Mocó é uma adapatação livre do professor Leandro Cazula da peça Abajur Lilás
Inicia hoje, 09, a partir das 20h, no auditório Wilson Fonseca, da Ufopa, unidade Rondon, o espetáculo Mocó. A peça é uma livre adaptação de Abajur Lilás, do autor Plínio Marcos. Dia 25 será a última encenação.
A
inciativa é do grupo Iurupari (máscara sobre o rosto), coordenado pelo professor
Leandro Cazula. A peça foi selcionada no
edital da Política Nacional Aldir Blanc
de Fomento à Cultura (Edital 002/2025).
A peça
tem 100 minutos de duração e classificação para pessoas a partir de 18 anos. Segundo
a sinopse, o espetáculo transcorre em quarto miserável de um bordel decadente e
claustrofóbico.
“O
Mocó” é o lugar onde vivem três prostitutas exploradas pelo cafetão e vigiadas
por um violento capataz. Um motim é instaurado na tentativa de derrubar a
estrutura do Mocó, mas sem a adesão integral das mulheres. Uma delas se rebela
com destemor, o que leva o dono e o cupincha a iniciarem uma série de torturas
psicológicas e físicas para descobrir quem é a rebelde.
Plinio Marcos (1935-1999) era um elemento de elevada periculosidade, assim o considerava a cúpula da ditadura empresarial militar (1964-1985), conforme atesta artigo da pesquisadora DeniseRibeiro Leppos, publicado no site Observatório da Imprensa, em novembro de 2017.
A partir de um fragmento de um documento dos representantes da censura, a professora realça que Marcos fazia par, entre outros, com o poeta e crítico de arte Ferreira Gullar, com o novelista Dias Gomes, com o cineasta Cacá Diegues e com o ator e autor Jean Francesco Guarnieri. Todos classificados com a mesma insginia imputada ao santista, que viveu e conspirou contra a ditadura. Sempre escreveu para incomodar a ordem.
Filho
de uma dona de casa e um bancário, Plinio foi ponta direita da Portuguesa,
artista de circo, dramaturgo e jornalista, sendo considerado uma ameaça aos
bons costumes, à família e à sociedade brasileira.
O
motivo? Promover a visibilidade dos sujeitos colocados em condições de
subalternização ou marginalizados, onde constam no rol: o porteiro, o malandro,
a prostituta, o desempregado, o morador de rua, o cafetão, etc.
Jornalista – Marcos
trabalhou por cerca de duas décadas como jornalista na imprensa empresarial.
Assim como colaborou na imprensa alternativa da época. Além de reportagens,
assinou a notória coluna Navalha da Carne, que nomeará uma de suas peças
teatrais.
Além de reportagens e entrevistas
com o cidadão comum e pessoas com destaque na sociedade daquela quadra
temporal, o insubmisso assinou crônicas. Assim como Nelson Rodrigues, nelas,
retratava o cotidiano do cidadão comum e os vícios da sociedade daquele tempo.
Folha de São Paulo, Veja, Última
Hora, Diário da Noite, Folha da Tarde e algumas contribuições para a revista
Realidade constam no currículo do jornalista Plínio Marcos, que também colaborou
nos espaços considerados como alternativos, a exemplo do festejado Pasquim,
Opinião, Movimento e Versus.
Dramaturgia – atravessado por uma paixão
por uma artista circense, aos 16 anos ingressou no circo. Por ironia da vida,
serviu a Aeronáutica. É creditado a Pagu,
Patrícia Galvão, a sua iniciação no teatro, onde fazia pequenos papéis no Teatro
Liberdade, em Santos.
Em 1960, muda para São Paulo, e
passou a integrar a Companhia Cacilda Becker. E, nunca mais conheceu freio. Preferencialmente,
encarnava no portfólio de personagens, mendigos, prostitutas, vagabundos e delinquentes.
Podemos realçar entre os motes
contemplados na obra de Marcos uma ácida crítica ao modo de produção capitalista,
a crueldade da ditadura militar e a violência embuti nas relações humanas, como
comenta Geovane Pereira, em artigo sobre o espetáculo Abajur Lilás.
Abajur Lilás (1969) –
escrita há quase 60 anos, assim como outras peças do autor, não passou pelo
crivo da censura dos militares, que mantiveram a mesma decisão desde Barrela
(1958), proibida de ser encenada pelo ministro da Justiça, o professor Gama e
Silva.
Abajur Lilás é ambientada em um prostíbulo decadente. O espetáculo é protagonizado por três prostitutas, Célia, Dilma e Leninha. A luz lilás do abajur era uma norma imposta pelo cafetão.
Segundo a sinopse da obra, quando
o abajur é quebrado, o cafetão empreende uma onda de violências contra as mulheres
com vistas a elucidar quem quebrou o eletrodoméstico.
Degradação humana, violências,
covardias, a exploração da mulher pelo homem, o abuso de poder emolduram o
espetáculo, que traz à tona o ambiente em que os próprios oprimidos se voltem
uns contra os outros. Por conta da censura, a obra foi encenada pela primeira
vez em 1980, 11 anos após ser escrita.
Em 1988, quando da efetivação da Constituição Federal, Plínio Marcos foi o entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura/SP.
Iurupari – o coletivo de teatro é um projeto de extensão da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), coordenado pelo professor Leandro Cazula, do curso de Geografia. A iniciativa soma mais de uma década de experiência na cena de Santarém.
O grupo tem se notabilizado por promover
oficinas de iniciação cênica divididas em núcleos como o de crianças e adolescentes,
jovens e adultos; e contação de histórias. E, por promover a integração da
comunidade externa ao ambiente acadêmico por meio da prática teatral acessível.
Ficha técnica de Mocó
Espetáculo: “O MOCÓ”
DATAS: 09, 10, 11, 16, 17, 18, 23, 24 e 25 de julho de 2026.
HORÁRIO: QUINTA e SEXTA: 20h. SÁBADOS – Seções Malditas: 23h
LOCAL DA APRESENTAÇÃO: Auditório Wilson Fonseca da Ufopa, Unidade
Rondon, Campus de Santarém/PA, Localiza-se na Av. Marechal Rondon s/n.º, Bairro
Caranazal – Próximo ao Shopping Paraíso.
ENTRADA: Gratuita
LOTAÇÃO: 120 (cento e vinte) pessoas
DISTRIBUIÇÃO DOS INGRESSOS: Uma hora de antecedência da apresentação
TEXTOS: Adaptação Livre do texto “Abajur Lilás” (1969) do dramaturgo
Plínio Marcos (1935–1999)
DIRETOR: Leandro Cazula
FIGURINISTA E CENÓGRAFA: Conce Gomes
MAQUIADOR E SONOPLASTA: Domiciano Gomes
ILUMINADOR: Amaury Caldeira
FOTÓGRAFO: Wendel Freitas
DESIGNER GRÁFICO: Caê Oliveira
PRODUÇÃO: Karina Vasconcelos
ATOR CONVIDADO: Wendel Freitas
COLABORAÇÃO: Carolina Miranda
GÊNERO DO ESPETÁCULO: Drama
CLASSIFICAÇÃO: 18 anos
DURAÇÃO: 100 (cem) minutos
Mais informações
Cazula - 93 99130-6555
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