Repercuto aqui entrevista realizada por Elias Pinto, publica no Diário do Pará, do dia 15 de novembro, com a devida autorização do autor. O livro terá lançamento em Belém, no dia 18
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
Memória de Santarém: Lúcio Flávio Pinto lança livro sobre memória de sua cidade natal
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Postado por rogerio almeida às 11/17/2025 07:22:00 AM 0 comentários
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
Assassinatos e impunidade no campo do Pará: 1980-2024: obra será lançada no dia 20, em Belém, na Casa COP do Povo
A obra recupera 45 anos de violação de direitos humanos na luta pela terra e pelo território no Pará, considerado o estado mais letal do País
Antônia Ferreira dos Santos e Marly Viana Barroso quebradeiras de coco babaçu no município de Novo Repartimento, no sudeste paraense, foram brutalmente assassinadas no dia 03 de novembro. No dia 07, às vésperas da abertura oficial da COP 30, o lavrador Sebastião Orivaldo da Fonseca Lopes foi executado no município de Ipixuna do Pará. O agricultor do projeto de assentamento Campo de Boi vinha sendo ameaçado de morte.
As jornadas desenvolvimentistas
impostas para a Amazônia engendraram e naturalizaram as violências como um
componente inerente ao processo de expansão do capital sobre a fronteira
amazônica. Nesta geografia de expropriações, mortes, chacinas e trabalho escravo,
o estado do Pará possui destaque.
O número de pessoas na mira na
bala é incerto. Todavia, somente do Projeto Agroextrativista Lago Grande, na
cidade de Santarém, conta-se 20 pessoas, adverte o Sindicato dos Trabalhadores
e Trabalhadoras Rurais (STTR) do município. Na lista, constam os nomes da
presidente e do vice do STTR, Ivete Bastos e Edilson Figueira, respectivamente.
É justo sobre este drama que a
obra Assassinatos e impunidade no campo no Pará: 1980-2024 lança luzes.
O livro é assinado pelo advogado José Batista Afonso e o historiador e
professor da Universidade do Estado do Pará (UEPA), campus de Marabá, Airton
dos Reis Pereira.
O livro tem a colaboração de
especialistas e representações dos movimentos sociais ligados à luta pela terra,
a exemplo do padre e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de
Janeiro), Ricardo Rezende, do professor da UFPA, Girolamo Treccani, de Luzia
Canuto, do Comitê Rio Maria e de Ayala Ferreira (MST/PA).
O lançamento da obra que registra
45 anos de violência no
campo ocorre no dia 20, a partir das 10h, na Casa COP do Povo, na Travessa da
Piedade, nº 426, Reduto/Centro, em Belém. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e
o Instituo Zé Cláudio e Maria (IZM) são os responsáveis pelo evento.
Sobre o livro – resultado
da vivência e registros da CPT, os quais constam nos arquivos em
Belém, Xinguara, Marabá e Goiânia.
Em suas 800 páginas a obra recupera a morte de anônimos, chacinas e massacres
no Pará ao longo de 45 anos. Ao todo, o livro trata de 1.003 assassinatos. O
ponto de partida dos casos
relatados deu-se com a execução do dirigente sindical e agente da CPT,
Raimundo Ferreira Lima, conhecido como “Gringo”, ocorrido no ano de 1980.
Quatro capítulos conferem corpo à
obra, que saiu pela editora Dialética/SP. O primeiro trata de casos de
camponeses, indígenas e garimpeiros. O segundo trata dos casos das lideranças
assassinadas. Enquanto o terceiro aborda chacinas e massacres, o derradeiro
sublinha execução de peões mortos em
conflitos trabalhistas e em condições análogas à escravidão.
Sobre o mesmo tema, os autores e movimentos sociais do
Pará lançaram em 2022, o Luta pela terra na Amazônia: mortos na luta pela
terra! Vivos na luta pela terra!, igualmente volumoso.
Sobre os autores
Airton Pereira e José Batista são
migrantes que aportaram pelas barrancas do Araguaia em Conceição do Araguaia no
século passado. Foram forjados como pessoas e como profissionais sobre os
auspícios da parcela progressista da Igreja Católica. Nestas lonjuras, o advogado de posseiros e de
sem-terra, frei Henri des Roziers serviu de farol. O francês foi um
destacado defensor de direitos humanos no Pará.
Pereira, natural do estado de
Goiás, chegou a fazer parte do quadro da Comissão da Terra nas dioceses de Conceição Araguaia e
Marabá. Em seguida tornou-se professor da UEPA. Suas pesquisas retratam
as disputas pela terra no sul e sudeste do Pará. Regiões consideradas as mais
letais do país. O professor é autor de inúmeros artigos e livros sobre o
assunto. A tese de doutoramento de Pereira, apresentada na Universidade Federal
de Pernambuco, foi finalista do Prêmio Nacional da CAPES.
José Batista Afonso é advogado da
CPT em Marabá. Já fez parte da direção da instituição. Possui mestrado em Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia pela Unifesspa
(Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará). Milita na região há mais de 30 anos. Entre os
inúmeros processos em que
participou, consta o conturbado processo do Massacre de Eldorado do
Carajás, que ano que vem soma 30 anos.
Serviço:
Assassinatos e impunidade no campo do Pará: 1980-2024
Editora Dialética
800 páginas
Preço: 169,90
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Postado por rogerio almeida às 11/12/2025 05:38:00 PM 0 comentários
quinta-feira, 6 de novembro de 2025
Thiago Martins, artista visual de Marabá, ministra oficina sobre técnicas de lambe e stencil
Entre jovens, adultos e idosos, 20 pessoas participaram
A intervenção denominada de Retratos da Terra, do artista visual, professor e técnico da Unifesspa Thiago Martins foi um dos projetos selecionados no Edital Aldir Blanc, de Marabá.
Pelo menos 20 pessoas entre jovens, adultos e idosos, 20
pessoas participaram do diálogo, ocorrido na Comuna Cepaps, no fim de outubro. A
oficina que tratou sobre as técnicas de lambe e stencil.
A oficina contou com um público diverso, tanto com relação à idade dos participantes, quanto procedência, onde constam pessoas do campo e da cidade, entre camponeses, estudantes, professores e trabalhadores urbanos.
A atividade que durou
um dia, além de apresentar as técnicas, refletiu sobre os cenários do sudeste paraense,
cotejando reflexões sobre a questão agrária, a mineração e seus impactos, em
particular os provocados pela mineradora Vale.
Além das produções individuais, uma obra coletiva homenageou
o dirigente camponês maranhense Manoel da Conceição. Uma referência nacional
pela reforma agrária, educação e o meio ambiente.
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Postado por rogerio almeida às 11/06/2025 04:30:00 AM 0 comentários
sábado, 25 de outubro de 2025
Ameaçado de morte, Darlon Neres, jovem do PAE Lago Grande, vence Prêmio Nacional por defender a floresta
Na noite do dia 23, em São Paulo, Darlon Neres foi escolhido como destaque de jovem ativista do bioma Amazônia, no Prêmio Quem faz a esperança florescer, organizado pela plataforma Chico Vive. Por conta de sua militância, ele tem sido perseguido por um grupo de madeireiros.
Em setembro de 2023 o grupo
de madeireiros foi à casa da família do jovem ambientalista para
intimidá-lo. Os idosos ficaram temerosos pela integridade do
universitário.
Para os defensores do meio
ambientes nestas paragens, sobreviver sob ameaças tem sido uma constante. Em
março do mesmo ano, desta feita na região
de Arapiuns, um pastor ameaçou de morte várias lideranças parelhadas na
defesa do meio ambiente, reforma agrária e direitos humanos.
Neres faz parte de uma lista de 20 pessoas ameaçadas de morte no PAE Lago Grande, no município de Santarém, oeste do Pará.
|
Pessoas
ameaças de morte no PAE (Projeto de Assentamento Agroextrativista) Lago
Grande, Santarém/PA. |
||
|
|
Nome |
Comunidade |
|
01 |
Osvaldo Lima
da Silveira |
Retiro |
|
02 |
Diego do Rosário e Silva |
Retiro |
|
03 |
Ronald Soares da Silva |
Retiro |
|
04 |
Alexandre
Daniel do Rosário |
Bom Jardim |
|
05 |
Valdinho
Nogueira |
Bom Jardim |
|
06 |
Janete Maria
Branco |
Terra Preta dos Viana |
|
07 |
Darlon Neres |
Cabeceira do Marco |
|
08 |
Rosenilce dos
Santos Vitor |
Maranhão |
|
09 |
Edilson
Silveira Figueira |
Maranhão |
|
10 |
Raimunda L.
da Costa Nunes |
Igarapé Açu |
|
11 |
Ricardo dos
Santos Aires |
Membeca |
|
12 |
Ivete Bastos
dos Santos |
Dourado |
|
13 |
Antônio
Oliveira de Andrade |
Aninduba/Bom Futuro |
|
14 |
Siandre da
Silva Batista |
Vila Curuai |
|
15 |
Darleilson de
Sousa Mota |
São José II |
|
16 |
Osmarc dos
Santos Sousa |
Vila Gorete |
|
17 |
Luziete da
Silva Correa |
Coroca |
|
18 |
Sandrielem
Correa Vieira |
Coroca |
|
19 |
Gildson
Santos Braga |
Coroca |
|
20 |
Eliana da
Silva Batista |
Nazário |
Fonte: Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras
Rurais de Santarém/PA, outubro de 2025
Empresas mineradoras, grileiros,
exploradores ilegais de madeira, facções criminosas, políticos e mesmo gente da
própria comunidade constam como os ameaçadores.
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Postado por rogerio almeida às 10/25/2025 08:59:00 AM 0 comentários
sexta-feira, 24 de outubro de 2025
COP 30: Charles Trocate, ativista do Movimento pela Soberania na Mineração analisa as consequências da crise ambiental e as firulas da Conferência.

Charles Trocate, coordenação nacional do MAM. Foto: redes sociais
Poeta, filósofo e doutor Notório
Saber em Geografia Humana pela Universidade Federal da Bahia, (UFBA), professor
visitante no Instituto de Geociências, e da Direção Nacional do Movimento pela
Soberania Popular na Mineração-MAM, Charles Trocate traça nesta entrevista um
rápido panorama dos nossos impasses sobre crise climática e a dívida ecológica.
Neste dedo de prosa, Trocate mobiliza elementos para uma crítica da razão
capitalista, que separou indivíduo e da natureza. Nesta direção, contabiliza a
origem da nossa crise de desenvolvimento pela abundância de natureza dos anos
de 1990 para cá. E, por fim, discorre sobre o problema mineral brasileiro, de
como ele está incontrolável em relação à economia, a natureza e a sociedade.
Alerta que é urgente a organização de uma Conferência Nacional sobre o modelo
mineral brasileiro.
Blog Furo: Charles Trocate, qual
o panorama da crise ecológica e os rebatimentos na sociedade Brasileira?
Charles Trocate: Veja, o estado
do capital é global, a esta altura não há lugar no mundo em que ele não
condicione de algum modo as relações sociais. E ele é global exatamente pela
desordem que ele provoca. O espírito do capitalismo é a desordem e
aniquilamento. Esse diagnóstico já sabemos. No entanto, e este dado não é novo,
é para onde vamos? Tenho dito e acredito dessa forma que se humanamente nós
chegamos até aqui, que socialmente produzimos este individuo, ou se quisermos
especificar, este homem burguês, cheio de penduricalhos privados, este
comportamento social, que podemos denominar de civilização do consumo, baseadas
na propaganda e no credito, só humanamente sairemos destes condicionamentos
orquestrados pelo regime de poder. A ordem das questões é como sair do
labirinto, como acumular força para tal?
Mas pelo menos três questões
devemos levar em conta. Ao invés de
analisar que há uma crise política, ecológica, econômica e social, deveríamos
rapidamente situá-la em sua totalidade. A crise é da razão capitalista razão
que sistematicamente separou indivíduo e natureza pela rolagem perpétua do
capital, esta fórmula social, de extração, transformação e consumo. Criação de
novas necessidades e de novo a rolagem se externaliza, ou se muda por completo,
ou se é aniquilado. Não se pode controlar as partes. Imaginando construir a
partir disso outra sociabilidade, outro senso comum. Neste caso, para o
argumento não ficar pela metade de todas as fases do capitalismo, quem mais
aprofundou esta operacionalização do capital foram as fases do seu
desenvolvimento monopolista e imperialista, tendo os EUA desempenhado papel
fundamental nesta última. Mas hoje a tônica dos EUA é a antiglobalização, com
um governo nativista e nacional chauvinista. Uma segunda questão é a de que
para levar adiante essa perspectiva, o capital como produto das relações
sociais maximiza as inúmeras funções do Estado, aquelas que neste momento, no
nosso caso de Estado subalterno e subsoberano, objetifica a natureza,
cientifica e precifica a natureza. Nesta
exata conjuntura, o Estado e a sua representação formal, governo e congresso
decidem por quanto vão precificar a natureza. Neste caso os minerais
necessários a expansão energética global, veja o caso da recente decisão para a
extração de petróleo na foz do Amazonas.
Blog furo: e a terceira questão?
Charles Trocate: Sim, claro, ela
diz respeito de que a inevitabilidade da razão capitalista, assim posta nos
levou a esta crise sentida em todos os seus aspectos, e daí duas grandes
formulações decorrem para explicá-las. Entramos no antropoceno, período geológico
quando um ser humano genérico mudou a idade geológica da terra mais do que todas
as forças naturais juntas, ou a que afirma que ao invés, estamos no
capitaloceno, de que se há um modo de produção social que mais moldou o mundo a
sua imagem e semelhança. Em face que sua forma de ser provocou rupturas e
fissuras metabólicas a vida planetária este modo é o capitalismo em que o
desenvolvimento das forças sociais produtivas e as revoluções tecnológicas e o
descontrole delas extrapolaram o limite natural do planeta terra. Estamos vivendo a sexta extinção em massas,
nenhuma antes, foi provocada pelos humanos, esta sim.
Blog Furo: quais destas
implicações sentimos, mais a fundo, em especial no Brasil?
Charles Trocate: Devemos recordar
que aderimos ao neoliberalismo nos anos 1990 e executamos profissionalmente os
seus termos, privatização do estado público, adesão ao rentismo, a implosão da
natureza brasileira pelas commodities. Isso
não é pouca coisa. Isso é exatamente a linha de demarcação da crise climática e
social e do colapso ambiental radicalizado que estamos vivendo. Isto tudo junto
vai caracterizar melhor os impasses e eles são assombrosos. Eles derivam da
taxa de lucro crescente as do capital sobre economias nacionais. No brasileiro,
em forma de pagamentos de juros que imobilizam e deterioram as funções do
Estado e de governos. Colapso ambiental em face do modelo econômico, gestão da
crise por medidas paliativas e adesão voluntária às políticas imperialistas.
Além disso parecem não ter nexos a vida boa das elites mediante o sofrimento da
população.
Blog Furo: Então vamos lá,
transição ou expansão energética?
Charles Trocate: Terminamos o
século vinte com o argumento de que o planeta estava esquentando e era preciso esfriá-lo.
A forma para isso era combinar esforços globais. A tese, ou a vontade escolhida
em comum acordo era de esfriar o planeta aos patamares dos anos de 1900,
diminuir até 2050 dois graus Celsius. E, assim , descarbonizar a indústria
mundial, e para isso o método escolhido foi realizar a “Conferência das
Partes”, a que ocorrerá em Belém, no próximo mês será a de número 30. O ânimo
para algum acordo satisfatório é baixíssimo. No entanto, como léxicos
dominantes começamos a repetir dois novos conceitos políticos que nada dizem
sobre a nossa sociedade, o da “emergência climática” e o da “transição
energética”. Eles sustentam ideologicamente a premissa de “adaptação às
mudanças climáticas” e a “mitigação dos danos”. O clima, assim como o território
é uma produção social. O uso desigual do
clima é uma decisão política e isto se consolida cada vez mais no paradoxo da
descarbonização, descarbonizar para que? Para o livre arbítrio da mercadoria e
da financeirização? Estamos sequestrados por esta perspectiva, e devemos
urgentemente sair dela, pois está posta por inúmeros organismos hegemônicos
como a única saída e não será. A urgência não é interrogar o futuro, mas de
saber que o passado está ficando grande demais em relação a ele. E, aqui entra
o negacionismo e o nacionalismo climático como medida absoluta para nos dizer
que o capitalismo é eletrointensivo no uso de energias, e que não haverá acordo
algum. Cabe a nós saber que a ordem dos
fatores, para além de longas explicações, que não precisamos mudar de fontes
energéticas precisamos mudar o sistema que fagocita as energias vitais da
terra. O multilateralismo precisa mudar de forma para mudar de conteúdo. A
prerrogativa aqui se inclui, a delicada
situação da geopolítica internacional, a vigência de novos consensos que
ultrapasse as marcas nada auspiciosas do presente.
Blog Furo: e neste amaranhado de
coisas como fica as Amazônias?
Charles Trocate: Pois bem, acaba
de ser lançado um livro e de caráter dominante sobre a “Nova Economia da
Amazonia”. Ele deduz a região à economia. Os argumentos giram sob o tripé,
bioeconomia, mineração inteligente e agronegócio. Isso é espantoso. A Amazônia
ou as Amazônias, como preferia o professor Carlos Walter Porto Gonçalves, nesta
etapa de acumulação capitalista é funcional ao sistema mundo de produção de
mercadorias. Ela está encurralada por esta perspectiva e pesa o fato, de estas
reverberações estarem em sintonia com os modelos hegemônicos de transição
energética, na política e nos investimentos transnacionalizados. Sobretudo
agora, muito se tem dito e muito se argumentará sobre o lugar da região e da
floresta no equilíbrio do clima. A floresta é construção social e o resto é
balela, mas, são estonteantes os dados que a modernidade da supressão lhe impõe.
Há mesmo uma dívida ecológica incalculável com a região, e que é tão pouco a ideia de chegamos
ao ponto do não retorno da floresta. A Amazônia se transformou numa zona de
acumulação intensiva de capital. A literatura indica que é preciso ir além, não
por ser um depositório de carbono espetacular, mas o de produzir rios voadores,
cuja as consequências, entre elas, a de se conectar com os demais biomas entre
outras virtuoses. Neste ponto até poderia ser emblemático. Até poderia ser
interessante a realização da Conferência das Partes, a COP30, na Amazonia. Mas, as contingências do modelo tornam isso um
desprestígio para a região, quando a interrogação não passou se Belém tinha ou
não condições para realizar tal evento. Perdemos tempo demais neste ponto. E, eles
venceram, não porque vão boicotar, seja ela pela discussão, seja na não discussão.
Contudo, os adventos que levaram a decisão da COP30 ser realizada na Amazônia
são os mesmos que valeram quando ela for em qualquer lugar. Não existe uma
sintonia com a realidade do que podemos chamar de ruptura metabólica global!
Blog Furo: E o problema mineral
brasileiro, quais são as tarefas do
Movimento pela Soberania Popular na Mineração diante da intensividade da
indústria extrativa da mineração?
Charles Trocate: Veja, de maneira
exemplificada, podemos dizer que o problema mineral brasileiro tem três
características imediatas. A de ser organizado sempre de fora para dentro. Ele
é estruturado na sua forma de decidir sempre de maneira antidemocrática e por
consequência, seja lá onde for a decisão de implementá-lo, gerar o
desenvolvimento do subdesenvolvimento. São
estas características que vão fazê-lo desde que vendemos o modelo estatal em
1997, esta incontrolável a economia, a natureza e a sociedade na sua forma e
nos seus resultados. Exatamente por isso, dizemos que o problema mineral
brasileiro produz afetações na economia nacional, a minério dependência nas
zonas de mineração, ao mundo do trabalho da mineração e aos consumidores. Uma
vez que quem consome não pode ficar ileso de como os minerais são arrancados do
subsolo. De maneira geral saímos do nosso II Encontro Nacional, realizado este
ano, refletindo sobre os novos e velhos
impasses dos minerais críticos, a guerra da transição energética afirmando a
necessidade de debater com a sociedade a função social do subsolo. Acrescentamos a necessidade de uma
geodiversidade popular, ou seja, a garantia para fins não mineráveis de quem
tem a posse do território, possa ter do subsolo também. A nossa política permanente reside em territórios livres de mineração, a
democratização da renda mineral e o controle público do modelo mineral. E para
esta conjuntura mensurar a necessidade pelas características dos debates e das
proposições em relação aos minerais críticos a expansão energética o papel de
uma Conferência Nacional sobre o setor de uma realidade que diz respeito a
sociedade brasileira, em um dos muitos que seus resultados poderiam produzir,
sobre escala e ritmo da mineração, era de um conselho ampliado para reorganizar
a política mineraria nacional.
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Postado por rogerio almeida às 10/24/2025 06:38:00 AM 0 comentários
quarta-feira, 22 de outubro de 2025
Cepasp, comuna de Marabá/PA, celebra memória dos ativistas Ademir Martins e Beta Moreira
Cepasp existe desde os anos de 1980. Em 2024 somou 40 anos de peleja
No dia 18 de
outubro tivemos a reabertura do Ponto de Cultura Comuna Cepasp e inauguração de
dois novos ambientes: a Biblioteca Popular Ademir Martins e o Salão Multiuso
Beta Moreira. Homenagem ao casal de companheiros fundadores do Centro de
Educação, Pesquisa, Assessoria Sindical e Popular – CEPASP, organização que
abriga o espaço cultural.
A reabertura contou com a presença de familiares, amigos e companheiros de luta do casal e foi marcada pelas lembranças dos primeiros encontros e amizades com os homenageados e momentos importantes da luta popular na região.
A reforma e criação de novos espaços é fruto de um projeto selecionado pelo edital EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO Nº 003/2025 - OBRAS, REFORMAS E AQUISIÇÃO DE BENS CULTURAIS, da Política Nacional Aldir Blanc -PNAB, organizado pela Secretaria de Cultura de Marabá/PA.
![]() |
| Cerimônia de inauguração dos espaços com familiares dos homenageados e fundadores do Cepasp. |
O Edital teve como objetivo selecionar espaços, ambientes e iniciativas artístico-culturais para receber subsídios destinados a obras, reformas e aquisição de bens culturais, com o intuito de fortalecer a infraestrutura cultural de Marabá/PA.
Além da reforma, o projeto contou com aquisição de equipamentos e uma campanha de arrecadação de livros. A iniciativa arrecadou mais de 300 exemplares oriundos de doações individuais e de organizações, dentre elas a Estação Cultural de Marabá e do youtuber e professor João Carvalho.
CEPASP - referência em inúmeras pesquisas sobre a região de Carajas, dentro e fora do país, o Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular, emergiu no rebojo da redemocratização do país. Em 2024 somou 40 anos. Educadores, militantes, leigos, trabalhadores rurais, extrativistas, dentre outras categorias fizeram ou fazem parte da iniciativa. Saiba mais AQUI
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Postado por rogerio almeida às 10/22/2025 07:51:00 AM 0 comentários
quinta-feira, 16 de outubro de 2025
MPF recorre para que obras de porto em Santarém (PA) sejam demolidas e empresa pague danos morais coletivos
Desde os anos 2000, quando a Cargill ergueu o porto na orla da cidade ao arrepio da Lei, a toada tem se repetido
O Ministério Público Federal (MPF) entrou com recurso, na última terça-feira (14), contra uma sentença da Justiça Federal considerada contraditória pelo órgão ministerial. A decisão judicial anulou as licenças ambientais para a construção de um terminal portuário às margens do Lago do Maicá, área de extrema importância ecológica e social em Santarém (PA). No entanto, negou os pedidos de demolição das estruturas já construídas e de condenação da empresa por danos morais coletivos. Leia mais no site do MPF
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Postado por rogerio almeida às 10/16/2025 10:08:00 PM 0 comentários
ASSASSINATOS NA FAZENDA MUTAMBA COMPLETAM UM ANO SEM RESPONSABILIZAÇÃO DOS CULPADOS
O caso da Fazenda Mutamba envolve suspeita de apropriação de terras públicas, trabalho escravo e violências contra os sem terra
No dia 11 de outubro de 2024, Adão
Rodrigues de Sousa, 53 anos, casado, pai de 05 filhos e, Edson Silva e
Silva, foram assassinados, por policiais civis da Delegacia de Conflitos
Agrários (DECA) de Marabá, chefiados pelo então delegado, Antônio Mororó. Os
policiais chegaram ao local onde ocorreram os crimes, por volta das quatro
horas da manhã. Cerca de 18 trabalhadores se encontravam dormindo em redes em
um barracão coletivo. Dois deles já estavam acordados preparando um café quando
foram surpreendidos com os gritos dos policiais “perdeu, perdeu”,
seguido de rajadas de tiros. No desespero e na escuridão cada um tentou se
escapar como pôde dos tiros. O resultado foram dois mortos, vários feridos à
bala e quatro presos.
Os quatro presos, em depoimento
prestado perante o Ministério Público, confirmaram que os trabalhadores rurais
foram surpreendidos pelos policiais que já chegaram atirando. Acordados com
rajadas de tiros naquela hora da madrugada e na escuridão, não houve qualquer
chance de se defenderem mesmo que tivessem um arsenal de armas. Só deu tempo de
correr para escapar da morte. Ainda em depoimento, contaram que os policiais
atiraram com as espingardas encontradas nos barracos para incriminar os
trabalhadores mortos ou presos.
A alegação do delegado Mororó de
que se tratava de uma operação para cumprir mandados de prisão e de buscas era
apenas um pretexto para cometer os crimes. O discurso do delegado era que se
tratava de uma organização criminosa fortemente armada, envolvida em venda
ilegal de madeira, roubo de gado, entre outros crimes. O resultado da operação
que envolveu dezenas de policiais, várias viaturas, dois helicópteros, foi a
apreensão apenas de 7 espingardas cartucheiras e algumas munições. Nenhuma arma
pesada, nenhum motosserra, nenhum caminhão de madeira, nenhum gado roubado,
nada mais!
A operação criminosa chefiada pelo então
delegado Mororó teve o mesmo modus operandi de uma outra ocorrida na
fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco, em 2017. Ali, sob o pretexto
de cumprir mandados de prisão e de buscas contra supostos criminosos, as
polícias civil e militar assassinaram 10 trabalhadores no que ficou conhecido como
o Massacre de Pau D’Arco.
Denunciado pelos movimentos
sociais e entidades de direitos humanos por sua atuação perante à DECA de
Marabá, a decisão da Secretaria de Segurança Pública do Estado foi tão somente
a promoção na carreira de Mororó. Inicialmente ele foi promovido a responsável
pela Seccional Urbana de Marabá e, no dia 15/09/2025, foi promovido a
Superintendente Regional do Sudeste do Pará. Os crimes compensaram!
Mas o delegado Mororó não se
contentou apenas com esse posto. Ele exigiu também manter o controle da DECA de
Marabá. Com a saída dele dessa especializada, assumiu como titular o delegado
Vannir que estava fazendo um trabalho sério e respeitoso, atuando com
independência, tanto em relação aos fazendeiros quanto aos movimentos sociais.
Tinha grande capacidade de diálogo e mediação, evitando o agravamento dos
conflitos. Por essa razão, não agradava aos fazendeiros e a Mororó os quais o
acusavam de muita tolerância com as ações dos movimentos sociais de luta pela
terra. Em meados de julho, Vannir foi afastado do comando da delegacia por
pressão de fazendeiros da região, articulados com Antônio Mororó. A alegação do
grupo foi que Vannir se negava a cumprir determinações de interesse dos
pecuaristas. Não teve qualquer denúncia de ilegalidades ou desvios de conduta
praticados pelo delegado. A razão foi exclusivamente política.
O delegado Mororó não esconde
para ninguém as suas relações viscerais com os latifundiários da região.
Qualquer chamado desse grupo ele está pronto a atender. Por outro lado, quando
se trata de apurar os assassinatos de trabalhadores rurais não tem o mesmo
interesse. Conforme dados da CPT, nos últimos 10 anos, 15 assassinatos
ocorridos na área de atribuição da DECA de Marabá, as autorias das mortes não
foram esclarecidas. Embora criada com a atribuição de investigar os crimes no
campo, quando ocorre um homicídio de trabalhadores os casos são encaminhados
para outras delegacias. Para dificultar o monitoramento das organizações dos
trabalhadores, é decretado segredo de justiça nas investigações. Assim, tem
casos com mais de cinco anos sem inquérito concluído. A última chacina,
ocorrida em 25/07/2025, na região do Assentamento Coco II, no município de
Itupiranga, é um exemplo. Três trabalhadores acampados foram emboscados por uma
milicia armada. Foram torturados, assassinados e seus corpos queimados dentro do
carro que trafegavam. As investigações, a cargo da delegacia de homicídios de
Marabá, não foram concluídas e ninguém foi responsabilizado pelas mortes. Na
verdade, a Delegacia de Conflitos Agrários se transformou em delegacia de
proteção ao latifúndio.
Por outro lado, as famílias que
ocupam a fazenda Mutamba há vários anos, vivem sob a ameaça de despejo. Em
2024, não foram despejadas porque o então juiz da Vara Agrária, Amarildo
Mazutti, autorizou o despejo sem que o processo fosse encaminhado para a Comissão
de Soluções Fundiárias, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal
(STF). Em julgamento de recurso, o Ministro Cristiano Zanin determinou a
suspensão do despejo. Nova data para o despejo foi marcada para o último dia 06
pelo juiz Jessiney que substitui Amarildo. Novamente não foram atendidas as
recomendações da Comissão, razão pela qual, o mesmo Ministro determinou nova
suspensão a pedido da Defensoria Pública. A esperança das famílias é que o
INCRA possa promover a desapropriação da fazenda e encaminhar o assentamento
das famílias.
A fazenda Mutamba, de propriedade
da família Mutran, se assenta sobre um antigo castanhal que foi desmatado
criminosamente para formação de pastagem. Há ainda suspeita de terra pública em
parte do complexo. Já foi flagrada com trabalho escravo no início dos anos 2000
e, atualmente, é ocupada por mais de 200 famílias ligadas ao MST.
Por fim, a pergunta principal é?
O assassinato dos dois trabalhadores na fazenda Mutamba, as tentativas de
homicídios e as torturas vão ficar impunes? A julgar por outra chacina ocorrida
em São Félix do Xingú, em 2020, onde o ambientalista Zé do Lago, sua esposa e
filha foram assassinados, até hoje ninguém foi responsabilizado pelas mortes, o
resultado pode ser o mesmo: A impunidade!
Marabá, 11 de outubro de 2025.
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST. Federação dos
Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares – FETAGRI.
Federação dos Trabalhadores Rurais na Agricultura Familiar – FETRAF.
Comissão Pastoral da Terra – CPT. Instituto José Cláudio e Maria – IZM.
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SDDH.
Coletivo Veredas.
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Postado por rogerio almeida às 10/16/2025 06:05:00 AM 0 comentários
quarta-feira, 15 de outubro de 2025
Açaí na berlinda: relatório da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Pará aponta alternativas para a garantia de segurança alimentar e renda aos mais frágeis da cadeia produtiva.
38 instituições debateram entre março a outubro sobre gargalos e alternativas da cadeia produtiva do fruto. Atravessadores, assaltantes, ausência de assistência técnica, questão sanitária, crédito são alguns dos problemas a serem superados.
Em outubro de 2025 o mandato parlamentar estadual de Carlos Bordalo (PT/PA), que preside a Comissão de Direitos Humanos, da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), apresentou à sociedade o relatório sobre a crise de abastecimento do açaí no estado. Ele resulta de atividade de um grupo de trabalho (GT) que aglutinou prefeituras, ONGs, universidade, instituições públicas relacionadas com a questão, associações, cooperativas, sindicatos e vendedores do fruto. As atividades ocorreram entre março a outubro de 2025.No rol constam,
entre outras representações: prefeituras de Cametá, Igarapé Miri, Marituba,
Barcarena e Acará. Entre as instituições públicas fizeram parte da jornada de
construção do documento: Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará),
Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Departamento de Vigilância Sanitária de Belém (DEVISA)
Casa do Açaí e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese).
No caso da
sociedade civil, colaboraram: Instituto Açaí é Nosso (IAN), Instituto
Ver-o-Peso, Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras
Familiares do Pará (Fetagri), Federação das Cooperativas da Agricultura
Familiar do Pará (FECAF), Malungu, Cooperativa Agroindustrial Frutos da
Amazônia (Coafra); e representando a universidade, a Clínica de Combate ao
Trabalho Escravo da UFPA. Ao todo, 38 instituições integraram o GT, onde
constam o poder público de várias instâncias, empresas, produtores, entidades
de classe e membros da sociedade civil organizada.
Segundo o
documento, o horizonte do GT residia em identificar alternativas sustentáveis e
viáveis para a produção e comercialização e a garantia do equilíbrio da cadeia produtiva,
bem como o acesso ao produto considerado essencial para a população paraense. O
documento considera como uma alternativa estratégica a adoção da bioeconomia
como parâmetro. As indicações de
alternativas foram realizadas em alinhamento com os ODS (Objetivos de
Desenvolvimento Sustentáveis).
Leia a íntegra do documento AQUI
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Postado por rogerio almeida às 10/15/2025 11:52:00 AM 0 comentários
quarta-feira, 17 de setembro de 2025
UFMA sedia evento internacional sobre políticas públicas
Em uma conjuntura atravessada por inúmeras crises (capital, civilizatória, ambiental e humanitária), iniciou ontem, 16, em São Luís, Maranhão, a XXII da Jornada Internacional de Políticas Públicas (Joinpp), no Campus do Bacanga, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com o tema guarda chuva "Imperialismo, colonialismo, racismo, guerras: balanço e perspectivas emancipatórias".
A mesa de abertura do evento notabilizado
como um dos mais importantes do continente, teve em sua mesa de abertura no auditório
do Centro Pedagógico Paulo Freire as professoras doutoras Claude Serfati, da
Universidade de Versailles/França; e Rosane Borges, da PUC São Paulo. Borges é
uma egressa do curso de Comunicação da UFMA, e uma referência no debate sobre racismo.
Veja a programação do evento AQUI
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Postado por rogerio almeida às 9/17/2025 07:40:00 AM 0 comentários
terça-feira, 16 de setembro de 2025
Justiça do Trabalho condena JBS por subnotificação de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho em unidades no Pará
A Justiça do Trabalho condenou a JBS S/A ao cumprimento de uma série de obrigações para regularização das comunicações de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho em suas unidades no Pará. A decisão foi proferida pela 3ª Vara do Trabalho de Marabá, em ação civil pública (ACP) movida pelo Ministério Público do Trabalho no Pará e Amapá (MPT PA-AP). Leia íntegra AQUI
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Postado por rogerio almeida às 9/16/2025 05:53:00 AM 0 comentários











