domingo, 9 de agosto de 2026

Mercado de Carbono na Amazônia: MPF recomenda revisão de norma que viola direitos de povos e comunidades tradicionais

MMA e Conaredd+ devem rever resolução e assegurar que consultas respeitem protocolos autônomos e ocorram antes de decisões e contratos

 
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e à Comissão Nacional para Redução das Emissões de Gases de Efeito Estufa Provenientes do Desmatamento e da Degradação Florestal, Conservação dos Estoques de Carbono Florestal, Manejo Sustentável de Florestas e Aumento de Estoques de Carbono Florestal (Conaredd+), a revisão do artigo 7º da Resolução Conarred+ nº 19/2025. Leia a íntegra no site do MPF

Grilagem de terras e exploração ilegal de madeira no Amazonas: MPF recebe denúncias

 A Justiça Federal recebeu uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra cinco pessoas e duas madeireiras acusadas de integrar um esquema de crimes ambientais relacionados à exploração ilegal de madeira, falsificação de documentos e ocupação indevida de terras públicas federais no município de Manicoré, no sul do estado do Amazonas. Com o recebimento da denúncia, os acusados se tornam réus e passam a responder à ação penal na Justiça. Leia mais no site do MPF


30 anos da Lei Kandir: que tipo de estrago promove na economia de estados exportadores?

Instituída na avalanche de medidas neoliberais do governo de Fernando Henrique Cardoso, a lei aprofunda a reprimarização da economia do País e pune os estados exportadores de produtos primários, a exemplo do Pará.  

Mina de exploração de ferro em Carajás/PA. Fonte: redes sociais

Três décadas depois de sua promulgação, a Lei Kandir permanece como um dos pilares da reprimarização da economia brasileira e da consolidação de um modelo exportador subordinado aos interesses do mercado internacional. Ao desonerar de ICMS as exportações de produtos primários e semielaborados, a lei transformou a riqueza mineral, agrícola e florestal do país em uma vantagem competitiva para grandes grupos exportadores, enquanto reduziu drasticamente a capacidade arrecadatória dos estados produtores. Sob o argumento de ampliar a competitividade das exportações, institucionalizou-se uma política de transferência permanente de riqueza pública para corporações privadas, aprofundando a dependência do Brasil em relação à exportação de commodities de baixo valor agregado.

No setor mineral, os efeitos da Lei Kandir foram ainda mais profundos. A isenção tributária funcionou como um poderoso incentivo para a aceleração da extração e exportação de minério de ferro, bauxita, manganês, cobre, níquel e outras matérias-primas, reforçando uma economia voltada para a exportação de bens pouco industrializados. Ao retirar um dos principais instrumentos fiscais dos estados, a lei contribuiu para inviabilizar estratégias de industrialização e agregação de valor aos recursos minerais, favorecendo a especialização regressiva da economia brasileira. Estados como Pará e Minas Gerais passaram a suportar os custos sociais, ambientais e de infraestrutura decorrentes da mineração intensiva, enquanto parcela significativa da riqueza gerada era apropriada por grandes empresas e pelos mercados consumidores do Norte Global. 

Às vésperas de completar trinta anos, em setembro, a Lei Kandir revela-se menos uma política de desenvolvimento do que um mecanismo de reprodução da condição colonial da economia brasileira. Em um contexto de disputa global pelos minerais estratégicos e de reconfiguração das cadeias produtivas impulsionadas pela chamada transição energética, manter essa desoneração significa ampliar a transferência de riqueza nacional justamente quando esses recursos assumem valor geopolítico sem precedentes. Revogar a Lei Kandir deixou de ser apenas uma reivindicação tributária dos estados exportadores; tornou-se uma condição para recuperar a soberania sobre o subsolo brasileiro, fortalecer a capacidade de investimento público e romper com um modelo de desenvolvimento que exporta natureza barata, importa tecnologia cara e perpetua a dependência econômica do país.

Acesse o debate da Plenária Nacional Sobre os 30 Anos da Lei Kandir  AQUI


Material enviado pela coordenação nacional do MAM.