Frequento a Feira Pan-Amazônica do Livro há cerca de 15 anos, na condição de autor ou de simples leitor, participando da programação, lançando livros, prestigiando amigos escritores e acompanhando os debates na "Arena Vozes do Livro".
Nesse tempo, colecionei anedotas, confraternizações e também alguns episódios tristes. Um deles nunca esqueci.
Certa vez, um escritor paraense me confessou a angústia de estar na Pan sem o prestígio oficial e a divulgação quase sempre reservados aos autores de fora. Do Estande dos Escritores Paraenses, ele assistia à multidão passar atrás de best-sellers, gastando Cred-livro com autores que não estavam nem aí para a Amazônia, enquanto sua banquinha recebia, vez ou outra, a visita de uma carapanã ou de uma mosca.
O desamparo foi tamanho que ele teve vontade de levar seus livros a um corredor central do Hangar e incendiá-los. Talvez, diante do fogaréu, as pessoas e a máquina pública finalmente enxergassem a condição do escritor no Pará.
Ouvi e não julguei. Conheço bem essa sensação de invisibilidade na Pan.
Lembrei dessa história hoje, ao folhear jornais paraenses e encontrar os holofotes voltados à visita de Djamila Ribeiro, autora que já li, respeito e admiro. O problema, evidentemente, não é o espaço dado a ela — merecidíssimo por sinal. É perceber que dificilmente um escritor paraense recebe a mesma atenção para falar de sua obra — seja em eventos desse porte, seja na própria Pan-Amazônica.
Não queremos apagar a luz de quem vem de fora. Queremos apenas que alguma luz também alcance quem escreve (d)aqui.
Nessas horas, dá vontade de ligar para aquele amigo e dizer:
— Se este ano te der aquela vontade de novo, manda um zap. Levo os meus também para engrossar a chama. Provavelmente, não surtirá efeito algum, mas, ao menos, faremos um sarau na delegacia.
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