sábado, 27 de fevereiro de 2016

Xingu/PA: pistoleiros tentam matar dirigente camponês

Ronair lidera ocupação em São Félix do Xingu, no sul do Pará 
Na manhã de hoje, (27/02) pistoleiros balearam gravemente Ronair José Lima, sua esposa e filha, quando os mesmos se deslocavam de moto para uma reunião da associação de trabalhadores no município de São Félix do Xingu, sul do Pará.
 
Ronair é liderança de um grupo de 150 família ligadas a FETAGRI que desde 2008 reivindicam a criação de um assentamento na área conhecida como complexo “Divino Pai Eterno”, assim chamado por causa das diferentes fazendas que foram cortadas ilegalmente dentro da área. Trata-se de um caso típico de grilagem de terra pública federal. A área, encontra-se inteiramente localizada na Gleba Misteriosa, arrecadada e matriculada em nome da União, segundo documentação do INCRA. Tanto Ronair como a esposa correm risco de morte, a filha baleada no braço passa por atendimentos. As vitimas estão nesse momento no posto de saúde da Vila Sudoeste no mesmo município, aguardando avião para serem removidos para atendimento médico.

Na área já foram registrados diversos casos de violência, enquanto a disputa judicial e administrativa se arrastam ao longo de anos.  Houveram ali, 5 assassinatos nos últimos 8 anos, sem apuração devida das circunstâncias das mortes, embora haja indícios que todas elas estejam ligadas com o conflito pela posse da terra. Foi o caso de Francisco Feitosa (também conhecido como “Finado Preto”, antigo presidente da associação dos/as trabalhadores/as), Rogério, “Mineiro”,  Félix Leite dos Santos e Osvaldo assassinado no final do ano passado.
Ronair tem sido frequentemente ameaçado por pistoleiros a mando dos grileiros que disputam a área. Por diversas vezes, registrou Boletins de Ocorrência perante as Delegacias de Conflito Agrário da região. O programa nacional de proteção a defensores de direitos humanos também já foi acionado mas, nada fez. O demora da Segurança Pública do Estado do Pará em investigar os crimes e a morosidade do INCRA e do Terra Legal em encaminhar os processos de arrecadação do imóvel é a principal causa da violência.
Exigimos que o poder público garanta a integridade física de Ronair e sua família, que os crimes cometidos contra as pessoas e contra o patrimônio público sejam investigados, que o INCRA e Terra Legal apresentem solução para o conflito fundiário que se estabeleceu na área.
 
São Félix do Xingu, 27 de fevereiro de 2016.
Comissão Pastoral da Terra - CPT sul e sudeste do Pará.
FETAGRI regional sul do Pará.

 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Povo kayapó obstrui BR 163 há mais de uma semana, e exige presença do presidente da Funai

"Só sairemos daqui após negociação com a direção da Funai", defendem os lideres
 
Faz mais de uma semana que lideranças do povo kayapó, da aldeia Baú,  decidiram pela obstrução da rodovia da soja, a BR 163. A rodovia liga Cuiabá, no Mato Grosso, a Santarém, no oeste do Pará.  
 
Eles reivindicam energia elétrica, melhoria nas estradas e um posto da Funai na região. Atualmente eles são obrigados a percorrer mais de mil quilômetros até Redenção, no sul do estado, onde fica o posto da Funai responsável pela demanda do oeste paraense.
 
A região promete nos próximos anos mais situações de tensão entre as inúmeras categorias das sociedades locais, consideradas como tradicionais: indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores e demais categorias, e os grandes grupos nacionais e internacionais dos setores de energia, construtores de barragens e portos, garimpeiros, mineradoras, grileiros de terras e madeireiros. 
 
A região é um eixos da política nacional de integração (energia, transporte e comunicação), para onde estão agendados o complexo hidrelétrico do Tapajós/Teles Pires, o complexo de portos do Lago do Maicá, no município de Santarém, este sob interesse da empresa Embraps (grupo de sojicultores).
 
A região do oeste paraense é considerada a de maior concentração de ouro do estado. Informes preliminares atestam que existe uma conjunto significativo de pedido de exploração de grandes empresas junto ao Departamento Nacional de Produção Mineração (DNPM), onde a Vale desponta como líder em solicitações.  
 
Soma-se ainda ao cenário,  portos em Miritituba, na cidade de Itaituba, de interesse da Bunge, sem falar na duplicação e asfaltamento da BR 163. 
 
A rodovia criada pela ditadura civil militar, faz parte de um modal de transportes, que visa a agilizar a circulação de commodities (minério, energia e grãos) com custos menores e em menos tempo, via o porto da Vila do Conde, no município de Barcarena.
 
Atualmente o produção de grãos Centro Oeste do país, onde um dos lideres é o grupo Maggi, é exportado via o porto de Santos/SP, ou Paranaguá/PR.
 
Abaixo vídeo do Povo kayapó, que exige a presença do presidente da Funai na região.
 
 

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