Esclarecimento sobre a nota de Belo Sun sobre a ocupação da
Funai em Altamira/PA
No dia 16 de março de 2026, a
mineradora canadense Belo Sun divulgou uma nota de “esclarecimento” sobre a ocupação
da Funai liderada pelo Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu, que
reivindica o cancelamento do licenciamento ambiental do projeto de exploração
de ouro na Volta Grande do Xingu.
Belo Sun afirma que a Licença de Instalação,
suspensa pelo Tribunal Regional da 1ª Região (TRF1) em 2017, foi reestabelecida
por uma tutela recursal no âmbito do mesmo, o que ocorreu de forma monocrática
por decisão do desembargador Flávio Jardim em plena sexta-feira de carnaval. De
acordo com recurso do Ministério Público Federal (MPF), no entanto, tal decisão
substituiu o critério técnico dos órgãos indigenista (FUNAI) e ambiental
(SEMAS) pelo critério judicial, violando a teoria das capacidades
institucionais. Ou seja, a decisão monocrática esvazia o comando do próprio
TRF1, que delegou ao órgão técnico a análise da suficiência dos estudos (elaboração
do Estudo do Componente Indígena – ECI a partir de dados primários, na forma
exigida pela FUNAI). A FUNAI, após a análise do ECI apresentado pela
mineradora, avaliou-o como incompleto. Assim, conclui-se que o título judicial não
foi cumprido.
Ademais, de acordo com a propria
SEMAS, responsavel pelo licenciamento do projeto, a Licença Previa do mesmo
tinha validade apenas ate 2017, e a Licença de Instalação, até 2020. Na leitura
dos manifestantes, as licenças ja nem existem mais.
Belo Sun afirma ainda que
realizou, conforme decisão judicial, a Consulta Previa, Livre e Informada aos
indígenas, exigida tanto pelo TRF1 quanto pela Convençao 169 da OIT. Em seu
artigo 6º, no entanto, a Convenção 169 da OIT deixa claro que cabe aos Governos
consultar os povos interessados, mediante procedimentos apropriados, o que
invalida qualquer processo realizado pelo próprio empreendimento.
A mineradora invoca ainda “manifestações
formais” de comunidades indígenas registradas em âmbito administrativo e
judicial. Ora, em 12 de dezembro de 2025, a declaração das associações dos
povos Juruna e Arara da Volta Grande, registrada neste âmbito, afirma que os
mesmos não foram consultados sobre a implantação de Belo Sun e que, portanto, não
emitiram nenhuma opinião ou decisão sobre a instalação do empreendimento.
A declaração de Belo Sun de que
os direitos legais dos indígenas foram respeitados, beira ao absurdo diante da manifestação
massiva dos povos do Médio Xingu que, desde 23 de fevereiro do ano corrente,
afirmam o contrário. As dezenas de mulheres e homens que, por mais de 20 dias,
permanecem acampados em luta por seus direitos e pelo cancelamento da licença
de Belo Sun, não o fazem por lazer, mas por entenderem o perigo que o
empreendimento minerário representa para a região.
23 de fevereiro do ano corrente,
afirmam o contrário. As dezenas de mulheres e homens que, por mais de 20 dias,
permanecem acampados em luta por seus direitos e pelo cancelamento da licença
de Belo Sun, não o fazem por lazer, mas por entenderem o perigo que o
empreendimento minerário representa para a região.
Belo Sun argumenta que não
captara água do rio Xingu, mas projeta usar mais de 473 mil litros por hora na
fase de exploração de ouro. No fundo, não importa a fonte desta água. Tal exploração
afetara a bacia, a agricultura, a economia e principalmente os povos do Xingu,
que já sofrem com os impactos de Belo Monte e das sucessivas secas recordes dos
últimos anos, decorrentes das mudanças climáticas.
Belo Sun e uma empresa
estrangeira que pretende saquear as riquezas da Volta Grande do Xingu, território
sagrado de povos e comunidades indígenas e tradicionais. Se acha no direito de
definir o que são “canais apropriados” e o que e “responsável” na forma de expressão
dos povos originários e soberanos detentores do território que deseja usurpar.
Escancara assim suas posições e práticas predadoras, coloniais e profundamente
desrespeitosas com os povos indígenas e tradicionais do Médio Xingu, que
afirmam que não cederão um palmo de chão para a mineração. Por Fim, o Movimento
de Mulheres Indígenas do Médio Xingu segue a disposição para dialogar com instituições,
comunidades, imprensa e demais interessados no andamento da luta contra Belo
Sun.
Telefones para contato
Eliete Juruna (93) 999046809
Pyja Xipaia (93) 992363643
Sol Juruna (93) 99130877
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