quarta-feira, 9 de março de 2016

A Jari faliu, outra vez?

Em dezembro do ano passado a PF realizou busca e apreensão contra a empresa por fraudes no sistema florestal
  
Empate de extrativistas organizada no natal de 2014/R.Almeida
Não se sabe ao certo. Mas, nestes dias Sérgio Amoroso, dono do Grupo Orsa, foi visto no rincão, em Monte Dourado, distrito da cidade de Almeirim, no estado do Pará.

Cogita-se que o mesmo tenha vindo negociar pessoalmente com os funcionários da Jari Florestal. Desde 2014 funcionários realizaram inúmeras paralisações em protesto contra a empresa, e em dezembro do ano passado a empresa teve o selo verde cassado e foi alvo de grande operação da Polícia Federal.

Jari Nebulosa -  Operação da PF, no dia 04 de dezembro, caçou agentes públicos do estado do Pará, Secretaria do Meio Ambiente e Instituto de Terras do Pará (Iterpa), funcionários da Jari, envolvidos em fraudes no sistema de comercio florestal.  .

A ação envolveu buscas e apreensões em 41 endereços ligados a cinco empresas no Pará, São Paulo e Curitiba. Duas pessoas tiveram prisões preventivas decretadas, outras 16 ficaram em prisão temporária e 10 foram conduzidas coercitivamente para prestar esclarecimentos. Leia no MPF

Faturamento bilionário - Um bilhão de reais era a expectativa de faturamento do Jari em 2015. O empreendimento criado pela mega, ultra, multimilionário estadunidense Daniel Ludwig, em 1967, período da ditadura civil-militar, foi turbinado com generoso recursos do poder público.

A Jari, empresa que controla de forma questionável fatia significativa do território amazônico, -1,7 milhão de hectares - numa faixa entre os estados do Pará e Amapá, produz celulose.

Nos dias atuais o controle é do Grupo Orsa, com sede em São Paulo. Sérgio Amoroso é o cacique principal. Amoroso, nascido na cidade de Birigui, tem orgulhoso em ter começado como auxiliar de almoxarifado.

O sobrenome do “bandeirante” contradiz com a ação do empresário com a comunidades locais na região do Jari, em particular com a Comunidade de Pilões, que no natal de 2014 reeditou uma tática de resistência criada pelos seringueiros do Acre, o empate.

A ação é uma prática de enfrentamento contra o grande capital, que historicamente tem espoliada e expropriada o as populações locais. As rusgas entre as partes terá uma audiência de instrução no próximo dia 15.
 
As partes disputam território. A comunidade alega que mora reside há mais de cem anos, em área pleiteia pela empresa.  

Saiba sobre o Empate no Jari em reportagem investigativa publicada no site da Agência Pública AQUI

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