Neste sábado (18) a Comuna CEPASP promoveu um glorioso evento, denominado Sarau de Todas as Lutas, que contou com a brilhante participação dos poetas e poetisas Fran Cerqueira, Bertin Di Carmelita, Joari Procópio, Eliane Soares, João Martins (Peixinho), Lara Borges, Cláudia Chini, Franklin Hipólito e Clei Souza. Compareceram também ao evento o artista plástico Félix Urano (Tibirica), a companheira Auricélia Arapium, liderança indígena da região do Tapajós, acompanhada da Vivi Reis, vereadora do PSOL em Belém, que passavam por Marabá, e muitos outros companheiros e companheiras de lutas, formando um público de quase 50 pessoas do inicio ao término da programação.
A
programação foi realizada em três belíssimos momentos, o primeiro com a
declamação de poesias na área da Feira Camponesa Comunal, o segundo no espaço
de usos múltiplos, Albertina Sandra Moreira dos Reis, com o lançamento do
último trabalho do Clei Souza, e um momento de músicas animado por valiosos
artistas comuneiros: Jorginho, Joari, Peixinho, Rafael e Rogério. Animaram
também, tocando e cantando, Wanderlei Padilha, Simone Contente, Angélica
Miranda e Claudia Chini. E quase no final ainda chegou para contribuir com a
animação o guitarrista Helbert. A atividade também contou com a venda de
artesanatos, brechó, licores comunais, doce artesanal e panelada.
No
início, do primeiro momento, o companheiro Raimundinho, em nome da Comuna
CEPASP, fez uma valorosa homenagem póstuma ao poeta Ademir Braz (Pagão), a quem
foi dedicado o sarau, lembrando de suas convivências com o também já falecido
Ademir Martins, por longos tempos entre dias e noites pela cidade de Marabá. E
finalizou declamando o poema de Ademir Braz, A Terra:
Brilham os gomos de terra
E voam aves de chumbo;
No ventre teso das águas
Foge a corte de boiunas
É março no sudoeste
No signo dessas águas
A sina dos retirantes
Há cinza nos olhos claros
Sombras escuras na cara
A boca cheia de sal
A ruiva ave do tempo
Presa na teia dos ventos
Roi muros de pedra e cal
Os poemas
declamados trataram de diversas temáticas da sociedade, e principalmente da
região sudeste do Pará, como patriarcado, sobre a cidade, mulheres em lutas, luta
camponesa, indígena, mineração, meio ambiente, Guerrilha do Araguaia,
violência....
Sobre o
patriarcado:
“Renuncio
ao patriarcado em mim
Sua
herança ilusória de poder
Ao suposto
controle do gênero
Da raça...
Do
outro...
A promoção
da violência
A
escravidão comercial...”
(do poema Carta
de Renúncia, Joari Procópio).
Sobre a
cidade:
“Marabá
Uma terra
quase ilha
Mesopotâmia
tropical
No meio
dos rios, uma trilha
Feita de
sangue, suor, lágrimas, mel
e sal
Babilônia
onde reinam os reis da terra
Na boca, o
progresso e o bem
geral”
(do poema
MARABELA[Preciosa], Eliane Soares).
Sobre o
saque dos minérios:
“Nos
trilhos vão, lá se vai decidido o trem.
Que
carrega a gente, o ferro, o ouro e o apito.
Que seca a
rica jazida e à floresta cala o grito,
Que cerra
aos faróis para quem no seu rastro vem.”
( do poema
O trem, João Martins).
Sobre
mulheres:
“Não
espero príncipe nem permissão.
Eu sou a cena, o ato, o enredo.
Sou a
autora que risca, reescreve,
e publica
a própria vida em voz alta.”
(do poema
Protagonista, Lara Borges).
“A
sociedade subscreve e exige
mulheres
boas, comportadas, silentes, mansas...
Manipula
mentes, pulveriza
que o
contrário é feminazi, mal depilada, mal amada
feminista
do mal...
Não
sejamos essas mulheres
[fetiche
do sistema patriarcal
(do poema
FETICHE, Fran Cerqueira).
Sobre a
Guerrilha do Araguaia:
“Pássaros
grandes
Que
vomitavam homens
E cuspiam
insetos de fogo
Mudaram as
regras do jogo
Ditadas
por pássaros de menor porte
E na
agonia azul da morte
Andorinhas
eram subjugadas, submetidas
Até
abrirem o bico, do papagaio...
Pro
curió.”
(do poema
SERRA DAS ANDORINHAS, Bertin Di Carmelita).
Sobre o
meio-ambiente:
“Pelo
caminho, passa um mar branco ruminando, rebanhos que avançam como se fossem
ondas de algodão. Eles ocupam o lugar do silêncio, e eu penso na castanheira
que ficou sem irmãs.” (da crônica Entre a Pressa e o Conselho, Claudia Chini).
Sobre
Gabriel Pimenta:
“...tombaste
na batalha
pelo que
professaste
(não em
vão):
a quem
trabalha
pão,
paz e
terra
mas agora
eis o teu
milagre da multiplicação:
outros
nomes em teu nome
vão
vencendo a guerra.”
(do poema
CANÇÃO PRO ARCANJO GABRIEL PIMENTA, Clei Souza).
O balanço feito, por muitos que procuramos
ouvir, sobre o evento foi de que foi muito bom e necessário. “Eu acredito que
esse sarau da Comuna pode ser realizado umas três vezes no ano e virar tradição
porque foi muito bacana” (Bertin Di Carmelita).
Nós, da Comuna, também avaliamos que foi uma
atividade muito bem participativa, com muita vontade de fazer acontecer por
todos e todas, que de forma generosa contribuíram, tanto poetas e poetisas como
artistas e demais que compareceram para prestigiar. Os conteúdos dos poemas
foram de alto nível de consciência política, questionadora, provocadora e
denunciadora das opressões vividas pelos povos, e principalmente a classe
trabalhadora. Em termos de visual, além do cartaz de publicização do sarau, foi
colocada uma faixa com a consigna: Viva a Luta Anti-Imperialista.
Enviado por Thiago Martins






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