terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sustentabilidade: tentativa de definição

Leonardo Boff
Há hoje um conflito entre as várias compreensões do que seja sustentabilidade. Clássica é a definição da ONU, do relatório Brundland, (1987) "desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem a suas necessidades e aspirações”. Esse conceito é correto mas possui duas limitações: é antropocêntrico (só considera o ser humano) e nada diz sobre a comunidade de vida (outros seres vivos que também precisam da biosfera e de sustentabilidade. Leia mais em Adital

Estudo destaca situação de vulnerabilidade de crianças indígenas

Karol Assunção
 
"O pertencimento a um povo indígena põe as crianças e os adolescentes em uma situação de maior vulnerabilidade”. Essa é uma das conclusões destacadas pelo Ministério de Desenvolvimento Social do Chile e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no estudo Incluir, Somar e Escutar – Infância e Adolescência Indígena.  Baixe o documento em Adital

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Quilombolas do Marajó – o duro caminho

Egon Dionísio
Dona Estelina, de quase 80 anos fala com dificuldade e dor sobre a piora da situação de sobrevivência no quilombo de Bairro Alto, município de Salvaterra. "Hoje a gente passa mais de semana sem comer peixe. Tem muita rede sendo colocada no rio, impedindo o peixe a subir o igarapé. Antigamente tinha fartura de peixe. Também a gente botava roça. Hoje não tem mais terra pra gente roçar e plantar. Antigamente nós tinha muita melancia, jerimum, maxixe, banana. Hoje as crianças nem mais conhecem isso. E quando a gente ainda tenta plantar um pouco, é provável que os búfalos vão lá e acabam com tudo. As terras pro norte são do americano. Uma terra enorme. Do outro lado é da juíza. Do lado sul é da Embrapa. Então não tem mais terra pra gente plantar”. Leia mais em Adital

Ex reitor da UFPA ministra aula magna na Unama

A Amazônia foi o tema central
Tudo na Amazônia tem grandezas retumbantes: maior região do país, com mais de 60% do território nacional, maior biodiversidade, concentra a maior reserva de recurso hídrico do mundo, e por aí vai. Esta derradeira grandeza será o motivo de guerras no novo século, assim sinalizam inúmeros interpretes que investem em entender a região e sua relação com as escalas nacionais e internacionais.
Tais fragmentos integraram a aula inaugural da Universidade da Amazônia (Unama), na noite de hoje, no auditório da Murrafej, do Campus da Alcindo Cacela, em Belém, proferida pelo sociólogo e pós doutor, Alex Fiúza de Melo, ex reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e atual secretário de Ciência do Estado.

“A região é estratégica para o novo milênio que estamos vivendo, somos privilegiados em morar aqui, e tempos uma responsabilidade imensa em buscar construir uma inversão na rota que os elementos econômicos e históricos conferiram para a região”, reflete Melo.
A Amazônia ainda vive na condição de periferia, enfatiza o professor, que coloca o papel do conhecimento como estratégico para reorientar tal condição, tanto em relação aos estados que concentram a economia do país, quanto em relação aos países mais ricos e que concentram o capital econômico e da ciência.

O ex –reitor alerta que a Amazônia tem somente 3% dos doutores do Brasil. “Isso é um contra senso, quando consideramos que a região ocupa o centro de gravidade de inúmeros debates nos mais variados fóruns’, reflete o professor.    
O deslize do professor residiu em tratar a energia produzida a partir da matriz de hidrelétricas como energia limpa. Tal sentido é um ponto de vista produzido a partir dos empreendedores. É um mito. Assim como a presença de Amazonas, tema encontrado em narrativas dos primeiros viajantes.
Parece, que o ex magnífico da UFPA não compartilhou os debates de um seminário internacional de sociologia e barragens acomodado na UFPA ano passado. Nele especialistas dos mais variados campos do conhecimento desmistificaram a ideia de energia limpa. Entre eles, Phillip Feanside (INPA), Célio Berman (USP), Sônia Magalhães (UFPA), entre outros.
As hidrelétricas geram problemas de reassentamento das populações tradicionais (negros e índios), agricultores familiares. Subjuga terras agricultáveis, florestas que abrigam um potencial de prospecção em pesquisa de micro-organismos num vasto leque e produz gás metano. Em nossa região reimprime uma condição colonial, como mero exportador de matéria prima, aqui no caso, o extrativismo de energia.


Sindicato acusa Embrapa do Amazonas de trabalho escravo

Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), Vicente Almeida, os trabalhadores eram mantidos em cárcere privado e sem condições apropriadas de higiene e trabalho. “A carga horária semanal deles é de 40 horas, no entanto, a empresa não fornecia o transporte para eles retornarem a suas casas. Os trabalhadores eram obrigados a permanecer no setor de trabalho sem o devido descanso, nem compensação das horas trabalhadas”, ressaltou Almeida.  Leia mais AQUI

Biratan e o zelo com o gramado

FSM refletiu sobre o combate ao trabalho escravo

Desde 1995, cerca de 42 mil brasileiros foram libertados pelos grupos de fiscalização contra o trabalho escravo. Não se sabe quantos cidadãos ainda vivem sob essa condição, mas o governo já definiu uma estratégia para chegar a eles: parcerias entre o poder executivo, o judiciário e a sociedade civil. Leia mais em Carta Maior

Boaventura de Sousa Santos: Acesso à água desencadeará as grandes guerras do século

Se as guerras do século XX foram motivadas pela exploração do petróleo, os conflitos do século XXI estarão centrados no controle dos hídricos, previu o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. “Quem controla a água controla a vida”, disse. Leia mais em Ecodebate

domingo, 29 de janeiro de 2012

A Vale, os miseráveis e a mídia

Fiquei chafurdando na rede a procura de alguma matéria especial sobre o premio “Oscar da Vergonha” conferido a empresa Vale, no derradeiro dia 27, em Davos pela Publics  Eye Awards, prêmio organizado anualmente pelas organizações internacionais Greenpeace, da e Declaração de Berna. A edição de domingo é considerada o filé mignon dos diários. Não encontrei nada nos grandes jornais, e menos ainda nos impressos locais.  
Fiz o mesmo com as revistas, e a caça teve o mesmo desfecho. Na Veja havia uma nota em defesa da Vale, a base reside em cifra estratosférica que a mesma vai empenhar na área de meio ambiente.  Com os meus botões fiquei a matutar sobre o silêncio nos principais meios de comunicação.

Indaguei: como pode nenhum veículo empenhar uma equipe para investigar as denúncias que os zés e marias ninguém realizaram em escala planetária sobre uma das principais empresas do planeta?  A eleição da Vale como pior empresa do mundo agrupa inúmeros elementos considerados relevantes na teoria do jornalismo.
No jornalismo considerado do campo democrático, a revista paulista Caros Amigos vem dedicando páginas significativas sobre a empresa. Na edição de dezembro foram umas cinco páginas que narram a delicada situação em que vivem as populações impactadas pela ampliação da Ferrovia de Carajás: prostituição infantil, indiferença aos direitos de populações quilombolas e agricultores figuram entre as denúncias.
A revista continua a iluminar os problemas ambientais e sociais da região de Carajás na edição de janeiro. A capa destaca a situação em que vivem as famílias que moram próximas do polo de gusa, no município de Açailândia, no oeste do Maranhão. Foi de lá que nasceu em 2007 o coletivo Justiça nos Trilhos, o responsável pelas denúncias internacionais. Num dos estados mais pobres do Brasil.

A cidade é cortada pela rodovia Belém-Brasília. A exploração madeireira foi uma das primeiras atividades econômicas, antes da instalação das guseiras, que incentivam o desmatamento para a produção de carvão. A reboque promove o trabalho escravo. O município fica numa zona de transição da Amazônia e do Cerrado.  A pistolagem integra a história do lugar.

Neste solo nasceu o Justiça nos Trilhos, que realizou ações em rede, e conseguiu agrupar funcionários e famílias que sofrem algum tipo de impacto de empreendimentos da Vale no Canadá, Brasil, Moçambique e outros países. O mesmo mobilizou esforços na produção de artigos acadêmicos e jornalísticos, dossiês, livros, revistas,  livros e filmes sobre as dinâmicas da empresa.
O grupo empreendeu ainda encontros nas quebradas do Maranhão e Pará, e uns três eventos internacionais.  A empreitada da rede e o feito merecem uma análise mais cuidadosa dos setores da academia em diferentes campos, ou como dizem os doutores: interfaces e interdisciplinaridades.
A administração da marca é uma ação reconhecida da empresa pelo mercado. E alvo de análises de especialistas. O canal fechado de notícias da TV Globo informa que a Vale produziu uma página na internet para contrapor as acusações do Justiça nos Trilhos.

Soa estranho todos os meios de comunicação celebrarem as insurreições do mundo Árabe, a mobilização de jovens desempregados e empobrecidos contra os governos autoritários, e os mesmos veículos fazerem ouvido de mouco com os miseráveis afetados pelos empreendimentos da mega corporação nacional.  

Aqui no Pará, onde a Vale controla ou é acionária de algumas cadeias de produção, entre elas a alumínio e a de ferro. As empresas de comunicação não costumam contemplar as agendas negativas da mineradora. Ela costuma bancar projetos especiais de alguns jornais, patrocinar programas que são semanais. Os tratados da academia atestam que a atividade minerária engendra passivos sociais e ambientais, e não dinamiza as economias locais. Salve engano, a economia chama isso de enclave.  

Ocorre na lembrança o filme o Informante. O longa trata de um fato verídico que envolve uma questão de saúde pública, conhecimento e uma empresa de tabaco.  O poder da empresa de cigarros acaba por constranger a produção da notícia. Mas, no final, ah o final......peguem o filme numa locadora....  

Justiça Federal vai julgar morte de ambientalistas

Atendendo pedido do Ministério Público Federal, em Marabá, o Tribunal Regional Federal (TRF) definiu que o assassinato dos ambientalistas José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, ocorrido em Nova Ipixuna, em 24 de maio de 2011, deve ser julgado pela Justiça Federal. Falta notificar apenas o juiz Murilo Lemos, da Justiça Comum em Marabá, sobre a decisão.Ao ser comunicado, o juiz poderá acatar a decisão, mas também poderá discordar dela. Se isso ocorrer, será criado um conflito de competência, que só poderá ser definido pelo Superior Tribunal. Leia mais no Amazônia 

Capa da Caros Amigos destaca os invisíveis de Carajás

Vale - edição da Caros Amigos, matéria narra sobre os passivos na região de Carajás

Reunião integra Encontro Tripartite (Brasil, Canadá e Moçambique), que luta contra os danos da mineradora


Vale-i5Militantes pelos direitos humanos e representantes de organizações do Brasil, Canadá e Moçambique se reuniram em Açailândia (MA) durante o Encontro Tripartite, que luta contra os danos provocados pela mineradora. Leia mais AQUI 

Congresso internacional de Sociolinguística será realizado na UFPA

O II Congresso Internacional de Dialetologia e Sociolinguística (CIDS) de 2012 será realizado na Universidade Federal do Pará (UFPA). As inscrições para mesas-redondas, apresentações orais e painéis de pesquisas estão abertas para acadêmicos de todo o mundo. O evento é bienal e será realizado de 24 a 27 de setembro, com o tema “Diversidade Linguística e Políticas de Ensino.” Leia mais na UFPA

A sabedoria do boêmio

Ana Ferraz

 Noite dessas, Paulo Vanzolini sonhou com uma poesia de Olavo Bilac que decorou quando ainda era rapazote. Os versos, que são muitos, vieram por inteiro. Aos 88 anos, o autor de composições que atravessaram gerações sem perder a força, como Ronda e Homem de Moral, conserva a prodigiosa memória e se mantém imperturbável diante da fama. Leia mais em Carta Capital

Terras, grilagens e guerra na mídia

 
Maioranas montam farsa para incriminar lideranças (Foto: Thiago Araújo)
Matérias veiculadas pelo grupo ORM ligam moradores a grilagem (Foto: Thiago Araújo)
Inconformados em terem indeferida pela Justiça a sua tentativa de grilar terras públicas da União, as Organizações Rômulo Maiorana (ORM), da qual são proprietários os irmãos Rômulo e Ronaldo Maiorana, partiram para o jogo do tudo ou nada. Ao mesmo tempo que perseguem e aterrorizam as mais de 800 famílias da ocupação “Newton Miranda”, no bairro Fama, em Outeiro, os jornais “O Liberal” e “Amazônia” e a TV Liberal, que integram o grupo, iniciaram uma campanha midiática para difamar moradores e lideranças da ocupação, incluindo reportagens de TV e jornal forjadas. As vítimas das falsas matérias denunciaram o caso à polícia, que já investiga o caso. Leia mais no DOL

Nação Zumbi - melhor que tratado científico

Belo Monte. ''O capital fala alto, é o maior Deus do mundo''. Entrevista especial com Ignez Wenzel

Há 35 anos, Irmã Ignez Wenzel deixou as atividades que desenvolvia no Colégio São João, em Porto Alegre, onde trabalhava junto aos lassalistas, para abraçar a causa dos colonos que migraram para o Pará em função da construção da Rodovia Transamazônica (BR-230). Em Medicilândia (PA) e Altamira (PA), iniciou os trabalhos pastorais, visitando mais de 80 comunidades, onde pôde observar de perto o abandono do Estado e os problemas sociais que se arrastam há anos na região. Leia mais no IHU

Pendências tributárias da Vale chegam a R$ 9,8 bilhões

A Vale informou que foram proferidas, na esfera administrativa, decisões desfavoráveis em processos concernentes a imposto de renda sobre lucros no exterior. O valor total é de R$ 9,8 bilhões, acrescidos de juros e multa. A Vale apresentará os recursos necessários nas instâncias administrativas e judiciais superiores, com o objetivo de suspender a exigibilidade dos valores envolvidos, até que o julgamento do mérito apresentado por sua área jurídica ocorra.  Leia mais em Brasil Mineral

Depois de eleita pior empresa do mundo, "Oscar da Vergonha", Vale cria página para rebater acusações

Vale - pior empresa do mundo