quinta-feira, 9 de julho de 2026

Iurupari, teatro amador de Santarém encena o vanguardista e provocador Plínio Marcos

 Mocó é uma  adapatação livre do professor Leandro Cazula da peça Abajur Lilás


Inicia hoje, 09, a partir das 20h, no auditório Wilson Fonseca, da Ufopa, unidade Rondon, o espetáculo Mocó.  A peça é uma livre adaptação de Abajur Lilás, do autor Plínio Marcos.  Dia 25 será a última encenação.

A inciativa é do grupo Iurupari (máscara sobre o rosto), coordenado pelo professor Leandro Cazula.  A peça foi selcionada no edital  da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Edital 002/2025).

A peça tem 100 minutos de duração e classificação para pessoas a partir de 18 anos. Segundo a sinopse, o espetáculo transcorre em  quarto miserável de um bordel decadente e claustrofóbico.

“O Mocó” é o lugar onde vivem três prostitutas exploradas pelo cafetão e vigiadas por um violento capataz. Um motim é instaurado na tentativa de derrubar a estrutura do Mocó, mas sem a adesão integral das mulheres. Uma delas se rebela com destemor, o que leva o dono e o cupincha a iniciarem uma série de torturas psicológicas e físicas para descobrir quem é a rebelde.

Plinio Marcos (1935-1999) era um elemento de elevada periculosidade, assim o considerava a cúpula da ditadura empresarial militar (1964-1985), conforme atesta artigo da pesquisadora DeniseRibeiro Leppos, publicado no site Observatório da Imprensa, em novembro de 2017.


A partir de um fragmento de um documento dos representantes da censura, a professora realça que Marcos fazia par, entre outros, com o poeta e crítico de arte Ferreira Gullar, com o novelista Dias Gomes, com o cineasta Cacá Diegues e com o ator e autor Jean Francesco Guarnieri. Todos classificados com a mesma insginia imputada ao santista, que viveu e conspirou contra a ditadura. Sempre escreveu para incomodar a ordem.

Filho de uma dona de casa e um bancário, Plinio foi ponta direita da Portuguesa, artista de circo, dramaturgo e jornalista, sendo considerado uma ameaça aos bons costumes, à família e à sociedade brasileira. 

O motivo? Promover a visibilidade dos sujeitos colocados em condições de subalternização ou marginalizados, onde constam no rol: o porteiro, o malandro, a prostituta, o desempregado, o morador de rua, o cafetão,  etc.

Jornalista – Marcos trabalhou por cerca de duas décadas como jornalista na imprensa empresarial. Assim como colaborou na imprensa alternativa da época. Além de reportagens, assinou a notória coluna Navalha da Carne, que nomeará uma de suas peças teatrais.  

Além de reportagens e entrevistas com o cidadão comum e pessoas com destaque na sociedade daquela quadra temporal, o insubmisso assinou crônicas. Assim como Nelson Rodrigues, nelas, retratava o cotidiano do cidadão comum e os vícios da sociedade daquele tempo.

Folha de São Paulo, Veja, Última Hora, Diário da Noite, Folha da Tarde e algumas contribuições para a revista Realidade constam no currículo do jornalista Plínio Marcos, que também colaborou nos espaços considerados como alternativos, a exemplo do festejado Pasquim, Opinião, Movimento e Versus.

Dramaturgia – atravessado por uma paixão por uma artista circense, aos 16 anos ingressou no circo. Por ironia da vida, serviu a Aeronáutica.  É creditado a Pagu, Patrícia Galvão, a sua iniciação no teatro, onde fazia pequenos papéis no Teatro Liberdade, em Santos.  

Em 1960, muda para São Paulo, e passou a integrar a Companhia Cacilda Becker. E, nunca mais conheceu freio. Preferencialmente, encarnava no portfólio de personagens, mendigos, prostitutas, vagabundos e delinquentes.  

Podemos realçar entre os motes contemplados na obra de Marcos uma ácida crítica ao modo de produção capitalista, a crueldade da ditadura militar e a violência embuti nas relações humanas, como comenta Geovane Pereira, em artigo sobre o espetáculo Abajur Lilás.  

Abajur Lilás (1969) – escrita há quase 60 anos, assim como outras peças do autor, não passou pelo crivo da censura dos militares, que mantiveram a mesma decisão desde Barrela (1958), proibida de ser encenada pelo ministro da Justiça, o professor Gama e Silva.  


Abajur Lilás é ambientada em um prostíbulo decadente. O espetáculo é protagonizado por três prostitutas, Célia, Dilma e Leninha. A luz lilás do abajur era uma norma imposta pelo cafetão.

Segundo a sinopse da obra, quando o abajur é quebrado, o cafetão empreende uma onda de violências contra as mulheres com vistas a elucidar quem quebrou o eletrodoméstico.

Degradação humana, violências, covardias, a exploração da mulher pelo homem, o abuso de poder emolduram o espetáculo, que traz à tona o ambiente em que os próprios oprimidos se voltem uns contra os outros. Por conta da censura, a obra foi encenada pela primeira vez em 1980, 11 anos após ser escrita.   

Em 1988, quando da efetivação da Constituição Federal, Plínio Marcos foi o entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura/SP. 

Iurupari – o coletivo de teatro é um projeto de extensão da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), coordenado pelo professor Leandro Cazula, do curso de Geografia.  A iniciativa soma mais de uma década de experiência na cena de Santarém.

O grupo tem se notabilizado por promover oficinas de iniciação cênica divididas em núcleos como o de crianças e adolescentes, jovens e adultos; e contação de histórias. E, por promover a integração da comunidade externa ao ambiente acadêmico por meio da prática teatral acessível.

Ficha técnica de Mocó

Espetáculo: “O MOCÓ”

DATAS: 09, 10, 11, 16, 17, 18, 23, 24 e 25 de julho de 2026.

HORÁRIO: QUINTA e SEXTA: 20h. SÁBADOS – Seções Malditas: 23h

LOCAL DA APRESENTAÇÃO: Auditório Wilson Fonseca da Ufopa, Unidade Rondon, Campus de Santarém/PA, Localiza-se na Av. Marechal Rondon s/n.º, Bairro Caranazal – Próximo ao Shopping Paraíso.

ENTRADA: Gratuita

LOTAÇÃO: 120 (cento e vinte) pessoas

DISTRIBUIÇÃO DOS INGRESSOS: Uma hora de antecedência da apresentação

TEXTOS: Adaptação Livre do texto “Abajur Lilás” (1969) do dramaturgo Plínio Marcos (1935–1999)

DIRETOR: Leandro Cazula

FIGURINISTA E CENÓGRAFA: Conce Gomes

MAQUIADOR E SONOPLASTA: Domiciano Gomes

ILUMINADOR: Amaury Caldeira

FOTÓGRAFO: Wendel Freitas

DESIGNER GRÁFICO: Caê Oliveira

PRODUÇÃO: Karina Vasconcelos

ATOR CONVIDADO: Wendel Freitas

COLABORAÇÃO: Carolina Miranda

GÊNERO DO ESPETÁCULO: Drama

CLASSIFICAÇÃO: 18 anos

DURAÇÃO: 100 (cem) minutos

Mais informações

Cazula - 93 99130-6555

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