O debate acerca da Amazônia, tal como no final dos anos 1980, voltar a arder. Imagens invocando a “Amazônia em chamas” voltam a ocupar o debate tal e como chegaram a fazer do Planeta Terra a Personalidade do Ano da Revista Time, em 1988. Nesse mesmo ano, no dia 22 de dezembro, era assassinado um dos principais defensores da Amazônia, Chico Mendes (1944-1988)que, com sua liderança, introduzira no debate um ator até então ausente: os Povos da Floresta. Leia a íntegra AQUI
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
Amazônia: Carlos W Porto Gonçalves alumia o debate em tempos de histeria. Amazônia é nossa. De quem mesmo?
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Postado por rogerio almeida às 8/30/2019 07:37:00 AM 0 comentários
sexta-feira, 26 de julho de 2019
Baixo Amazonas: entre ministro, atos de protesto, ameaças e celebrações
Discentes indígenas da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) presentearam a pessoa que ocupa o
assento do Ministério da Educação com um bem humorado protesto, na noite do dia
22 deste mês.
O mimo ocorreu quando o
“soldado” do presidente se refastelava em férias - gozo concedido com cinco
meses de labuta chancelada pelo obscurantismo e o autoritarismo - com familiares
em Alter do Chão.
Alter é um bucólico distrito
do município de Santarém, oeste paraense. Espaço ressignificado pelo “deus”
mercado como o Caribe Brasileiro, por conta das águas azuis do rio Tapajós.
Águas de uso comum das populações
ancestrais, que além de fonte de proteínas embute relações de afeto e míticas. Um
mundo pré-colombiano. Águas ora ameaçadas pela agenda de edificação de
hidroelétricas e portos, e há muito tempo pelos resíduos de garimpos que operam
“clandestinamente” na região, a partir de uma agenda que tem a colonialidade
como a principal feição.
Faz-se necessário
ratificar que existe outro universo para além do capital. Entre indígenas e
quilombolas a UFOPA acolhe perto de 900 discentes. Cogita-se que a universidade
seja a mais inclusiva do país. Os repetidos cortes na pasta da educação coloca
em xeque a permanência dos mesmos na universidade.
A acolhida dos
referidos resulta de anos de peleja e teimosia. A presença destes torna mais a
rica a universidade. O desafio consiste em afinar a viola para a promoção do
diálogo entre os saberes, ainda marcado por ruídos, preconceitos e similares.
Caso seja procedente que
é do caminhar que se faz o caminho, a jovem instituição - a Ufopa soma uma
década - deve percorrer um bom caminho até que alcance a consolidação. Passos
que passam pela finalização das edificações, organização de pós-graduação,
publicações e intercâmbios.
Passos ameaçados pela
administração do Detrito Federal, que elegeu o saber, o conhecimento, a
educação e a cultural como preferidos alvos de suas ações. Faz-se necessário
ratificar: um mundo pulsa para além dos muros, cercas e atos de Brasília.
Indígenas, quilombolas
e um vasto campesinato integram a diversificada e complexa composição social da
região, que conforme o planejamento estatal, constrangido por grandes
corporações de diferentes campos almeja dinamizar o Baixo Amazonas como um
corredor de exportação de commodities.
Nas planilhas e mapas
estatais não existe gente. Em particular essa gente que ousou ocupar um assento
numa instituição pública de ensino superior. Essa gente sempre recebida por
policiais ao marchar sobre a capital do país. Essa gente nunca recebida em
gabinetes da administração central. Gente que ousa constranger o “soldado” do
desmantelamento do ensino público.
Gente que ao longo da
história tem compartilhado todo tipo de mazela fruto dos grandes projetos desta
parte da Amazônia. Gente que rema em oposição. Em Alter, por exemplo, indígenas
estão mobilizados a celebrar sua diversidade cultural no evento denominado
Mutak, que encerra no dia 28.
No mesmo período
segmentos campesinos marcham em defesa de seus territórios e dos recursos que o
mesmo é tributário na 1ª Romaria em defesa da Terra e dos Rios. Ato organizado
pelas associações e sindicatos de trabalhadores rurais da região, com apoio de
frações da Igreja Católica.
Frações que estão
mobilizadas na construção do Sínodo da Amazônia, no Fórum Panamazônico. Já no município de Juriti, que abriga uma
unidade da Ufopa, celebra mais um festival das tribos indígenas.
Faz escuro, mas, ecoam
tambores, cantos, traços no corpo e celebrações em defesa da vida no rincão do
mundo amazônico.
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Postado por rogerio almeida às 7/26/2019 11:02:00 AM 0 comentários
segunda-feira, 22 de julho de 2019
LAVRADORES E LAVRADORAS DA REGIÃO DO MUNIM/MA CELEBRAM 37º ENCONTRO
Fraternidade, Políticas Públicas e
Reforma Agrária é o
tema do evento que ocorre entre os dias 25 a 28 de Julho de 2019, no
povoado no Povoado Paca dos Liras, município de Morros/MA
Em seus 37 anos de história
o Encontro de Lavradores(as) se constitui em um espaço público
de debates, troca de experiências e renovação das forças na luta pela efetividade e ampliação dos direitos já
existentes, fazendo o resgate da sua história de lutas e conquistas e das pessoas que construíram essa
trajetória.
Os principais eixos do Encontro ao
longo dos anos são a questão agrária, ambiental, agroecologia além da
incidência e monitoramento de políticas públicas.
O Encontro acontece anualmente e é
o maior organizado por agricultores e agricultoras familiares da Região do
Baixo Munim e contou com a participação média de 400 pessoas na sua última
edição. Participam desse Encontro: membros de organizações de agricultores
e agricultoras (STTR’s, associações, movimentos populares, etc), outras
organizações da sociedade civil (ONGs, organizações ligadas à igreja, etc) e
governo (universidades, órgãos públicos das diversas esferas, entre outras).
O referido Encontro é organizado
pela ACR de Morros e ACR de Cachoeira Grande contando
com a assessoria da Associação Agroecológica Tijupá, SMDH e
apoio das CEB’s locais.
____________________________________________
Informes importantes
1. O povoado Paca dos Liras
fica localizado a 8 km de Morros. A partir da entrada de Morros (retorno) segue
na MA 402, sentido Barreirinhas, até a entrada do povoado que fica na
localidade Cajueiro (do lado direito a 7 km de Morros) onde haverá uma
identificação. Daí, segue 1 km a frente, em estrada de piçarra, passando pelo
povoado Cajueiro.
2. A contribuição para o
Encontro ocorrerá no ato da inscrição e será no valor individual de R$ 20,00
(vinte reais) por pessoa, que dará direito a alimentação (06 refeições e 03
cafés da manhã).
3. A hospedagem será feita
de forma solidária nas casas dos(as) moradores(as) e outros espaços existentes
na comunidade-sede e circunvizinhas.
4. Os participantes deverão
levar: rede, corda, prato, colher, copo e outros utensílios para uso pessoal.
5. São muito bem-vindos com
você: sementes caboclas (para o momento de troca de sementes), instrumentos
musicais, poesia e tudo relacionado a arte com viés libertário.
___________________________________________________
Segue abaixo a Programação prevista
para o Encontro:
PROGRAMAÇÃO
DIA 25/07 - QUINTA-FEIRA
A partir das 15:00 hs – Credenciamento – Equipe
de finanças
Acolhida - Comunidade local
18:00hs Jantar – Comunidade local
19:00 hs Mística de abertura do Encontro
20:00 hs Plenária Inicial
- Boas-vindas comunidade local
- Acordo de convivência
- Apresentação da Programação
21:00 hs Encerramento do dia.
DIA 26/07 - SEXTA FEIRA
08:00 hs às 09:30 - Aprofundamento Tema
e Lema do Encontro
09:30 às 11:00 hs – Impactos do linhão da
ARGO na Região do Baixo Munim
Expositor: representante da SMDH
Debatedores convidados: Ministério Público - Comarca de Morros
e representante das associações da Gleba Santa Cecília
11:00 às 12:00 hs - Análise de conjuntura
Expositor: representante do Fóruns e Redes
12:00 hs Almoço
TARDE DA SEXTA FEIRA
14:00 hs às 17:30
hs - Pauta
Agraria dos Encontro de Lavradores e Lavradoras da Região do Munim
- Momento Inicial: Processo
de construção e monitoramento da Pauta Agrária no Encontro de Lavradores
Facilitador: representante da TIJUPA
- Mesa redonda entre poder público e
sociedade civil: Exposição, debate e encaminhamentos dos pontos da
Pauta Agrária junto aos órgãos públicos e organizações
Convidados: Representantes do INCRA, ITERMA,
TIJUPÁ, SMDH, Associação do PE Paca dos Lira
18:00 hs – Jantar
NOITE CULTURAL
19:30 hs às 22:00 hs - Atrações – Show de calouros, Dança
do Coco, São Gonçalo e Quadrilha de Mata do Amaral.
DIA 27/07/2017 – SÁBADO
08:00 hs às 12:00 hs Estudo
Bíblico
Tema: Livro do Êxodo
Facilitador convidado: José Vale dos Santos
12:00 hs - Almoço
TARDE DE SÁBADO
14:00 hs às 16:30 hs - Oficinas Temáticas
1 - Cadernetas Agroecológicas: mulheres
na geração de renda
2 - Comercialização: Experiência do
Circuito de Feira Agroecológicas do Baixo Munim
3 - Criação de abelhas: uma fonte de
vida ameaçada
4 - Cuidados com o meio ambiente:
valorizando a natureza local
5 - Direitos humanos de comunidades
atingidas por linha de transmissão de energia e mineração
6 - Farmácia Viva.
7 - Melhoria da Farinha D’água: da
produção à comercialização
8 - Protegendo vidas ameaçadas
9 - Vida de jovem vale
16:30 hs – Plenária: Apresentação das
oficinas
17:30 hs – Troca de sementes caboclas
18:00 hs – Jantar
NOITE CULTURAL
19:30 hs – Definição do local do 38º
Encontro de Lavradores e Lavradoras da Região do Munim
20:30 hs Atrações convidadas - Tambor de Crioula de Mato Grosso,
Escola de Samba de Ruy-Vaz, Quadrilha (Zé de Codé) e mistura de gêneros
Dia 28/07 (DOMINGO)
09:00 hs Leitura e aprovação da Carta
Final do 37º Encontro de varadores e Lavradoras
09:00 hs Prestação de contas –
Equipe de Finanças
10:00 hs Avaliação do Encontro de
Lavradores e Lavradoras e Considerações finais
11:00 hs Missa – Pe. Luigi Muraro
(Homenagem ao Padre no momento da Ação de Graças)
13:30 hs Almoço
Enviado pela:
Associação Agroecológica Tijupá
Endereço: Avenida
Contorno Leste, Quadra 15, nº 02 - Parque Aurora
CEP 65051-872 São Luís - Maranhão -
Brasil
Telefone: 55 (98) 3243.2765
Visite o Informativo Eletrônico da Tijupá - Cá Prá Nós : http://www.aatijupa.org/
Telefone: 55 (98) 3243.2765
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Postado por rogerio almeida às 7/22/2019 08:26:00 AM 0 comentários
quarta-feira, 19 de junho de 2019
Carta do Encontro das Águas Santarém
A
Amazônia é irmã do Cerrado e dos Andes e é fundamental também proteger estes
biomas e nascentes. Deles, nós tiramos nossa sobrevivência. Juruena, Tapajós e
Teles Pires são veias que conectam vidas e histórias comuns, por isso é
importante e necessário que pensemos nestes territórios de forma integrada,
para assim fortalecermos nossos modos de vida. Não estamos isolados e a
destruição de um é a condenação dos demais. Esses projetos, causadores de
graves danos sociais e ambientais, são aqui instalados sem qualquer consulta
aos seus povos, repetindo um padrão de exploração, que impõe decisões de cima
para baixo. Leia a íntegra AQUI
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Postado por rogerio almeida às 6/19/2019 12:35:00 PM 0 comentários
sábado, 1 de junho de 2019
Grandes Projetos na Amazônia: cursos de Gestão Pública e Economia da UFOPA, em parceria com a FGV analisam impactos dos grandes projetos em Altamira e Santarém
Seminário promoveu mesas de debates, oficina e lançamento de livros nos dias 30 e 31 de maio
Os cabelos grisalhos em
desalinho evidenciam inúmeras batalhas contra as violências disparadas pelo
Consórcio Norte Energia, responsável pela construção da hidroelétrica de Belo
Monte, no rio Xingu, sudoeste paraense, entre os municípios de Altamira e
Vitória do Xingu.
Auditório da Unidade Rondon/Ufopa. Foto: organização do evento.
Durante o processo de
reassentamento bateu o pé, recusou o valor que a empresa desejava oferecer pela
sua casa. Exigiu também casa para dois filhos, e que fosse perto da dela. E que
o local de moradia não ficasse longe do centro da cidade. A batalha pessoal é
uma das muitas pelejas em que se envolve a vigorosa senhora que soma 70 anos, Gracinda
Magalhães.
No primeiro plano, D Gracinda. Ao fundo, professor Gilberto Marques/UFPA, Letícia Ferraro/ FGV e a Dra Andréa Leão, do curso de Economia da UFOPA. Foto: coordenação do evento.
Ela é uma entre milhares
de pessoas que foram expropriadas por conta da implantação da usina na Volta
Grande do Xingu. Entre os dias 30 e 31, Magalhaes foi ponta de lança nas denúncias
contra o consórcio Norte Energia, durante o seminário Grandes Projetos na
Amazônia: de Belo Monte a Teles-Pires-Tapajós, realizado pelos cursos de Gestão
Pública e Desenvolvimento Regional e Ciências Econômicas da Universidade
Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A casa da funcionária
pública da área da saúde sucumbiu para ceder território ao consórcio. Como ela,
pescadores, camponeses do Beiradão (beira de rio), indígenas, extrativistas, oleiros
tiveram suas vidas colocadas de ponta cabeça. “Mas,
que a casa, fica sepultada a nossa história de mais de 30 anos no lugar, nossos
laços de amizade, e um desgaste emocional que tem matado muitos moradores da
região, acometidos por profunda tristeza e depressão” dispara Magalhães, na
noite do dia 31, no auditório da unidade Rondon da UFOPA.
Gracinda integrou a
mesa de encerramento dedicada ao diálogo com a sociedade civil sobre Belo Monte
e a agenda de grandes projetos para a região do Baixo Amazonas. Toda ela foi
composta por mulheres, onde Maria Francineide representou o Conselho de
Ribeirinhos do Xingu e Alessandra Korap, o povo mundurucu da região do Tapajós.
Da esquerda para a direita: D. Grancinda, profª Socorro Pena, Maria Francineide a Alessandra Munduruku. Foto: organização do evento.
A mesa, em certa
medida, materializa o necessário exercício de diálogo entre os diferentes
saberes que integram a região. Nesta direção a universidade pública cumpre o
seu papel na promoção de debates com a sociedade, num momento em que vive um
ataque constante do Executivo nacional, marcado por cortes no orçamento, demonização
do conhecimento, aversão à razão e à cultura, e ameaça à sua autonomia.
Conjuntura em que as
representações dos setores mais retrógrados do Congresso empreendem desregulamentar
as proteções dos territórios ancestrais e os direitos trabalhistas, e o ministro
do meio ambiente fomenta um desmanche na pasta, com vistas a fragilizar o já
delicado processo de licenciamento ambiental para atender interesses de grandes
corporações de mineração, construção e do agronegócio.
Assim como Magalhães, a
indígena que é estudante do Curso de Direito da UFOPA, tem sido protagonista na
defesa dos territórios dos povos originários. Por motivo de saúde a
representante quilombola do município de Oriximiná, Claudinete de Souza não
pode comparecer. A professora do curso de Gestão Pública da UFOPA, Socorro Pena,
mediou o debate.
A discente de Direito,
bem como os quase 900 alunos indígenas e quilombolas da UFOPA possuem a sua
permanência ameaçada na instituição, por conta dos cortes de bolsas que apoiam
a permanência na universidade. A vaquinha na internet tem sido um expediente
usado por alguns discentes para angariar recursos.
Querelas
na Amazônia
O reassentamento das
famílias é considerado como um dos problemas mais graves embutidos no processo
que envolve a implantação de grandes obras na Amazônia, em particular construção
de usinas hidroelétricas. Mesmo a Comissão Mundial de Barragens, organizada
pelo Banco Mundial, reconhece o problema.
Ainda hoje, no
município de Tucuruí, sudeste do Pará, famílias filiadas ao Movimento de
Atingidos por Barragens (MAB) reivindicam compensações. A usina foi erguida na
década de 1980, no rio Tocantins, para atender plantas industriais da cadeia de
alumínio nos municípios de São Luís, no Maranhão, da Alcoa, e em Barcarena,
Albrás/Alunorte da norueguesa Norsk Hidro, responsável por vários crimes
ambientais na região.
Belo
Monte
“A casa que a empresa
empurrou a gente é de péssima qualidade. Nem atar uma rede é possível por conta
da estrutura, que não aguenta. Os reassentamentos não possuem unidade de saúde,
árvores, saneamento básico e nem água. Os carros pipas é que atendem a
população. Alguns reassentamentos ficam bem longe do centro, e as pessoas não
possuem condições para pagar o transporte” denuncia Magalhães. Ao todo a cidade
de Altamira possui cinco reassentamentos.
O controle da malária
foi o único condicionante que a empresa cumpriu a contendo. A explicação dada
pelos pesquisadores da FGV e pela representante do conselho de saúde, recai
sobre a participação da sociedade.
Com relação à questão
indígena o painel de especialistas de várias universidades do Brasil e do
mundo, organizado para analisar a instalação do empreendimento, alertou que a
usina representa um ameaça de genocídio para os povos xinguanos. A desagregação
de aldeias tem sido um dos desdobramentos após a instalação de Belo Monte. Movidos
em acessar recursos do consórcio, o número de aldeias saltou de 12 antes da
construção da hidroelétrica, para 80 nos dias atuais.
Para a representante do
Conselho Ribeirinho do Xingu, Maria Francineide, Belo Monte é uma câncer sem
cura, e todos os dias descortina um problema novo. “A Norte Energia destruiu
nossa casa, nossa vida, nosso rio. Deixou nosso povo doente. Hoje o nosso rio
fede. Todos os nossos direitos não foram respeitados. Muita gente morreu de dor
ao ver a casa ser tombada. Vocês aqui do Tapajós não podem deixar acontecer
aqui, o que fizeram com o Xingu”, realça a ribeirinha.
Maria Francineide, do Conselho de Ribeirinho do Xingu. Foto: organização do evento
Com relação ao reassentamento,
ela destaca que “a Norte Energia só reconheceu o patriarca ou a matriarca da
família, deixando os agregados de fora, quando a realidade das famílias locais é
marcada por esta característica”. O Conselho Ribeirinho, criado em 2016, tem
organizado rodas de conversas com os atingidos na busca do retorno aos seus
territórios. Para tanto, promoveram ações até em Brasília.
Baixo
Amazonas
O governo federal planeja
erguer 39 hidroelétricas e 100 pequenas centrais hidroelétricas na região do
Tapajós, alerta Karap ao iniciar a sua fala.
A geração de energia, o modal de transportes (rodovia, hidrovias e
ferrovias), comunicação são os principais eixos de desenvolvimento definidos do
projeto da Iniciativa de Infraestrutura Regional Sul-americana (IIRSA), onde o
Brasil possui protagonismo.
Tais prioridades
possuem rebatimento no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), onde o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o principal financiador.
No caso do Baixo
Amazonas, os projetos estão descritos no documento Arco Norte, que visa tornar
a região num grande corredor de exportação de commodities. Soja e minério, em
particular. Além do modal de transporte,
usinas de energia, a construção de portos e de estações de transbordo de grãos
integra o cardápio que fere de morte os territórios dos povos originários.
Planejamento de logística no projeto Arco Norte, que visa dinamizar um corredor de exportação no Baixo Amazonas.
Além de territórios
indígenas e quilombolas, projetos de assentamento da reforma agrária, a região
é tributária de importante mosaico de unidades de conservação, que soma 33 no
total. As áreas de conservação foram
reconhecidas após a execução da missionária estadunidense Dorothy Stang, em fevereiro
de 2005, no município de Anapu. Como sempre, a ação do Estado tem sido reativa
ante as tragédias que abalam a região.
Em defesa de seus
territórios, a representante mundurucu alerta que a estratégia de defesa do
solo sagrado tem sido a autodemarcação do território indígena, iniciada no ano
de 2015. “Com a colaboração de pesquisadores da UFOPA e de outras
universidades, ficamos dias na mata fechada, nossos guerreiros e mulheres a
demarcar a nossa terra. O processo ainda não terminou. E sempre enfrentamos as
ameaças de madeireiros e garimpeiros” conta Alessandra, que esteve em Paris
recentemente, denunciando os riscos que pairam sobre a Amazônia.
Alessandra Munduruku. Foto: organização do evento.
Ela conta que sequer
foram recebidos por representantes da empresa EDF, responsável pela construção
de hidroelétricas Teles-Pires, na fronteira dos estados do Pará e Matogrosso. “Aqui
no Brasil o governo abre as portas. Lá, nem fomos recebidos”, lembra Korap.
Resumo
do seminário
Na tarde do dia 31 pesquisadores
da FGV Leticia Ferraro e Kena Cahves realizaram oficina sobre monitoramento de
desenvolvimento em territórios que recebem grandes projetos. A fundação dedicou
18 meses no acompanhamento de algumas condicionantes que deveriam ter sido
cumpridas pela Norte Energia.
Além dos já consagrados
problemas que norteiam a instalação de grandes projetos na região, como a
especulação imobiliária, a grilagem de terras, a migração, o incremento de uso
de álcool e drogas, prostituição e o aumento de gravidez na adolescência, as
pesquisadoras evidenciam o que chamam de epidemia do trânsito. Por conta de
certa dinamização da economia local no boom da obra, ocorreu o aumento do uso
de motos, e por consequência, o aumento de acidentes, e um certo caos na
cidade.
Elas alertam que além
das fontes clássicas de dados, a exemplo do Datasus, IBGE, Secretaria de
Tesouro da União, Instituto Nacional de Estudos e Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é interessante o diálogo com
as secretarias municipais. Como exemplo, citam o caso registrado no município
de Juruti, onde realizaram parceria com a secretaria de saúde. Na cidade também
situada no Baixo Amazonas, a mineradora Alcoa explora bauxita desde os anos
iniciais da década de 2000.
Sandra Karolline Pontes,
egressa do curso de Gestão Pública, e em fase de conclusão de dissertação no
Instituto de Ciências da Sociedade (ICS) da Ufopa, apresentou parte de sua
pesquisa durante a oficina. A discente vem pesquisando o reassentamento em
Altamira desde o TCC.
Sandra Pontes- egressa do Curso de Gestão Pública. Foto: organização do evento
Na mesa de abertura
além de palestras das pesquisadoras da FGV,
o professor do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal do
Pará (UFOPA), Gilberto Marques, fez o lançamento da obra Amazônia: riqueza, degradação
e saque, recém publicada pela editora Expressão Popular.
Professor Gilberto Marques, do curso de Economia da UFPA/Foto: organização do evento
Encerramento do seminário/Foto: organização do evento
Socorro Pena, uma das
mediadoras do seminário, organizado com a participação dos discentes dos cursos de Gestão Pública e
Economia (turmas GP 2018, CE 2018 e 2019), alerta que a iniciativa terá
desdobramentos, com a promoção de intercambio com os pares da UFPA do Campus do
município de Altamira e a FGV.
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Postado por rogerio almeida às 6/01/2019 10:01:00 AM 0 comentários
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