Em 2025 o Estado Brasileiro foi condenado em corte internacional por violar os direitos humanos das populações quilombolas do município
Ocorre amanhã, 17, a partir das 9h, no auditório Wilson Fonseca, na
unidade Rondon, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), a conferência
sobre a cidade de Alcantara, no estado do Maranhão perante a Corte Interamericana
de Direitos Humanos.
O quilombola e professor Davi Pereira Júnior, professor do Programa
de Pós-Graduação em Cartografia Social (PPGCSPA), da Universidade do Estado do
Maranhão (UEMA) será o palestrante. A
iniciativa é do curso de Antropologia da Ufopa, em particular da professora
Juliene dos Santos, igualmente quilombola.
A cidade de Alcântara
O monocultivo de algodão no século XVIII conferiu singularidade econômica
e política ao município de Alcantara, no estado do Maranhão. A antiga aldeia
Tapuitapera entrou em colapso com a consagração da abolição de escravos e a
alteração do cenário de mercado de algodão.
Localizada no litoral ocidental do estado, a baia de São Marcos a
separa da capital de São Luís. Cogita-se
que a cidade abrigue pelo menos 150 povoados integrado por populações de
remanescentes de quilombo.
Notória pelo acervo colonial e a festividade do Divino Espírito
Santo, realizado entre os meses de maio e junho e mais de 300 edificações coloniais
em 1948, a cidade foi reconhecida como Patrimônio Nacional após tombamento
pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O município considerado um museu a céu abeto volta à cena mundial
nos anos 1980, ainda durante a ditadura empresarial-militar, quando o governo decide
em instalar na cidade tipicamente povoada por remanescentes de quilombo, uma
base de lançamento de foguetes espaciais, o Centro de Lançamento de Alcântara
(CLA).
A decisão promoveu a expropriação das populações quilombolas, privando-os
de terras para produzir e de acesso a recursos hídricos. O embate entre as
populações locais e o Estado persiste desde então.
A instalação do projeto privou centenas de famílias de pescadores, agricultores,
marisqueiros, extrativistas e artesãos
de garantia de sua reprodução econômica, política, social e cultural.
Tensões que são reativadas conforme a alteração do governo em
inúmeras tentativas em turbinar a iniciativa, a exemplo de efetivar convênios
com países estrangeiros, como foi o caso com a Ucrânia e os Estados Unidos.
Em 2025, o Estado Brasileiro foi condenado em corte internacional
por violações de direitos humanos contra as populações quilombolas. Saiba mais
AQUI
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