quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Jean Hébette provoca o autor de Pororoca

Texto do prefácio do livro


Em “Pororoca pequena marolinha sobre a(s) Amazônia(s) de cá”, o jornalista Rogério Almeida, bem conhecido entre nós por sua militância junto aos movimentos sociais no campo pinta uma paisagem das contradições sociais e políticas que nos afetam, à nós, moradores da imensa Amazônia irrigada por uma igualmente imensa bacia hidrográfica. Tão imensa e diversificada do ponto de vista físico, econômico, social, político e, principalmente, cultural, que autores – notadamente geógrafos, como Ariovaldo de Oliveira – a desdobram, como Rogério Almeida prefere desdobrá-la - o que lhe permite não esconder sua particular simpatia pela Amazônia dos rios Tocantins e Araguaia, como se estes dois afluentes do Amazonas, já por só imensos, oferecessem uma espécie de síntese de todas elas.

Apesar da “modéstia”que o autor atribui – modestamente – a seu livro, vários de seus textos já foram apresentados em reuniões e encontros científicos, e mereceram publicações em revistas reconhecidas como Caros Amigos,. Democracia Viva do IBASE e do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

A coletânea reúne 20 trabalhos distribuídos em quatro partes: a primeira, referida aos chamados Grandes Projetos, cada vez maiores na dimensão dos seus impactos sociais; a segunda, mais substancial, traça a audaciosa saga dos pequenos produtores rurais por aí imigrados em confronto com o latifúndio especulativo e ilegal; na terceira parte, o autor dá um pulo rápido para a cidade de Belém, antes de concluir, na quarta parte, com cinco entrevistas com testemunhas significativas de nossa história recente. Esta paisagem sugere uma arte de pirotecnia com um fogo de artifício de flashes brilhantes e percutidores lançados em todos os horizontes da vida sofrida do campesinato amazônico. Destes flashes se destaca uma quantidade de números preciosos coletados em fontes confiáveis.


A narração flui, fugindo à linguagem acadêmica à qual o redator teve que se submeter na sua dissertação do mestrado apresentado ao Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), lhe preferindo um estilo jornalístico mais florido, recheado de metáforas, às vezes tangentes a um certo preciosismo .

Na sua “modéstia”, o livro ora publicado pode ser muito útil para leitores que, sem quererem se aprofundar no assunto, fazem questão de se manter a par dos eventos mais significativos da região nos último cinco anos. Muito útil, sobretudo, para professores do ensino fundamental das diversas disciplinas, assim como para estudantes universitários. Neste sentido, referências mais explícitas à literatura citada em passant seriam bem-vindas. Espera-se do jornalista Rogério Almeida que, dando seqüência a seu anterior livro “Araguaia-Tocantins. Fios de uma história camponesa” (2006) e deste novo, nos gratifique, também, com análises mais detidas nas quais se treinou nos tempos de seu mestrado.

Jean Hébette


 

Lúcio Flávio Pinto analisa o Pororoca pequena


 
Texto produzido pelo jornalista para a orelha do livro
 
Com a imposição da obrigatoriedade do diploma de curso superior de comunicação para o exercício da profissão de jornalista, a academia se instalou nas redações da imprensa brasileira. Não foi por acaso que esse ato insólito foi adotado pela junta militar durante o mais negro período da república brasileira, em maio de 1969, logo depois do famigerado Ato Institucional nº 5, o AI-5, demiúrgo da liberdade de pensamento.
Agora, de forma natural, o caminho é salutarmente inverso: jornalistas, cada vez mais insatisfeitos, tomam o rumo da academia. Querem aprimorar seu conhecimento. Querem, sobretudo, ter régua e compasso: um método de pensar e analisar para dotar de alguma perenidade, significância e inteligibilidade o que escrevem. Esperam absorver a contribuição do pensamento organizado e sistemático, legado de gerações. Ou, como dizem os acadêmicos, conquistar um marco teórico.
 
Felizmente essa nova relação tem sido proveitosa, enriquecendo as partes envolvidas: os trabalhos acadêmicos se tornaram mais atraentes e o jornalismo, mais rigoroso. Isso tudo, apesar da crise da imprensa. Ou talvez por ela mesmo, se acreditamos no princípio teleológico dos gregos, que punham suas crises sobre o palco e aprendiam se divertindo ou tendo prazer estético.
 
Rogério Almeida integra esse processo migratório do saber. Cheio de experiência vivida, de ver com os olhos, sofrer com a alma e sublimar pela inteligência, agora pondera e processa essa vivência no ambiente socrático. Certamente o novo cenário não aquietará suas angústias nem sufocará suas dúvidas. Talvez ele perceba, como alguns outros, que o tal do marco teórico empobrece a realidade da qual ele tem sido testemunha e protagonista. A solução não estará no abandono de material empírico posto à onfandade e desabrigado de uma boa explicação. O mais recomendável é malhar sobre a bigorna das teorias e encontrar uma que seja mais adequada. Na falta do produto, forjar aço explicativo de melhor têmpera. A Amazônia merece esse esforço - e o compensa.
 
Particularmente, é nesse estado de espírito em que me vejo quando os casos que vi e vejo, sobretudo de conflito, me surgem desafiadores quando os aproximo do referencial analítico disponível. O conceito de camponês é lençol curto para tanta matéria. O assentamento da reforma agrária parece antediluviano, como um gringo encardido no verde vago mundo. Há matéria viva e incandescente, como a deste livro, à espera do instrumento que lhe dê forma universal e densidade local, como na grande literatura. E o que é a saga amazônica mais do que a grande literatura em busca angustiante de autor?
Lúcio Flávio Pinto
 

Pororoca pequena no Sem Censura de ontem, 5, no Dia da Amazônia


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Eleição em SP - Dines analisa o fenômeno Russomanno eo neopentecostalismo

É jovem (56 anos), viúvo, razoável pinta, arrumado, verbo solto, experimentado repórter de TV (no popularíssimo Aqui, Agora, do SBT). Já teve votações espetaculares como deputado federal, a primeira em 1994 (pelo PSDB). Depois de tucano experimentou ser corvo de Paulo Maluf, agora é uma águia macedista, alado seguidor do bispo Edir Macedo, imperador do PRB e da Igreja Universal do Reino de Deus. Leia mais em OI

Guerrilha do Araguaia - justiça de Marabá recebe denúncia contra Curió e doutor Asdrúbal

Najla Passos
O coronel da reserva do Exército Brasileiro, Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió, e o major da reserva Lício Augusto Maciel, o doutor Asdrúbal, serão os primeiros militares brasileiros a responder pelos crimes de lesa-humanidade cometidos durante a ditadura militar. Em uma decisão inédita e histórica, a juíza da 2ª Vara Federal de Marabá, Nair Pimenta de Castro, recebeu as denúncias formuladas pelo Ministério Público Federal (MPF) contra dois dos agentes da ditadura apontados por vítimas e familiares como os maiores carrascos do período. Leia mais em Carta Maior

Marabá - lançamento do livro Pororoca pequena no Campi da UFPA

 
Rogério Almeida, Raimundo Gomes e Rosemary Bezerra\Campi da UFPA
 
O debate em torno Estado, política pública e grandes projetos e as formas de resistência das populações da região do Araguaia—Tocantins integram a maior parte da obra Pororoca pequena – Marolinhas sobre a (s) Amazônia (s) de Cá, assinada por Rogério Almeida, e que tem o patrocínio do Banco da Amazônia.

No dia 31, sexta feira, o livro foi lançado no Campi da Universidade Federal do Pará (UFPA) de Marabá, sudeste do Pará, durante um seminário que debatia a contribuição do sociólogo  Florestan Fernandes. Raimundo Gomes da Cruz Neto experimentado ativista da região, e a agente pastoral e mestranda Rosemary Bezerra compartilharam a mesa com o autor.  

Rogério Almeida morou na região entre 1999 a 2004, quando prestou assessoria de comunicação para a ONG Centro Educação Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular (Cepasp). Mas, desde 1997 produz conteúdo sobre as realidades do local.

Em 2006 lançou o Araguaia-Tocantins – fios de uma História camponesa. Em seguida cursou especialização e mestrado, tendo como tema a mesma região.  

No próximo dia 18 a obra Pororoca será lançada pela segunda vez em Belém, durante o Encontro Nacional da Associação de Pós-Graduação e Pesquisa em Ambiente e Sociedade (ANPPAS).

20 trabalhos dão corpo à obra. São artigos, reportagens e entrevistas, divididos em quatro seções: a) Estado e os grandes projetos, b) Araguaia-Tocantins- território em disputa, c) Belém- a cidade e d) entrevistas com dirigentes sindicais e populares, assessores e uma com o jornalista Lúcio Flávio Pinto.
 
O material compreende produções realizadas entre os anos de 2003 a 2009. A revista paulista Caros Amigos, o Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (LPP/UERJ), a Revista Democracia Viva do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE/RJ), Revista Estudos Avançados da USP, os sites da rede Fórum Carajás e Ecodebate foram alguns dos espaços que ajudaram na publicização do material.


PA - indígenas realizam ação em defesa da agrobiodiversidade

Como parte de um grande esforço para fortalecer as tradições e atividades indígenas para manutencão da agrobiodiversidade na Amazônia, teve início nesta segunda-feira (3), na aldeia Moikarakô, Terra Indígena Kayapó, em São Félix do Xingu (PA), a I Feira Mebengokré de Sementes Tradicionais. Leia mais em Amazônia

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Veríssimo alerta sobre o risco que correm as unidades de conservação

Segundo ele, esta é uma prática comum na região. “Tradicionalmente, na Amazônia, a forma como os atores socioeconômicos procuram assegurar o direito da propriedade é desmatando para, de um lado, gerar o fato consumado e, de outro, gerar a ideia de que eles estavam tentando desenvolver alguma atividade produtiva. É um conceito antigo, ultrapassado, mas ainda é uma forma que predomina nessas regiões do Brasil”, relata à IHU On-Line

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Amazônia – livro trata de situações de tensão na região


Livro será lançado durante encontro na UFPA sobre Educação do Campo na quarta  (29) e no Campi da UFPA de Marabá na sexta (31).


Pororoca pequena: marolinhas sobre a(s) Amazônia (s) de Cá, a ser lançado na manhã do dia 29, quarta feira, na Universidade Federal do Pará (UFPA), no Auditório de Ciências Jurídicas (ICJ), tem o patrocínio do Banco da Amazônia. O lançamento ocorrre  durante o III Encontro de Pesquisa da Educação do Campo doPará.

 

O projeto para a edição da obra concorreu com outros 862 de toda região, e foi classificado entre os 37 da seção de cultura. Rogério Almeida assina o livro. Ele é graduado em comunicação social e mestre pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA\UFPA), com pesquisa laureada com o Prêmio NAEA\2008.

 

20 trabalhos dão corpo à obra. São artigos, reportagens e entrevistas, divididos em quatro seções: a) Estado e os grandes projetos, b) Araguaia-Tocantins- território em disputa, c) Belém- a cidade e d) entrevistas com dirigentes sindicais e populares, assessores e uma com o jornalista Lúcio Flávio Pinto.

 

O material compreende produções realizadas entre os anos de 2003 a 2009. A revista paulista Caros Amigos, o Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (LPP/UERJ), a Revista Democracia Viva do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE/RJ), Revista Estudos Avançados da USP, os sites da rede Fórum Carajás e Ecodebate foram alguns dos espaços que ajudaram na publicização do material.

 

As dinâmicas econômicas, sociais e políticas da Amazônia estão no centro da preocupação do trabalho. A ênfase recai sobre a disputa por territórios, os grandes projetos e os seus desdobramentos. O professor da UFPa Jean Hébette, reconhecida autoridade intelectual em temáticas amazônicas assina o prefácio. Ele sublinha que “a linguagem do livro flui, escapando ao formato acadêmico, e que o mesmo constitui uma fonte preciosa de dados, coletados em fontes confiáveis”. O jornalista Lúcio Flávio Pinto é o responsável pelo texto da orelha.

 

O blog do autor (FURO) abrigou alguns produtos, além da Revista Sem Terra. Tem-se ainda a publicação de material em encontros nacionais de pesquisadores, a exemplo do 3º Encontro da Rede de Estudos Rurais, ocorrido em Campina Grande, Paraíba, em setembro de 2008. O artigo apresentado aborda os 20 anos de luta pela terra na região do Araguaia-Tocantins. Almeida produz conteúdos sobre a região há mais de uma década.

 

As realidades dos mundos rurais dão corpo ao projeto. A exceção é o capítulo dedicado à cidade de Belém. Duas reportagens pontuam nuances da metrópole. O primeiro trata da militância cultural centrada na música, a partir do grupo Coletivo Rádio Cipó. A trupe nascida no bairro da Pedreira, conhecida zona boêmia. Dona Onete e mestre Laurentino, como reza o clichê, são as estrelas da companhia. O segundo recupera fragmentos dos 120 anos do Bosque Rodrigues Alves, um naco de floresta em meio à cidade.

 O livro será lançado ainda no Campi da UFPA de  Marabá no dia 31, durante seminário que reflete sobre a contribuição do sociólogo Florestan Fernandes, organizado pelo movimento Debate e Ação. E também na noite do dia 18 de setembro durante a abertura do Encontro Nacional da Associação de Pós Graduação e Pesquisa em Ambiente e Sociedade (Anppas) na UFPA.   E São Luís, data a ser fechada.

É a segunda obra autoral do autor, que tem integrado equipes em edições de livros e revistas que tratam de temáticas amazônicas.

Serviço
Lançamento do livro Pororoca pequena – marolinhas sobre a (s) Amazônia (s) de Cá.
III Encontro de Pesquisa da Educação do Campo do Pará
UFPA – Guamá- Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ)
29 de agosto, 11h
Páginas – 212
Preço – R$20,00

UFPA debate educação no campo

 
Conheça a programação AQUI

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Jornalismo Científico - morre um pioneiro da divulgação

Dedicou-se ao jornalismo científico desde a década de 1950. Foi um dos fundadores da Associação Ibero-Americana de Jornalismo Científico, em 1969, da qual foi secretário-geral, e da Asociación Española de Periodismo Científico, em 1971, da qual foi presidente de honra – a entidade é atualmente conhecida como Asociación Española de Comunicación Científica. Leia mais em OI

Notícias do Planalto: quem as dá agora?

Lúcio Flávio Pinto
Duas décadas se passaram desde o impeachment do presidente Fernando Collor de Melo. Também transcorreram 13 anos da publicação de um dos livros de jornalismo que mais polêmicas provocaram, ao tratar justamente do traumático acontecimento de outra perspectiva: tomando os jornalistas como protagonistas. Passado tanto (ou tão pouco) tempo, conforme a ótica, tudo está virado. Talvez nenhuma pitonisa de 1992, quando Collor foi afastado, ou em 1999, quando o livro foi publicado, pudesse prever o que se sucederia. Leia mais no OI

Para sorrir e refletir


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Museu Afro digital é tema de seminário na UFMA

Com o tema Museu Afro-digital e Política Patrimonial, a Universidade Federal do Maranhão realiza no período de 27 a 29 de agosto, no Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI), o III Seminário do Museu Afro-digital, que vai apresentar as discussões dos trabalhos e pesquisas relacionadas ao Museu Afro-digital (MAD). Leia mais no site da UFMA

Declaração do Encontro Nacional Unitário de Trabalhadores e trabalhadoras, povos do campo das águas e das florestas

Após séculos de opressão e resistência, “as massas camponesas oprimidas e exploradas”, numa demonstração de capacidade de articulação, unidade política e construção de uma proposta nacional, se reuniram no “I Congresso Nacional dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas sobre o caráter da reforma agrária”, no ano de 1961, em Belo Horizonte. Já nesse I Congresso os povos do campo, assumindo um papel de sujeitos políticos, apontavam a centralidade da terra como espaço de vida, de produção e identidade sociocultural. Leia mais na página do Encontro

Apenas 2% dos mortos e desaparecidos políticos no campo foram reconhecidos pelo Estado

As graves violações de direitos humanos cometidas direta e indiretamente pelo Estado brasileiro entre 1961 e 1988 tiveram uma expressão devastadora no meio rural. É o que revelam números finais de uma pesquisa coordenada pelo Projeto Direito à Memória e à Verdade, da Secretaria de Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República. A investigação dá conta da morte e desaparecimento de 1.196 pessoas, na grande maioria lideranças de lutas coletivas que atuavam em organizações sociais do campo, em geral a favor de reforma agrária. Leia mais em Brasil de Fato

Caso Doroth Stang - Nota da CPT sobre a decisão do STF


Dois fatos ocorridos nos últimos dias envolvendo o Poder Judiciário e acusados de serem mandantes de crimes de lideranças rurais ajudam a explicar a gravidade dos conflitos no campo e a permanência da impunidade que beneficia os criminosos.
O primeiro caso ocorreu em Marabá no dia 09 passado, quando o Juiz Murilo Lemos Simão impronunciou o fazendeiro Vicente Correia Neto e os pistoleiros Valdenir Lima dos Santos e Diego Pereira Marinho acusados do assassinato do líder sindical Valdemar Barbosa de Oliveira, o Piauí, crime ocorrido em junho de 2011. De acordo com depoimento prestado pelo pistoleiro Diego Pereira Marinho o fazendeiro Vicente Correia pagou o valor de 3 mil reais para que a dupla assassinasse o sindicalista.
A confissão do pistoleiro foi sustentada em depoimentos prestados perante a polícia civil de Marabá e acompanhada pela imprensa local. Os dois pistoleiros foram presos após terem praticado outros crimes em Marabá. De acordo com informações da polícia, a dupla já assassinou mais de 20 pessoas na região. Após serem presos, Diego prestou novo depoimento perante a polícia afirmando que estava sendo ameaçado na cadeia e que o advogado do Fazendeiro Vicente Correia lhe mandou um recado através de Valdenir que se ele negasse o crime perante o Juiz seria financeiramente recompensado. O que ele fez posteriormente.
 
Mesmo com todas essas provas, o juiz absolveu o fazendeiro e os dois pistoleiros. Murilo Lemos Simão é o mesmo juiz que se negou, por duas vezes, a decretar as prisões do fazendeiro e dos dois pistoleiros acusados do assassinato do casal de extrativista em Nova Ipixuna em maio do ano passado.
          
O segundo caso ocorreu no dia de ontem. O Ministro Marco Aurélio Melo do STF deferiu liminar em HC, e mandou colocar em liberdade o fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, condenado pelo tribunal do júri, a uma pena de 30 anos de prisão por ser um dos mandantes do assassinato da missionária Doroty Stang, crime ocorrido em fevereiro de 2005, em Anapú.
O mesmo pedido feito pela defesa de Regivaldo foi negado pelo Tribunal de Justiça do Pará e pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ. Na decisão desses dois tribunais, Regivaldo deveria continuar preso em razão do modo como o crime foi praticado e devido o poder econômico que possui pois poderá fugir para não ser novamente preso. Fato já ocorrido em relação aos mandantes do assassinato do sindicalista João Canuto, assassinado em Rio Maria e 1985. Os dois fazendeiros condenados nunca foram presos após terem seus recursos julgados pelos tribunais superiores.
Decisões como a do Juiz Murilo Lemos de Marabá e do Ministro Marco Aurélio Melo do STF contribuem para o acirramento dos conflitos e a permanência da impunidade em um Estado que tem sido campeão de crimes no campo no Brasil.
Marabá, 22 de agosto de 2012.
Comissão Pastoral da Terra – CPT diocese de Marabá.

Economia - professor Cano avalia desindustrialização


Em sua avaliação, o Brasil vivencia um processo de desindustrialização desde 1994, e o Estado não elabora políticas macroeconômicas que favoreçam a política industrial porque “aceita o jogo internacional”. Ele esclarece: “No final dos anos 1980, o país aceitou o neoliberalismo, aceitou a independência do Banco Central, as regras da Organização Mundial do Comércio – OMC, e parece que não quer brigar com ‘essa gente’ e disputar algo no mercado internacional”. Leia mais em IHU

Escola de Agroecologia MST\PA diploma primeira turma

O Centro de Estudos e Formação em Agroecologia e Cultura Cabana (Cefac) realiza curso de formação para jovens de assentamentos e acampamentos do MST. O curso é realizado no Assentamento Luiz Carlos Prestes, município de Irituia, e tem como um de seus objetivos formarem novos quadros e militantes para as lutas por reforma agrária e para as lutas sociais.
 
Oriundos de cinco áreas organizadas pelo MST, os militantes tem se dedicado a estudar temas relacionados aos desafios dos movimentos sociais do campo como a história da luta pela terra, os mecanismos de funcionamento da sociedade, a teoria da organização, questão de gênero e os princípios da cooperação e da agroecologia, elementos fundamentais para uma formação que contemple as diversas dimensões dos seres humanos.
 
Com o intuito de valorizar o trabalho em suas dimensões libertárias e criadoras, o curso trabalha com o tempo estudo e tempo trabalho onde os jovens militantes desenvolvem atividades práticas para resgatar alguns dos princípios fundamentais do MST como a solidariedade, o espírito de sacrifício, a cooperação e a disciplina consciente, além de contribuir no processo de reforma e construção do CEFAC.
 
Para o membro da Coordenação Estadual do MST – Pará Raimundo Nonato (Índio) a formação política de novos militantes deve se transformar em uma prioridade para os movimentos sociais do campo e o MST enfrenta este desafio com olhos direcionados a quem vai disputar e dirigir o mundo sonhado.
 
 
Nesta sexta-feira, 24 de agosto, acontecem o ato político de diplomação e encerramento da turma onde estarão presentes entidades como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), professores, aliados e amigos dos movimentos sociais em uma grande celebração camponesa que reafirmarão nossa disposição de luta.

Enviado pelo MST-PA

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Terceira Margem - uma publicação sobre a Amazônia


 
O Centro Agroecológico do Tocantins (CAT), ligado a Universidade Federal do Pará (UFPA) com sede em Marabá foi uma experiência que buscou o diálogo entre a academia e a representações do campo democrático da sociedade. O professor Jean Hébette foi o coordenador da iniciativa.
Dois núcleos integravam o centro: um acadêmico e outro popular. O último composto por dirigentes sindicais rurais. Somou mais de duas décadas a trajetória do centro. Hoje o campesinato do sul e sudeste do Pará encontra-se territorializado, as representações políticas da categoria encaminhadas, outras tomaram outro rumo.
Os frutos do CAT estão representados por vários elementos. Entre eles: artigos nacionais e internacionais, alguns livros, arestas equacionadas sobre as diferenças de visão sobre o processo e a formação de educadores e dirigentes. O CAT não existe mais.
No presente momento, em outro plano, nasce a Revista Terceira Margem, que em certa medida carrega em sua gênese tal DNA. O número inaugural acabou de sair da gráfica. A edição é da Expressão Popular e trás em mais de duzentas páginas reflexões sobre a região.  
Professores de vários níveis e gerações, agentes pastorais, jornalistas protagonizam os artigos. O texto de apresentação da obra explica: A Revista Terceira Margem Amazônia tem como objetivo ser um veículo de divulgação de estudos, pesquisas e experiências sociais, abrangendo trabalhos interdisciplinares envolvendo, direta ou indiretamente, a realidade da região de modo a estimular o intercâmbio e o debate entre a comunidade acadêmica científica e os atores sociais, contribuindo para a produção de conhecimento acerca da região.
O nome da publicação é uma referência aos autores Benedito Monteiro e Guimarães Rosa. O evento de lançamento ocorre na Feira do Livro. Cada exemplar poderá ser adquirido por R$20,00.

Revista: Terceira Margem Amazônia
Autor: Vários autores
Número de páginas: 224
Preço: R$ 20,00
Áreas de interesse: Sociologia, Ciências Sociais, Geografia, Educação
Editora: Outras Expressões
A revista pode ser adquirida pelo site da livraria Expressão Popular ou ligar para (91) 3255 3855