sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Versos de náufrago


 

Em frente ao riomar

Imensa melancolia assobia em vento quente

Anuncia que a tristeza sabe nadar

Velas ao mar

Barravento

Quão sem graça é deus

Que despreza a arte de chorar

Quando o peixe-mulher triunfa sobre o mar...agitado...

Em oposição às ondas

Pescador sem pescado não dispõe de encanto em navegar

Diante da rede vazia

Edificante soa o naufragar

Camões...Pessoa....longe de Lisboa

Quem sabe da vida é o instante de se findar

Tal as folhas de outono sobre o solo do quintal do lar

Tempo de mormaço

A varar o peito de aço

Um fado entope a casa em desalinho

Um samba dolente ocupa a mesa do bar

Pixinguinha a dedilhar em casa de Ciata

Alegria em combustão a dispersar notas e rimas

Enquanto o solo de Cavaquinho corrompe as sílabas da dor

Poesia inventa Melodia

Um riso de Ivone a clarear o terreiro

Tinindo

Trincando

Assim...em dia solar.....

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