Desde
remotas eras as burguesias nacionais possuem como esporte dileto incendiar
espaços sagrados de religiões de matriz africana. O ódio de classe, raça, gênero,
e mesmo de localização geográfica (Norte e Nordeste) se estende para outras
modalidades de batuques, a exemplo do samba.
Os
batuqueiros eram enquadrados como vagabundos, e as mulheres que participavam
das rodas de samba como sem vergonhas. Assim , filosofou o samba Delegado Chico Palha, de 1938, autoria
de Tio Hélio e Nilton Campolino. Marcelo D2 atualizou a interpretação no
Quintal do Zeca. Pega a visão lá...
A atividade
hoje reconhecida como manifestação cultural de primeira linha e relevante eixo da economia criativa era
enquadrada como vadiagem. Mais de dois
pretos batucando em uma esquina eram recambiados para averiguação. Pouca coisa mudou....
Criminalizar
a pobreza é uma questão estrutural, assim como momentos de lazer. Se há pobreza
e movimento social, tudo piora. Tu sacas o que fazem com o MST? O menino
mimado que desconhece o que é uma enxada mandou o preconceito no debate.
Tal
persperctiva, em parte, ajuda a explicar o combate no Congresso ao projeto da
escala 5x2. Traballhar até morrer é o ideal para o
capital. Nada de samba, alegria e filosofia.
Ah,
as nossas burguesias são fogo. Como Emicida, prefiro a categoria burguesia em
detrimento de elite. Como argumenta o pensador/rapper/professor, elite é o que
temos de melhor.
E o
que temos de melhor, é o nosso povo, que
tomou as ruas em defesa da democracia e da nossa soberania nacional. Égua oxigênio mano.
Saravá aos manos/as de Niterói/RJ. Laroyê, Exu! A rua é nois!.
Ah, as nossas burguesias são fogo:
entreguistas e incendiárias. Nos dias recentes, ampliaram o espectro para além
dos terreiros de macumbas e passaram a
tocar fogo em universidades, a exemplo do crime ocorrido na UFPE. Crime de lesa pátria. Minha solidariedade aos irmãos de Pernambuco, até porque "um galo sozinho não tece uma manhã". Parada de João Cabral de Melo Neto.
Como
tá barra ser professor em dias tão obscuros. A todo momento uma ameaça que
passa por assédio jurídico ou mesmo de
morte. Larrrisa Bombarti, professora da USP, por cartografar o uso abusivo de veneno
em monocultivos teve de pegar o beco do país.
Criminosos
conspiram em USA. Os caras estão
clamando por bombardeio do Brasil. Patriotismo de cair o cu da bunda. Clamam por
taxação que provoca danos mesmo nos próprios setores que os apoiam.
Ah,
as nossas burguesias. Uns saem para
fugir das barras da lei, a exemplo do Bananinha, irmão do candidato miliciano, enquanto outros são obrigados para
a manutenção da integridade física.
O caso não é isolado. Em todo país há registros de assédios judiciais e de ameaças de morte. A vida do professor tá de matar! A vida de professor tá de morrer!
É
fogo! É fogo! É fogo!. O fogo que passou
pelos terreiros e universidades, agora alcança as igrejas católicas e seus símbolos.
Ódio territorializado. Ah, Nossa Senhora
de Nazaré, ah, Nossa Senhora de Aparecida, Ah, Nossa Senhora da Conceição,
rogai por nós.
Há
uns sete anos o ódio articulado em redes sociais tocou fogo na Amazônia. O evento
teve até batismo: o Dia do Fogo!. Crime orquestrado durante o desgoverno do pai do candidato. Os colegas do Icmbio, Ibama, Incra, PF e PRF, entre outras funcionários públicos quando em operação de campo são hostilizados nas operações em combate aos crimes. Chapa quente operar no sertão amazônico.
Samba
é sabedoria. O músico paraense Billy Blanco, por conta de preconceito sofrido
pela sua musa matriz, Dolores Duran, uma mulher negra, mandou o recado: Não fala
com pobre/Nâo dá mão a preto/Não carrega embrulho/Pra que tanta pose,
doutor/Pra que tanto orgulho/A bruxa que é cega esbarra na gente/E a vida
estanca/O enfarte lhe pega, doutor/E acaba essa banca/A vaidade é assim, põe o
bobo no alto/E retira a escada. ...Mais
alto o coqueiro/Maior é o tombo!
Seria
um síntese do candidato que nunca escreveu um projeto em defesa da classe
trabalhadora? Em contrapartida, mostra-se um ás em defender assassinos de crianças e notório em relações
duvidosas com banqueiros, milícias e afins.
Até
uma ilha o cabra ajudou a tomar de Richarlisson, um jogador
de visibiidade internacional. O que fará
das aposentadorias, pensões e outras políticas de seguridade social de marias e
josés ninguém?
É o
povo nas ruas, nas redes e oxalá nas urnas que tirará a escada do menino mimada
que nunca soube o que é trabalho, levantar na madrugada, tomar várias conduções
até chegar ao trabalho, já exaurido.
CésarTeixeira, nordestino do Maranhão, disparou a pérola da luta popular: “com as
bandeiras nas ruas ninguém pode nos calar”.
Em outra estrofe sintetiza: “Quem nos ajudará a não ser a própria gente!”
As ruas, as giras, os batuques e sambas encarnam tecnologias sociais de reinvenção da vida diante da escassez. É comunhão! É puxirum! É mutirão! Saravá!!
Alô Antonio Simas,
Ivone Lara, Ciata, Nei Lopes e todas as velhas guardas do país, Clóvis Moura, Maria Aragão, Dandara, Zumbi e Chico Science...Bença, posto o homem coletivo sentir a necessidade de lutar, e é na rua que a gente se encontra!

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