sexta-feira, 7 de julho de 2023

*Trecho, afinal, o que seria?

Fonte: livro 10 anos do CAT, organizado pelo professor Jean Hébette

O dito mundo culto compreende o trecho como um espaço entre dois pontos no tempo e no espaço. Triste ortodoxia. Todavia, no vasto universo amazônico, o trecho é o horizonte do despossuído. O não lugar. A vida em movimento. Mutação.

O trecho não é mãe. Nem pai. Soa mais como incerteza. Um penhasco desconhecido ao peão. Elevado trapézio do circo da vida, sem rede ou equipe de socorro. Socorro!!! Não entendo nada. Um rio raso para toda dor que há no mundo. Um rio fundo. Vastidão de violência em combustão. Fronteira capital em acumulação primitiva. Armadilha para animal.

O trecho é bruto. Encruza de estranhos. Mundo de desconfiados, ornado de solidariedade e traição. Vida em farrapos nos confins do humano conservado em calda de álcool.  No trecho, logo cedo, o primeiro carinho é dado pelo beiço da morte em cama de pensão entupida de pulgas.

O trecho, paixão. Desassossego. Privação. Privado de tudo, resta o peito mudo. Privado de tudo, resta a gota de suor a infernizar o olho cego. No trecho, ao que se agarrar senão à esperança?

Os desencontros constituem a família nas andanças do trecho. A boroca é a mala que acomoda tudo que a pobreza permitiu acumular durante toda uma jornada de errância. Passo em falso sobre mar em chamas. Lonjuras de tudo.

Tudo que queria era tirar você deste lugar. Carregar tu para o Círio em Belém, ou delírios em Macapá. Amor sobre a mesa de bilhar. Riqueza ligeira em garimpo da Guiana Francesa, mon amour.  

No trecho, a dor não possui fronteira. Amor de peão desconhece barreira. No toca fita do carro, uma canção me faz lembrar você. Acendo mais um cigarro, driblo a rua da delegacia de polícia, esbarro no puteiro. 

Barracão de zinco.  Barracão prisão. Escravo por dívida não tem salvação. Escorre água. Escorre sangue em um banquete de ossos. Bem sabe quem fez a seringa sangrar ou catou ouriço de castanha em Marabá.

Tudo tarda. A sorte escapa.  Menino sem calça, bainha sem faca na forquinha do somehome ou no cogó da onça em quatro bocas com fome. Trecho, seria uma masmorra sem cela?

O trecho não é mãe, nem pai. Menos ainda um amor ou parente distante...um rio raso. Um rio fundo...abismo de rosas em riomar de tempestades. Anotações realizadas entre Alenquer e Santarém. Choro sufocado pela fome em amar.

O trecho é o lugar onde a vida encarna o que é possível. Retalhos de gentes despedaçadas no caminho. Juntadas no caminho. Separadas...O trecho devora o humano. Mói, mastiga, judia, maltrata, cospe e descarta. Peixeira cravada em bucho de criança na Sexta-Feira Santa.

Trecho. Trincheira. Sem terra, sem lar, sem família...errante desposado pelo álcool e drogas em alguidar, onde a rede acomoda o corpo sem vida, e o rosto da morte não usa véu.  

No trecho, morre-se de trairagem, vingança, desamor, bala e malária. A cova não é funda em terra medida. Terra que querias ver dividida.

A educadora Rose Bezerra, peã do trecho desde tenra idade, assim, o espelha: “Trecho é mais sobre o presente. O passado guardado apenas na memória revivida nos detalhes soltos do caminho... o futuro é só esperança. Qualquer lugar, torna-se lugar...

Existirá vida para além da terceira margem do rio?

O trecho, afinal, afinal, afinal.......o que seria?

 

*O esboço do texto foi gerado na madrugada do dia 06 de julho de 2023, em travessia de rio entre Alenquer-Santarém/PA.  Para a presente versão contou com as observações da educadora e peã do trecho Rose Bezerra. 

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Direitos Humanos e da Natureza: Ministério Público do Pará promove encontro em Marabá, a partir do dia 13



O objetivo do seminário é aproximar o MP da sociedade, em particular dos movimentos sociais. Além de especialistas em temas delicados à sociedade, a exemplo da questão da agrária, terão assento no evento que encerra no dia 14, representantes do MST, Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores e Agricultoras do Pará (Fetagri), Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM), representantes indígenas e da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

 Pesquisadores da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Universidade Federal do Pará (Ufpa), Universidade do Estado do Pará (Uepa).

Na ocasião, ocorrerá o lançamento do livro Luta pela terra na Amazônia: mortos na luta pela terra! Vivos na luta pela terra!. A obra resulta de projeto de extensão da Ufopa em dialogo com a Fetagri, MST, Sociedade Paraense de Defesa de Direitos Humanos (SDDH) e CPT. 

Rogerio Almeida (Ufopa), Elias Sacramento (Ufpa), Airton Pereira (Uepa), Luzia Canuto, militante dos direitos humanos e professora em Rio Maria são alguns dos autores de artigos que estarão participando do seminário.

Saiba mais sobre inscrições e a programação AQUI


segunda-feira, 29 de maio de 2023

Faz 43 anos que o agente pastoral e dirigente sindical Gringo (Raimundo Ferreira Lima) foi assassinado no Araguaia

 Gringo, presente!!!






Em 29 de maio de 1980, sequestrado em Araguaína, Gringo foi assassinado. A última pessoa da equipe pastoral com quem Gringo falou foi com a Heloisa na varanda de nossa casa em Conceição do Araguaia, em 28 de maio de 1980.  Ele, antes de ir para a rodoviária, passou na casa.

Gringo era da equipe da CPT e da pastoral da paróquia de São Geraldo e também candidato a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município.

Me aguardava dois dias em Conceição do Araguaia, vindo de São Paulo e eu estava em Brasília onde, em coletiva de imprensa, defendia a equipe da paróquia de São Geraldo.

Alguns fazendeiros, inclusive o prefeito de Conceição do Araguaia,  Geovane Queiroz, afirmavam que a morte de Fernão Leitão Dinis tinha sido armada pela igreja que havia munido os posseiros com armas pesadas.

Na coletiva, contestei a informação e disse que algumas lideranças da paróquia de São Geraldo eram ameaçadas, inclusive o Gringo.

Na véspera do assassinato, seu nome era veiculado na imprensa como ameaçado.

Deixou como viúva  Oneide e, órfãos,  seis filhos pequenos.


Relato de Ricardo Rezende- padre e professor da UFRJ. 


Conheça mais sobre a História e outros ativistas AQUI

sábado, 13 de maio de 2023

Pistolagem no Pará: Justiça concede alvará de soltura a pistoleiro foragido desde 2007

No Pará, por entre as “frestas” da Lei e inépcia do estado, o crime compensa


O pistoleiro Wellington de Jesus Silva. Imagem de redes sociais

 

No dia 30 de abril do corrente ano o juiz da Vara de Execução de Pena Privativa da Comarca de Belém, Deomar Alexandre de Pinho Barroso expediu alvará de soltura ao pistoleiro Wellington de Jesus Silva, foragido de justiça desde 2007. O assassino  havia sido condenado por unanimidade a 29 anos de prisão em abril do mesmo ano.   

Silva somava 19 anos quando matou com três tiros de revólver calibre 38 o dirigente sindical José Dutra da Costa (Dezinho), em Rondon do Pará, sudeste do Pará, no dia 21 de novembro de 2000. Dezinho foi assassinado na porta de sua casa, diante da esposa e dos quatro filhos pequenos.

Wellington de Jesus Silva foi preso por populares na ocasião da execução de Dezinho, que apesar de baleado, entrou em luta corporal com o assassino, caindo sobre o corpo dele em uma vala na rua onde morava.  

Não é praxe a agilidade do setor de segurança pública e da justiça do estado alcançar pistoleiros e a cúpula desta modalidade de crime que desde os anos de 1980 impera no Pará sob o manto da impunidade.  

Quem financiou a fuga, a subsistência, o ocultamento e advogados do pistoleiro, que em 2019 impetraram novo processo com base em prescrição,  é um elemento que intriga a família.

Na véspera do Dia das Mães, o sentimento da família do sindicalista é de perplexidade, revolta e de tensão. Maria Joel, viúva de Dezinho, após a morte do sindicalista assumiu a direção do Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Rondon, e desde então é obrigada a andar com escolta policial por conta de ameaças de morte. 

O caso Dezinho – outros envolvidos



Por intermediar a morte do sindicalista, Rogerio Dias de Oliveira, irmão do pistoleiro, foi condenado a 16 de prisão em dezembro do ano passado.  22 anos após a execução do sindicalista, e 20 anos de foragido.  Oliveira foi preso em Minas Gerais, provável paradeiro de Wellington. Nestes casos, a morosidade impera.

Em 2013 o fazendeiro Lourival de Souza Costa e seu capataz Domício de Souza Neto foram absolvidos. Em 2019 o fazendeiro Décio José Barroso Nunes, conhecido pela alcunha de Delsão, uma espécie de “dono” da cidade de Rondon, foi condenado a 12 anos de prisão. Todavia, responde em liberdade. Igosmar Mariano, primo de Rogerio e Wellington encontra-se foragido.

Tulipa Negra, o grilo que motivou o crime

Dados sistematizados pela CPT de Marabá sinalizam que no mês de junho de 2000, 150 famílias organizadas por Dezinho ocuparam a Fazenda Tulipa Negra, uma área de 3 mil hectares, que pertenceria ao fazendeiro Kyume Mendes Lopes.

O título da fazenda teria sido expedido pelo governo do Pará em 1918. No entanto, o documento expedido pelo estado possuía uma área maior, 44 mil hectares. A Tulipa Negra seria uma espécie de desmembramento desta área.

Desde outubro Dezinho estava convencido da falsificação do título, posto que o estado do Pará não titulava terras no ano de 1918, em áreas no que hoje é o território de Rondon do Pará. Em resumo, a área em disputa e vizinhança foram/são terras griladas.

Como em outras casos de sindicalistas e pares, a morte de Dezinho poderia ter sido evitada. O estado do Pará tinha conhecimento das ameaças. Havia sido formalmente informado pelas instituições que mobilizam a luta pela reforma agrária no sudeste do estado.

O enredo das mortes sem fim em terras do Pará é conhecido, impera a morosidade, negligência em investigação, quando não conivência com os acusados em execuções e chacinas contra os defensores da reforma agrária, meio ambiente e direitos humanos.  

O livro sobre a luta pela terra na Amazônia lançado no ano passado, projeto de extensão da UFOPA, escrito por educadores, familiares, jornalistas e amigos de pessoas envolvidas nestes casos, evidencia isso. Baixe AQUI

Veja o documentário sobre Dezinho produzido pelo professor Evandro Medeiros AQUI

 

domingo, 30 de abril de 2023

Abril indígena da UFOPA foi marcado por expulsão de frente parlamentar pró garimpo e grilagem de terras.

A Ufopa é considerada a universidade que mais acolhe discentes indígenas e quilombolas do país.  

Abril. Sexta-feira, 28. O calor é causticante. O mês é dicado aos povos indígenas. Legítimos senhores destas terras, que ocupam o Planalto Central em ato pró defesa de seus territórios, tantas vezes vilipendiados. Tantas vezes encharcados de sangue dos seus. Abril é o mês da passagem do Massacre de Eldorado, ocorrido no dia 17, do ano de 1996. A chacina da PM executou 19 trabalhadores rurais sem terra.   

No miniauditório do prédio dedicado a questões administrativas da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), discentes do Instituto Ciência e Sociedade (ICS) realizam colação de grau de gabinetes. São indígenas e quilombolas em sua maioria. Entre eles, uma senhora faz um relato comovente.

Colação de grau no mini auditório do ICS/UFOPA. 

Ela soma mais de 50 anos. Conseguiu graduar e aprovação no mestrado graças à solidariedade e apoio da família durante o percurso. Ela encarna a maior parcela da sociedade. Os que foram expropriados pelos impérios coloniais. E, continuam a enfrentar o mesmo dilema por conta da racionalidade do capital, movido pela insaciável necessidade em incorporar e subordinar territórios ainda não mercantilizados. Como salienta estudante de Direito da Ufopa e líder munduruku, Alessandra Korap, recentemente laureada com prêmio na Alemanha, “o que eles apresentam para gente é um projeto de morte”.

A colação daqueles sujeitos ocorria no mesmo momento em que uma frente parlamentar que agrupa representantes dos estados do Pará e do Mato Grosso, capitaneada pelo senador Zequinha Marinho (PL/PA), tentava colocar em pauta no auditório da mesma universidade, a defesa de legalização de garimpos, grilagem de terras, monocultivos e a defesa de obras de infraestrutura.

Manifestação de estudantes da UFOPA contra a frente parlamentar pró garimpo e grilagem de terras. Fonte: redes sociais. 

Pautas que colocam em xeque a reprodução econômica, política e social destes sujeitos que hoje representam uma expressiva fatia do corpo discente da Ufopa, que ainda carece dos mesmos na condição de educadores e pesquisadores.

A dívida que a sociedade brasileira tem com estes sujeitos, historicamente colocados em condição de subalternização é imensa. Os que foram colocados em cativeiros, surrados e assassinatos, e que ousaram e ousam cursar uma graduação, apesar de todas os obstáculos.  Felizmente, um coletivo de estudantes ocupou o espaço do auditório em protesto, e evitou a realização do evento.

Fonte:; redes sociais. 

Sobre a UFOPA abrigar o referido encontro, o colegiado do curso de Gestão Pública e Desenvolvimento Regional, em nota manifestou “ser inaceitável os discursos difundidos no âmbito desse evento de negação da ancestralidade dos povos indígenas, bem como de outras culturas, como elemento definidor da nossa identidade, a qual merece respeito e proteção”.

O Sindicato dos Docentes da UFOPA cobra da reitoria que “autoridades constituídas se expressem publicamente como se deu o processo para que esta instituição pública viesse a abrigar um evento que tem conotação política totalmente diferente às metas e planos do atual governo federal e do que os povos amazônidas locais vem reivindicando para essa região”.

O Programa de Antropologia e Arqueologia (PAA), que abriga o contingente mais expressivos de indígenas e quilombolas, em nota sobre o evento manifesta solidariedade a indígenas e quilombolas, onde “nos solidarizamos com os povos e comunidades indígenas, quilombolas, tradicionais e camponesas – muitas das quais estão representadas por discentes da universidade – que já estão sendo gravemente impactados por essas iniciativas e manifestamos nosso repúdio e vergonha pelo fato da nossa instituição, construída com recursos públicos e que deve atender a sociedade, hospedar tal evento, que está na contramão das verdadeiras mudanças que necessitamos diante da emergência climática. Repudiamos ainda a truculência exibida por membros do referido evento, um dos quais ofendeu docente do nosso programa, aos gritos, dizendo que a universidade pertencia a eles. Exigimos ser respeitados. Estamos no nosso lugar de trabalho”.  

A Amazônia Legal e indígenas foram os mais penalizados em conflitos no campo, indicam dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

No governo anterior (2019 a 2022) 42 indígenas foram assassinatos. O aumente foi de 200% em relação ao período anterior, sinalizam dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Em 2022 a mesma fonte indica que ocorreram 553 conflitos em áreas rurais do Brasil. O que representa um aumento de 50% em relação a 2021 (368).

No governo marcado pelo desmantelamento de instituições, políticas, programas e orçamento, além de nomeação de pessoas sem nenhuma identificação e conhecimento relacionados com questões indígenas, quilombolas, camponesas, agrárias, ambientais e educacionais 1.065 perderam a vida em 2022, indica o relatório da CPT, apresentado em Brasília, Unb (Universidade de Brasília), no dia 19. 72,4% destas mortes ocorreram na Amazônia Legal, sendo 38% de indígenas.

A frente parlamentar encarna o que Brasil tem de mais arcaico, o poder econômico, político e social assentado no poder da concentração da terra. Uma concentração construída sobre os pilares mais profundas de uma ordem conservadora, escravocrata, violenta e criminosa, onde a prática de grilagem constitui-se como recurso ilegal para a apropriação privada de terras públicas em uma combinação de redes que mobiliza sujeitos públicos e privados.

Até o presente momento, o site da universidade não apresenta nenhuma manifestação da reitoria sobre o caso. 

 

sábado, 22 de abril de 2023

Será o Benedicto? Centenário de Benedicto Monteiro e o mundo das águas de Alenquer

 Encontro no Campus da Ufopa de Alenquer inicia a celebração do centenário de Benedicto Monteiro. 

 

Orla de Alenquer. Foto: Rogerio Almeida


É a Amazônia é o império das águas? Por todos os lados, de diferentes colorações, a água predomina. Olhos, furos, paranás e rios configuram riomares. Nas cidades ribeirinhas, trapiches e portos encarnam espaços fundamentais e estratégicos no fluxo de informações, mercadorias e gentes, em tempo considerado pela Geografia como lento. É justo este espaço-tempo que será a seiva essencial da obra de Benedicto Monteiro, marcada pela inquietação em justiça social e no jeito do falar do povo das barrancas do Baixo Amazonas.  

Cá, nestas paragens parauaras, três horas de barco separam Santarém de Alenquer.  A viagem ocorre duas vezes ao dia, o que representa um indicador de demanda. A viagem também é possível por via terrestre, todavia, sem o lirismo das águas.  

Casas de madeira, redes de pesca, redes de dormir, embarcações de tudo que é tamanho e coloração integram a paisagem, bem como currais de gado e árvores tombadas por conta da dinâmica das águas, que a tudo afronta. A pecuária em pequena escala predomina em Alenquer, onde nasceu há quase cem anos, o advogado, gestor público, político de verve comunista – ainda que a família fosse considerada abastada- e escritor, Benedicto Monteiro. 

A orla é a alma do universo ribeirinho. Trocas materiais e simbólicas são ali materializadas. Hotéis e alguns comércios estão articulados no mesmo perímetro, bem como o mercado municipal, além de palafitas relacionadas com a pesca e o lazer. Casa das Malhadeiras, loja localizada à orla de Alenquer, sinaliza para a importância da atividade pesqueira, bem como as embarcações de variados calibres que embelezam o local.  Para além de Santarém, cidade polo da região do Baixo Amazonas, de Alenquer é possível alcançar Manaus/AM, Óbidos/PA e Monte Alegre/PA.


Frente do Mercado Municipal de Alenquer. Foto Rogerio Almeida

Registros históricos e geográfico apontam que Surubiú ou Alenquer nomeia o braço do Amazonas, que compõe o mundo de águas que alumeia o front da cidade de Alenquer, um homônimo de Portugal, elevada à categoria de vila lá pelas remotas eras do ano de 1758, pela ordem do então governador Mendonça Furtado, irmão de Marques de Pombal, e ao status de cidade em 1881.  

No portifólio do processo civilizatório e de domínio territorial de Pombal, constava além de nomear cidades com nomes portugueses, o incentivo ao comercio do tráfico negreiro para a Amazônia, quando no Velho Mundo, graças ao saque nas colônias, o processo industrial ganhava corpo, e o trabalho assalariado era debatido. Marcas coloniais.  Sob inspiração inglesa, Pombal criou uma companhia de comércio para este fim.

Santarém, Óbidos, Almeirim, Faro, Aveiro, Monte Alegre são outros municípios desta composição lusa. Registros indicam que Abarés ou Barés era povo indígena que predominava na região antes da chegada de religiosos capuchinhos, tidos como “fundadores” da cidade, que antes da atual localização, ficava às margens do rio Curuá. Por conta da oscilação das águas, mudou-se a vila para o rio Surubiú.  

Os dados do IBGE indicam que a população estimada de Alenquer é de 57,390 habitantes distribuídos em um território de 23.645,452 km, sendo o Índice de Desenvolvimento Humano (2010) de 0564, patamar que é considerado médio.  A mesma base de dados indica que a cobertura educacional na faixa até 14 anos é de 95,6%, e a mortalidade infantil é de 34,58 óbitos por mil.

Entre os dias 19 e 20 uma atividade no Campus da UFOPA, junto ao Curso de Gestão Pública, na agenda do III Ciclo de Debates sobre Políticas Públicas. Wanda Monteiro, filha do notório autor, igualmente advogada e poeta, e os professores Gilberto Marques (Economia/UFPA) e Abílio Pachêco (Letras/Unifesspa) colaboraram na primeira mesa de debate, que residia em refletir sobre economia, sociedade e natureza na obra de Benedicto Monteiro, 59 anos após a sua prisão no território quilombola de Pacoval, durante a ditadura empresarial-militar, em 15 de abril de 1964.  Acesse o diálogo AQUI

Será o Benedicto?

Benedicto Monteiro. Fonte: redes sociais

Apesar da família abastada e dona de terras, o socialismo servia de farol para o político. Ao tomar possa das terras da família, as compartilhou entre trabalhadores rurais de Alenquer. A opção política provocava tensões no seio familiar.

Monteiro correu o mundo em busca de formação. Idos das primeiras décadas do século XX, no Rio de Janeiro fez par com o marajoara Dalcídio Jurandir - igualmente comunista - após ter sido convidado a sair da casa do tio (um militar) por conta da sua opção política, recupera Abílio Pachêco, em perfil sobre o autor, em tese apresentada na Universidade de Campinas (Unicamp), em 2020.   No mesmo documento, o professor realça que Monteiro foi convidado por Marighela a engrossar as fileiras da luta armada. Acesse  a tese AQUI 

As informações aqui elencadas sobre Monteiro possuem como fonte dados sistematizados por Pachêco, que recupera que em as atividades na condição de advogado ou em campanha política, o ximango autor registra em gravações relatos dos trabalhadores. Nestas incursões ao longo dos anos reuniu mais de 100 fitas gravadas. Fitas k7 e um número expressivo de fichamentos sobre a linguagem local.

O horizonte residia em coletar informações para a produção de uma dissertação sobre o falar loca, e assim pleitear uma vaga no magistério superior.  Pachêco sublinha que todo esse material foi apropriado pelos militares, e nunca foi restituído ao autor.  A sanha contra o saber é de velha data.    

Preso, Benedicto fez da reclusão do cárcere o tempo para refletir e formatar narrativas e forjar personagens, a exemplo de Miguel dos Santos Prazeres.   Privado do assento político, o alenquerense fez da literatura a sua bandeira.

O Museu de Alenquer

Não há energia elétrica na casa. Por falta de pagamento o serviço foi suspenso. O fato é recorrente em cidades que possuem essa modalidade de equipamento de cultura. O Museu do Marajó que o diga. A casa da foto abriga o museu de Alenquer. Ele possui um acervo bem bacana de livros, fotos, equipamentos antigos das áreas de saúde, comércio e algumas peças indígenas.

Frente e interior do Museu de Alenquer. Foto: Rogerio Almeida

Proseamos por horas com o senhor Nivaldo, o zelador do espaço. Um autodidata que adora História. Falou coisas sobre os intelectuais da cidade, em particular sobre Benedicto Monteiro. Mas, também de outros, a exemplo do Aldo Arrais, professora Raimunda Brilhante, Joaquim Bentes.

Nivaldo lembra que quando em Alenquer, Monteiro mantinha contato constante com os setores populares.  Ao notar a segregação social com trabalhadores e negros na cidade, criou um time de futebol com inspiração socialista, e junto com os moradores, nasceu assim o Internacional, uma referência ao hino comunista. Ainda hoje o prédio existe na cidade.

Bem antes da China se consagrar na geopolítica como uma nova força mundial na arena de poder, peças provenientes de Taiwan já eram encontradas no Baixo Amazonas, a exemplo de um moedor de gelo. 

Moedor de gelo. Peça do Museu de Alenquer. Foto: Rogerio Almeida

Outra relíquia encontrada no museu é uma espécie de purificador de água. A operação levava mais de 24. Foi uma ação na área de saúde da Spvea (Superintendência de Valorização Econômica da Amazônia), que precedeu a Sudam (Superintendia de Desenvolvimento da Amazônia). Medida das políticas do tempo de Vargas, o primeiro a elaborar políticas de desenvolvimento para a Amazônia.

Purificador de água. Peça do Museu de Alenquer. Foto: Rogerio Almeida

A Despedida

Avisei a Nivaldo que andar de bermuda de vastos bolsos era uma estratégia para subtrair livros por onde ando. Ele respondeu" sua aparência não deixa dúvidas". A brincadeira foi sucedida por risos. Nivaldo zela pelo museu de Alenquer. Dele ganhei dois livros e a licença para escanear um terceiro.

Noutro encontro na casa professora Raimunda Brilhante foi agraciado com mais dois mimos. Tenho fé: um livro muda vidas. Agradecido demais pelos mimos. Voltarei, cuidado com o acervo da casa Nivaldo. Fitei com apreço o livro do Lúcio Flávio Pinto sobre o Projeto Jari.

Encaminhamentos – estamos a matutar ações em celebração ao centenário de Benedicto Monteiro.

quarta-feira, 19 de abril de 2023

III Ciclo de Debates em Gestão Pública de Alenquer homenageia Benedicto Monteiro.

O encontro ocorre entre os dias 19 e 20, a partir das 19h, pode ser acompanhado no yuotube.

Fonte: redes sociais

Em 2024 o advogado, político e escritor Benedicto Monteiro somaria 100 anos. Autor da tetralogia sobre o homem amazônico, é o grande homenageado no III Ciclo de Debates em Gestão Pública que inicia hoje, 19, no campus de Alenquer, terra natal do autor de Verde Vagomundo, Minossauro, Terceira Margem e Aquele Um.  Os professor Rogerio Almeida e Márcio Benassuly são os responsáveis pela organização.

O conjunto da obra foi gestado durante a ditadura empresarial militar (1964-1985), conjuntura influência na composição da narrativa, a exemplo dos recortes sobre eventos no campo da política, economia e das ciências que atravessam o período.

Deputado cassado, o comunista de Alenquer empreende uma abissal imersão em sua cidade, onde registra infindáveis horas gravação com os sujeitos da região, marcada pela dinâmica das águas, uma civilização das várzeas.  As especificidades da linguagem conferem singularidade e universalidade à obra.

Wanda Monteiro, filha de Benedicto, igualmente advogada e poeta, radicado na cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, participa de forma remota da primeira, que contará ainda com a presença do professor Abílio Pachêco de Souza, autor de uma tese na Universidade de Campinas (Unicamp), sobre a obra de Benedicto Monteiro.  Souza é docente da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).  Gilberto Marques, professor de Economia da Universidade Federal do Pará (UFPA), autor do livro, Amazônia: riqueza, degradação e saque, completa a mesa de abertura que inicia hoje, a partir das 19h.

O professor Abílio Pachêco, ao recuperar resenha do crítico e ensaísta de estatura mundial, Benedito Nunes datada de 1973, sobre a obra inaugural de Monteiro, Verde Vagamundo, realça, “ rompendo as limitações do  regionalismo, integre, numa narrativa universalmente representativa, o mais característico e o mais peculiar tanto do meio físico e cultural quanto do estado das relações humanas, inclusive sociais e políticas, duma região quase  sempre desgastada pela má literatura”.

A terra e as relações de poder que ela engendra são temas cotejados na obra do literato. Neste sentido, o segundo dia do clico, 20, coloca em primeiro planos os sujeitos, onde integraram a mesa um representante do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Paraíso, Cândido Cunha, técnico do INCRA, Herena Neves Maués, do MPPA e o professor Luiz Viegas do PPGCS/UFOPA.

 SERVIÇO

III Ciclo de Debates em Gestão Pública de Alenquer

Local: Auditório do Campus da Ufopa/Alenquer

Horário: 19h

Como acompanhar: https://www.youtube.com/@gpdam-ufopa9383

Contato: Márcio Benassuly 91 98211 1961

 

terça-feira, 18 de abril de 2023

Maior produtora de óleo de palma da América Latina, Grupo BBF ataca à bala quilombolas e indígenas na região do Acará, no Pará

 Em seus reclames o grupo defende a bandeira da sustentabilidade.  Soa que os seres humanos não constam nos cálculos. 

A Associacão de Moradores e Agricultores Remanescentes Quilombolas do Alto Acará (AMARQUALTA) vem a público denunciar e repudiar a ação violenta de seguranças da empresa Brasil BioFulls (BBF) no último dia 12 de abril de 2023.

Neste dia seguranças da BBF adentraram fortemente armados uma área de pretensão quilombola, que inclusive é objeto de um acordo em um processo na vara agrária de castanhal.

Por este acordo os seguranças da empresa deveriam respeitar a área de pretensão quilombola e indígena, o que não vem ocorrendo. Tem sido frequente a presença de seguranças da empresa fortemente armados nestas áreas, inclusive com intimidações de moradores que passam na estrada.

Diante da presença destes seguranças, moradores da comunidade, juntamente com lideranças da AMARQUALTA foram questionar a ação ilegal, irregular e abusiva dos seguranças e pedir para que se retirassem, mas estes ao invés de respeitar nosso território passaram a agressões violentas, inclusive com disparos de armas de fogo de grosso calibre, chegando a atingir de raspão alguns quilombolas presentes.

 

A violência perpetrada pelos seguranças da BBF foi denunciada à delegacia do Acará, que apura os fatos. E a comunidade espera e deseja que estes fatos violentos sejam seriamente investigados e que sejam aplicadas as sanções devidas aos responsáveis, inclusive aos mandantes. Compreendemos que a ação dos seguranças não se deu por livre liberalidade, mas que deveriam estar agindo por ordem superior, em completo desrespeito ao acordo firmado na justiça.

Cabe salientar, que as ações violentas e abusivas por parte dos seguranças  tem sido uma constante contra os moradores da comunidade, o que se tornou  intolerável. Por isso, a comunidade decidiu paralisar a estrada e fazer uma manifestação em protesto à violência da empresa BBF contra integrantes e lideranças das comunidades.

Diante de mais uma violacão do nosso território, deseiamos e esperamos que as autoridades, principalmente o INCRA, sistema de segurança Pública e Ministério Público estadual e federal adotem as providências necessárias para cessar estes tipos de violências e acelerar o reconhecimento e regularização do território quilombola da AMARQUALTA, que já se arrasta por quase 15 anos.

 

Acará/PA, 15 de abril de 2023

domingo, 16 de abril de 2023

Massacre de Eldorado: MST encena versão da peça Antígona em Carajás em parceria com diretor suíco

Manifestações em memória dos que tombaram na chacina serão realizadas na capital e em Carajás

Nieves Rodrigues

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está participando de um novo projeto teatral. Depois das últimas experiências realizadas com a ópera Café, a partir do texto de Mário de Andrade, e do filme A Fala da Terra, feito a partir de uma peça montada pelo coletivo Banzeiros; o novo projeto consiste em uma parceria com o premiado diretor suíço Milo Rau, do grupo NTGent, para a montagem de uma versão de Antígona, uma das mais encenadas tragédias gregas, escrita originalmente por Sófocles. Leia mais na página do MST. 

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Novo livro do prof Ed Wilson Araújo aborda rádio e ativismo da audiência

Educador compromissado com a comunicação popular, Wilson apresenta livro resultado  de tese apresentada na PUC

 

O sentido da ágora grega incorporado aos debates sobre a cidade travados no rádio é o tema central do livro “Ouvintes falantes: produção e recepção dos programas jornalísticos no rádio AM”, de autoria do professor doutor Ed Wilson Araújo, do Departamento de Comunicação Social (DCS) da UFMA (Universidade Federal do Maranhão).

A obra, publicada pela editora Appris, será lançada durante a programação do XI Ciclo de Debates do Obeec (Observatório de Experiências Expandidas em Comunicação) dia 5 de abril (quarta-feira), 18h30, no Solar Cultural Maria Firmina dos Reis. O Obeec, formado por docentes do DCS, dedica-se à pesquisa e produção de artigos e livros sobre práticas culturais, narrativas expandidas, comunicação, poder e cidadania.

 

Fruto da tese de doutorado em Comunicação, realizado na PUC do Rio Grande do Sul, o livro é um apanhado da vivência do autor no rádio AM, cultivada no hábito de ouvir a programação jornalística em diferentes etapas da vida, até o momento de transformar o interesse pela audiência em pesquisa acadêmica.

 

“A minha condição de ouvinte foi se modificando com o tempo. Quando eu trabalhava na feira do João Paulo, na quitanda do meu pai, Raimundo Araújo, eu ouvia os programas despretensiosamente. Depois, já formado em Jornalismo, trabalhei em assessorias de comunicação e uma das minhas atividades era monitorar os programas jornalísticos. Percebi nesse período outra relação minha com o radiojornalismo e quando chegou o tempo de fazer o doutorado processei o tema em objeto científico”, resumiu o autor.

 

Durante a produção da obra, Ed Wilson Araújo ajustou o trabalho aos Estudos Culturais latino-americanos, tomando como principal referência o protocolo teórico-metodológico do Mapa das Mediações, criado por Jesus Martín-Barbero.

 

No Maranhão, o rádio AM tem uma peculiaridade forte – a participação da audiência nos programas jornalísticos – motivando até a criação de uma entidade própria denominada Somar (Sociedade dos Ouvintes Maranhenses de Rádio).

A prática cultural da audiência se expressa nas diversas formas de agir nos programas, por meio de mensagens de voz, texto, envio de imagens ou ligação telefônica para falar ao vivo nas transmissões. Para entender esse fenômeno, o trabalho de campo selecionou dois programas (Ponto Final, da Mirante AM, apresentado por Roberto Fernandes; e Manhã Difusora, da ex-Difusora AM, liderado por Silvan Alves), além das entrevistas com ouvintes. Os apresentadores, já falecidos, são motivo de saudosa referência do autor para dois ícones do rádio no Maranhão.

No percurso da pesquisa, o autor capturou os sentidos da audiência nas mediações que permitiram interpretar os ouvintes nos seus rituais de escuta, nas formas de participar e estar juntos pelas ondas sonoras, no uso da retórica para intervir nos programas e na compreensão de que a ação da audiência se dá em contextos institucionais e de controle empresarial das emissoras de rádio.

Segundo Araújo, os programas jornalísticos, de certa forma, revelam características semelhantes à ágora grega. São espaços de diálogo, debates, convergências e divergências sobre a cidade. Os ouvintes, aos participarem dos programas, interpretam papéis e funcionam como repórteres informais, promotores, juízes, parlamentares e gestores. 

O rádio se transforma em uma espécie de ágora eletrônica, convergindo para os programas jornalísticos a participação da audiência em diálogo com os apresentadores e as fontes. Ao longo dos programas, os ouvintes tomam posição, criticam, elogiam, aderem, conflitam, bajulam, atacam ou defendem ideias, pontos de vista, gestores e demais entres públicos e privados. Tudo isso mediado pelo apresentador e pelas circunstâncias de controle do poder pela emissora.

 

“O livro tem um valor de memória, considerando que as emissoras AM estão migrando para FM. Entrego também no livro uma atualidade; ou seja, a proposta de manejar o mapa idealizado por Martin-Barbero, conectando os momentos e as mediações no movimento da recepção como parte da produção. Elas são intrínsecas e dialeticamente relacionadas”, pontuou o pesquisador.

 

Produção acadêmica

 

Esse é o terceiro livro do autor sobre rádio. O primeiro é fruto da dissertação de mestrado em Educação na UFMA: “Rádios comunitárias no Maranhão: história, avanços e contradições na luta pela democratização da comunicação”. Na segunda publicação, de autoria coletiva, Ed Wilson Araújo é um dos organizadores. A obra analisa a formação do bairro Anjo da Guarda pela perspectiva de duas experiências radiofônicas: “Vozes do Anjo: do alto-falante à Bacanga FM”

quarta-feira, 15 de março de 2023

Caso Gabriel Pimenta: ministro Silvio Almeida recebe defensores de direitos humanos nesta sexta feira, 17, para tratar da condenação do Brasil na OEA.

 Caso envolve irmão de Newton Cardoso, ex governador de Minas Gerais

Gabriel Pimenta, assassinado em Marabá/PA, na década de 1980, por defender posseiros na luta pela reforma agrária. 

Nesta próxima sexta-feira, 17 de março, o Ministro dos Direitos Humanos do Governo Lula, Dr. Silvio Almeida, receberá os advogados do Caso Gabriel Pimenta em audiência para tratar da elaboração de política de cumprimento da sentença da Côrte Interamericana de Direitos Humanos que condenou o Estado brasileiro a criar legislação de proteção aos advogados e defensores de direitos humanos no Brasil.

Estarão na audiência o Ministro Silvio Almeida, seu assessor Nilmário Miranda, advogados do Cejil e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que representam os familiares de Gabriel Pimenta.

O Estado Brasileiro foi condenado por unanimidade no dia 04 de outubro de 2022, pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA) pela morte do advogado Gabriel Pimenta, ocorrida da década de 1980.

Rafael avalia o momento importante na luta de décadas em defesa do povo pobre do campo contra o latifúndio, a corrupção e a violência no campo no Brasil.

Enviado por Rafael Pimenta


Leia o resumo da sentença AQUI

Conheça a íntegra da sentença AQUI

Leia matéria sobre a trajetória de Gabriel Pimenta AQUI

Acesse o recém lançado livro que conta parte da Luta pela terra na Amazônia AQUI.


 

Extensão: Projeto de extensão da UFOPA é selecionado para integrar grade de programação da Rádio da UFSCar/SP

 O projeto apresentará um programa por mês com temas amazônicos 

 


Inspirado na comunicação cientifica, o projeto de extensão AMAZÔNIA ACADÊMICA: CIÊNCIA PARA ALÉM DOS MUROS, coordenado pela professora Thulla Esteves, do curso de Bacharelado em Ciências Biológicas (BCB, foi selecionado em edital para compor a grade de programação da emissora de rádio da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar/SP), com a proposta do podcast AMAZÔNIA PLURAL.

O projeto leva em consideração a produção acadêmica da universidade, a agenda econômica, política, social e cultura da região e, propõe estabelecer um diálogo com a comunidade.  O projeto deverá produzir um programa por mês.

A iniciativa avalia ser de extrema urgência que se desenvolvam ferramentas para a divulgação do conhecimento científico produzido na universidade e sua importância no cotidiano das pessoas.

Esteves acredita que as pessoas, através da comunicação científica, possam participar de forma mais efetiva de processos decisórios que envolvem a agenda desenvolvimentista da região, e compreendem os altos impactos socioambientais causados por estes projetos.

quarta-feira, 8 de março de 2023

Flashdance TF: projeto é único selecionado em edital de Novos Realizadores no cinema.

 Resultado divulgado pela Ancine contemplou seis projetos da Região Norte


.
 

O projeto Flashdance TF, da produtora Floresta Urbana, foi o único contemplado do Pará no edital Novos Realizadores 2022. O certame contemplava diretores e diretoras com no máximo um longa-metragem realizado. O resultado foi divulgado nesta terça-feira, 07/03/2023.

Flashdance TF tem como cenário o bairro da Terra Firme em Belém e conta a história de um casal de irmãos que possuem um grupo de street dance e são selecionados para um concurso de dança promovido por uma secretária de Educação cuja final será no Teatro da Paz. Entre ensaios, trabalhos para garantir o sustento da família e a sombra permanente da milícia, esse grupo tenta superar o trauma de uma chacina ocorrida no bairro algum tempo antes para realizar o sonho de dançar.

O edital Novos Realizadores foi alvo de uma polêmica por ter no resultado preliminar deixado de contemplar projetos da Região Norte, causando revolta entre produtoras amazônicas. Questionada, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) suplementou recursos. Com isso, seis projetos da Amazônia foram contemplados, sendo dois do Amazonas, um de Tocantins, um de Rondônia, um de Roraima e um do Pará.

A produtora Floresta Urbana tem dois anos de existência. Produziu os curtas-metragens ‘Amador, Zélia’ e ‘O amor tem cheiro de pimenta e cominho’. O primeiro, contemplado no Edital da Lei Aldir Blanc, vem sendo selecionado e premiado em diversos festivais nacionais.

Outra produção da Floresta Urbana é o documentário ‘Na Fronteira do Fim do Mundo’, que aborda impactos da mineração no sudeste do Pará, selecionado em 2022 no Independent Film Festival de Montreal, no Canadá.

Flashdance TF é a primeira obra de ficção da produtora, que tem como sócios Aline Paes, Michelle Maia, Glauco Melo e Ismael Machado. O roteiro de Flashdance TF é de Machado e Vlad Cunha.

Enviado por Ismael Machado