quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Na batida do ganzá da virada do ano, Mirosmar bamburra em Marabá

 O artista é acusado de usar playback  em show

Mirosmar e o prefeito de Marabá, Toni Cunha (PL). Foto: redes sociais


Mirosmar, o Zezé de Camargo ficou um pouco mais abastado nesta virada do ano. Ele abocanhou mais um R$ 1 milhão em suas contas bancárias.

O espetáculo foi classificado como precário por testemunhas oculares e virtuais. O uso de playback foi o motivo do desconforto, reporta matéria do Diário do Pará, que esclarece ainda que mesmo antes do fim da primeira canção, a prefeitura interrompeu a transmissão do evento em seus canais de comunicação.

Playback é uma artimanha que adota recurso pré gravado ao invés do valendo do cantador na hora H.

Rusgas entre a União e a gestão do prefeito do PL, Toni Cunha, precederam o réveillon. A questão era quem iria pagar o mimo/cachê. Até o ministério publico do estado entrou em campo por conta da questão.

O show que embalou a chegada de 2026 sucedeu na cidade de Marabá, no sudeste do Pará.

Marabá é considerada a capital da região sudeste do Pará. A latitude é a mais letal do país quando o assunto é a luta pela terra.  A região concentra o maior rebanho de bovino do Brasil, onde o município de São Félix do Xingu possui mais gado que gente.

A conformação territorial é composta por grandes latifúndios e inúmeros projetos de assentamentos rurais (PAs). Classes em luta.  É a região de maior concentração de PAs do Brasil.

Farinha pouca meu pirão primeiro - A média de cachê para os artistas locais é de R$ 3 mil reais. Para um trabalhador da cultura do município alcançar o cachê recebido por Mirosmar, ele terá de labutar quase todos os dias do ano.

O valor do cachê somente do sertanejo chega a representar pelo menos 12,5% do orçamento da pasta de cultura estabelecido na LOA (Lei Orçamentária Anual) do município, estimado em R$ 8 milhões. O fato do recurso constar na LOA, não implica que ele será aplicado.

A tática em engordar os dividendos negociando espetáculos em cidades médias e pequenas no interior do Brasil consta no portfólio de estratégia da fauna sertaneja. Uma ação coordenada por frações de classe do mesmo campo da sociedade: a agricultura capitalista e pares, onde constam chefes de executivos país a fora.

O mesmo setor também se especializou em captar recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como registra a reportagem de 2022, de Célio Turino, publicada no site Outras Palavras.

Segundo Turino, o setor captou R$320 milhões a partir de empresas recém constituídas, um mês antes da liberação do empréstimo para gestar as carreiras dos artistas.

A mão grande na cumbuca do dinheiro público

O cachê de Mirosmar só foi inferior aos recebidos pelos artistas Ana Castela e Bruno & Marrone, que receberam R$1,1 milhão, na virada de 2024/2025. Todos os shows realizados em capitais, esclarece reportagem do site UOL, assinada por Rodrigo Ortega.

O primeiro em São Paulo e o segundo em São Luís.  Cachês milionários em extremos, uma capital considerada a locomotiva da economia do país, e a segunda de um estado empobrecido, marcado pela hegemonia de coronéis.

Sobre os cachês milionários daquela passagem, a reportagem de Ortega realça que Castela e a dupla Bruno & Marrone, recebiam à época R$ 700 mil e R$600 mil, respectivamente. Contudo, tiveram os cachês turbinados.

Na fauna sertaneja, o cantor Gustavo Lima desponta como o maior cachê, R$1,2 milhão. Não à toa, o nicho, ocupa os primeiros lugares em acesso aos recursos da Lei Rouanet.

A música sertaneja é uma mercadoria típica do nosso tempo. Um produto criado e difundido em uma cadeia poderosa que articula o público e o privado para a sua difusão, seja a partir de grandes conglomerados de mídia, em feiras agropecuárias ou em aniversários de pequenas e médias cidades em uma simbiose com o que o Brasil possui de mais reacionário, “os senhores de terras”.

Antigos pensadores já alertavam que quem controla os meios de produção material, tende a controlar os meios de produção intelectual. No caso em tela, a tese fica mais que evidente.

O dito popular, assim esclarece o caso: “ isso é um garimpo sem malária!”

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