De acordo com denúncias feitas por vários agricultores à FETAGRI e a CPT de Marabá, na manhã do último sábado, dia 09 de fevereiro, policiais civis de São Geraldo e da DECA de Marabá, entraram na área acompanhados de seguranças da fazenda e algumas pessoas encapuzadas, que não puderam ser identificadas. Alegando estarem cumprindo um mandado de busca e apreensão, mas sem mostrar cópia do referido mandado, o grupo de policiais e de supostos seguranças, entraram em todas as casas, apreenderam motos, celulares, máquinas fotográficas, facões, espingardas de caça e outro pertences. Em seguida, prenderam 17 homens e uma mulher e levaram para a sede da Fazenda Espírito Santo, de propriedade do Grupo Santa Bárbara.
Enquanto os policiais prendiam os trabalhadores e apreendiam seus pertences, homens encapuzados e os seguranças ateavam fogo nas casas, muitas delas, sem que as famílias pudessem retirar o que tinha dentro. Durante a ação policial no sábado, dia 09, foram queimadas 16 casas. Após atearem fogo nas casas, tratores da fazenda passavam a destruir as plantações das famílias. Pequenos animais como porcos, galinhas, bodes, patos foram mortos ou ficaram perdidos no meio do mato. Mulheres foram humilhadas, crianças e idosos foram abandonados no meio da fazenda, debaixo de chuva e sem nenhuma proteção ou alimentação.
Da sede Espírito Santo, os trabalhadores foram levados em um ônibus da fazenda até a beira da PA 150 onde foram embarcados em uma VAN, locada pelo gerente da fazenda. Em Marabá, todos foram interrogados na DECA e liberados no dia seguinte.
Na segunda feira, dia 11, o gerente da fazenda conhecido por CAIM retornou para a área acompanhado dos seguranças e dos homes encapuzados. Ameaçando e humilhando as famílias, continuou com a destruição das casas e das roças. De acordo com levantamento feito pelas famílias, 98 casas foram queimadas e mais de 45 alqueires de roça de arroz, milho, mandioca, banana, abóbora, etc foram destruídos. Grande parte das famílias mal conseguiram retirar alguns pertences de dento das casas.
A trabalhadora rural LEANDRA conta que, reuniu 13 crianças, sendo uma delas deficiente e levou para seu barraco. Segundo ela, chovia quando o gerente chegou em sua casa acompanhado dos seguranças e deu ordens para que todos saíssem. Sem ter para onde ir com as crianças, se negou a sair e implorou para que sua casa fosse poupada até o dia seguinte. O gerente então, deu ordens para que o tratorista derrubasse a casa com todos dentro. A casa só não foi derrubada porque um dos seguranças de nome FRANK, discutiu com o gerente e não permitiu a ação violenta.
Durante o tempo que estiveram detidos na sede da Fazenda Espírito Santo, os trabalhadores presenciaram o gerente dando ordens para que os carros da polícia fosse abastecidos, bem como, policiais gesticulando que receberiam dinheiro após a operação. No processo que tramita na Vara Agrária de Marabá não há ordem de despejo a ser cumprida contra as famílias. As famílias estão abandonadas em um canto da fazenda sem apoio, sem alimentos e sofrendo ameaças permanentes dos jagunços da Santa Bárbara.
A CPT e a FETAGRI irão denunciar os responsáveis pela ação ilegal ao Ministério Público, à Ouvidoria Agrária Nacional, à Corregedoria de Polícia e às Entidades de defesa dos direitos humanos.
Marabá 20 de fevereiro de 2013.
FETAGRI Regional Sudeste.
Comissão Pastoral da Terra da diocese de Marabá.