sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Ver o Peso - Documentário registra vida de trabalhadores da feira de alimentação



Seis narrativas dão vida ao filme, resultado de dissertação em Ciências Sociais da pesquisadora Rosa Rocha



Com duração de 22 minutos, o documentário apresenta elementos de socialização das relações sociais de trabalho, e da identidade dos feirantes da Feira de Alimentação do Ver-o-Peso. O filme assinado pela socióloga Rosa Rocha, resulta de mais de dois anos de pesquisa no Mestrado de Ciências Sociais da UFPA/IFCH/PPGCSA, e conta com patrocínio do Edital do Banco da Amazônia – BASA, 2015. O lançamento ocorre no Sesc Doca Boulevard, no dia 09,  quarta feira, às 18h, seguido de debate com a equipe.   

Do nascer ao pôr do sol, os feirantes dona Carioca, Odília, Josy, João e Vitor são os protagonistas do registro. Falam de suas concepções e vivências, em meio as diversidades de comportamentos, de expectativas e de interesses que costuram as relações econômicas, sociais, políticas e culturais na Feira.

Na fala de um dos feirantes sobre o maior mercado a céu aberto da América Latina “[...]tudo e todos são observados. Não se passa nada na feira sem que ninguém saiba quem você é.[...] Já faz tempo que trabalho aqui [...], daqui tiro o meu sustento e da minha família [...], não sou só feirante, sou cidadão [...] e me reconheço como um trabalhador da feira”.

Entre os cinco personagens que conduzem a narrativa, existem diferenças de geração e de trajetórias pessoais e profissionais. Alguns sempre trabalharam na feira, a exemplo de D. Carioca, outros já tiveram experiência em outros setores da economia, como no comércio e na indústria. Em comum, entre todos existe um forte sentimento de pertencimento ao local de trabalho.

Para Rosa Rocha, “a experiência junto aos trabalhadores e trabalhadoras da feira foi enriquecedora como pesquisadora e ser humano”. Marcelo Rodrigues foi o cinegrafista e editor do documentário que homenageia a feirante Carioca, que por 50 anos trabalhou no Ver O Peso. A festejada operária do mercado faleceu há dois anos.

Serviço:
O que: Lançamento e debate do documentário Todo Dia é Dia de Feira!
Onde: Sesc Doca Bulevar
Dia: 09 de dezembro
Hora: às 19h
Contato - Rosa Rocha
98176 9949    

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Barcarena e a propaganda da responsabilidade social das empresas



Moradora da Praia da Vila do Conde - Barcarena

Em anúncio de meia página no diário dos Barbalhos, neste domingo, 29,  a Associação Brasileira de Exportação de Gado (ABEC) defende a retomada do embarque de boi em pé.  Em longo texto defende as “benesses” que o setor presta ao estado.

Aos moldes de um obtuso burguês elenca números da economia, ao menos os que considera positivo, como o fato da exportação de gado  ser o segundo item da balança comercial do estado. Nada é mais colonial que a imagem do boi abarrotado em navios improvisados.

Até o dia de hoje as empresas envolvidas no crime ambiental e a Companhia Docas do Pará (CDP) não apresentaram um plano de retirada das carcaças do gado e do navio.
 
Os moradores sofrem pela falta de distribuição de água potável e cesta básica, que tão básica não dura mais que um dia.

Omite que a pecuária é o setor, que ao lado da mineração e obras de infraestrutura, respondem pelos indicadores do desmatamento na Amazônia. 

Relega ao fim da fila as péssimas condições de sobrevivência das populações que foram atingidas por um conjunto de acidentes ambientais que a cidade de Barcarena acumula.
E desconsidera as pesquisas do Evandro Chagas e do departamento de Química da UFPA, que alertam sobre as péssimas condições da água do município.

Além da morte de quase 5 mil cabeças de gado, havia ocorrido dispersão da soja em rios e furos da cidade em barcas da empresa Bunge.

Ao longo dos anos os recursos hídricos da cidade estão sendo comprometidos pelos transbordamentos das barragens de rejeitos das empresas Albras e Alunorte, controladas pela norueguesa Norsk Hidro, que controla da cadeia de alumínio.  E pela francesa Ymeris, que extrai caulim.

Assim como a Abec, na mesma edição dominical, a Ymeris festejou projetos em caderno especial dedicado à responsabilidade social.  

O transbordamento da bacia de rejeitos da empresa feriu de morte o rio Curuperé, e os moradores do entorno.

Os mesmos estão impedidos de cultivar a terra e usar o rio, e ainda sofrem processo de expropriação para a expansão da fábrica.

Moradores informam que a empresa tem se recusado a pagar pelo serviço ambiental prestado peloso moradores pela manutenção da floresta em pé.


Uma moradora informa que “aqui temos castanheiras e outras árvores seculares e frutíferas, e a empresa não quer pagar por elas, que serão derrubadas. E estão colocando um preço irrisório no metro da nossa terra”.

 
Boi em queda

Nos últimos anos a exportação de gado experimenta uma queda. Segundo nota da Scott Consultoria, com base em indicadores do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), 27,7 mil cabeças de bovinos foram negociadas pelo Brasil até junho de 2015. Na comparação com o mesmo mês de 2014, houve uma queda de 17,2%. O faturamento foi de US$ 28,3 milhões, 13,7% menos em relação ao mesmo mês de 2014.
O Pará foi o único estado exportador de bovinos vivos este ano, porém os dados estaduais também indicaram retrocessos, segundo a Scott Consultoria.  Até a metade de 2015 foram exportadas 123,4 mil cabeças, 69,2% a menos do que na primeira metade de 2014. A queda no faturamento foi de 69,9%. No primeiro semestre de 2014, os ganhos foram em torno de US$ 401,3 milhões.  

 


domingo, 29 de novembro de 2015

Os heróis do Bar da D. Neusa


 

Pitolé tem um metro e meio. O homem magro adota o grisalho cabelo sempre curto. Bebe todo dia. Religiosamente paga com o dinheiro adquirido em sua transportadora uma buchudinha no buteco da D. Neusa.  

Pitolé é um empreendedor do setor de transporte. É um “burro sem rabo”.  Aquele que faz frete em uma carroça de madeira. No caso dele, um carro de mão. Devidamente identificado. Trata-se da Transpitolé.  

O autônomo mora na Rua do Fio, bairro da Guanabara, quebrada de Ananindeua, região metropolitana de Belém. Pitola, como é tratado pelos íntimos, cumpre a rotina em comprar a pinga e apostar no coelho.

Todos na comunidade comentam que ao contrário dos demais papudinhos, Pitolé nunca pede. Defende o troco na estiva sob o céu inclemente ou a chuva torrencial.

Vez em quando o senhor que deve somar umas 50 primaveras aparece com a face em desgraça. Resultado de algum acidente movido pela embriaguez. Louro, que encontra-se na mesma faixa etária, rivaliza no ramo de negócios de Pitolé. 

Ao contrário de Pitolé, sempre que sobra algum troco, Louro toma uma breja e fuma um preto.  Desinibido, pede cigarro e cerva. Não é tão magro como Pitolé. Em comum, os empreendedores da quebrada possuem como hábito exibir o corpo. Quase sempre estão desprovidos de camisa.  

O Bar da Neusa é a referência para encontrar os dois, além de aposentados, desempregados, funcionários públicos, professores, policiais e gente com dívida com a justiça. Alguns com o tornozelo ornado por uma pulseira preta.
 
É o Bar da D. Neusa uma catedral de vencidos? Ali divirto-me com as narrativas de Dicó.  Um senhor de mais de 70 anos. Aporta no lugar sempre de bike cargueira. A magrela é um instrumento usado pelos idosos que trocam um dedo de prosa ali.

Dicó é atravessador no negócio de filé. Já mexeu com rinha de galo, onde cumpria o papel de treinador e negociante, onde orgulha-se em ter feito inúmeras estrelas. Ele é doutor em puteiros da Pedreira. Um dia quero roubar essa história. Vai custar uns litrões de breja, consumo favorito do bem humorado senhor.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Mídia de esquerdaX Avanço conservador

Desde a tarde de ontem o coro come na 21 ª edição do Curso de Comunicação do NPC, no Rio e Janeiro, na sede da Caixa Cultura, Centro. 
Em sua conformação o curso aglutina acadêmicos, dirigentes sindicais, artistas da periferia e ativistas de movimentos populares em torno da construção de uma comunicação contra hegemônica à estrutura oligárquica e oligopolista do país.  E cada vez mais careta, que a cada dia externaliza o seu verniz fascista.
Foi justo sobre este cenário que refletiram os professores José Arbex (PUC\SP), Márcia Tiburi (Mackenzie) e Francisco Fonseca (FGV).  
Fonseca indicou as principais características da mídia nacional, onde pontua tratar-se de um aparelho privado hegemônico, que exerce o papel de intelectual orgânico de setores médios ressentidos da sociedade, e “sobretudo, a mídia tem exercido o papel de partido político”, encerra.
Inquieta Arbex o aprofundamento do fosso entre uma pequena fatia da sociedade que controla a maior parte da riqueza mundial, e os que produzem. Dados apresentados pelo professor indicam que apenas 85 famílias usufruem da riqueza.
“O que estamos vivendo no momento é uma cisão da humanidade. Algo que Marx já alertava há muito tempo atrás, em seus textos quando refletia sobre civilização ou barbárie. Eu acredito que estamos alcançando a barbárie”, avaliou.
Para Tiburi o momento que vivemos é muito delicado. “O capitalismo foi alçado a dogma, onde predomina o empobrecimento da cultura na humanidade, e o ódio é disseminado a partir do discurso midiático”, taxou.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Carajás – impactados pela Vale ocupam rodovias em Canaã dos Carajás

800 trabalhadores ligados ao MST e STR organizam o ato

 
 
 
 


Desde às 5h da manhã perto de 800 trabalhadores ocuparam rodovias que dão acesso aos projetos Sossego e da mina Serra Sul (S11D), controlados pela a Vale. Os projetos ficam na cidade de Canaã dos Carajás, sudeste do Pará.

O ato que presta solidariedade ás famílias atingida pelo desastre de Mariana/MG, exige que o INCRA forneça cestas básicas para as famílias impactas pelos projetos da mineradora no Pará.

O projeto S11D, que vai extrair minério de ferro de excelente teor, é um dos maiores investimentos da companhia no Pará. Ele colocou de ponta cabeça a vida de vários agricultores, e de pequenos proprietários na região. No caso do Sossego o minério explorado é o cobre.

MST e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Canaã organizam o ato.

Informações de fotos e Thiago Cruz – Marabá-PA

 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Mídia de Esquerda é o tema da 21ª edição do Curso de Comunicação do Núcleo Piratininga/RJ

Gianotti, educador, escritor e ativista pela democratização da mídia é o homenageado


 
A Mídia de Esquerda Contra o Conservadorismo no Brasil é o tema central da 21ª edição do Curso Anual de Comunicação do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), que ocorre na cidade do Rio de Janeiro, entre 18 a 22, no auditório da Caixa Cultural.
Para debater sobre a economia mundial foram convocados os professores Ricardo Antunes (Unicamp), Luiz Pinguele Rosa (UFRJ) e Eloá dos Santos Cruz. A mesa ocorre na noite, às 19h, do dia 18.
Antes, às 16h, o papo gira em torno dos 50 anos de ditadura e seus reflexos nas ruas, nas escolas e no país, com a colaboração de Milton Pinheiro (Uneb), Sebastião Neto (IIEP), Cecilia Coimbra (Tortura Nunca Mais).
Márcia Tiburi (Mackenzie), José Arbex (PUC\SP), Francisco Fonseca (FGV) e Wladmir Safatle (USP) são os escalados para refletir a mídia conservadora.
 
Eu divido uma mesa que debate jornalista de esquerda como intelectual orgânico com a Debora Casara (Senge\SP) e a Ednúbia Ghisi (Cefúria), na manhã do 21.  Ao todo são 40 debatedores.
 
Desenvolvimento de aplicativos, transmissão ao vivo e mídias digitais para veículos sindicais são algumas das oficinas.
O ex metalúrgico, Vito Gianotti, escritor, educador e ativista pela democratização da mídia, e um dos fundadores do NPC, falecido em julho, é o homenageado do curso.
Sobre a passagem de Gianotti, o professor Ricardo Antunes avaliou “Se foi o militante da oposição sindical, um dos mais intensos; se foi o militante socialista que não gostava das burocracias e que sempre batalhou por um sindicalismo de base e de classe; se foi o militante-historiador do movimento operário que sabia que era possível lutar e refletir sobre as mesmas lutas.  

sábado, 7 de novembro de 2015

Mineração na Amazônia - nossos transbordamentos e a economia de enclave


Desde a década de 1980 a atividade registra acidentes de grandes proporções
A atividade mineral rege a economia paraense. O ferro é o principal produto, ladeado de bauxita, caulim, cobre, níquel, manganês, ouro e por ai vai. Data dos anos 1960 o início da atividade em escala industrial. Vale, Alcoa, Belo Sun, Norsk Hidro, Votorantim, Ymeris, Xstrata são algumas das empresas que protagonizam o saque das riquezas locais.
A atividade não dinamiza a economia do estado. A exportação de produtos primários ou no máximo semielaborados conforma o mercado. Recursos naturais em abundância, energia subsidiada, financiamento público, renúncia fiscal, mão de obra barata, ausência de controle social e insuficiência ou fragilidade total no monitoramento da atividade pelo setor púbico são alguns fatores que animam a presença de grandes grupos do mercado mundial.
Numa perspectiva que aprofunda a condição colonial da região, marcada pela expropriação e a espoliação das populações ancestrais, que socializam os passivos sociais e ambientais.   
Cadeia do alumínio – A Albrás e Alunorte representam o maior complexo de produção de alumínio do mundo, sediado na ilha de Barcarena. A empresa Norueguesa Norsk Hidro é a maior acionista. O empreendimento data da década de 1980, e inicialmente foi tocado pela Vale e um grupo japonês. A matéria prima, o minério da bauxita, foi encontrado no final dos anos de 1960, no Vale do Trombetas, município de Oriximiná, distante uns 900 quilômetros de Barcarena.
A atividade no Trombetas protagonizou o desastre ambiental do Lago do Batata, que foi utilizado como depósito dos rejeitos do processo da extração mineral por uma década (1979 a 1989). O desastre do Lago do Batata é considerado um dos mais graves acidentes ambientais na Amazônia. Neste momento histórico, a legislação ambiental ganhava forma.
Transbordos das bacias de rejeitos Em Barcarena- Em qualquer canto do mundo, a atividade minerária é indutora de passivos sociais e ambientais. Os acidentes continuaram a acontecer nos anos 2000, na cidade de Barcarena, como o transbordo da bacia de contenção de efluentes da fábrica Albrás e Alunorte. Um registrado em 2004, e o outro em 2009, que feriram de morte o rio Murucupi.
O rejeito do processo químico Bayer, filtra entre outros reagentes danosos à saúde humana, aos furos, igarapés e rios, o óxido de ferro insolúvel, titânio, sódio a sílica.  O produto final é chamado de lama vermelha. Somente em 2010, após seis anos do acidente, a justiça estadual condenou as empresas Alunorte e Albrás a pagar para 15 famílias quatro salários mínimos (por danos materiais) e R$ 30 mil (por danos morais). A sentença foi dada pelo juiz da 1ª Vara da Comarca de Barcarena, Raimundo Santana.
Em visita ao Distrito Industrial é possível visualizar que outras bacias de contenção de rejeitos estão sendo construídas. Isso resulta da saturação das antigas e ampliação da produção da cadeia de alumínio.
A verticalização de parte da produção da cadeia vem sido realizada pela Alubar Metais e Cabos S\A, que produz vergalhões de liga de alumínio para fins elétricos e siderúrgicos desde o início da década.
Produção de Caulim e acidentes- Já a francesa Ymeris opera com Caulim desde 1996. Em 2010, a empresa adquiriu a Pará Pigmentos S.A. (PSSA), que pertencia ao Grupo Vale. Com estrutura duplicada, a mineradora passou a ter a maior planta de beneficiamento de caulim do mundo e 71% de participação na produção de caulim no Brasil.
Em junho de 2007,  os tanques de contenção de rejeitos da empresa transbordaram  e 200 mil m³ de efluentes  tomaram as águas do rio das Cobras, e os igarapés  Cururperé e do Dendê, entre outros. Por conta do acidente, a Semas multou a empresa em R$ 5 milhões.
Em março de 2008, novo vazamento da bacia de rejeitos agravou ainda mais a situação dos moradores da Vila do Conde, que mais uma vez se viram impedidos de usarem os recursos hídricos da região - foram atingidos os igarapés Curuperé, Dendê e São João, além da praia de Vila do Conde e o rio das Cobras. Em 2014 moradores denunciaram outro vazamento. Os acidentes integram o Mapa da Injustiça Ambiental da Fiocruz.
A empresa assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público Estadual (MPE), com mediação do promotor de justiça, Raimundo Moraes. Os valores somados ultrapassam a casa de R$ 5 milhões.
Como medidas compensatórias e indenizatórias pelos danos ambientais e morais coletivos, o MPE, recomendou à mineradora o financiamento do Projeto de Desenvolvimento de Capacidade Social para associações formais ou informais da região atingida para fortalecer a capacidade de organização, planejamento e execução de projetos.
 
O TAC estabeleceu também o financiamento de projeto de educação ambiental sob a responsabilidade da Associação Barcarenense de Educação Ambiental – ABEA, e aquisições de equipamentos necessários ao desempenho de atividades do Instituto de Perícias Científicas Renato Chaves e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Pará.
 
As indenizações também foram dirigidas ao aperfeiçoamento da estrutura do Centro de Saúde da Vila do Conde, município de Barcarena, Associação dos Barraqueiros da Praia, comerciantes de Vila do Conde, amigos da Orla de Itupanema, moradores do Bairro Industrial, e famílias nativas do igarapé Curuperê.
 
Um antigo morador do local, que foi sindicalista, pontua algumas delicadas situações sobre o cenário da ilha. “Não existe controle social sobre os processos que ocorrem na cidade, o estado não possui equipamentos e pessoal qualificado para monitorar a produção e emissão dos rejeitos das grandes empresas. O que ocorre é um faz de conta. As empresas produzem relatórios e as instituições os endossam”, acusa o aposentado, que prefere não se identificar por colecionar processos por conta de denúncias de crimes ambientais que realizou.
Laudos científicos - O Instituto Evandro Chagas e o Departamento de Química da Universidade Federal do Pará (UFPA) produziram documentos sobre os riscos que corre a população. A doutora Simone Pereira, da UFPA, alerta que existe uma série de efluentes cancerígenos a ameaçar os comunitários, como o Cádio, o Btex compostos formado pelos hidrocarbonetos: benzeno, tolueno, etil-benzeno e os xilenos (o-xileno, m-xileno e p-xileno). Além de produzir artigos sobre o tema, a professora têm orientado dissertações e teses. “Os nossos rios viraram receptáculos dos efluentes das grandes empresas”, critica a pesquisadora. 
Enclave conforma a economia do Pará - O extrativismo mineral, o setor de serviços com ênfase no comércio e a administração pública integram o centro da economia do estado. Já na extração vegetal destacam-se a madeira, o açaí e o palmito.
“Em 2014, o Pará foi o sexto estado em exportação no país e o segundo melhor resultado na balança comercial na federação. Minério de ferro e boi vivo concentram as exportações”, apontam dados do Anuário Estatístico de Receitas do Pará de 2014. A exportação de produtos primários de baixo valor agregado para o mercado externo é a base da produção do estado, com efeito limitado sobre emprego e renda.
O mesmo minério que pesa no PIB é responsável por uma renúncia fiscal de 9 bilhões de reais por ano por conta da Lei Kandir (lei complementar federal n.º 87/1996), que desonera as empresas em recolher o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviço (ICMS) dos produtos primários e semielaborados.
Nas terras dos Carajás, a exploração da mina de ferro na Serra Sul, no município de Canaã dos Carajás, sudeste do Pará e a duplicação da ferrovia escrevem mais um capítulo de uma história marcada pelo saque.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Barcarena - ao celebrar o primeiro mês de aniversário do acidente que matou mais de 4 mil bois, distribuição de água e cesta básica não existe mais


Prestes a celebrar o primeiro mês de aniversário do acidente que matou quase cinco cabeças de gado, a população de Barcarena continua desassistida pelas instituições públicas e as empresas responsáveis pela compra e transporte da carga viva na Vila do Conde.

Conforme informações de moradores da Vila do Conde, a distribuição cesta básica e água não existe mais. “O que ainda estavam fazendo era distribuir arroz”, declara um morador da comunidade.

A ação desordenada entre os diferentes atores públicos marcou a ação reativa do Estado em relação ao acidente. Apesar do polo industrial, a cidade não conta com plano de contingência.  Até o acidente com o navio, não existia defesa civil.  

Barcarena, uma ilha industrial, vive sob o signo de risco de grandes acidentes ambientais. Faz uns 10 anos que acidentes de grandes proporções fazem parte da rotina de moradores tradicionais da cidade e vizinhança. 

Grandes corporações do setor de alumínio da cadeia de alumínio controladas pela norueguesa Hidro, o extrativismo do caulim pela a francesa Ymeris, a estadunidense Bunge do setor de grãos e fertilizantes são algumas estrelas da constelação.

Investigações da UFPA e do Instituto Evandro Chagas atestam o comprometimento dos recursos hídricos da cidade por conta da emissão de rejeitos dos processos químicos e dos acidentes com os transbordamentos da bacias dos mesmos em furos, igarapés e rios.  

Há o comprometimento da saúde de trabalhadores, moradores e das populações rurais. As últimas consideradas as mais vulneráveis, posto, que acabam por socializar os prejuízos causados pelos acidentes, que colocam em risco a segurança alimentar.

No Furo do Arrozal, por exemplo, pescadores compartilham os prejuízos por conta do acidente com o gado e outro com as balsas de soja da Bunge.  

Um antigo ativista ambiental analisa que “as instituições públicas responsáveis pela fiscalização e monitoramento do setor de saúde e meio ambiente não possuem estrutura e quadro de pessoas para fiscalizar de forma séria e isenta as grandes empresas que atuam na cidade”.

“Morar aqui é como dormir no pé de um vulcão ativo”, crava um técnico industrial que prefere não se identificar.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

III Chamado da Floresta, mesmo antes do evento o Movimento Tapajós Vivo alertava sobre limites

O Pe Edilberto Sena, Membro do Movimento Tapajós Vivo e coordenador da Comissão Diocesana de Justiça e Paz de Santarém assina o texto abaixo.  
Chamado da Floresta no rio Arapiuns quem ouvirá os clamores?
 
A Comunidade São Pedro fica a oito horas de barco, saindo de Santarém indo pelo rio Arapiuns. É uma das dezenas de comunidades da Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns. De hoje  até amanhã estão reunidos cerca de 2 mil pessoas, vindas de diversas reservas extrativistas da Amazônia. É o terceiro Chamado da Floresta.
 
Se para os participantes que vieram de longe e de perto, o evento parece importante, para outros amazônidas há um certo ceticismo quanto aos resultados de tanto esforço. Segundo um dos lideres locais do Conselho Nacional dos Seringueiros, que promove o evento, esse Chamado da Floresta é um encontro de diálogo interno dos moradores das reservas extrativistas que pretendem fazer várias demandas necessárias para sua sobrevivência. Mas frisou ele que não será um confronto, mas diálogo com os convidados do governo federal.
 
Até ontem havia questionamentos na cidade de Santarém sobre a anunciada vinda da presidente Dilma ao encontro dos povos da floresta. Viria ela ou não? Se viesse, o que diria aos participantes? Além dela estavam confirmadas presenças de quarto ou cinco ministros de  governo, entre outros estariam a ministros, de Minas e Energia, do Meio Ambiente, Ministro das cidades, etc.
 
O Movimento Tapajós Vivo da cidade de Santarém que luta na defesa dos povos e do rio Tapajós, que não foi convidado ao Chamado da Floresta, preparou um manifesto a ser distribuído durante o evento. O organizador local avisou que estava fechada a programação e  não estava incluída  fala do Movimento Tapajós Vivo em público porque o evento era interno só dos extrativistas.
 
No curto e direto manifesto, o Movimento afirma que resistir é preciso custe o que custar. “Não podemos aplaudir a presidente e seus ministros, que continuam insistindo em construir sete hidroelétricas em nosso rio Tapajós”. Continua o manifesto com outra dura crítica – “ com a maior frieza a presidente Dilma assinou a medida provisória 558/2012, reduzindo em 10 mil hectares a área do Parque NACIONAL da  Amazônia e deixando desprotegidas mais de 100 mil hectares de florestas de outras áreas de proteção permanente, tudo isso consciente de que serão áreas inundadas pelas barragens no rio Tapajós”. Se a presidente diz que não abre mão das hidroelétricas no Tapajós, como podem os povos da floresta aplaudir ingenuamente quem trabalha contra eles?
 
O manifesto do Movimento Tapajós vivo conclama os participantes do Chamado da Floresta a unir forças para resistir às violações de seus territórios. Diz a conclamação: “ Não abrimos mão do Tapajós, porque não queremos Povos expulsos de suas terras, nem dinâmica do rio alterada com a perda de várias espécies de peixes  de piracema, não queremos seca do rio abaixo das barragens o ano todo. Presidente Dilma, respeite nossos direitos.
 
Mas não só o Movimento popular Tapajós vivo é cético dos resultados do Chamado da Floresta. Os pescadores artesanais estão revoltados com a recente mudança da lei de salário do defeso. A Colônia dos Pescadores também se manifesta  descrente dos resultados do tal diálogo com o governo. Simplesmente o governo Dilma cancelou o pagamento do salário desemprego durante o defeso, quando os peixes recebiam descanso para desova. Para economizar recurso de seu orçamento o governo despreza os direitos dos pescadores que agora serão obrigados a pescar peixes ovados para sobreviver.
 
Revoltados os pescadores tentam  reverter essa criminosa atitude do governo. Por esse e outros atos de ignorar direitos dos povos da floresta é que a presença da presidente, não só é criticada como certamente ela não virá, pois não escuta o chamado da floresta. Não se trata de oposição política, mas grito de indignação dos povos conscientes da floresta.

domingo, 1 de novembro de 2015

III Chamado da Floresta, afinal de contas, o que foi?


Afinal, o que foi o III Chamado da Floresta, que ocorreu na Resex Tapajós-Arapiuns, no município de Santarém, nos dias 28 e 29 de outubro, organizado pelo CNS, uma grande ação social para assinatura de convênios pelo governo federal com o endosso do capital?

Em tempos de hiperconetividade, não encontrei um documento base ou uma carta final sobre o III Chamado. Alô Chamado. Chamando o Chamado: Existe uma avaliação sobre o grande combate sobre desenvolvimento da Amazônia, em tempos de PEC 215, que objetiva azeitar o controle dos territórios ancestrais por grandes corporações de mineração, monocultivos e construtores de hidrelétricas?

É possível explicar o financiamento do Consórcio Norte Energia, responsável pela construção do mastodonte Belo Monte, ao evento, justo ele, ponta de lança do maior caso – ou case, como preferem especialistas do mercado - de violação dos direitos humanos na Amazônia?

Afinal de contas, você samba de que lado, de lado você quer sambar?  A chapa está quente, e as forças conservadoras ganham musculatura de Norte a Sul do Brasil. Esqueleto assanha sair do armário, vestir o quepe, calçar o coturno e desfilar em avenidas centrais.  

O tempo é sombrio, achacador engessa a República, ruralistas certos da impunidade assassinam indígenas do Maranhão ao Mato Grosso do Sul, enquanto a mídia choca o ovo da serpente e turbina o ódio e o medo.  

O bagulho é doido, e o Planalto endossa o agronegócio ao abraçar a truculenta kátia Abreu, a agilizar financiamentos de grandes obras hidrelétricas, e facilitar licenças ambientais de grandes projetos na região.  
 
Em oposição, no Projeto de Assentamento Lago Grande, em Santarém, por exemplo, a população  reivindica há dez anos o georreferenciamento de seu território, para poder elaborar projetos e acessar financiamentos. O território sofre ameaça da empresa Alcoa, que opera no município de Juruti.  

Ante os meus míopes olhos, o Baixo Amazonas, que abrigou o Chamado, promete ser o que Carajás encarnou no século passado, um cenário de saque de riquezas e violência contra as populações locais.

Este tem sido o papel consagrado à Amazônia, uma grande colônia de matérias primas para os estados mais ricos do país, e dos países ricos da economia mundial. Um grande exportador de commodities, como diria um economista de grande diário em sua coluna matinal.

Interroga-se: tudo é pragmatismo político de segunda classe? Foi-se para as cucuias o caráter pedagógico dos encontros de base? O Chamado foi um encontro de base? Afinal, o que foi III Chamado?

E quem chamou na chincha as “otoridades’ foi Auricelia Arapiuns. Uma mulher. Uma indígena. Uma guerreira. Tinha de ser. Veja AQUI. Saravá!

sábado, 31 de outubro de 2015

Consórcio de Belo Monte patrocina encontro de extrativistas em Santarém




A construção de Belo Monte representa um dos maiores abusos do poder econômico contra as populações consideradas tradicionais da Amazônia na história contemporânea

O processo financiado pelo Estado, espolia e expropria pescadores, agricultores, indígenas e outras modalidades de sociodiversidade do mundo do Xingu.

Fere de morte formas de solidariedade, detona mecanismos de garantia de segurança alimentar, como a pesca, a agricultura e inúmeras formas de extrativismos e culturas locais.

Belo Monte encarna a mais brutal e violenta ação contra as populações indígenas, como tem alertado a professora Sônia Magalhães, entre outros intelectuais que acompanham o caso.  

Autoritarismo é a principal marca do projeto, que chegou a contar com a Força de Segurança Nacional para coagir mobilizações contra a Norte Energia, consórcio responsável por Belo Monte.

É justo com esse segmento que o Conselho Nacional de Seringueiros (CNS) resolveu fazer par para garantir a realização do III Chamado da Floresta, na reserva do Tapajós Arapiuns, no município de Santarém.  Região, como o Xingu, igualmente ameaçada pela sanha do grande capital do setor de mineração e de construção de barragens.

Com o presente ato o CNS joga para a vala da história o caráter combativo da defesa dos territórios das populações originárias, que deu origem à instituição no século passado.

Será que se faz necessário a realização de um empate contra o CNS por declinar de sua representativa e histórica jornada?

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Caminhando pelos mortos, caminhando pela vida


Livro aborda a resistência na luta pela terra no sudeste do Pará
 
A noite do dia 31, na Biblioteca Antônio Lobo, às 19, na cidade de Marabá ocorre o lançamento da obra Caminhando pelos mortos, caminhando pela vida: conflitos, romarias e santidade no sudeste paraense. O livro que resulta de dissertação de mestrado defendida em 2012, na Universidade Severino Sombra, pela professora da rede pública Osnera Silva Viera, a capixaba filha de uma mineira com um baiano é historiadora.
O livro publicado pela Paco Editoral, do Rio de Janeiro, ilumina a luta pela terra nas regiões a partir da ação de resistência de duas romarias. A primeira em memória da execução e duas crianças – Elizabeth e Elineuza, no município de Goianésia do Pará, - Romaria da Libertação – e outra em reverência a ação junto aos camponeses da irmã Adelaide Molinari, executada no município de Eldorado do Carajás, quando o intento é a morte do dirigente sindical Arnaldo- a Caminhada Irmã Adelaide.    
 
São conhecidas internacionalmente as chacinas contra a família Canuto, o dirigente sindical Expedito Ribeiro, caso da fazenda Ubá, caso Cuxiú, caso da Fazenda Princesa Afinal, um rosário sem fim de execuções de dirigentes camponeses, assessores, ativistas, advogados e mesmo de crianças e religiosos. Muitos, migrantes de outras terras em busca de dias melhores.
Neste ambiente o livro de Vieira traça valiosa contribuição sobre a atuação de parcela da Igreja Católica atrelada às suas lutas sociais a partir da Teologia da Libertação na Amazônia, na formação de sindicatos e associações ativas na luta pela terra.
O sul e o sudeste do Pará representam um capítulo à parte na luta pela terra no Brasil, em particular no contexto do estado de exceção e da integração econômica da Amazônia ao centro-sul do país.  As políticas fomentadas a partir dos polos de integração da madeira, pecuária e minério consagraram as regiões como as mais violentas do país, com ênfase nos anos 1980.
 
Serviço
Lançamento do livro: Caminhando pelos mortos, caminhando pela vida: conflitos, romarias e santidade no sudeste paraense
Biblioteca Antônio Lobo – Marabá
Hora: 19h
Contato – Nira Pinto – (94) 99156 1685

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Tailândia - relato de viagem

O calor cozinha a carapaça cansada. O ar não funciona. 260 quilômetros separam Tailândia da capital do Pará. A viagem vai durar cinco horas no micro ônibus com capacidade de umas 20 pessoas.

Madeira, carvão e pimenta do reino dominaram a economia da região. Em 2008 por conta de ações do Ibama a cidade virou praça de guerra. Atualmente, no percurso via a PA 150, predomina o monocultivo do dendê da Vale.

O motorista, um cabeludo ao estilo vocalista de banda grunge, sabe o horário e locais onde apanhar os operários do monocultivo, que tem como objetivo a geração de biodiesel.

Além dos operários, funcionários da educação formam a clientela do transporte. Uma senhora de meia idade bem apessoada é a cobradora. É ela que atende o celular e garante a fidelidade de usuários diários. Sabe o nome de todos.
 
A falta de ar obriga que as janelas fiquem abertas. A poeira e a fumaça de queimadas acompanham boa parte da viagem. Não há rádio ou TV. É a prosa que acode para tomar o tempo.

Senhores hegemonizam a dianteira do carro. A maioria é evangélico. O papo corre solto. Fala-se sobre tudo: economia, politica, região, saúde e ecologia.  O Papão joga às 19h contra o Ceará.

A crise é a pauta. Sobram xingamentos contra o governo. Sobre os desastres naturais buscam no apocalipse a explicação. “É preciso se ligar no movimento. Atenção na palavra do senhor” crava um dos senhores.  “Tudo tende a piorar”, emenda outro. Eles comentam sobre tsunamis, terremotos, seca....

Falam ainda do tempo de antigamente, quando não se usava tanto remédio para a criação dos animais. Associam o câncer ao uso excessivo de aditivos de engorda e crescimento de galinhas e do gado. Comentam ainda o cultivo de roças, quando tratavam algumas culturas com remédio feito a partir do fumo de rolo. Fico feliz pela consciência ambiental dos coroas.  
 
Antes de um acidente com uma balsa de uma empresa que presta serviço para a Vale derrubar parte da ponte sobre o rio Guamá, perto da cidade de Mojú, a viagem era realizada em três horas. O calor incomoda. Apesar disso, consigo dormir. Quando há sinal de internet, ouço Flores de Amsterdam, de Lui Coimbra.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Anapú - 10ª Romaria da Floresta mantém viva luta de Dorothy Stang

A romaria dura quatro dias, e percorre 55 quilômetros na região
 
A romaria que espera aglutinar umas 500 pessoas, ocorre entre 23 a 26 de julho, no município de Anapú, oeste do Pará celebra a memória de luta da missionária e agente pastoral Dorothy Stang, executada por pistoleiros no dia 12 fevereiro de 2005.  
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a comunidade de Santo Antônio do Capim, do Projeto de Assentamento Esperança são os principais animadores do ato político-religioso. Dorothy trabalhou na CPT, instituição da Igreja Católica que defende a reforma agrária.  A missionária Dorothy Stang militou na pastoral entre 1972 a fevereiro de 2005.  
 
A caminhada de quatro dias vai percorrer 55 quilômetros a partir do Centro de Formação São Rafael, na sede do município, e segue até o PDS Esperança. Celebrações serão realizadas durante o percurso, que terá paradas noturnas para repouso.  

As secretarias de transporte e de saúde da prefeitura darão apoio aos romeiros. O ato é realizado no meio do ano por conta do inverno amazônico. Mas, estranhamente em toda romaria chove, informa um agente da coordenação.

Memória - A execução de Dorothy Stang ocorreu em fevereiro de 2005. A agente pastoral defendia lavradores da Amazônia e a floresta. Vitalmiro de Bastos, conhecido por “Bida” e Regivaldo Galvão, vulgo “Taradão” foram os fazendeiros acusados da encomenda da morte.  Todos estão soltos.

Recentemente o primeiro foi flagrado pela polícia portando arma de fogo na região. Ele chegou a ser condenado a 30 anos de cadeia. Seis tiros de revólver calibre 38 desferidos pelos pistoleiros  Rayfran das Neves Sales, o "Fogoió", e Clodoaldo Carlos Batista, o "Eduardo” mataram a ativista. Amair Feijoki da Cunha conhecido como “Tato” foi o mediador.



Após a execução da religiosa a área em disputa foi reconhecida como Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS), uma inovação em assentamento rural na Amazônia. No entanto, a pressão de madeireiros ilegais se mantém na região.

 
Texto produzido por Aline Ramalho – assentada do PDS Esperança -- Anapú - durante encontro de Formação do Curso Formar Florestal, realizado em Itaituba, no fim de maior e começo de junho. O Formar é uma iniciativa do Instituto de Educação (IEB) e o IFPA - Campus Castanhal

terça-feira, 14 de julho de 2015

Fé no Canto – jovens artistas lançam CD autoral em Marabá

O disco resulta de projeto premiado em projeto de extensão da Unifesspa

 


Foto: Nelson Jean
 
 
 
 

10 canções de jovens autores dão corpo ao CD Fé no Canto, que será lançado no dia 17, às 20h, no Cine Marrocos, na Velha Marabá. O disco é fruto de projeto da hoje socióloga Jane Martins, aprovado junto à Pró-reitoria de Extensão da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), por meio do Edital nº 0/2014.
 
A ideia central da iniciativa é valorizar a produção autoral de jovens talentos da cidade irrigada pelos rios Tocantins e Itacaiunas.  Além da autora do projeto, assinam as composições e as interpretam os artistas Marcelo Melo, Áyla Marques, Diego Aquino e Lariza Xavier.

As músicas trazem em suas letras e arranjos elementos identitários da região amazônica. O álbum foi gravado no Studio Calango em Marabá, e reproduzido por Klara CD’s, na Bahia e contou com a produção musical de Itair Rodrigues.

Martins declara-se contente com o resultado final. “Fiquei muito feliz com o resultado e o trabalho desenvolvido não só dos interpretes e compositores, mas também com os músicos da banda base (Edu Hilário, Guedinho, Itair, Marcelo Melo, Welberth Brás e Walisson) e o empenho do produtor, que fez um trabalho com profissionalismo e afeto.

Para a autora o CD cria um canal para divulgação dos trabalhos produzidos no sudeste paraense, uma região estigmatizada pela violência. “Temos várias identidades na região marcada pela migração, que combina inúmeras culturas, cores e anseios que devem ser potencializados e levados ao mundo” arremata.

SERVÇO
Lançamento do CD Fé no Canto
Cine Marrocos
Dia 17
Horário: 20h
Ingressos disponíveis na Casa do Livro, Campus I da UNIFESSPA e no dia lançamento.


Set list:
1ª “Meu Morenin” – Lariza Xavier (Lariza Xavier)
2ª “Maria Mãe de Amor” – Áyla Marques (Áyla Marques)
3ª “Blues do Sabiá” – Diego Aquino (Diego Aquino)
4ª “Singrador” – Jane Martins (Clauber Martins)
5ª “Vida Que Morre” - Lariza Xavier (Lariza Xavier)
6ª “Canção da Alma” - Áyla Marques (Áyla Marques)
7ª “Pedra Palmares” – Jane Martins (Milton Rocha)
8ª “Boi Curupira” – Marcelo Melo (Marcelo Melo)
9ª “Prece a Oyá” – Diego Aquino (Diego Aquino)
10ª “A Floresta” – Todos (João José Gomes)

Perfil dos artistas
Jane Martins (Musico e Cientista Social pela UNIFESSPA)
Marcelo Melo (Musico e Mestre pela UNIFESSPA)
Áyla Marques (Musico e Bacharel em Direito pela UNIFESSPA)
Diego Aquino (Musico e Graduando de Ciências Sociais pela UNIFESSPA)
Lariza Xavier (Musico e Graduanda de Letras pela UNIFESSPA)