sábado, 22 de abril de 2023

Será o Benedicto? Centenário de Benedicto Monteiro e o mundo das águas de Alenquer

 Encontro no Campus da Ufopa de Alenquer inicia a celebração do centenário de Benedicto Monteiro. 

 

Orla de Alenquer. Foto: Rogerio Almeida


É a Amazônia é o império das águas? Por todos os lados, de diferentes colorações, a água predomina. Olhos, furos, paranás e rios configuram riomares. Nas cidades ribeirinhas, trapiches e portos encarnam espaços fundamentais e estratégicos no fluxo de informações, mercadorias e gentes, em tempo considerado pela Geografia como lento. É justo este espaço-tempo que será a seiva essencial da obra de Benedicto Monteiro, marcada pela inquietação em justiça social e no jeito do falar do povo das barrancas do Baixo Amazonas.  

Cá, nestas paragens parauaras, três horas de barco separam Santarém de Alenquer.  A viagem ocorre duas vezes ao dia, o que representa um indicador de demanda. A viagem também é possível por via terrestre, todavia, sem o lirismo das águas.  

Casas de madeira, redes de pesca, redes de dormir, embarcações de tudo que é tamanho e coloração integram a paisagem, bem como currais de gado e árvores tombadas por conta da dinâmica das águas, que a tudo afronta. A pecuária em pequena escala predomina em Alenquer, onde nasceu há quase cem anos, o advogado, gestor público, político de verve comunista – ainda que a família fosse considerada abastada- e escritor, Benedicto Monteiro. 

A orla é a alma do universo ribeirinho. Trocas materiais e simbólicas são ali materializadas. Hotéis e alguns comércios estão articulados no mesmo perímetro, bem como o mercado municipal, além de palafitas relacionadas com a pesca e o lazer. Casa das Malhadeiras, loja localizada à orla de Alenquer, sinaliza para a importância da atividade pesqueira, bem como as embarcações de variados calibres que embelezam o local.  Para além de Santarém, cidade polo da região do Baixo Amazonas, de Alenquer é possível alcançar Manaus/AM, Óbidos/PA e Monte Alegre/PA.


Frente do Mercado Municipal de Alenquer. Foto Rogerio Almeida

Registros históricos e geográfico apontam que Surubiú ou Alenquer nomeia o braço do Amazonas, que compõe o mundo de águas que alumeia o front da cidade de Alenquer, um homônimo de Portugal, elevada à categoria de vila lá pelas remotas eras do ano de 1758, pela ordem do então governador Mendonça Furtado, irmão de Marques de Pombal, e ao status de cidade em 1881.  

No portifólio do processo civilizatório e de domínio territorial de Pombal, constava além de nomear cidades com nomes portugueses, o incentivo ao comercio do tráfico negreiro para a Amazônia, quando no Velho Mundo, graças ao saque nas colônias, o processo industrial ganhava corpo, e o trabalho assalariado era debatido. Marcas coloniais.  Sob inspiração inglesa, Pombal criou uma companhia de comércio para este fim.

Santarém, Óbidos, Almeirim, Faro, Aveiro, Monte Alegre são outros municípios desta composição lusa. Registros indicam que Abarés ou Barés era povo indígena que predominava na região antes da chegada de religiosos capuchinhos, tidos como “fundadores” da cidade, que antes da atual localização, ficava às margens do rio Curuá. Por conta da oscilação das águas, mudou-se a vila para o rio Surubiú.  

Os dados do IBGE indicam que a população estimada de Alenquer é de 57,390 habitantes distribuídos em um território de 23.645,452 km, sendo o Índice de Desenvolvimento Humano (2010) de 0564, patamar que é considerado médio.  A mesma base de dados indica que a cobertura educacional na faixa até 14 anos é de 95,6%, e a mortalidade infantil é de 34,58 óbitos por mil.

Entre os dias 19 e 20 uma atividade no Campus da UFOPA, junto ao Curso de Gestão Pública, na agenda do III Ciclo de Debates sobre Políticas Públicas. Wanda Monteiro, filha do notório autor, igualmente advogada e poeta, e os professores Gilberto Marques (Economia/UFPA) e Abílio Pachêco (Letras/Unifesspa) colaboraram na primeira mesa de debate, que residia em refletir sobre economia, sociedade e natureza na obra de Benedicto Monteiro, 59 anos após a sua prisão no território quilombola de Pacoval, durante a ditadura empresarial-militar, em 15 de abril de 1964.  Acesse o diálogo AQUI

Será o Benedicto?

Benedicto Monteiro. Fonte: redes sociais

Apesar da família abastada e dona de terras, o socialismo servia de farol para o político. Ao tomar possa das terras da família, as compartilhou entre trabalhadores rurais de Alenquer. A opção política provocava tensões no seio familiar.

Monteiro correu o mundo em busca de formação. Idos das primeiras décadas do século XX, no Rio de Janeiro fez par com o marajoara Dalcídio Jurandir - igualmente comunista - após ter sido convidado a sair da casa do tio (um militar) por conta da sua opção política, recupera Abílio Pachêco, em perfil sobre o autor, em tese apresentada na Universidade de Campinas (Unicamp), em 2020.   No mesmo documento, o professor realça que Monteiro foi convidado por Marighela a engrossar as fileiras da luta armada. Acesse  a tese AQUI 

As informações aqui elencadas sobre Monteiro possuem como fonte dados sistematizados por Pachêco, que recupera que em as atividades na condição de advogado ou em campanha política, o ximango autor registra em gravações relatos dos trabalhadores. Nestas incursões ao longo dos anos reuniu mais de 100 fitas gravadas. Fitas k7 e um número expressivo de fichamentos sobre a linguagem local.

O horizonte residia em coletar informações para a produção de uma dissertação sobre o falar loca, e assim pleitear uma vaga no magistério superior.  Pachêco sublinha que todo esse material foi apropriado pelos militares, e nunca foi restituído ao autor.  A sanha contra o saber é de velha data.    

Preso, Benedicto fez da reclusão do cárcere o tempo para refletir e formatar narrativas e forjar personagens, a exemplo de Miguel dos Santos Prazeres.   Privado do assento político, o alenquerense fez da literatura a sua bandeira.

O Museu de Alenquer

Não há energia elétrica na casa. Por falta de pagamento o serviço foi suspenso. O fato é recorrente em cidades que possuem essa modalidade de equipamento de cultura. O Museu do Marajó que o diga. A casa da foto abriga o museu de Alenquer. Ele possui um acervo bem bacana de livros, fotos, equipamentos antigos das áreas de saúde, comércio e algumas peças indígenas.

Frente e interior do Museu de Alenquer. Foto: Rogerio Almeida

Proseamos por horas com o senhor Nivaldo, o zelador do espaço. Um autodidata que adora História. Falou coisas sobre os intelectuais da cidade, em particular sobre Benedicto Monteiro. Mas, também de outros, a exemplo do Aldo Arrais, professora Raimunda Brilhante, Joaquim Bentes.

Nivaldo lembra que quando em Alenquer, Monteiro mantinha contato constante com os setores populares.  Ao notar a segregação social com trabalhadores e negros na cidade, criou um time de futebol com inspiração socialista, e junto com os moradores, nasceu assim o Internacional, uma referência ao hino comunista. Ainda hoje o prédio existe na cidade.

Bem antes da China se consagrar na geopolítica como uma nova força mundial na arena de poder, peças provenientes de Taiwan já eram encontradas no Baixo Amazonas, a exemplo de um moedor de gelo. 

Moedor de gelo. Peça do Museu de Alenquer. Foto: Rogerio Almeida

Outra relíquia encontrada no museu é uma espécie de purificador de água. A operação levava mais de 24. Foi uma ação na área de saúde da Spvea (Superintendência de Valorização Econômica da Amazônia), que precedeu a Sudam (Superintendia de Desenvolvimento da Amazônia). Medida das políticas do tempo de Vargas, o primeiro a elaborar políticas de desenvolvimento para a Amazônia.

Purificador de água. Peça do Museu de Alenquer. Foto: Rogerio Almeida

A Despedida

Avisei a Nivaldo que andar de bermuda de vastos bolsos era uma estratégia para subtrair livros por onde ando. Ele respondeu" sua aparência não deixa dúvidas". A brincadeira foi sucedida por risos. Nivaldo zela pelo museu de Alenquer. Dele ganhei dois livros e a licença para escanear um terceiro.

Noutro encontro na casa professora Raimunda Brilhante foi agraciado com mais dois mimos. Tenho fé: um livro muda vidas. Agradecido demais pelos mimos. Voltarei, cuidado com o acervo da casa Nivaldo. Fitei com apreço o livro do Lúcio Flávio Pinto sobre o Projeto Jari.

Encaminhamentos – estamos a matutar ações em celebração ao centenário de Benedicto Monteiro.

quarta-feira, 19 de abril de 2023

III Ciclo de Debates em Gestão Pública de Alenquer homenageia Benedicto Monteiro.

O encontro ocorre entre os dias 19 e 20, a partir das 19h, pode ser acompanhado no yuotube.

Fonte: redes sociais

Em 2024 o advogado, político e escritor Benedicto Monteiro somaria 100 anos. Autor da tetralogia sobre o homem amazônico, é o grande homenageado no III Ciclo de Debates em Gestão Pública que inicia hoje, 19, no campus de Alenquer, terra natal do autor de Verde Vagomundo, Minossauro, Terceira Margem e Aquele Um.  Os professor Rogerio Almeida e Márcio Benassuly são os responsáveis pela organização.

O conjunto da obra foi gestado durante a ditadura empresarial militar (1964-1985), conjuntura influência na composição da narrativa, a exemplo dos recortes sobre eventos no campo da política, economia e das ciências que atravessam o período.

Deputado cassado, o comunista de Alenquer empreende uma abissal imersão em sua cidade, onde registra infindáveis horas gravação com os sujeitos da região, marcada pela dinâmica das águas, uma civilização das várzeas.  As especificidades da linguagem conferem singularidade e universalidade à obra.

Wanda Monteiro, filha de Benedicto, igualmente advogada e poeta, radicado na cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, participa de forma remota da primeira, que contará ainda com a presença do professor Abílio Pachêco de Souza, autor de uma tese na Universidade de Campinas (Unicamp), sobre a obra de Benedicto Monteiro.  Souza é docente da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).  Gilberto Marques, professor de Economia da Universidade Federal do Pará (UFPA), autor do livro, Amazônia: riqueza, degradação e saque, completa a mesa de abertura que inicia hoje, a partir das 19h.

O professor Abílio Pachêco, ao recuperar resenha do crítico e ensaísta de estatura mundial, Benedito Nunes datada de 1973, sobre a obra inaugural de Monteiro, Verde Vagamundo, realça, “ rompendo as limitações do  regionalismo, integre, numa narrativa universalmente representativa, o mais característico e o mais peculiar tanto do meio físico e cultural quanto do estado das relações humanas, inclusive sociais e políticas, duma região quase  sempre desgastada pela má literatura”.

A terra e as relações de poder que ela engendra são temas cotejados na obra do literato. Neste sentido, o segundo dia do clico, 20, coloca em primeiro planos os sujeitos, onde integraram a mesa um representante do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Paraíso, Cândido Cunha, técnico do INCRA, Herena Neves Maués, do MPPA e o professor Luiz Viegas do PPGCS/UFOPA.

 SERVIÇO

III Ciclo de Debates em Gestão Pública de Alenquer

Local: Auditório do Campus da Ufopa/Alenquer

Horário: 19h

Como acompanhar: https://www.youtube.com/@gpdam-ufopa9383

Contato: Márcio Benassuly 91 98211 1961

 

terça-feira, 18 de abril de 2023

Maior produtora de óleo de palma da América Latina, Grupo BBF ataca à bala quilombolas e indígenas na região do Acará, no Pará

 Em seus reclames o grupo defende a bandeira da sustentabilidade.  Soa que os seres humanos não constam nos cálculos. 

A Associacão de Moradores e Agricultores Remanescentes Quilombolas do Alto Acará (AMARQUALTA) vem a público denunciar e repudiar a ação violenta de seguranças da empresa Brasil BioFulls (BBF) no último dia 12 de abril de 2023.

Neste dia seguranças da BBF adentraram fortemente armados uma área de pretensão quilombola, que inclusive é objeto de um acordo em um processo na vara agrária de castanhal.

Por este acordo os seguranças da empresa deveriam respeitar a área de pretensão quilombola e indígena, o que não vem ocorrendo. Tem sido frequente a presença de seguranças da empresa fortemente armados nestas áreas, inclusive com intimidações de moradores que passam na estrada.

Diante da presença destes seguranças, moradores da comunidade, juntamente com lideranças da AMARQUALTA foram questionar a ação ilegal, irregular e abusiva dos seguranças e pedir para que se retirassem, mas estes ao invés de respeitar nosso território passaram a agressões violentas, inclusive com disparos de armas de fogo de grosso calibre, chegando a atingir de raspão alguns quilombolas presentes.

 

A violência perpetrada pelos seguranças da BBF foi denunciada à delegacia do Acará, que apura os fatos. E a comunidade espera e deseja que estes fatos violentos sejam seriamente investigados e que sejam aplicadas as sanções devidas aos responsáveis, inclusive aos mandantes. Compreendemos que a ação dos seguranças não se deu por livre liberalidade, mas que deveriam estar agindo por ordem superior, em completo desrespeito ao acordo firmado na justiça.

Cabe salientar, que as ações violentas e abusivas por parte dos seguranças  tem sido uma constante contra os moradores da comunidade, o que se tornou  intolerável. Por isso, a comunidade decidiu paralisar a estrada e fazer uma manifestação em protesto à violência da empresa BBF contra integrantes e lideranças das comunidades.

Diante de mais uma violacão do nosso território, deseiamos e esperamos que as autoridades, principalmente o INCRA, sistema de segurança Pública e Ministério Público estadual e federal adotem as providências necessárias para cessar estes tipos de violências e acelerar o reconhecimento e regularização do território quilombola da AMARQUALTA, que já se arrasta por quase 15 anos.

 

Acará/PA, 15 de abril de 2023

domingo, 16 de abril de 2023

Massacre de Eldorado: MST encena versão da peça Antígona em Carajás em parceria com diretor suíco

Manifestações em memória dos que tombaram na chacina serão realizadas na capital e em Carajás

Nieves Rodrigues

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está participando de um novo projeto teatral. Depois das últimas experiências realizadas com a ópera Café, a partir do texto de Mário de Andrade, e do filme A Fala da Terra, feito a partir de uma peça montada pelo coletivo Banzeiros; o novo projeto consiste em uma parceria com o premiado diretor suíço Milo Rau, do grupo NTGent, para a montagem de uma versão de Antígona, uma das mais encenadas tragédias gregas, escrita originalmente por Sófocles. Leia mais na página do MST. 

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Novo livro do prof Ed Wilson Araújo aborda rádio e ativismo da audiência

Educador compromissado com a comunicação popular, Wilson apresenta livro resultado  de tese apresentada na PUC

 

O sentido da ágora grega incorporado aos debates sobre a cidade travados no rádio é o tema central do livro “Ouvintes falantes: produção e recepção dos programas jornalísticos no rádio AM”, de autoria do professor doutor Ed Wilson Araújo, do Departamento de Comunicação Social (DCS) da UFMA (Universidade Federal do Maranhão).

A obra, publicada pela editora Appris, será lançada durante a programação do XI Ciclo de Debates do Obeec (Observatório de Experiências Expandidas em Comunicação) dia 5 de abril (quarta-feira), 18h30, no Solar Cultural Maria Firmina dos Reis. O Obeec, formado por docentes do DCS, dedica-se à pesquisa e produção de artigos e livros sobre práticas culturais, narrativas expandidas, comunicação, poder e cidadania.

 

Fruto da tese de doutorado em Comunicação, realizado na PUC do Rio Grande do Sul, o livro é um apanhado da vivência do autor no rádio AM, cultivada no hábito de ouvir a programação jornalística em diferentes etapas da vida, até o momento de transformar o interesse pela audiência em pesquisa acadêmica.

 

“A minha condição de ouvinte foi se modificando com o tempo. Quando eu trabalhava na feira do João Paulo, na quitanda do meu pai, Raimundo Araújo, eu ouvia os programas despretensiosamente. Depois, já formado em Jornalismo, trabalhei em assessorias de comunicação e uma das minhas atividades era monitorar os programas jornalísticos. Percebi nesse período outra relação minha com o radiojornalismo e quando chegou o tempo de fazer o doutorado processei o tema em objeto científico”, resumiu o autor.

 

Durante a produção da obra, Ed Wilson Araújo ajustou o trabalho aos Estudos Culturais latino-americanos, tomando como principal referência o protocolo teórico-metodológico do Mapa das Mediações, criado por Jesus Martín-Barbero.

 

No Maranhão, o rádio AM tem uma peculiaridade forte – a participação da audiência nos programas jornalísticos – motivando até a criação de uma entidade própria denominada Somar (Sociedade dos Ouvintes Maranhenses de Rádio).

A prática cultural da audiência se expressa nas diversas formas de agir nos programas, por meio de mensagens de voz, texto, envio de imagens ou ligação telefônica para falar ao vivo nas transmissões. Para entender esse fenômeno, o trabalho de campo selecionou dois programas (Ponto Final, da Mirante AM, apresentado por Roberto Fernandes; e Manhã Difusora, da ex-Difusora AM, liderado por Silvan Alves), além das entrevistas com ouvintes. Os apresentadores, já falecidos, são motivo de saudosa referência do autor para dois ícones do rádio no Maranhão.

No percurso da pesquisa, o autor capturou os sentidos da audiência nas mediações que permitiram interpretar os ouvintes nos seus rituais de escuta, nas formas de participar e estar juntos pelas ondas sonoras, no uso da retórica para intervir nos programas e na compreensão de que a ação da audiência se dá em contextos institucionais e de controle empresarial das emissoras de rádio.

Segundo Araújo, os programas jornalísticos, de certa forma, revelam características semelhantes à ágora grega. São espaços de diálogo, debates, convergências e divergências sobre a cidade. Os ouvintes, aos participarem dos programas, interpretam papéis e funcionam como repórteres informais, promotores, juízes, parlamentares e gestores. 

O rádio se transforma em uma espécie de ágora eletrônica, convergindo para os programas jornalísticos a participação da audiência em diálogo com os apresentadores e as fontes. Ao longo dos programas, os ouvintes tomam posição, criticam, elogiam, aderem, conflitam, bajulam, atacam ou defendem ideias, pontos de vista, gestores e demais entres públicos e privados. Tudo isso mediado pelo apresentador e pelas circunstâncias de controle do poder pela emissora.

 

“O livro tem um valor de memória, considerando que as emissoras AM estão migrando para FM. Entrego também no livro uma atualidade; ou seja, a proposta de manejar o mapa idealizado por Martin-Barbero, conectando os momentos e as mediações no movimento da recepção como parte da produção. Elas são intrínsecas e dialeticamente relacionadas”, pontuou o pesquisador.

 

Produção acadêmica

 

Esse é o terceiro livro do autor sobre rádio. O primeiro é fruto da dissertação de mestrado em Educação na UFMA: “Rádios comunitárias no Maranhão: história, avanços e contradições na luta pela democratização da comunicação”. Na segunda publicação, de autoria coletiva, Ed Wilson Araújo é um dos organizadores. A obra analisa a formação do bairro Anjo da Guarda pela perspectiva de duas experiências radiofônicas: “Vozes do Anjo: do alto-falante à Bacanga FM”

quarta-feira, 15 de março de 2023

Caso Gabriel Pimenta: ministro Silvio Almeida recebe defensores de direitos humanos nesta sexta feira, 17, para tratar da condenação do Brasil na OEA.

 Caso envolve irmão de Newton Cardoso, ex governador de Minas Gerais

Gabriel Pimenta, assassinado em Marabá/PA, na década de 1980, por defender posseiros na luta pela reforma agrária. 

Nesta próxima sexta-feira, 17 de março, o Ministro dos Direitos Humanos do Governo Lula, Dr. Silvio Almeida, receberá os advogados do Caso Gabriel Pimenta em audiência para tratar da elaboração de política de cumprimento da sentença da Côrte Interamericana de Direitos Humanos que condenou o Estado brasileiro a criar legislação de proteção aos advogados e defensores de direitos humanos no Brasil.

Estarão na audiência o Ministro Silvio Almeida, seu assessor Nilmário Miranda, advogados do Cejil e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que representam os familiares de Gabriel Pimenta.

O Estado Brasileiro foi condenado por unanimidade no dia 04 de outubro de 2022, pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA) pela morte do advogado Gabriel Pimenta, ocorrida da década de 1980.

Rafael avalia o momento importante na luta de décadas em defesa do povo pobre do campo contra o latifúndio, a corrupção e a violência no campo no Brasil.

Enviado por Rafael Pimenta


Leia o resumo da sentença AQUI

Conheça a íntegra da sentença AQUI

Leia matéria sobre a trajetória de Gabriel Pimenta AQUI

Acesse o recém lançado livro que conta parte da Luta pela terra na Amazônia AQUI.


 

Extensão: Projeto de extensão da UFOPA é selecionado para integrar grade de programação da Rádio da UFSCar/SP

 O projeto apresentará um programa por mês com temas amazônicos 

 


Inspirado na comunicação cientifica, o projeto de extensão AMAZÔNIA ACADÊMICA: CIÊNCIA PARA ALÉM DOS MUROS, coordenado pela professora Thulla Esteves, do curso de Bacharelado em Ciências Biológicas (BCB, foi selecionado em edital para compor a grade de programação da emissora de rádio da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar/SP), com a proposta do podcast AMAZÔNIA PLURAL.

O projeto leva em consideração a produção acadêmica da universidade, a agenda econômica, política, social e cultura da região e, propõe estabelecer um diálogo com a comunidade.  O projeto deverá produzir um programa por mês.

A iniciativa avalia ser de extrema urgência que se desenvolvam ferramentas para a divulgação do conhecimento científico produzido na universidade e sua importância no cotidiano das pessoas.

Esteves acredita que as pessoas, através da comunicação científica, possam participar de forma mais efetiva de processos decisórios que envolvem a agenda desenvolvimentista da região, e compreendem os altos impactos socioambientais causados por estes projetos.

quarta-feira, 8 de março de 2023

Flashdance TF: projeto é único selecionado em edital de Novos Realizadores no cinema.

 Resultado divulgado pela Ancine contemplou seis projetos da Região Norte


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O projeto Flashdance TF, da produtora Floresta Urbana, foi o único contemplado do Pará no edital Novos Realizadores 2022. O certame contemplava diretores e diretoras com no máximo um longa-metragem realizado. O resultado foi divulgado nesta terça-feira, 07/03/2023.

Flashdance TF tem como cenário o bairro da Terra Firme em Belém e conta a história de um casal de irmãos que possuem um grupo de street dance e são selecionados para um concurso de dança promovido por uma secretária de Educação cuja final será no Teatro da Paz. Entre ensaios, trabalhos para garantir o sustento da família e a sombra permanente da milícia, esse grupo tenta superar o trauma de uma chacina ocorrida no bairro algum tempo antes para realizar o sonho de dançar.

O edital Novos Realizadores foi alvo de uma polêmica por ter no resultado preliminar deixado de contemplar projetos da Região Norte, causando revolta entre produtoras amazônicas. Questionada, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) suplementou recursos. Com isso, seis projetos da Amazônia foram contemplados, sendo dois do Amazonas, um de Tocantins, um de Rondônia, um de Roraima e um do Pará.

A produtora Floresta Urbana tem dois anos de existência. Produziu os curtas-metragens ‘Amador, Zélia’ e ‘O amor tem cheiro de pimenta e cominho’. O primeiro, contemplado no Edital da Lei Aldir Blanc, vem sendo selecionado e premiado em diversos festivais nacionais.

Outra produção da Floresta Urbana é o documentário ‘Na Fronteira do Fim do Mundo’, que aborda impactos da mineração no sudeste do Pará, selecionado em 2022 no Independent Film Festival de Montreal, no Canadá.

Flashdance TF é a primeira obra de ficção da produtora, que tem como sócios Aline Paes, Michelle Maia, Glauco Melo e Ismael Machado. O roteiro de Flashdance TF é de Machado e Vlad Cunha.

Enviado por Ismael Machado

MST realiza Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra


Com o Lema O Agronegócio lucra com a fome e a violência: Por Terra e Democracia, mulheres em Resistência, O Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza, de 06 a 08 de março de 2023 a sua primeira jornada nacional no ano.
Com atividades no campo da formação, lutas e ações de solidariedade a Jornada das mulheres também tem previsão de negociações com os governos Federal e Estadual.

Em Belém, as atividades serão na Aldeia Amazônica David Miguel e com previsão da participação de aproximadamente 800 mulheres do MST do estado do Pará, vindas de assentamentos e acampamentos do movimento.


Neste domingo (05/08), as atividades começam com uma feira com a comercialização de produtos da reforma agrária.
Serviço:Jornada Nacional das Mulheres Sem TerraData: 05 a 08/03/ 2023Local: Aldeia Amazônica “David Miguel”, avenida Pedro Miranda, bairro da PedreiraProgramação:05/03Feira da reforma Agrária, 8 às 12 h06/03Debate: O Agronegócio produz fome e violênciaNoite: Cinema da Terra (Exibição de filmes)07/03Manhã:Tarde: Debate Feminismo Camponês PopularNoite: Atividade Cultural08/03Marcha com a Frente Feminista (Audiência na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa)Tarde: Almoço e retorno às áreas.Contatos:Viviane Brigida091 98925 2828Jane Cabral091 99187 9818

terça-feira, 7 de março de 2023

Mês da Mulher: pastor da Igreja da Paz ameaça de morte três lideranças mulheres por defenderem direitos de extrativistas

O Baixo Amazonas consta na agenda desenvolvimentista como estratégico na exportação de commodities do Mato Grosso.  O projeto é consolidar a região com um corredor de exportação


Auricélia Arapyun, coordenadora do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA), Ivete Bastos e Edilson Silveira, presidenta e vice-presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares de Santarém (STTR Santarém) e Maria José, presidenta da Tapajoara (uma espécie de central das associações da Resex do Arapiuns)  estão ameaçadas de morte por defenderem o direito a Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) no território da Reserva Extrativista Tapajós e Arapiuns, onde  a exploração ilegal de madeira é o estopim do conflito.  O áudio circulou no dia 03. 

Reportagem do site Amazônia Real esclarece que a ameaça foi distribuída em áudio nas redes sociais pelo extrativista e pastor conhecido como Eldo, por ironia, filiado à Igreja da Paz, onde ele afirma que “Eu falei pra ela que se ela não cumprisse com a palavra dela, eu ia meter um projétil no miolo dela pra ela respeitar”.

A mesma reportagem informa que que a ameaça é dirigida à Maria José Caetano Maitapu, indígena do povo Maitapu do Alto Rio Tapajós e atual presidente da Associação Tapajoara. Uma espécie de central das associações da Reserva Extrativista Arapiuns, que agrupa 85 entidades. Em seguida ele cita as demais dirigentes, a exemplo de Ivete do STTR.

Ivete é uma experimentada liderança sindical e ex-vereadora pelo PT em Santarém.  Por dez anos viveu sob escolta policial por conta de combater a soja na região. Maria Joel, igualmente dirigente sindical doutro extremo do estado, o sudeste, em Rondon do Pará, vive o mesmo drama de Bastos. Maria assumiu a luta do esposo, José Dutra, morto em 2000, e vive sob escolta policial por conta de ameaças de morte.  

A defesa pela reforma agrária, meio ambiente e direitos humanos no Pará tem sido uma história de mortes e impunidades, a exemplo do que ocorreu com Dilma Ferreira, ativista do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), executada em um assentamento na cidade de Tucuruí, em 2019, junto com o esposo e um amigo. Bem como o caso de Maria do Espírito Santo, assassinada em 2011, no assentamento agroextrativista Praia Alta Piranheira, na cidade de Nova Ipixuna, no sudeste do Pará, junto com o esposo, José Cláudio.  

Ivete ao longo de suas jornadas tem sido uma voz potente contra os grandes projetos agendados para a região do Baixo Amazonas, que ameaçam a reprodução da sociodiversidade local, a exemplo da expansão da soja e as grandes obras de infraestrutura que desejam consolidar o Baixo Amazonas como um corredor de exportação de grãos do Mato Grosso.  

Complexos portuários, modal de transporte (rodovia, hidrovia e ferrovia) e complexos hidroelétricos constam na agenda organizada a partir do Projeto Arco Norte, que coloca em xeque a complexa territorialidade da região, onde constam territórios indígenas, diversas modalidades de assentamentos rurais, territórios quilombolas e um mosaico de unidades de conservação.  

Favorecer grandes corporações no processo de revisão de plano diretor  do município tem sido um recurso usado, como registrado nos casos de Itaituba e Santarém.  Em Santarém, os poderes Legislativo e Executivo não respeitaram o processo da consulta popular, que  ocorreu no ano de 2017. 

A exploração ilegal de madeira é o motivador do conflito interno, que registra até a invasão de dissidentes da região do Maró ao STTR de Santarém. A conjuntura envolve empresas, extrativistas cooptados por interesses alheio, igrejas neopentecostais e o governo (Icmbio), que quando da gestão do ex presidente da República, permitiu a exploração do Ipê, antes catalogado na lista de espécie ameaçada de extinção e aprovou um plano de manejo para a região.  A questão foi judicializada em 2020 contra o Icmbio pelo CITA e o STTR pela suspensão do plano de manejo.

A Resex Tapajós Arapiuns criada em 1998 faz divisa com os municípios de Santarém (66%) e Aveiro (34%), e possui uma população estimada em 310.000, distribuída no território de 647.610 hectares. A iniciativa emerge na década de 1980, justo para enfrentar a exploração das madeireiras Amazonex e a Santa Izabel, conforme informa o Plano de Manejo, organizado pelo Icmbio.

A Consulta Livre - O recurso da CPLI faz parte do arcabouço da Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que coloca em primeiro plano os sujeitos que possam ser impactados por grandes empreendimentos.

O Brasil, na condição de Estado nacional, aderiu à Convenção 169 da OIT de Direitos Humanos, em Genebra, em 25 de julho de 2002, mediante o Decreto Legislativo nº. 143, de 20 de junho de 2002, que entrou em vigência em julho de 2003, e que foi promulgado pelo Decreto n. 5.051, de 19 de abril de 2004.

A Convenção garante aos povos o direito de ser e de estar em seu lugar, conforme os valores por eles reconhecidos, onde o território possui centralidade para a efetivação da sua reprodução econômica, política, cultural e social, a partir da autodeterminação. Territórios constantemente ameaçados por conjunto de projetos de obras de infraestrutura, exploração ilegal de madeira, ouro, tráfico de drogas, dentre outras atividades.

O professor Carlos Marés, estudioso do tema, esclarece que os povos tradicionais entendem o protocolo como normas internas elaboradas livremente que estabelecem as formas e procedimentos como chegar a uma decisão quando o Estado os confrontar. A jornalista Verena Glass organizou um livro sobre o tema, que pode ser baixado AQUI

domingo, 5 de fevereiro de 2023

Luta pela terra na Amazônia. Projeto de extensão da UFOPA fica em 1º lugar na mostra científica da 13 ª Bienal da UNE

 A  13 ª Bienal da União Nacional dos Estudantes, ocorreu na Fundação Progresso, Lapa, no Rio de Janeiro entre 02 a 05


Yasmin e Bianca, durante a Bienal da Une, Rio de Janeiro. 

O resultado foi apresentado na noite de ontem, 04, na Fundação Progresso, no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, na categoria da mostra científica na 13ª Bienal daUnião Nacional dos Estudantes (Une). A instituição engrossou o cordão dos descontentes contra   a ditadura civil-militar. 

A Bienal  é um festival de cultura, arte, ciência e tecnologia que mapeia, reúne e apresenta o que de mais interessante tem sido produzido dentro e fora das universidades brasileiras. É considerado o maior da América Latina. O evento iniciado no dia 02, encerra hoje.

Yasmin Corrêa e Bianca Silva, ambas discentes do Curso de Gestão Pública foram as extensionistas que representaram o projeto Luta pela terra na Amazônia: mortos na luta pela terra! Vivos na luta pela terra! As jovens conseguiram viajar graças à ajuda de parentes e amigos e uma vaquinha eletrônica.  Além de Yasmin e Bianca, integram o projeto Glenda Cunha e Luana Vitória.  

A apresentação do trabalho foi no formato oral na mostra científica denominada de “Um Rio Chamado Brasil – Foz em Reconstrução”. O resumo obteve nota máxima da banca examinadora. 


AQUI



O projeto - Coordenado pelos professores Rogerio Almeida (UFOPA/Gestão Pública) e Elias Sacramento (UFPA/História), o projeto existe formalmente desde 2020. Em 2022 a iniciativa que ocorre em diálogo com o MST, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará (Fetagri-Sul do PA), Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) lançou o livro homônimo em Belém em três ocasiões, e em Marabá, Xinguara e Rio Maria.  

A obra de quase 800 páginas foi possível graças ao apoio do Sefras (Serviço Franciscano de Solidariedade). O livro relata casos de morte de líderes sindicais, religiosos, advogados, chacinas e massacres, além de entrevistas com personagens da luta pela terra no estado do Pará. O marco inicial dos registros é a década de 1980. O livro pode ser baixado   AQUI

Padre Ricardo Rezende, professor da (UFRJ), o procurador da República Felício Pontes, o defensor de Direitos Humanos e advogado José Batista Afonso (CPT/Marabá/PA), a educadora da rede pública Osnera Pinto, a igualmente professora Luzia Canuto (Rio Maria/PA), os fotógrafos Sebastião Salgado, Miguel Chikaoka, Felipe Milanez (UFBA) estão entre os colaboradores na obra, que contou com mais de 50 pessoas envolvidas de várias partes do País.

Atualmente a equipe prossegue a iniciativa com a organização de um livro sobre a produção de cordéis do senhor Francisco Gomes (Ceará), dirigente sindical no sul do Pará, e estudante do Curso de Educação da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).  O tema central da produção de Ceará é a Amazônia.  A equipe empenha esforços ainda em construção de uma página na internet e ampliação de parcerias com outras universidades da região. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Extensionistas do Curso de Gestão Pública da UFOPA aprovam trabalho em mostra científica da União Nacional dos Estudantes (UNE).

A Bienal ocorre na primeira semana de fevereiro no Rio de Janeiro. O grupo faz campanha para poder angariar fundos para a viagem de duas representantes do grupo


 

Yasmin Corrêa, Bianca Silva, Glenda Cunha, Katarina Pinheiro e Júlia Costa extensionistas do projeto de extensão Luta pela terra na Amazônia: mortos na luta pela terra! Vivos na luta pela terra! aprovam trabalho na 13ª Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE), a ser realizada no Rio de Janeiro, entre os dias 02 a 05 de fevereiro.

A apresentação do trabalho será no formato oral na mostra científica denominada de “Um Rio Chamado Brasil – Foz em Reconstrução”. O resumo obteve nota máxima da banca examinadora.

Coordenado pelos professores Rogerio Almeida (UFOPA/Gestão Pública) e Elias Sacramento (UFPA/História), o projeto existe formalmente desde 2020. Em 2022 a iniciativa que ocorre em diálogo com o MST, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará (Fetagri-Sul do PA), Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) lançou o livro homônimo em Belém em três ocasiões, e em Marabá, Xinguara e Rio Maria.  



A obra de quase 800 páginas relata casos de morte de líderes sindicais, religiosos, advogados, chacinas e massacres e entrevistas com personagens da luta pela terra no estado do Pará. O  marco inicial dos registros é a década de 1980. O livro pode ser baixado   AQUI

Por conta das contingências impostas às universidades, as extensionistas empreendem uma ação de captação de recurso, que possibilite a participação no evento. Saiba mais sobre a campanha AQUI

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Caso Dezinho: 22 anos após morte do sindicalista em Rondon do Pará, intermediário é condenado a 16 anos de prisão

Rogério Dias intermediário da morte de Dezinho foi condenado a 16 anos de prisão. Dias é  irmão do pistoleiro Wellington, foragido de Justiça, junto com Igosmar, primo e também mediador da execução do sindicalista. 


Cartaz produzido quando do assassinato de Dezinho/Arquivo da CPT de Marabá/PA

Morosidade, negligência em investigação, quando não conivência com os acusados são elementos que integram o contexto sobre os assassinatos contra os defensores da reforma agrária, meio ambiente e direitos humanos na Amazônia. Uma permanência constitutiva nos projetos de desenvolvimento impostos à região.

Assim, no mesmo dia da condenação Rogério de Oliveira Dias a 16 anos de prisão, em Belém, no dia 13, por ter intermediado a execução do sindicalista José Dutra Costa, o Dezinho, morto em novembro de 2000, no Bico do Papagaio (fronteira do Maranhão, Tocantins e Pará) o militante do MST, Raimundo Nonato Silva Oliveira era assassinado. Rogério estava foragido, e foi preso em 2020.

Como no caso de Dezinho, o ativista do MST foi morto em casa.  O Bico do Papagaio é a região considerada a mais letal na luta pela terra no País. A certeza da impunidade incentiva a continuidade das mortes.

A morte de Dezinho poderia ter sido evitada. Assim tantas outras.  O nome do sindicalista constava em uma lista de ameaçados de morte por grileiros, madeireiros e pecuaristas da região. As autoridades tinham conhecimento do fato. Nada fizeram para evitar.  Os crimes sucederam, chacinas e execuções. A exemplo da morte do casal de extrativistas na cidade de Nova Ipixuna, nas proximidades de Marabá, José Cláudio e Maria, em 2011, e a chacina de Pau D´arco, em 2017, e em seguida o assassinato da principal testemunha do caso, Fernando Araújo, em 2021.

Maria Joel assumiu a bandeira do marido Dezinho. E desde sempre anda com escolta policial por conta das constantes ameaças de morte.  Por ocasião do lançamento do livro Luta pela terra na Amazônia: mortos na luta pela terra! Vivos na luta pela terra!, em julho, na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), em Marabá, sudeste do Pará, dois PMs a acompanhavam a sindicalista. Dona Joel assina junto com a filha Joélima um relato sobre Dezinho.  A obra é de acesso livre.  Acesse AQUI

Caso Dezinho

O sindicalista foi assassinado na porta de casa no município de Rondon do Pará, sudeste do estado no dia 21 de novembro de 2000. 2 mil reais era o valor estipulado para missão conferida ao pistoleiro Wellington, então com 19 anos, vindo da Bahia por encomenda do consórcio de fazendeiros organizado na cidade. A mobilização em consórcio para diluir custos e responsabilidades, e a estratégia em orquestrar inúmeros mediadores é recurso em dificultar as investigações policiais sobre a cadeia criminosa que mata os defensores da reforma agrária, meio ambiente e direitos humanos.

No caso do Dezinho, além de Rogério e o irmão Wellington, que disparou três vezes contra o sindicalista, foi preso por populares logo após o evento por conta de Dutra, ainda que baleado, ter brigado com o pistoleiro, que caiu em um buraco.  Consta ainda na cadeia do baixo clero do crime Igosmar, primo dos citados acima, e o capataz de fazenda Domício Souza Neto, absolvido em 2013.  Wellington e Igosmar estão foragidos da Justiça.

Os fazendeiros Lourival de Souza Costa ao lado Décio José Barroso Nunes são acusados de mando do crime contra Dezinho. O primeiro foi absolvido em 2013, já o segundo foi condenado a 12 anos de prisão em 2019. Todavia, responde em liberdade.   Delsão, como é notabilizado o fazendeiro e madeireiro Barroso é conhecido como o mais violento na cidade de Rondon. Sobre ele pesam outras acusações de morte.

Operaram na acusação contra o intermediário Rogério pelo Ministério Público do Pará, o promotor Edson Augusto Souza, auxiliado pelos advogados Marco Polo, da Sociedade Paraense de Defesa de Direitos Humanos do Pará (SDDH), José Batista Afonso, Comissão Pastoral da Terra (CPT), de Marabá e Rogério Silva. O júri foi presidido pela juíza Sarah Rodrigues, que proferiu a sentença por volta das 16h.

 

Veja o documentário sobre Dezinho produzido pelo cineasta e professor Evandro Medeiros AQUI