quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Eleições no Pará: candidaturas do campo popular - indígenas, quilombolas, sem terra, LGBTQIA+, professores e outras




Diz a lenda que ao longo de mais de 130 anos, somente um negro ocupou o cargo de presidente da República. O feito é creditado a Nilo Peçanha lá no começo do século XX.

Cumpre realçar, uma República entrecortada por golpes e tantas outras tentativas não exitosas, a exemplo da recente perpetrada pelo clã linha de frente do obscurantismo nacional entrincheirado na legenda PL.

Nestes poucos mais de cem anos, nenhum indígena sequer foi candidato ao cargo máximo do país, ao contrário do que ocorreu na Bolívia.

Tais indicadores dizem muito sobre os pilares que estruturam as arenas de poder do Brasil, um país estruturado a partir da concentração da terra e do monocultivo impulsionado a partir da escravização e voltado para o mercado externo. 

Não à toa, a bancada ruralista exerce protagonismo desde os anos de 1980, quando edificou a frente reacionária denominada de Centrão, hoje turbinada por outros setores, a exemplo de representantes de denominações religiosas e militares.   

Em síntese, uma República corroída pela chaga do privilégio, que o diga a postura de ojeriza de certo apresentador global contra o programa de tentativa de redistribuição de renda, o Bolsa Família.

Neste percurso, somente uma mulher logrou ocupar o cargo, Dilma Roussef, ardilosa e covardemente afastada pelos setores mais reacionários em um dos episódios mais bizarros da história do Congresso.

Ainda que tenhamos indígenas, quilombolas, extrativistas, sem terra, LGBTQIA+  a concorrer no presente pleito, ainda é um número pouco expressivo. E, concorrem em um ambiente marcado por abissais assimetrias.  Como diz um bordão antigo: é o combate do tostão contra o milhão.

Nem mesmo os partidos considerados como do campo popular sabem quem são os candidatos com este perfil. Em consulta às assessorias destes partidos no estado, um não respondeu e outro indicou uma consulta ao diretório nacional.

Contudo, no Pará há candidatos indígenas, quilombolas, extrativistas, sem terra,  LGBTQIA+, feminista, dirigente de religião de matriz africana, professores, sindicalistas e defensores dos direitos humanos.  Registraremos aqui alguns nomes e números de candidaturas que conseguimos acessar.

Para a presidência da República, o PSTU (16) lançou o professor de História, mestre em Educação e rapper Hertz Dias.



O militante do movimento negro é filho do Maranhão. No estado, agitou as fileiras do coletivo Quilombo Urbano e integrou os grupos Clã Nordestino e Gíria Vermelha.

Governadora

O mesmo partido lançou para o governo do Pará, uma terra dominada por inúmeras oligarquias, Well Macedo (16). A comunicóloga é uma mulher negra nascida em Belém. Possui curso superior incompleto. Já concorreu em outros pleitos.



Araceli (PSOL), governadora, 50. A ex deputada estadual é uma histórica militante do estado. Possui curso superior completo. Por décadas foi professora de História da rede pública do estado e do colégio da FAB (Força Aérea Brasileira), escola Tenente Rego Barros.



Senador

Professor Conti (PSOL), 500, senador. É professor universitário. Milita na região do Trombetas, conhecida mundialmente pela extração da bauxita em territórios quilombolas.





Deputado estadual

Pablo Neri (PT) -13700, deputado estadual.  É do MST do Pará. É LGBTQIA+. Milita no município de Parauapebas e região de Carajás. Possui curso superior completo e faz mestrado na Unifesspa. 



Mãe Wanda (PT) – 13600, deputada estadual. É uma mulher preta. É líder de cultos religiosos de matriz africana. É enfermeira. Possui ensino médio completo. Já disputou outros pleitos eleitorais chegando a ser suplente no Legislativo estadual.



Auricélia Arapiun (PSOL) – 50321, deputada estadual. É uma mulher indígena de Santarém. Possui curso superior incompleto. Por conta de sua militância na região em defesa dos povos indígenas e da Amazônia sofre constantes ameaças de morte.  O nome dela integra uma lista de 20 pessoas ameaçadas no PAE Lago Grande.



Vanuza Quilombola (REDE), 18789, deputada estadual. Quilombola de Abacatal, região metropolitana de Belém.  Possui curso superior completo. Milita na defesa do território ancestral em meio a um cenário de marcado pela aguda especulação imobiliária.



Professora Marinor (PSOL), 50555, deputada estadual. Filha de Alenquer, a professora possui curso superior completo e pós-graduação. É uma experimentada política do estado com um franco diálogo com o conjunto dos movimentos sociais.



Livia Duarte (PSOL), 50123, deputada estadual. A mulher negra concorre à reeleição. Duarte tem curso superior completo. Assim como Marinor, cultua diálogo com os movimentos sociais.



Bordalo (PT), 13130, deputado estadual. É educador popular. É  a voz solitária na defesa dos direitos humanos no Legislativo em um estado notabilizado mundialmente pela violação destes direitos. 


Maria do Carmo (PT), 13123, deputada estadual. Ex prefeita de Santarém. Foi jurista e promotora de justiça do estado. Concorre à reeleição.



Panzera (PC do B), 65123, deputado estadual.  Curso superior incompleto. Recentemente ocupou cargo na imprensa oficial do estado no setor de edição de livros, sendo responsável por importantes publicações.



Deputado federal

Biga (PT), 1324, deputado federal. É natural de Santarém. Possui curso médio completo. É vereador em segunda legislatura. É LGBTQIA+.



Airton Faleiro (PT), 1321, deputado federal. Foi trabalhador rural.  O veterano político exerce cargos legislativos (estadual e federal) desde 2014. O migrante do Sul do país colaborou com a formação e organização de sindicatos de trabalhadores rurais na região da Transamazônica e da BR 163 nos anos de 1980, junto com outros conterrâneos, a exemplo da família Ganzer.



Professor Portela (PSOL), 5060, deputado federal. É professor da UFOPA, onde preside o sindicato dos professores. O cientista político é um histórico militante na região do Baixo Amazonas, onde pesquisa sobre a exploração minerária.



Alessandra Munduruku (PT) – 1388, deputada federal.  A indígena mundialmente conhecida pela sua militância em defesa dos povos indígenas e da Amazônia.  Mora em uma aldeia no município de Itaituba, notório pela exploração de garimpos. Chegou a iniciar o curso de Direito na Ufopa. Concorre pela primeira vez em uma eleição.



Charles Alcantara (PT), 1369, deputado federal. É funcionário público e sindicalista do setor da receita estadual. Foi presidente do sindicato dos fiscais da receita em várias ocasiões. Notabilizou a instituições para além dos limites da categoria.



Vivi Reis (PSOL), 5050, deputado federal. Forjada nas fileiras do movimento estudantil possui curso superior completo. Estreou na disputa política em 2018, ficando na suplência como deputada federal. Atualmente é vereadora em Belém.



0 comentários: