O evento ocorre durante todo o dia, no espaço do Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular (Cepasp). Cartazes, livros, textos constam no acervo. O Cepasp existe há mais de 40 anos atuando junto aos movimentos sociais da região e em diálogo com outras instituição de assessoria.
O MEMORIAL DA LUTA CAMPONESA NO
SUDESTE E SUL DO PARÁ é desenvolvido pela Comuna Cepasp e pelo CEPASP com
valiosas parcerias. Trata-se de um projeto político capaz de fazer permanecer
viva a memória de lutas travadas por indígenas, quilombolas e camponeses,
principalmente camponeses, na defesa e conquista de territórios nos espaços
amplamente disputados na gloriosa região do Araguaia/Tocantins, que
honrosamente recebeu os guerrilheiros do Araguaia.
O memorial trata de um projeto
político de atualização permanente com métodos e formas submetidas ao plano
político, garantindo a visibilidade, a compreensão da região e de suas lutas
sangrentas ou não, mas que demarcam o processo histórico, valorizando vitórias
e derrotas como aprendizado para a luta permanente até ao fim do latifúndio.
Traz a memória dos assassinatos,
massacres, chacinas, da destruição das benfeitorias com queima de barracos seus
pertences e plantações, das prisões e resistências, em várias situações onde
ocorreram heróicos enfrentamentos. Podemos tratá-los como batalhas de uma
guerra no campo, como nos casos de “Cuxiu e Almescão”, “ Dos Perdidos”, e
outros.
Devemos valorizar as lutas de
nossos heróis e nossas heroínas que bravamente colocaram suas vidas a serviço
do povo até a morte, em defesa da terra, da floresta, das águas e das culturas,
de um povo que está sempre a migrar refugiados de guerras que se desencadeiam
ao longo da história de nosso país pelas forças reacionárias do Estado e por
jagunços a serviço de latifundiários e do sistema imperialista, que a cada dia
procura concentrar as terras agricultáveis e minerárias ainda não abocanhadas
pela gula insaciável do capital.
Procuramos valorizar as gloriosas
conquistas de terras e conseqüentes derrotas do latifúndio como registro em
mapas dos mais de 500 Projetos de Assentamentos criados na região a partir das
bravas lutas de resistências e enfrentamentos travadas por indígenas,
posseiros, trabalhadores rurais, sem terra, camponeses pobres, em vários
momentos da história da região, do tempo dos castanhais ao tempo da mineração,
ou da floresta ao aço, passando pelos garimpos e mariscos.
Disponibilizamos textos
elucidativos do processo histórico da região, audiovisuais, baneres de
fotografias, painéis, alguns livros, cartilhas, boletins, jornais, textos, que
possam servir como amostra do conjunto da realidade. Conteúdos que possam orientar
estudos e pesquisas, com aporte do acervo da biblioteca popular Ademir Martins
dos Reis, no CEPASP, e os acervos da CPT em Marabá, Xinguara e Belém, SPDDH.
O memorial deverá expressar um
sentimento de lutas necessárias diante da opressão e repressão do Estado,
grileiros, fazendeiros e jagunços, contra camponeses, indígenas e quilombolas,
lideranças sindicais, religiosos, advogados e diversos defensores das causas
dos povos. Sentimento de revolta, indignação e da necessidade de continuidade
da luta para destruir o latifúndio derrotando as forças do Estado.
A instalação do Memorial não será
o fim do projeto, mas sim seu inicio, sitam-se tod@s como parte ativa
contribuindo da forma que melhor puder, com sugestões, com doações de livros,
textos, cartilhas, documentários, e participando das atividades que serão
desenvolvidas pelo memorial. Esse projeto foi selecionado no Edital 002/2025 –
Fomento à Criação de Projetos Culturais da PNAB - Pará e apoiada com recursos
da Política Nacional Aldir Blanc de fomento à Cultura.