terça-feira, 19 de março de 2019

Teia de Comunicação Popular do Brasil completa um ano

Coletivo de comunicadores aglutina ativistas de Norte a Sul do país

Roda de conversa no lançamento da Teia, durante o FSM. Foto de Joka Madruga



De norte a sul do Brasil, existem muitas e diferentes experiências de comunicação contra-hegemônica. São jornais impressos, blogs, sites, coletivos de fotografia, programas de rádio e de TV que se dedicam a divulgar informações a partir da perspectiva dos trabalhadores, quilombolas, povos originários, sindicalistas, sem-terra, sem-teto e artistas populares. Pelas lentes dessas iniciativas, é possível conhecer o Brasil que sofre com a opressão, mas que também se organiza na resistência e na luta por direitos. Leia mais AQUI

segunda-feira, 18 de março de 2019

Barragens de rejeitos da Vale no Pará: movimento agenda encontro para abril em Canaã dos Carajás


Em abril Canaã dos Carajás recebe encontro sobre os impactos da Vale

Foto: Ocupação da Ferrovia de Carajás/Evandro Medeiros      

Redução do território da agricultura camponesa, conflitos agrários, abastecimento de água, e poluição de variadas formas foram alguns dos pontos debatidos reunião realizado no sábado, na Vila de Bom Jesus, no município de Canaã dos Carajás, no sudeste do estado do Pará.

O município abriga o maior projeto de exploração da Vale, o S11D, extrai ferro de alto teor de pureza. O movimento social do estado do Pará tem promovido vários diálogos com os afetados do estado de Minas Gerais, marcado por dois crimes da mineradora com relação a barragens.

A realização de um encontro para refletir sobre os impactos dos projetos da Vale e a consolidação de uma agenda comum de enfrentamento são alguns dos encaminhamentos da reunião ocorrida no ultimo sábado, 16. Leia a integra da memória do encontro AQUI

sexta-feira, 15 de março de 2019

Barragens da Vale no Pará: riscos serão discutidos amanhã, 16, em Canaã dos Carajás


Canaã dos Carajás abriga o maior projeto de mineração da Vale



Amanhã, dia 16, na Vila de Bom Jesus, no município de Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, trabalhadores rurais e moradores em geral discutem os riscos da barragem do Projeto Sossego, da mineradora Vale.

A iniciativa é do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Canaã dos Carajás e da ONG com mais de 30 anos de atuação na região,  o Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular (Cepasp). 

Com investimentos estimados aproximadamente em  U$$ 500 milhões, foi inaugurado com toda pompa e circunstancia no ano de 2004.

O projeto que explora cobre é festejado no site da corporação como exemplo de responsabilidade social.  A produção estimada por ano é de 140 mil toneladas.

O município abriga o maior projeto de mineração da Vale, o S11D, que extrai minério de ferro, e deve conceder ao Pará a liderança no setor, superando o estado de Minas Gerais. 

Para viabilizar o projeto a mineradora duplicou a Estrada de Ferro de Carajás, incrementou estações de transbordo e as instalações portuárias em São Luís, no Maranhão. 

Trata-se do maior trem do mundo, com 330 vagões, puxados por quatro locomotivas que operam diuturnamente para alimentar o mercado asiático e aprofundar a condição colonial da região. 

A mineração afeta a vida de populações camponesas, indígenas e quilombolas nos estados do Pará e Maranhão. 




Latitude Amazônia: publicação eletrônica visa promover um debate crítico sobre a região.




Marcos Colón, o realizador e  professor da Universidade de Madison, nos EUA é o ponta de lança da revista eletrônica Latitude Amazônia.  

Ela acabou de cair na rede com a intenção em promover uma reflexão critica sobre os problemas que afligem a hileia.

O principio é possibilitar a publicação de artigos analíticos sobre a região de estudantes, professores e pesquisadores a partir de um cardápio interdisciplinar.

Os trabalhos podem ser lidos em seis idiomas. Além do português, espanhol, inglês, francês, alemão e russo.

Eu colaboro com um pequeno artigo que trata sobre o delicado momento de incertezas que nubla os nossos dias. Ele pode ser acessado AQUI.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Caso Lago do Maicá - conheça todas as notas contra a decisão da Câmara de Vereadores e do prefeito Nélio Aguiar



Ao apagar das luzes de 2018 um ato combinado e covarde  entre o Legislativo e o Executivo do municipal mandaram às favas todo o processo de revisão do Plano Diretor do município de Santarém.  Os poderes acenaram positivamente ao  agronegócio ao liberar a construção de um complexo portuário na área do Lago do Maicá.  A decisão desrespeitou a assembleia final da revisão do plano, que acenou para a manutenção da área sem a estrutura que deve servir à logística de infraestrutura da produção de grãos do Brasil Central. 

A medida dos poderes repercutiu negativamente na cidade, no país, e mesmo no exterior. Por conta da decisão dos poderes legislativo e executivo do município, considerada arbitrária, vários setores da sociedade produziram notas em oposição aos poderes. Neste conjunto, temos desde setores da Igreja Católica, setores ligados ao urbanismo, professores de universidades centrais do país, a exemplo da USP, Ufscar,  grupo de professores da UFOPA, ONGs, entre outras.  Conseguimos acessar 15 destas notas.

Sobre a decisão do legislativo e o executivo local, o Sindicato dos Sociólogos do Estado do Pará (2018), critica:
A Câmara de vereadores de Santarém ao decidir pela autorização de obras portuárias no Maicá, passou por cima da Plenária final de Revisão do Plano Diretor Participativo, que reprovou a ideia. De nada valeram meses de intensos debates entre os mais diversos setores da sociedade – empresariais, acadêmicos, entes públicos e organizações sociais. Com a decisão, a Câmara demonstra não ter compromisso com os anseios da população e atua na contramão do desenvolvimento com sustentabilidade social, econômica e ambiental.  
           
Já o manifesto animado pela professora da USP, Erminia Maricato, que contou com a adesão de professores da UFRJ, Adauto Cardoso, UFPR, José Ricardo Vargas de Faria, UFSC, Maria Inês Sugai, entre outros, declara que:
A conferência municipal ocorrida nos dias 23 e 24 de novembro de 2017 foi, sem dúvidas, o fórum mais representativo do exercício da cidadania ativa pelas moradoras e moradores de Santarém. Estiveram presentes diversos segmentos da sociedade civil: associações de moradores, empresários, ambientalistas, pastorais, movimento indígena, quilombola, diversos coletivos, estudantes, professores, entre outros. Todas essas pessoas construíram esse espaço como forma de contribuir para discussões acerca do planejamento urbano da cidade, ações que impactam diretamente em suas vidas cotidianas. Nesse fórum, ficou registrada a rejeição do projeto de transformar a Área de Proteção Ambiental do Maicá em área portuária devido às evidentes consequências predatórias ao meio ambiente e às populações cujo sustento depende dos recursos naturais existentes na área.

A nota de repúdio da Federação das Associações de Moradores e Organizações Comunitárias de Santarém (Famcos), entidade que integrou a comissão executiva do processo de revisão do Plano Diretor, salienta que dos 21 vereadores que compõem a Câmara Municipal, somente três participaram de forma esporádica das jornadas de debates.  A Famcos esclarece que:
Na Conferência final do processo de revisão do Plano Diretor, duas propostas divergentes e relacionadas à questão portuária foram apresentadas. Numa delas, o agronegócio queria para si o Lago do Maicá, especificamente para a construção de um complexo portuário. Na outra proposta, defendida pela sociedade civil organizada e pelos movimentos sociais, priorizava-se o Lago do Maicá como área de pesca artesanal, turismo de base comunitária e também para embarque e desembarque de pequenos barcos. E foi esta segunda proposta a aprovada pela ampla maioria das pessoas presentes, em sintonia com as regras e com a dinâmica do Plano Diretor Participativo (PDP) que estava sendo conduzido pela própria prefeitura de Santarém. A vitória da proposta defendida pelos movimentos sociais não foi digerida pelos representantes do agronegócio que saíram ameaçando reverter a situação quando a votação do texto final na Câmara de Vereadores.
           
O caso repercutiu internacional a partir do artigo bilíngue assinado por Marcos Colón, publicado às vésperas do Natal. Colón é professor do Departamento de Português e Espanhol e membro do Center for Culture, History and Environment (CHE) do Nelson Institute for Environmental Studies, da Universidade de Wisconsin-Madison. Nele, o professor adverte sobre o risco da região vir a se tornar uma commoditie. Leia AQUI

A decisão da Câmara de Vereadores em atender a demanda do setor do agronegócio e o respectivo endosso do prefeito Nélio Aguiar convergem de forma direta para o contexto da fragilidade da democracia nacional. Bem como para o ambiente de reinserção da região aos circuitos mundiais de trocas desiguais, no qual é premissa pétrea a fragilização dos marcos jurídicos formais que, de certa forma, garantem os processos democráticos de revisão do Plano Diretor municipal.

Como bem analisado pelo antropólogo Alfredo Wagner Berno de Almeida ao tratar de agroestratégias, o setor visa a fragilizar ou suprimir os direitos das populações consideradas, no campo da antropologia, como tradicionais, destaque aqui para os remanescentes de quilombolas.

Acesse todas as notas AQUI

Livro sobre migração, luta pela terra e educação do campo será lançado em seminário da Unifesspa, nesta sexta,22


A educação é a face mais expressiva no processo de luta pela terra no sul e sudeste do estado do Pará. A região considerada a mais violenta do país, é onde mais se matou camponeses e seus apoiadores. São casos considerados clássicos as execuções da família ´Canuto e do sindicalista Expedito Ribeiro e de Raimundo Ferreira Lima (Gringo).

As regiões constituem-se como lócus marcado pelas políticas de integração do regime ditatorial do século passado. Políticas que reconfiguraram as feições territoriais, econômicas, sociais, culturais e políticas. 

Desta forma, grandes projetos, a exemplo da construção da hidrelétrica de Tucuruí, a exploração mineral em Carajás, e a edificação de rodovias federais descortinaram um novo momento histórico marcado pela inserção subordinada aos grandes mercados mundiais. 

Boa parte destes contextos estão registrados em pesquisas de inúmeras universidades da região, do país e mesmo mundiais. Neste memorial, educadores, camponeses, na condição de migrantes narram a sua própria saga. A maioria é oriunda da região do Nordeste, ênfase do estado do Maranhão. Aportaram na Amazônia fugidos da seca de forma espontânea ou induzida, numa perspectiva de frear as tensões sociais daquela região. 

Trata-se de uma relato comovente e vivo para quem a universidade pública sempre foi um muro muito alto, quase intransponível. Os 13 relatos aqui elencados, com predominância para a presença de mulheres, materializam uma nuance da luta pela terra e pela democratização da educação em diferentes níveis. 

Neste memorial sobre a luta pela terra nos castanhais da Amazônia Oriental, os educadores do campo subvertem a ordem da condição subordinada, e se afirmam como protagonistas e narradores da sua própria história.

As narrativas são fragmentos dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) da turma de 2011, do curso de Licenciatura Plena em Educação do Campo (LEPC), do Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica (PARFOR), da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

A organização do livro é dos professores Rogerio Almeida, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA, Haroldo de Souza (Unifesspa) e da educadora Luciana Barbosa de Melo, com edição e revisão de texto da professora e doutorando em Antropologia da UFPA, Maria de Nazaré Trindade.

A capa é uma gentileza do artista plástico e professor da Universidade Federal do Rio do Janeiro, padre Ricardo Rezende, que na década de 1980 foi assessor da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em Conceição do Araguaia.  Esta versão da obra resulta de uma parceria do Curso de Educação do Campo da Unifesspa e da Editora Iguana, com sede em Marabá. A Iguana tem dedicado esforços em editar obras da luta popular.  

Baixe o livro AQUI
Veja a programação do seminário AQUI

sábado, 12 de janeiro de 2019

O modelo de Fordândia ainda persiste entre nós a partir do monocultivo da soja e outras experiências , sinaliza o filme sobre o tema


Beyond Fordlândia tem abocanhado prêmios por onde passa desde 2017


O professor Marcos Colón realizou um  documentário sobre a presença de Henri Ford na Amazônia, no Baixo Amazonas paraense. 

O filme está correndo o mundo em inúmeras festivais, e já abocanhou um cipoal prêmios.

A película possibilita uma rica variedade de vozes de dentro da própria da região, incluídos aí os historicamente marginalizados, e doutos da terra e fora dela.  Lúcio Flávio Pinto, João de Jesus Paes Loureiro, Pe Edilberto Sena, entre eles.  Bem como agricultores, ex funcionário do projeto e o cacique Munduruku.

Sob a inspiração de Mário de Andrade, Colón faz um mergulho sobre o processo que culminou na experiência do multimilionário Ford no começo do século passado na região.

Elucida a partir de ricas imagens da época a tentativa em domesticar a floresta do estadunidense, e o quanto tem sido desalentador o exemplo por ele legado como modelo em “dominar” a natureza. 

O filme faz um paralelo como os dias atuais, em particular ao iluminar o processo de avanço da fronteira agrícola  a partir do monocultivo da soja. 

Coteja informações e dados esclarecedores sobre as dinâmicas de expropriação, empobrecimento e os danos ambientais e à saúde das populações nativas.  Conheça um pouco sobre o autor. 


Teaser do filme, que ainda não foi disponibilizado para acesso por conta de agenda em festivas.  Veja https://vimeo.com/239074969


terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Rádio Brasil Atual repercute luta em torno do Lago do Maicá



O ativista ambiental e padre Edilberto Sena, a professora Ana Beatriz e Sara Pereira relatam o golpe promovido pelo legislativo de Santarém-PA.  Ouça AQUI

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

A complexa peleja em torno do Lago Maicá

Os advogados Laiza Santos e Pedro Martins colaboram no entendimento sobre a redes que se mobilizam na disputa territorial. O trabalho consta no Dossiê Baixo Amazonas. publicado pela Terceira Margem Amazônia. 

O contexto nos ajuda a entender que o conflito é, apesar de local, também global, marca o interesse de uma empresa, mas também de um mercado financeiro que reorganiza os territórios conforme as ondas de desenvolvimento do capital. Com a demanda para aumento da exportação da soja, as obras de infraestrutura e logística avançam. Leia o artigo AQUI

Caso Maicá - o golpe do Legislativo de Santarém ao apagar das luzes de 2018

Em evento secreto vereadores beneficiam setor do agronegócio, e jogam no lixo processo de revisão do Plano Diretor da cidade

Após reunião com segmentos do agronegócio, como Sirsan (Sindicato Rural de Santarém) e grupos econômicos interessados na exploração da região, os vereadores – no encerramento das atividades legislativas e sem espaço para participação da população – definiram a área do Lago do Maicá como Zona Portuária 3. O projeto de revisão do Plano Diretor segue para sanção do prefeito ainda neste ano. Leia a íntegra no site Terra de Direitos

A batalha do Lago Maicá

Sena, religioso e ativista ambiental mesmo antes da decisão em atropelar a decisão que revisou o Plano Diretor da cidade já alertava para o risco do golpe 

"O plano é outra batalha. Felizmente conseguimos vencer e manter a região como Área de Proteção Ambiental (APA), e vetar a proposta em verticalizar o nosso paraíso Alter do Chao. No entanto existe um porém, a Câmara Municipal é frágil aos encantos do capital. Lá tá cheio de gente seduzida pelas empresas, que ao menor descuido nosso, passa os interesses das empresas. Precisamos manter a vigilância, alertava Edilberto Sena, antes da decisão da Câmara de Vereadores em desrespeitar a decisão da Assembleia de reformulação do Plano Diretor do município, e ter o endosso do prefeito. A entrevista foi concedida semanas após a assembleia. A mesma poder lida do Dossiê Baixo Amazonas, publicado no fim do ano pela Terceira Margem Amazônia. Leia a entrevista AQUI

Caso do Complexo Portuário do Lago do Maicá, Santarém-PA. Professor Marcos Colón, da Universidade de Wisconsin-Madison analisa a questão

Construção de megaempreendimento para exportação de soja na Amazônia coloca em perigo comunidades, povos tradicionais e meio ambiente

Há quase dois séculos, os naturalistas e exploradores britânicos Henry Walter Bates e Alfred Russel Wallace passaram cerca de três anos estudando animais e insetos na região do Lago do Maicá, no município de Santarém, em plena Amazônia Legal. Apesar das dificuldades, a dupla celebrou o que chamaram de “floresta gloriosa”. Estima-se que ao final da empreitada de três anos, eles tenham coletado mais de 14.000 espécies, que fizeram parte de um amplo estudo, que serviu de base para The Naturalist on the River Amazon, considerado um clássico de Bates. Leia a íntegra no site Envolverde

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Novo, velho ano



Av. Paulista. Garoa. Primeiras horas do novo, velho ano. Sob as marquises em traje e cobertores em desalinho, seres humanos buscam abrigo. Contraditórias contradições, no espaço dedicado a grandes negociatas e desfiles de patos amarelos pessoas passam privações.


“Tenho fome. Me ajude” roga um cartaz de papelão segurado por um adulto em um dos acessos do metrô. Não há tanta luz na avenida.  São escassos os enfeites nas edificações.  “Outrora ocorria uma espécie de competição entre as empresas”, informa Thulla, a companheira. “O normal era tudo iluminado até o dia 10 de janeiro”, arremata.   

Tal um carro alegórico pós desfile de carnaval, o palco que abrigou shows da virada do ano ainda ocupa a rua. Gal e Jorge Bem foram as atrações principais.

Tempo lento. Ao menos esta noite, a via opera assim.  Grupos e casais de todas as tendências e idades circulam na mesma velocidade. Alguns assistiram ao novo longa-metragem de Spike Lee no Espaço das Artes.

Os conflitos raciais configuram o centro de gravidade. Entendi como uma provocação à reflexão sobre a aurora/ocaso dos nossos dias. A película ilumina arenas onde rivalizam os grupos Pantera Negras e a KKK.

Cenas de violências nos dias atuais ocorridas nos EUA encerram o filme, entrecortadas por discursos de ativistas e do atual presidente. Antes do acender das luzes decretando o fim da seção, ecoam gritos em oposição ao presidente do Brasil, e aplausos ao filme.

O mesmo desfecho teve o delicado musical dedicado à vida de Elza Soares, encenado num espaço do Sesc. A apoteose ocorreu durante a canção que protesta sobre a carne negra do mercado sendo a mais barata.

Assim com os/as Panteras Negras, as interpretes cometeram o gesto do punho cerrado e o braço erguido em protesto. Comovente. Confesso: as lágrimas ocorreram em mais de uma ocasião.

Estranhamento: árvores no centro da medusa concreta.

Novo, velho ano. Portela celebra Clara Nunes, Mangueira em um samba suntuoso exalta o povo preto [Brasil, meu nego deixa eu te contar aquilo que a história não conta..] enquanto Salgueiro invoca Xangô. Oxalá nos alumie.



sábado, 29 de dezembro de 2018

Naqueles dias....


Partidas
Cais
Torpor
Existem cordas
Para conter um
Mar de ais?

A partir da Rua da Viração, berço de Gullar, o Ferreira, enviarei a esquadra de aviões produzidos de isopor para o Detrito Federal. Tudo para atazanar a posse. Na infância, em São Luís, era comum metamorfosear as bandejas de isopor do supermercado Lusitana [extinto] em aviões.

Você podia simplesmente lançar ao vento, ou amarrar uma linha de costura subtraída do kit familiar. As talas dos coqueiros faziam parte da arquitetura de papagaios e curicas. As velhas Havaianas colaboravam na composição de carros, tratores e caminhões e afins na condição de rodas. Havaianas inúmeras vezes otimizadas com pregos e arames para incrementar a longevidade. O atrito ao chão promovia um barulhinho bom.

A engenharia de lata tinha nas embalagens do óleo de Salada o outro componente. Naqueles dias, qualquer pedaço de rua ganhava ares de arena sofisticada para peladas e outras atividades: rouba bandeira, pica esconde, amarelinha, cai no poço, e outras que a memória não alcança.

Nenhum quintal escapava impune à sanha da tropa da rua e vizinhança. Era comum assaltar os pés de manga rosa, cajá, goiabeira, carambola, etc. E tudo ficava mais lindo quando a herdeira do pomar tomava banho descuidada. Era a visão do paraíso.

Naqueles dias distantes a soma das meias da gurizada ganhava status de bola após o catecismo [nunca conclui]. Uma fatia do Atlântico era a nossa piscina de luxo. Ali, na frente da Praça Gonçalves Dias, após a fuga da Igreja dos Remédios.  

Naqueles dias, a pobreza era rica em inventividade. Nas noites de queda de energia, havia mais luz. As estrelas alumiavam sagas sem fim.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Amazônia sob nuvens cinzas, Charles Trocate, do MAM, analisa o ambiente de incertezas

“O que a vitória de Bolsonaro fez foi bagunçar a trajetória da democracia, já estava a um passo da oligarquização, as forças democráticas precisam impedir que ela se complete nesse sentido”.

Foto: assaltada da grande rede

Charles Trocate é Amazonida, do estado Pará. É escritor, filosofo e militante político que atua na coordenação nacional do Movimento pela Soberania popular na Mineração-MAM. É um dos organizadores da coleção “A questão mineral no Brasil”, em seu último livro, “Quando as armas falam, as musas calam? ” Ambos pela editora iGuana, faz um balanço das lutas populares amazônicas em seu itinerário de enfrentamentos a espacialização dos capitais destrutivos sobre a região.

Nessa entrevista ao Blog Furo comenta temas políticos que elevaram a eleição de Bolsonaro e sua indisposição ao diálogo. “Governos frágeis e condescendentes são perigosos, tanto na esfera econômica como na resolução dos conflitos internos.  Um governo que opta pela ignorância e refuga o melhor da inteligência nacional precipita seu próprio ato de governar.”

Assim, como observa que o ponto nevrálgico do governo é a sua ampliação desagregadora sobre a Amazônia, “É bom que se saiba a Amazônia é por natureza criadora de impasses, políticos e jurídico institucional, do ciclo militar ao FHC e dele ao Lula, ela movimenta o nosso sentido de país e por isso, não tão fácil, assimilá-la e nem a modificá-la em um curto espaço de tempo como o querem”.  

Em tom crítico assevera, este governo será um governo impopular. “Arrisco a dizer que o pacto, que conduz Bolsonaro é precário em demasia, revanchista da qual nenhuma fração de classes, dominantes, ou força auxiliar terá condições de manter em médio ciclo, por exemplo, como fez o Partido dos Trabalhadores”. E que não há saída, para o campo popular senão “acumular força como profissão de fé”.

Segue a entrevista:

Furo: O que representa a vitória Bolsonaro?

Charles Trocate- Compartilho, sempre da ideia, preservando os limites de análises, da vitória voto a voto, e não de governo, que a eleição de Bolsonaro derrotou mais a direita clássica brasileira do que o campo democrático progressista. O que está na berlinda agora é a classe média inculta, defensora de privilégios e não de direitos universalizantes, ao seu favor, só a barbárie do empobrecimento lhe atormentando.

A adesão e o consentimento das amplas massas a sua personagem, tem muito mais haver com identificação política momentânea, do fato inglório, que outra definição. É sabido na conjuntura política brasileira que alternamos sempre popularidade com crises de impopularidade, e isso logo lhe alcançará como malfeito de governo e calculo mental do mandatário.

A impopularidade de Dilma recuperou ao nosso itinerário político de crises o oportunismo de um congresso nefasto, que gerou não só a quebra do pacto do presidencialismo de coalização desfigurado durante a ditadura civil militar, mas, reinventado nas eras de FHC e Lula, como também os fatores políticos que desaguam na eleição liquidada, a dispêndio da nossa reação, o que será o Bolsonarismo de resultados?
Arrisco a dizer que o pacto, que conduz Bolsonaro é precário em demasia, revanchista da qual nenhuma fração de classes, dominantes, ou força auxiliar terá condições de manter em médio ciclo, por exemplo, como fez o Partido dos Trabalhadores. De certo modo, o antipetismo que ganhou as eleições turbinou o fracasso de muitos partidos á direita e virará seu próprio pesadelo.

Furo: Como se comportará o baixo clero no governo?

Charles Trocate- O Baixo clero não pensa unanime e a sua virtuose é a barganha bruta. São híbridos ideologicamente, e não se reúnem por projetos de longo alcance na sociedade, a mesura deles é o palavrão e a bravata. No entanto, está claro, que no caso brasileiro pelo menos por agora não se faz política sem eles, eles existem, ampliaram com ou sem merecimento seu poder.

E embora momentaneamente a tendência é voo seguro, o projeto de transformar a sociedade brasileira do avesso, modernizando “o estado dependente” numa zona do globo onde prevalece a “colônia congelada” ou ampliar o conservadorismo para além das raias que se encontra, tem limites. Como aconteceu com os seus sucessores, logo parecerá velho demais!

Todavia, é verdade que voto descolado da constituinte de 1988, pelo golpe de 2016, em uma eleição fraudulenta, deturpou o plano dos valores éticos, rebaixou o raciocínio exequível à noção de direitos humanos, e sobrepôs a teocracia, a democracia numa emergência de resultados inconciliáveis. Como, por exemplo, para qual dos poderes republicanos apelar quando seus próprios fundamentos são destituídos de valor político?

Penso, inclusive, que estamos olhando no espelho e não vendo feição alguma! O governo Bolsonaro andara às margens da Constituição numa predicação de passado e presente e a poucos dias para instaurar seu governo, já é assimilável nos estertores do poder um autogolpe, ainda mais regressivo que o transcorrido de 2016. A esta altura o presidencialismo não é tudo, precisa combinar o jogo para além do apoio aparente e ideologias teológicas estimuladas no Congresso Nacional que assumirá.

Furo: O que devemos temer?

Charles Trocate- Governos frágeis e condescendentes são perigosos, tanto na esfera econômica como na resolução dos conflitos internos.  Um governo que opta pela ignorância e refuga o melhor da inteligência nacional precipita seu próprio ato de governar. Revoluções sociais são mudanças drásticas de senso político, e em nosso curso histórico num intervalo de trinta anos simulamos o país e a República, duas vezes, em 1989 na eleição de Fernando Collor, e de agora, nos dois casos a política foi rebaixada à não política. Um jogo pesado desmontou qualquer resolução pensada, longe da euforia, para os problemas que ambientam a nossa crise.

Esta mudança de senso comum só foi possível porque houve a combinação dos tempos políticos, do baixo desempenho econômico, as fissuras no pacto de governabilidade e inúmeras disputas intraburguesas na condução das saídas, e para o nosso espanto, a eleição de Bolsonaro demostra que alguma coisa deu errado. Ou seja, nesse exato momento estamos entre o poder e o antipoder. Como não nos salvaguardamos em nada o antipoder, dos militares é o que devemos temer.  O poder está deturpado pelo judiciário. 

O militarismo intruso que de novo nos atormenta goza de privilégios, se desponta pelas mesmas razões de antes, está sem controle, atua de livre arbítrio como também o judiciário. Bolsonaro como soldado da guerra cultural não é nada sem a ameaça dos militares e o sequestro do poder pelo judiciário.

Furo: Já é assimilável a gênese desse governo?

Charles Trocate- Sim, a gênese desse governo é o ultra liberalismo na economia e conservadorismo na política. Nessa área tudo será cópia indecorosa de fora aliada à nossa esquizofrenia social, democracia de baixa intensidade e autoritarismo elitista. Este será um governo de um único senso: a do patrimonialismo, dos que tem contra os que não tem.Na busca de popularidade, tenderá a constituir força a base de concessão de privilégios, e está disposto a tudo, inclusive, a cair junto com seu programa para não ceder no que lhe é fundamental. Mudar a rota civilizatória da qual carecemos no dia a dia. É claro que não será um governo alheio, terá desafetos e bajuladores e desde já está implicado com uma oposição natural, o fisiologismo sistêmico. Nessa tendência, olhando com caleidoscópio, estamos em ápice e levando para um único momento esse desdobramento. Só uma nova constituição será capaz de alterar os estragos que ele fará. O Governo resultado de uma eleição atípica será fundamentalmente um governo atípico. Não tem condições alguma de produzir sínteses inovadoras para os dilemas brasileiros!

Furo: O bloco de poder não se ampliou?

Charles Trocate- Sem soma de dúvidas, se ampliou muito mais como resultado dos fatores externos, a avalanche do rentismo sobre as economias coloniais do que o de natureza nativa. A elite está no cadafalso com o que aconteceu, é arriscado demais este movimento e o nosso padrão de desigualdade joga em desfavor. A sociedade brasileira é muito complexa e logo a corda poderá arrebentar. Sobretudo nos setores populares, que contará com a memória que houve recentemente na sua vida melhoria econômica. Ainda que não associe isso ao PT, distinguirá que viveu bem melhor do que os dias atuais. E não haverá igreja que impeça de vela. No entanto é preciso notar que o bloco de poder se ampliou, sobretudo a destruição consentida do mundo do trabalho com a reforma trabalhista e agora com a extinção do Ministério do Trabalho. Nisso é preciso argumentar que o caminho da servidão, será a tônica traduzida em medidas impopulares. O controle hegemônico do bloco de poder implica em estrondosa subalternidade. É urgente incidi na organização política do mundo do trabalho!

Furo: O que é a Amazônia no Governo Bolsonaro?

Charles Trocate- Ela é o centro de uma disputa que não se iniciou agora, e até digo, a Amazônia é o vetor do governo Bolsonaro, ninguém até agora na história a castigou, em adjetivos negativos como ele, por isso este governo só dará certo, se quebrar os marcos civilizatórios inerentes a região. Todavia é bom que se saiba a Amazônia é por natureza criadora de impasses, políticos e jurídico institucional, do ciclo militar ao FHC e dele ao Lula. Ela movimenta o nosso sentido de país e por isso, não tão fácil, assimilá-la e nem a modificá-la em um curto espaço de tempo como o querem. É como se mais uma vez reajustássemos nossos impasses a lutas decisivas. Falando de outra forma o Estado colonial brasileiro nasceu sem a Amazônia e contra ela, contra a suas civilizações, como é o caso da terra “Raposa Serra do Sol” o conflito de ponta, entre outros de caráter mineral, agrário e agrícola, em rolagem perpétua de capital transnacional. Bom, depois não venham pedir complacência! O que podemos dizer é que se abrirá para exercitamos dentro e fora da Amazônia lutas criativas, e que o campo popular deverá trabalhar pedagogicamente para acumular força política como profissão de fé!

Furo: Uma ideia conclusiva.

Charles Trocate- O que a vitória de Bolsonaro fez foi bagunçar a trajetória da democracia, já estava a um passo da oligarquização, as forças democráticas precisam impedir que ela se complete nesse sentido.  E mais dia menos dia, creio, se abrirá um período de reformas radicais, está nele a nossa sorte política mais imediata! É não andar em recuo e não desperdiçar a energia política das massas com  frivolidades!


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Dossiê Baixo Amazonas - instituições de pesquisa disponibilizam publicação sobre as complexidades da região nos estado do PA e AM


O ensaio do professor da Universidade Federal Fluminense, Carlos Walter Porto Gonçalves,  especialista em Amazônia, abre a publicação 



Uma média de 20 trabalhos que aglutinou mais de 40 investigadores de diferentes campos do conhecimento e gerações, vinculados às universidades da Amazônia e fora dela dão vida ao Dossiê Baixo Amazonas.

Um ensaio do renomado geógrafo Carlos Walter Porto Gonçalves, que atualiza a delicada situação da região no presente contexto é o abre alas da publicação, que também conta uma entrevista com o histórico ativista ambiental, Edilberto Sena. O religioso é radicado na cidade de Santarém, no estado do Pará.  

O documento foi viabilizado a partir da Revista Terceira Margem Amazônia, em sua 11ª edição. Rogerio Almeida, Beatriz Reis e Luiz Feijão, professores vinculados aos cursos de Gestão Pública e de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Oeste do Pará [UFOPA] foram os animadores da edição, em parceria o doutor Lindomar de Jesus, da Embrapa Amazônia Ocidental.

Políticas de desenvolvimento, disputas territórios, unidades de conservação, questões quilombolas e indígenas, produção camponesa e extrativista, análise de indicadores socioeconômicos, navegação e agronegócio, ocupações urbanas são alguns dos temas que podem ser encontrados na publicação. 

Terceira Margem Amazônia

A Revista Terceira Margem Amazônia divulga trabalhos interdisciplinares resultantes de estudos, pesquisas e experiências sociais que versem sobre questões relacionadas direta ou indiretamente à Amazônia, que estimule o intercâmbio e o debate entre comunidade acadêmico-científica e atores sociais que colaborem na produção de conhecimentos sobre a Amazônia.

Enquanto o site da Terceira Margem não disponibiliza a publicação, ela pode ser baixada  AQUI


Conheça a Terceira Margem AQUI

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

30 anos da morte de João Batista - Ato ocorre no dia 06/12 na Alepa


30 anos da execução de João Batista, o advogado dos posseiros do Araguaia-Tocantins

No dia 06 de dezembro, data da execução do advogado, a Alepa realiza uma homenagem ao deputado
Foto: imagem de internet. Presumo que seja do arquivo da família. 

A década de 1980 é considerada a mais sangrenta na luta pela terra no Brasil, Pará, em particular, na região do Bico do Papagaio, sudeste paraense, oeste do Maranhão e norte do Tocantins. Os dias eram marcados pelo avanço da fronteira do capital sobre a floresta.

Os dias eram de extrema violência, em suas mais variadas nuances e tons, protagonizada, entre outros agentes, pela União Democrática Ruralista (UDR), o braço armado dos ruralistas, animado a partir do estado do Goiás, que tinha ponta de lança Ronaldo Caiado.

Assim tombaram os sindicalistas Expedito Ribeiro, João Canuto, Gringo e tantos outros. Bem como os advogados Paulo Fonteles, Gabriel Pimenta e João Batista. O caso da execução de Batista soma 30 anos de impunidade este ano.

O irmão, Pedro, jornalista, recuperou em livro, parte da peleja de João em terras do Araguaia-Tocantins.  

No dia 06 de dezembro, data do assassinato, a Assembleia Legislativa do Estado Pará (Alepa) faz uma homenagem ao advogado dos posseiros e deputado. Pedro Batista, por ocasião da passagem de 25 anos de morte publicou no Blog do Barato um pequeno relato. Leia AQUI

Chico Mendes: 30 anos da execução de Chico, presente!!!!


Xapuri, Acre celebra a memória do seringueiro entre os dias 15 a 17 de dezembro

Foto: Pilly Cowell- Site do ISA

As vésperas do natal de 1988 o extrativista Chico Mendes foi assassinato na porta de sua casa. O homem cedeu lugar ao farol que ajuda a alumiar parte da vivência/sabença de outros/as manos/as. Dentro e fora da quebrada onde viveu.

E, cada vez mais, a partir do Brasil profundo, ignorado pela maioria dos filhos seus, o sonho de Chico e milhares de parentes das Amazônia [s] transpôs seringueiras, castanheiras, andirobeiras, furos, paranás, rios e cachoeiras para ecoar pelo mundo, a afirmar que existe gente, saber, ciência e tecnologia a partir dos povos da floresta.

Xapuri, no Acre, a terra de Chico, celebra a vivência do seringueiro entre os dias 15 a 17 de dezembro. A organização é do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), e conta com um vasto apoio de instituições nacionais e internacionais, num momento em que a região é posta em uma encruzilhada, a considerar o presente contexto.

Depoimento de lideranças históricas, o protagonismo da mulherada na defesa da floresta, relato de experiências a partir de viventes de várias reservas extrativistas, apresentação de publicações e filmes, juventude constam na agenda. Veja a programação AQUI


quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Mundo Preto: projeto da jornalista Sabrina Felipo e grupo de pesquisa da UFMA apresenta crimes contra quilombo Santa Rosa, no estado do Maranhão

O quilombo tem sofrido pressões da mineradora Vale e do Dnit sobre o seu território. O site Mundo Preto apresenta várias reportagens que denunciam a empresa e a autarquia federal



Ao longo do ano de 2018, a jornalista investigou e reportou as violências coloniais cometidas pela mineradora Vale S.A. e pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), autarquia do governo federal, contra quilombolas do território Santa Rosa dos Pretos, em Itapecuru-Mirim (MA), por meio de obras de infraestrutura logística, como a Estrada de Ferro Carajás (EFC), da Vale, e a BR 135, de responsabilidade do DNIT, Conheça o site