segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Cenas de Belém
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Postado por rogerio almeida às 12/15/2008 08:23:00 PM 0 comentários
Fui no Tororomba
Trata-se de terras que foram de sesmarias. Cheia de barões disso e daquilo, mundo de águas retrato pelo escritor Dalcidio Jurandir, na obra Chove Sobre os Campos de Cachoeira.
O autor que celebra o centenário de nascimento em 2009 será homenageado pela escola de samba Quem São Eles, de Belém. A agremiação de samba vem realizando debates sobre a obra de Jurandir.
Expressões intelectuais de ponta do Pará como os professores da Universidade Federal do Pará (UFPA), Paes Loureiro e Benedito Nunes já desfilaram informações na Quem São Eles.
Antes da semana findar espero poder postar a matéria sobre a intrépida viagem ao Marajó na rabeta Raposa - uma pequena embarcação regional- compartilhada pela professora Rosa Acevedo e mais oito colegas.
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Postado por rogerio almeida às 12/15/2008 07:31:00 PM 0 comentários
Movimento Xingu Vivo Para Sempre mantém mobilização na região
No derradeiro fim de semana o município de Porto Moz recebeu o coletivo e representações dos governos federal e estadual, organizações de pesquisa e os ministérios público federal e estadual para debater a polêmica obra de barramento do Rio Xingu. O evento em Moz foi articulado pelo Comitê de Desenvolvimento de Porto de Moz.
O município fica na margem direita do Xingu e ganhou notoriedade internacional por conta de exploração ilegal de madeira no ano de 2002. O contexto da época foi marcado por ações violentas e ameaças de morte.
Muitos casos de violência e ameaças de morte foram denunciados. O “Relatório Nacional de Direitos Humanos e Meio Ambiente”, apresentado por autoridades brasileiras ao alto comissário de direitos humanos da ONU em abril de 2003, escolheu Porto de Moz para reunir testemunhos e acusações de vítimas afetadas por grilagem e violência, incluindo assassinatos.
A Vila Carmelino foi considerado o caso mais grave. O madeireiro Gerson Campos, que era prefeito (PSDB), foi um dos mais ferozes opositores dos movimentos sociais, ambientalistas e de defesa dos direitos humanos.
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Postado por rogerio almeida às 12/15/2008 06:46:00 PM 0 comentários
MPF quer um basta ao desmate nos assentamentos do sudeste do Pará
Para o MPF, o Incra e - com o apoio da assistência técnica - as famílias assentadas deveriam reflorestar a cada três anos pelo menos um décimo da área de reserva legal. Para fiscalizar se essa medida será cumprida, Mazzoni propõe à Justiça que seja exigida do Incra a comprovação por meio de imagens de satélite.
Como está hoje a situação ambiental dos assentamentos do sul e sudeste do Pará
· O ritmo anual de desmate nessas áreas é de 3%, enquanto que esse índice nos demais assentamentos na Amazônia não passa de 1,8% ao ano
· Assentamentos não têm licenças ambientais
· Não há nenhum assentamento com reserva legal averbada em cartório
· Todos os projetos de desenvolvimento e recuperação de assentamentos entregues até o final de 2006 não possuem informações ambientais mínimas necessárias ao licenciamento ambiental
· Somente em 0,8% dos assentamentos sob a gestão do Incra/SR-27 estão sendo executados planos de desenvolvimento ou recuperação do assentamento
· Menos de 1% das famílias adquire créditos com orientações técnicas para extrair riqueza da floresta em pé
· Assessoria técnica, social e ambiental inexistente
· Financiamento e fomento a atividades sem precaução ambiental
· Nos assentamentos, o desmatamento, em média, corresponde a 70% da área, enquanto a legislação estabelece um limite máximo de 20% do terreno
O que o MPF propõe como compensação pelos danos ambientais causados pelo Incra
· Inclusão dos assentamentos no programa de monitoramento do desmatamento da Amazônia via satélite
· Recuperação das áreas desmatadas nos assentamentos, especialmente aquelas situadas nas áreas de Reserva Legal (RL) e Áreas de Preservação Permanente (APPs). Caso a recuperação da reserva legal seja efetivada, em 30 anos seria recomposta uma área equivalente a quase 20 vezes a cidade de São Paulo (área dos assentamentos criados entre 1987 e 2006: 36.930 km2; 80% do território a ser recuperado: 29.544 km2; extensão da cidade de São Paulo - 1.525 km2, segundo o IBGE)
· Recomposição da reserva legal mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas
. Substituição proporcional de atividades como a pecuária por atividades sustentáveis em assentamentos
· Condicionamento da liberação de recursos ao desempenho de atividades ambientalmente adequadas
· Desenvolvimento de Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS), Projetos de Assentamento Extrativista (PAE) e Projetos de Assentamento Florestal (PAF).
· Emissão de declarações de Aptidão ao Pronaf (DAPs) apenas para a linha Pronaf Florestal, permitindo outras espécies de créditos apenas com adequação ambiental
· Promoção da educação, com assistência técnica adequada, para a utilização de qualquer crédito pelos assentados
· Promoção da política de participação dos assentamentos na cadeia produtiva do biodiesel
· Providenciar o ingresso dos assentamentos no mercado de créditos de carbono, instituído sob o Protocolo de Quioto
Veja o mapa dos assentamentos no sul e sudeste do Pará (arquivo tipo Google Earth)
Murilo Hildebrand de Abreu
Procuradoria da República
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Postado por rogerio almeida às 12/15/2008 06:09:00 PM 0 comentários
sábado, 13 de dezembro de 2008
Mapinguari
Contam também histórias de grandes combates entre o Mapinguari e valentes caçadores, porém o Mapinguari sempre leva vantagem e os caçadores felizardos que conseguem sobreviver muitas vezes lamentam a sorte: ficam aleijados ou com terríveis marcas no corpo para o resto de suas vidas.
Uns dizem que o Mapinguari é um animal raro, porém animal mesmo, enquanto outros acham que é originário de índios que alcançaram uma idade avançada... após o que transformam-se no incrível monstro!
Se você pretende ir ao interior e conhecer as belezas da floresta amazônica, vá com cuidado! Pode ser que se depare frente a frente com um Mapinguari.
Texto: Walcyr Monteiro
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Postado por rogerio almeida às 12/13/2008 10:15:00 PM 0 comentários
Toda unanimidade é burra!
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Postado por rogerio almeida às 12/13/2008 09:58:00 PM 0 comentários
Rio Maria - canto da terra
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Postado por rogerio almeida às 12/13/2008 09:09:00 PM 0 comentários
O legado de Chico
Qual o legado de Chico Mendes, passadas duas décadas de sua morte? O empate se constituiu como uma estratégia que os seringueiros encontraram para enfrentar o desmatamento provocado pela pecuária.
Assim germinaram as ações e os debates que vieram a desaguar numa política pública de unidades de conservação. No primeiro momento foram as Reservas Extrativistas (RESEX), que no decorrer do tempo ganhou outros desdobramentos com várias modalidades.
Isso se desenvolveu num contexto do regime militar e posteriormente na transição política, quando o Estado exerceu papel como indutor da economia através de uma política de renúncia fiscal.
Os camponeses da floresta protagonizaram a história num embate com o Estado, as representações do poder econômico local e fora da região, como o frigorífico Bordon, sediado em São Paulo, como esclarece o documentário Quero Viver (1989), de Adrian Cowell.
Na seiva da luta nasceu o Conselho Nacional de Seringueiros (CNS), o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), entre tantas redes de mobilizações da região.
Após a efetivação da reserva, a inquietação pela educação, saúde, cooperativismo e políticas de desenvolvimento voltadas para a reprodução do povo passava a ser a agenda de luta.
Hoje as Resex´s representam 4.4% do território da Amazônia, são cerca de 80, onde vivem milhares de pessoas. A peleja do homem da floresta do Acre ganhou o mundo.
Por conta da construção da BR 364, que abre a região para o pacífico, Chico foi aos states argumentar com representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sobre os impactos sociais e ambientais que a construção da rodovia resultaria.
Tal ação é colocada como um dos motivos da execução de Chico Mendes no dia 22 de dezembro de 1988 pela família Alves.
Ocorre pontuar que ainda que as condições fossem as mais adversas, os viventes dos seringais lograram em definir um território, desenhar um sinal de desenvolvimento onde eles sejam os agentes principais.
As singelas pinceladas sobre o universo de Chico foram colhidas na sessão especial, coordenada pela antropóloga Mary Alegretti, que conviveu com o seringueiro entre 1981 a 1988.
A homenagem ao ambientalista Chico Mendes ocorreu no Seminário Internacional Amazônia e Fronteiras do Conhecimento, organizado pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), da Universidade Federal do Pará (UFPA), que celebra 35 anos de ensino, pesquisa e extensão.
O gado na RESEX - inúmeros meios de comunicação têm noticiado com alarde a presença de gado na reserva Chico Mendes. Descuidando de sublinhar que desde os primevos tempos a atividade da pecuária foi um dos pólos de desenvolvimento agendados para a integração da região ao resto país, ao lado de incentivos à atividade madeireira e mineral. E que mesmo sem o incentivo do governo, o gado convivia ali.
Cristiane Ehringhaus, que defendeu tese de doutorado sobre a Resex Chico Mendes, adverte que no contexto atual da reserva o gado ganhou no imaginário local status de riqueza e poupança, que antes era exercido pela seringa.
Para se manter gado, faz-se necessário desmatar, e isso ocorre, mas, não em grandes proporções salienta a pesquisadora.
Ehringhaus sinaliza ainda que a atmosfera do lugar é de especulação da fundiária e que muito se deve à presença de migrantes oriundos do Sul do país e à má vontade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), que boicota as resex's.
Os indicadores da pesquisa apontam entre 60 a 80% da população afirma que melhorou de vida e de renda, que 80% se sentem seguras na terra e que entre 80 a 90% desejam ficar na resex.
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Postado por rogerio almeida às 12/13/2008 08:54:00 PM 0 comentários
Terras de Daniel Dantas no Pará Seriam para lavar dinheiro
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Postado por rogerio almeida às 12/13/2008 07:43:00 AM 0 comentários
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Crônica Tocantina
*Ed Wilson Araujo
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Postado por rogerio almeida às 12/12/2008 10:37:00 PM 0 comentários
Sutilezas capitais
Duas grandes corporações encontraram uma forma sutil de interagir com a realização do Fórum Social Mundial (FSM), que ocorre em Belém entre 27 de janeiro a 1º fevereiro de 2009.A Vale que opera em várias regiões do Pará e possui orçamento superior ao do próprio estado e a Imerys Rio Capim Caulim bancam as páginas dos maiores jornais do estado dedicadas á cobertura do FSM.
Sabe-se que a diretoria da Vale chegou a flertar com a coordenação do FSM com a finalidade de ter a sua marca associada ao evento que deseja um outro rumo para o planeta. A Imerys opera no município de Barcarena, próximo a Belém.
A empresa francesa saiu do anonimato graças a uma sucessão de acidentes ambientais que afetou os rios do lugar e a vida das populações ribeirinhas. Os tanques de contenção dos resíduos transbordaram.
Faz quatro anos que os acidentes são registrados e a cada dia ganham maior proporção. O grave acidente que alcançou as manchetes internacionais foi registrado em julho do ano passado. A Imerys Rio Capim Caulim produz pigmentos para papéis.
A Vale é a mega mineradora que também opera a Ferrovia de Carajás, por onde o minério de ferro é carregado do sertão do Pará ao porto em São Luís, no Maranhão, de onde ganha o mercado mundial.
Os passivos da companhia mesclam dimensões ambientais e sociais. Além do minério de ferro a empresa explora bauxita a oeste do estado, matéria prima para a produção de alumínio.
O minério também é explorado no município de Paragominas, a nordeste do Pará, e chega a Barcarena onde mantém duas gigantescas fábricas de produção de lingotes de alumínio.
No caso de Paragominas, o minério é transportado via duto, cortando terras quilombolas no município de Moju. Em Parauapebas, sudeste do Pará, a Vale é recordista em queixas trabalhistas.
A produção de energia é outro interesse da corporação, que em associação com outras mastodontes, vem investindo em hidrelétricas. A energia é o principal insumo para a produção do alumínio.
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Postado por rogerio almeida às 12/12/2008 06:58:00 PM 0 comentários
Amazônia em traço
Borges é jornalista e um craque no traço. Tem trabalhos publicados em jornalões, como o Correio Braziliense, e na imprensa sindical. O conjunto de charges foi publicado através da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES), onde presta assessoria.
Por esses dias o poetamigo mandou duas sínteses sobre a devastação da floresta amazônica. O talento de Borges em traço e letra pode conferido aqui www.rborges.net
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Postado por rogerio almeida às 12/12/2008 06:21:00 PM 0 comentários
Maior pacote de ações ambientais do MPF no Pará quer R$ 2 bi de desmatadores
Ações pedem o pagamento de danos pelo desvio de 71 mil carretas de madeira.
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Postado por rogerio almeida às 12/12/2008 04:33:00 PM 0 comentários
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Belém- Seminário internacional celebra 35 anos de pesquisa do NAEA
O evento tem por objetivos fomentar novas propostas de intercâmbio entre instituições de pesquisa e ensino de pós-graduação, divulgação e difusão dos conhecimentos a amplos segmentos da sociedade civil, socializar conhecimentos visando a aplicação em políticas públicas participativas orientadas ao desenvolvimento, fortalecer as atividades de pesquisa inter e intra-institucional com instituições públicas e privadas, nacionais e internacionais, no campo das ciências sociais e ambientais.
Hoje às 18 horas o seminário faz uma homenagem ao ambientalista Chico Mendes, assassinado há 20 anos em Xapuri, no Acre. A mesa será coordenada pela antropóloga Mary Alegretti, que colaborou com o seringalista e terá a participação dos pesquisadores Philip Fearnside (INPA), Susana Hecht (UCLA), Ligia Simonian (NAEA/UFPA) e Miguel Pinedo (Columbia University).
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Postado por rogerio almeida às 12/10/2008 08:19:00 AM 0 comentários
Sessão Especial Chico Mendes é destaque do Seminário

Para lembrar os 20 anos da morte do seringalista Chico Mendes, assassinado em 22 de dezembro de 1988, será exibido nesta quarta-feira (10), no Seminário Internacional Amazônia e Fronteiras do Conhecimento, o documentário Eu Quero Viver (1989), de Adrian Cowell.
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Postado por rogerio almeida às 12/10/2008 08:03:00 AM 0 comentários
Zoneamento Ecológico e Econômico do Oeste do Pará
Pe. Edilberto Sena- Rádio Rural de Santarém
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Postado por rogerio almeida às 12/10/2008 07:33:00 AM 0 comentários
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Maranhão - as vísceras do sertão
O Maranhão é o principal estado exportador de mão de obra escrava. No sul do estado grandes corporações como Bunge e Cargil hegemonizam o cultivo da monocultura da soja. A mesma região registra os maiores índices de desmatamento no estado e imensas fazendas controladas por sulistas em parceria com a família Sarney.
Açailândia e Balsas estão entre os municípios que mais desmatam no Maranhão, informam os dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Respectivamente os municípios estão no oeste e sul do estado, região de pré-Amazônia, onde incide o bioma Cerrado.
O primeiro município abriga um pólo de produção de ferro gusa; já o segundo um pólo de produção de soja. Ambos os empreendimentos gozaram de generosos incentivos fiscais do governo para a instalação.
No mundo erguido pelos grandes projetos, intensivos no uso dos recursos naturais, o rastro de passivos serpenteia na paisagem marcada do cerrado. A região que abroga várias nascentes de rios virou um solo onde germinam a degradação ambiental, a prática do trabalho escravo e a prostituição de crianças.
Antonio Gomes de Moraes, conhecido como “Criolo” é militante da Comissão Pastoral (CPT) de Balsas, sul do Maranhão e integra a frente de defesa do bioma Cerrado na região. Ele pinça um pouco do vasto mundo do sertão do Maranhão, o estado que exporta mais de 40% de toda mão de obra escrava liberta em do país.
Foto: R. Almeida- Antonio Gomes
Antonio Gomes (AG)- Temos aqui na diocese de Balsas 18 municípios (Balsas, Mirador, Alto Parnaíba, Riachão, Feira Nova, Fortaleza dos Nogueiras, São Raimundo das Mangabeiras, Loreto, Benedito Leite, São Domingos do Azeitão, Nova Iorque, Sucupira do Norte, Fortaleza dos Nogueiras, São Félix de Balsas, Nova Colina, Tasso Fragoso, Sambaíba e Pastos Bons). Mas, o total abrange cerca de 28 cidades, limitando com os estados do Tocantins e Piauí, para onde se alastra a fronteira agrícola da soja.
FURO - Como se configura o cenário aqui na região sul do Maranhão?
AG - Os grandes projetos aqui na região, baseados na monocultura da soja, cana e as carvoarias configuram como os grandes desestabilizadores do mundo rural. A história começou aqui no fim de 1970, com a presença dos sulistas para o cultivo da soja. Depois vieram os paulistas e por último a turma do Mato Grosso. Isso se deu graças aos incentivos do governo.
FURO - Quais as empresas que estão aqui na região de Balsas?
AG - As maiores aqui são a Bunge e a Cargil.
FURO - Onde se concentra a monocultura de soja?
AG - Balsas, Tasso Fragoso e Alto Parnaíba são os municípios com maior incidência. Para se ter uma idéia somente a fazenda Agroserra, na fronteira dos municípios de São Raimundo das Mangabeiras e outra parte em Fortaleza dos Nogueiras, controla 230 mil hectares. A propriedade é da família Ticianeli, de origem paranaense. São três irmãos. Soubemos que a família Sarney possui ações no grupo. Creio que em 2005 cerca de 1.700 trabalhadores foram flagrados em condições degradantes de trabalho na produção da cana.
AG - Carolina do Norte, Parnaíba, Nova Holanda, de propriedade da família Sarney. No momento são as que lembro, mas, tem mais.
FURO - Como fica o rio Balsas e a vegetação local?
AG - Outro dia fizemos umas imagens áreas. O rio Balsas se encontra totalmente degradado e a sua mata ciliar em destroços. O desmatamento aqui é o mais perverso possível. A prática é do correntão, que consiste em amarrar uma grande corrente em dois tratores para a derrubada da mata nativa, no caso aqui, o cerrado.
FURO - E como fica a madeira?
AG - A madeira é utilizada para a produção de carvão vegetal que alimenta as empresas de gusa.
AG - Aqui temos trabalho escravo nas fazendas de grãos, cana e nas carvoarias. Em 2004 foram libertados 28 trabalhadores em São Raimundo das Mangabeiras na produção de carvão vegetal, em 2005 foram libertados mais 20 em Tasso Fragoso, em fazenda de soja. Em outubro foram soltos no município de Balsas em fazenda de soja mulheres e crianças.
FURO - Na questão além da destruição da mata ciliar e do cerrado, que outro passivo a monocultura da soja provoca?
FURO - Qual o balanço que o senhor faz da soja na região?
AG - Venderam que Balsas ia ser o melhor lugar do mundo. Balsas é um bom lugar para poucas pessoas. Somente para os que possuem dinheiro. Para a gente fica o deserto, a terra e a água poluídos pelo veneno lançado pelos aviões.
FURO - Já ocorreu algum caso de óbito de animais ou pessoas por contaminação?
AG - Tivemos um caso num lugar chamdo de Vão da Salina, aqui em Balsas, houve o registro de óbito de animais. Em Loreto também tivemos registros de dois óbitos de crianças. O caso ocorreu na comunidade conhecida como Brejão, um projeto chamado Serra Vermelha, do ex-ministro da agricultura, Roberto Rodrigues. Em uma semana todas as famílias da comunidade tiveram o mesmo problema de saúde: vômito e diarréia. No fim da semana as duas crianças vieram a óbito no mesmo dia.
FURO - O que dizia o laudo médico?
AG - Os médicos se recusaram a informar a causa mortis. Sabe-se ainda da morte de animais no mesmo perímetro.
FURO - O senhor faz idéia da quantidade de veneno usado?
AG - Em um hectare de soja são colocados 509 quilos de produtos químicos durante todo o cultivo.
FURO - Como tem sido a ação dos movimentos sociais da região com relação a esses passivos sociais e ambientais?
AG - Nos anos de 1980 era mais atuante. Já nos anos de 1990, quando Fernando Henrique assume o governo, a gente avalia que engessou o movimento. Hoje os sindicatos estão bitolados em encaminhar aposentadorias rurais. É a burocratização do movimento e a perda do espírito de luta.
AG - A nossa equipe é muito pequena para a dimensão física e dos problemas da região. A gente se empenha em tentar formar a militância.
FURO – Tem havido ocupações de terras?
AG - Nos anos de 2000 tem-se registro de algumas ocupações que esperam pela efetivação de projetos de assentamentos rurais. Isso de 2002 para cá. São os casos da fazenda Taboão, no município de São Raimundo das Mangabeiras, fazenda Sucupira e na fazenda Ponteira, ambas no município de Riachão. São mais de 200 famílias que estão na terra. Ainda pressionamos o INCRA para a efetivação dos projetos de assentamento.
FURO – Falando em INCRA, como funciona aqui na região?
AG - Em assembléia dos movimentos sociais aqui foi pedido o afastamento de quatro funcionários que estavam em conluio com os fazendeiros. Aqui a instituição é muito lenta.
FURO - Queria voltar ao assunto sobre trabalho escravo. E quanto aos acordos coletivos em que os sindicatos de trabalhadores rurais (STR’s) integram o grupo que trata do assunto, como se desenvolve?
AG - Primeiro que esses acordos coletivos de trabalho em sua maioria tem sido mero faz de conta para mascarar o trabalho escravo. Às vezes os STR’s funcionam mais como um desagregador dos trabalhadores. Voltemos ao caso da Agroserra. Em duas ocasiões houve manifestações dos trabalhadores contra a empresa. A fazenda produz soja e cana.
FURO - Quando a monocultura da cana chegou?
AG – A Agroserra que trouxe, tem 21 mil hectares cultivados, onde 16 mil são irrigados. É a morte do rio Neri. A empresa do outro lado detona as cabeceiras do rio Itapecuru. O lugar fica ali na reserva estadual do Mirador, uma ilha cercada de soja e agora cana por todos os lados. Mais de 500 famílias estão sendo retiradas da reserva. Quando da criação do parque na década de 1980, o governo se manifestou pela garantia do reassentamento das famílias, que nunca ocorreu.
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Postado por rogerio almeida às 12/08/2008 09:25:00 PM 0 comentários
GRUPO DE TEATRO DE AÇAILÂNDIA (MA) DENUNCIA TRABALHO ESCRAVO EM TURNÊ NA ESPANHA
Neste contexto, o espetáculo Quilombagem trata-se de um musical que recupera o sentido da luta contra a escravatura como um movimento no qual se incluem não apenas os negros fugitivos, mas também índios, mulatos, cafuzos, brasileiros, nordestinos, pobres e marginalizados, que tentam sobreviver às margens dos grandes projetos de desenvolvimento e pagam um alto preço pela ganância de empresários, coronéis e latifundiários.
ROTEIRO DE APRESENTAÇÕES:
ASTURIAS
Dia 08/12 – Teatro Filarmônica – Oviedo
Dia 09/12 – Teatro Jovellanos – Gijón
Dia 10/12 – Auditório de Mieres – Mieres
GALICIA
Dia 11/12 – Teatro Rosalía de Castro – A Coruña
Dia 13/12 – Santiago de Compostela
Dia 14/12 – Auditório Gustavo Freire – Lugo
ANDALUCÍA
Dia 16/12 – Teatro Lope de Vega – Sevilla
CATALUÑA
Dia 19/12 – Centre Artesá Tradicionárius – Barcelona
MADRI
Dia 21/12 – Teatro Colégio Maristas de Chamberí - Madri
Mais informações sobre o espetáculo: www.cdvdhacai.org.br
Enviado por Vanusia Gonçalves- CDVDH de Açailândia
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Postado por rogerio almeida às 12/08/2008 11:25:00 AM 0 comentários
A Amazônia e os direitos humanos
Má fé e em elevado grau má formação e informação pesam para que a perspectiva do senso comum prevaleça. Poucos conhecem que a medida foi motivada contra as atrocidades cometidas na 2ª Grande Guerra.
Os sites das organizações associadas na defesa dos direitos humanos (http://www.dhnet.org.br/) esclarecem que o conteúdo da Carta, onde se abstiveram de votar a União Soviética e outros países comunistas a ela alinhados, tem como inspirações os princípios do que se chama Revolução Francesa.
A universalização dos valores de igualdade, da fraternidade e da liberdade é a dorsal do documento. A Carta é uma recomendação aos países signatários. Trabalho, seguridade social, direito à livre organização, comunicação e liberdade de expressão são alguns dos itens postos. Na Carta, a democracia é enfatizada como o regime menos obtuso.
A carta e a Amazônia
O regime de exceção, ao contrário dos valores indicados na Carta, engendrou uma cultura da força, da violência e violação dos princípios dos direitos humanos. A violência física, como cultura, ainda hoje tem eco em quartéis, cadeias e até mesmo no judiciário.
Não raro houve-se que “bandido” bom é “bandido” morto, por exemplo, e que as pessoas que denunciavam as violações ocorridas no regime de exceção, serem taxadas de “terroristas”, como o fez o juiz Gilmar Mendes, recentemente.
A prática da tortura, expediente em alta no regime militar, mesmo nos dias do século XXI ainda é denunciada em toda a parte do país. Na Amazônia, com a preponderância dos “homens de quepes”, a região passou por acentuadas transformação, como o incentivo do Estado para a instalação de grandes corporações do Centro-Sul do país e empresas estrangeiras.
A terra e os recursos nela existentes, que desde os tempos coloniais serviram como fonte de riqueza para poucos, permaneceram na mesma trilha. Extermínios de povos indígenas, chacinas e assassinatos de outras populações consideradas tradicionais ganharam maior proporção.
Há sinais de inversão da rota? O Pará é um ás dos mais variados exemplos de violências e violações dos direitos humanos. E, pelo que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), propugna a tendência será mantida.
Urge a manutenção do superávit primário, e assim as obras de infra-estrutura para o transporte de monoculturas, em particular a soja, o extrativismo mineral e geração de energia erguem-se como pilares da política para a região.
Em contrapartida, apenas 1% do já raquítico orçamento para a pesquisa é aplicado na região que soma mais de 50% do país. Os sombrios números de trabalho escravo, assassinatos de camponeses, indígenas, e pessoas a eles alinhados ainda carecem de um grande percurso para que venha a padecer de refluxo. Isso para não tocar nos desastres ambientais. Por enquanto, a atmosfera da força bruta e da grana ainda prevalece.
O exemplo recente de tal atmosfera foi o saque, o incêndio e o assalto que sofreu o IBAMA do município de Paragominas, que teve como protagonistas do ato criminoso madeireiros da região. Fato tratado com extrema generosidade pela mídia local. Se a mídia é generosa com o setor madeireiro, o mesmo não o faz com os movimentos camponeses e setores da Igreja Católica a eles alinhados.
Uma reunião com vistas à definição de agenda das organizações engajadas na Campanha Justiça nos Trilhos realizada em Belém, que visa rever os passivos sociais e ambientais da Estrada de Ferro de Carajás (EFC), motivou editoriais e reportagens parciais, o que fere o princípio do tratamento equânime. Em uma das pérolas os movimentos foram alçados a criminosos e os religiosos a pecadores.
A lenta lei, que em regra geral não costuma alcançar os mandantes de assassinatos de dirigentes camponeses e advogados, tem sido célere em processos que criminalizam dirigentes sociais e instituições e pessoas que defendemos direitos humanos no estado.
Assim, Batista Afonso, advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), chegou a ser condenado a 2.5 de prisão. Militantes do MST e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) estão sendo processados por buscarem seus direitos, religiosos e dirigentes são ameaçados de morte.
Lutemos para que cada lágrima rolada seja paga em dobro, como versou o poeta Chico.
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Postado por rogerio almeida às 12/08/2008 10:40:00 AM 0 comentários
Amigos do povo Zo’é
Foto: site www.amazoe.org.br

Rosa do Tapajós informa que um grupo de indigenistas e outros profissionais prestam suporte de forma voluntária para o povo Zo’é. O grupo mantém uma página na rede mundial de computadores: http://www.amazoe.org.br/.
Em uma das seções da página há o informe que, segundo o Decreto 1310-26/09/08, houve a regularização da faixa de proteção ambiental de 20 km como zonas intangíveis em todo o entorno da Terra Indígena Zo’é.
A faixa de proteção foi uma proposta pela Frente de Proteção Etnoambiental Cuminapanema –CGII e encaminhada pelo Ministério Público Federal-MPF- Procuradoria Geral da República.
A página mantém ainda a localização do povo Zo’é, notícias, artigos e informes tanto sobre o povo e outros irmãos da floresta.
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Postado por rogerio almeida às 12/08/2008 09:15:00 AM 0 comentários







