quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

PAC: obras rodoviárias e de geração de energia são as mais problemáticas

A Advocacia Gera da União (AGU) informa através de relatório anual que dentro do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), as obras rodoviárias e de geração de energia são as mais problemáticas.

Maranhão : fazendeiro escraviza trabalhadores e dribla a lei


O juiz Marcelo Testa Baldochi, da Comarca de Pastos Bons (MA), e o pecuarista Miguel de Souza Rezende são acusados pelo crime de reduzir trabalhadores à condição análoga à de escravo. Em substituição à juíza titular da Comarca de Senador La Rocque (MA), o magistrado envolvido com trabalho escravo tomou uma decisão que, segundo a promotora Raquel Chaves Duarte Sales, acabou atendendo aos interesses do fazendeiro Miguel, réu em processo de exploração de mão-de-obra escrava.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O futuro da energia


O Ministério de Minas e Energia colocou sob Consulta Pública o Plano Decenal de Expansão de Energia 2008-2017. Trata-se de um importante instrumento de planejamento para o País porque procura estimar a demanda de energia para os próximos 10 anos e avaliar os novos empreendimentos necessários para gerá-la. Ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva analisa o futuro da energia.

A pecuária e o desmatamento na Amazônia


Relatório divulgado hoje pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia (Imazon) mostra que o rebanho bovino na Amazônia Legal representa 36% do gado em todo o país, um crescimento de 88% entre 1990 e 2006. Denominado "A Pecuária e o Desmatamento na Amazônia na Era das Mudanças Climáticas", o estudo revela que a pecuária é a principal ocupação das áreas desmatadas na Amazônia e que deve ser prioridade das políticas públicas para a redução da emissão de gases de efeito estufa.

Maranhão - Quilombolas vencem rixa com agência espacial

Uma disputa entre tradição secular e alta tecnologia terminou com vitória da primeira. As comunidades tradicionais quilombolas do município de Alcântara, no Maranhão, venceram uma querela judicial por terras travada com a AEB (Agência Espacial Brasileira) que, em 1983, instalou uma base de lançamento de foguetes na área. Os povos descendentes de quilombolas foram formados por escravos fugidos na época da escravidão e, de acordo com os moradores do local, instalados na região há mais de três séculos. Saiba mais na página do Fórum Carajás

Trabalho escravo: habeas corpus de fazendeiro é julgado hoje no MA

Miguel Rezende, fazendeiro recordista em manter trabalhadores em condições análogas à escravidão vai ter pedido de habeas corpus julgado na manhã de hoje em São Luís.
As fazendas de Rezende ficam no município de Açailândia, oeste do Maranhão.
O Maranhão é top em trabalhadores libertados em todo o país.
A região, uma área de atuação da Vale é marcada pela implantação de grandes projetos, como monocultura de eucalipto, pólo de gusa, pecuária e carvoarias.
O nome de Rezende figura em todas as listas do Ministério Público do Trabalho (MPT).
Setores populares da região visam rever os passivos sociais e ambientais provocados pelos grandes projetos.
Os mesmos estão mobilizados no coletivo Justiça nos Trilhos que realiza seminário durante o FSM.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Jornalismo na Amazônia

Foto: Nanani Albino

Lúcio Flávio Pinto é um jornalista passado na casca do alho. A expressão final é uma forma local de designar pessoas com experiência naquilo que fazem.


Ao apagar da luzes de 2008 colocou dois livros na praça. Um trata sobre a Memória do Cotidiano, seção do quinzenal Jornal Pessoal que edita desde 1987.

A seção se dedica a recuperar fatos relevantes ocorridos no Pará ou na Amazônia. O petardo possui 225 páginas.

Já o segundo agrupa artigos que se debruçaram a analisar a agressão que o autor sofreu do executivo do grupo Organizações Rômulo Maiorana (ORM), Ronaldo Maiorana, no dia 21 de janeiro de 2005.

O grupo ORM repete o sinal da TV Globo e edita o periódico O Liberal. Rádios AM e FM, Delta Publicidade e mais um portal completam o portifólio.

Imprensa e violência na Amazônia batiza o libelo de 186 páginas.

Mesmo dividindo o tempo em visitas na Justiça por conta de inúmeros processos que responde, Pinto anuncia o lançamento de mais um rebento ainda em janeiro.

Segundo ele a Vale vai ser um dos temas centrais debatidos na obra.

O jornalista já tratou do assunto num livro lançado em 2003, CVRD: a sigla do enclave.

O delicado território do FSM

Guamá, Terra Firme e Jurunas são bairros naturalizados como zonas de marginalidade da cidade de Belém.

Os cadernos de polícia dos diários locais e programas de cunho popular de rádio e TV reforçam o estigma.

Algo similar da imagem que se construiu das favelas do Rio de Janeiro, onde se equaciona: morou numa delas é bandido.

Os bairros citados acima integram o que será entre os dias 27 de janeiro a 01 de fevereiro o território do FSM.

A coordenação local do evento realizou ações em todos os bairros. A mesma esclarece que foi possível dá visibilidade a aspectos latentes das comunidades, como a cultura.

O Guamá, considerado o mais populoso de Belém, por exemplo, goza de excelente reputação quando se trata de manifestações culturais.

Tal característica rendeu um projeto de extensão da UFPA. Ali estão escolas de sambam, quadrilhas juninas, boi-bumbá entre outras manifestações.

Mas, todos sabem que também o cenário dos bairros é impregnado de bocas de fumo.

Não são raros assaltos a estudantes. Por essas e outras a violência encontra-se na agenda do dia.

Militares da força nacional já estão em Belém e a imprensa local, mobilizada pela morte de um médico e procurador do município, não poupam a cúpula de segurança do governo estadual.

Fossem os mortos “presuntos” da periferia exibidos como se fossem animais nas páginas policias a indignação seria tanta?

É tempo de chuva em Belém

Foto: Renato Chalu

É tempo de chuva em Belém. Ontem as águas tomaram toda a tarde.

As favelas aqui são tratadas como baixadas, são elas os locais que mais padecem no inverno.

Mas, o centro antigo também tem suas dores quando as chuvas encharcam a cidade.

È comum as ruas que levam ao Ver o Peso ganharem ares de rios.

A cidade cresceu sobre os rios e igarapés.

Belém se verticaliza e a sucessivos verões parece mais quente.

As mangueiras estão carregadas e as crianças ainda gozam férias.

Melhor assim, o transporte coletivo, precário ao extremo, fica menos lotado.

As nuvens do céu sinalizam que pode chover mais tarde.

Dudu- o prefeito trapalhão

No dia do aniversário da cidade o prefeito, Duciomar Costa, vulgo Dudu (PTB) escafedeu-se.

Segundo informações da assessoria foi a Brasília tentar driblar o bloqueio de 40 milhões da União.

O motivo do bloqueio não foi informado.

Dudu, em sua segunda administração, mostra-se ás em derrapagens quando se trata de aspectos legais.

Outro dia comprou carros e motos para a guarda municipal com recursos destinados para a saúde.
Certa vez tentou socorrer seus pares comprando com recurso público um falido empreendimento do setor de saúde sem licitação pública.

Um secretário disparou que as máquinas destinadas para a manutenção da macro-drenagem do canal do Tucudumba haviam sido repassadas para uma empresa de um funcionário lotado no gabinete do prefeito.

As celebrações no dia do aniversário da cidade teve como protagonista a governadora Ana Júlia Carepa (PT).

Mas, o que Dudu poderia apresentar para a cidade?

As obras de saneamento da rodovia Augusto Montenegro, uma das principais vias de Belém estão paralisadas desde o resultado da pleito municipal.

A Caixa Econômica Federal bloqueou os recursos.

Vai investigar, mas uma capotagem em prestação de contas e contra-partida.

Velas para Belém!

Rua Siqueira Mendes- dizem que aqui foi o começo de tudo











A fé e o rio conduzem Santa Maria de Belém do Grão Pará, o nome oficial da capital do Pará, Belém. Uma moça de 393 anos erguida por portugueses na foz do rio Amazonas em 12 de janeiro de 1616 na terra dos índios Tupinambás.
Praça da República, Centro da Cidade. Sempre cheia aos domingos.



Francisco Caldeira Castelo Branco comandava a expedição dos colonizadores. Aqui todo mês de
outubro uma população estimada em 1,5 milhão de pessoas pára para celebrar a Virgem de Nazaré. A principal manifestação religiosa do Estado.
Belém é quase uma ilha. Dos 505.823 km2, 332.037 km2 é região insular (65,64%), formada por 43 ilhas. Sob um clima quente úmido, numa temperatura média de 30º C, é o comércio que faz cidade se mover economicamente.
Baía do Guajará


A hidrografia é rica: baias, rios igarapés e furos. Tanto em sua parte continental quanta na insular. Baia do Guajará, Baia do Marajó, Baia de Santo Antônio, Baia do Sol, Rio Guamá, Rio Murubira, Rio Mari-Mari, Igarapé do Tucunduba são alguns dos recursos que compõem a península.
Aqui lendas e história pulsam na mesma intensidade. Curupira, Boiúna, Boto, Matinta Pereira, Vitória Régia, Mapinguari figuram como alguns dos mitos amazônicos. A Revolução Cabanagem erguida e coordenada por populares entre 1835/1840, onde 30 mil pessoas morreram soa como orgulho.

O ciclo da borracha -conhecido como belle-époque-, ocorrido segunda metade do século XIX, ergueu na capital do Pará exuberantes teatros, parques, palácios de fina estampa. A Europa serviu de modelo de urbanismo.

FSM: Comitê Dorothy homenageia missionária morta em 2005

O Comitê Dorothy informa que as atividades com vistas ao FSM estão a pleno vapor. No dia 28 haverá a exibição do documentário: Mataram Dorothy, às 16h, na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

No campo da memória o Comitê manterá durante o FSM na sede do POEMA/UFPA, uma exposição de alguns mártires da terra. A irmã Margarida esclarece que a maior parte do acervo vai ser sobre a vida da missionária estadunidense.

Ainda no dia 28 o Comitê,junto com outras organizações ligadas à Igreja Católica e movimentos camponeses realizará uma mística na capela da UFPA. Para a irmã Margarida será um momento único, posto a atenção do planeta sobre a região.

Irmã Dorothy foi executada no município de Anapu, sudoeste do Pará em fevereiro de 2005.

Bida, Vitalmiro de Bastos, o único acusado de mando que chegou a ser preso, julgado e condenado a 30 anos de prisão, foi absolvido num segundo julgamento em maio de 2008.

A religiosa da Comissão Pastoral da Terra (CPT) foi executada pelos pistoleitos Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista.

Os únicos envolvidos no caso que estão presos.

O fazendeiro Regivaldo Pereira, vulgo Taradão, acusado da encomenda da morte de Dorothy foi preso em dezembro sob suspeita de grilagens de terras.

FSM : qual a contribuição histórica?

Qual a contribuição do FSM para a História?

Ainda se faz necessária a metodologia adotada em aglutinar milhares de pessoas em centenas de seminários e oficinas? Rovai analisa

CASO ADVOGADO GABRIEL PIMENTA: Comissão Interamericana da OEA admite processo contra o Governo Brasileiro

Em 17 de outubro de 2008, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) admitiu o caso Gabriel Sales Pimenta contra o Estado Brasileiro. O relatório de admissibilidade nº. 73/08 foi o resultado de uma denúncia apresentada pelo Centro pela Justiça e Direito Internacional (CEJIL) e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) da diocese de Marabá em 8 de novembro de 2006.

Os fatos do caso em tela remontam ao ano de 1982, quando o advogado e defensor de direitos humanos Gabriel Sales Pimenta foi vítima de homicídio na cidade de Marabá, localizada na região sudoeste do Estado do Pará. O assassinato ocorreu num contexto de violência relacionado com os conflitos decorrentes da luta pelo acesso à terra no Brasil.

Representante legal do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Marabá e sócio fundador da Associação Nacional dos Advogados dos Trabalhadores da Agricultura, Gabriel Sales Pimenta foi o primeiro advogado da história de Marabá a conseguir cassar, no Tribunal de Justiça do Pará, uma liminar “ilegal e abusiva” da Comarca de Marabá que havia permitido a expulsão das 158 famílias das terras de “Pau Seco” e, consequentemente, a reintegração de todas elas ao lote.

Após várias ameaças de morte por parte do fazendeiro que se afirmava proprietário de Pau Seco, Gabriel foi assassinado em 18 de julho de 1982. Baseando-se em evidências apuradas, o inquérito policial concluiu que o fazendeiro Manoel Cardoso Neto (Nelito) foi o mandante do crime, tendo como intermediário José Pereira da Nóbrega (Marinheiro) e executor Crescêncio Oliveira de Sousa. O processo criminal começou sua tramitação em 1983, se arrastou por longos 23 anos na comarca de Marabá, nenhum dos acusados foi a júri popular. Em 2006, após a prisão de Nelito que estava foragido, o Tribunal de Justiça do Estado do Pará decretou a extinção do processo em razão de prescrição. O processo se encerrou com o triunfo da impunidade!

No seu relatório de admissibilidade, a Comissão Interamericana referiu-se à “falta de diligência” do Estado Brasileiro “em investigar de modo eficaz” os fatos do caso do assassinato de Gabriel Sales Pimenta e “punir os responsáveis por esse crime”. Da mesma forma foi relevada a “suposta falta de prevenção da privação da vida da vítima”, tendo esta sido “motivada por suas atividades como líder sindical”.

O CEJIL e CPT consideram de extrema importância a admissibilidade do caso Gabriel Sales Pimenta tendo em vista que é um caso emblemático por evidenciar problemas que infelizmente continuam fazendo parte da realidade brasileira, como a gravidade da violência no campo e a criminalização de movimentos sociais, colocando em risco a vida e a integridade física de defensores de direitos humanos no Brasil.

Devido à prescrição do processo, a CPT de Marabá, protocolou também uma representação perante o Conselho Nacional de Justiça – CNJ contra o Tribunal de Justiça do Estado do Pará e os Juízes que atuaram no caso. A CPT espera que essa representação não tenha o mesmo caminho que o do processo criminal, o da impunidade!

Marabá/Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 2009. Comissão Pastoral da Terra – CPT diocese de Marabá, Pará. Tel: (094) 3321-2229 e 9141-8484. Centro pela Justiça e Direito Internacional (CEJIL) – Rio de Janeiro.Tel: +55(21) 2533-1660 e 2517-3280

Instituto Latino-Americano de Agroecologia: a pedra fundamental

Durante a realização do Fórum Social de Carajás, entre 24 a 27 de janeiro no município de Parauapebas, sudeste do Pará, 120 pessoas de vários cantos do mundo devem participar do lançamento da pedra fundamental do Instituto Latino-Americano de Agroecologia.

Em especial jornalistas estrangeiros.

O lançamento está previsto para ocorrer na amanhã do dia 26, no projeto de assentamento Palmares. Aleida Guevara, José Bové, ambientalista francês e Mônica Baltodano, militante nicaragüense devem prestigiar o evento.

PROTOCOLO DE INTENÇÕES
50 hectares do projeto de assentamento Palmares, localizado no município de Parauapebas, fazem parte do protocolo de intenções assinado ano passado para a construção da estrutura física do Instituo.

A construção do Instituto integra a agenda de ação da Via Campesina no sentido da construção de um modelo de educação libertadora. A iniciativa tem como inspiração as experiências já existentes na Venezuela e no município de Lapa, no Paraná.

O protocolo foi assinado em 2008 quando da visita do presidente da Venezuela, Hugo Chavez ao Brasil. O documento foi celebrado entre o governo venezuelano, o governo do Pará, a prefeitura de Parauapebas e o MST.

O Instituto de Agroecologia será dedicado ao bioma Amazônia, esclarece Ulisses Manaças, militante do MST no Pará e membro da coordenação nacional.

A princípio a prioridade é dedicar o espaço a filhos e filhas de camponeses dos nove países que integram a Pan-Amazônia. Manaças informa que com o decorrer do planejamento haverá aprofundamento do diálogo com as universidades locais.

MAIS ESCOLA
Uma outra iniciativa no campo da educação é a Escola Agrotécnica a ser construída também num projeto de assentamento do MST, o 26 de Março. O PA foi criado após quase uma década de ocupação da fazenda Cabaceiras, no município de Marabá, sudeste do Pará.

A presente fase descortina uma nova etapa do processo de luta pela terra na região considerada uma das mais tensas do país.

Se nas décadas de 1970 e 1980 a inquietação camponesa se concentrava na conquista da terra, o instante vivido indica um cenário de preocupação sobre o modelo de desenvolvido a ser o orientador da agricultura camponesa na região, a agroecologia.

A escola é a primeira estrutura a ser erguida quando do processo de ocupação de um latifúndio. Com isso milhares de pessoas conseguiram sair do analfabetismo e mesmo chegar a um curso superior.

Tais ações do campo da educação nunca são pautadas pela imprensa considerada grandalhona.

Novidade? Ainda na década de 1980 uma associação entre a Universidade Federal do Pará (UFPA) e alguns sindicatos de trabalhadores rurais da região deu vida ao Centro Agro-Ambiental do Tocantins (CAT).

O CAT pode ser considerado como o embrião da Escola Família Agrícola (EFA), com sede em Marabá. A EFA adota a metodologia da alternância, onde os períodos na escola são divididos com a vivência no campo.

O professor Jean Hébette, com mais de 30 anos de pesquisa na região foi um dos protagonistas da experiência.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Sudeste do Pará vai sediar instituto Latino-Americano em agroecologia

A Amazônia é o jardim do homem- Darci Ribeiro
Várias mobilizações localizadas precedem à realização do Fórum Social Mundial (FSM), que ocorre em Belém, entre os dias 27 de janeiro a 01 de fevereiro.

Nos dias 25 e 26, no município de Parauapebas, sudeste do Pará, um fórum vai realizar um debate sobre o modelo de desenvolvimento para a região.

A Via Campesina, coletivo internacional de organizações camponesas é um dos mobilizadores do debate. A expectativa é a reunião de 40 jornalistas internacionais, quando será lançado Instituto Latino-Americano de Agroecologia.

O instituto será uma espécie de universidade voltada para a formação de agrônomos para a agricultura familiar. As regiões sul e sudeste do Pará registram uma aguda presença da agricultura familiar.

As regiões possuem cerca de 470 projetos de assentamento (PA), com uma população estimada em 70 mil famílias.
O Massacre de Eldorado de Carajás em 1996 pode ser considerado como um marco para a efetivação dos PA´s em larga escala.

Além de camponeses disputam o controle sobre a terra e os recursos naturais grandes mineradoras, a exemplo da Vale, populações indígenas, fazendeiros, garimpeiros, madeireiros entre outros.

Na tensa fronteira os indicadores sobre desmatamento, trabalho escravo, chacina de camponeses, impunidade desnudam os passivos sociais e ambientais internalizados por conta dos grandes projetos implantados através da política de renúncia fiscal do Estado desde o regime militar.

A latitude que integra a bacia do Araguaia-Tocantins é um dos eixos de integração das macros políticas de integração do governo Lula.
Em Marabá, município pólo da região, por exemplo, pretende-se a construção de mais uma grande hidrelétrica no rio Tocantins.

Criação de novos Estados aumenta gastos públicos

Gasto por habitante no DF é o maior do país; Acre compromete maior percentual do PIB

A divisão de estados para criação de novas unidades da federação acarretaria o aumento de gastos públicos, mostra estudo do Ipea.

O Distrito Federal tinha, em 2005 (ano da consolidação dos dados nacionais mais recentes), o maior gasto por habitante. Paradoxalmente, por ser a União o ente federativo que mantém, por exemplo, o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Defensoria Pública, a unidade com menor gasto em relação ao PIB é justamente o Distrito Federal, que compromete apenas 8,51% do seu PIB.

"Os casos extremos são o Acre, que compromete 37,27% do seu PIB com o funcionamento da máquina pública estadual, e, na posição oposta, São Paulo, Santa Catarina e Paraná, cujos gastos não atingem 14% do PIB", afirma Rogério Boueri, autor do Texto para Discussão "Custos de funcionamento das unidades federativas brasileiras e suas implicações sobre a criação de novos estados".

A partir das contas de cada unidade da federação, o trabalho calculou os gastos públicos estaduais na formação de novos estados. E o resultado é mais peso no bolso do cidadão. Um novo estado teria em média custos fixos de R$ 832 milhões anuais.

Boueri analisou cada uma das propostas no Congresso Nacional entre 1998 e 2008, em termos de população, área, produto interno bruto (PIB) e gastos estaduais. "Em alguns casos, o gasto público estimado superaria o total da produção local, demonstrando flagrante inviabilidade econômica para a criação da unidade", afirma o pesquisador.

Das propostas de criação de 16 novos estados desde 1998, dois Projetos de Decreto Legislativo (PDCs) - o DC nº 570/2008 e o PDC nº 631/1998 - continuam em tramitação.

O PDC no 570/2008 trata da criação do Estado do Triângulo, a partir de 66 municípios do oeste mineiro. O mapa 3 abaixo apresenta a configuração deste estado proposto.
"Quando se considera o aumento de gastos decorrentes da divisão de Minas Gerais, observa-se que tal cisão elevaria em 3,44% os gastos públicos estaduais nos dois estados, comparados aos gastos unificados", observa Boueri.

Já o PDC no 631/1998 propõe a criação do Estado do Rio São Francisco a partir de 34 municípios da Bahia. O mapa 2 abaixo mostra como seria a configuração territorial deste novo estado, que, por algum motivo, não inclui o município de Wanderley, embora esteja no seu interior.


Segundo o pesquisador, "os gastos estaduais conjuntos dos estados do Rio São Francisco e da Bahia seriam 5,77% maiores do que aqueles oriundos de uma Bahia única".

"Novas proposições desta natureza devem ser formuladas de maneira mais consistente no tocante ao conteúdo geográfico, econômico e financeiro, de forma a não onerar o já sobrecarregado parlamento brasileiro com propostas claramente inviáveis", alerta o trabalho. Leia na íntegra o TD 1367, de Rogério Boueri.

IPEA

Ipea diz que Tapajós e Carajás são inviáveis

A proposta de divisão territorial do Pará seria inviável. É o que aponta o estudo “Custos de Funcionamento das Unidades Federativas Brasileiras e suas Implicações sobre a Criação de Novos Estados”, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A pesquisa foi encomendada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), com o objetivo de avaliar o impacto econômico e social que a criação de novos estados acarretaria no país.
Segundo os dados divulgados pelo Instituto, se Carajás, Tapajós e Xingu fossem criados, os novos estados, somados, ficariam com um terço do PIB (Produto Interno Bruto) paraense e com 29% da população estadual. Os gastos públicos dos quatro estados, somados, seriam 36,7% maior que o atual.
A situação mais crítica é a do estado do Xingu, que teria que gastar 100,35% do seu PIB apenas para a manutenção da máquina pública. O estado de Carajás precisaria de 22,52% e de Tapajós 39,04%. No Brasil, os gastos médios dos estados não ultrapassam 12,47% do PIB.

O relatório também destaca que novos estados criados nesta região teriam problemas populacionais. “No Norte do país, os municípios têm uma extensão territorial muito grande, mas, em geral, população pequena.

Com essa configuração, os novos estados seriam pouco povoados e a maioria deles, pouquíssimo populosos”, afirma o relatório. Apenas Carajás teria densidade populacional maior que a média da região, que é de 3,80 habitantes por km².
O Ipea conclui o relatório avaliando que as proposições de novos estados “carecem de fundamentação econômica” pois alguns gastos estimados superam o próprio PIB regional. As propostas que sugeriam a criação dos estados de Carajás, do Tapajós e do Xingu já foram arquivadas, mas ainda existem movimentos regionais favoráveis às idéias.
Diário do Pará

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Ausência

Por motivos alheios à nossa vontade ficamos sem atualizar o blog na derradeira semana.

Na medida do impossível esperamos poder mantê-lo em dia no mês em que se realizará o FSM em Belém.

Aos que costumam visitar o espaço, nossas desculpas.

2008- resumo sobre a Amazônia

Dados divulgados durante o ano de 2008 colocam o estado do Pará como campeão de queimadas, líder em casos de malária na Amazônia e região onde se concentrou o maior número de trabalhadores em condições análogas à escravidão.

Além disso, o Pará apresentou os maiores problemas com grilagem de terras, além de ter disputado com Mato Grosso o título de campeão do desmatamento.

Com base nestes dados, estado teve poucas razões para comemorar. O Pará em apenas um mês perdeu 54 recém-nascidos, que morreram na unidade hospitalar da Santa Casa de Misericórdia.

Segundo os últimos dados divulgados morreram mais de 200 recém-nascidos.

O Estado também foi palco de investigações policiais. Segundo informações da Polícia Federal, Dantas tinha cerca de US$ 800 milhões num fundo de investimentos nas Ilhas Cayman. Para aplicar esse dinheiro no Brasil, o banqueiro teria utilizado a criação de gado para lavar dinheiro.
As informaçoes estão no link http://www.amazonia.org.br/. Além dos dados sobre as chagas que abalam o Pará em particular, o site disponibiliza o resumo sobre os impactos provocados na região sobre as atividades de mineração e pecuária.
Há ainda a polêmica saída da senadora Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente para a entrada do midiático Carlos Minc.
O site não descuidou sobre os enfretamentos travados entre arrozeiros e indígenas em Rondônia, no debate que colocou em xeque a continuidade da reserva Raposa Serra do Sol.
Vale a pena conferir.