O artista é acusado de usar playback em show
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| Mirosmar e o prefeito de Marabá, Toni Cunha (PL). Foto: redes sociais |
Mirosmar, o Zezé de Camargo ficou um pouco mais abastado nesta virada do ano. Ele abocanhou mais um R$ 1 milhão em suas contas bancárias.
O espetáculo foi classificado
como precário por testemunhas oculares e virtuais. O uso de playback foi o motivo
do desconforto, reporta matéria do Diário do Pará, que esclarece ainda que
mesmo antes do fim da primeira canção, a prefeitura interrompeu a transmissão do
evento em seus canais de comunicação.
Playback é uma artimanha que
adota recurso pré gravado ao invés do valendo do cantador na hora H.
Rusgas entre a União e a gestão
do prefeito do PL, Toni Cunha, precederam o réveillon. A questão era quem iria
pagar o mimo/cachê. Até o ministério publico do estado entrou em campo por
conta da questão.
O show que embalou a chegada de
2026 sucedeu na cidade de Marabá, no sudeste do Pará.
Marabá é considerada a capital da
região sudeste do Pará. A latitude é a mais letal do país quando o assunto é a
luta pela terra. A região concentra o maior
rebanho de bovino do Brasil, onde o município de São Félix do Xingu possui mais
gado que gente.
A conformação territorial é
composta por grandes latifúndios e inúmeros projetos de assentamentos rurais (PAs).
Classes em luta. É a região de maior concentração
de PAs do Brasil.
Farinha pouca meu pirão primeiro
- A média de cachê para os artistas locais é de R$ 3 mil reais. Para um trabalhador
da cultura do município alcançar o cachê recebido por Mirosmar, ele terá de
labutar quase todos os dias do ano.
O valor do cachê somente do
sertanejo chega a representar pelo menos 12,5% do orçamento da pasta de cultura
estabelecido na LOA (Lei Orçamentária Anual) do município, estimado em R$ 8 milhões.
O fato do recurso constar na LOA, não implica que ele será aplicado.
A tática em engordar os
dividendos negociando espetáculos em cidades médias e pequenas no interior do
Brasil consta no portfólio de estratégia da fauna sertaneja. Uma ação coordenada
por frações de classe do mesmo campo da sociedade: a agricultura capitalista e
pares, onde constam chefes de executivos país a fora.
O mesmo setor também se
especializou em captar recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), como registra a reportagem de 2022, de Célio Turino, publicada
no site Outras Palavras.
Segundo Turino, o setor captou R$320
milhões a partir de empresas recém constituídas, um mês antes da liberação do empréstimo
para gestar as carreiras dos artistas.
A mão grande na cumbuca do
dinheiro público
O cachê de Mirosmar só foi
inferior aos recebidos pelos artistas Ana Castela e Bruno & Marrone, que
receberam R$1,1 milhão, na virada de 2024/2025. Todos os shows realizados em
capitais, esclarece reportagem do site UOL, assinada por Rodrigo Ortega.
O primeiro em São Paulo e o
segundo em São Luís. Cachês milionários
em extremos, uma capital considerada a locomotiva da economia do país, e a
segunda de um estado empobrecido, marcado pela hegemonia de coronéis.
Sobre os cachês milionários
daquela passagem, a reportagem de Ortega realça que Castela e a dupla Bruno &
Marrone, recebiam à época R$ 700 mil e R$600 mil, respectivamente. Contudo,
tiveram os cachês turbinados.
Na fauna sertaneja, o cantor Gustavo
Lima desponta como o maior cachê, R$1,2 milhão. Não à toa, o nicho, ocupa os
primeiros lugares em acesso aos recursos da Lei Rouanet.
A música sertaneja é uma
mercadoria típica do nosso tempo. Um produto criado e difundido em uma cadeia
poderosa que articula o público e o privado para a sua difusão, seja a partir
de grandes conglomerados de mídia, em feiras agropecuárias ou em aniversários de
pequenas e médias cidades em uma simbiose com o que o Brasil possui de mais
reacionário, “os senhores de terras”.
Antigos pensadores já alertavam
que quem controla os meios de produção material, tende a controlar os meios de
produção intelectual. No caso em tela, a tese fica mais que evidente.
O dito popular, assim esclarece o
caso: “ isso é um garimpo sem malária!”

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