No pacote de maldades de grandes corporações e o governo consta a privatização dos rios
Santarém/PA, orla da cidade, rio Tapajós
Neste momento que vivemos a fase superior do capitalismo, o
imperialismo, em alto grau de decomposição, para sua salvação lhes resta buscar
todas as formas de acumulação, com uso das mais diversas possíveis brutais forças
de dominação e apropriação, com possibilidades de chegar onde jamais se
imaginava, na mais longínqua comunidade de povos tradicionais, do Oriente ao
Ocidente.
As forças inter-imperialistas sejam dos Estados Unidos, Rússia
ou China, tendo a primeira sempre buscado esmagar as demais, que avançam de
forma avassaladora em todos os continentes, às vezes atuam em conluio, para
mais uma vez realizarem a partilha das riquezas dos países dominados, sejam da
África, Ásia ou América Latina, e agora inclui-se a minúscula comunidade da
Groenlândia, devido a ocorrência em seu território de uma potencial reserva de
minerais estratégicos para a nova geopolítica mundial.
Enquanto que após a primeira guerra mundial, da partilha do
planeta se beneficiaram um número maior de dominadores, incluindo alguns países
europeus, nos dias atuais em fase monopolista do capitalismo, a partilha tende
a ser feita entre as três grandes potências, caso Rússia e China sobrevivam às
pressões dos Estados Unidos.
Trilhões de dólares do capital especulativo e de capitais gerados
de petróleos apropriados à força, como o da Venezuela, poderão ser aplicados para
a restauração da estrutura física da Ucrânia, Palestina, Síria, Líbia e outros,
gerando mais acumulação e enriquecimento ilícito de diversos grupos
oligárquicos, monárquicos ou aristocráticos, mantenedores das burguesias
serviçais dos imperialistas nos países subjugados.
Na América Latina está em curso a continuidade da brutal
destruição, de dimensões jamais imaginadas, através do que passamos a chamar na
Amazônia brasileira, a partir da ditadura militar iniciada em 1964, de grandes
projetos agrominerários com créditos subsidiados de altos riscos de degradação
social e ambiental, muitos deles irreparáveis, principalmente a destruição de
culturas, os grandes desmatamentos, poluição generalizada das águas e do solo,
destruição de habitat de seres vivos, extinção de milhares de espécies de
animais, a geração de grandes depósitos de rejeitos altamente tóxicos, com
ampla crise de segurança alimentar.
Nos rastros da destruição, além dos grandes projetos oficiais
de extração mineral e de desmatamentos para implantação de pastagens, estão a
construção de hidroelétricas, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, linhões
de transmissão de energia, a garimpagem com uso de grandes equipamentos, a
aplicação de agrotóxicos com uso de aviões e drones, e para a construção de
hidrovias as dragagens e derrocagens nos rios, agora privatizados, pelo
entreguista de plantão, governo Lula.
Para este sinistro desastre os imperialistas contarão com
seus gerentes de turno, ou seja, os governos dos Países, Estados, Municípios e
Províncias. Estes deverão se tornar os melhores gerenciadores dos interesses do
capital, o que já os fazem ao longo dos séculos em troca de interesses
particulares e de migalhas. Os governos da ditadura militar, com sua
geopolítica traçada para a Amazônia, cumpriram fielmente este papel, assim como,
todos os governos ditos civis que os sucederam, com maior fidelidade os
governos do PT.
Com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), os
governos do PT avançaram sobre a Amazônia com a implantação de grandes projetos
de infra-estrutura para possibilitar o avanço do capital na região. Dentre os
projetos os mais desastrosos foram a construção das hidroelétricas de Santo
Antonio e Jirau, em Rondônia e a de Belo Monte, no Pará, sacrificando dezenas
de milhares de povos do campo e da cidade.
Todo este aparato, colocado em prática ao longo do tempo,
possibilitou a grilagem de terras com a expansão de latifúndios sobre as terras
até então de indígenas, quilombolas e camponeses pobres com pouca terra,
impossibilitando camponeses pobres sem terras de terem acesso às mesmas, o que
desencadeou em sangrentos conflitos no campo, principalmente nos Estados de Mato
Grosso, Rondônia, Pará e Maranhão. Conflitos que se intensificaram até os dias
de hoje, incluindo os indígenas do Estado de Mato Grosso do Sul, em justa
retomada de seus territórios, bravamente enfrentam as polícias do Estado e os pistoleiros
contratados por latifundiários.
No momento, camponeses, indígenas e quilombolas na Amazônia
travam duras lutas em defesa de seus territórios, envolvendo grandes
corporações, latifundiários, grileiros, pistoleiros e as estruturas jurídicas,
policiais e administrativas do Estado, com enorme poder de fogo e repressão,
com prisões e assassinatos seletivos. A tomada de terras dos povos acontece através
de viciados métodos, com a formação de conluios entre órgãos federais,
estaduais, prefeituras, cartórios, polícias e tribunais, como vem sendo
denunciado com maior ênfase no Estado do Maranhão.
No Vale do Gurupi, que envolve os Estados do Pará e Maranhão,
camponeses e quilombolas denunciam o ataque armado de pistoleiros e grileiros,
sobre a cobertura de policiais, em áreas de comunidades históricas no município
de Vizeu, no Pará, comandado por um grileiro e dois filhos que querem tomar as
terras conquistadas pelos povos, em lutas travadas contra grileiros e a polícia
do governador Jader Barbalho na década de 1980, que culminou na nefasta
perseguição e assassinato do defensor dos posseiros da gleba CIDAPAR, o
Quintino.
Em Rondônia acontece a perseguição histórica a camponeses que,
após o massacre de Corumbiara em 1995, decidiram continuar defendendo seus
direitos à terra para nela trabalhar. Está acontecendo a expulsão de camponeses
de suas terras, torturas, prisões e assassinatos, como também a criminalização
dos movimentos sociais, no caso bastante divulgado pelo Jornal A Nova
Democracia, da Liga dos Camponeses Pobres-LCP e seus advogados, e da Comissão
Pastoral da Terra-CPT.
No Pará, indígenas, quilombolas e camponeses, têm suas terras
tomadas para a implantação de empreendimentos das corporações agrominerais, com
irreparáveis danos ambientais, nos casos mais emblemáticos a dragagem do rio
Tapajós para viabilização da hidrovia para transporte de grãos de grileiros e
latifundiários dos Estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia, sem consultas às
populações e sem licenciamento ambiental, como foi construído o porto da CARGIL
na orla de Santarém. A destruição do Pedral do Lourenção, no rio Tocantins,
para viabilizar a hidrovia Araguaia/Tocantins para os mesmos fins que a do
Tapajós, repetindo os mesmos vícios e danos. Em Barcarena, Abaetetuba e Moju,
problemas que se arrastam e se multiplicam desde a década de 1980.
Assim, como a nível mundial, os povos estão sendo impiedosamente
assassinados ou se tornando refugiados por conta das guerras inter-imperialistas
na Amazônia, repetindo nas mesmas proporções gerenciadas pelos serviçais dos
imperialistas, principalmente ianques, com o emprego da doutrina América para
os americanos (EUA), com enorme desterritorialização, massacres e chacinas dos
povos, considerados como obstáculos aos saques.
Entendendo que o sistema é imperialista, e a luta deva ser de
classes, conclamamos todos os seguimentos sociais para o entendimento da
realidade, que é de guerra, para somarmos esforços unificados, superando a
dispersão, em apoio à luta digna e necessária dos povos da Amazônia, em
particular, e de todos os povos no geral, ao enfrentamento ao imperialismo, ao
latifúndio e as grandes burguesias, rumo a uma sociedade justa e igualitária.
A defesa da Amazônia nos parece que seja, AGORA OU NUNCA!
Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular –
CEPASP, Marabá/PA, fevereiro de 2026