sábado, 25 de abril de 2026

Comuna Cepasp: Vitorioso Sarau de Toas as Lutas


Neste sábado (18) a Comuna CEPASP promoveu um glorioso evento, denominado Sarau de Todas as Lutas, que contou com a brilhante participação dos poetas e poetisas Fran Cerqueira, Bertin Di Carmelita, Joari Procópio, Eliane Soares, João Martins (Peixinho), Lara Borges, Cláudia Chini, Franklin Hipólito e Clei Souza. Compareceram também ao evento o artista plástico Félix Urano (Tibirica), a companheira Auricélia Arapium, liderança indígena da região do Tapajós, acompanhada da Vivi Reis, vereadora do PSOL em Belém, que passavam por Marabá, e muitos outros companheiros e companheiras de lutas, formando um público de quase 50 pessoas do inicio ao término da programação.

A programação foi realizada em três belíssimos momentos, o primeiro com a declamação de poesias na área da Feira Camponesa Comunal, o segundo no espaço de usos múltiplos, Albertina Sandra Moreira dos Reis, com o lançamento do último trabalho do Clei Souza, e um momento de músicas animado por valiosos artistas comuneiros: Jorginho, Joari, Peixinho, Rafael e Rogério. Animaram também, tocando e cantando, Wanderlei Padilha, Simone Contente, Angélica Miranda e Claudia Chini. E quase no final ainda chegou para contribuir com a animação o guitarrista Helbert. A atividade também contou com a venda de artesanatos, brechó, licores comunais, doce artesanal e panelada.



No início, do primeiro momento, o companheiro Raimundinho, em nome da Comuna CEPASP, fez uma valorosa homenagem póstuma ao poeta Ademir Braz (Pagão), a quem foi dedicado o sarau, lembrando de suas convivências com o também já falecido Ademir Martins, por longos tempos entre dias e noites pela cidade de Marabá. E finalizou declamando o poema de Ademir Braz, A Terra:

Brilham os gomos de terra

E voam aves de chumbo;

No ventre teso das águas

Foge a corte de boiunas

 

É março no sudoeste

No signo dessas águas

A sina dos retirantes

 

Há cinza nos olhos claros

Sombras escuras na cara

A boca cheia de sal

 

A ruiva ave do tempo

Presa na teia dos ventos

Roi muros de pedra e cal

 

Os poemas declamados trataram de diversas temáticas da sociedade, e principalmente da região sudeste do Pará, como patriarcado, sobre a cidade, mulheres em lutas, luta camponesa, indígena, mineração, meio ambiente, Guerrilha do Araguaia, violência....



 

Sobre o patriarcado:

“Renuncio ao patriarcado em mim

Sua herança ilusória de poder

Ao suposto controle do gênero

Da raça...

Do outro...

A promoção da violência

A escravidão comercial...”

(do poema Carta de Renúncia, Joari Procópio).

 

Sobre a cidade:

“Marabá

Uma terra quase ilha

Mesopotâmia tropical

No meio dos rios, uma trilha

Feita de sangue, suor, lágrimas, mel

e sal

Babilônia onde reinam os reis da terra

Na boca, o progresso e o bem

geral”

(do poema MARABELA[Preciosa], Eliane Soares).

 

Sobre o saque dos minérios:

“Nos trilhos vão, lá se vai decidido o trem.

Que carrega a gente, o ferro, o ouro e o apito.

Que seca a rica jazida e à floresta cala o grito,

Que cerra aos faróis para quem no seu rastro vem.”

( do poema O trem, João Martins).

 

Sobre mulheres:

“Não espero príncipe nem permissão.

 Eu sou a cena, o ato, o enredo.

Sou a autora que risca, reescreve,

e publica a própria vida em voz alta.”

(do poema Protagonista, Lara Borges).

 

“A sociedade subscreve e exige

mulheres boas, comportadas, silentes, mansas...

Manipula mentes, pulveriza

que o contrário é feminazi, mal depilada, mal amada

feminista do mal...

Não sejamos essas mulheres

[fetiche do sistema patriarcal

(do poema FETICHE, Fran Cerqueira).

 

Sobre a Guerrilha do Araguaia:

“Pássaros grandes

Que vomitavam homens

E cuspiam insetos de fogo

Mudaram as regras do jogo

Ditadas por pássaros de menor porte

E na agonia azul da morte

Andorinhas eram subjugadas, submetidas

Até abrirem o bico, do papagaio...

Pro curió.”

(do poema SERRA DAS ANDORINHAS, Bertin Di Carmelita).

 

Sobre o meio-ambiente:

“Pelo caminho, passa um mar branco ruminando, rebanhos que avançam como se fossem ondas de algodão. Eles ocupam o lugar do silêncio, e eu penso na castanheira que ficou sem irmãs.” (da crônica Entre a Pressa e o Conselho, Claudia Chini).

 

Sobre Gabriel Pimenta:

“...tombaste na batalha

pelo que professaste

(não em vão):

a quem trabalha

pão,

paz e terra

mas agora

eis o teu milagre da multiplicação:

outros nomes em teu nome

vão vencendo a guerra.”

(do poema CANÇÃO PRO ARCANJO GABRIEL PIMENTA, Clei Souza).

 

O balanço feito, por muitos que procuramos ouvir, sobre o evento foi de que foi muito bom e necessário. “Eu acredito que esse sarau da Comuna pode ser realizado umas três vezes no ano e virar tradição porque foi muito bacana” (Bertin Di Carmelita).

 

Nós, da Comuna, também avaliamos que foi uma atividade muito bem participativa, com muita vontade de fazer acontecer por todos e todas, que de forma generosa contribuíram, tanto poetas e poetisas como artistas e demais que compareceram para prestigiar. Os conteúdos dos poemas foram de alto nível de consciência política, questionadora, provocadora e denunciadora das opressões vividas pelos povos, e principalmente a classe trabalhadora. Em termos de visual, além do cartaz de publicização do sarau, foi colocada uma faixa com a consigna: Viva a Luta Anti-Imperialista.

Enviado por Thiago Martins

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