quinta-feira, 14 de junho de 2018

Canaã dos Carajás – há mais de três anos cerca de 700 famílias pelejam em defesa de seus territórios contra a Vale


Manifesto das Brigadas Populares do Pará inventaria os três anos de luta dos camponeses acampados em Canaã dos Carajás



Nos acampamentos de ocupações de terras no campo encontramos pessoas e famílias  naturais de diversos Estados, de crianças a idosos, de diversos credos e religiões, com as mais diversas experiências e trajetórias, na sua maioria carregam a marca deixada pela opressão, dominação, espoliação e exploração.

Acampados(as) são  pessoas, em boa parte, que não sabem lidar com a realidade que se desafiaram a enfrentar mas decidiram diante das dificuldades que estão passando. Dificuldades por dificuldades optaram por encarar as do campo, depois de desiludidos com a possibilidade de se resolverem na cidade, é o que relatam muitos(as) acampados(as).

Encontramos pessoas endurecidas pelas injustiças que sempre sofreram, mergulhadas em eternos conflitos consigo e com o mundo, sem terem oportunidades para pelo menos sonharem com novas possibilidades, por que sempre lhes foram negadas. Encontramos também pessoas leves, amáveis e sonhadoras. O importante é que tem algo muito forte que faz a liga entre muitas das pessoas e famílias diferentes entre si nestes acampamentos, para além da vontade de conseguir a terra, se faz presente o espírito de solidariedade, a persistência e a esperança.

Em inúmeros acampamentos de pessoas e famílias no município de Canaã dos Carajás encontramos as diversas situações já citadas, com expressivo  espírito de solidariedade, persistência e esperança.

ACAMPAMENTO PLANALTO SERRA DOURADA
Umas cinco pessoas entenderam que diante da crise que atingia as pessoas pobres da Canaã a saída era ocupar terras improdutivas existente no município. Saíram a procura, e com pouco tempo de andança depararam com vasta área que desde o ano de 2000 tinha sido apropriada pela Vale, as margens da VS-40.

Em pouco tempo de conversas ao pé de ouvido arregimentaram umas 70 pessoas, entre homens e mulheres, que se colocaram a disposição para ocupar uma terra para trabalhar. Conseguiram um caminhão, e na madrugada do dia 14 de junho de 2015 partiram para o local. Além das pessoas que foram no caminhão, também foram pessoas de motocicletas.

No outro dia fizeram contatos com famílias da vila Serra Dourada, que de imediato se colocaram dispostas a fortalecerem a luta e verem seus sonhos realizados. Em pouco tempo muitos barracos formavam o acampamento. Com a notícia chegando à cidade muitas pessoas se deslocavam rumo ao acampamento a procura de uma oportunidade.

Uma comissão constituída, já com apoio do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Canaã, tratou de fazer o cadastro das famílias e estabelecer o número máximo de famílias no acampamento, que foi acordado em 350. Como as famílias chegavam em grupos a preocupação foi em formar uma coordenação com representantes dos grupos para facilitar os trabalhos organizativos no acampamento.

O sindicato, de imediato fez contato com a Comissão Pastoral da Terra - CPT e com o Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular - CEPASP, para contribuírem na defesa jurídica e no processo organizativo do acampamento, considerando as dificuldades que estariam por vir.

No dia dezesseis a CPT já estava trabalhando em defesa das famílias diante de uma liminar de despejo. Os advogados da CPT conseguiram argumentar e convencer o juiz de que a competência para tal situação deveria ser da Vara Agrária, para onde foi transferido o processo.  


ATAQUES DA EMPRESA E AS MOBILIZAÇÕES
Dentro de pouco tempo as famílias resolveram dividir a área pretendida em lotes de 25 hectares, considerar a área do acampamento em um lote 50 hectares. Em volta do acampamento foram demarcados pequenos lotes em áreas correspondentes a meio hectare, para as famílias do acampamento fazerem suas plantações de culturas temporárias e hortaliças.
A Vale, junto ao juiz da Comarca de Canaã, conseguiu 42 liminares de despejos contra famílias que ocuparam os lotes fora do acampamento, aumentando assim o trabalho dos advogados.

Diante da resistência das famílias a Vale acionou outros dispositivos: helicópteros sobrevoando toda a área ocupada, guardas armados rondando o acampamento e transitando na área, policia com oficial de justiça e funcionários da empresa ameaçando famílias e fotografando as pessoas e suas áreas.

O prefeito junto com representantes da empresa usaram a mídia local, fiéis serviçais (rádio e televisão) e carros de som nas ruas, para destratar e desmoralizar as famílias acampadas, colocando a sociedade local contra o movimento.

A saída para dialogar com a sociedade e contrapor a empresa, inicialmente foi elaborar notas e realizara manifestações pelas ruas da cidade mostrando a realidade dos fatos, desmontando as mentiras da Vale e seus aliados. Outra alternativa foi ocupar por várias vezes as rodovias que dão acesso a seus projetos.

A penúltima ocupação se deu no final do mês de novembro de 2017, quando o movimento ocupou a rodovia que dá acesso ao projeto S11D e o ramal ferroviário. Esta ocupação teve com saldo o acordo par suspensão do despejo das famílias do acampamento Planalto Serra Dourada e abertura de acordo para todas as áreas ocupadas.

DOS AVANÇOS

Durante os três anos, que completam neste 14 de junho, muitos foram os avanços individuais e coletivos alcançados pelos trabalhadores e trabalhadoras acampadas, vamos citar alguns: 1. A formação de politica organizativa acontecida com as manifestações, as audiência e ocupação do Fórum, a ocupação no INCRA, ocupação da prefeitura, participação em encontros com trabalhadores(as) de outras organizações, em Parauapebas, Marabá, Açailândia, Belém, Brasília, Rio de Janeiro e Recife; 2. Produção de vídeos e informativos escritos, com apoio do CEPASP, CPT, STTRC e Brigadas Populares; 3. Muitas famílias terem se fixado no acampamento e nas terras; 4. A significativa produção agrícola e criação de animais; 5. Experiências de comercialização em feiras populares; 6. A integração dos diversos acampamentos em lutas unificadas; 7. Compreenderam que é necessário lutar e que é possível enfrentar a opressão da Vale e acabar com o latifúndio no município; 8. Que é possível (re)construir a Canaã do povo, que foi tomada pela Vale; 9. Que é a agricultura que move a economia local, e não a mineração; 10. E que a mineração é a tragédia com degradação ambiental e social.  

Hoje são em torno de 700 famílias morando em acampamentos, na sua maioria produzindo e melhorando as condições da população pobre e da classe média da cidade, com a oferta de produtos diretamente das roças a preços menores que do mercado local.

As famílias demonstram que estão preparadas para continuarem resistindo, produzindo, comercializando, e para conquistar em definitivo as terras que ocupamos.
Viva a luta dos(as) trabalhadores(as) acampados(as)!
Viva o Acampamento Planalto serra Dourada!
Viva a revolução agrária!
Canaã dos Carajás, 14 de junho de 2018.
BRIGADAS POPULARES - PARÁ

 


sábado, 9 de junho de 2018

Edição da Feira da Comuna Cepasp de Marabá/PA terá arraial junino neste sábado


Além de produtos da roça oriundos projetos de assentamento, de ocupações, e da periferia de Marabá, a edição da Feira da Comuna Cepasp deste sábado terá ainda um arraial que inicia às 
18h.


Feira Comuna Cepasp, agora, na rua Sororó em Marabá/PA- Fotos: Raimundo Gomes

A feira iniciada no começo do ano corre à Rua Sororó, na casa 129, na cidade de Marabá, onde artesãos, agricultores, educadores e afins celebram a Feira Comuna, que ocorre no antigo espaço da ONG Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular (Cepasp), um coletivo de assessoria popular criado nos 1980. Tempo de transição. 

O espaço exibe biojóias produzidas a partir dos recursos da floresta, galinha caipira, bolos, cachaça artesanal e castanha do Pará. Tempos idos a castanha foi a base da economia local. Os castanhais frondosos já não existem. Deram lugar a fazendas. Um grilo oficial. Fez fortuna de poucos. Os produtos são agroecológicos.

A castanha comercializada na feira é oriunda do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Porto Seguro. Um casal comercializa fardos. A colheita já encerrou. Bolos, mingau, biscoitos e afins são alguns dos derivados do fruto festejado no mundo gourmet dos principais centros econômicos do país.

Atrações do arraial – o Boi Flor do Campo do bairro da Independência e a quadrilha junina Águia de Fogo do mestre Latino são algumas das atrações, que conta ainda com comidas típicas e bebidas da época.  

A Comuna Cepasp o panfleto do espaço explica que além de uma fronteira da economia solidária, a proposta é operar em várias frentes de diferentes campos: economia, arte, ideias, livros, etc.  Bem como uma trincheira de organização apartidária e de luta que congregue agentes do campo e da cidade de forma fraterna. 

O horizonte utópico é a edificação de uma nova forma de viver que contemple os seguintes pontos: i) apoio mútuo, ii) combate às opressões, iii) autogestão e trabalho coletivo, iv) decisão coletiva e poder popular, v) defesa dos bens comuns, vi) transformação social e política do País, e vii) expansão comunal, narra a apresentação do espaço. A comuna funciona todos os dias.

Detalhes com Thiago Cruz
94 98125 9492