O engenheiro Romário Moia morreu na unidade da Hidro de Barcarena/PA, no fim de março
O Sindicato dos Químicos de Barcarena contesta a postura da
Norsk Hydro sobre as circunstâncias do falecimento do eletricista Romário Moia,
de 28 anos, que sofreu um acidente dentro das dependências da empresa no dia 30
de março, quando realizava serviço de manutenção pela empresa terceirizada em
que trabalhava, a DTA Engenharia. A Norsk Hydro trata o fato como uma
ocorrência e não como acidente de
trabalho. Já a DTA Engenharia estaria atribuindo a morte do trabalhador a um
mal súbito.
Colegas de trabalho contam que encontraram Romário caído
junto a um gerador de energia, equipamento em que estava fazendo manutenção, e
que suas botas estavam com o solado derretido, o que evidencia que ele teria
sofrido uma descarga elétrica. Também relatam que o trabalhador já estaria sem
vida. Em nota, a Hydro declara que o trabalhador foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila
dos Cabanos, município de Barcarena, onde, depois do atendimento, teria
falecido.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Abaetetuba atesta
que o trabalhador sofreu uma eletroplessão (morte causada por descarga
elétrica), mas o documento não está sendo levado em consideração pelos
representantes das empresas.
O Sindiquímicos destaca que em casos desta natureza a
legislação determina que a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa)
faça reunião sobre o fato em até 48 horas. A reunião só foi realizada no dia
dia 2 de abril, cerca de 72 horas depois, por provocação do Sindicato.
A mobilização para essa reunião deve ser feita pela
presidência da Cipa, que hoje é ocupada uma representante da empresa. A reunião
foi virtual com a participação de apenas quatro de seus 30 componentes, além de
representantes do Sindicato. "Ou seja, não houve nem quórum e muitos
questionamentos ficaram sem respostas, aumentando ainda mais as dúvidas sobre o
ocorrido", frisa o presidente do Sindiquímicos, Marcos Lobato.
Na reunião, os representantes da Nosrk Hydro não conseguiram
explicar por que Romário estava realizando o serviço sozinho, quando a NR 10
determina que o trabalho deve ser realizado em dupla. Outra norma que parece
ter sido infringida é a de que a manutenção só pode ser realizada depois de
cortada toda a corrente elétrica do equipamento.
Os representantes da empresa basicamente se limitaram a
reafirmar que Romário faleceu na UPA e que as causas do trágico acidente ainda
estão sendo investigadas, negando-se a aceitar as informações do laudo do IML
de Abaetetuba.
O Sindiquímicos lembra que este não é um caso isolado. Há
cerca de um ano, um trabalhador
terceirizado também sofreu uma descarga elétrica fatal ao realizar
serviços mecânicos nas dependências da Nosrk Hydro. Da mesma forma que ocorreu
com Romário, a empresa levou a vítima para a UPA, onde foi atendido e depois
teria falecido, segundo a versão da empresa. Este caso foi tratado como mal
súbito e a família até hoje luta para receber o seguro de vida.
A entidade sindical chama atenção para o fato de que se
trabalhadores morrem nas dependências da Nosrk Hydro, de acordo com a
legislação, as consequências são maiores financeiramente e, principalmente,
para a imagem da empresa.
"O comportamento
da diretoria local da Nosrk Hydro nestes casos demonstra uma total falta de
humanidade, de desprezo pela vida das pessoas. Estão preocupados com os prejuízos financeiros e com a imagem
da empresa no exterior. Quando se registra morte dentro da empresa o seguro
pago às famílias é maior e a imagem internacional fica abalada, o que também
acarreta prejuízos", enfatiza Marcos Lobato.
Por isso, completa o sindicalista, fazem de tudo para evitar
que sejam registradas mortes nas dependências da fábrica. O diretor financeiro
do Sindiquímicos, Gilvandro Santa Brígida, ressalta ainda que as atitudes dos
representantes da empresa no Pará vão na direção contrária dos valores que a
Norsk Hydro defende. "Agimos com respeito pelas pessoas e pelo meio
ambiente, priorizando a segurança em todas as nossas operações", diz o
site da companhia.
"A empresa 'vende' valores, uma ideia para a sociedade,
mas na hora de fazer valer esses valores ela joga às favas. Para manter lucro e
a imagem, terceirizam atividades, infringem normas de segurança e tentam se
livrar das responsabilidades, enquanto familiares a amigos sofrem com perdas
irreparáveis"", destaca Santa Brígida.
Os dirigentes sindicais reiteram que o Sindiquímicos está
acompanhando de perto as investigações que estão sendo realizadas pela Polícia
Civil da Vila dos Cabanos.






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