sexta-feira, 26 de maio de 2017

Chacinas nas Amazônias – tudo como dantes?


Rogério Almeida – Professor da UFOPA

O estado do Pará ganhou mais uma triste página em sua longa história de execuções de camponeses envolvidos na luta pela terra. Mais uma vez o banho de sangue ocorreu no sul do estado, o berço da União Democrática Ruralista (UDR), na década de 1980. A entidade nasceu no maio de 1986, no Parque Agropecuário de Redenção sob a ordem do deputado Ronaldo Caiado.

O período é imortalizado como o mais violento, e que catapultou o sul e o sudeste do Pará como as regiões mais truculentas na luta pela terra do país. Tornaram-se emblemáticas as mortes da família Canuto, Expedito Ribeiro, Irmã Adelaide e do advogado Paulo Fonteles, bem como as chacinas nas fazendas Ubá, Surubim, Ingá e Princesa. Maioria dos casos se mantém impune.

No dia 24 de maio, mês mariano e dedicado às mães, um pouco mais de um mês das manifestações pela passagem de 21 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, policiais do estado mataram 10 posseiros no município de Pau D´arco, no sul do estado, e balearam mais uns 14. Jane, única mulher executada, liderava a associação dos camponeses da ocupação da Fazenda Santa Lúcia, motivo da tensão. Conforme nota da Liga dos Camponeses Pobres, (LCP), do conjunto dos dez assassinados, sete eram da mesma família. A família Babinsk é acusada de grilar as terras em disputa.

Ironia, das ironias, o caso ocorre na mesma data de passagem de mais um ano do assassinato do casal de extrativistas José Cláido e Maria do Espírito Santo. O casal sofreu uma tocaia no projeto de Assentamento Praia Alta Piranheira, no município de Nova Ipixuna, ano de 2011, quando a bancada ruralista votava a reforma no código florestal. Quando a casa legislativa tomou conhecimento da execução do casal, celebraou com aplausos e loas.

Como em Eldorado dos Carajás, a ordem foi de um governador do PSDB.  Almir Gabriel, o médico, que em tese deveria zelar pela vida foi quem ordenou o de Eldorado, e agora o professor Simão Jatene endossa o currículo do partido com o caso de Pau D´arco.

Assim os crimes patrimoniais que marcam a história da República e ocupam o noticiário, a impunidade é o principal aditivo para a manutenção e naturalização de chacinas de camponeses e camponesas na Amazônia. Assim como as execuções de jovens negros pobres nos grandes centros do país. 

A elite ruboriza de indignação com os prejuízos materiais provocados com as manifestações na capital do país. Noutro extremo, bate de ombros com mais uma chacina no estado do Pará. Um indicador deste fato é a ausência do caso nas páginas dos principais veículos de comunicação do país.

Os dias são sombrios. Desde o estado de exceção não se tinha um Congresso tão à direita. É bíblia, boi e bala que hegemonizam as casas. A agenda ameaça direitos adquiridos na área trabalhista e da seguridade social. No plano amazônico, além da agenda desenvolvimentista, marcada pelos eixos de integração (energia, transporte e comunicação), a revisão dos códigos florestal e de mineração coloca em risco territórios já definidos como unidades de conservação (UCs), territórios indígenas e áreas quilombolas.

Sem falar em medidas provisórias que tendem a reduzir UCs  com vistas a ceder passagem aos grandes empreendimentos hidrelétricos, rodovias, ferrovias e hidrovias, como o caso da redução da área da UC Jamanxim no oeste do Pará.  Na era marcada por incertezas, protagonismo do capital financeiro, tanto a terra quanto os recursos naturais cá existentes estão cada vez mais sujeitos aos interesses das grandes corporações.  

Desde os anos coloniais, a história da “conquista” das Amazônias tem sido marcada por crimes, genocídio indígena, chacinas de camponeses, grilagens de terras, parcialidade do judiciário e a coerção pública e privada contra camponeses e as populações ancestrais. 

E tudo pode ficar pior por conta da agenda de grandes projetos que se mantém como modelo de desenvolvimento para a região. Neste cenário, grandes corporações do setor de mineração do país e do estrangeiro, construtoras aos moldes da Odebrecht, Mendes Junior, empresas do setor de soja e dos grandes frigoríficos ocupam o centro de gravidade. Dias piores virão?

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Jari – ampliação da monocultura de eucalipto anima conflitos na região


As situações de conflitos entre a empresa  Jari e os moradores locais persistem desde os anos 1960


A expansão do monocultivo do eucalipto da empresa Jari Celulose tem animado  situações de conflito na região do Jari entre a empresa Jari Celulose, fazendeiros e agricultores familiares, denunciam extrativistas.

“Até tiroteio já ocorreu aqui nos últimos dias”, informa comunitário que pediu sigilo do seu nome. Conforme os moradores do local, as pessoas que possuem melhor condições financeiras têm invadido as terras das famílias mais frágeis com vistas a alcançar o fomento da Fundação da Jari. O fomento é uma estratégia de terceirizar a produção.   

Extrativistas do município de Almeirim, no oeste paraense, que travam uma peleja judicial contra a empresa para a manutenção de reserva de um castanhal, denunciam que um projeto de fomento da empresa Jari mediado pela Fundação Jari é o responsável pela agudização da disputa por terra, desmatamento e ameaças a quem se opõe ao projeto.

A fundação é um braço da empresa dentro do local do monocultivo. O projeto fica na fronteira dos estados do Pará com o Amapá. Criado durante o regime militar para atender demandas do multimilionário estadunidense Daniel Ludwig, atualmente é controlado pelo Grupo Orsa, com sede no estado de São Paulo.

Saiba mais sobre a questão AQUI

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Professor lança livro em ocupação da UFOPA


Obra trata sobre políticas de desenvolvimento na Amazônia  




20 trabalhos dão corpo ao livro Pororoca pequena: marolinhas sobre a(s) Amazônia (s) de Cá, a ser lançado na tarde do dia 21, segunda feira, às 17, na ocupação da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).

Os ensaios, artigos científicos e jornalísticos, reportagens e entrevistas estão divididos em quatro seções: a) Estado e os grandes projetos, b) Araguaia-Tocantins- território em disputa, c) Belém- a cidade e d) entrevistas com dirigentes sindicais e populares, assessores e uma com o jornalista Lúcio Flávio Pinto, que assina a orelha da obra.  

O livro assinado pelo jornalista e professor da UFOPA, Rogério Almeida tem o patrocínio do Bando da Amazônia. Na época o projeto da obra concorreu com outros 862 de toda região, e foi classificado entre os 37 da seção de cultura. O autor é mestre pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA\UFPA), onde teve pesquisa laureada com o Prêmio NAEA\2008.

O material compreende produções realizadas entre os anos de 2003 a 2009. A revista paulista Caros Amigos, o Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (LPP/UERJ), a Revista Democracia Viva do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE/RJ), Revista Estudos Avançados da USP, os sites da rede Fórum Carajás e Ecodebate foram alguns dos espaços que ajudaram na publicização do material.

As dinâmicas econômicas, sociais e políticas da Amazônia estão no centro da preocupação do trabalho. A ênfase recai sobre a disputa por territórios, os grandes projetos e os seus desdobramentos. O professor da UFPa Jean Hébette, - falecido na semana passada - reconhecida autoridade intelectual em temáticas amazônicas assina o prefácio. Ele sublinha que “a linguagem do livro flui, escapando ao formato acadêmico, e que o mesmo constitui uma fonte preciosa de dados, coletados em fontes confiáveis”.

O blog do autor (FURO) abrigou alguns produtos, além da Revista Sem Terra. Tem-se ainda a publicação de material em encontros nacionais de pesquisadores, a exemplo do 3º Encontro da Rede de Estudos Rurais, ocorrido em Campina Grande, Paraíba, em setembro de 2008. O artigo apresentado aborda os 20 anos de luta pela terra na região do Araguaia-Tocantins. Almeida produz conteúdos sobre a região há quase duas décadas.

As realidades dos mundos rurais dão corpo ao projeto. A exceção é o capítulo dedicado à cidade de Belém. Duas reportagens pontuam nuances da metrópole. O primeiro trata da militância cultural centrada na música, a partir do grupo Coletivo Rádio Cipó. A trupe nascida no bairro da Pedreira, conhecida zona boêmia. Dona Onete e mestre Laurentino, como reza o clichê, são as estrelas da companhia. O segundo recupera fragmentos dos 120 anos do Bosque Rodrigues Alves, um naco de floresta em meio à cidade.

O Baixo Amazonas aparece em na obra com a artigos sobre mineração e geração de energia, além de entrevistas com dirigentes populares da região. Pororoca Pequena é a terceira obra autoral do autor, que tem integrado equipes em edições de livros e revistas que tratam de temáticas amazônicas.  Atualmente o coordenador do Curso de Gestão Pública trabalha na edição da série em três volumes Arenas Amazônicas.  Um diálogo sobre Grandes Projetos na Amazônia, que tem como convidado o comunicador, escritor e padre Edilberto Sena, que também apresentará obras de sua autoria.  O lançamento do livro é um ato de apoio à ocupação dos estudantes.
Serviço
Lançamento do livro Pororoca pequena – marolinhas sobre a (s) Amazônia (s) de Cá.
E debate sobre Grandes Projetos na Amazônia com a participação do Edilberto Sena
Ocupação da UFOPA, Unidade Amazônia
Dia 21 de novembro
Hora: 17h
Páginas – 212
Preço – R$20,00