quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sepultamento ocorrerá no Cemitério da Saudade, em Marabá (PA)


 
O casal de extrativistas Maria do Espírito Santo da Silva e José Cláudio da Silva, integrantes do CNS assassinados ontem em Nova Ipixuna (PA), serão sepultados amanhã (26), às 10h, no Cemitério da Saudade, localizado no município de Marabá, onde durante todo o dia de hoje ocorre o velório.
 
Durante a tarde de hoje (25), representantes de movimentos sociais da região estão reunidos, juntamente com as famílias das vítimas, para definir a programação de amanhã, que deverá incluir uma passeata pelas ruas de Marabá e um ato ecumênico.
 
 
Enterro de José Cláudio da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva
26/05/11
Às 10h
Local: Cemitério da Saudade (Rua Folha 29, bairro de Nova Marabá – Marabá (PA).
Enviado por Marquinho Mota - FAOR

Empresas formalizam pedido para sair de Belo Monte

De sexta-feira até ontem, três empresas privadas fizeram pedido formal para sair do consórcio Norte Energia, vencedor do leilão da hidrelétrica de Belo Monte.  As empresas Galvão Engenharia, Serveng e Cetenco já formalizaram o pedido.  A Contern, do Grupo Bertin, fará o comunicado nos próximos dias.  As informações são da Agência Estado. Leia mais no Amazônia

A execução dos ambientalista - relato de uma agente pastoral da CPT

Rosemayre Lima Bezerra
No momento em que se negocia e barganha a floresta em Brasilia, morre um casal de lutadores que mesmo na morte reafirmam seu amor a biodiversidade. 
 
Os corpos eram protegidos e guardado do sol por uma enorme arvoré de Caju de Janeiro linda e imponente, testemunha daquela covardia que marca a atuação dos financiadores da morte. 
 
O choro dos familiares e amigos se misturava com o canto do Peito-de-Aço em meio a folhagem da mata. 
 
Sangue misturado com a terra. Sentimento de tristeza e indignação. 
 
E para os que não acreditam mais na utopia, esperança e na gratuidade da defesa da VIDA, eles são um exemplo. 

Ato grotesco: ruralistas vaiam anúncio de morte

Era perto das 16h quando uma cena grotesca aconteceu no plenário da Câmara dos Deputados. O líder do Partido Verde, José Sarney Filho, lia uma reportagem sobre o extrativista José Claudio Ribeiro da Silva, brutalmente assassinado pela manhã no Pará, junto com sua mulher Maria do Espírito Santo da Silva, também uma liderança amazônica. Ao dizer que o casal que procurava defender os recursos naturais havia morrido em uma emboscada, ouviu-se uma vaia. Vinha das galerias e também de alguns deputados ruralistas. Leia matéria do Valor Econômico replicada no IHU

130 anos do genial Lima Barreto


Por Cristina Nunes de Sant´Anna
Afonso Henriques de Lima Barreto veio ao mundo em 1881, na Rua Ipiranga, nº 18, em Laranjeiras, bairro da zona sul do Rio, no dia 13 do mês de maio, numa sexta-feira. Sete anos depois, no dia 13 de maio de 1881, abolia-se a escravatura. Meses depois, numa sexta-feira, que caiu em 15 de novembro de 1889, Deodoro da Fonseca abolia a monarquia e proclamava a República. Leia mais no OI

A FLORESTA É SUSTENTÁVEL


“A floresta é sustentável duas vezes mais em pé de que derribada.
Porque quando você derriba, você só tem uma vez.
E quando você deixa ela em pé, você tem ela pra sempre”.
(Zé ClaúdioRibeiro - Nov. 2010)
 
Sabe-se, historiacamente, da evolução do extrativismo no Brasil, em especial na Região Norte quando da ocupação da região nas décadas de 60, 70, por migrantes do centro-sul a procura de terras para se “integrarem” ao país.
Todos os Estados da Região Norte, entre eles o Acre quando receberam os grandes produtores, acabaram por ocupar espaços de famílias, muitas extrativistas que ali habitavam e tiveram que sair de suas áreas, tendo que perde-las e verem-na sendo transformadas em pastos para criação de gado. Entre muitos exemplos tivemos Chico Mendes.
                 
Hoje, em pleno século XXI, essa realidade não é diferente. A lógica da expulsão do campones de suas terras, para que essas se tornem áreas de produção em grande escala, voltadas para o mercado internacional, ainda persiste e se afirma. E essa permanência se dá pela retirada do morador de seu lote, de sua terra, por bem ou por mal.
                 
E nessa busca desenfreada pelo grande capital, registram-se os números da violência no campo e na cidade.
                 
Em relatório recentemente publicado, a Comissão Pastoral da Terra—CPT mostrou mais uma vez o que tentam calar, os números dos conflitos. No Relatório: Conflitos no Campo e no Brasil 2010, somente no Estado do Pará, foram registradas 30 ameaças de morte, 30 pessoas entre sindicalistas, trabalhadroes ruraias, sem-terra, lideranças, índios e assentados. Desses 30 registrados, 18 foram assassinados.
                 
Em 24.05.2011, tivemos mais uma triste notícia, triste e duplas, foram mortas 02 lideranças - Maria do Espírito Santo da Silva e José Claudio Ribeiro da Silva, líderes do Projeto Agroextrativista Praialta-Piranheira, município de Nova Ipixuna-Pará.
                 
Extrativistas que defendiam suas terras, as árvores, a mata, que lutavam contra a derrubada da floresta, defendiam a floresta em pé, afinal delas vinha o seu sustento e a garantia de vida com qualidade e quiçá tranquilidade, pois nelas teriam gantida a possibilidade de reprodução de suas famílias.
Mesmo com a criação das Reservas Extrativistas, que legitima a posse e reconhece o direito a terra, o direito a vida ainda não é respeitado.
                 
Ontem foram: Dorothy, Dezinho, Expedito, Irmãos Canuto, Chico Mendes e outros mais que tombaram por acreditarem que é possível viver dignamente com um pequeno espaço de terra, onde se pode produzir e garantir seu sustento e o sustento de milhões de brasileiros.
                 
A parte que se quer da terra não é uma cova, mas um pedaço de chão para reprodução da vida e das famílias. Até quando se dará a violência no campo? Quantos mais terão que tombar porque lutam por didignidade, por vida justa, por um espaço, por um pedaço de chão quer no campo ou na cidade, para que possam garantir as suas vidas e a de suas famílias?
 
Belém, 24.05.2011
 
Elen Pessôa
Instituto Amazônia Solidária e Sustentável-IAMAS
elenpessoa@yahoo.com.br

terça-feira, 24 de maio de 2011

Amazônia - fotos do local do crime contra extrativistas no Pará - Thiago Cruz - Nova Ipixuna-PA






Nota da CPT

AMBIENTALISTAS SÃO ASSASSINADOS EM RESERVA EXTRATIVISTA NO SUDESTE DO PARÁ.


Hoje, por volta das 8 horas da manhã, os ambientalistas JOSÉ CLÁUDIO RIBEIRO DA SILVA e sua esposa MARIA DO ESPÍRITO SANTO SILVA, foram assassinados a tiros no interior do Projeto de Assentamento Extrativista, Praia Alta Piranheira, no município de Nova Ipixuna, sudeste do Pará. José Cláudio e Maria do Espírito Santo se dirigiam de moto para a sede do município, localizada a 45 km, ao passarem por uma ponte, em péssimas condições de trafegabilidade, foram alvejados com vários tiros de escopeta e revólver calibre 38, disparados por dois pistoleiros que se encontravam de tocaia dentro do mato na cabeceira da ponte. Os dois ambientalistas morreram no local. Os pistoleiros cortarem uma das orelhas de José Cláudio e levaram como prova do crime. 

José Cláudio e Maria do Espírito Santo foram pioneiros na criação da reserva extrativista do Assentamento Praia Alta Piranheira no ano de 1997. Uma área de 22 mil hectares, onde existia uma das últimas reservas de Castanha do Pará, da região sudeste do Estado. Além da Castanha do Pará a reserva é rica em açaí, andiroba, cupuaçu e outras espécies extrativistas. Devido à riqueza em madeira, a reserva era constantemente invadida por madeireiros do município de Nova Ipixuna e Jacundá. A área é também pressionada por fazendeiros que pretendem expandir a criação de gado no local.

“Eu defendo a floresta e seus habitantes em pé, mas devido esse meu trabalho sou ameaçado de morte pelos empresários da madeira, que não querem ver a floresta em Pé”, denunciava José Cláudio. Ele foi o primeiro presidente da associação do assentamento, foi sucedido na presidência da associação por sua espora Maria do Espírito Santo. Os dois ambientalistas eram incansáveis defensores da preservação da floresta extrativista. Inúmeras vezes interditaram estradas internas, pararam caminhões madeireiros dentro da reserva, anotaram as placas e encaminharam as denúncias ao IBAMA e Ministério Público Federal. Eram porta-vozes das mais de 300 famílias ali assentadas. Defendiam a floresta como suas próprias vidas. Nos últimos anos passaram a serem ameaçados de morte por madeireiros e fazendeiros. 

Por diversas vezes encaminharam denúncias de ameaças sofridas, através da CPT e do CNS, aos órgãos competentes, sempre nominando madeireiros e fazendeiros como responsáveis pelas ameaças. No final do ano passado, escaparam de uma emboscada, quando pistoleiros estiveram em sua casa procurando pelo casal. Nos últimos anos, a CPT denunciou as ameaças contra o casal no caderno de conflitos no campo. Nem a floresta nem os ambientalistas foram protegidos pelo poder público. As castanheiras continuaram sendo derrubadas pelos madeireiros e as duas lideranças tombaram pelas balas criminosas de pistoleiros a mando de seus ameaçadores.


A responsabilidade pelas mortes dos ambientalistas recai sobre o INCRA, o IBAMA, a Polícia Federal que nada fizeram para coibirem a extração ilegal de castanheiras na reserva e a destruição da Floresta pelos madeireiros e carvoeiros. Recai ainda sobre o governo do Estado do Pará que não colocou a polícia para investigar as tantas denúncias feita por José Cláudio e Maria do Espírito Santo. Por fim, os dois ambientalistas são vítimas do atual modelo de desenvolvimento imposto para a Amazônia pelos sucessivos governantes, que prioriza a exploração desenfreada e criminosa das riquezas da floresta, em benefício do agronegócio, de madeireiros e mineradores.  As consequências são: a destruição da floresta, o saque de suas riquezas e a violência contra seus povos.

            José Cláudio e Maria do Espírito Santo vivem na luta e na memória do povo!
                                  
Marabá, 24 de maio de 2011.

Comissão Pastoral da Terra – CPT
Diocese de Marabá. 

Morre Abdias do Nascimento

 
Brizola Neto
Hoje é um dia de tristeza que, embora esperado, dói muito em todos os que acreditam na igualdade humana e têm nojo do racismo. Morreu Abdias do Nascimento, um homem que foi tantas coisas que é difícil enumerar e, em todas elas, foi um só: um brasileiro negro, que amor a arte, o conhecimento e as pessoas. Leia mais em Viomundo

Veja o site do Abdias

Ministério dos Direitos Humanos - Nota Pública

Sobre o bárbaro assassinato do casal José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, no município de Nova Ipixuna, no sudeste do Pará, ocorrido na manhã de hoje, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) vem a público afirmar que. Leia a íntegra AQUI

História tantas vezes lida- caso de José Pinheiro Lima e família


Caso similar o assassinato de Cláudio e Maria  ocorreu há  10 anos atrás quando o sindicalista de Marabá José Pinheiro Lima (Dedezinho), a esposa Cleonice Campos Lima e seu filho Samuel Campos Lima, de apenas 15 anos de idade foram executados.  

10 anos foram necessários para que os acusados e intermediários fossem pronunciados na justiça.  Um baita estímulo para a manutenção da prática de assassinatos de militantes da reforma agrária, meio ambiente e direitos humanos.  Leia mais AQUI

NOTA DE MORTE ANUNCIADA


A história se repete!
Novamente, choramos e revoltamo-nos:
Direitos Humanos e Justiça são para quem neste país?


Hoje, 24 de maio de 2011, foram assassinados nossos companheiros, José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assentados no Projeto Agroextrativista Praialta-Piranheira, em Nova Ipixuna – PA. Os dois foram emboscados no meio da estrada por pistoleiros, executados com tiros na cabeça, tendo Zé Claúdio a orelha decepada e levada pelos seus assassinos provavelmente como prova do “serviço realizado”.

Camponeses e líderes dos assentados do Projeto Agroextratista, Zé Cláudio e Maria do Espírito Santo (estudante do Curso de Pedagogia do Campo UFPA/FETAGRI/PRONERA), foram o exemplo daquilo que defendiam como projeto coletivo de vida digna e integrada à biodiversidade presente na floresta. Integrantes do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), ONG fundada por Chico Mendes, os dois viviam e produziam de forma sustentável no lote de aproximadamente 20 hectares, onde 80% era de floresta preservada. Com a floresta se relacionavam e sobreviviam do extrativismo de óleos, castanhas e frutos de plantas nativas, como cupuaçu e açaí. No projeto de assentamento vive aproximadamente 500 famílias.

A denúncia das ameaças de morte de que eram alvo há anos alcançaram o Estado Brasileiro e a sociedade internacional. Elas apontavam seus algozes: madeireiros e carvoeiros, predadores da natureza na Amazônia. Nem por isso, houve proteção de suas vidas e da floresta, razão das lutas de José Cláudio e Maria contra a ação criminosa de exploradores capitalistas na reserva agroextrativista.

Tamanha nossa tristeza! Desmedida nossa revolta! A história se repete! Novamente camponeses que defendem a vida e a construção de uma sociedade mais humana e digna são assassinados covardemente a mando daqueles a quem só importa o lucro: MADEREIROS e FAZENDEIROS QUE DEVASTAM A AMAZÔNIA.  

ATÉ QUANDO?

Não bastasse a ameaça ser um martírio a torturar aos poucos mentes e corações revolucionários, ainda temos de presenciar sua concretude brutal?

Não bastasse tanto sangue escorrendo pelas mãos de todos que não se incomodam com a situação que vivemos, ainda precisamos ouvir as autoridades tratando como se o aqui fosse distante?

Não bastasse que nossos homens e mulheres de fibra fossem vistos com restrição, ainda continuaremos abrindo nossas portas para que os corruptos sejam nossos lideres?

Não bastasse tanta dificuldade de fazer acontecer outro projeto de sociedade, ainda assim temos que conviver com a desconfiança de que ele não existe?

Não bastasse que a natureza fosse transformada em recurso, a vida tinha também que ser reduzida a um valor tão ínfimo?

Não bastasse a morte orbitar nosso cotidiano como uma banalidade, ainda temos que conviver com a barbárie?

Mediante a recorrente impunidade nos casos de assassinatos das lideranças camponesas e a não investigação e punição dos crimes praticados pelos grupos econômicos que devastam a Amazônia, RESPONSABILIZAMOS O ESTADO BRASILEIRO – Presidência da República, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente, Polícia Federal, Ministério Público Federal – E COBRAMOS JUSTIÇA!

ESTAMOS EM VÍGILIA!!!
“Aos nossos mortos nenhum minuto de silêncio. Mas toda uma vida de lutas.”

Marabá-PA, 24 de Maio de 2011.

Universidade Federal do Pará/ Coordenação do Campus de Marabá; Curso de Pedagogia do Campo UFPA/FETAGRI/PRONERA; Curso de Licenciatura Plena em Educação do Campo;
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST/ Pará;
Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura – FETAGRI/Sudeste do Pará;
Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar – FETRAF/ Pará;
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB;
Comissão Pastoral da Terra – CPT Marabá;
Via Campesina – Pará;
Fórum Regional de Educação do Campo do Sul e Sudeste do Pará.

Nota da Contag

Em mais uma ofensiva de latifundiários do estado do Pará em calar a luta pela terra no estado, dois trabalhadores rurais foram assassinados ontem (23), em Nova Ipixuna. A Contag manifesta seu pesar pela morte dos trabalhadores e repudia o ato de violência.

As informações da Federação dos Trabalhadores (as) na Agricultura do Estado do Pará (Fetagri-PA), relatam que José Claudio Ribeiro da Silva e sua esposa Maria do Espírito Santo foram assassinados após serem cercados em uma ponte quando saiam do Projeto de Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira.

O casal morava nesse assentamento e estava a caminho de Nova Ipixuna, quando foram executados a tiros. Ambos eram extrativistas e militantes do movimento sindical, já haviam recebido ameaças morte e lutavam contra madeireiros na região.

O fato chegou ao conhecimento da Presidência da República, que determinou que o Ministério da Justiça acione a Polícia Federal para punir os responsáveis.

Direção da Contag

NOTA PÚBLICA - REDE FAOR

Assassinato das lideranças do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, em  Nova Ipixuna – PA

A Rede FAOR – Fórum da Amazônia Oriental (FAOR) vem a público manifestar sua indignação com o assassinato das lideranças do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), José Cláudio Ribeiro da Silva e sua esposa  Maria do Espírito Santo, executados hoje pela manhã, terça-feira, 24 de maio de 2011, no município de Nova Ipixuna, sudeste do Pará. Os dois eram moradores do Projeto de Assentamento Agroextrativista Praia Alta  - Piranheira.

José Cláudio, a muito estava marcado para morrer, desde que começou a denunciar o desmatamento e a extração ilegal de madeira na região.
 
Mais uma vez tombam aqueles e aquelas que insistem em defender a floresta.
 
O FAOR exige publicamente que as autoridades competentes, investiguem este crime com  seriedade e prendam os criminosos (mandantes e executores) para que este não seja mais um crime a fazer parte da imensa lista  de impunidade que assola o nosso estado.
 
O FAOR aproveita para declarar a sua solidariedade aos familiares das vítimas, ao CNS e reafirmar aqui o nosso compromisso em defesa da vida, da justiça e das populações tradicionais da Amazônia.
 
 
 
Amazônia Oriental, 24 de maio de 2011
 
 
Fórum da Amazônia Oriental - FAOR
 
 
Marquinho Mota
Assessoria de Comunicação - Rede FAOR
faor.comunicacao@faor.org.br
www.faor.org.br
www.xinguvivo.org
www.xingu-vivo.blogspot.com
(91) 3261 4334/87144416/81389805/91110439

Nota do CNS


Maria do Espírito Santo da Silva e José Claudio Ribeiro da Silva, líderes do Projeto Agroextrativista Praialta-Piranheira, foram assassinados na manhã desta terça feira (24), a 50 km do município de Nova Ipixuna, sudeste do Pará, na comunidade de Maçaranduba.

As ameaças contra a vida do casal de extrativistas começaram por volta de 2008. Segundo familiares, desconhecidos rondavam a casa de Maria e José Cláudio, geralmente à noite, disparando tiros para o alto. Algumas vezes, chegaram a alvejar animais da propriedade do casal. O momento das intimidações coincidiu com a denúncia dos líderes extrativistas contra madeireiros da região, que constantemente avançam na área do PAEX, para extrair espécies madeireiras como castanheira, angelim e jatobá.

Para Atanagildo Matos, Diretor da Regional Belém do CNS, a morte de José Cláudio e Maria da Silva é uma perda irreparável. “Eles nos deixam uma lição, que é o ideal dos extrativistas da Amazônia: permitir que o ‘povo da floresta’ possa viver com qualidade, de forma sustentável com o meio ambiente”, diz Matos. “Já estamos em contato com o Ministério Público Federal, Polícia Federal e outras instituições. Apoiaremos fortemente as investigações, para que esse crime não fique impune”, afirma o Diretor do CNS.

Trabalho - Maria e José Cláudio viviam há 24 anos em Nova Ipixuna. Integrantes do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), ONG fundada por Chico Mendes, foram um exemplo para toda a comunidade. Desde que começaram a viver juntos, mostravam que era possível viver em harmonia com a floresta, de forma sustentável. “O terreno deles tinha aproximadamente 20 hectares, mas 80% era área verde preservada”, conta Clara Santos, sobrinha de José Cláudio Silva. “Eles extraíam principalmente óleos de andiroba e castanha, além de outros produtos da floresta para sua subsistência. Graças à iniciativa dos meus tios, atualmente o PAEX Praialta-Piranheira tem um convênio com Laboratório Sócio-Agronômico do Tocantins (LASAT – Universidade Federal do Pará), para produção sustentável de óleos vegetais, para que os moradores possam sustentar-se sem agredir a floresta”, revela Clara.

Assentamento - O Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAEX) Praialta Piranheira situa-se à margem do lago da hidrelétrica de Tucuruí. Foi criado em 1997 e possui atualmente uma área de 22 mil hectares, onde encontram-se aproximadamente 500 famílias. Além do óleos vegetais, o açaí e o cupuaçu, frutas típicas da região, garantem a renda de muitas famílias.



Entrevistas:
Atanagildo Matos (Diretor do CNS Belém): (91) 9148-5180
Cristina Silva (Coordenadora do CNS Belém) (91) 8108-7227
Clara Santos (sobrinha de José Cláudio da Silva): (94) 9158-7561

Nota de pesar

Prezadas\os

Nos chegou, de forma muito triste, a notícia do assassinato do seu Zé Claudio e da Dona Maria, um casal muito simpático, vivendo do extrativismo da floresta, que nos recebeu de forma calorosa, à Rumi, ao Eduardo e a mim, quando estivemos em dezembro passado em Marabá. Aprendi muito com eles, nas poucas horas que convivemos, e me parece tão irreal que é difícil comentar a respeito. De onde estamos resta tão pouco a fazer, exceto esperar que um dia o Brasil trate melhor as pessoas que, como o Zé Claudio e a D. Maria, procuram defender e conviver harmonicamente com a floresta. Os conhecimentos deles em muito serão perdidos, e no curto espaço de tempo que estive com eles pude perceber que eram de um valor incalculável. Assim, cada um de nós perde um pouco, e por isso transmito a todos os meus pêsames. 

 Fábio - PGDR\UFRGS


A execução dos camponeses Cláudio e Maria


Corrupção na Assembleia Legislativa, secretário processado por trabalho escravo, renúncia de acusado de corrupção no segundo escalão, e agora dois corpos de camponeses sobre a mesa do governo em menos de seis meses de PSDB no estado. 

Quando o partido reassumiu o poder após de 12 anos na administração, e a desastrosa administração petista, a avaliação dos setores do campo no Pará era que o ímpeto dos ruralistas iria se reacender, e o aparato do estado agudizar a coerção contra as representações camponesas. 

Impossível não lembrar do Massacre do Eldorado, 1996, uma ação da polícia que resultou com a execução de 19 camponeses no município de Eldorado do Carajás sob a ordem do médico Almir Gabriel (PSDB).  Não há ninguém preso até hoje. 

O nome de José Cláudio Ribeiro da Silva constava na lista de ameaçados de morte desde a década de 1990. Ele militou junto ao Sindicato de Trabalhadores Rurais e do Conselho Nacional de Seringueiros (CNS), assim como Chico Mendes. 

Sempre que concedia entrevista fazia questão de exibir uma frondosa castanheira no projeto de assentamento rural Praia Alta Piranheira, localizado no município de Nova Ipixuna, no sudeste do Pará. 

A árvore era o orgulho dele e uma espécie de símbolo de resistência contra a voracidade dos madeireiros. A esposa Maria do Espírito Santo iria colar grau no curso de Pedagogia do Campo da UFPA em julho. 

Uma ironia é que as denúncias circularam em tudo que é canto. Cláudio e Maria concederam inúmeras entrevistas, num seminário em Manaus ele voltou a reforçar as ameaças que a família vinha sofrendo dos madeireiros da região. 

No dia 13 no Rio de Janeiro a atriz paraense Dira Paes participou do lançamento do documentário Este homem vai morrer, do cineasta Emilio Gallo. O filme trata justamente de uma chaga que persiste de forma sistemática no sul e sudeste do Pará desde a década de 1980, o apogeu da União Democrática Ruralista (UDR).

Execuação no campo- Dona Maria iria colar grau no curso de Pedagogia em julho


A dirigente Maria do Espirito Santo executada em Nova Ipixuna era estudante do curso Pedagogia do Campo da UFPA. A turma cola grau em julho

Os corpos estão sendo deslocados para o IML de Marabá, indicam informações de Marabá.