quinta-feira, 24 de março de 2016

Santarém- 180 anos da Cabanagem

Sol de rachar a carapaça cansada. Umas 17h, do dia 23, em frente à Praça Centenário ou São Raimundo, Bairro da Aldeia, cidade de Santarém, Pará. O bairro da Aldeia foi o palco principal da insurreição, além das comunidades de Cuipiranga e Pinhél. 
Jovens estudantes descem uma pequena ladeira de bike. Sobem e descem. Outros ouvem funks. Alguns apanham mangas das calçadas.
Nesta data a cidade era tomada pelos cabanos há 180 anos atrás. Uma marcha com os jovens e alguns professores percorreram a Av. Tapajós, que fica na orla da cidade. Um ato modesto, mas, importante.
O destino foi o Instituto de Geografia e História. Explicações sobre o processo revolucionário eram anunciadas pelos educadores.
Talvez os jovens conheçam mais sobre a Revolução Francesa, que a própria história da Cabanagem. Silenciar insurreições populares também configura uma estratégia de dominação.  
Aos poucos conteúdos ganham relevo. Artigos, dissertações e teses emergem das academias. Livros, quadrinhos e peças de teatro também.
Mas, ainda faz maior visibilidade para o importante ato que tomou o poder no período regencial do país, a partir da ação coletiva que agrupou indígenas, negros, tapuios, brancos pobres na mesma direção.
  

terça-feira, 15 de março de 2016

EFA de Marabá - 20 anos de história

As origens da Educação do Campo no estado do Pará estão ligadas as experiências educativas de formação de jovens agricultores/as utilizando a Pedagogia da Alternância.  Tendo como projetos pioneiros a Casa Familiar Rural (CFR) de Medicilândia, em 1995 e a Escola Família Agrícola (EFA) da Região de Marabá, em 1996. Ressaltamos que no Pará a primeira EFA funcionou no município de Afuá criada em 1992.

O marco inicial da EFA da Região de Marabá é o I Encontro de Jovens Camponeses, realizado em outubro de 1993, pela Fundação Agrária do Tocantins Araguaia (FATA) no âmbito do Programa Centro Agroambiental do Tocantins (CAT), em conjunto com seus Sindicatos dos/as Trabalhadores/as Rurais (STTR´s) de Marabá, Itupiranga, Jacundá, São João do Araguaia, São Domingos do Araguaia e Nova Ipixuna. O surgimento da ideia de criar uma Escola Agrícola - Projeto Futuro do Jovem Camponês é este encontro de jovens, início da caminhada.

Neste evento o educador Emmanuel Wambergue “Manu” então Diretor Executivo da FATA relatou a experiência da França nascida em 1935. O caso brasileiro surgiu em 1968, sob a animação de Padre Humberto Pietogrande e foi contado pelo  técnico agrícola do Projeto Agroflorestal do Tocantins (PAF) da FATA Francisco Cruz de Lima Sobrinho “Francismar” egresso da EFA de Olivânia – Espírito Santo, que também recomendou conhecer as experiências no Maranhão.

Em 1993 foi criada uma Comissão de Articulação Pró Implantação da EFA, em 1995 a Associação dos Pais da Escola Família Agrícola (APEFA) esta manteve ativa até 2000. A EFA ficou vinculada a FATA/FETAGRI até 2011.

A EFA iniciou seu funcionamento em 18 de março de 1996 quando iniciou as aulas com a primeira turma com vinte dois jovens rurais, formando em 1999 cartoze. Ao longo da história formou vários jovens em agricultores/as técnicos/as ou agentes de desenvolvimento rural sustentável (técnicos/as em agropecuária com ênfase em agroecologia), colaborou com a construção da Educação do Campo na região, serviu de base para o nascimento da Escola Agrotécnica de Marabá, posteriormente transformada no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA – Campus Rural), esta instituição desenvolve cursos de Educação Profissional em níveis médio e superior para os/as camponeses/as e indígenas populações.

As Conferências, o Fórum Regional  de Educação do Campo e as organizações tem permitido continuar a história rumo a uma Política Pública de Educação do Campo, em Marabá e região Araguaia - Tocantins, na floresta, na aldeia, no acampamento, no assentamento, ou seja, para os/as camponeses/as, indígenas e quilombolas.

Em dezembro de 2013 organizamos o Seminário 20 anos da Pedagogia da Alternância na Transamazônica: a experiência da EFA da Região de Marabá – Pará, que serviu para celebrar vinte anos do nascimento da ideia (1993); tornar público a retomada da EFA. Estas ações têm buscado o fortalecimento da Pedagogia da Alternância e Educação do Campo em âmbito regional e da EFA.

Caminhando para quatro anos de retomada da EFA atual e seu segundo ano de funcionamento. Sonhamos com a realização de um encontro, uma celebração ou comemoração. Resistimos, em função da conjuntura política municipal, estadual e nacional de contenção de despesas, e por fim, tomamos a decisão de forma coletiva, então vamos comemorar. Porque ano que vem será 21, 30, 40, 50..., mas, 20 só teremos esta oportunidade. Que continuemos a luta e a história.

O objetivo do Seminário: história, desafios e perspectivas da  Pedagogia da Alternância  na Região Sudeste do Pará é abrir as comemorações de 20 anos da Escola Família Agrícola (EFA) da Região de Marabá. No meio da história os 10 anos da formatura da primeira turma do ensino médio e educação profissional (EMEP I e II) financiado pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA). É para todos/as que se identificam com a Escola Família Agrícola, Pedagogia da Alternância, Educação do Campo, Agricultura Familiar (...). No presente evento serão aprovadas ações para o decorrer de 2016.
@Conteúdo do folder de celebração do seminário que inicia no dia 18, em Marabá.

Celebração pelos 20 anos da EFA de Marabá começa no dia 18



A Escola Família Agrícola (EFA) celebra 20 anos a partir do dia 18, sexta feira. Em sua programação  consta relatos de egressos, troca de ideias com pessoas que fizeram parte da construção da experiência, a exemplo do francês Emannuel Wambergue, educador que desde a década de 1970, colabora com a luta camponesa na região. 
 
O evento terá ainda um representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o senhor Nejakson  Vidal, que falará sobre as políticas públicas para a juventude e a agricultura familiar. Veja a programação abaixo.
 

PROGRAMAÇÃO

Dia: 18/03/2016 (sexta-feira)

15:00 horas - Chegada dos participantes e convidados/as.

18:00 horas – Jantar

19:30 - Abertura do Seminário: “história, avaliação e perspectivas da Pedagogia da Alternância na Região Sudeste do Pará”. Lançamento das comemorações de 20 anos da EFA da Região de Marabá. Mesa de representantes das organizações parceiras da EFA (passado, presente e futuro).

Dia: 19/03/2016 (sábado)

06:30 horas – Acordar, levantar e tarefas.

07:30 horas – Café.

08:00 horas – Mesa: “As origens da EFA da Região de Marabá”.

Emannuel Wambergue e Damião Santos

09:00 horas   EFA: Uma história contada pelos/as protagonistas (egressos/as e educador/as e colaboradores/as) “história, desafios e conquistas”. Relatos de experiências e/ou histórias de vida. Envolvem todas turmas ensino fundamental, ensino médio e profissional (EMEP) e Saberes da Terra que formaram na EFA da Região de Marabá.
10:00 horas – Intervalo/Lanche
11: 30 horas - EFA: Uma história contada pelos/as protagonistas (egressos/as, educador/as e colaboradores/as) “história, desafios e conquistas”. Relatos de experiências e/ou histórias de vida.
12:00 horas –  Almoço.

14:00 horas – Mesa: “As políticas públicas para a juventude e agricultura familiar”
Nejackson Vidal (MDA)

15:00 horas - EFA: Uma história contada pelos/as protagonistas (egressos/as e educador/as e colaboradores/as) “história, desafios e conquistas”. Relatos de experiências e/ou histórias de vida.

16:00 horas – Intervalo/Lanche

16: 30 horas - EFA: Uma história contada pelos/as protagonistas (egressos/as e educador/as e colaboradores/as) “história, desafios e conquistas”. Relatos de experiências e/ou histórias de vida.

18:00 horas – Jantar

20:00 horas – Encerramento do Seminário representantes das organizações parceiras da EFA e Comissão Organizadora. Aprovação de propostas e Termo de Compromisso (carta).

22:00 horas – Noite Cultural/Confraternização (com animação musical e licor).



Dia: 20/03/2016 (domingo)
07:30 horas – Café.

08:00 horas – Saída/Retorno com uma Reflexão/Mística na área da SEDAP futuro local de implantação da Escola-Acampamento Professor Jean Hébette (Rodovia Transamazônica km 27 – Itupiranga – PA)

quinta-feira, 10 de março de 2016

Tapajós - o bar-boutique de Virginia


As pernas são torneadas. As nádegas generosas. Parecem ocultar a idade. Sonegar a raça de Virginia (homenagem a Wolf). Apesar das ancas de negra, a comerciante é clara. O acanhado comércio é um hibrido de boutique popular e botequim. Fica na orla de Santarém. Metá-metá, com se diz por aqui.
O botequim, que também vende refeição, ocupa o espaço menor.  O interior acomoda três mesas de forma apertada. Pela manhã, quando faz sombra, a comerciante espalha mesas e cadeiras na calçada.
Minúsculo também é o banheiro, que fica próximo ao local onde a refeição é preparada. Vírginia, que adota shorts que lhe valorizem as formas, possui três funcionárias.
Uma cozinha, a outra atende a clientela, e a terceira fica na loja. Estivas, marítimos e comerciantes frequentam a casa, cravada em uma travessa à beira do rio Tapajós, que corre em paralelo ao Amazonas.
No perímetro do empreendimento do comercio de Vírginia, predominam lojas que vendem máquinas e equipamentos de barcos, e de insumos para a atividade de pesca ou lavoura. É possível encontrar ainda pequenos mercados, padarias e outras boutiques igualmente populares.
A lavoura não deu boa este ano. Tempo de seca. Nesta época do ano, em anos considerados normais, o rio Tapajós já teria avançado sobre a avenida. Alcançado as lojas. Nas feiras, abacaxis e bananas são comercializados mesmo que nanicos.   

Uma caixa de papelão serve de depósito dos CDs piratas do bar. A sofrência é a trilha sonora, entrecortadas por causos de garimpos e viagens da região. Noutro dia, um senhor desprovido dos membros superiores, sorvia cerveja como se o mundo fosse findar daqui a segundos.

O garimpeiro de estatura pequena, gaba-se em ser bom de tiro. Por 15 anos peregrinou em garimpos do Pará, Mato Grosso e das Guianas. Atualmente é dono de loja de roupas. Com um amigo agenda visita ao puteiro assim que  a loja fechar.

Espero voltar ao local,  outros causos conhecer. E, quem sabe contemplar as formas de Virginia ou a ternura dos rios.

Protesto contra instalação de portos no Lago de Maicá marca dia da mulher em Santarém
















Um conjunto de empresários do setor de grãos agregados na empresa Embraps, pleiteia instalar um conjunto de portos no Lago do Maicá, na cidade de Santarém, no oeste paraense.
 
O complexo integra um portfolio de grandes obras, que visa incrementar um corredor de exportação de commodities na região, com predominância da soja e de minérios.
 
Pescadores, ribeirinhos e quilombolas fazem parte da sociodiversidade do Lago do Maicá. Eles já compartilham impactos do projeto, como o assédio do setor imobiliário. Parte destas populações não tem sido considerada pelos estudos de impactos ambientais.
 
Além dos portos, hidrelétricas, incremento da BR 163, ferrovias  e hidrovias fazem parte da agenda de "desenvolvimento" para o Baixo Amazonas, onde a ampliação da monocultura de soja é um dos vetores.
 
Outro problema nos planos governamentais, é a ausência de avaliação de forma integrada dos passivos sociais e ambientais que os empreendimentos poderão provocar no sensível bioma, e no conjunto da sociedade.  

Fotos: Ellen Pessôa

Vila de Alter do Chão - celebra aniversário de 257 anos insubordinada


Na peleja entre as grandes empresas, que se apropriam das riquezas da (as) Amazônia (s), e as populações locais, a dimensão simbólica também faz parte da disputa.
 
Ao celebrar o aniversário de 257 anos, na derradeira sexta feira, no dia 6, moradores da Vila de Alter do Chão, em Santarém, externalizaram opinião sobre a empresa Cargil, que financiou o convescote.  
 
Bancar atividade na área de cultura ou social, faz parte da cortina de fumaça tratada por alguns pela marca de responsabilidade social.   
 

quarta-feira, 9 de março de 2016

A Jari faliu, outra vez?

Em dezembro do ano passado a PF realizou busca e apreensão contra a empresa por fraudes no sistema florestal
  
Empate de extrativistas organizada no natal de 2014/R.Almeida
Não se sabe ao certo. Mas, nestes dias Sérgio Amoroso, dono do Grupo Orsa, foi visto no rincão, em Monte Dourado, distrito da cidade de Almeirim, no estado do Pará.

Cogita-se que o mesmo tenha vindo negociar pessoalmente com os funcionários da Jari Florestal. Desde 2014 funcionários realizaram inúmeras paralisações em protesto contra a empresa, e em dezembro do ano passado a empresa teve o selo verde cassado e foi alvo de grande operação da Polícia Federal.

Jari Nebulosa -  Operação da PF, no dia 04 de dezembro, caçou agentes públicos do estado do Pará, Secretaria do Meio Ambiente e Instituto de Terras do Pará (Iterpa), funcionários da Jari, envolvidos em fraudes no sistema de comercio florestal.  .

A ação envolveu buscas e apreensões em 41 endereços ligados a cinco empresas no Pará, São Paulo e Curitiba. Duas pessoas tiveram prisões preventivas decretadas, outras 16 ficaram em prisão temporária e 10 foram conduzidas coercitivamente para prestar esclarecimentos. Leia no MPF

Faturamento bilionário - Um bilhão de reais era a expectativa de faturamento do Jari em 2015. O empreendimento criado pela mega, ultra, multimilionário estadunidense Daniel Ludwig, em 1967, período da ditadura civil-militar, foi turbinado com generoso recursos do poder público.

A Jari, empresa que controla de forma questionável fatia significativa do território amazônico, -1,7 milhão de hectares - numa faixa entre os estados do Pará e Amapá, produz celulose.

Nos dias atuais o controle é do Grupo Orsa, com sede em São Paulo. Sérgio Amoroso é o cacique principal. Amoroso, nascido na cidade de Birigui, tem orgulho em ter começado como auxiliar de almoxarifado.

O sobrenome do “bandeirante” contradiz com a ação do empresário com a comunidades locais na região do Jari, em particular com a Comunidade de Pilões, que no natal de 2014 reeditou uma tática de resistência criada pelos seringueiros do Acre, o empate.

A ação é uma prática de enfrentamento contra o grande capital, que historicamente tem espoliada e expropriada o as populações locais. As rusgas entre as partes terá uma audiência de instrução no próximo dia 15.
As partes disputam território. A comunidade alega que mora reside há mais de cem anos, em área pleiteia pela empresa.  

Saiba sobre o Empate no Jari em reportagem investigativa publicada no site da Agência Pública AQUI

segunda-feira, 7 de março de 2016

Mulheres protestam contra portos do Lago do Maicá


Crime ambiental de Barcarena completa seis meses sem solução

 O crime ambiental de crime ambiental de Barcarena, que matou quase cinco mil bois, somou seis meses ontem.
Os resíduos dos animais e o óleo do navio impactaram a vida das populações locais e dos comerciantes da praia da Vila do Conde, onde fica o Porto da Companhia das Docas do Pará, local onde  a embarcação afundou com a carga viva.
Alguns moradores receberam uma pequena compensação financeira, que não chega a dois mil reais. Um morador local informa que o fluxo de banhistas na praia não voltou ao normal, o que prejudica os comerciantes locais.
No jogo de irresponsabilidades entre exportadores de gado e empresas de navegação, a parte mais vulnerável continua a pagar o pato.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Ligue-se! Programação do Cinefront


Escola Família Rural (EFA) de Marabá comemora 20 anos

As celebrações ocorrem entre 18 a 20 de março

 

A principal insurreição popular do período regencial do Brasil somou 180 anos este ano. É considerada por alguns autores como uma revolução social, onde indígenas, negros, tapuios e brancos empobrecidos insubordinaram-se contra o domínio português e de outros colonizadores.  

A revolução dizimou boa parte da população da época, e pela vez primeira vez, segmentos marginalizados alcançaram o poder, sendo o ápice a aclamação do dirigente Malcher como o primeiro governador Cabano.

O raio de abrangência transbordou as fronteiras amazônicas, alcançou praias do Nordeste, e mesmo regiões limítrofes com outros países.  Novos estudos desnudam outras nuances sobre o movimento, iluminam a relevância do Baixo Amazonas na empreitada.

Neste mesmo ano, uma das páginas mais sangrentas da História recente da luta pela terra na Amazônia soma duas décadas, o Massacre de Eldorado, ocorrido na Curva do S, no município de Eldorado do Carajás, no sudeste paraense, no dia 17 de abril.

A ação ordenada pelo médico – que em tese deve guardar a vida – Almir Gabriel, que na época governava o Estado, ordenou que o secretário de segurança da Paulo Sette Câmara encerasse a qualquer custo uma ação de ocupação da rodovia estadual, PA 150, pelos sem-terra.

As tropas da PM executaram 19 trabalhadores rurais sem terra. Mais de 150 policiais militares participaram da chacina que chamou a atenção do mundo. Conforme laudos, muitos foram executados com tiros à queima roupa disparados na cabeça ou no rosto.

A violência física, o autoritarismo do Estado, a espoliação e a expropriação constituem elementos que estruturam o avanço do capital sobre a terra e as riquezas cá existentes.  

Na contramão, como nos tempos da Cabanagem, sempre ocorreram formas de (re) existência populares. Uma delas tem sido a educação.

Assim, no conturbado contexto dos anos 1990, marcado pela avanço da agenda neoliberal, que teve o seu ponto alto a política de privatizações, marcada pela entrega de bandeja a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), nascia na terra dos Carajás a Escola Família Agrícola (EFA) de Marabá, sudeste do Pará.

A EFA aflorou em solo marcado pela aguda disputa pela terra, para atender, a partir das realidades especificas dos universos rurais, jovens e adultos do campo. No mundo nacional marcado pela lógica do privilegio, estudar é mais que um ato revolucionário.

A EFA integrou um leque de ações geradas a partir do Centro Agroambiental do Tocantins (CAT), experiência inovadora animada pelo educador natural da Bélgica, Jean Hébette. O centro era vinculado a UFPA. Constitui-se como um importante mediador no processo de luta pela terra aliado ao movimento sindicalista do campo da região.     

A condição precária marca a sobrevivência das EFA e das Casas Famílias Rurais (CFR), que operam a partir do mesmo modelo pedagógico, a alternância, que valoriza vivências a partir do tempo escola e tempo comunidade. Freire é uma das inspirações, onde o diálogo e a horizontalidade na relação entre educador-educando ocupam o primeiro plano.    

Damião Santos foi um dos fundadores da EFA e o primeiro monitor. Tem formação em Pedagogia da Alternância, e graduação em Pedagogia, com especialização em Educação do Campo. Atualmente cursa metrado de Desenvolvimento Socioespacial e Regional (UEMA).
 
Santos é técnico da Emater. É ele quem tem animado a celebração. Mas que se transformou numa articulação coletiva. A celebração ocorre entre 18 a 20 de março, na EFA Padre Humberto Pietogrande – Marabá.
 
A EFA está localizada na Rodovia Transamazônica km 23 (sentido Itupiranga). A programação e comissão organizadora (estão sendo organizadas).


Mais informações
Damião Soledade
dsolidade@bol.com.br
Cel/zap: (94) 99149 - 6323

terça-feira, 1 de março de 2016

Carajás - Festival de cinema celebra lutas populares na Amazônia


 

O mundo dos Carajás é um emblema na história nacional no que tange à luta pela terra. Ali, como em outros cantos amazônicos, há milênios, indígenas dominam a arte em manejar os recursos naturais, desenvolver tecnologias e  uso comunal do território.

Solo a todo momento ameaçado pelas grandes obras de infraestrutura, que visam dinamizar o saque das riquezas locais.

A aura colonial se mantém, bem como as insubordinações em sentido oposto, a exemplo de ocupações de latifúndios, edificação de escolas, novas formas de educação e re-existências em múltiplos flancos.   

Na terra dos Carajás a diversidade social agrega camponeses, devidamente territorializados, garimpeiros, peões do trecho em busca de um punhado de dignidade. Carajás é terra de migrantes. É terra de tensão constante pelo controle e uso da riquezas ali existentes. Um paraíso do enclave.

Nas terras dos caudalosos rios Tocantins-Araguaia jovens sonharam em irradiar uma revolução socialista.

Nelas o Festival Internacional de Cinema de Fronteira (FIA CINEFRONT) alcança a segunda edição. A iniciativa é da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), a partir da Diretoria de Ação Intercultural, em associação com os movimentos sociais e a Secretaria Municipal de Cultura de Marabá.
 
O indigenista e jornalista Felipe Milanez é o curador. O festival ocorre entre a 11 a 15 de abril, em Marabá e em outros campi da Unifesspa. O longa Osvaldão [2015, 80 min], considerado a maior expressão entre os guerrilheiros do Araguaia, dos diretores Fabio Bardella e o André Michiles abre o festival, às 19h, do dia 11 de abril, no Campus da Unifesspa, em Marabá. O ativista Paulo Fonteles, membro da Comissão da Verdade, e os diretores do filme debaterão sobre  a luta popular no Araguaia após a exibição.  

O FIA Cinefront contempla sessões gratuitas, seguidas de debates, a partir das realidades que fazem parte das regiões da periferia e de fronteira, inclusas de forma subordinada e tardia aos principais centros do capitalistas, a exemplo da Amazônia.

Conforme a coordenação do evento, o festival é um momento de celebrar as lutas sociais e a re-existência popular que fazem da fronteira front de batalha por direitos, igualdade, justiça e dignidade.

Em sua segunda edição, o festival coloca em foco as lutas travadas por indígenas, guerrilheiros e camponeses e a realidade de violações de direitos constituída pelo processo de ocupação da Amazônia, no contexto da Ditadura Militar no Brasil. As obras selecionadas contemplam o protagonismo de camponeses, indígenas e guerrilheiros num horizonte anti- colonial.

Homenagem - Vincent Carelli é o homenageado do Cinefront. O realizador é indigenista, documentarista, fundador do Vídeo nas Aldeias. Carelli assina filmes como "Ninguém come carvão" [1991] e "Corumbiara" [2009], que, respectivamente, denunciam a destruição da floresta pelas siderúrgicas no Pará e Maranhão e o massacre de índios na Gleba Corumbiara, em Rondônia.

Em 1969 Carelli esteve pela primeira vez em Carajás. Visitou os Xikrin do Catete. Por meio de concurso ingressou na Funai. Durante a ditadura civil-militar abandonou a instituição para somar forças junto as resistências e lutas do movimento indígena e indigenista.

Na condição de fotografo realizou uma das primeiras grandes coberturas jornalísticas sobre a Guerrilha do Araguaia junto aos jornalistas Palmério Dória, Sérgio Buarque e Jaime Sautchuk. O material foi revelado na revista História Imediata, dando visibilidade ao que a ditadura gostaria de ocultar, o massacre do Araguaia.
 
Para mais informações 

Diretoria de Ação Intercultural
Prof. Evandro Medeiros
(94) 981884746
Instituições Parceiras
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Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará – UNIFESSPA
Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis - PROEX
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB
Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas - CECULT / UFRB
Rede Europeia de Investigação de Ecologia Política - ENTITLE / Universidade de Coimbra
Universidade Pontifícia Católica do Peru - PUCP
Grupo Interdisciplinar Amazônia / GIA – PUCP
Secretaria Municipal de Cultura - SECULT/Prefeitura de Marabá
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Trama Teia Produções

 

 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Xingu/PA: pistoleiros tentam matar dirigente camponês

Ronair lidera ocupação em São Félix do Xingu, no sul do Pará 
Na manhã de hoje, (27/02) pistoleiros balearam gravemente Ronair José Lima, sua esposa e filha, quando os mesmos se deslocavam de moto para uma reunião da associação de trabalhadores no município de São Félix do Xingu, sul do Pará.
 
Ronair é liderança de um grupo de 150 família ligadas a FETAGRI que desde 2008 reivindicam a criação de um assentamento na área conhecida como complexo “Divino Pai Eterno”, assim chamado por causa das diferentes fazendas que foram cortadas ilegalmente dentro da área. Trata-se de um caso típico de grilagem de terra pública federal. A área, encontra-se inteiramente localizada na Gleba Misteriosa, arrecadada e matriculada em nome da União, segundo documentação do INCRA. Tanto Ronair como a esposa correm risco de morte, a filha baleada no braço passa por atendimentos. As vitimas estão nesse momento no posto de saúde da Vila Sudoeste no mesmo município, aguardando avião para serem removidos para atendimento médico.

Na área já foram registrados diversos casos de violência, enquanto a disputa judicial e administrativa se arrastam ao longo de anos.  Houveram ali, 5 assassinatos nos últimos 8 anos, sem apuração devida das circunstâncias das mortes, embora haja indícios que todas elas estejam ligadas com o conflito pela posse da terra. Foi o caso de Francisco Feitosa (também conhecido como “Finado Preto”, antigo presidente da associação dos/as trabalhadores/as), Rogério, “Mineiro”,  Félix Leite dos Santos e Osvaldo assassinado no final do ano passado.
Ronair tem sido frequentemente ameaçado por pistoleiros a mando dos grileiros que disputam a área. Por diversas vezes, registrou Boletins de Ocorrência perante as Delegacias de Conflito Agrário da região. O programa nacional de proteção a defensores de direitos humanos também já foi acionado mas, nada fez. O demora da Segurança Pública do Estado do Pará em investigar os crimes e a morosidade do INCRA e do Terra Legal em encaminhar os processos de arrecadação do imóvel é a principal causa da violência.
Exigimos que o poder público garanta a integridade física de Ronair e sua família, que os crimes cometidos contra as pessoas e contra o patrimônio público sejam investigados, que o INCRA e Terra Legal apresentem solução para o conflito fundiário que se estabeleceu na área.
 
São Félix do Xingu, 27 de fevereiro de 2016.
Comissão Pastoral da Terra - CPT sul e sudeste do Pará.
FETAGRI regional sul do Pará.

 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Povo kayapó obstrui BR 163 há mais de uma semana, e exige presença do presidente da Funai

"Só sairemos daqui após negociação com a direção da Funai", defendem os lideres
 
Faz mais de uma semana que lideranças do povo kayapó, da aldeia Baú,  decidiram pela obstrução da rodovia da soja, a BR 163. A rodovia liga Cuiabá, no Mato Grosso, a Santarém, no oeste do Pará.  
 
Eles reivindicam energia elétrica, melhoria nas estradas e um posto da Funai na região. Atualmente eles são obrigados a percorrer mais de mil quilômetros até Redenção, no sul do estado, onde fica o posto da Funai responsável pela demanda do oeste paraense.
 
A região promete nos próximos anos mais situações de tensão entre as inúmeras categorias das sociedades locais, consideradas como tradicionais: indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores e demais categorias, e os grandes grupos nacionais e internacionais dos setores de energia, construtores de barragens e portos, garimpeiros, mineradoras, grileiros de terras e madeireiros. 
 
A região é um eixos da política nacional de integração (energia, transporte e comunicação), para onde estão agendados o complexo hidrelétrico do Tapajós/Teles Pires, o complexo de portos do Lago do Maicá, no município de Santarém, este sob interesse da empresa Embraps (grupo de sojicultores).
 
A região do oeste paraense é considerada a de maior concentração de ouro do estado. Informes preliminares atestam que existe uma conjunto significativo de pedido de exploração de grandes empresas junto ao Departamento Nacional de Produção Mineração (DNPM), onde a Vale desponta como líder em solicitações.  
 
Soma-se ainda ao cenário,  portos em Miritituba, na cidade de Itaituba, de interesse da Bunge, sem falar na duplicação e asfaltamento da BR 163. 
 
A rodovia criada pela ditadura civil militar, faz parte de um modal de transportes, que visa a agilizar a circulação de commodities (minério, energia e grãos) com custos menores e em menos tempo, via o porto da Vila do Conde, no município de Barcarena.
 
Atualmente o produção de grãos Centro Oeste do país, onde um dos lideres é o grupo Maggi, é exportado via o porto de Santos/SP, ou Paranaguá/PR.
 
Abaixo vídeo do Povo kayapó, que exige a presença do presidente da Funai na região.
 
 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Barcarena - Sede da prefeitura, secretarias e Mercado Municipal amanheceram com a energia cortada

Mercado Municipal, sede da Prefeitura e algumas secretarias, terminais rodoviário e hidroviário  de Barcarena amanheceram sem energia elétrica.

O fornecimento foi suspenso por falta de pagamento da prefeitura. Comunitários informam que para garantir os produtos, um grupo de feirantes alugou um gerador.

Vilaça, o prefeito, dono de construtora que presta serviços para as grandes empresas da cidade não é encontrado na cidade.
 
Ironias da vida. Por conta das fábricas de alumínio que a cidade abriga, Barcarena consome mais energia que a capital, Belém.

As fábricas – Alunorte e Albras - atualmente controladas pela empresa norueguesa Norskk Hidro, contam com energia subsidiada gerada pelo hidrelétrica de Tucuruí, no rio Tocantins, sudeste paraense. Energia paga com a contribuição de cada um de nós.

Pelos cálculos do jornalista Lúcio Flávio Pinto, com os subsídios de uma década, seria possível erguer mais duas fábricas.  Desenvolvimento?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Tapajós em questão: mulheres ativistas protagonizam encerramento de seminário sobre grandes projetos

"Unificar as lutas dos povos tradicionais é a nossa saída" defende Leuza Munduruku

 


 
Mulheres predominaram na mesa de encerramento do seminário Direito e Desenvolvimento, organizado pela Ong Terra de Direitos e a Universidade Federal do Oeste do Pará, (Ufopa). Entre os dias 16 a 18, pesquisadores, estudantes, comunitários e ativistas e advogados trataram sobre as violações dos direitos humanos que os mega projetos agendados para a região do Tapajós engendram. Em todos os dias o auditório do Campus Rondon esteve lotado. O público ocupou o chão e apanhou cadeiras apanhadas das salas de aula.


Maria Leuza, índia Munduruku, com a filha apoiada em sua cintura, recuperou o processo de luta de seu povo. Maria esteve em Paris, durante a COP 21, no fim o ano passado. Como outras ativistas, a Munduruku defende a necessidade de unificação da luta de todos os povos que serão impactados pelo conjunto de projetos desenhados para a região.

O território ocupado há mais de 140 anos pelo povo Munduruku na região de Mangabal não foi reconhecido pelo governo Dilma, apesar dos relatórios concluídos. Por conta da medida interministerial, de número 419, que ataca de morte as comunidades tradicionais, o governo não deu andamento ao processo. O auto reconhecimento do território tem sido realizado pelos próprios indígenas, que enfrentam grileiros e madeireiros.

Ameaçados pelo Estado, grileiros e madeireiros, as populações locais, indígenas e ribeirinhos, auto identificados como beiradeiros, de forma inédita, alinharam-se pela primeira vez. “Iremos morrer caso fiquemos calados e com os braços cruzados. Somos todos irmãos” argumenta Leuza.

Darcilene Godinho, uma senhora de estatura miúda e posições firmes, representante do Movimento Tapajós Vivo (MTV), segue a mesma linha de raciocínio da indígena Munduruku, e defende a unificação da luta dos povos da floresta contra os grandes projetos.

“Necessitamos agregar pescadores, agricultores e indígenas em defesa de nossas riquezas, sob o mote da água como direito universal. Nós temos um projeto de desenvolvimento que é a partir de nossas realidades. Nossa luta é em defesa da vida em todos os sentidos”, defende a espirituosa ativista.

Coube a Elisângela Barros, reassentada do município de Altamira, por conta da barragem de Belo Monte, ativista do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), relatar parte dos passivos que o empreendimento promoveu na região. “Vivemos num ambiente marcado por todo tipo de violência. Aumentou a violência física contra as mulheres. As nossas crianças vivem ameaçadas pela prostituição” relatou a militante negra.

“O projeto do complexo hidrelétrico do Tapajós é um projeto de morte. Caso se efetive irá transformar o rio num lago. A medida irá sucumbir mais de 10 mil anos de conhecimentos tradicionais” sentenciou o professor Mauricio Torres.

Na mesma perspectiva do professor Sérgio Sauer, que esteve na mesa de ontem, Torres alerta que as hidrelétricas são apenas uma perna dentro do conjunto de grandes projetos, que envolve além do avanço da fronteira do agronegócio, corporações do setor mineral, entre elas a Vale, empresa top em violação de direitos humanos.

Energia é o principal insumo das empresas de eletro intensivos, como tem alertado em inúmeras falas o pesquisador Célio Berman, especialista no assunto, que defende a repotencialização das hidrelétricas mais antigas do sistema. Berman esteve em Santarém para a audiência pública animada pelo Ministério Público Federal (MPF), no início do ano.
 
O advogado  e professor da Ufopa, Sérgio Martins , ao fim dos trabalhos, leu uma moção de apoio ao ativista do MAB de Tucuruí, Roquevan Alves, condenado por reivindicar seus direitos como impactado pela barragem de Tucuruí. Coincidentemente, hoje Alves celebra anos.
Criminalizar a luta popular e militarizar o licenciamento ambiental tem sido a regra do governo federal na agenda amazônica.

Baixo Amazonas - "grandes obras fomentam a apropriação privada do bem comum" alerta pesquisador da Unb

Seminário organizado pela ONG Terra de Direitos e Ufopa  encerra hoje. O auditório, dominado por faixas de protesto contra os grandes projetos, esteve lotado em todos os dias.





 
 
Encerra hoje no auditório do Campus Rondon, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), o seminário Direito e Desenvolvimento, que discute a agenda e os passivos sociais e ambientais advindos dos grandes projetos para a região do Baixo Amazonas.

A mesa de encerramento, que inicia as 19h, contará com o professor da Ufopa, Maurício Torres, que assina a organização do livro Amazônia Revelada, que trata sobre a BR 163. A obra tem entre os colaboradores o geógrafo Ariovaldo Umbelino, da USP. O extenso texto de Umbelino recupera os antecedentes econômicos e sociais que conformaram a região, até alcançar os dias atuais.

Além do professor Torres integrarão a mesa de hoje representantes do Movimento Atingidos por Barragens, a ONG Terra de Direitos e movimento indígena.

Grandes obras de infraestrutura no Baixo Amazonas

Na mesa de ontem, o professor da Universidade de Brasília (Unb), Sérgio Sauer, refletiu que o conjunto das obras de infraestrutura visam a aprofundar o acesso aos produtos primários da região, a exemplo do minério, e a redução dos custos de circulação de commodities para os centros do capitalismo mundial. “O que vem ocorrendo de forma radical par o setor primário da economia. Isso não desenvolve lugar nenhum. Tais projetos engendram a apropriação privada do bem comum ”, taxou o professor.

Jesus, representante dos quilombolas advertiu que para os técnicos responsáveis pela elaboração dos estudos ambientais as populações do Lago do Maicá não existem. O lago está localizado em Santarém, onde um conjunto de empresários do setor de grãos, organizado a partir da empresa Embraps, visa construir um complexo portuário. 59 comunidades quilombolas e 9 bairros devem ser afetados pelo empreendimento. “Nós existimos. Nós estamos aqui. E não somos gramíneas, como diz o estudo ambiental”, criticou o quilombola Jesus.  

No conjunto de obras de infraestrutura para o Baixo Amazonas, constam o complexo portuário de Miritituba, localizado no município de Itaituba, controlado pela empresa estadunidense Bunge, a duplicação e melhoria da BR 163, o complexo de portos do Lago do Maicá, foco de interesse de sojicultores, além do complexo hidrelétrico no Tapajós e Teles Pires.

Ione Nakamura, promotora da Vara Agrária do Ministério Público do Estado (MPE) alertou para um limite que existe do processo de licenciamento ambiental, que tem sido realizado de forma que não contempla o efeito cumulativo do conjunto de empreendimentos. A promotora alertou ainda sobre o lobby de vários setores que busca rever resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiental (Conama), no sentido de afrouxar o processo de licenciamento ambiental.

 
Auricélia Arapiuns, representante indígena e estudante de direito da UFOPA, recuperou algumas vitórias, a exemplo da suspensão da decisão do juiz Airton Portela, que havia negado a existência de indígenas na região do Moró. “O Estado tem  negado o nosso direito em ser ouvido, aos nossos moldes, conforme estabelece a resolução 169, da OIT, onde o país é signatário” alertou a indígena.     

Tapajós - complexo portuário ameaça moradores do Lago do Maicá

Um complexo de portos de uso do privado, capitaneado pela empresa Embraps, que aglutina sojicultores, tem tirado o sossego dos moradores de 59 comunidades tradicionais  e de nove bairros que integram o Lago de Maicá, na cidade de Santarém oeste paraense.
 
O complexo é apenas um dos problemas que tem afetado a região do Baixo Amazonas,  um dos eixos de integração das macropolíticas do governo federal.  
 
Durante o seminário Direito e Desenvolvimento, que encerra hoje no Campus Rondon, da Ufopa, em Santarém, quilombolas alertaram sobre a situação. Veja vídeo sobre as ameaças contra as populações  do Lago do Maicá.  
 
 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Barcarena - gado em pé volta a ser embarcado na Vila do Conde

Apesar das carcaças e da embarcação não terem sido retiradas e a população atingida abandonada


Desde domingo, 14, o gado em pé voltou a ser exportado no Porto da Vila do Conde, na cidade de Barcarena, no estado do Pará.

O município que abriga as maiores plantas industriais da cadeia do alumínio, ganhou visibilidade mundial por conta do naufrágio de navio, que levou a óbito por afogamento, quase cinco mil cabeças de gado.

A medida foi tomada apesar das carcaças e da embarcação não serem retiradas do porto. Como em Mariana, as populações atingidas de Barcarena e cidades vizinhas, a exemplo de Abaetetuba, continuam a ver navios.

Informante do município esclarece que as empresas envolvidas não cumprem as medidas impostas pelas instituições de Justiça. “Nada foi feito, ninguém recebeu indenização ou teve outro tipo de assistência” arremata. Setores populares obstruem  algumas vias da cidade para denunciar o caso.
 
Leia mais sobre o caso AQUI

 

 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Tapajós - novos carnavais


Não lembro se chovia, quando num carnaval, no ano de 1999, aportei de mala e cuia nas terras de Carajás, na cidade de Marabá, irrigada pelo Tocantins, Itacaiunas e Araguaia.   Cheguei, como se diz, puxado pela cachorra, tão exuberante era a lisura, que se mantém.

A missão era colaborar no setor de comunicação com a entidade Cepasp (Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular). Parada de maluco de históricos ativistas, na época tocado pelo piauiense, Raimundo Gomes da Cruz Neto. Cabra porreta.

Era recém formado. Nas terras dos Carajás, a vivência com o complexo mosaico de diversidade social, e os conflitos na luta pela terra, a ela atrelada, equipara-se a uma pós. Costumo declarar que foi outra faculdade, só que mais legal, uma escola sem paredes, que educa e liberta.   

Antes já havia circulado na quebrada, na nobre missão de entrevistador na avaliação da Rede Fórum Carajás. Era tempo de queimado. Trato de pasto. Calor pra burro. Percorri o Bico do Papagaio, baixadas do Pará, Maranhão e Tocantins.

Maldize o lugar por mais de uma vez, até retornar por inúmeras ocasiões, antes de cair na graça de um povo de república.

Gente de Belém, Mato Grosso, Marajó e Palestina do Pará compunham a casa. Gente pra caramba. Gente de coração medonho de bonito. Em todo o tempo, pelo menos uns três anos, nunca ocorreu uma rusga.

E até hoje existe contato com alguns. Eliana Viana, Marcos e Gilberto Leite e outros compas de instituições populares são chapas. Manos\as de copo e cruz.

Longe de casa, a república vira casa de mãe, e a gente pode até chorar, que alguém nota. Acode.  

Muitos carnavais se passaram. E neste, de 2016, aportei na margens de outros rios. Novos rumos. Outros desafios, novas quebradas.

Agora, o tempo é dos rios Tapajós e Amazonas. Na mala, alguns livros. O brio do olhar encontra-se renovado pelo novo horizonte, ainda que a pedra seja miudinha.

No dia em que cheguei, choveu por mais de 24 horas. Isso, nunca esquecerei.