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domingo, 25 de outubro de 2026
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Postado por rogerio almeida às 10/25/2026 06:20:00 AM 0 comentários
O Nordeste é arretado, por Guilherme Lopes
Como nordestino, economista, autor de uma tese sobre a estrutura produtiva nordestina e professor de Formação Econômica do Brasil, sinto-me compelido a comentar desse triste comentário/proposto.
Por 500 anos o Nordeste serviu como plataforma de exportação das riquezas e produtos naturais, especialmente a cana de açúcar em um primeiro momento. Depois o algodão e o cacau, e mais recente a soja e a fruticultura irritada. O problema é que a renda do setor externo que abastece os cofres - públicos e particulares- não se traduz em desenvolvimento local. .
Celso Furtado, paraibano, economista brasileiro mais lido no mundo, compreendeu que "o problema Nordeste" não poderia ser reduzida à questão hidráulica da escassez de água, diagnóstico comum até então. O problema era também econômico e estrutural. A concentração de terra nos grandes latifúndios implicava que as exportações não se traduziam em dinamismo sobre a economia local. Ao contrário, o excedente econômico era vazado ao exterior na forma de importação do padrão de consumo exógeno à estrutura de oferta regional. A renda não se fixava nos espaços internos de acumulação.
Ou seja, a renda gerada no setor exportador não se convertia, necessariamente, em diversificação produtiva, ampliação do mercado interno, integração das cadeias econômicas e melhores condições de vida para a população. A concentração da terra e da renda reproduziam uma estrutura econômica profundamente desigual, com bloqueio sobre os circuitos internos de produção e consumo, limitando a transformação da riqueza produzida em dinamismo para a própria região.
A solução para Furtado deveria vir de políticas e investimentos públicos voltadas para a transformação sobre a estrutura produtiva, com inclusão das pessoas no mercado de trabalho, expansão dos fluxo da renda, aumento no grau de circulação monetária, integração das cadeias setoriais, aumento da produtividade e diversificação produtiva.
Os avanços sociais e econômicos observados no Nordeste nos últimos anos precisam ser compreendidos nesse contexto. A ampliação do emprego e da renda, a redução da pobreza e da insegurança alimentar e a expansão de políticas habitacionais e de infraestrutura não aconteceram por geração espontânea. Resultam de uma combinação de políticas públicas, direitos sociais conquistas e mudanças sobre o direcionamento da política econômica.
Bolsa Família, Isenção Tributária, BPC, previdência rural, interiorização das universidades federais, Pé de Meia, Farmácia Popular, Mais Médicos, políticas de acesso à água (Programa das Cisternas), apoio à agricultura familiar (Pronaf e o Programa de Aquisição de Alimentos e ), investimentos em infraestrutura (PAC, NIB) e programas habitacionais (Minha Casa Minha Vida), compõem esse conjunto. São instrumentos que ajudam a sustentar a renda, ampliar direitos sociais e criar condições para que as famílias permaneçam em seus territórios, inclusive diante de adversidades climáticas. Aliás, entre 2012 a 2016 vivemos uma das maiores secas nos últimos 100 anos. Sabe quantos migrantes ou mortos pela secas tivemos? Nenhum. Ao contrário, mesmo com a seca houve um movimento de retorno demográfico ao Semiárido. Ela (a seca) passou despercebida, fruto das políticas públicas implementadas ao longo dos anos 2000 no governo Lula.
Isso não significa ignorar os limites dessas políticas, tampouco afirmar que os problemas históricos do Nordeste foram superados. A região continua enfrentando desigualdades profundas, baixa renda relativa e importantes desafios de transformação produtiva. Mas reconhecer esses limites é muito diferente de desconsiderar os avanços alcançados.
Nesse último mandato o governo Lula trouxe avanços expressivos em alguns desses indicadores, como aumento de 16,1% do rendimento domiciliar per capta, crescimento de 13,9% da massa salarial e expansão de 5,1% dos empregos no Nordeste. Crescimento de renda e emprego é sinônimo de redução da pobreza, que caiu 7,6 pontos percentuais entre 2022 e 2024, e da fome com declínio de 4,1% para 3,2% dos domicílios da região. Em níveis nacionais, a taxa de desemprego no nordeste chegou a mínimas históricas de 6,6% e a taxa de analfabetismo caiu para 11,1%, . Ademais, houve ampliação de 4,1% nos investimentos sobre o saneamento chegando a R$ 4,96 bilhões e, entre 2024 e 2026(até o momento), R$ 13, 8 bilhões de investimentos pelo programa Minha Casa Minha Vida, retraindo o déficit habitacional na região.
Ignorar esses dados é desconsiderar décadas de reflexão sobre a economia brasileira e regional, é esquecer do importante papel das políticas públicas ao desendolvimenro regional.
Diante desses desafios que precisamos ampliar a discussão científica sobre o desenvolvimento regional: como ampliar a capacidade de produzir, reter e reinvestir o excedente econômico? Como transformar exportações em cadeias produtivas mais diversificadas, empregos de qualidade e melhores condições de vida? Como reduzir a dependência de decisões tomadas fora dos territórios?
Cabe então perguntar: vocês realmente acreditam que a prosperidade do Nordeste virá de gorjetas?
Voltaremos a depender da suposta benevolência estrangeira, que tanto teria contribuído para desenvolver nosso país (sic!)? Faça-me o favor...
O desenvolvimento de uma região não se constrói com caridade, mas com transformação estrutural, políticas públicas, investimento, trabalho e ampliação de direitos.
Pelo Nordeste, que não cabe na gorjeta de ninguém, pelas políticas públicas, e pelo anseio de um Brasil mais justo, que voto 13, voto em Lula.
Guilherme Lopes - UFMT
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Postado por rogerio almeida às 10/25/2026 06:16:00 AM 0 comentários
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Postado por rogerio almeida às 10/25/2026 06:03:00 AM 0 comentários






