segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Reflexões para o 19º aniversário de morte da Irmã Dorothy Mae Stang

O bispo realça o protagonismo das mulheres em defesa da floresta, quando da passagem de mais um ano da execução de Stang 


Arquivo da CPT de Anapu/PA

Dom Erwin 

 

Martírio na floresta

 

Neste dia 12 de fevereiro completam-se 19 anos da morte da Irmã Dorothy Stang. Naquele sábado, bem cedo de manhã, em 2005, Irmã Dorothy foi assassinada com seis tiros à queima-roupa numa estrada do interior de Anapu, município da Transamazônica no Estado do Pará. Tinha 73 anos de idade.

 

Quem derramou o seu sangue pela causa mais nobre, o Reino de Deus, nunca pode ser esquecido. A memória dos mártires faz parte da história e liturgia de nossa Igreja. Esquecer os mártires é ignorar o Sangue derramado do próprio Senhor Jesus, o Mártir por excelência de toda a história.  O martírio é a doação total e irrestrita em favor do Reino de Deus, levada até as últimas consequências. É amar até o fim (cfr. Jo 13,1). Pode haver diversas razões, mas o motivo que leva ao martírio é sempre o mesmo: o amor maior!

 

Na minha homilia na Missa de Corpo Presente em 15 de fevereiro de 2005 contei o que soube dos últimos momentos da vida de Dorothy. Antes de ser assassinada, Irmã Dorothy abriu sua sacola de pano, cumprindo “ordem” de seus algozes que queriam saber se ela estava armada. Mostrou-lhes o que ela chamava de sua arma: a Bíblia Sagrada. Este seu gesto derradeiro é o último recado que Dorothy nos deixou. É sempre a Palavra de Deus que nos inspira e orienta em nosso caminho. „As armas com que combatemos não são humanas, o seu poder vem de Deus e são capazes de destruir fortalezas“ (2Cor 10,4).

 

Nas bem-aventuranças no Evangelho de Mateus (Mt 5,1-12) há várias que se referem explicitamente ao empenho em favor da promoção da justiça e da paz: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça” (v.6), “bem-aventurados os misericordiosos” (v.7), “bem-aventurados os que promovem a paz” (v.9), “bem-aventurados os que são perseguidos por causa de justiça” (v.10). E aos que arriscam a vida em favor da justiça, em favor da promoção humana, da dignidade humana, dos direitos humanos, é afirmado que “deles é o Reino dos Céus”.

 

E tem mais. São considerados especialmente bem-aventurados aqueles e aquelas que sofrem injúrias, perseguição, difamação, calúnia (v.12): “Alegrai-vos e regozijai-vos…” Como alguém pode regozijar-se, ficar alegre quando é perseguido, agredido naquilo que lhe é tão caro, o bom nome, a boa reputação? Há um detalhe significativo no texto sagrado: o motivo da alegria não são as agressões, as hostilidades em si, mas o sofrimento “por causa de mim”. Aí reside a razão profunda do martírio, do martírio do sangue derramado, mas também do martírio que é o testemunho de toda uma vida consagrada ao Senhor e seu Reino. Esse martírio pressupõe uma paixão sem limites como nos revela São Paulo: “Mas o que era para mim lucro tive-o como perda, por amor de Cristo. (…) Por ele perdi tudo…” (Fil 3,7-8). E esse Cristo se identifica com os “excluídos que não são apenas ‘explorados’”, mas considerados “’supérfluos’ e ‘descartáveis’” (Documento de Aparecida, 65).

 

Irmã Dorothy: uma “voz que clama no deserto”

 

Irmã Dorothy me pareceu uma “voz que clama do deserto” (Mc 1,3). O deserto não é uma imensidão de areia a se perder nos horizontes. Na Amazônia é a desgraça de homens sem dó nem piedade desertificarem o outrora inviolado mundo de selvas e águas em que, desde tempos imemoriais, habitavam os povos indígenas e posteriormente ribeirinhos que se alimentaram das frutas da floresta e viviam em paz com a natureza. Em nome de uma equivocada busca de progresso a qualquer preço, homens, apenas guiados pela expectativa de lucros imediatos, entendem “benfeitoria” como sinônimo de “pôr abaixo”, de derrubar e queimar a floresta. Esta perversidade se intensificou a partir da construção da Rodovia Transamazônica no início dos anos 70. Nunca esqueço o delírio do Presidente Medici e de sua comitiva, aplaudindo desvairados à derrubada de uma castanheira-do-pará. Entendiam o tombo fragoroso desta gigantesca árvore no chão previamente desnudado de sua vegetação como marco inaugural de uma nova era. Uma placa incrustada no tronco deveria lembrar o evento em termos bombásticos: “Nestas margens do Xingu, em plena selva amazônica, o Sr. Presidente da República dá início à construção da Transamazônica, numa arrancada histórica para a conquista deste gigantesco mundo verde”. Foi em 10 de outubro de 1970. Mas a placa de bronze permaneceu pouco tempo no tronco. Foi roubada! Ficou apenas o tronco, surrado pelas intempéries tropicais, como trágica recordação de que outrora uma exuberante selva cobria toda a região do Xingu.

 

Irmã Dorothy chegou 1982 na Prelazia do Xingu e viu de perto o frenesi das derrubadas em grande escala. E desde que chegou falou e não mediu esforços, querendo convencer a quem ouvia sua vozinha mansa – mansa era apenas sua voz –  de que, num futuro bem próximo, frequentes calamidades em cada vez maiores proporções serão consequência das violentas agressões de homens insensatos à natureza.

 

Mataram a Irmã, calaram a sua voz profética, mas suas previsões se concretizam de ano em ano sempre mais, nas secas antes nunca vistas na Amazônia, com baixíssimos níveis dos rios e inundações desastrosas nos estados do sul e sudeste.


Romaria em memória da missionária e agente da CPT em Anapu. Foto: Miguel Chikaoka

 

Amazônia para uma vida saudável ou para a exploração inescrupulosa?

 O que há décadas acontece na Amazônia é consequência do que conhecemos dos livros de história que descrevem as conquistas e invasões. A terra conquistada pelo país invasor se torna uma colônia ou província de que se pode arrancar tudo que nela houver ou se descobrir, sem o governo usurpador sentir-se obrigado a uma contrapartida, a não ser que seja para o próprio proveito. A Amazônia até hoje é considerada uma “província”: província mineral, província madeireira, província energética, última fronteira agrícola. A floresta é queimada e a terra arrasada para dar lugar à pecuária ou ao cultivo da soja e outros legumes. Os conflitos com os povos indígenas, os agricultores familiares e os ribeirinhos estão na ordem do dia.

 

Nos primeiros dois governos de Lula divulgaram-se percentagens mais moderados de deflorestação que nem sempre correspondiam à realidade. A questão ecológica ganhou sempre mais defensores na esfera internacional. Provou-se cientificamente que a Amazônia tem uma enorme importância para o equilíbrio climático do planeta. Diante das reclamações vindas do exterior Lula respondeu primeiro com irritação: “Nós precisamos mostrar ao mundo que ninguém mais do que nós queremos cuidar da nossa floresta. Mas ela é nossa! E que gringo nenhum venha meter o nariz onde não é chamado, que nós saberemos cuidar da nossa floresta e saberemos cuidar do nosso desenvolvimento". “Deus lhe ouça!” rezei, pedindo a Deus que finalmente se concretize a promessa de o Brasil cuidar das suas florestas.  

 

A partir de 2018 o governo Jair Bolsonaro fez vistas grossas à legislação ambiental. Favoreceu a expansão de fazendeiros e madeireiros e estimulou o garimpo ilegal em áreas indígenas com todas as tétricas sequelas para a vida, mormente das crianças e  . adolescentes dos povos originários. Durante a pandemia o presidente adotou o mote do ministro Ricardo Salles: “passar a boiada”.

 

Lula, porém, prometeu no discurso de posse “desmatamento zero até 2030”: “Nossa meta é alcançar o desmatamento zero na Amazônia, a emissão zero de gases de efeito estufa na matriz energética, além de estimular o reaproveitamento de pastagens degradadas“ e acrescentou em relação aos povos indígenas: "Ninguém conhece melhor as nossas florestas, nem é mais eficaz em defendê-las, que os que estavam aqui desde tempos imemoriais. Cada terra demarcada é uma nova área de proteção ambiental". Lula foi aplaudido, e com razão, inclusive pela comunidade internacional, pois deu um basta ao desmonte ambiental de seu predecessor.

 

Mesmo assim ficam duas preocupações:

1-       Desmatamento Zero até 2030? O prazo é muito longo e, se nos anos vindouros até 2030 as derrubadas e queimadas continuam no mesmo ritmo do ano 2023, milhões de hectares de floresta tropical serão varridos da face do planeta. Só no prazo de janeiro até novembro de 2023 foram constatados 93.945 incêndios na Amazônia brasileira. Mesmo que em relação aos 11 meses de 2022 (112.027) haja uma diminuição de 16 %, o fogaréu que se alastrou pela Amazônia foi apocalíptico. Quem esteve em Altamira, Pará, na segunda quinzena de outubro e na primeira de novembro lembra com horror essas semanas em que, além de extremamente forte calor, o povo foi condenado a respirar um ar poluído, tão nocivo à saúde especialmente de crianças, idosos e gestantes. E Altamira, mesmo sendo o maior município da Amazônia e do Brasil (159.500 km2), é apenas uma fatia desta Amazônia.

2-      Mesmo que Lula aumentou os recursos para o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para poder fiscalizar com mais afinco madeireiros e fazendeiros e impedi-los a derrubar a floresta, todo o dinheiro não vai garantir o êxito almejado se no Congresso continua a vigorar o espírito de “passar a boiada”. A legislação ambiental fala de derrubada “ilegal” dando a entender que há uma derrubada “legal”, permitida pela legislação ambiental. É uma contradição! Se queremos chegar ao “desmatamento zero”, não pode existir uma derrubada “legal” e outra “ilegal”. Derrubar ou queimar a floresta é “crime ambiental” a ser punido severamente por sanções penais e administrativas.

Em  todos os conflitos está em jogo a legislação ambiental brasileira e a própria Constituição Federal que garante a existência de terras fora do mercado capitalista, por exemplo áreas indígenas (Art. 232 e 233) ou parques nacionais. E é contra estes parâmetros constitucionais que o agronegócio e seus aliados sempre de novo se insurgem. Sua palavra de ordem é: “Nenhuma terra fora do mercado! Todas as terras devem ser usadas e aproveitadas para produzirem e gerarem rendimentos e lucros”. Quem defender o contrário: “Toda a terra é dom de Deus. Os povos indígenas, os quilombolas, os agricultores familiares, os ribeirinhos têm direito às suas terras ancestrais, chão sagrado de seus mitos e ritos e de sua própria subsistência, garantia de sua Vida, também em vista das futuras gerações” sempre correrá o risco de ser taxado de inimigo do progresso e desenvolvimento e, na pior hipótese, de ser “eliminado” como a Irmã Dorothy e tantos outros na Amazônia, por contrariar interesses e a ganância de quem vê na terra, na floresta, na água e até no ar meros artigos de negócio, de mercado, de transações para o proveito próprio ou de grupos, em detrimento de outras camadas sociais e, quase sempre, contra as mais elementares regras de cuidado com o meio ambiente. São dois projetos que estão em confronto: um a favor da terra para a Vida, o outro a favor da terra para o negócio.

 

O protagonismo das mulheres na sociedade e na Igreja

 

Estou há quase 60 anos no Xingu e muitas foram as lutas em favor da dignidade e dos direitos humanos nessas seis décadas passadas. Em todas elas havia uma constante que saltava à vista. Foram as mulheres que tomaram a dianteira. Na época em que Altamira passou uma fase horrorosa por causa dos crimes que vitimaram crianças e adolescentes, as mulheres não apenas prantearam com as famílias os filhos vitimados, mas fundaram o “Comitê em Defesa das Crianças e Adolescentes de Altamira”. Existia em Altamira uma Círculo Operário e há também um Sindicato de Trabalhadores Rurais. Já que o empenho destes órgãos foi pouco eficiente, as mulheres tomaram a iniciativa de criar o “Movimento das Mulheres do Campo e da Cidade”. A grande maioria de conselheiros do Conselho Tutelar nos vários municípios do Xingu e da Transamazônica  é continua sendo de mulheres.

 

Na Prelazia do Xingu surgiram após o Encontro dos Bispos da Amazônia em Santarém 1972 centenas de Comunidades Eclesiais de Base. Na sua maior parte elas foram e são até hoje dirigidas e coordenadas por mulheres. O mesmo se pode dizer dos Conselhos Paroquias e Pastorais e das equipes litúrgicas. Sem as mulheres a nossa Igreja em muitas regiões nem existiria sequer!

 

Especialmente no contexto da construção da hidrelétrica Belo Monte, muitas vezes me perguntei qual seria a razão profunda do protagonismo feminino em todos os protestos, manifestações e passeatas? Os homens de Altamira e municípios circunvizinhos sonharam dia e noite com chuvas de dinheiro e um aumento significativo de chances de empregos bem assalariados. Custou-lhes muito a se darem conta de que seus sonhos foram rasgados em pedaços e deixaram a amarga sensação de terem sido ludibriados com promessas que nunca seriam cumpridas. As mulheres, no entanto, foram desde o início mais “críticas” e não se deixaram enganar. Quando descobriram que as “condicionantes”, elencadas pelo IBAMA e a FUNAI, que deveriam ser cumpridas antes de iniciar a obra, só foram promessas para tranquilizar o povo, passaram a chamar Belo Monte de “Belo monstro”. Não hesitaram em denunciar a deterioração do rio e meio ambiente, o sumiço de vilas inteiras com a promessa de reconstruí-las em outras áreas, a descoberta de toneladas de peixes mortos e, na região, a falta de suficientes postos de saúde e assistência médica, insuficiência de unidades escolares, encarecimento de gêneros alimentícios, falta de saneamento básico, esgotos a céu aberto, aumento da criminalidade na cidade, poluição sonora, e outros itens indispensáveis para o bem-estar das pessoas e uma infraestrutura condigna para a vida urbana.

 

Creio que a mulher, seja ela mãe biológica ou não, é mais propensa a dedicar-se à “prole”, intui perigos e riscos, ameaças e violências, mas seu coração também pressente alegrias e vitórias. Não é mero instinto. É o entrelaçamento do espiritual e do emocional com o racional que é capaz de fazer desabrochar intuições que se situam além do raciocínio lógico de causa e efeito ou de uma conclusão das premissas em um silogismo aristotélico. Em outras palavras: as mulheres do Xingu raciocinam mais com o coração!

 

“Dorothy vive”

 

Irmã Dorothy foi assassinada, mas suas Irmãs de Notre Dame que conviviam com ela continuam o caminho, dedicando-se ao povo que ela não quis deixar entregue à própria sorte. No dia 2 de fevereiro de 2005, dez dias antes de ser morta falou ainda a um jornalista – e eu estava presente e ouvi o que ela disse: “Sei que eles querem me matar, mas não vou fugir. Meu lugar é aqui, ao lado dessas pessoas constantemente humilhadas por gente que se considera poderosa”.

 

Hoje são também leigas e leigos, mulheres e homens, jovens e pessoas idosas que se consagram à nobre causa pela qual Irmã Dorothy não hesitou de doar sua vida. O entusiasmo se manifesta no refrão, repetido ano após ano, sempre de novo, pelo povo reunido nas Santas Missas de aniversário de sua morte: “Dorothy vive, vive! Para sempre!”

 

Altamira, 12 de fevereiro de 2024

 

Erwin Kräutler C.PP.S.

Bispo em. do Xingu

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Prestes a somar quatro meses de paralisação, greve da saúde da cidade de Alenquer continua sendo tratada com indiferença pela gestão do município

A pasta da saúde, administrada por uma pessoa sem qualificação com o tema, tem se recusado a negociar com  a categoria, acusa  Sindisaúde.  


Em uma das tentativas de negociação, no primeiro plano, o deputado Priante (MDB) em passagem pela cidade, a representante do sindicato e o prefeito Tom Farias (MDB). 

Quando da decretação da greve do setor de saúde da cidade de Alenquer, no Baixo Amazonas, em outubro do ano passado, o alerta sobre o incremento dos casos de covid, viroses e a dengue não havia ligado o sinal de alerta.

O setor festejado pelas gestões e a sociedade em geral, por conta do ápice da pandemia, hoje padece com a total falta de respeito, queixam-se os grevistas durante reunião na sede do sindicato no final de janeiro.

Passados quase quatro meses, a gestão do setor do município continua indiferente às demandas da categoria, que amarga perdas salarias por conta de preenchimentos equivocados da pasta no site do Ministério da Saúde, péssimas condições de trabalho, não pagamento do piso nacional de Enfermagem, instituído em agosto de 2023 com caráter retroativo, e o não cumprimento do PCCR (Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações).

A Lei nº 14.434/2022 Institui o piso de R$ 4.750,00 para enfermeiros(as), 70% desse valor para técnicos(as) de enfermagem e 50% para parteiras e auxiliares de enfermagem. Em setembro a emenda constitucional normatiza que a União deve colaborar com os custos para as unidades da federação.

O Sindsaúde esclarece que neste sentido, a gestão do senhor Paulo Rocha, um técnico e professor em informática, ou seja, sem conhecimentos da pasta, tem preenchido os dados no sistema do site do Ministério de forma equivocado.


Manifestação da categoria no interior do Legislativo de Alenquer/PA

Ao invés de colocar o salário base, a secretaria tem inserido o salário base mais os penduricalhos, a exemplo de adicional de insalubridade, tempo de serviço, entre outras compensações. Ato que acarreta prejuízo na composição de salário, bem como no recebimento de retroativos.

O PCCR aprovado desde 2020, com agenda para ser viabilizado a partir de 2022 padece de cumprimento. O sindicato denuncia que o mesmo vem sido cumprido parcialmente, onde a progressão por triênio e a insalubridade não têm sido respeitados.  

 “A única implementação das pautas do PCCR realizada pela Administração do Município foi garantir o reajuste do piso salarial dos servidores da saúde com base no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), contudo, todos os demais pontos estão sendo descumpridos, tais como, gratificação de função, progressão de carreira, concessão de função comissionada apenas a servidores efetivos, adicional de tempo de serviço, entre outros” informa documento do sindicato encaminhado ao Ministério Público.

Os trabalhadores da Saúde avaliam que a gestão além de não ter conhecimento e formação sobre o tema, tem se esquivado continuamente no equacionamento da situação dos servidores. Em documento que decreta o estado de greve, consta que “a medida do secretário Paulo Rocha tem sido em não apresentar nenhuma contra proposta às reivindicações. Ele usa a reunião, para marcar outra reunião, em que nunca sinaliza para a solução do problema, além de se ausentar de muitas agendas que ele mesmo indica”.

Na cidade de que não conta com um hospital público, e sim um privado/conveniado, as condições de trabalho são consideradas as piores possíveis. Profissionais informam que no Centro Municipal de Saúde a sala usada para realização de testes de covid fica em frente a sala de atendimentos de diabéticos e hipertensos, usando assim o mesmo ambiente de espera, colocando todos em risco.

Manifestação da frente da Câmara de Vereadores de Alenquer. 

Geralmente os espaços não contam com a ventilação adequada, estão suscetíveis a vazamento de esgoto e funcionam sem ar-condicionado.  Faz seis anos que o laboratório não funciona, afirma uma técnica em laboratório.

A secretaria tem um quadro funcional estimado em 337 funcionários, sendo perto de 40% dos cargos ocupados com nomeação sem concurso público. O sindicato avalia que o movimento é legítimo e legal. A prefeitura já foi derrotada em três ocasiões no Tribunal de Justiça do Pará, na tentativa em deslegitimar o movimento.

Além de buscar negociações junto à pasta, conselho de saúde e mesmo acionado o Ministério Público, a situação continua num impasse, por conta da ausência de vontade política do atual gestor. 

Péssimas condições de um dos espaços da pasta da Saúde em Alenquer. 

No Legislativo, composto por 15 vereadores, a categoria conta com apoio de parte dos edis. Destes, três possuem parentes na pasta. O que os torna impedidos de participação da votação do projeto de lei na Câmara, contudo, os mesmos, ainda que impedidos por conta de conflito de interesse, votaram.

Durante todo este período de greve os servidores têm realizado atos públicos em frente ao prédio poder legislativo, secretaria de saúde, prefeitura, ministério público, praças e audiência pública com vistas a esclarecer a sociedade local.  

 

Maiores informações

Ariane Araújo da Silva (Enfermeira) 93 991930859

Ana Cristina Primo (Técnica em Laboratório) 991656358

domingo, 28 de janeiro de 2024

Crônicas sobre o trecho: o posfácio que ficou de fora

Um pouco mais de 70 crônicas dão corpo ao livro Amazônia: crônicas sobre o trecho, bulinações e alguns afetos, a ser lançado no mês que vem. Por conta de prazo, o posfácio assinado pelo educador Bispo do Rosário foi concluído somente após o envio do material para a gráfica. Contudo, compartilhamos as impressões do educador sobre a obra. O livro foi viabilizado a partir do Edital da Lei Paulo Gustavo. 



Os períodos são curtos. Urgentes, assim como a maioria dos parágrafos. Registros telegráficos, como se o escriba em fuga estivesse. Em suas errâncias (flanêur), Almeida manifesta o zelo pela arte da escuta e da observação. Andar só é uma preferência. Ele acredita que a opção favorece o deslocamento. Referências a feiras, botecos fuleiros e puteiros são recorrentes em sua escrevivência.   

Entre coisas vividas, vivenciadas e inventadas, o “vadio”, tal uma tia velha fuxiqueira, tece, uma aquarela dos vencidos em lonjuras (fronteiras) marcadas pela gula do capital, que a tudo fagocita, até o sorriso da tapuia após o coito matinal.  O recado consta em um poema.  

Nas geografias das errâncias, as estações do ano na Amazônia emergem ao queixar-se do sol inclemente, ou ao retratar as agruras dos tempos de cheia. O trecho é a questão que o inquieta, bem como os personagens que conferem forma, moldura e possível poesia e alma.  

No trecho, o filho chora, e a mãe não faz ideia dos aperreios. Garimpos, grandes obras de infraestrutura, empreendimentos agropecuários funcionam como uma espécie de imã de errantes.  Tais sujeitos migram em busca de dias menos doridos. As privações que a maioria experimenta é combustível de canções populares, muito bem sublinhadas em suas anotações. 

O trecho é bruto. Todavia, para além das agruras, como acredita uma filha de garimpeiros de Itaituba, a quem a obra é dedicada, é possível encontrar laços de solidariedade e amizades que perduram ao longo do tempo. Rogerio crê que as andanças representam uma faculdade sem parede. Em conversa sobre a origem da cria, ele explica após atividades laborais precárias, havia uma necessidade de fazer apontamentos sobre o que observara.  

A escrita é ligeira. Carrega a urgência de um condenado, onde o caolho pinça a trajetória de garimpeiros, donas de bar, bravas mulheres que o iluminam, a exemplo da genitora e o matriarcado em que foi criado. Em um capítulo, o bulinações, é puro devaneio de Dionisio.  Não só de escassez, violências, camaradagem e trairagem pulsa o trecho.   

 

Bispo do Rosário – educador

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Editora Cabana disponibiliza livro sobre as geografias agrárias da Panamazônia

A coletânea resulta do XXV Encontro Nacional de Geografia Agrária (ENGA), realizado em Belém, no fim de 2022



Temos a honra e a alegria de apresentar o mais recente lançamento da Editora Cabana, a coletânea de textos do XXV Encontro Nacional de Geografia Agrária (ENGA) de Belém do Pará, realizado entre os dias 08 e 12 de dezembro de 2022. Sob o tema “As Geografias Agrárias na PanAmazônia – lutas socioambientais e fronteiras do capital no Brasil”, o evento foi realizado depois de 45 anos de sua existência pela primeira vez na Amazônia brasileira.

Esse hiato espaço-temporal nos induz a refletir sobre alguns elementos do território brasileiro e, em especial, os que tocam a sua Questão Agrária. O livro “AS GEOGRAFIAS AGRÁRIAS A PARTIR DA PANAMAZÔNIA: lutas socioambientais e fronteiras do capital no Brasil”, não existiria sem os esforços dos estudantes, da graduação e da pós-graduação, da UEPA, de cada componente do grupo de pesquisa “Territorialização Camponesa na Amazônia”; de cada movimento social que construiu com o evento.

Nesta gira fizeram parte o FAOR (Fórum da Amazônia Oriental), ao MST, MAB, MAM, Via Campesina, Associação de Mulheres Quilombolas, Sindicato dos Docentes da UEPA – (SINDUEPA), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e CPT.

Bem como as instituições acadêmicas parceiras nesta empreitada: UFPA, IFPA, UNIFESSPA e UFOPA. Às agências de fomento e apoio à pesquisa, como a FAPESPA (Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas), ligada à SECTET (Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica) do estado do Pará. Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Um agradecimento especial à nossa universidade, a UEPA, que, desde o primeiro momento, não titubeou no desafio para promover o evento.

 

Baixe o livro AQUI

Texto enviado pela organização do ENGA. 

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Ensaio de professor da UFOPA sobre a Calha Norte é finalista em prêmio na Europa

 O ensaio trata das tramas/dramas  que conformam a região  



A  5º edição do Prêmio Res Publica, organizada por fundação homônima, tem como tema central alterações climáticas e políticas públicas. E como subtemas orientadores, a conciliação entre a liberdade e a democracia com as limitações dos recursos naturais; o papel da tecnologia como mitigadora das alterações climáticas; a sustentabilidade como meta para o desenvolvimento; conflito entre as trocas comerciais e as relações internacionais; e, as grandes cidades na sua capacidade de autoabastecimento.  O certame distribuirá aos primeiros colocados cinco mil euros.

Segundo o site da fundação com sede em Lisboa, a instituição possui como missão o fomento ao pensamento político e às políticas públicas, sob a inspiração dos valores e princípios da liberdade, da igualdade, da justiça, da fraternidade, da dignidade e dos direitos humanos.

Rogerio Almeida, professor do curso de Gestão Pública, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), assina o ensaio a primeira versão do Amazônia - Entre Juruti-Santarém:  rebojos sobre um passado que não passa, que foi selecionada para o exame final do concurso junto com mais 34 concorrentes.

 

Em seu resumo o trabalha explicita que o ensaio emergiu como mero relato de viagem, e foi ganhando corpo, adensamento, inflexões, licenças poéticas. Nas entrelinhas sublinha sobre a acumulação primitiva como elemento estruturante da integração tardia e subordinada da Amazônia aos circuitos mundiais de economia, bem como sobre a permanência da condição colonial da região como exportadora de produtos primários.

 

Trata ainda das r-existências dos sujeitos colocados em condições de subordinação a partir de uma totalidade contraditória, em arenas econômicas e políticas marcadas por abissais assimetrias.  

 

O professor explica que o trabalho continua passando por incrementos, e contou com a colaboração da sua versão derradeira da professora Thulla Esteves, com quem realizou atividade de campo na cidade de Juruti, no mês de setembro.

 

Os professores consideram que o relevante do processo é a visibilidade internacional da instituição Ufopa como importante produtora de reflexões e de conhecimento.

Em outro ensaio sobre os dilemas da Amazônia foi laureado com menção honrosa no concurso do Instituto Moreira Salles


domingo, 10 de dezembro de 2023

Solidariedade ao MST Pará



O IALA Amazônico está organizando uma campanha de solidariedade ao Acampamento Terra e Liberdade, onde na noite do dia 9 de dezembro aconteceu uma tragédia que vitimou 9 pessoas.


Aquelas/es que queiram prestar apoio, solicitamos que as transferências ocorram para o pix abaixo.


Caixa Econômica Federal 

Pix: iala.amazonia@gmail.com


Doações de alimentos, roupas e calçados estão sendo recebidas nas escolas do Assentamento Palmares II e no próprio acampamento.

Parauapebas/PA: pelo menos nove sem terra morrem em possível acidente

 Tragédia ocorreu na noite de ontem, no acampamento Terra e Liberdade





O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, informa que na noite deste sábado (09/12), houve um acidente, a princípio provocado em um transformador próximo ao acampamento Terra e Liberdade em Parauapebas (PA). 

Relato do dirigente Jorge Neri, MST/PA. 

Os primeiros relatos das famílias dizem que havia técnicos trabalhando na rede de internet próximo ao acampamento que houve uma explosão que provocou fogo na rede de energia atingindo também os primeiros barracos no acampamento, dois barracos pegaram fogo e foram totalmente destruídos pelas chamas.

A tragédia provocou a morte de trabalhadores e vários feridos, ainda não se sabe ao todo a quantidade de pessoas atingidas.

Rapidamente a coordenação do acampamento conseguiu acionar o corpo de bombeiros e o SAMU que já se encontram no local prestando atendimento as vítimas.

O Fogo foi contido, a coordenação do acampamento acompanha a situação junto com a Secretaria Municipal de Segurança Institucional e Defesa do Cidadão (Semsi), por meio da Defesa Civil do munícipio, o Instituto Médico Legal (IML), Corpo de Bombeiros e as polícias Militar e Civil.

Ainda estamos apurando os fatos ocorrido no local e contabilizando as perdas nessa tragédia.

Saiba mais AQUI

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - Pará

09 de Dezembro de 2023

sábado, 18 de novembro de 2023

Crônica sobre a PA 150 fica em 2º lugar no Concurso do Selo Off Flip, Paraty/RJ, dedicado à Amazônia

Rogerio Almeida, maranhense de São Luís, radicado no Pará desde 1998, assina a crônica, que integrará uma antologia sobre a Amazônia. Ela registra as dinâmicas da rodovia estadual, marcada por queimadas, terras griladas, monocultivos, resistências campesinas e um clima árido. 

A crônica concorreu com 192 trabalhos. Ambientada em uma viagem de fim ano, quando do tempo de estiagem e queimadas, o trabalho entrecortado por excetos de canções, busca realçar as dinâmicas socioeconômicas que conformam a PA 150.

A rodovia estadual fez parte de pacote de obras de integração do século passado. Em particular representa um relevante eixo para se alcançar o sudeste do estado. Um território prenhe em histórias sobre a luta pela terra.

Almeida é professor do curso de Gestão Pública e Desenvolvimento Regional da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), campus Santarém.  Já morou em Marabá, Belém e região metropolitana. Em 2022 o professor teve crônica, conto e poesia selecionadas para publicações em antologias pelo mesmo selo.

Em suas andanças pelas amazônias cultivou o hábito em fazer pequenas crônicas, que devem ser reunidas em um livro em 2024, provisoriamente batizado de Crônicas sobre o trecho, bulinações e alguns afetos.

O Selo Off Flip é da cidade de Paraty, Rio de Janeiro, cidade que abriga importante evento do mercado editorial nacional. A antologia sobre a Amazônia teve a curadoria do escritor e editor Ovídio Poli Junior e seleção final feita pelo escritor paraense de Marabá, Airton Souza, recentemente agraciado com o Prêmio Sesc/SP de Literatura.

terça-feira, 14 de novembro de 2023

Encruzas Amazônicas, ensaio do professor do Curso de Gestão Pública da UFOPA, recebe menção honrosa em concurso nacional promovido pelo Instituto Moreira Salles.

Para o professor, o reconhecimento pelo trabalho funciona como um elemento motivador para continuar a se indispor com a palavra para além do cânones acadêmicos. 


O professor Rogerio Almeida, do curso de Gestão Pública e Desenvolvimento Regional, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), assina o ensaio Encruzas Amazônicas, que recebeu a menção honrosa no 6º Concursode Ensaísmo Serrote, promovido pelo Instituto Moreira Salles.

O ensaio versa sobre a condição colonial da Amazônia, bem como as ações de insubordinações forjadas pelos sujeitos colocados em desvantagem nas arenas de disputa em variados campos. O trabalho concorreu com 350 inscritos de todo o país.

Para além de referências acadêmicas, o autor mobilizou prosadores, poetas e filósofos do campo popular do Pará, onde constam Antônio Juraci Siqueira, Ceará do Pará (Francisco Gomes), Expedito Ribeiro, Charles Trocate, criado nas fileiras do MST e atual ativista do Movimento Pela Soberania na Mineração (MAM) e Júlia Iara (MST/MA).

O ensaio resulta da participação do professor em Encontro Nacional de Geografia Agrária (ENGA), ocorrido no ano passado em Belém, quando teve que substituir componentes de uma mesa de debate, ausentes por motivo de saúde, ao lado do professor Thomaz Junior (Unesp), Campus Presidente Prudente.

A paulista Fernanda Silva e Sousa, escritora, tradutora e crítica de arte alcançou o primeiro lugar.  

domingo, 5 de novembro de 2023

Rede de Notícias da Amazônia (RNA)celebra 15 anos

 A RNA conecta 19 emissoras em edição de jornal diário. 

Momento de formação da RNA, 2008, seminário em Santarém. Acervo da RNA


A ideia residia em criar uma rede a partir da Amazônia que possibilitasse a produção e circulação de informações a partir da região, com pautas de interesse popular e coletivo. E, assim, se passaram 15 anos da criação da Rede de Notícias da Amazônia (RNA), que possui com cabeça da rede a Rádio Rural de Santarém.

A data não passou em branco. No mês passado ocorreu um evento para refletir sobre a experiência. Pe Edilberto Sena, o procurador da República, Felício Pontes a jornalista Eliane Brum foram alguns dos debatedores. O religioso Sena foi o principal animador da criação da RNA.

A rede possui como como  meta  democratizar  a  comunicação  na  região  amazônica  priorizando  o ponto  de  vista  dos  lutadores  sociais,  através  da  divulgação  de  suas  ações políticas,   econômicas,   culturais   e   sociais.  

O   projeto   propõe ainda ser instrumento diferenciado de contato entre os povos da Amazônia, com notícias, programas  educacionais,  culturais,  ambientais  e  de  gênero  para  estimular  a formação  da  consciência  crítica  e  participativa  de  todos  os  ouvintes. Diariamente a RNA produz um jornal com 30 minutos de duração, com conecta 19 emissoras de rádio.

Joelma Viana, Rogerio Almeida e Raimundo Valdomiro assinam artigo acadêmico sobre a experiência. Acesse AQUI

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

A Pedagogia da Alternância: Marabá celebra 30 anos da experiência junto aos trabalhadores rurais


 

Uma ampla programação organizada pela Escola Família Rural (EFA) de Marabá, localizada na Rodovia Transamazônica, KM 23, inicia na manhã de hoje a celebração de 30 anos da experiência da Pedagogia da Alternância no Sudeste do Pará. 

A Fundação da FATA (Fundação Agrária do Tocantins-Araguaia), no ano de 1993 é considerado como um marco do processo. A Fata tinha como linha de frente no campo da pesquisa o professor Jean Hébette.

A Fata era encarnada pelos sindicatos dos trabalhadores rurais da época. Fazia parte de um programa maior denominado de CAT (Centro Agro-ambiental do Tocantins).   A promoção de dialogo entre os saberes era uma das ambições da iniciativa.

Nos processos de luta pela terra na região mais letal do país, a educação merece destaque. Talvez seja a que mais avançou em diferentes níveis, chegando até a pós-graduação.  Vários educandos/as e educadores/as que passaram pela Fata ocupam nos dias atuais lugar de destaque no campo da educação, na defesa dos direitos humanos e do meio ambiente na região e fora dela. A conferência de abertura será realizada pelo educador Emanuel Wambergue. Um testemunho vivo da luta pela terra no sudeste do Pará desde os anos de 1970. Foi um dos fundadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Pará. 

Informações da organização abaixo esclarecem o teor do evento que encerra no dia 22.

MEMÓRIAS, DIÁLOGOS e JUVENTUDES

Período:  20 a 22 de outubro de 2023 Local: Marabá - Pará

Objetivos:

·       Valorizar os aspectos históricos com ênfase nas Memórias das lutas, processos organizativos, experiências educativas e conquistas dos Movimentos Sociais no âmbito da Reforma Agrária e da Educação do Campo;

·       Fortalecer as instituições que utilizam os princípios filosóficos e metodológicos da Pedagogia da Alternância e da Educação do Campo.

 

Um pouco da História: as origens da Educação do Campo no Pará estão ligadas as experiências educativas de formação de jovens agricultores/as utilizando a Pedagogia da Alternância, situadas margens da Rodovia Transamazônica (BR 230), nas Regiões Sudeste e Oeste do estado, foram implantadas: em 1995 -  Medicilândia a primeira Casa Familiar Rural (CFR), e em 1996 -  Marabá a segunda Escola Família Agrícola (EFA). No Pará a primeira EFA funcionou no município de Afuá criada em 1992.

O francês Pierre Gilly - Assessor da Associação Regional das Casas Familiares Rurais (ARCAFAR Sul) realizou contatos e sessões de formações nas duas regiões acima citadas, apresentando os elementos pedagógicos das Casas Familiares Rurais (CFR´s). Depois foi criada ARCAFAR Norte e Nordeste, e posteriormente a ARCAFAR – Pará. As CFR´s se espalharam por todas as regiões do estado do Pará, atualmente são 22 centros educativos em funcionamento.

O marco inicial da Pedagogia da Alternância no Sudeste do Pará é o I Encontro de Jovens Camponeses, realizado em outubro de 1993, pela Fundação Agrária do Tocantins Araguaia (FATA) no âmbito do Programa Centro Agroambiental do Tocantins (CAT), em conjunto com seus Sindicatos dos/as Trabalhadores/as Rurais (STTR´s). Neste evento o educador Emmanuel Wambergue “Manu” relatou a experiência nascida na França em 1935 e no Brasil em 1969. O técnico agrícola Francisco Cruz de Lima Sobrinho “Francismar” deu um depoimento como egresso da EFA de Olivânia – Espírito Santo, e recomendou conhecer as experiências das EFA´s no Maranhão. Este evento é a referência para celebrar os 30 anos de surgimento da ideia de criar uma Escola Agrícola - Projeto Futuro do Jovem Camponês na Região.

A EFA Escola Família Agrícola (EFA) da Região de Marabá iniciou seu funcionamento em 18 de março de 1996, formou vários jovens em agricultores/as, colaborou com a construção da Educação do Campo na Região, serviu de base para o nascimento da Escola Agrotécnica de Marabá, posteriormente transformada no Instituto Federal do Pará (IFPA – Campus Marabá Rural).

 

PROGRAMAÇÃO

1º Dia: 20/10/2023 - Sexta-feira: início 18:00 horas - Auditório da Câmara Municipal de Marabá (CMM)

 

Solenidade de Abertura do Seminário

Mesa Institucional: Vice-Prefeito de Marabá Luciano Dias, Secretário Regional de Governo João Chamon Neto, , Vereador Ilker Moraes (autor do requerimento), Vereador Beto Miranda, Vereador Eloi Ribeiro, Diretora de Ensino do Campo da Secretaria Municipal de Educação de Marabá – SEMED Arley Novais, Coordenador da EFA da Região de Marabá Rafael Soares, Diretora do Campus Marabá Rural Maria Suely IFPA, Reitor da UNIFESSPA Francisco Ribeiro da Costa, Supervisor Regional de Marabá EMATER - PARÁ Fernando Araújo, Presidente ARCAFAR – PARÁ Edson Luis Azevedo Moura, Coordenadora da Educação do Campo, das Águas e das Florestas na SEDUC Joana Carmen do Nascimento Machado.

 

Conferência de Abertura:  Memórias dos 30 anos da Pedagogia da Alternância no Sudeste do Pará.

 

Prof. Msc. Emmanuel Wambergue “Manu” – Engenheiro agrônomo, franco-brasileiro com quase 50 anos de atuação no Pará e Amazônia.

Francisco de Assis Solidade da Costa “DiAssis” – Agricultor Familiar, Sindicalista com quase 40 anos de atuação em defesa dos agricultor@s e trabalhador@s rurais no sul e Sudeste do Para.

Prof. Msc. Damião Solidade dos Santos – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (EMATER – PARÁ).

Prof. Dr. João Paulo Reis Costa – Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (EFASC) Rio Grande do Sul.

Profa. Dra. Idelma Santiago da Silva - Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) vinculada a Faculdade de Educação do Campo (FECAMPO).

Prof. Esp. Aguiberto Rodrigues Alves “Zico” – Extensionista Rural da EMATER – Pará Escritório Local de Marabá.

Prof. Esp. Williamson do Brasil de Sousa Lima “Zuca” – Secretário Municipal de Educação de Nova Ipixuna.

Prof. Msc. Luiz Regason Bressan – Assessor Parlamentar na CMM, atuou na condição de educador popular  (assessor) na Federação de Órgãos para Assistência Educacional e Social – FASE (1991 – 2006), foi Secretário Municipal de Educação em Marabá (2013).

 

 

2º Dia: 21//10/2023 sábado: manhã e tarde  

Local: EFA Rodovia Transamazônica KM 23 (sentido Itupiranga)

 

2ª Mesa: A contribuição da Pedagogia da Alternância na construção do Cooperativismo, ATES/ATER e das experiências agroecológicas

Prof. Msc. Tiago Pereira da Costa – Coordenador do Programa Bahia Sem Fome do Governo do Estado do Bahia e da Rede das Escolas Famílias Agrícolas do Semi Árido (REFAISA).

Prof. Dr. João Paulo Reis Costa – Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (EFASC) Rio Grande do Sul.

Prof. Dr. Livio Claudino - Docente do PPG Dinâmicas Territoriais e Sociedade na Amazônia (PDTSA), é vinculado ao Instituto de Estudos em Desenvolvimento Agrário e Regional (IEDAR) da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA).

Prof. Dr. Marcos Antonio Leite da Silva atua na docência na área da Agroecologia no Instituto Federal do Pará (IFPA – Campus Marabá Rural).

Engenheiro Florestal Fernando Augusto Figueiredo Araújo Supervisor Regional em Marabá da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (EMATER – PARÁ).

Administrador Raimundo Nonato Santos da Silva - Pró-Reitor de Administração da UNIFESSPA, Mestre em Planejamento e Desenvolvimento Regional e Urbano na Amazônia.

Engenheiro Agrônomo Moysés Jefferson Ferreira Dias Especialista em Agricultura Familiar Camponesa e Educação do Campo pela UFPA/UFAC. Atualmente membro da Frente em Defesa dos Territórios e Articulação Paraense de Agroecologia.

 

Durante todo o dia 21 teremos Exposições de Trabalhos, Relatos de Experiências e Histórias de Vidas dos/as agricultores/as, educadores/as, educandos/as e egressos/as das EFA´s/CFR´s

 

Noite Cultural KM 21

 

3º Dia: 22/domingo:

Visitas de Estudos em pontos históricos e turísticos com os/as convidados/as externos/as.


Mais informações

Damião Soledade

(94) 99272-9237

 

 

 

sábado, 16 de setembro de 2023

Madeireiros ameaçam de morte Darlan Neres, jovem ambientalista do Baixo Amazonas/PA

Neres mora no Lago Grande, o projeto de assentamento tem sido palco de constantes tensões e ameaças contra defensores do meio ambiente, reforma agrária e direitos humanos.  

Darlan é o primeiro à esquerda. Foto: divulgação Psol/PA.  

Viver nas Amazônias é bicho arriscoso.  Aparecido em ser jovem preto em grande centro. É como carregar um alvo nas costas. Ser jovem indígena, preto, ribeirinho, camponês pelos beirais destas terras distantes dos centros de poder, e, ter ciência da defesa do chão, subsolo, floresta e rio é bicho pra lá de perigoso.  

Darlan Neres que o diga. O filho da comunidade Cabeceira do Marco, que integra o Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Lago Grande, no município de Santarém, bandas do oeste do Pará, tem sido perseguido por um grupo de madeireiros.  

No derradeiro dia 12, um grupo de madeireiros andava em sua caça.  Ousaram até visitar a casa do jovem ambientalista, que faz parte do coletivo Guardiões do Bem Viver.  Os idosos da família ficaram temerosos pela integridade do rebento.

Lago Grande, assim como outros territórios das Amazônias, vive sob constante ameaça da cobiça de grileiros, madeireiros, garimpeiros e mineradoras. A terra se avizinha à cidade de Juruti, que abriga projeto de exploração de bauxita da empresa estadunidense Alcoa.  Ela é um dos sujeitos interessados em explorar o subsolo do PAE.  

Para os defensores do meio ambientes nestas paragens, sobreviver sob ameaças tem sido uma constante. Em março, desta feita na região de Arapiuns, um pastor ameaçou de morte várias lideranças parelhadas na defesa do meio ambiente, reforma agrária e direitos humanos.  Recentemente tem-se o registro de ameaças aos indígenas da área Maró, como reporta o site Tapajós de Fato.

Sobre a ameaça a Darlan, a assessoria jurídica dos movimentos sociais do Baixo Amazonas já tomou as providências cabíveis. Bem como fez uma carta de solidariedade e apoio ao universitário.  Leia AQUI

Neres é graduando em Pedagogia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), e integrou as fileiras da chapa coletiva do Psol, denominada de Bem Viver, que concorreu na última eleição à uma cadeira no legislativo local. Leia AQUI

PAE Lago Grande

Lago Grande. Foto; Yuri Rodrigues. Fase/PA

O PAE Lago Grande foi criado em 2005, concomitante ao início de operação da mineradora Alcoa na região. 35 mil pessoas distribuídas em 144 comunidade em território de 250 mil hectares dão corpo ao assentamento, que sobrevive do extrativismo e outras atividades. Até o presente momento a população aguarda a titulação coletiva.

A população do PAE é maior que a maioria dos municípios do Brasil, que possui a média calculada em 20 mil pessoas.

A modalidade de PAE foi criada Portaria nº 268 no dia 23 de outubro de 1996, e os define como “um assentamento destinado à exploração de área dotada de riquezas extrativas, através de atividades economicamente viáveis, socialmente justas e ecologicamente sustentáveis, a serem executadas pelas populações que ocupem ou venham ocupar as mencionadas áreas.”

A Federação das Associações de Moradores e Comunidades do Assentamento Agroextrativista da Gleba do Lago Grande (Feagle) é a principal representação política. Nos últimos anos tem sido palco de constantes tensões em diferentes dimensões, que passa por grilagem, assédio de madeireiros, garimpeiros e mineradoras.  Trata-se de uma área de lagos sob a influência dos rios Amazonas, Tapajós e o Arapiuns.

Até a última eleição para a presidência da República, era recorrente a presença de veículo na cidade de Santarém envelopado com louvação aos setores que refutam a presença de territórios considerados como tradicionais. 

A estampa do carro festejava madeireiros, grileiros, garimpeiros e mineradoras. Desde o resultado das eleições, nunca mais foi visto por estas plagas.

Conheça o Plano de Utilização do PAE Lago Grande, AQUI