quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Eleições na Amazônia: indígenas ocupam UFOPA em plenária em defesa da democracia e de seus territórios

 Pelo menos mil indígenas de 14 povos do Baixo Amazonas ocuparam a UFOPA nesta manhã em defesa da democracia

Plenária indígena realizada da unidade Tapajós da Ufopa, Santarém/PA

Diante de inúmeras queimadas criminosas no município e vizinhança, ataques a espaços físicos de instituições camponesas e mesmo intimidação a padres em missas, pelo menos mil indígenas ocuparam pela parte da manhã a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), no município de Santarém, no oeste do Pará.

O segundo turno das eleições foi a pauta principal da plenária que reuniu representações de 14 povos da região do Tapajós.  Um representante do povo Tupinambá alertou que “A eleição do candidato do PL, Flávio Bolsonaro para os territórios indígenas e para a Ufopa representa uma grande ameaça. Não haverá reconhecimento dos territórios. A universidade pode acabar. Esse partido odeia indígena, quilombola e a classe trabalhadora. Não podemos permitir o avanço de Bolsonaro”.  

A UFOPA é considerada a universidade com o maior número de discentes indígenas e quilombolas do Brasil. Ela abriga pessoas oriundas de várias cidades da do Baixo Amazonas e mesmo de outros estados, a exemplo do vizinho Amazonas. 

A mesma inquietação foi ventilada com relação às instituições ligadas às temáticas indígenas, meio ambiente e camponesa, a exemplo do Icmbio, Ibama, Incra e Funai. Um representante do povo Munduruku advertiu que “se eleito, esse povo vai destruir tudo que a Constituição de 1988 conseguiu minimamente assegurar para os nossos povos.  A nossa saída é Lula”.  

Canções e falas fizeram parte da dinâmica da manhã marcada pelo revezamento das falas das representações dos povos. São 14 povos, onde constam Munduruku, Tupinambá, Kumaruara, Borari, Arapium, Apiaká, Maytapu, Tapajó, Tupaiú, Tapuia, Jaraqui, Arara-Vermelha, Munduruku-Cara Preta e Sateré-Mawé.

O Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (CITA) é um dos animadores da plenária, e agita a organização de fiscalizações nas seções de votações e conscientização dos parentes no voto pró-Lula.  “Gente, caso Bolsonaro vença, não terá dialogo, somente violência e bala. A nossa vida e o nosso futuro estão em jogo”, alerta uma jovem Arapiun.   

Composição da mesa com caciques dos 14 povos do Tapajós

Histórico de Luta Indígena

Ao longo dos anos recentes os povos da região do Baixo Amazonas e de outras latitudes do estado do Pará têm mobilizados várias ações diretas de enfrentamento às ameaças de seus territórios e de direitos indígenas, mesmo na gestão de Lula.

Há uns dez anos enfrentaram o projeto de construção da hidroelétrica de São Luiz do Tapajós.  Há mais ou menos uns dois anos, enfrentaram o governo Barbalho que desejava a imposição de ensino à distância (EAD). E, neste ano, conseguiram barrar a tentativa de privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.

Contra o ensino EAD os povos acamparam na secretaria de Educação em Belém por quase 30 dias. No caso da privatização dos rios, as ações ocorreram no pátio da empresa estadunidense Cargill, na cidade de Santarém, por 30 e poucos dias.


Em todas as ações o movimento indígena trinfou.  Como recurso de falar com o conjunto da sociedade, uma caminhada será realizada no fim da tarde, com concentração na orla da cidade de Santarém, a partir das 16h.

O Baixo Amazonas é um território considerado estratégico para a agricultura capitalista. o horizonte é consolidar a região como um corredor de exportação de produtos primários. Complexos portuários e hidroelétricos, modal de transporte (rodovia, ferrovia e hidrovia) constam na agenda de grandes corporações. 

É um território em constante tensão entre as comunidades consideradas com tradicionais e exploradores ilegais de madeira, garimpeiros, denominações religiosas, traficantes, Estado, construtores de portos ilegais e afins.    


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