Imagem cedida pela TramaTeia Filmes
“Araguaia: Guerra dos Ossos”, série planejada em três episódios terá
apresentação do primeiro corte, hoje, 07, no Campus III, da Universidade
Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), a partir das 18h. O projeto é uma iniciativa da TramaTeia
Filmes, que há 16 anos registra a luta pela memória do fato histórico.
A iniciativa foi contemplada pelo Edital nº 02/2025 de Fomento à
Criação de Projetos Culturais da Secretaria de Estado de Cultura do Pará
(Secult-PA) e da Fundação Cultural do Pará (FCP), com recursos da Política
Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura.
A série tematiza a busca dos restos mortais dos corpos dos membros
da Guerrilha do Araguaia (1966-1974), perseguidos, capturados, torturados e
assassinados pelas forças armadas e que tiveram seus corpos ocultados.
Evandro Medeiros, idealizador do projeto e professor da Unifesspa,
esclarece que o objetivo da exibição é realizar a escuta junto ao público sobre
o conteúdo apresentado. E, assim, promover ajustes na pós-produção e
finalização do material. Além de Medeiros, Sezostrys Alves da Costa, presidente
da Associação dos Torturados da Guerrilha do Araguaia (ATGA), participa do
debate após a exibição.
A série - A série apresenta relatos de camponeses e de membros do Grupo de
Trabalho Tocantins (GTT). O GTT é uma iniciativa vinculada aos ministérios do
governo federal que realizou a busca onde os corpos supostamente foram
enterrados, na região do Araguaia e Marabá.
O registro dá continuidade ao documentário "Araguaia Campo
Sagrado" (2010), que na época apresentou o testemunho dos camponeses sobre
a relação deles com os guerrilheiros e as atrocidades cometidas pelo Exército
Brasileiro na caçada e prisão dos guerrilheiros.
Linha do tempo dos registros – Em 2010 a equipe acompanhou o pedido
formal de desculpas públicas aos camponeses vítimas da Ditadura Militar na
região realizado pela Secretária de Direitos Humanos do governo federal. “É
neste contexto que iniciamos as filmagens que deram origem ao primeiro
documentário”, informa o cineasta Medeiros.
Fato antecedido pela visita de 18 de junho de 2009, em São Domingos
do Araguaia, de Tarso Genro, então ministro da Justiça. A missão de Genro
residia em formalizar uma agenda de reparação às famílias perseguidas pela
ditadura empresarial-militar. Entre as medidas, constou indenizações, muitas
delas ainda não efetivadas.
Outras fontes – Além da região do Araguaia, a equipe percorreu as cidades de Belém,
Brasília, Salvador e Uberlândia para colher imagens e entrevistas com parentes
dos guerrilheiros mortos e desaparecidos, assim como de camponeses e dos
familiares do político, ativista e escritor Paulo Fonteles Filho (Paulinho).
Homenagem – a série homenageia Paulo Fonteles Filho, falecido em 2017, vítima de
infarto, aos 45 anos. Paulo é filho do deputado e advogado defensor de posseiros
na mesma região da guerrilha. O pai foi assassinado em Belém, a mando do
latifúndio em 1987.
Paulo Filho seguiu os passos do pai como político, na condição de vereador
em Belém, pelo PC do B) e defensor dos direitos humanos. O tema da guerrilha e
da luta camponesa sempre integrou a agenda de luta de ambos.
Paulo Filho fez parte da Comissão da Verdade no Pará. “Paulinho foi
um grande amigo e um dos responsáveis por manter viva a luta pela verdade, pela
memória e pela localização dos corpos das vítimas da Guerrilha do Araguaia.
Esta série também é uma homenagem ao legado dele e de seu pai”, informa Medeiros.
Serviço:
Lançamento
do 1º corte e debate sobre a série “Guerrilha do Araguaia: Guerra dos Ossos”
Local:
Unidade III da Unifesspa/Marabá/PA
Hora:
18h
Dúvidas:
Medeiros – (94) 98191-4609