Durante a Marcha Nacional Lula Livre, da Via Campesina, de 10 a 15 de
agosto, fomos surpreendidos por uma dura notícia - o falecimento do
nosso grande guerreiro, militante histórico do MST, Ulisses Manaças. Leia a íntegra no site do MST
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Ulisses Manaças, presente!!!!
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Postado por rogerio almeida às 8/15/2018 10:18:00 AM 0 comentários
quarta-feira, 1 de agosto de 2018
Pistolagem e grilagem no Pará: é terra grilada a fazenda Santa Tereza, acusam defensores da reforma agrária
Rafael Saldanha grilou terras de antigos castanhais, e não cumpre função ou respeita a reserva legal
Resultado do ataque de pistoleiros ao acampamento do MST em Marabá, no sudeste do Pará - foto das redes sociais
Na noite da última sexta feira, cerca de 20 pistoleiros
fortemente armados, contratados pela família Saldanha, invadiram o acampamento
do MST, localizado nos limites da Fazenda Santa Tereza, município de Marabá e,
por cerca de uma hora, aterrorizaram homens mulheres e crianças que se
encontravam no local.
O grupo armado chegou anunciando que eram policiais e
usavam uniformes e armas iguais às usadas pela polícia. Dezenas de tiros foram
disparados, várias pessoas foram espancadas, celulares e dinheiro foram
roubados, documentos pessoais, utensílios, motos e carros foram queimados. Pela
forma como se desencadeou a ação violenta, o MST não tem dúvida da participação
de policiais civis e militares na operação criminosa. Dezenas de policias civis
e militares do sul e sudeste do Pará tem extensa ficha criminal por atuarem
como pistoleiros a serviço dos fazendeiros da região.
A imprensa local, controlada pelos latifundiários, sempre
que se refere ao fato afirma que é uma fazenda titulada e produtiva. Na
verdade, o título de propriedade expedido pelo ITERPA referente à Fazenda Santa
Tereza, foi resultado de uma fraude grosseira. Analisando o procedimento
administrativo 2011/76613 que tramitou no ITERPA, constatamos inúmeras
ilegalidades. De acordo com o Art 1º do Decreto 1.805/2009, o prazo para o
resgate dos títulos de aforamento era até 23 de julho de 2009, no entanto, o
pedido de resgate da área data de 23 de julho de 2010. O requerimento foi feito
pelo fazendeiro Rafael Saldanha de Camargo, que não reunia a condição legítima
de enfiteuta, já que o Estado do Pará não havia sequer aprovado a transferência
de aforamento do foreiro anterior para ele. Nesse caso, o correto era o Estado
recuperar o domínio útil da área, utilizando o direito de opção, nos termos do
disposto no Art. 41 da Lei 913/1954 e destiná-la para o assentamento das
famílias.
No procedimento administrativo de titulação não há
certeza quanto a correspondência entre o título de aforamento e o imóvel
pleiteado, havendo três pareceres no processo, informando que a área pleiteada
não corresponderia a área do título de aforamento, mesmo assim, o ITERPA
decidiu expedir o Título.
O artigo 8º, III da Lei 7.289/2009, proíbe a
regularização de imóveis onde há conflito social. Na data do protocolo do
pedido de regularização, já havia conflito na área com o processo nº
0006106-17.2008.8.14.0028 tramitando na Vara Agrária de Marabá. Mesmo tendo
conhecimento da existência desta ação na Vara Agrária, o ITERPA prosseguiu com
o processo de titulação.
Devido o imóvel possuir área de 2.600 hectares, o Estado
precisaria de autorização do Congresso Nacional, nos termos do disposto no
Art.188, §1º da Constituição Federal. No entanto não houve sequer consulta ao
Congresso.
Não havia meio legal para requerer o resgate do título de
aforamento mediante a via dita normal, já que isso só é possível nos casos em
que não houve desvio de finalidade. No caso da Fazenda Santa Tereza, o desvio
de finalidade ficou comprovado no próprio procedimento do ITERPA (transformação
da área de extrativismo para pecuária extensiva, desmatamento ilegal,
destruição das matas ciliares e nascentes, etc), mesmo assim o fazendeiro
Rafael Saldanha foi beneficiado pelo Estado com uma benesse tão absurda que ele
próprio (o fazendeiro) não teve coragem de pedir em seu requerimento inicial e
não o fez em nenhum momento do procedimento administrativo. Desvio de
finalidade que fundamentou a sentença do juiz da Vara Agrária de Marabá na ação
possessória, na qual, negou a reintegração de posse ao fazendeiro, alegando
que: “Mesmo assim, nessa condição de detentor, a função social não foi
satisfeita, em vista da utilização e exploração irregular das áreas de reserva
legal e de preservação permanente, conforme constatado nos autos”.
Todos esses fatos já foram levados ao conhecimento do
Ministério Público através de denuncia. O MST aguarda agora o protocolo da ação
de cancelamento do título de propriedade que foi expedido mediante essa fraude
e que o imóvel seja revertido ao patrimônio público estadual.
O MST e as entidades que assinam essa nota exigem que
todos os responsáveis por essa ação criminosa sejam identificados e punidos.
Marabá, 31 de julho de 2018.
Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra - MST.
Comissão Pastoral da Terra – CPT
da diocese de Marabá.
Movimento dos Atingidos por
Barragens – MAB.
Centro de Assessoria Sindical
Popular – CEPASP
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Postado por rogerio almeida às 8/01/2018 09:36:00 AM 0 comentários
segunda-feira, 30 de julho de 2018
Pistolagem no Pará: o grileiro Rafael Saldanha foi o responsável pelo ataque contra o MST em Marabá, no acampamento Hugo Chavez
Apesar de noticificada, a PM não tomou nenhuma providência, acusa nota das Brigadas Populares
imagens retiradas das redes sociais
Com
450 famílias, no ano de 2014 o MST organizou e realizou a ocupação de uma área
denominada fazenda Santa Tereza, no município de Marabá, no sudeste do Pará. A
área havia sido apropriada por membro da família Mutran e há poucos anos
repassada ao grileiro Rafael Saldanha.
Rafael
Saldanha é um dos maiores usurpadores de terras públicas no sudeste do Pará,
membro do grupo que articula policiais, milícias e pistoleiros para atacar
trabalhadores rurais na região, é suspeito de participar da articulação que na década
de 1990 mandou assassinar duas lideranças do MST, Fusquinha e Doutor.
Em
novembro e dezembro de 2017 sob o comando do juiz da Vara Agrária de Marabá e
da polícia militar do Estado, especializada para fazer os brutais despejos no
campo, foram feitos despejos de entorno de 2.000 famílias, de suas áreas, para
atender os interesses dos latifundiários.
Dentre
estas áreas das famílias despejadas foi atingido o acampamento Hugo Chaves, com
450 famílias, que se deslocaram para área próxima onde tem escola que pudesse
as crianças continuarem estudando até o final do período letivo.
No
dia 26 de julho, após o dia de comemoração do trabalhador rural, as famílias
resolveram retomar a área de onde foram despejadas. Na madrugada do dia 28,
quando ainda estavam instalando os barracos do acampamento, as famílias foram
surpreendidas por um contingente de homens que chegaram atirando e gritando
para que todos deixassem o acampamento.
Foram
três horas de terror. As famílias desprotegidas, em desesperos iam abandonando
os barracos ao mesmo tempo em que os pistoleiros derrubavam e ateavam fogo, sem
que as pessoas pudessem tirar seus pertences. Movidos pela fúria de destruição
os pistoleiros atearam fogo também nos veículos que ali se encontravam (carros,
motos...).
A
direção do movimento recorreu à Delegacia Especial de Conflitos Agrários. O Delegado
deixou claro que não iria intervir, segundo relato de uma das coordenadoras do
movimento. Há denúncias da participação de policiais da DECA nessa covardia
contra as famílias acampadas.
Não
temos dúvidas de que esta ação faz parte do plano montado para a região no qual
fazem parte latifundiários, governo do Estado e empresários reacionários, para
destruírem com a luta camponesa no Estado do Pará. É tanto que recentemente o
candidato a presidente da república, Bolsonaro, juntamente com o
ultra-reacionário deputado federal Elder Mauro, fizeram um comício na curva do
S conclamando os fazendeiros a destruírem os movimentos da região.
Curva
do S, símbolo da resistência camponesa da região, onde em 1996 o governo do
PSDB autorizou o grande massacre de militantes do MST, com o assassinato
covarde de 19 trabalhadores. Assim como também, no governo do PSDB, em maio de
2017, 15 policiais, também de forma covarde, assassinaram 10 trabalhadores e
uma trabalhadora, no município de pau D’Arco, no sul do Pará. Os policiais
assassinos estão soltos para mais execuções.
Nós,
das Brigadas Populares, repudiamos esses atos covardes e assassinos! Repudiamos
o papel do Estado em defesa do latifúndio e omissão em defesa dos trabalhadores!
Conclamamos todos os movimentos sociais, sindicatos, estudantes e professores,
para uma grande unidade em defesa da luta camponesa e pelo fim do latifúndio!
Mátria
Livre!
Venceremos!
Marabá,
30 de julho de 2018.
Brigadas
Populares - Pará
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Postado por rogerio almeida às 7/30/2018 05:22:00 PM 0 comentários
domingo, 29 de julho de 2018
Luta pela terra no Pará: dedo de prosa sobre pistolagem e resistências camponesas
Massacres e ataques contra sem terra marcam a história de luta pela terra no sudeste do estado, bem como a resistência camponesa
“
A gente é que nem bambu, verga, mas não quebra”. A máxima fazia parte da oratória de
sindicalistas ligados à luta pela terra na bacia do Araguaia-Tocantins. É terra
encharcada de sangue de posseiro. É terra onde mais se matou gente na peleja da
luta pela terra no Brasil desde os anos de 1980. Período considerado o mais
violento.
Passados
mais de 40 anos, a violência se mantém, a exemplo dos ataques de pistoleiros no
acampamento Hugo Chaves, na cidade de Marabá, ocorrido na madrugada do último
dia 27.
Barracos,
lavouras, roupas foram queimados e os sem terra ligados ao MST expulsos. Não é
a primeira vez que o episódio ocorre. Soma-se ao fato, a chacina de Pau D´arco,
ocorrida em maio de 2017, que terminou com o massacre de dez sem terra ligados à
Liga dos Camponeses Pobres.
Ao
se deparar com as presentes ações, soa que estamos a visitar registros de
jornais da burguesia e boletins populares que denunciaram a grilagem de terras,
violência de pistoleiros e policiais da década de 1980, entre eles o Jornal
Resistência e o Grito da PA 150, este último produzido na região de Marabá.
O cenário externaliza a fragilidade da nossa democracia. Sob o caos fundiária,
morosidade e anuência do judiciário, coerção pública e privada, endosso de
cartórios uma imensidão de terras foi grilada. Mas, apesar das adversidades,
parte deste campesinato da fronteira se territorializou.
Tanto
resultado da organização dos “de baixo”, quanto pelo movimento contraditório do
capitalismo, que o cria e recria. Ele
controla mais de 52% de mais de 30 municípios do sul e sudeste do estado Pará.
São mais de 500 projetos de assentamento.
Assim, sob
o decreto de número 3938, no dia 15 de janeiro de 1987, numa área de 5.058.4728
hectares foram assentadas 92 famílias do que veio a ser o primeiro PA da
reforma agrária no sudeste do Pará, o Castanhal Araras, localizado no município
de São João do Araguaia. Dava-se o
início da desconstrução do que ficou conhecido como polígono dos castanhais. Fruto
de atos de ocupação por posseiros da terra indígena do povo gavião e inúmeros
acampamentos em órgãos públicos.
Cupuaçu,
castanha do Pará, pupunha, açaí constavam na flora do lugar. Um experimento de
modelo de organização social e política através de fomento de caixa agrícola,
organização de movimento de mulheres, realização de festival ecológico foram
realizados no PA Araras, 40 km
de Marabá. A ONG Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular
(CEPASP) foi um dos principais animadores no PA.
Pelo
pioneirismo a comunidade acabou por servir de berço a vários dirigentes que
ocuparam e ainda ocupam cargos na Federação dos Trabalhadores na Agricultura do
Pará (Fetagri) e na central de cooperativas da região. Conseguiu eleger
vereadores e até um vice-prefeito. A experiência de Araras se alastrou para os
municípios vizinhos de Nova Ipixuna e Eldorado do Carajás.
O
prognóstico na fronteira não previa a permanência do campesinato. Sucedia
afirmar que o mesmo seguiria em itinerância cedendo lugar à “eficiência
capitalista”. Mas, o que se desnudou no sudeste seguiu o sentido
contrário, partir da mediação de frações
da Igreja Católica, partidos políticos, intelectuais orgânicos, ONGs, e por aí
vai, feito bambu, que verga, mas, não quebra.
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Postado por rogerio almeida às 7/29/2018 06:07:00 AM 0 comentários
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