quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Lamparina - boletim do STTR de Santarém volta a circular


2ª edição trata da Assembleia Geral, eleição e cadastro ambiental em terra quilombola

Lamparina é um instrumento rústico usado para iluminação em zonas rurais país a fora.  É feito de lata ou zinco. Um pano (pavio ou morrão)  serve de recurso para acender o fogo. O querosene é utilizado como combustível. Ainda hoje é encontrado nos sertões do Brasil.

Lamparina nomeia o boletim informativo do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras  Rurais (STR) do município de Santarém, região do Baixo Amazonas, irrigada pelos rios-mar Tapajós e Amazonas, principais vias de deslocamento de pessoas e produtos. Além dos rios a BR 163 conecta o oeste paraense ao Centro Oeste do país.

A rodovia criada no regime militar é a estratégica para o escoamento da monocultura da soja.  A produção tem pressionada áreas definidas como projetos de assentamentos e unidades de conservação. Santarém, Belterra, Itaituba e Mojuí são os municípios mais impactados.

Barcos grandes,  aqueles em que as pessoas viajam em redes, constituem a principal forma de transporte. Eles realizam viagens para as cidades vizinhas do próprio Pará: Óbidos, Alenquer, Juruti, Itaituba, Belém; e para as capitais de estados fronteiriços: Manaus e Macapá. 

Lamparina –

O impresso existe desde a década de 1980. Nasceu para registrar as lutas populares dos trabalhadores da região, e servir de mecanismo de formação política. Jaime Cunha Mendes diretor do STR conta que um documentário homônimo ao boletim iluminou sobre a necessidade de criação de veiculação de comunicação dos trabalhadores\as. O filme tratava da luta sindical contra os pelegos.   

O jornal é tributário da memória de luta pela terra na região. Este ano ele voltou a ser editado. Em setembro saiu a edição de número 02. Ela é composta de seis páginas impressas em policromia, formato A4. 

Na página principal do boletim o editorial alerta para o ano eleitoral, e a necessidade de zelo na hora de escolher dos representantes políticos. A mesma página anuncia a entrega do certificado do Cadastro Ambiental Rural (CAR), em comunidades quilombolas do Baixo Amazonas. Conforme a matéria, trata-se da primeira experiência em área remanescente de quilombo do Brasil.

As demais páginas informam a participação do STTR no Encontro Nacional de Agroecologia, ocorrido em maio, em Juazeiro, na Bahia; o seminário da juventude rural, onde entre outros assuntos foi tratado o protagonismo juvenil, educação e políticas públicas.   

A edição de número nº 02 ilumina ainda que em março o STTR realizou uma assembleia geral extraordinária. A mesma serviu para a apresentação de prestação de contas, eleição de delegados, e a posse da nova diretoria da Casa Família Rural (CFR),  e esclarecimentos sobre as linhas de crédito do Banco da Amazônia.

 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Marabá- pequeno relato sobre o trecho

Dilma é branca. Usa óculos. É esguia. Tem pernas finas. É desprovida de bunda, no entanto é dona de um protuberante bucho. Parece ser de cerveja. Há 30 anos peleja com bar. O atual tem proteção divina. Fica defronte da Igreja Sagrada Coração de Jesus, na Feira da Folha 28, em Marabá.

O logradouro não tem água há mais de um mês.  Neste período do ano o sol é inclemente.  As nuvens de poeira fazem par com as de fumaça das queimadas rurais e urbanas. A sensação é de 40º.

Quatro mesas tomam a calçada do bar de Dilma. Além de cerveja a comerciante vende comida. Panelada é o prato principal.  Influência nordestina. Em particular do Maranhão.  

Ali aposentados, apontadores do jogo de bicho e outros habituês dão vida ao local. A proprietária é econômica com as palavras.  Muda de expressão ao receber um telefonema que informa da morte do filho de uma amiga. O garoto de 20 e poucos anos enfrentava a morte após um acidente de moto.

O cavalo ferro é o principal veículo usado na cidade. Somente de moto-taxistas legais são 700.  

O clima árido coaduna-se com o aspecto rude de uma cidade erguida sob a violência de grandes projetos, e a corrida por riqueza fácil em inúmeros garimpos em tempos de ditadura.

Um carro com som automotivo toma o lugar. O repertório ao ritmo de seresta desfila clássicos do trecho: Bartô Galeno, Alípio Martins, Raimundo Soldado e outras canções antigas que retratam a dor de cotovelo. Soa que o sofrimento pela perda da mulher amada ou a distância da família e da terra natal integra o DNA da fronteira. Melancolia em elevado grau de concentração.

Uns seis bebuns compartilham pinga e sobras de comida. Dançam. Celebram a vida e a morte. Um faz performance em atirar em pessoas: Pa! Pa! Pa!  Cai na gargalhada. Festeja.

Tempo de eleição. A caminhada do ex prefeito que disputa assento no legislativo estadual  recua. É persona non grato entre os feirantes. Uma negra magra buchuda comercializa churrasco de gato.  Brinca com consumidores e comerciantes. Divide espetos com os vizinhos.

O sol avança sobre a empresa de Dilma.  Sem cerimônias, um senhor que estava na mesa da frente ocupa uma cadeira no local em que estou. Não existe constrangimento. Bom dia é um luxo. Ironizo: “o senhor já tem 60 anos?” Ele confirma que sim.   Brinco: “então pode tudo’.

Não tarda mais duas pessoas tomam as cadeiras que estavam vazias. Prosam. Fazem pilhéria. Arquitetam uma fraude no SUS para facilitar uma operação de hérnia de um amigo goiano. Sob o sol escaldante de uma tarde a cerveja corre solta. É tempo de praia.  Um dos ocupantes é dono de barco.

Outro sugere uma suruba fluvial: tem umas meninas ai pra gente levar para passear. Como tá o barco? “que tal a gente fazer no dia das crianças, em outubro, quando celebro o meu aniversário?”

Sem despedidas, pago a conta e pego o beco.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Mundo do açaí - esquálidos apontamentos


Junho. Tempo de copa. O Nordeste em festa. É verão na Amazônia. Ainda assim chove. É entressafra do açaí. O produto de caboclos virou coqueluche em academias de abonados nas principais praças do país, e mesmo em escala mundial, entre os surfistas da Califórnia.

Aqui o comum é consumir após o almoço para dormir. Lá é tido como energético. Aqui, charque, camarão, peixe frito e tapioca fazem par com a iguaria. Lá, cereais e banana.  Açaí agora é marca. Como analisam os sabidos, foi ressignificado. Antes fonte de proteína de pobres, hoje, parada de descolado.

No dito mundo globalizado, pós um monte de coisas, a principal rede de TV do país já escalou em uma de suas telenovelas uma barraca de açaí em praia do Rio.  O Pará agora é moda. “Novos” expedicionários não cessam de brotar no cais.  A redescobrir um mundo tantas vezes saqueado.

É tempo de entressafra. Em Belém o litro do açaí grosso é comercializado a uns R$20,00. Desde muito tempo, vendedores adensam o produto com farinha de tapioca e corante. E mesmo com papel, como tem atestado a vigilância sanitária nas periferias da cidade.

Os negociantes da Feira do Açaí, um espaço dentro do complexo Ver o Peso, informam que nesta época o açaí consumido em Belém é proveniente do Amapá. Vem congelado. As vezes ocorre perda por conta disso.

Mas, quem consome o produto em Belém ou em outras praças, não calcula que a cadeia produtiva engendra a super exploração do trabalho de ribeirinhos, num contexto marcado pela apropriação de terras públicas por coronéis. E mesmo por gente que conhece a letra da lei, como ocorre entre Cachoeira do Arari e Ponta de Pedras, e na cidade suspensa de Afuá, região fronteiriça com o Amapá, apenas para pontuar algumas.

Existem fábricas na região metropolitana de Belém. Elas verticalizam a produção transformando o fruto em polpa, que é comercializada com agregação de valor para os estado do Sul e Sudeste. Não raro. as mesmas famílias que são “donas” das terras controlarem as fábricas.  

Quem faz o trabalho pesado mora em casa de madeira. Na maioria das vezes sem os serviços básicos: energia e água encanada, por exemplo. Pensar em saneamento é heresia. O lixo flutua entre nascentes, igarapés, furos e rios. Não há nada de bucólico nos rios marajoaras povoados de lixo. E a maioria das pessoas fora da região, não imagina que lá existe mais que búfalos, como é comum a ênfase nas lentes dos comerciais.

No complexo xadrez do mundo do açaí, algumas famílias se apropriam de faixas de terras. A divisão do território é realizada a partir de marcos geográficos da região. Furos por exemplo. E as vezes, o sobrenome da família acaba por nomear o lugar.  

O extrativista é o responsável pelo manejo e coleta do fruto, e repassa o produto ao “dono” da terra, que também é o dono do barco, e que possui agente que negocia a safra no Porto do Açaí ou no Porto da Palha, no bairro do Guamá.  O que lhe cabe neste jogo desigual depende do poder do patrão. Tudo é feito fora da lei. Não existe relação trabalhista.
Após anos de labuta, aquele que perde a força para o trabalho é convidado a sair da área sem nenhuma compensação. E os que questionam a relação são expulsos por jagunços, espancados e ameaçados. E pasmem, colocados sob as barras da lei. Em terra de coronel, polícia e justiça estão a seus préstimos. E não se fala mais nisso.  

Quem consome o açaí aqui, não sabe do duro mundo do Marajó, a mais empobrecida região do Pará.  

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Nas terras dos Carajás - O futuro de Cauã - reflexão de Jorge Néri sobre a desigualdade na Ferrovia de Carajás

 

O futuro de Cauã
-Uma reflexão as margens da Ferrovia Ferro Carajás-

Estamos acostumados a escutar estórias em roda de amigos, em prosas que referem-se ao dia a dia de nossas comunidades, cidades, regiões. Penso que deve ser assim em qualquer parte do pais e do mundo, pois mesmo com internet - e suas inumeráveis ferramentas e aplicativos - homens e mulheres ainda utilizam as rodas de conversa pra trocar ideias, protestar, planejar, reclamar ou ainda alimentarem-se de sonhos de que a intervenção humana pode alterar as coisas...para melhor.

Nesses dias, onde as reuniões partidárias já não movimentam nenhuma nobre causa à qual possamos dedicar um gota qualquer de sacrifício, e os monólogos intermináveis causam sono e irritação, Chicão fez ressuscitar a minha já moribunda fé na dimensão humana. Com sua fala marcada por uma indignação frente a tudo que é injusto, ele descreveu que quando passava por uma das pequenas cidades por onde cruzam os trens da Vale, sua filha, ao ver meninos trepados aos bandos nos trem, a vender bugigangas, lembrou de um outro menino, aparentado seu...e quis chorar...

Chicão disse que perguntou a filha porquê de tal comoção. Ela disse: Será que esse vai ser o futuro de Cauã? O dê  - como aqueles meninos - ter como marca da infância a disputa da sobrevivência vendendo amendoim, “geladin” ou um “bandeco” as beiras da ferrovia?

Já não lembro qual fora a resposta do pai, assim como não sei nome da cidadezinha descrita por ele. Mas sei quantas cidadezinhas se parecem com aquela, localizadas no entorno da Ferrovia Ferro Carajás. Não conheço Cauã, mas minha memória não esquece das centenas e centenas de rostos que poderiam ser de Cauã, subindo e descendo dos trens ao longo da ferrovia que liga as minas da Serras de Carajás ao porto de São Luiz do Maranhão.

Nada mais indignante pode ser visto a olho nu, em pleno século XXI, as margens da ferrovia que alimenta com fabulas bilionárias a maior empresa mineral do País. É só olhar pelas janela do trem. Quantas escolas, posto de saúde, praças, podem ser vistas...quantas casas construídas com algum nível de conforto...quantos sorrisos - quando há - que expressem dentição completa. Quantas mulheres com expressão que não seja a do sofrimento e mesmo de uma certa quantidade de vergonha, por estarem na parte de fora de um trem que leva riqueza para poucos e socializa miséria e pobreza para muitos.

O Maranhão que conheço, padece - assim como seu estado irmão, o Pará - de umas das mais brutais e odiosas formas de saque de suas riquezas minerais. Padece da mais desumana forma de espoliação dos tempos modernos. Os indicadores sempre marcados por recordes de produtividade e lucros da Vale, se cruzam com os piores indicadores de desenvolvimento humano. Basta ver desde os números do IBGE aos registro de óbitos de qualquer cemitério de Imperatriz, Marabá ou Parauapebas.

A Vale - mega empresa minerária que a 30 anos, se estabeleceu como senhora de todas as riquezas dessas terras - gasta mais em publicidade arrotando sustentabilidade ambiental e social, do que com o mínimo de formas compensatórias que tire do obscurantismo e da pobreza milhões de patrícios nossos. Irmãos da mesma classe condenados a miséria social, pena secular a que estão submetidas pela “sagrada aliança” entre interesses das transnacionais e as oligarquias atrasadas e reacionárias do campo que, desde o tempo das capitanias hereditárias, oprimem nosso povo e criam obstáculos para o despertar da Nação.

E me vem à mente balaios e cabanos de outrora. Quanta dignidade e rebeldia sepultadas. Quanto futuro enterrado sob destroços dos bombardeios do senhores da terra, dos senhores da guerra, dos senhores da hipocrisia que espalham-se por outdoors e cartazes num riso cínico e amarelo, para dizer que na esteira das ferrovias virá o progresso e a salvação dos “miseráveis, bárbaros e selvagens” que não conhecem nada e nada tem, a não ser o futuro com cara da opressão de passado colonial. O futuro que não queremos.

 Quem sabe se nosso futuro não seja justamente a de nosso passado anticolonial, como um balaio diverso de possibilidades entre as cabanas que margeiam as laterais da estrada de ferro, que liga a montanha que se desfaz é o mar. Mar que sempre nós leva riquezas e que jamais nos trouxe sinal algum de emancipação.

Qual o futuro de Cauã? Espero que o da estória de Chicão tenha um destino que fuja a regra, porque sei que para os de milhares de Cauãs, será a secular condenação à exclusão. Cauã não terá escola de qualidade. Não terá assistência médica. Não terá acesso a emprego nem renda. Nem direito a habitação digna. Será aquele que não terá o direito de atravessar os trilhos para outro rumo que não seja aquele já definidos pelos ricos. Ou ainda seguir aquele caminho, dos tantos, que levam para o lado de dentro do Presidio de Pedrinhas...porque lá estão os bandidos pobres que vieram de todas as vias que chegam a capital. Lá onde não estão os ladrões ricos, porque estes estão nos assentos de Governo, por trás das togas do judiciário e sob os paletós engravatados dos parlamentares que roubam milhões do dinheiro público, e por isso matam, a sangue frio, o futuro de crianças parecidas com Cauã.

Mas minha já ressuscitada fé na humanidade, me faz crer, que nas trilhas que levam nossas riquezas para outros cantos do planeta, há de nascer resistência e consciência, que se levante com cara de quilombola, índio, camponês operário, estudante, Sem Terra, mulher, homem...armados ou não, para a redenção de séculos de dominação e opressão.
Monção se levanta…o trem passa outra vez. Já sei contar quantos.
Amanhã Cauã não vai correr rumo ao trem.
Palmares/Parauapebas,13 de maio de 2014
J.Neri

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Carajás - 1.200 famílias do MST ocupam fazendas


Cerca de 1200 famílias organizadas pelo MST no Pará ocuparam a fazenda Santa Tereza do empresário Rafael Saldanha e a Fazenda Cosipar na tarde deste domingo (08-06) em Marabá.

O movimento alega que ambas as áreas são terras públicas e improdutivas, além de incidirem de maneira proibida contra os castanhais da região.

Na fazenda Cosipar, existe apenas plantação de eucalipto. Já a fazenda da família Saldanha, criação de gado.

 No momento as famílias organizam os tradicionais barracos.Na segunda feira, uma comissão de negociação do acampamento irá até o Incra de Marabá para pressionar o órgão para elaboração de um laudo sobre as áreas.

"A lei é clara:terra improdutiva, grilada, com crime ambiental, tem que ser destinada para reforma agrária, por isso os trabalhadores ocuparam", define Tito Moura da coordenação nacional do MST.
O acampamento foi batizado com o nome do ex presidente da Venezuela, Hugo Chavez.

Crédito das fotos:Nieves Rodrigues

Mais informações:
Márcio Zonta
Assessoria de Imprensa MST
94-91082963

Maria Raimunda
94-9176036

Ayala
94-9116-1739

sábado, 7 de junho de 2014

Estudantes do curso de Manejo Florestal Comunitário refletem sobre a importância da comunicação no debate sobre meio ambiente

Comunicadores da Rádio Rural de Santarém fizeram o diálogo com os participantes do curso

 
O rádio como ferramenta de comunicação foi o tema debatido na tarde de hoje,7, no II módulo do Curso de Manejo Florestal Comunitário, que ocorre na sede da Cooperativa Mista da Floresta Nacional do Tapajós (Coomflona), no km 83, da BR 163, no município de Belterra.

Os educadores Rogério Almeida, Leiria Rodrigues e Everaldo Cordeiro, foram os animadores do diálogo. 21 educandos provenientes de sete municípios do Baixo Amazonas participam da formação. Almeida é jornalista em Belém, já Rodrigues e Cordeiro são comunicadores da Rádio Rural de Santarém.

O curso que iniciou no dia seis e se encerra no dia 11, é uma iniciativa Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e do Instituto Federal do Pará (IFPA), campus de Castanhal.

O debate sobre comunicação fecha amanhã. As atividades sobre práticas de manejo serão coordenadas pela professora Roberta Coelho, do campus do IFPA de Castanhal até quarta feira, dia 11.   

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Na semana do meio ambiente Baixo Amazonas realiza II Módulo do Curso de Manejo Florestal Comunitário


IEB e IFPA de Castanhal são os responsáveis pela iniciativa
Rogério Almeida - da Flona Tapajós

A Floresta Nacional do Tapajós abriga desde a manhã de hoje, 06, sexta feria, o II módulo do curso de formação em Manejo Florestal Comunitário, que ocorre no município de Belterra, Baixo Amazonas.  

O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e o Instituto Federal do Pará (IFPA), campus de Castanhal são os responsáveis pela iniciativa.

21 educandos dos municípios da região, entre eles, Juruti, Rurópolis, Trairão, Belterra, Santarém e Itaituba debaterão até o dia 11 temas que passam por comunicação a práticas de manejo.   


O módulo ocorre no espaço da Cooperativa Mista da Floresta Nacional do Tapajós (Coomflona), onde professores e educandos estão abrigados.  A Coomflona trabalha com manejo de recursos madeireiros e não madeireiros. Parte da produção é comercializada em uma loja própria no município de Santarém.  
Baixo Amazonas

A região é um dos eixos de integração econômica das macros políticas do governo federal, que tendem a pressionar as unidades de conservação já definidas.

Incrementar o modal de transporte (rodovia, hidrovia) para escoar a soja do Centro Oeste do país, instalação de hidrelétricas, ampliação da fronteira agrícola tendem a pressionar além das UCs, territórios indígenas e projetos de assentamentos.  

Na fauna de atores sociais que disputam uso da terra e recursos naturais constam: sojeiros, madeireiros, garimpeiros, populações indígenas, extrativistas, pecuaristas, agricultores, mineradoras, agricultores, etc.

Unidades de conservação

Entre as unidades de unidades de conservação constam, divididas nas Florestas Nacional ou Estadual de Trairão, do Amaná, do Crepori, do Iriri e do Jamanxim e Itaituba I e II; os parques Nacional ou Estadual do Jamanxim e do Rio Novo; e a Área de Proteção Ambiental Tapajós.

Estas reservas ocupam áreas nos municípios de Jacareacanga, Novo Progresso, Trairão, Itaituba, Rurópolis e Altamira, todos localizados no Pará, que corresponde a mais de 60%  do território da região.

Expansão da soja é a principal ameaça sobre as áreas de preservação. Neste sentido o asfaltamento da BR-163 é fundamental para o escoamento da produção do grão. Além do porto da Cargil em Santarém, moradores informam que a empresa Bunge finaliza a construção do porto em Itaituba.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Cenas de Belém


13h.  Sol a cozinhar a carapaça cansada.  Faz 40º na sombra. Um jovem cruza a Av. Conselheiro de moletom. Capuz sobre a cabeça.  Depois eu é que sou o maluco.

Daqui a pouco a chuva precipita. O ponto de busão não tem proteção.  Apanho um livro de Mia Couto para presentear uma pessoa especial.

Almoço no terminal rodoviário. Sempre no mesmo lugar. Sempre o mesmo prato: peixe. Um calor segue infernal. A cerva no boteco do Bigode socorre.  Um mala puxa papo.  Tenho ima para malas.  

Ele já soma umas seis garrafas sob a mesa. Bebe com uma prostituta mulata. Ela tem as marcas da noite na face: olheiras e uma baita cicatriz do lado esquerdo do rosto. E outra no queixo.

Não estou afins de papo. Pago a conta. No quiosque da rodoviária latinhas de cerveja. Mesmo canto, mesmo banco, mesmas atendentes. Coisa de velho.

Seu Catiá  cruza o passeio. Tem uns 80 anos. É ás no violão sete cordas. Todo fim de semana baixa no Gilson. Tem fama de mal humorado.

Fico preso por conta da chuva. Perco a soneca pós rango. Quando a chuva se esvai a tarde já caminha para o fim. Um casal de idosos procura o ponto de ônibus. Desfilam de mãos dadas. Ambos com a cabeça branca. Parecem recém enamorados. Morro de inveja.
Décimos, frações de segundos, porções de instantes, coisas desimportantes......

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Quilombolas do Marajó pressionam INCRA por reconhecimento de território

 
Perto de 20 quilombolas provenientes dos rios Arari e Gurupá pressionam direção do INCRA pelo reconhecimento de seus territórios.
 
Desde 2009 eles aguardam pela finalização do processo de reconhecimento do território pelo instituto. No dia 29, quinta feira, a partir das 9h, na sede do INCRA, em Belém, ocorre uma audiência sobre o assunto. 
 
A região do Marajó fica no município de Cachoeira do Arari, marcada pela pressão de fazendeiros por conta da produção de açaí. Lalor, uma das lideranças mais ativas pelo reconhecimento das terras foi assassinada em Belém em agosto do ano passado.
 
Familiares e amigos julgam que foi emboscada realizada por fazendeiros da região, apesar da morte ter sido considerada como caso passional pelas autoridades policiais. 
 
Os ativistas convidaram o Procurador da República Felício Pontes Junior e o professor Dr. Girolano Treccani, uma autoridade em direito fundiário para acompanhar a audiência.
 
Grilagem de terras, trabalho escravo, violência contra as comunidades locais, conivência ou aparelhamento da polícia por fazendeiros integram a cadeia produtiva do açaí em alguns municípios do Marajó.
 
Mais informações -
Rosa Acevedo - 3229 4478  e  8043 6400

terça-feira, 20 de maio de 2014

Ao pôr do sol no Tapajós

13 bombas enfeitam a orla da cidade de Santarém. Elas possuem a missão de colocar a água do rio Tapajós de volta ao local de origem. O comércio fica ali perto. Nele os proprietários improvisam passarelas de madeira. Ao molde de palafitas, saca?
Os mosquitos fazem festa em lojas e lanchonetes. Árdua tarefa tomar uma cerveja. Em alguns trechos é possível o deslocamento de carros. As 13 bombas ao longo do rio soam obra de vanguarda, fosse uma instalação da bienal em Sampa seria ovacionado o autor. Genial, exclamariam os especialistas.
Musgos  proliferam em poças de água. É bonito ver o pessoal pescando sob o céu cor de rosa de fim de tarde, enquanto outros caminham. O rio é a vida do lugar. Nesta época  do ano a noite demora a chegar. É mais de 19h, e o dia arde. Urubus, gaivotas e andorinhas em revoada.
 
Aborrecentes fazem algazarra. Como a gente é barulhento nesta fase.  Despeço-me do rio. Atravesso a avenida. Uma poça de água aqui. Outra ali. E ao fundo a música das bombas brigando com água do belo Tapajós, prestes a ser ferido de morte por um monte de barragens.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Caso "Dezinho" - Fazendeiro vai a julgamento no dia 29, em Belém


 
O fazendeiro e madeireiro Décio José Barroso Nunes, o Delsão, acusado de ser o mandante principal do assassinato do sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho, crime ocorrido em Rondon do Pará no dia 21 de novembro de 2000, vai a júri popular no próximo dia 29, em Belém do Pará. O julgamento foi transferido da comarca do Rondon para a comarca de Belém, por decisão do Tribunal de Justiça, em razão do poder econômico e político de Delsão na região, o que poderia influenciar na decisão dos jurados.

              

Delsão, ao longo dos anos, se apropriou de quase 150 mil hectares de terra no município, onde possui inúmeras serrarias e fornos de fabricação de carvão. Quase totalidade das terras que ocupa, são terras públicas federais e estaduais, no entanto, nem o INCRA e nem o ITERPA tem adotado qualquer medida para a arrecadação dessas terras. Em sua atividade sindical na década de 90, Dezinho apoiou várias ocupações de famílias sem terra em fazendas próximas às fazendas de Delsão, denunciou a prática de trabalho escravo em suas fazendas e a apropriação ilegal de terras públicas por parte do fazendeiro e madeireiro.

 

No processo de investigação da morte de Dezinho, a polícia chegou a uma testemunha que era irmã de um dos principais pistoleiros de Delsão, de nome Pedro. Relatou a testemunha que, incomodado pela ação do sindicalista, Delsão teria encomendado o assassinato de Dezinho a Pedro, no entanto, o pistoleiro, antes da execução, comentou o fato com seu irmão. Ocorre que o irmão do pistoleiro conhecia Dezinho e fazia parte de um dos acampamentos de sem terra, organizado pelo sindicalista. Dezinho foi então avisado da empreitada criminosa. Poucos dias após, o pistoleiro Pedro foi assassinado em Rondon. Suspeita-se que, a razão de sua morte foi porque falou demais e sabia muito. A testemunha relatou ainda para a polícia que o pistoleiro Pedro praticou vários assassinatos em Rondon a mando de Delsão.

              

Poucos dias após o assassinato do pistoleiro Pedro, o Sindicalista foi assassinado por outro pistoleiro de nome Welingoton de Jesus Silva. Welington foi preso em flagrante por populares logo após o crime. Foi condenado a 27 anos de prisão, mas, autorizado a passar um feriado de final de ano em casa, nunca mais retornou para cumprir a pena. Os intermediários do crime Igoismar Mariano e Rogério Dias tiveram suas prisões decretadas mas nunca houve interesse da polícia em prendê-los. No ano passado, dois outros acusados de terem participação no crime foram julgados mas foram absolvidos.

 

Delsão, foi preso pela polícia logo após o crime mas foi colocado em liberdade dias depois por decisão de um desembargador do Tribunal de Justiça de Belém. À época, a decisão foi duramente criticada como uma demonstração de favorecimento ao fazendeiro. A preocupação dos familiares do Sindicalista Dezinho e das entidades sindicais e de direitos humanos que acompanham o caso é que o imenso poderio econômico e a forte influência política que o fazendeiro e madeireiro possui na região possa influenciar no resultado do julgamento a seu favor.  Três dos principais promotores da capital que atuam no tribunal do júri se negaram a fazer a acusação do fazendeiro no julgamento do dia 29 alegando razão de foro íntimo.  Apesar de tudo isso, os familiares e entidades acreditam quem a impunidade não irá prevalecer e que a JUSTIÇA será feita.

                                                                        

Marabá/Rondon, 24 de abril de 2014.

 

                                              Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará.

                            Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará - FETAGRI.

Comissão Pastoral da Terra - CPT da diocese de Marabá.

                                                                                                                                                                ;            

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Meu inferno astral com a Vivo


Faz 15 dias que o serviço do modem da Vivo funciona de forma precária. Não consigo nem acessar emeio.
Baixar filme, PDF e outros documentos nem pensar. Saída: ciber da comunidade. Duplo prejuízo de recurso e tempo. Não tenho o serviço e ainda perco tempo e grana com um plano “b”.
Apelo para um mantra. Samba...visita a orla de Belém para manter a espinha ereta e o coração tranquilo.
Encaro a via crucis para tentar equacionar o problema. Ocorrências em todas as possibilidades possíveis: via telefone, serviços da página da empresa, sinal de fumaça e nada.....
Perdi a conta dos telefonemas.
Nada resolvido. Tudo atrasado. Prejuízo com as demandas que tenho de cumprir. Noites insones e muito estresse.
Derradeira tentativa: encarar a loja da Vivo num shopping. Quase nenhuma gordura de paciência resta. Os espinhos do péssimo atendimento da Vivo cravados em minha indignação.
Mais de duas horas de suplício. Mais parecia um posto de saúde da prefeitura tamanha a precariedade do atendimento. 
Há dois dias o sistema da loja da Vivo do Shopping Castanheira não funciona. Literalmente: os uniformizados operadores da Vivo estão perdidos no espaço. Baratinhas baratinadas por naftalina.  
Narro o problema. Explico que cheguei a pedir a suspensão do serviço, e recuei por conta de oferta de menor preço com a prestação de serviço menos leso.
A atendente desdenha da minha cara. Bate boca e coisa e tal.  
Um técnico examina a minha máquina. Diagnostico: culpa o modem de senil.  Caio no caô por necessidade do serviço. 
Mais R$30,00 por um novo modem e chip. Na hora “h” do pagamento, nada do sistema funcionar.
Recolho a máquina. A indelicada atendente grita: “peraí senhor, o sistema voltou. O senhor pode esperar mais um pouco?” 
Isso depois de mais de duas horas de espera.
Derradeiros instantes de suplício: busco por um (a) gerente. A caixa indica alguém que tenta coordenar uma loja em caos, com manifestações contra o péssimo serviço. Gente de tudo que é geração.
Narro o meu drama. Interrogo que tipo de compensação a Vivo pode conceder pelo meu prejuízo de mais de 15 dias de péssimos serviços.
Ela responde: ninguém tem culpa do seu modem ter ficado velho.  
A saída: advogado (a), Procon, pequenas causas......e esta singela narrativa.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Solidariedade a Ulisses


sábado, 8 de março de 2014

Carajás 30 anos - Piquiá- Açailândia - MA -Siderúrgicas são obrigadas a maior participação financeira no processoo de reassentamento

Piquiá de Baixo: manifestação popular garante mais uma conquista no processo de reassentamento
 

Depois de 30 horas de protesto em frente às empresas Queiroz Galvão Siderurgia e Gusa Nordeste S/A, moradores de Piquiá de Baixo garantem maior participação financeira do Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa do Maranhão (SIFEMA) no processo de reassentamento da população.

Mais de cem moradores fecharam desde a manhã de ontem (06) os portões de duas das quatro empresas que há décadas continuam poluindo e violando os direitos do bairro de Piquiá de Baixo. Debaixo de sol e chuva forte, mulheres, homens, jovens, idosos e crianças mostraram resistência e indignação com a lentidão no processo de reassentamento rumo a uma terra livre da poluição. Eles impediram o acesso de carros e caminhões pelos principais portões das empresas, garantindo a passagem a pé dos funcionários, e paralisaram a BR 222 por vinte minutos, buscando a solidariedade da cidade de Açailândia e do estado do Maranhão.

 

Durante a manifestação, várias vezes, gerentes das empresas tentaram interferir na manifestação, mas os moradores sempre afirmaram com decisão que não deixariam a ocupação sem que suas reivindicações fossem atendidas. “Não vamos sair daqui sem uma resposta do SIFEMA que deve complementar a indenização do terreno desapropriado e sem uma posição da Prefeitura que deve aprovar o projeto urbanístico do novo bairro!”, afirmou Willian Nogueira, da Associação Comunitária dos Moradores de Piquiá de Baixo.

Os moradores ficaram um dia e uma noite acampados com barracas de lona, fogões industriais e reservas de comida, prontos para resistirem o tempo que fosse necessário. Na manhã de hoje (07) os manifestantes conseguiram realizar uma reunião com o presidente do SIFEMA, Cláudio Azevedo, sob a mediação da Dra. Glauce Lima Malheiros do Ministério Público Estadual de Açailândia e com a presença do Procurador do Município de Açailândia, Ildemar Mendes.

Em reunião, o SIFEMA garantiu o pagamento da complementação da indenização do terreno desapropriado para onde a população será reassentada. Com isso, as empresas siderúrgicas finalmente cumprem com o Termo de Compromisso de Conduta que tinham assinado e que podia ser cumprido desde dezembro de 2013, quando o dr. Ângelo Alencar dos Santos emitiu a sentença definitiva de desapropriação, determinando o valor final da indenização. As empresas têm até trinta dias para realizar o depósito do pagamento.

Após o acordo que foi registrado e assinado em ata, os moradores retiraram as faixas, barracas, tendas, fogões e todo o material utilizado na manifestação. “Essa foi sem dúvida uma grande vitória para o povo de Piquiá em busca do reassentamento”, relatou o advogado da Associação Comunitária dos Moradores de Piquiá.

 

 

Reivindicações

A manifestação de hoje possibilitou resultados positivos no processo de reassentamento, mas a Associação ainda trabalha para conseguir outras reivindicações que tiveram prazos vencidos no último mês de fevereiro. A Prefeitura de Açailândia ainda não aprovou o projeto urbanístico-habitacional que desde maio de 2013 foi apresentado para avaliação.

“Nós não estamos brincando e outras manifestações podem acontecer, se só assim é que conseguiremos os nossos direitos, é assim que vamos pressionar quem tem responsabilidade”, declarou um morador do bairro.

O Procurador do Município de Açailândia acompanhou a reunião realizada hoje e pôde perceber a revolta dos moradores quanto à lentidão do processo de reassentamento. Além disso, a Associação afirma que o reassentamento não é responsabilidade apenas das siderúrgicas e denunciam que o Governo do Estado e a empresa Vale ainda não se posicionaram sobre a complementação financeira para a construção do novo bairro.

 

Reassentamento

Uma vez que o SIFEMA tiver realizado o depósito completo do valor da indenização na conta judicial do processo de desapropriação, a Prefeitura poderá efetuar a transferência do título de propriedade do terreno do reassentamento, que passará a pertencer ao Município de Açailândia e poderá ser doado à Associação Comunitária dos Moradores do Piquiá. Essa é uma condição necessária para a aprovação do projeto urbanístico-habitacional a ser financiado pela Caixa Econômica Federal.

De acordo com as Diretrizes Mínimas para o Reassentamento de Piquiá de Baixo redigidas pela Defensoria Pública Estadual e respeitadas no projeto urbanístico-habitacional, o novo bairro não se limitará ao modelo clássico de moradia popular construído pelo Programa Minha Casa Minha Vida, prevendo três modalidades diferentes de casas e lotes maiores.

Em função disso, a Associação Comunitária dos Moradores de Piquiá já conseguiu garantias do Ministério das Cidades quanto ao financiamento de 70% dos custos totais do reassentamento.

A última reivindicação dos moradores, é complementação do restante (30%) dos custos para a construção.

“A comunidade de Piquiá de Baixo está cada vez mais determinada a conseguir todos esses resultados no primeiro semestre desse ano, para que o projeto finalmente se torne realidade e os direitos teimosamente reivindicados há mais de sete anos pela corajosa Associação de Moradores venham a ser definitivamente garantidos”, enfatiza Pe. Dário Bossi, Missionário Comboniano que acompanha a comunidade.

 

Rede Justiça nos Trilhos

quinta-feira, 6 de março de 2014

Carajás 30 anos - População impactada por siderurgia protesta no MA


Nessa quinta-feira (06), mais de 100 pessoas estão bloqueando por tempo indeterminado o acesso a duas empresas siderúrgicas no distrito industrial de Piquiá de Baixo (Açailândia-MA), um dos bairros mais poluídos do País.
 
Piquiá de Baixo está situado em meio a quatro indústrias de ferro-gusa: Viena Siderúrgica S/A, Queiroz Galvão Siderurgia, Gusa Nordeste S/A e Ferro Gusa do Maranhão Ltda. – Fergumar. Com aproximadamente 1.100 residentes, o bairro que é cortado pela Estrada de Ferro Carajás (EFC) ainda sofre os impactos de um entreposto de minério da empresa multinacional Vale S.A.
Tudo isso fez de Piquiá um “buraco de poluição” e violações do direito à saúde, à moradia e à vida. Entretanto, a comunidade demonstrou indignação e revolta e tem buscado os seus direitos. Mais de 90% da população de Piquiá querem um novo local de moradia, longe da poluição. Os moradores conseguiram um terreno para o reassentamento e participaram da elaboração do projeto urbanístico-habitacional do novo bairro.
Além disso, tem se efetivado várias negociações entre a Associação de Moradores, o Ministério Público Estadual, o Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa do Estado do Maranhão (SIFEMA), a Prefeitura Municipal de Açailândia, o Governo do estado do Maranhão, dentre outras instituições.
Em maio de 2011, a Prefeitura de Açailândia, o SIFEMA, o Ministério Público e a Associação de Moradores de Piquiá assinaram um Termo de Compromisso de Conduta (TCC) que detalhou ações e responsabilidades em vista do reassentamento.
Entre outros acordos já cumpridos, o termo estabelece que as empresas siderúrgicas efetuem o pagamento total da indenização do terreno destinado à construção do bairro, uma vez que houver a sentença definitiva de desapropriação do mesmo.
Segundo a Associação de Moradores, a sentença foi proferida em dezembro de 2013, mas até hoje o SIFEMA, interpelado de várias formas e notificado oficialmente no mês passado, não manifestou interesse em cumprir com o acordo.
Outra reivindicação urgente dos moradores é a respeito da aprovação do projeto urbanístico-habitacional do novo bairro por parte da Prefeitura de Açailândia. O projeto foi elaborado pelos moradores sob a assessoria técnica da Usina - Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado (CTAH) e está sendo já analisado pela Caixa Econômica Federal.
Desde maio do ano passado a Prefeitura está sendo solicitada a analisar o projeto. O prazo que a própria administração municipal indicou ao Ministério Público Estadual venceu no último dia 17 de fevereiro.
A comunidade está dialogando há anos com as instituições e as empresas. Não recebendo respostas, volta a cobrar seus direitos de forma civil e não violenta, num ato público de denúncia do descaso de quem pode e deve contribuir, mas até agora não quis”, afirmam os integrantes da Associação Comunitária do bairro, que ainda esperam um posicionamento também do Governo do Estado e da Vale S.A. a respeito da complementação do dinheiro para construção do novo bairro.

Manifestação popular
Desde a manhã dessa quinta-feira (06), os moradores estão reunidos em frente a duas das maiores siderúrgicas, Queiroz Galvão Siderurgia e Gusa Nordeste S/A. Apoiados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terras (MST) e pelo Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de Açailândia, demonstram resistência e afirmam que só sairão do local quando obtiverem respostas concretas a suas reivindicações.
 
Os moradores se organizaram de forma pacífica, bloqueando o acesso às siderúrgicas e impedindo que os carros de funcionários, de carvão e minério das empresas entrem nas mesmas. Segundo a Associação dos Moradores, caso nenhuma autoridade se manifeste, outras medidas serão tomadas.
 
Às vésperas do dia internacional da mulher, queremos dizer que não é esse o progresso que defende e promove a vida de nossas mulheres e crianças”, afirmou um morador. “A vida vale mais do que o lucro de siderúrgicas e mineradoras”. Gritos de ordem e apresentações teatrais fazem parte das atividades realizadas no espaço da manifestação. Cartazes pedem por justiça e seriedade no acompanhamento da problemática de Piquiá de Baixo. Um fogão industrial e grandes panelas instalados debaixo de tendas mostram que os moradores pretendem permanecer até quando seus pedidos e seus direitos forem garantidos.

Rede Justiça nos Trilhos

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Agende-se. Carajás 30 anos. Seminário de Marabá tem nova data


Mudou a data do seminário de Marabá. A nova data agora é 21 a 23 de março. A mobilização em todos os municípios impactados pelos projetos de mineração continua a todo vapor.

O quintal da senhorinha


Flores enfeitam a copa do pé de pitomba. Após uma poda drástica a mangueira retoma a forma antiga.  O jambeiro está em rejubilo. Carregado, frondoso e imponente. Toma um canto do quintal de uma da casa de uma senhorinha. A árvore lembra a beleza de uma mulata do Lan.

O quintal da senhorinha abriga ainda laranjeira, limoeiro, uma árvore que lembra um pé de cupuaçu, palmeira de pupunha, noni e flores que desconheço.

No mamoeiro carregado passarinhos fazem carnaval fora de época. Abrigam-se no interior do fruto no café da manhã.   

Quem não anda bem de saúde é o pé de graviola. Ele tem galhos escuros. Os frutos nascem, chegam a ganhar forma e logo definham, ficam escuros e caem.

A senhorinha lembra a minha mãe. Tem o corpo franzino. É pequena. Bem magrinha. Ela cria galinhas e cães. Lembra a Hilda exilada em seu sítio apinhado de gatos.

Toda manhã a solitária senhora fala com os bichos. Raia com eles ao servir o café da manhã.

Não sei o nome dela, que toda tarde quando não chove toma sol na calçada.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Educação do\no campo em Carajás e a radicalização da democracia

 
Edeildo e Neiriane celebram aniversário nesta semana. Eles são educadores na zona rural do sudeste paraense. O casal integra uma turma de 13 pessoas do curso de  Educação do Campo da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), com sede no município de Marabá, sudeste do estado.  
Hoje a turma confraternizou com a realização de um almoço coletivo. Cada um trouxe um prato. O principal foi uma galinha caipira. Tudo vindo dos quintais de alguns projetos de assentamentos.
O curso é baseado na Pedagogia da Alternância do programa do Governo Federal Parfor, que visa formar os professores de zonas rurais.
A metodologia adota tempos de vivência na escola e tempos de vivência nos locais de moradia dos educandos. A turma chega a ficar fora de casa aproximadamente dois meses.
Os que não possuem parentes em Marabá dividem aluguel por temporada em kitnets. O preço é considerado salgado. O simples pode beirar até R$700,00. Há casos ainda de moradia solidária.
Em tempos de darwinismo social a solidariedade promovida pelos discentes soa estranha. Os que moram mais próximo visitam suas casas em fins de semana.
A educação é uma das dimensões mais contundentes do processo de territorialização do campesinato da região, que concentra o maior número de PA´s do país, são mais de 500 projetos.
A territorialização resulta de inúmeros conflitos, tensões, negociações e acomodações com diversos setores do poder público e privado.
No mosaico  de  disputa desse espaço podem ser encontrados: fazendeiros, madeireiros, grileiros, grandes corporações de mineração e de construção de hidrelétricas, indígenas e garimpeiros.
A caminhada do campesinato da fronteira experimentou vários mediadores que endossaram a ação dos setores populares do campo, entre eles: fração da Igreja Católica, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento de Educação de Base (MEB), Comunidades Eclesiais de Base (CEB´s), partidos políticos, ONG´s, intelectuais, setores das universidades públicas, entre outros.    
Pode-se evidenciar a radicalização da democracia para uma parcela da sociedade que historicamente tem sido marginalizada, expropriada e, por vezes, subjugada à condições análogas a do trabalho escravo.
O processo que soma mais de 50 anos de luta pela terra, em uma fronteira marcada pela aguda disputa pelo espaço e riquezas aqui existentes é de um significado emblemático numa sociedade erguida sob o ethos do privilégio.
Desde a integração econômica da região a expansão do capital baseada em exportação de produtos primários, com ênfase no minério, tem promovido a expropriação das populações locais.
O acesso deste público ao direito básico da educação significa um relativo avanço num país ainda marcado pela concentração de poder em mãos de poucos, onde a robusta bancada ruralista no Congresso é uma evidência dessa concentração.