociedade amazônica e brasileira, contribuindo para o fortalecimento da soberania popular na mineração.

A inscrições para apresentação de trabalho podem ser realizadas até o dia 12. Saiba mais  AQUI

Mineração no Pará – Existe minério praticamente em todo o estado, – de seixo a ouro -, todavia, até o momento, Carajás tem se constituído como o principal polo exportador.

O extrativismo mineral possui relevância na composição da balança comercial do estado do Pará, chegando a contribuir em patamar que beira casa dos 40% do Produto Interno Bruto (PIB ). E, responde por cerca de 90% das exportações do estado, onde o minério de ferro possui destaque, seguido de cobre, manganês e bauxita.

O mesmo minério que pesa na composição do PIB e nas exportações  é responsável por uma renúncia fiscal expressiva por conta da Lei Kandir (lei complementar federal n.º 87, de 13 de setembro de 1996), que desonera as empresas em recolher o Imposto de Circulação de Mercadoria e Serviço (ICMS) dos produtos primários e semielaborados.

No cenário de corporações internacionais que exploram ou reivindicam licença para prospecção mineral junto à Agência Nacional de Mineração (ANM) em solo paraense, constam a suíça Xstrata, a estadunidense Alcoa, a francesa Ymeris, a Reinarda, subsidiária da australiana Troy Resourse, a norueguesa Norsk Hidro, a chilena Codelco, a canadense Belo Sun Mining Corp e a Vale, esta a de maior musculatura.

A Alcoa explora bauxita em Juruti, no oeste do paraense desde os anos de 2000. Em processos de licenciamento ambiental marcados por judicializações. Nos últimos anos a mineradora tem pleiteado minerar o subsolo do Projeto Agroextrativista (PAE) Lago Grande, no município de Santarém.

A mesma região vem experimentando a ampliação da atividade na cidade de Terra Santa, vizinha à Oriximiná, onde a Mineração Rio do Norte (MRN), explora bauxita desde os anos de 1970.   

Ao longo dos anos a modalidade de política pública para a Amazônia baseada em grande empreendimento tem sido um indutor de desagregação econômica e social. O fenômeno se manifesta a partir do rompimento de laços de solidariedade, vizinhança, formas de reprodução econômica, social e cultural de pescadores, indígenas, trabalhadores rurais, extrativistas e demais formas da sociodiversidade.

Na região do Xingu, dois projetos, a hidroelétrica de Belo Monte e a moneradora canadense Belo Sun fazem parte de um cenário que tem redefinido os territórios já estabelecidos na Pan-Amazônia.

Tais empreendimentos colocam em flancos opostos grandes corporações de construtoras de barragens, mineradores, agricultura capitalista e noutro as populações consideradas tradicionais, numa lógica secular marcada pela expropriação dos últimos. Para não falar da atividade garimpeira.

Saiba mais sobre o MAM

Serviço: 

I Encontro de Professores(as) e Pesquisadores(as) sobre o Problema Mineral na Amazônia

Local: UEPA, Campus Belém

Período: 25 a 27 de junho

Promoção:  Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e parceiros

Mais informações:

Katiane de Jesus (93) 9 8814-5368

Márcio Zonta - 98 98156-1749

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Belém sedia V Feira Estadual da Reforma Agrária

Até o dia 07, Belém será o palco da defesa da reforma agrária

 


O MST do Pará, inicia hoje, em Belém, a V Feira da Reforma Agrária.  O evento ocorre na Praça Araújo Martins, no bairro de São Brás e estende até o dia 07.

No estado mais delicado na disputa pela terra do País, a jornada visa promover a luta pela reforma agrária, a defesa da cultura e a resistência do campo para a cidade.

Além da produção orgânica dos assentamentos, a feira terá apresentação de artistas alinhados na defesa da reforma agrária, exposição de artesanato, troca de saberes e livros.

 

Convide a família, os amigos e venha fortalecer quem produz comida de verdade!

Serviço:

V Feira da Reforma Agrária

📍 Praça Araújo Martins – São Brás – Belém

📅 05, 06 e 07 de junho de 2026

Live pela democracia: coletivo de Santarém/PA promove debate pela democracia com participação de José Genuíno

 


Inquietos com a onda reacionária que nubla o País, um coletivo mobilizado a partir do Espaço Cultural Quintal Sapucaia, em Santarém, oeste do Pará,  tem mobilizado esforços na promoção de um debate qualificado para contemplar tanto a democracia nacional, quanto o futuro da Amazônia.

Nesta direção, educadores, pesquisadores, profissionais liberais, sindicalistas, estudantes, artistas, jovens e mulheres iniciam na noite de hoje, uma rodada de lives. José Genuíno, Florêncio Vaz, com a mediação da professora Ítala Nepumuceno descortinam o primeiro debate, que reflete sobre a democracia.

Genuíno possui destaque nacional na defesa democracia desde os tempos da ditadura empresarial-militar. É ex-deputado federal pelo PT (SP). Vaz, professor da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e frei franciscano é um reconhecido ativista junto às causas indígenas no Baixo Amazonas.  Enquanto a mediadora Nepumuceno tem destacado papel como antropóloga na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

O evento é híbrido. O presencial terá como espaço o Quintal Sapucaia. E nas redes pode ser acompanhado no link  https://youtube.com/live/H_Z5zjY9ZE4?feature=share, a partir das 19h.

Serviço

Live – Democracia em Debate

No dia 05 de junho

Horário 19h às 21h

Presencial: Centro Cultural Quintal Sapucaia recebe um debate com:

Debatedores

🎙️ José Genuíno

🎙️ Prof. Florêncio Vaz (UFOPA)

🎙️ Profª Ítala Nepomuceno (mediação/Ufam)

📍 Presencial: Centro Cultural Quintal Sapucaia, (Avenida São Sebastião, 1233)

💻 Transmissão ao vivo pelo YouTube:

https://youtube.com/live/H_Z5zjY9ZE4?feature=share

📜 Haverá emissão de certificado e carga horária complementar. Apenas para os que comparecerem presencialmente.

Inscrições para certificação:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd0xRixJXQqdC_zCvx4kUk7oRnpTf5zUhtHtnQ_hmWRCOgzww/viewform?usp=publish-editor

 

terça-feira, 2 de junho de 2026

Lavagem de ouro na Amazônia: relatório elaborado pelo Greenpeace faz a anatomia da fraude


Em períodos de instabilidade econômica e geopolítica, o ouro volta a ocupar posição estratégica no mercado global. Historicamente associado à segurança financeira, o metal se fortalece em cenários marcados por guerras, crises econômicas e incertezas internacionais. Mas por trás do brilho, se esconde a anatomia de uma fraude que está destruindo o coração da maior floresta tropical do planeta.

O relatório inédito do Greenpeace Brasil Lavagem de ouro na Amazônia: anatomia de uma fraude usa dados públicos para detalhar que o principal instrumento utilizado para legitimar o ouro ilegal é a Permissão de Lavra Garimpeira (PLG). A investigação mostra que o regime das PLGs, que deveria funcionar como regulamentação do garimpo artesanal, na prática permite que elas sejam utilizadas como fachada para fraudes em larga escala. Leia mais AQUI

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Lúcio Flávio Pinto presta homenagem ao jornalista Carlos Mendes, falecido no dia 31 de maio


O juiz substituto da 3ª vara da justiça federal em Belém, Pedro Maradei Neto, condenou o jornalista Carlos Mendes a dois anos de detenção por ter colocado no ar a Rádio Tabajara FM, em 2008. Sem ter autorização “das autoridades competentes” para funcionar, a emissora foi considerada clandestina e retirada do ar pela Anatel em agosto de 2010. A partir daí, Mendes, o único responsável pela rádio, foi processado na justiça pelo Ministério Público Federal. Leia mais no site do Lúcio

sábado, 30 de maio de 2026

Fordilândia (PA): MPF condena poder público a recuperar complexo histórico

 


A Justiça Federal emitiu sentença favorável a pedidos do Ministério Público Federal (MPF) e condenou a União, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o estado do Pará e o município de Aveiro (PA) a promoverem a recuperação e a conservação do conjunto urbano, arquitetônico e paisagístico do distrito de Fordlândia. Leia a íntegra no MPF

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Ligas Camponesas: MPF ajuíza ação contra continuidade da violência no campo na PB

 O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública, nesta terça-feira (26), contra a União e o estado da Paraíba para responsabilização por graves violações de direitos humanos praticadas contra integrantes das Ligas Camponesas e trabalhadores rurais entre 1964 e 1981. A ação sustenta que a repressão não foi composta por episódios isolados, mas por um sistema organizado de perseguição política, sustentado pela atuação conjunta de agentes estatais e estruturas privadas ligadas ao latifúndio, com efeitos que, segundo o MPF, ultrapassaram o período da ditadura militar e permanecem presentes até hoje. Leia mais no site do MPF

Terra e território: Valter Cruz, professor da UFF, ministra palestra amanhã, na unidade Rondon da Ufopa

 

 


Valter Cruz, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), unidade de Niterói, ministra na noite do dia 28, a partir das 19h, no auditório Laranjão, do campus Salé, palestra que  sobre terra e território na perspectiva da ecologia política. O evento integra a agenda de debate do curso de Geografia da Ufopa.  

Ex coordenador do curso de pós graduação de Geografia  da UFF, Valter Cruz é uma referência nacional no debate em torno do conjunto de ideias em torno do debate da  decolonialidade. Paraense do Baixo Tocantins, Cruz assina vários artigos sobre o tema da colonialidade, além de organização de livros.




Autor de vários artigos sobre o debate, o professor refflete que a questão central do modelo reside em elementos de permanência, onde a colonialidade opera naturalizando as formas do imaginário de matriz europeia como única forma de relacionamento com a natureza, com o mundo social e com a própria subjetividade.

Cruz argumenta que a colonialidade é um resíduo irredutível na formação econômica, política, social e cultural em nossa sociedade. Ela se manifesta cotidianamente em nossas relações nas mais variadas maneiras.

Sejam elas políticas, econômicas e culturais. Ela estabelece padrões de hierárquicos de mando e obediência a partir de critérios de raça, cor, gênero, sexo, linguagem, imaginário e localização geográfica.   

A conquista do novo mundo é considerado um marco histórico nesta construção. Ela descortina o projeto civilizatório eurocêntrico de caráter universalizante e superior, a partir da deia de ciência, humanismo, Estado e progresso.

Tais amparos ainda hoje orientam políticas públicas para a Amazônia, onde é recorrente o apelo à ideia de desenvolvimento e progresso desta matriz em tela, onde as populações locais são enquadradas como um empecilho, uma pedra no caminho ao processo civilizatório exógeno.

Inscreva-se pelo link: https://forms.gle/25XekttEWvkBND1L6

Dia do Agro: Giovana Girardi analisa a patada da bancada da boiada

 Talvez nem nos sonhos de Ricardo Salles a boiada passaria causando tanto estrago. Em dois dias, de baciada, a bancada ruralista na Câmara dos Deputados aprovou e deu encaminhamento a um conjunto de projetos de lei que dificultam a fiscalização de crimes ambientais, reduzem a proteção de vegetação nativa e, de quebra, ainda aumentam os poderes do Ministério da Agricultura. Ações que, juntas, podem abrir caminho para aumentar o desmatamento e piorar as mudanças climáticas. Leia a íntegra na Agência Pública.

Grupo Matheus: a jornalista Flávia Regina faz um mergulho para entender o "milagre" da multiplicação da rede


O que têm em comum o ex-prefeito de Recife, João Campos (PSB), de centro-esquerda, e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), de centro-direita? Ou ainda o governador do Piauí, o petista Rafael Fonteles, e o prefeito de Belém, o emedebista Igor Normando? O governador de Sergipe, o empresário Fábio Mitidieri (PSD) e o ex-prefeito de Maceió, o tucano João Henrique Holanda Caldas, conhecido como JHC em referência ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso? Leia a íntegra na Agência Pública

Julgamento de chacina de Pau d’Arco é retomado no Pará, depois de 9 anos


DEPOIS de quase uma década sem que os acusados fossem levados a júri, o caso da chacina de Pau d’Arco volta ao centro das atenções na terça-feira (26). Nesta data, o TJPA (Tribunal de Justiça do Pará) deve julgar os recursos apresentados pelas defesas dos policiais civis e militares indiciados pelo homicídio de dez trabalhadores rurais, ocorrido em 24 de maio de 2017. Leia a íntegra no site Repórter Brasil

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Canaã dos Carajás: a pedido da Vale, Justiça ordena despejo de sem terra pela segunda vez

A disputa envolve sem terra e a mineradora Vale 


Após terem sido despejados por ordem do juiz da comarca de Canaã, as famílias do Acampamento Grotão do Mutum enfrentam nova ameaça de despejo, dessa vez, a pedido da VALE. 


O acampamento foi transferido para uma área pública federal, de 2.500 hectares, que a Empresa VALE se apropriou ilegalmente no entorno do futuro projeto de mineração Cristalino em processo de implantação pela empresa. 


Mesmo o acampamento estando localizado em uma área pública federal, o juiz da comarca local, atendeu o pedido da VALE de concedeu a liminar que autoriza novamente o despejo das famílias, no entanto, decidiu manter a liminar suspensa até que a Comissão do Soluções Fundiárias do TJPA estabeleça um processo de mediação entre as partes em um prazo de 90 dias. 


As famílias, representadas pelo STR de Canaã e pela FETAGRI Regional, defendem a proposta de só saírem do local para uma nova área onde serão definitivamente assentadas pelo INCRA. 


Canaã/Marabá, 21 de maio de 2026.

sábado, 16 de maio de 2026

Força-tarefa resgata dois trabalhadores em condições análogas às de escravo em Jacundá (PA)

Vítimas estavam submetidas a condições degradantes de trabalho em uma fazenda de criação de gado


Dois trabalhadores foram resgatados de condição análoga à de escravo em uma fazenda  localizada no município de Jacundá, no sudeste paraense, durante operação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM). A ação,  coordenada pela Auditoria Fiscal do Trabalho, com participação do Ministério Público do Trabalho no Pará e Amapá (MPT PA-AP), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e Polícia Federal (PF), foi realizada no período de 05 a 14 de maio. Leia mais no site do
MPT


quarta-feira, 13 de maio de 2026

Reforma agrária e a defesa do território é tema de seminário dos trabalhadores rurais em Santarém/PA

Ivete Bastos, pres. do STTR, Rosenilce dos Santos, pres. da Feagle e Sara Pereira, técnica da Fase

Em 1981, pós reunião de delegados sindicais, o Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Santarém/PA (STTR) agendou como estratégia “Não medir esforço para sustentar a luta em defesa terra, dos lagos, da madeira, da caça e de todos da os bens que são indispensáveis à sobrevivência do trabalhador rural” recupera obra do educador Jean Pierre Leroy, Uma chama na Amazônia (1991), que registra parte da trajetória do sindicato.

Passados 45 anos, assim como a violência como elemento estruturante nos processos de luta pela terra, a pauta pela defesa da terra, da floresta, dos rios e do território permanece como bandeira de luta dos/as trabalhadores/as rurais.

Nesta direção do STTR realizou no dia 12, o seminário sobre a reforma agrária, na sede da instituição.  Além da categoria, contou com a presença de estudantes do curso de Geografia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), pesquisadores/as e professores/as, e de técnicos/as da Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional (FASE), histórica parceira do sindicato.

Constavam tanto estudantes do fluxo normal, quanto os contemplados pelo Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária (Pronera), que soma um quarto de século em 2026. O programa é dos desdobramentos dos processos de luta das instituições do campo popular, como esforço para manter o homem no campo.

Auditório do STTR de Santarém/PA


Ivete Bastos, presidenta do STTR, histórica militante da região, adverte que a efetivação de políticas públicas que favoreçam a permanência do assentado em seu território representa um grande empecilho na luta pela defesa terra.

“Eu mesma estou na lista de beneficiários (RB) do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) desde 2005 e nunca recebi o crédito de fomento lá do assentamento Lago Grande”. O território figura entre os mais tensos na luta pela terra no município. 

A dirigente alertou para a centralidade que possui a Amazônia, diante das múltiplas que precipita sobre a sociedade contemporânea, entre elas, a civilizatória e climática. “Cumprimos um importante papel do uso equilibrado das riquezas há milênios.  A nossa relação com a terra não é de propriedade ou negócio é de trabalho. É de vida. Por isso defendemos o nosso território e a posse coletiva”, adverte Bastos.

Rosenilce dos Santos, atual presidenta da Federação das Associações do Projeto de Assentamento Lago Grande (Feagle), seguindo toada equivale às falas de Bastos, interpreta que “por conta das inúmeras riquezas que o território agrega, acaba sendo alvo da cobiça de pescadores clandestinos da própria região e de fora dela, exploradores ilegais de madeira, grileiros de terra e de grandes corporações, a exemplo da mineradora estadunidense Alcoa, que  tem pleiteado a todo custo explorar bauxita na região”. 

A mineradora opera no município de Juruti, na divisa com Santarém, desde o começo dos anos 2000. A jornada de instalação da mineradora é eivada por abusos denunciados pelas populações afetadas junto aos Ministérios Públicos Federal e Estadual.   Na mesma quadra temporal da construção ilegal do porto da igualmente estadunidense Cargill, na orla de Santarém.

Tais abusos encarnam uma fase recente da presença do grande capital no Baixo Amazonas. É no começo do século passado, que o multimilionário Ford  senta na praça na região. A experiência do empresário é considerara a primeira experiência essencialmente capitalista na região.

Naquela época, assim como hoje, a anuência do Estado para o saque cumpre papel fundamental. Seja afrouxando normas, renunciando impostos, concedendo terras e financiamentos ou promovendo a coerção pública contra as populações locais.

Sobre o caso da Alcoa, a penalização de secretários da pasta de meio do estado no processo de licenciamento ambiental configura foi um dos desdobramentos. Tensão que permanece pelo constante assédio da empresa junto às populações do PAE Lago Grande, quanto pela drenagem irregular do rio Amazonas. Ambos judicializados no Ministério Público Federal (MPF).

Assentamentos pressionados pela grilagem e a mineração

Prof Eneas/UFOPA e a técnica da Fase/RJ, Julianna Malerba


A Amazônia concentra o maior número de projetos de assentamentos da reforma agrária do País. Em particular o estado do Pará, com ênfase nas regiões sul e sudeste. As mais violentas quando o tema é a agudeza da luta pela terra no território. 

Os massacres de Corumbiara (RO), ocorrido em 1995, e o de Eldorado do Carajás (PA), além da mobilização de várias frentes pela reforma agrária, colaboram para a conformação do cenário. O Estado brasileiro passou a reconhecer várias áreas ocupadas como PAs. Muitas delas com histórico de mais de duas décadas. Como ocorre com a luta do PAE Lago Grande.

Todavia, a descontinuidade de políticas e a morosidade, entre outros vetores, colaboram para o abandono ou a negociação dos lotes. O que redunda, na reconcentração da terra nas mãos de poucos, novamente. 

Como advertido pela presidenta da Feagle, tem-se as constantes pressões e ameaças de vários setores que operam na fronteira entre o lícito e o ilícito, grandes corporações do mercado mundial, oligarquias regionais, bem como garimpeiros e facções criminosas.

Eneas Guedes, doutor em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da UFOPA, sobre a reconcentração da terra nos PAs avalia, assim como as sindicalistas, que a descontinuidade de políticas públicas como elemento estruturante. 

Julianna Malerba, técnica da Fase, do Rio de Janeiro e membro da Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA), apresentou dados focados no avanço da fronteira mineral, geração de energia e obras de infraestrutura, com foco nas grandes corporações.

Malerba apresentou dados preliminares sistematizados pela Coalizão Terra é para Plantar e Proteger. Eles apontam que: i) 18.276  processos minerários incidem sobre assentamentos; ii) 4.691 assentamentos possuem áreas sobrepostas a processos minerários; iii) 256  assentamentos são afetados por projetos de energia, e iv) 2.884 assentamentos estão afetados por infraestrutura logística.


Acesse o estudo AQUI