domingo, 8 de fevereiro de 2026

Lourdes Barreto será homenageada pela escola Porto da Pedra, da série ouro do Rio de Janeiro

 Porto da Pedra desfila na noite do dia 14, sábado

 

Lourdes Barreto. Fonte: redes sociais

Renomada militante pelos direitos das profissionais do sexo no estado do Pará, a paraibana Lourdes Barreto, que soma mais de 80 primaveras, será destaque no desfile da escola Porto da Pedra, que faz uma reflexão sobre a prostituição.

O carnavalesco Mauro Quintaes assina o enredo “Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite”, que teve como enredista o jornalista Diego Araújo.

Quintaes esclarece que o enredo contempla a prostituição em suas mais variadas nuances: mulheres, trans e garotos de aluguel.  Embora o foco principal seja sobre a mulher, por conta dos elementos históricos que conformaram a questão em nosso país, a exemplo das polacas em remotas eras do Rio de Janeiro, bem como o personagem Madame Satã.

Em entrevista concedida ao podcast Deixa Falar, da Rádio Tupi, o carnavalesco recupera que a ideia do enredo soma uns 30 anos, e que só foi possível desengavetar agora.

Quintaes destaca que a proposta resulta de inúmeros diálogos realizados com vários coletivos de prostitutas, entre eles, o Daspu, liderado pela prostituta e socióloga Gabriela Leite, já falecida.  A sigla é uma provocação à grife Daslu.

O carnavalesco fala com profundo entusiasmo e apreço sobre Barreto. “Eu estava em um evento da área de saúde aqui no Rio de Janeiro, e todos faziam questão em cumprimentar a Lourdes, tirar fotos com ela. Ele relembra ainda que em 2024, a BBC de Londres a elegeu entre as 100 mulheres mais importantes do século”.

Em 2020, com pompa e circunstância, Barreto lançou biografia no suntuoso Teatro da Paz, em Belém. Na ocasião a revista Piauí fez um perfil sobre Barreto.

Porto da Pedra desfila na noite do dia 14, sábado.

TODO APOIO AOS POVOS DAS AMAZÔNIAS

 No pacote de maldades de grandes corporações e o governo consta a privatização dos rios

Santarém/PA, orla da cidade, rio Tapajós

Neste momento que vivemos a fase superior do capitalismo, o imperialismo, em alto grau de decomposição, para sua salvação lhes resta buscar todas as formas de acumulação, com uso das mais diversas possíveis brutais forças de dominação e apropriação, com possibilidades de chegar onde jamais se imaginava, na mais longínqua comunidade de povos tradicionais, do Oriente ao Ocidente.

As forças inter-imperialistas sejam dos Estados Unidos, Rússia ou China, tendo a primeira sempre buscado esmagar as demais, que avançam de forma avassaladora em todos os continentes, às vezes atuam em conluio, para mais uma vez realizarem a partilha das riquezas dos países dominados, sejam da África, Ásia ou América Latina, e agora inclui-se a minúscula comunidade da Groenlândia, devido a ocorrência em seu território de uma potencial reserva de minerais estratégicos para a nova geopolítica mundial.

Enquanto que após a primeira guerra mundial, da partilha do planeta se beneficiaram um número maior de dominadores, incluindo alguns países europeus, nos dias atuais em fase monopolista do capitalismo, a partilha tende a ser feita entre as três grandes potências, caso Rússia e China sobrevivam às pressões dos Estados Unidos.

Trilhões de dólares do capital especulativo e de capitais gerados de petróleos apropriados à força, como o da Venezuela, poderão ser aplicados para a restauração da estrutura física da Ucrânia, Palestina, Síria, Líbia e outros, gerando mais acumulação e enriquecimento ilícito de diversos grupos oligárquicos, monárquicos ou aristocráticos, mantenedores das burguesias serviçais dos imperialistas nos países subjugados.

Na América Latina está em curso a continuidade da brutal destruição, de dimensões jamais imaginadas, através do que passamos a chamar na Amazônia brasileira, a partir da ditadura militar iniciada em 1964, de grandes projetos agrominerários com créditos subsidiados de altos riscos de degradação social e ambiental, muitos deles irreparáveis, principalmente a destruição de culturas, os grandes desmatamentos, poluição generalizada das águas e do solo, destruição de habitat de seres vivos, extinção de milhares de espécies de animais, a geração de grandes depósitos de rejeitos altamente tóxicos, com ampla crise de segurança alimentar.

Nos rastros da destruição, além dos grandes projetos oficiais de extração mineral e de desmatamentos para implantação de pastagens, estão a construção de hidroelétricas, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, linhões de transmissão de energia, a garimpagem com uso de grandes equipamentos, a aplicação de agrotóxicos com uso de aviões e drones, e para a construção de hidrovias as dragagens e derrocagens nos rios, agora privatizados, pelo entreguista de plantão, governo Lula.

Para este sinistro desastre os imperialistas contarão com seus gerentes de turno, ou seja, os governos dos Países, Estados, Municípios e Províncias. Estes deverão se tornar os melhores gerenciadores dos interesses do capital, o que já os fazem ao longo dos séculos em troca de interesses particulares e de migalhas. Os governos da ditadura militar, com sua geopolítica traçada para a Amazônia, cumpriram fielmente este papel, assim como, todos os governos ditos civis que os sucederam, com maior fidelidade os governos do PT.

Com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), os governos do PT avançaram sobre a Amazônia com a implantação de grandes projetos de infra-estrutura para possibilitar o avanço do capital na região. Dentre os projetos os mais desastrosos foram a construção das hidroelétricas de Santo Antonio e Jirau, em Rondônia e a de Belo Monte, no Pará, sacrificando dezenas de milhares de povos do campo e da cidade.

Todo este aparato, colocado em prática ao longo do tempo, possibilitou a grilagem de terras com a expansão de latifúndios sobre as terras até então de indígenas, quilombolas e camponeses pobres com pouca terra, impossibilitando camponeses pobres sem terras de terem acesso às mesmas, o que desencadeou em sangrentos conflitos no campo, principalmente nos Estados de Mato Grosso, Rondônia, Pará e Maranhão. Conflitos que se intensificaram até os dias de hoje, incluindo os indígenas do Estado de Mato Grosso do Sul, em justa retomada de seus territórios, bravamente enfrentam as polícias do Estado e os pistoleiros contratados por latifundiários.

No momento, camponeses, indígenas e quilombolas na Amazônia travam duras lutas em defesa de seus territórios, envolvendo grandes corporações, latifundiários, grileiros, pistoleiros e as estruturas jurídicas, policiais e administrativas do Estado, com enorme poder de fogo e repressão, com prisões e assassinatos seletivos. A tomada de terras dos povos acontece através de viciados métodos, com a formação de conluios entre órgãos federais, estaduais, prefeituras, cartórios, polícias e tribunais, como vem sendo denunciado com maior ênfase no Estado do Maranhão.  

No Vale do Gurupi, que envolve os Estados do Pará e Maranhão, camponeses e quilombolas denunciam o ataque armado de pistoleiros e grileiros, sobre a cobertura de policiais, em áreas de comunidades históricas no município de Vizeu, no Pará, comandado por um grileiro e dois filhos que querem tomar as terras conquistadas pelos povos, em lutas travadas contra grileiros e a polícia do governador Jader Barbalho na década de 1980, que culminou na nefasta perseguição e assassinato do defensor dos posseiros da gleba CIDAPAR, o Quintino.

Em Rondônia acontece a perseguição histórica a camponeses que, após o massacre de Corumbiara em 1995, decidiram continuar defendendo seus direitos à terra para nela trabalhar. Está acontecendo a expulsão de camponeses de suas terras, torturas, prisões e assassinatos, como também a criminalização dos movimentos sociais, no caso bastante divulgado pelo Jornal A Nova Democracia, da Liga dos Camponeses Pobres-LCP e seus advogados, e da Comissão Pastoral da Terra-CPT.

No Pará, indígenas, quilombolas e camponeses, têm suas terras tomadas para a implantação de empreendimentos das corporações agrominerais, com irreparáveis danos ambientais, nos casos mais emblemáticos a dragagem do rio Tapajós para viabilização da hidrovia para transporte de grãos de grileiros e latifundiários dos Estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia, sem consultas às populações e sem licenciamento ambiental, como foi construído o porto da CARGIL na orla de Santarém. A destruição do Pedral do Lourenção, no rio Tocantins, para viabilizar a hidrovia Araguaia/Tocantins para os mesmos fins que a do Tapajós, repetindo os mesmos vícios e danos. Em Barcarena, Abaetetuba e Moju, problemas que se arrastam e se multiplicam desde a década de 1980.

Assim, como a nível mundial, os povos estão sendo impiedosamente assassinados ou se tornando refugiados por conta das guerras inter-imperialistas na Amazônia, repetindo nas mesmas proporções gerenciadas pelos serviçais dos imperialistas, principalmente ianques, com o emprego da doutrina América para os americanos (EUA), com enorme desterritorialização, massacres e chacinas dos povos, considerados como obstáculos aos saques.

Entendendo que o sistema é imperialista, e a luta deva ser de classes, conclamamos todos os seguimentos sociais para o entendimento da realidade, que é de guerra, para somarmos esforços unificados, superando a dispersão, em apoio à luta digna e necessária dos povos da Amazônia, em particular, e de todos os povos no geral, ao enfrentamento ao imperialismo, ao latifúndio e as grandes burguesias, rumo a uma sociedade justa e igualitária.

A defesa da Amazônia nos parece que seja, AGORA OU NUNCA!

Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular – CEPASP, Marabá/PA, fevereiro de 2026