Pelo menos mil indígenas de 14 povos do Baixo Amazonas ocuparam a UFOPA nesta manhã em defesa da democracia
Diante de inúmeras queimadas criminosas
no município e vizinhança, ataques a espaços físicos de instituições camponesas
e mesmo intimidação a padres em missas, pelo menos mil indígenas ocuparam pela
parte da manhã a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), no município de
Santarém, no oeste do Pará.
O segundo turno das eleições foi
a pauta principal da plenária que reuniu representações de 14 povos da região
do Tapajós. Um representante do povo Tupinambá
alertou que “A eleição do candidato do PL, Flávio Bolsonaro para os territórios
indígenas e para a Ufopa representa uma grande ameaça. Não haverá
reconhecimento dos territórios. A universidade pode acabar. Esse partido odeia
indígena, quilombola e a classe trabalhadora. Não podemos permitir o avanço de
Bolsonaro”.
A UFOPA é considerada a universidade com o maior número de discentes indígenas e quilombolas do Brasil. Ela abriga pessoas oriundas de várias cidades da do Baixo Amazonas e mesmo de outros estados, a exemplo do vizinho Amazonas.
A mesma inquietação foi ventilada
com relação às instituições ligadas às temáticas indígenas, meio ambiente e
camponesa, a exemplo do Icmbio, Ibama, Incra e Funai. Um representante do povo
Munduruku advertiu que “se eleito, esse povo vai destruir tudo que a
Constituição de 1988 conseguiu minimamente assegurar para os nossos povos. A nossa saída é Lula”.
Canções e falas fizeram parte da
dinâmica da manhã marcada pelo revezamento das falas das representações dos
povos. São 14 povos, onde constam Munduruku, Tupinambá, Kumaruara, Borari,
Arapium, Apiaká, Maytapu, Tapajó, Tupaiú, Tapuia, Jaraqui, Arara-Vermelha,
Munduruku-Cara Preta e Sateré-Mawé.
O Conselho Indígena
Tapajós-Arapiuns (CITA) é um dos animadores da plenária, e agita a organização de
fiscalizações nas seções de votações e conscientização dos parentes no voto
pró-Lula. “Gente, caso Bolsonaro vença,
não terá dialogo, somente violência e bala. A nossa vida e o nosso futuro estão
em jogo”, alerta uma jovem Arapiun.
Histórico de Luta Indígena
Ao longo dos anos recentes os
povos da região do Baixo Amazonas e de outras latitudes do estado do Pará têm
mobilizados várias ações diretas de enfrentamento às ameaças de seus
territórios e de direitos indígenas, mesmo na gestão de Lula.
Há uns dez anos enfrentaram o projeto
de construção da hidroelétrica de São Luiz do Tapajós. Há mais ou menos uns dois anos, enfrentaram o
governo Barbalho que desejava a imposição de ensino à distância (EAD). E, neste
ano, conseguiram barrar a tentativa de privatização dos rios Tapajós, Madeira e
Tocantins.
Contra o ensino EAD os povos acamparam na secretaria de Educação em Belém por quase 30 dias. No caso da privatização dos rios, as ações ocorreram no pátio da empresa estadunidense Cargill, na cidade de Santarém, por 30 e poucos dias.
Em todas as ações o movimento
indígena trinfou. Como recurso de falar com
o conjunto da sociedade, uma caminhada será realizada no fim da tarde, com
concentração na orla da cidade de Santarém, a partir das 16h.


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