domingo, 12 de junho de 2016

Dois encontros questionam a mineração em Carajás


O VIII Encontro Regional dos Atingidos pela Mineração no Pará e Maranhão ocorre dentro da Semana de Nacional Mobilização Contra a Mineração

 Ocupação de atingidos pela mineração em Canaã - Foto T. Cruz 

Canaã de Carajás, no sudeste do Pará, abriga de 17 a 18 de junho O VIII Encontro Regional dos Atingidos pela Mineração no Pará e Maranhão. O Movimento de Atingidos pela Mineração (MAM), o Movimento Debate e Ação e a ONG Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular (Cepasp) estão entre os organizadores.


O VIII encontro de atingidos do Pará ocorre dentro da agenda de Mobilização Nacional de Mobilização Contra a Mineração. A cidade de Canaã dos Carajás é o lócus onde a Vale desenvolve ao longo de 40 anos, o maior projeto de mineração no país, localizado na Serra Sul (S11D).

O Projeto S11D
O S11D desponta no cenário atual como uma representação do Grande Carajás no século XXI. Com o projeto, a mineradora vai incrementar a produção de ferro em 90 milhões de toneladas por ano, mas com capacidade de dobrar a produção. O mercado asiático tem sido o destino do minério de ferro de excelente teor das terras dos Carajás, em particular a China e o Japão.

A previsão é que a usina inicie as operações até 2016. A iniciativa, que inclui mina, duplicação da Estrada de Ferro de Carajás - EFC, ramal ferroviário de 100 km e porto, está orçada em US$ 19,5 bilhões.

Os recursos estão distribuídos da seguinte forma: a logística consumirá US$ 14,1 bilhões; US$ 8,1 bilhões serão usados na mina e na usina; enquanto US$ 2 bilhões serão usados durante o ano.
Agenda do Encontro -   diálogos e troca de experiências entre as populações atingidas dos dois estados, estudos dirigidos e exibição de filmes sobre impactos da mineração na Amazônia, místicas e ações culturais fazem parte da dinâmica do encontro que ocupará escolas, praças e acampamentos de atingidos.
 
Mais informações
Raimundo Gomes - (94) 99132 5167

domingo, 8 de maio de 2016

Sindicato dos Químicos de Barcarena – após quase 10 anos, fundadores voltam a ocupar a instituição

Oposição sindical retoma sindicato dos químicos de pelegos em Barcarena

 
Um estado dentro do estado é uma das características das grandes corporações que operam na Amazônia. Assim, empresas como a Alcoa, Vale, Jari, Norsk Hidro, Belo Sun e Imerys Rio Capim, dentre outras, tendem a controlar a vida laboral e lazer dos funcionários, onde a company town (cidade empresa) é uma das estratégias.

Para a torcida (sociedade?), os que resistem a cooptação, o recurso adotado é a responsabilidade social via alguns programas assistenciais e robusta propaganda. Anúncios pagam pelo silêncio dos principais veículos de comunicação, que ao menos em tese deveriam zelar pelo interesse público.  

Nesta perspectiva, quase nunca ocorre visibilidade dos passivos sociais e ambientais que os grandes projetos engendram nos rincões onde desenvolvem o saque dos recursos naturais, promovem a expropriação e espoliação junto às populações originárias.

 

As operações danosas à saúde da população, como a emissão de várias modalidades de rejeitos no meio ambiente não é monitorada ou fiscalizada pelo estado. Conforme a audiência pública ocorrida em novembro, um dos graves problemas tem relação com os recursos hídricos da cidade, que estariam comprometidos.  

O Sindicato dos Químicos de Barcarena, representante dos operários da Alunorte, até 2007 cumpria esse papel: denunciar os desastres das grandes empresas que operam no município. 

A Alunorte  integra a cadeia produtiva do alumínio no Pará ao lado da Albras e das minas em várias cidades do estado, a exemplo de Paragominas e Oriximiná.  Desde o começo do projeto, no século passado, a Vale foi a acionista majoritária. Atualmente a norueguesa Norsk Hidro detém a hegemonia.

Até aquele ano, o sindicato integrava uma série de redes de instituições do campo popular dentro e fora do país. Nelas era possível encontrar de pescadores da região a pesquisadores e sindicalistas da Europa.

Seminários, publicações, fóruns e articulações serviram como espaços de formação para o aprofundamento do conhecimento e tomada de consciência sobre cidadania e direito. Tais espaços possibilitaram que os crimes ambientais e sociais não ficassem circunscritos aos ambientes paroquiais dos rincões. 

Fórum Carajás, Fórum da Amazônia Oriental (FAOR), diálogos com centrais sindicais da Alemanha e com a Universidade de Bonn eram algumas das capilaridades do Sindicato dos Químicos. A mesmas tiravam a empresa Vale do eixo, posto não poder coagir as falas dos representantes do sindicato.

Foi justo contra a articulação sindical que a empresa organizou uma chapa para a tomada da representação dos trabalhadores em 2007. Assédio em todas direções, cooptação, e até jagunços foram usados, denuncia nota da CUT da época.

Neste interstício, uns ousaram organizar a oposição sindical. Gilvandro Santa Brigida, que foi um dos fundadores do sindicato na década de 1990, é um ponta de lança. O hoje sociólogo e educador foi recolocado na direção da casa dos operários no último dia 05, quando da eleição, onde a chapa da Oposição Sindical obteve quase 80% dos votos do operariado.  

Em suas mãos e de demais entrincheirados, uma hercúlea missão:  recompor a instituição e recoloca-la em seu papel de vanguarda nas lutas populares do município e reorganizar as alianças em diversos escalas e níveis.  Saravá ! Axé!  

domingo, 1 de maio de 2016

Amazônia - Vale move ação contra ato de solidaderiedade aos atingidos pelo crime ambiental de Mariana

 
O professor da Unifesspa Evandro Medeiros e os ativistas Tiago Cruz, Iara Reis, João Reis, Waldy Gonçalves Neves estão sendo processados pela Vale. O ato  de solidariedade aos atingidos pelo crime ambiental da Vale em Mariana ocorreu em novembro do ano passado.
 

Evandro Medeiros- professor da Unifesspa

No dia 20 novembro do ano passado, data dedicada ao Dia da Consciência Negra, educadores, professores, ativistas e população atingida pelos projetos da Vale, realizaram ato em solidariedade às famílias atingidas pelo crime ambiental da mesma empresa ocorrido na cidade de Mariana, em Minas Gerais.

A mobilização foi realizada às margens da Estrada de Ferro de Carajás, na periferia de Marabá, no sudeste do Pará. Nas terras dos Carajás a Vale extrai minérios há mais de 30 anos. A economia baseada na lógica do enclave não dinamiza o desenvolvimento.

Ao contrário, acentua ainda mais a condição de miséria por conta da Lei Kandir, que favorece a exportação de produtos primários com a isenção de recolhimento de impostos.  O estado do Pará é duplamente punido.

Numa ponta o BNDES financia a juros módicos tais iniciativas de grandes corporações, noutro isenta de impostos, subsidia energia e água, cede território, não monitora ou fiscaliza as operações, e aprofunda a precarização do trabalho por grosso volume de empresas terceirizadas. Os péssimos indicadores coroam o triste bolo dos 30 anos de operação da mineradora na região.
 
Neste cenário, por protestarem e solidarizarem aos atingidos pela mineração em Mariana, o educador e cineasta Evandro Medeiros, professor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) responde a inquérito civil movido pela Vale.  Além do professor são arrolados no mesmo processo Tiago Cruz, Iara Reis, João Reis, Waldy Gonçalves Neves.

A oitiva ocorre no próximo dia 05. Movimentos sociais, educadores, estudantes e ativistas prometem a realização de um grande ato em solidariedade aos ativistas criminalizados.  

Grandes projetos e seus múltiplos tentáculos

O fim do licenciamento ambiental para grandes obras é o capítulo mais recente no espetro de agenda de avanço do grande capital sobre ao terra e o recursos naturais na Amazônia, e em outros território nacionais.

O processo marcado pelas formas de acumulação primitiva do grande capital, que engendra todo tipo de violência contra as populações locais, tem nas grandes empresas o ponta de lança, que constrangi o Estado a alinhamento a seus interesses.

As reformas dos códigos florestal e mineral, a criminalização das lutas populares, alçadas à categoria de terrorismo são materialidades deste processo.  Movimentos sociais que amiúde têm sido alvo de arapongagem das empresas e do Estado, como nos nossos casos dos ativistas do Xingu Vivo e de Carajás.

A criminalização e a judicialização das ações dos movimentos populares e ativistas, que fazem oposição aos grandes projetos passou a ser recurso de coerção. Segundo a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos do Pará (SDDH), o estado contabiliza cerca de 40 casos de criminalização das ações dos movimentos sociais no estado do Pará. 18 deles estão judicializados. Esbulho possessório, cárcere privado, desacato, incitação ao crime, posse ilegal de armas, danos, perturbação da ordem pública são as acusações mais recorrentes.


Os acusados são ativistas de movimentos sociais, que buscam a garantia de direito básicos (posse da terra, trabalho, território e educação). Entre os movimentos é possível identificar, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens, Movimento dos Atingidos pela Mineração (MAM), além de indígenas, pescadores, extrativistas e quilombolas.

Em linhas gerais, as disputas possuem relação com avanço do capital sobre a Amazônia, a partir da agenda de desenvolvimento baseada em grandes projetos, a exemplo da construção da hidrelétrica de Belo Monte, na cidade de Altamira, sudoeste paraense, e a ampliação dos projetos de mineração na região de Carajás, da empresa Vale, no sudeste do Pará, e monocultivos de soja e complexos portuários no Baixo Amazonas.

Em janeiro deste ano os ativistas do MAB Roquevam Alves Silva, Euvanice de Jesus Furtado e Roger Balieiro da Veiga foram condenados em sentença decretada pelo juiz federal Marcelo Honorato, da 1ª Vara da Subseção Judiciária de Marabá. Os ativistas foram condenados por uma ação realizada em 2007 no município de Tucuruí.  

  

sábado, 16 de abril de 2016

20 anos do Massacre de Eldorado - manifestações ocorrem em Eldorado e Belém

Atos em Eldorado do Carajás e em Belém prometem protestos pelos 20 anos do Massacre e em oposição ao golpe contra a democracia
 


Fotos - Curva do S- Acampamento da Juventude - Daniele Bastos e Luiz Carlos
 
No dia 17 de abril de 1996 a PM do estado do Pará escreveria uma das páginas mais violentas na história da luta pela terra do país. Nesta data, sob a ordem do então governador do estado, o médico Almir Gabriel (PSDB), e o secretário de segurança, Paulo Sette Câmara, a desobstrução da PA 150, no município de Eldorado do Carajás,  a qualquer custo resultou no Massacre de 19 trabalhadores rurais sem terra na Curva no S.

Os laudos periciais evidenciam tiros desferidos à queima, quando alguns sem terra já estavam detidos pelas tropas da PM.  

Em memória aos sem terra massacrados Perto de O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em memória de aos vinte anos do Massacre de Eldorado dos Carajás e por Reforma Agrária realizam diversas atividades com os camponeses e camponesas da região e de todo o Brasil.

Em memória dos massacrados, 800 jovens de diversas acampamentos e assentamentos de todo o Brasil acampam desde o dia 10 de abril no 11º Acampamento da juventude Sem Terra “Oziel Alves Pereira”.

Debates, oficinas, palestras voltadas para a juventude do campo dominam o acampamento. Todos os dias, no horário do Massacre, no fim da tarde, a rodovia é interditada por 21 minutos, em lembrança dos mortos.

Hoje, 16, acontece no acampamento um ato em comemoração pelos 18 anos do PRONERA (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária). O MST confirma que a presidenta do INCRA, Maria Lúcia Falcón, e a coordenadora nacional do programa Raquel Vuelta participam do ato. Além de representantes de universidades do Pará e educadores do campo.

 
Em Belém, na capital do Estado, cerca de 400 camponeses ficarão acampados na praça Mártires de Abril em  vigília e atos em defesa da democracia e contra o golpe.

Os atos prometem aglutinar milhares de pessoas, entre autoridades, dirigentes campesinos de diversas partes do mundo, partidos, sindicalistas, estudantes, entre outros para os atos na Curva do “S” e em Belém, informa assessoria do MST.

Com informações de Viviane Brigida- MST Comunicação 

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Em Belém, nação Munduruku apresenta documento da sua última assembleia

100 caciques refletiram sobre o futuro do povo Munduruku
 
Entre os dias 01 a 07 de abril, aconteceu na aldeia Katõ, município de Jacareacanga/PA, a 26ª Assembleia Geral da Nação Munduruku no Pará, com a participação de 550 indígenas, representando aproximadamente 120 aldeias.


Os grandes desafios impostos na atualidade aos povos indígenas do Brasil e, em especial, a nação Munduruku no Pará, fez desta uma das mais importantes assembleias dos últimos tempos. Vários pontos foram discutidos, como a questão da saúde e educação indígena; a situação de fragilidade da FUNAI; as pendencias na demarcação e reconhecimento dos territórios Munduruku e, principalmente, os projetos do governo federal para a construção de cinco usinas hidrelétricas nos rios Tapajós e Jamanxim: São Luiz do Tapajós, Jatobá, Cachoeira do Caí, Jamanxim e Cachoeira dos Patos.

Participaram desta assembleia mais de 100 caciques, centenas de guerreiros e guerreiras, além de pajés, crianças e idosos, e suas deliberações representaram os anseios e desejos de 13 mil indígenas Munduruku que vivem no Pará.


No final da assembleia, foi produzida uma carta ao povo e ao governo brasileiros onde a nação Munduruku diz, entre outros, que não vai aceitar nenhuma hidrelétrica nos rios da região.

Este documento histórico e demais posicionamentos da nação Munduruku serão apresentados em coletiva de imprensa, no dia 14 de abril, em Belém/PA, cinco dias antes da data comemorativa do dia do índio no Brasil.


Serviço:

Coletiva de imprensa: apresentação dos resultados e decisões da 26ª Assembleia Geral da Nação Munduruku
DIA: 14 de abril de 2016 (Quinta-feira)
LOCAL: Auditório do MPF, Rua Dom Romualdo de Seixas, 1476, Edifício Evolution.
HORA: 8:30h

terça-feira, 12 de abril de 2016

Assembleia da Bahia realiza sessão especial pelos 20 anos do Massacre de Eldorado, e a Alepa?


sábado, 9 de abril de 2016

20 anos do Massacre de Eldorado - a violência permanece

Campones/as dos cinco continentes estarão em Marabá para conferência sobre capital, agronegócio, extrativismo mineral e meio ambiente   


No contexto de crise política, social e ambiental vivenciadas pela sociedade e os recentes acontecimentos em torno a questão agrária e conflitos no campo, como o caso dos sem terras no estado do Paraná, sul do Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra realiza (MST) em memória e justiça aos mártires da luta pela terra, assassinados na curva do “S” em Eldorado dos Carajás, em 17 de abril de 1996, que se tornou um marco para a luta do/as camponesas/es de todo o mundo serão realizados atividades no estado do Pará e em todo Brasil que marcam a luta pela reforma agrária, a impunidade e denúncia da violência contra os trabalhadores/as rurais.


Violência e Impunidade no campo

No estado do Pará acontecerá o acampamento nacional da juventude sem terra de 10 a 17 de abril e são esperados 500 jovens para celebrar as vítimas de Eldorado e homenagear dentre eles Oziel Alves Pereira, de 17 anos, jovem que foi assassinado na curva do “S” naquele dia 17 de abril de 1996 e se tornou um símbolo para militância sem terra.

Os jovens do acampamento terão palestras sobre violência, situação da juventude no campo, saúde, sexualidade; oficinas de teatro, dança, pintura, percussão, vídeos; visita ao cemitério de Curionópolis onde as vítimas do massacre foram enterrados; além do ato em comemoração aos 18 anos do PRONERA (Programa Nacional de educação na Reforma Agrária).

Será realizado a Conferência Internacional da Reforma Agrária de 13 a 17 de abril em Marabá, o evento organizado pela Vía Campesina e contará com a participação de representantes e lideranças de movimentos camponeses dos cinco continentes do mundo que discutirão temas sobre o projeto do capital, agronegócio, questão mineral, meio ambiente, entre outros. No encontro será lançado o caderno de conflitos no campo organizado pela Comissão Pastoral da Terra.

Além disso, está sendo realizado a semana camponesa na Unifesspa (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará) em parceria com o MST com debates para os estudantes e aberto ao público, exibição de vídeos e exposição fotográficas sobre a realidade no campo e dos trabalhadores/as.


Ações Unitárias e em defesa da democracia

Na capital, Belém, será realizado o acampamento com 400 campones/as no centro da cidade com ato de memória as vítimas de Eldorado, audiências com órgãos públicos e ações com outros setores populares em defesa da democracia organizadas em conjunto com a Frente Brasil Popular. 

Também ocorrerá a 1ª Jornada Universitária em defesa da Reforma Agrária em Parceria com a UFPA (Universidade Federal do Pará) nos dias 26 e 27 de abril.
 
 
Mais Informações:
 
(91) - 991390907//98164-7842//982075729

(94) - 991161739//981513895//991760363

 

 


quinta-feira, 24 de março de 2016

Santarém- 180 anos da Cabanagem

Sol de rachar a carapaça cansada. Umas 17h, do dia 23, em frente à Praça Centenário ou São Raimundo, Bairro da Aldeia, cidade de Santarém, Pará. O bairro da Aldeia foi o palco principal da insurreição, além das comunidades de Cuipiranga e Pinhél. 
Jovens estudantes descem uma pequena ladeira de bike. Sobem e descem. Outros ouvem funks. Alguns apanham mangas das calçadas.
Nesta data a cidade era tomada pelos cabanos há 180 anos atrás. Uma marcha com os jovens e alguns professores percorreram a Av. Tapajós, que fica na orla da cidade. Um ato modesto, mas, importante.
O destino foi o Instituto de Geografia e História. Explicações sobre o processo revolucionário eram anunciadas pelos educadores.
Talvez os jovens conheçam mais sobre a Revolução Francesa, que a própria história da Cabanagem. Silenciar insurreições populares também configura uma estratégia de dominação.  
Aos poucos conteúdos ganham relevo. Artigos, dissertações e teses emergem das academias. Livros, quadrinhos e peças de teatro também.
Mas, ainda faz maior visibilidade para o importante ato que tomou o poder no período regencial do país, a partir da ação coletiva que agrupou indígenas, negros, tapuios, brancos pobres na mesma direção.
  

terça-feira, 15 de março de 2016

EFA de Marabá - 20 anos de história

As origens da Educação do Campo no estado do Pará estão ligadas as experiências educativas de formação de jovens agricultores/as utilizando a Pedagogia da Alternância.  Tendo como projetos pioneiros a Casa Familiar Rural (CFR) de Medicilândia, em 1995 e a Escola Família Agrícola (EFA) da Região de Marabá, em 1996. Ressaltamos que no Pará a primeira EFA funcionou no município de Afuá criada em 1992.

O marco inicial da EFA da Região de Marabá é o I Encontro de Jovens Camponeses, realizado em outubro de 1993, pela Fundação Agrária do Tocantins Araguaia (FATA) no âmbito do Programa Centro Agroambiental do Tocantins (CAT), em conjunto com seus Sindicatos dos/as Trabalhadores/as Rurais (STTR´s) de Marabá, Itupiranga, Jacundá, São João do Araguaia, São Domingos do Araguaia e Nova Ipixuna. O surgimento da ideia de criar uma Escola Agrícola - Projeto Futuro do Jovem Camponês é este encontro de jovens, início da caminhada.

Neste evento o educador Emmanuel Wambergue “Manu” então Diretor Executivo da FATA relatou a experiência da França nascida em 1935. O caso brasileiro surgiu em 1968, sob a animação de Padre Humberto Pietogrande e foi contado pelo  técnico agrícola do Projeto Agroflorestal do Tocantins (PAF) da FATA Francisco Cruz de Lima Sobrinho “Francismar” egresso da EFA de Olivânia – Espírito Santo, que também recomendou conhecer as experiências no Maranhão.

Em 1993 foi criada uma Comissão de Articulação Pró Implantação da EFA, em 1995 a Associação dos Pais da Escola Família Agrícola (APEFA) esta manteve ativa até 2000. A EFA ficou vinculada a FATA/FETAGRI até 2011.

A EFA iniciou seu funcionamento em 18 de março de 1996 quando iniciou as aulas com a primeira turma com vinte dois jovens rurais, formando em 1999 cartoze. Ao longo da história formou vários jovens em agricultores/as técnicos/as ou agentes de desenvolvimento rural sustentável (técnicos/as em agropecuária com ênfase em agroecologia), colaborou com a construção da Educação do Campo na região, serviu de base para o nascimento da Escola Agrotécnica de Marabá, posteriormente transformada no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA – Campus Rural), esta instituição desenvolve cursos de Educação Profissional em níveis médio e superior para os/as camponeses/as e indígenas populações.

As Conferências, o Fórum Regional  de Educação do Campo e as organizações tem permitido continuar a história rumo a uma Política Pública de Educação do Campo, em Marabá e região Araguaia - Tocantins, na floresta, na aldeia, no acampamento, no assentamento, ou seja, para os/as camponeses/as, indígenas e quilombolas.

Em dezembro de 2013 organizamos o Seminário 20 anos da Pedagogia da Alternância na Transamazônica: a experiência da EFA da Região de Marabá – Pará, que serviu para celebrar vinte anos do nascimento da ideia (1993); tornar público a retomada da EFA. Estas ações têm buscado o fortalecimento da Pedagogia da Alternância e Educação do Campo em âmbito regional e da EFA.

Caminhando para quatro anos de retomada da EFA atual e seu segundo ano de funcionamento. Sonhamos com a realização de um encontro, uma celebração ou comemoração. Resistimos, em função da conjuntura política municipal, estadual e nacional de contenção de despesas, e por fim, tomamos a decisão de forma coletiva, então vamos comemorar. Porque ano que vem será 21, 30, 40, 50..., mas, 20 só teremos esta oportunidade. Que continuemos a luta e a história.

O objetivo do Seminário: história, desafios e perspectivas da  Pedagogia da Alternância  na Região Sudeste do Pará é abrir as comemorações de 20 anos da Escola Família Agrícola (EFA) da Região de Marabá. No meio da história os 10 anos da formatura da primeira turma do ensino médio e educação profissional (EMEP I e II) financiado pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA). É para todos/as que se identificam com a Escola Família Agrícola, Pedagogia da Alternância, Educação do Campo, Agricultura Familiar (...). No presente evento serão aprovadas ações para o decorrer de 2016.
@Conteúdo do folder de celebração do seminário que inicia no dia 18, em Marabá.

Celebração pelos 20 anos da EFA de Marabá começa no dia 18



A Escola Família Agrícola (EFA) celebra 20 anos a partir do dia 18, sexta feira. Em sua programação  consta relatos de egressos, troca de ideias com pessoas que fizeram parte da construção da experiência, a exemplo do francês Emannuel Wambergue, educador que desde a década de 1970, colabora com a luta camponesa na região. 
 
O evento terá ainda um representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o senhor Nejakson  Vidal, que falará sobre as políticas públicas para a juventude e a agricultura familiar. Veja a programação abaixo.
 

PROGRAMAÇÃO

Dia: 18/03/2016 (sexta-feira)

15:00 horas - Chegada dos participantes e convidados/as.

18:00 horas – Jantar

19:30 - Abertura do Seminário: “história, avaliação e perspectivas da Pedagogia da Alternância na Região Sudeste do Pará”. Lançamento das comemorações de 20 anos da EFA da Região de Marabá. Mesa de representantes das organizações parceiras da EFA (passado, presente e futuro).

Dia: 19/03/2016 (sábado)

06:30 horas – Acordar, levantar e tarefas.

07:30 horas – Café.

08:00 horas – Mesa: “As origens da EFA da Região de Marabá”.

Emannuel Wambergue e Damião Santos

09:00 horas   EFA: Uma história contada pelos/as protagonistas (egressos/as e educador/as e colaboradores/as) “história, desafios e conquistas”. Relatos de experiências e/ou histórias de vida. Envolvem todas turmas ensino fundamental, ensino médio e profissional (EMEP) e Saberes da Terra que formaram na EFA da Região de Marabá.
10:00 horas – Intervalo/Lanche
11: 30 horas - EFA: Uma história contada pelos/as protagonistas (egressos/as, educador/as e colaboradores/as) “história, desafios e conquistas”. Relatos de experiências e/ou histórias de vida.
12:00 horas –  Almoço.

14:00 horas – Mesa: “As políticas públicas para a juventude e agricultura familiar”
Nejackson Vidal (MDA)

15:00 horas - EFA: Uma história contada pelos/as protagonistas (egressos/as e educador/as e colaboradores/as) “história, desafios e conquistas”. Relatos de experiências e/ou histórias de vida.

16:00 horas – Intervalo/Lanche

16: 30 horas - EFA: Uma história contada pelos/as protagonistas (egressos/as e educador/as e colaboradores/as) “história, desafios e conquistas”. Relatos de experiências e/ou histórias de vida.

18:00 horas – Jantar

20:00 horas – Encerramento do Seminário representantes das organizações parceiras da EFA e Comissão Organizadora. Aprovação de propostas e Termo de Compromisso (carta).

22:00 horas – Noite Cultural/Confraternização (com animação musical e licor).



Dia: 20/03/2016 (domingo)
07:30 horas – Café.

08:00 horas – Saída/Retorno com uma Reflexão/Mística na área da SEDAP futuro local de implantação da Escola-Acampamento Professor Jean Hébette (Rodovia Transamazônica km 27 – Itupiranga – PA)

quinta-feira, 10 de março de 2016

Tapajós - o bar-boutique de Virginia


As pernas são torneadas. As nádegas generosas. Parecem ocultar a idade. Sonegar a raça de Virginia (homenagem a Wolf). Apesar das ancas de negra, a comerciante é clara. O acanhado comércio é um hibrido de boutique popular e botequim. Fica na orla de Santarém. Metá-metá, com se diz por aqui.
O botequim, que também vende refeição, ocupa o espaço menor.  O interior acomoda três mesas de forma apertada. Pela manhã, quando faz sombra, a comerciante espalha mesas e cadeiras na calçada.
Minúsculo também é o banheiro, que fica próximo ao local onde a refeição é preparada. Vírginia, que adota shorts que lhe valorizem as formas, possui três funcionárias.
Uma cozinha, a outra atende a clientela, e a terceira fica na loja. Estivas, marítimos e comerciantes frequentam a casa, cravada em uma travessa à beira do rio Tapajós, que corre em paralelo ao Amazonas.
No perímetro do empreendimento do comercio de Vírginia, predominam lojas que vendem máquinas e equipamentos de barcos, e de insumos para a atividade de pesca ou lavoura. É possível encontrar ainda pequenos mercados, padarias e outras boutiques igualmente populares.
A lavoura não deu boa este ano. Tempo de seca. Nesta época do ano, em anos considerados normais, o rio Tapajós já teria avançado sobre a avenida. Alcançado as lojas. Nas feiras, abacaxis e bananas são comercializados mesmo que nanicos.   

Uma caixa de papelão serve de depósito dos CDs piratas do bar. A sofrência é a trilha sonora, entrecortadas por causos de garimpos e viagens da região. Noutro dia, um senhor desprovido dos membros superiores, sorvia cerveja como se o mundo fosse findar daqui a segundos.

O garimpeiro de estatura pequena, gaba-se em ser bom de tiro. Por 15 anos peregrinou em garimpos do Pará, Mato Grosso e das Guianas. Atualmente é dono de loja de roupas. Com um amigo agenda visita ao puteiro assim que  a loja fechar.

Espero voltar ao local,  outros causos conhecer. E, quem sabe contemplar as formas de Virginia ou a ternura dos rios.

Protesto contra instalação de portos no Lago de Maicá marca dia da mulher em Santarém
















Um conjunto de empresários do setor de grãos agregados na empresa Embraps, pleiteia instalar um conjunto de portos no Lago do Maicá, na cidade de Santarém, no oeste paraense.
 
O complexo integra um portfolio de grandes obras, que visa incrementar um corredor de exportação de commodities na região, com predominância da soja e de minérios.
 
Pescadores, ribeirinhos e quilombolas fazem parte da sociodiversidade do Lago do Maicá. Eles já compartilham impactos do projeto, como o assédio do setor imobiliário. Parte destas populações não tem sido considerada pelos estudos de impactos ambientais.
 
Além dos portos, hidrelétricas, incremento da BR 163, ferrovias  e hidrovias fazem parte da agenda de "desenvolvimento" para o Baixo Amazonas, onde a ampliação da monocultura de soja é um dos vetores.
 
Outro problema nos planos governamentais, é a ausência de avaliação de forma integrada dos passivos sociais e ambientais que os empreendimentos poderão provocar no sensível bioma, e no conjunto da sociedade.  

Fotos: Ellen Pessôa

Vila de Alter do Chão - celebra aniversário de 257 anos insubordinada


Na peleja entre as grandes empresas, que se apropriam das riquezas da (as) Amazônia (s), e as populações locais, a dimensão simbólica também faz parte da disputa.
 
Ao celebrar o aniversário de 257 anos, na derradeira sexta feira, no dia 6, moradores da Vila de Alter do Chão, em Santarém, externalizaram opinião sobre a empresa Cargil, que financiou o convescote.  
 
Bancar atividade na área de cultura ou social, faz parte da cortina de fumaça tratada por alguns pela marca de responsabilidade social.   
 

quarta-feira, 9 de março de 2016

A Jari faliu, outra vez?

Em dezembro do ano passado a PF realizou busca e apreensão contra a empresa por fraudes no sistema florestal
  
Empate de extrativistas organizada no natal de 2014/R.Almeida
Não se sabe ao certo. Mas, nestes dias Sérgio Amoroso, dono do Grupo Orsa, foi visto no rincão, em Monte Dourado, distrito da cidade de Almeirim, no estado do Pará.

Cogita-se que o mesmo tenha vindo negociar pessoalmente com os funcionários da Jari Florestal. Desde 2014 funcionários realizaram inúmeras paralisações em protesto contra a empresa, e em dezembro do ano passado a empresa teve o selo verde cassado e foi alvo de grande operação da Polícia Federal.

Jari Nebulosa -  Operação da PF, no dia 04 de dezembro, caçou agentes públicos do estado do Pará, Secretaria do Meio Ambiente e Instituto de Terras do Pará (Iterpa), funcionários da Jari, envolvidos em fraudes no sistema de comercio florestal.  .

A ação envolveu buscas e apreensões em 41 endereços ligados a cinco empresas no Pará, São Paulo e Curitiba. Duas pessoas tiveram prisões preventivas decretadas, outras 16 ficaram em prisão temporária e 10 foram conduzidas coercitivamente para prestar esclarecimentos. Leia no MPF

Faturamento bilionário - Um bilhão de reais era a expectativa de faturamento do Jari em 2015. O empreendimento criado pela mega, ultra, multimilionário estadunidense Daniel Ludwig, em 1967, período da ditadura civil-militar, foi turbinado com generoso recursos do poder público.

A Jari, empresa que controla de forma questionável fatia significativa do território amazônico, -1,7 milhão de hectares - numa faixa entre os estados do Pará e Amapá, produz celulose.

Nos dias atuais o controle é do Grupo Orsa, com sede em São Paulo. Sérgio Amoroso é o cacique principal. Amoroso, nascido na cidade de Birigui, tem orgulhoso em ter começado como auxiliar de almoxarifado.

O sobrenome do “bandeirante” contradiz com a ação do empresário com a comunidades locais na região do Jari, em particular com a Comunidade de Pilões, que no natal de 2014 reeditou uma tática de resistência criada pelos seringueiros do Acre, o empate.

A ação é uma prática de enfrentamento contra o grande capital, que historicamente tem espoliada e expropriada o as populações locais. As rusgas entre as partes terá uma audiência de instrução no próximo dia 15.
 
As partes disputam território. A comunidade alega que mora reside há mais de cem anos, em área pleiteia pela empresa.  

Saiba sobre o Empate no Jari em reportagem investigativa publicada no site da Agência Pública AQUI

segunda-feira, 7 de março de 2016

Mulheres protestam contra portos do Lago do Maicá


Crime ambiental de Barcarena completa seis meses sem solução

 O crime ambiental de crime ambiental de Barcarena, que matou quase cinco mil bois, somou seis meses ontem.
Os resíduos dos animais e o óleo do navio impactaram a vida das populações locais e dos comerciantes da praia da Vila do Conde, onde fica o Porto da Companhia das Docas do Pará, local onde  a embarcação afundou com a carga viva.
Alguns moradores receberam uma pequena compensação financeira, que não chega a dois mil reais. Um morador local informa que o fluxo de banhistas na praia não voltou ao normal, o que prejudica os comerciantes locais.
No jogo de irresponsabilidades entre exportadores de gado e empresas de navegação, a parte mais vulnerável continua a pagar o pato.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Ligue-se! Programação do Cinefront


Escola Família Rural (EFA) de Marabá comemora 20 anos

As celebrações ocorrem entre 18 a 20 de março

 

A principal insurreição popular do período regencial do Brasil somou 180 anos este ano. É considerada por alguns autores como uma revolução social, onde indígenas, negros, tapuios e brancos empobrecidos insubordinaram-se contra o domínio português e de outros colonizadores.  

A revolução dizimou boa parte da população da época, e pela vez primeira vez, segmentos marginalizados alcançaram o poder, sendo o ápice a aclamação do dirigente Malcher como o primeiro governador Cabano.

O raio de abrangência transbordou as fronteiras amazônicas, alcançou praias do Nordeste, e mesmo regiões limítrofes com outros países.  Novos estudos desnudam outras nuances sobre o movimento, iluminam a relevância do Baixo Amazonas na empreitada.

Neste mesmo ano, uma das páginas mais sangrentas da História recente da luta pela terra na Amazônia soma duas décadas, o Massacre de Eldorado, ocorrido na Curva do S, no município de Eldorado do Carajás, no sudeste paraense, no dia 17 de abril.

A ação ordenada pelo médico – que em tese deve guardar a vida – Almir Gabriel, que na época governava o Estado, ordenou que o secretário de segurança da Paulo Sette Câmara encerasse a qualquer custo uma ação de ocupação da rodovia estadual, PA 150, pelos sem-terra.

As tropas da PM executaram 19 trabalhadores rurais sem terra. Mais de 150 policiais militares participaram da chacina que chamou a atenção do mundo. Conforme laudos, muitos foram executados com tiros à queima roupa disparados na cabeça ou no rosto.

A violência física, o autoritarismo do Estado, a espoliação e a expropriação constituem elementos que estruturam o avanço do capital sobre a terra e as riquezas cá existentes.  

Na contramão, como nos tempos da Cabanagem, sempre ocorreram formas de (re) existência populares. Uma delas tem sido a educação.

Assim, no conturbado contexto dos anos 1990, marcado pela avanço da agenda neoliberal, que teve o seu ponto alto a política de privatizações, marcada pela entrega de bandeja a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), nascia na terra dos Carajás a Escola Família Agrícola (EFA) de Marabá, sudeste do Pará.

A EFA aflorou em solo marcado pela aguda disputa pela terra, para atender, a partir das realidades especificas dos universos rurais, jovens e adultos do campo. No mundo nacional marcado pela lógica do privilegio, estudar é mais que um ato revolucionário.

A EFA integrou um leque de ações geradas a partir do Centro Agroambiental do Tocantins (CAT), experiência inovadora animada pelo educador natural da Bélgica, Jean Hébette. O centro era vinculado a UFPA. Constitui-se como um importante mediador no processo de luta pela terra aliado ao movimento sindicalista do campo da região.     

A condição precária marca a sobrevivência das EFA e das Casas Famílias Rurais (CFR), que operam a partir do mesmo modelo pedagógico, a alternância, que valoriza vivências a partir do tempo escola e tempo comunidade. Freire é uma das inspirações, onde o diálogo e a horizontalidade na relação entre educador-educando ocupam o primeiro plano.    

Damião Santos foi um dos fundadores da EFA e o primeiro monitor. Tem formação em Pedagogia da Alternância, e graduação em Pedagogia, com especialização em Educação do Campo. Atualmente cursa metrado de Desenvolvimento Socioespacial e Regional (UEMA).
 
Santos é técnico da Emater. É ele quem tem animado a celebração. Mas que se transformou numa articulação coletiva. A celebração ocorre entre 18 a 20 de março, na EFA Padre Humberto Pietogrande – Marabá.
 
A EFA está localizada na Rodovia Transamazônica km 23 (sentido Itupiranga). A programação e comissão organizadora (estão sendo organizadas).


Mais informações
Damião Soledade
dsolidade@bol.com.br
Cel/zap: (94) 99149 - 6323

terça-feira, 1 de março de 2016

Carajás - Festival de cinema celebra lutas populares na Amazônia


 

O mundo dos Carajás é um emblema na história nacional no que tange à luta pela terra. Ali, como em outros cantos amazônicos, há milênios, indígenas dominam a arte em manejar os recursos naturais, desenvolver tecnologias e  uso comunal do território.

Solo a todo momento ameaçado pelas grandes obras de infraestrutura, que visam dinamizar o saque das riquezas locais.

A aura colonial se mantém, bem como as insubordinações em sentido oposto, a exemplo de ocupações de latifúndios, edificação de escolas, novas formas de educação e re-existências em múltiplos flancos.   

Na terra dos Carajás a diversidade social agrega camponeses, devidamente territorializados, garimpeiros, peões do trecho em busca de um punhado de dignidade. Carajás é terra de migrantes. É terra de tensão constante pelo controle e uso da riquezas ali existentes. Um paraíso do enclave.

Nas terras dos caudalosos rios Tocantins-Araguaia jovens sonharam em irradiar uma revolução socialista.

Nelas o Festival Internacional de Cinema de Fronteira (FIA CINEFRONT) alcança a segunda edição. A iniciativa é da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), a partir da Diretoria de Ação Intercultural, em associação com os movimentos sociais e a Secretaria Municipal de Cultura de Marabá.
 
O indigenista e jornalista Felipe Milanez é o curador. O festival ocorre entre a 11 a 15 de abril, em Marabá e em outros campi da Unifesspa. O longa Osvaldão [2015, 80 min], considerado a maior expressão entre os guerrilheiros do Araguaia, dos diretores Fabio Bardella e o André Michiles abre o festival, às 19h, do dia 11 de abril, no Campus da Unifesspa, em Marabá. O ativista Paulo Fonteles, membro da Comissão da Verdade, e os diretores do filme debaterão sobre  a luta popular no Araguaia após a exibição.  

O FIA Cinefront contempla sessões gratuitas, seguidas de debates, a partir das realidades que fazem parte das regiões da periferia e de fronteira, inclusas de forma subordinada e tardia aos principais centros do capitalistas, a exemplo da Amazônia.

Conforme a coordenação do evento, o festival é um momento de celebrar as lutas sociais e a re-existência popular que fazem da fronteira front de batalha por direitos, igualdade, justiça e dignidade.

Em sua segunda edição, o festival coloca em foco as lutas travadas por indígenas, guerrilheiros e camponeses e a realidade de violações de direitos constituída pelo processo de ocupação da Amazônia, no contexto da Ditadura Militar no Brasil. As obras selecionadas contemplam o protagonismo de camponeses, indígenas e guerrilheiros num horizonte anti- colonial.

Homenagem - Vincent Carelli é o homenageado do Cinefront. O realizador é indigenista, documentarista, fundador do Vídeo nas Aldeias. Carelli assina filmes como "Ninguém come carvão" [1991] e "Corumbiara" [2009], que, respectivamente, denunciam a destruição da floresta pelas siderúrgicas no Pará e Maranhão e o massacre de índios na Gleba Corumbiara, em Rondônia.

Em 1969 Carelli esteve pela primeira vez em Carajás. Visitou os Xikrin do Catete. Por meio de concurso ingressou na Funai. Durante a ditadura civil-militar abandonou a instituição para somar forças junto as resistências e lutas do movimento indígena e indigenista.

Na condição de fotografo realizou uma das primeiras grandes coberturas jornalísticas sobre a Guerrilha do Araguaia junto aos jornalistas Palmério Dória, Sérgio Buarque e Jaime Sautchuk. O material foi revelado na revista História Imediata, dando visibilidade ao que a ditadura gostaria de ocultar, o massacre do Araguaia.
 
Para mais informações 

Diretoria de Ação Intercultural
Prof. Evandro Medeiros
(94) 981884746
Instituições Parceiras
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Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará – UNIFESSPA
Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis - PROEX
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB
Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas - CECULT / UFRB
Rede Europeia de Investigação de Ecologia Política - ENTITLE / Universidade de Coimbra
Universidade Pontifícia Católica do Peru - PUCP
Grupo Interdisciplinar Amazônia / GIA – PUCP
Secretaria Municipal de Cultura - SECULT/Prefeitura de Marabá
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Trama Teia Produções