quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Defensores do projeto Belo Sun impedem apresentação de pesquisa na UFPA



O deputado estadual Fernando Coimbra (PSD) e o prefeito Dirceu Biancardi (PSDB) comandaram a invasão e impediram apresentação de pesquisa

O deputado estadual Fernando Coimbra (PSD) e Dirceu Biancardi, prefeito do município de Senador José Porfírio (PSDB), sudoeste do Pará comandaram na tarde de hoje, 29, de novembro, um grupo de cerca de 30 pessoas que invadiram auditório da Universidade Federal do Pará (UFPA), e impediram a apresentação de estudos sobre impactos de projeto de mineração de ouro na Volta Grande do Xingu.
O projeto de mineração defendido pelos políticos é da empresa canadense Belo Sun. A empresa tomou posse de antigos garimpos em negociata considerada suspeita. A região passa por abissais modificações.

Além da mineração, a construção da hidrelétrica de Belo Monte reconfigurou e continua a reconfigurar as feições territoriais, econômicas, políticas, ambientais e sociais. Altamira, por exemplo, já é considerada uma das cidades mais violentas do país.

O deputado e o prefeito incitaram o grupo contra os pesquisadores coordenados pela doutora Rosa Acevedo Marin. A professora integra o Núcleo de Altos Amazônicos (NAEA). O núcleo é referência mundial em pesquisa sobre a região, com mais de 40 anos na formação de educadores e de produção de informação qualificada.

A socióloga natural da Venezuela é doutora em História e Civilização - École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris, França; pós doutorado na Université de Québec à Montreal, Canadá e no Institut des Hautes Études de l'Amérique Latine (IHEAL), França. A professora é radicada na Amazônia desde a década de 1970. Tem eivado esforços em pesquisas sobre campesinato, quilombolas e cartografia social.  

Os protagonistas da intolerância em seus perfis declaram-se advogado e o segundo agricultor nascido na cidade de Altamira, com formação no ensino médio. Coimbra, diz ter como bandeiras a educação e a cultura. Entre seus projetos, o parlamentar defende que as escolas de samba da capital sejam declaradas patrimônios imateriais.  

Em seu perfil na assembleia, consta que Coimbra é especialista em Gestão Pública. Tanto a graduação, quanto a pós foram realizadas em universidades privadas.

Grandes projetos e expropriações
A cooptação e a negociata nebulosa integram o cenário que envolve a posse de terras marcada sob o signo do caos fundiário na Amazônia.

O projeto de mineração da Belo Sun faz parte de uma agenda de desenvolvimento que aprofunda a condição colonial da região, como mera exportadora de matéria prima. Tanto em Carajás, Xingu e no Baixo Amazonas a tendência é o aprofundamento da base da economia extrativista.  A tendência é a consolidação das regiões como meros corredores de exportação de commodities.  

Os projetos protagonizados por grandes corporações da economia mundo, entre elas a Belo Sun, Cargil, Bunge, Xstrata, Alcoa, Vale, Odebrecht, Camargo Correa entre outras, coloca em oposição a sobrevivência e a reprodução econômica, política e social das populações locais em duas diferentes formas de uso dos recursos naturais.

Sem grandes distensões, os processos desde os tempos coloniais são marcados por diferentes formas de violência. A atitude de intolerância do parlamentar e do prefeito integra este caleidoscópio. Sublinhe-se que é recorrente tal atitude em processos de licenciamento ambiental com tais demandas nas cidades distante demais de palácios e catedrais.

No Baixo Amazonas durante reuniões ou audiências públicas para a apresentação dos precários relatórios de impactos ambientais, tem sido recorrente polarização entre os afeitos aos projetos, e setores que defendem o meio ambiente, os direitos humanos e o modo de vida das populações locais.

Carajás, que experimenta há mais de 30 anos o extrativismo mineral é um dos casos mais emblemáticos da fase conhecida como grandes projetos. É considerada a região onde mais se mata pessoas envolvidas na luta pela terra no país, líder em desmatamento, trabalho escravo, grilagem de terra, vulnerabilidade para as populações jovens, e por aí vai.  

Nos dias atuais, experimenta mais um pacote de ação de reintegração de posse de grilos ocupados pelo grande capital, a exemplo da empresa Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas, do Banco Oportunity. Tal atitude desnuda a ação do Estado em favor do grande capital.

O judiciário, sempre ágil em expedir medidas reintegração de posses, tende a demorar décadas até levar a julgamento pistoleiros e fazendeiros envolvidos em execuções e chacinas de camponeses na Amazônia. A recente chacina de Pau D´arco evidencia que não se trata de coisa do passado. Outra nuance é a criminalização de lideranças que defendem o meio ambiente, direitos humanos e os povos ancestrais.  

O ato comandado pelo deputado Coimbra e prefeito Biancardi ultrapassa todos os limites da falta de respeito ao conhecimento e à diferença de ideias sobre qual (is) os projetos mais adequados ao desenvolvimento para a região. E não se configura com o fato isolado.

Tem sido recorrente a coerção contra servidores públicos do Ibama, Incra, MPs e universidades nas quebradas da Amazônia.  Recentemente servidores da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) passaram por algo similar no sudeste do Pará.

Com relação ao modelo baseado e grandes projetos há provas de sobra da sua inadequação para o uso racional dos recursos, a equidade, a radicalização de serviços básicos e o pleno direito à vida.  

Escrevo estas obtusas linhas como uma manifestação de solidariedade, afeto e admiração à emérita educadora e intelectual orgânica Rosa Elizabeth Acevedo Marin. 

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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Chacina de pau Dárco - ex prefeito Luciano Guedes ameaça técnicos e estudantes da Unifesspa



O Movimento Brigadas Populares denuncia ameaças do latifúndio em Pau D´Arco contra ativisitas e estudantes

Neste final de semana (28 e 29/10) a Liga dos Camponeses Pobres realizou um encontro em Pau D’Arco para discutir a violência contra camponeses no Sul do Pará e tratar sobre situação as famílias do acampamento na fazenda Santa Lúcia, naquele município.

Estudantes dos cursos de Pedagogia, Geografia, História, Ciências Sociais e Direito da Terra, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, usando de seus direitos, conseguiram junto a universidade um micro-ônibus da instituição para participarem do encontro e entenderem melhor a realidade naquela região.

Chegaram no local e foram calorosamente recebidos por trabalhador@s rurais que estavam do Encontro. Participaram à tarde e à noite das atividades do evento. Os estudantes dormiram no local do encontro, já os dois técnicos que acompanhavam os estudantes procuram um hotel na cidade para dormirem.

Já era um pouco mais das sete horas da manhã do dia 29, quando chegaram os dois técnicos ao local do encontro, cada um mais nervoso do que o outro, relatando que haviam sido ameaçados e que deveriam retornar para Marabá imediatamente. Os estudantes mesmo insatisfeitos com a determinação e com vontade de resistirem tiveram que abandonar o encontro.

Um dos técnicos informou que ao chegarem no hotel foram imediatamente abordados pelo ex-prefeito, Luciano Guedes, e dois capangas. Partiram para cima dos técnicos para saber o que eles estavam fazendo ali e porque a UNIFESSPA não procurou o prefeito da cidade deles para se apresentarem. Insistiram falando de que não era papel da UNIFESSPA apoiar assassinos e nem comunistas, se referindo aos trabalhadores Liga. E que os técnicos e estudantes deveriam deixar a cidade e não participarem do encontro.

Vejam quanto desaforo: 1 - dizerem que a cidade é deles, pois quem chega tem que se apresentar ao prefeito; 2 - que eles é que tem que definir o que a universidade e estudantes tem que fazer, como se a instituição também fosse deles; 3 - que os trabalhadores são assassinos e bandidos.

Não é novidade a arrogância deste latifundiário que se sente dono do município de Pau D’Arco, é um dos dirigentes do sindicato que comanda o assassinato de trabalhadores no Sul do Pará. Deve ter ficado muito aborrecido com a capacidade de resistência das famílias de trabalhadores assassinados por covardes policiais, a serviço dos fazendeiros da região, em maio deste ano. Aborrecido com a força da Liga dos Camponeses Pobres capaz de juntar trabalhadores rurais, urbanos e estudantes para discutirem sobre a crueldade imposta pelos latifundiários aos povos que lutam pela terra.

Nós das Brigadas Populares repudiamos a atitude coercitiva deste fazendeiro, nos colocamos solidários às famílias da trabalhadora e dos trabalhadores assassinados em Pau D’Arco, à Liga dos Camponeses Pobres, aos técnicos e estudantes da UNIFESSPA, e em defesa d@s despossuíd@s que lutam permanentemente em defesa de seus direitos.

Esperamos que a universidade não venha se curvar diante da opressão dos latifundiários e empresários que querem impor o domínio sobre tudo e tod@s nesta região, continue cumprindo seu papel a serviço dos povos. Dos povos ela nasceu e para os povos deverá continuar existindo!
Marabá, 30 de outubro de 2017.
Brigadas Populares - Pará

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Manaus sedia II WORKSHOP PESQUISA E AGRICULTURA FAMILIAR



Fortalecer a interação entre ensino, pesquisa e extensão é um objetivo do evento

 

Dadas as características da agricultura familiar na Amazônia, sua diversidade e sua complexidade, ainda há poucos estudos voltados a propor e prospectar soluções para ampliar a produção de alimentos e tecnologias que dinamizem o mundo rural amazônico.

Ocorre em Manaus, entre 21 a 23 de novembro, no Campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), II WORKSHOP PESQUISA E AGRICULTURA FAMILIAR: FORTALECENDO A INTERAÇÃO ENSINO E PD&I PARA SUSTENTABILIDADE.

Ufam, Universidade Estadual do Amazonas (UEA), Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) estão entre os organizadores. O evento busca a continuidade de ações que contribuam para a difusão e o fortalecimento da pluralidade e diversidade científica na Amazônia, articulando iniciativas de produção do conhecimento nos diversos cursos de graduação e pós-graduação, e promover o intercâmbio científico e cultural entre professores, pesquisadores das principais universidades do Amazonas, Pará e UFRGS

Na pauta de debates consta as questões ambientais na contemporaneidade, tanto do ponto de vista teórico, agendas e ações estratégicas e como situações da agricultura familiar. A organização defende a ideia em fortalecer as redes de conhecimento interinstitucionais internacionais e nacionais, bem como a produção e difusão do conhecimento científico de caráter interdisciplinar sobre a agricultura familiar.


Os debates e exposições realizados durante o evento serão organizados em forma de anais, para que possa servir de subsídios e memória dando ampla visibilidade às iniciativas direcionadas ao desenvolvimento da agricultura familiar na região Amazônica.

SAIBA MAIS AQUI