terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Noite de Iansã na Casa de Teuci


As velas deixaram o espaço mais quente. Havia vela em tudo que é canto no terreiro de Teuci na noite de segunda feira. A celebração era dedicada à Santa Bárbara. Iansã ou Oyá no sincretismo religioso.  Esposa de Ogum e de Xangô, o deus dos raios. Ela é considerada a senhora dos ventos e da tempestade. Deusa da espada do fogo, dona da paixão, da provocação e do ciúme.

Os ensinamentos explicam que a entidade feminina não nutre simpatia por afazeres domésticos. Possui mais inclinação para as batalhas e as lutas. Prefere os caminhos de risco e aventuras. Mantém relação com os Eguns (o espirito dos mortos). Eparrei é a sua saudação. Iansã é o Orixá do arrebatamento e da paixão. Tudo nele parece abissal. As zangas e os dramáticos arrependimentos.   

Vermelho e laranja enfeitam o lugar. São as cores do Orixá.  Logo na porta de acesso ao salão principal dois cálices de vinho festejam um ornamento da indumentária de Iansã, o chifre. As luzes de natal contrastam com a alvura dos trajes dos devotos que dançam em círculo em sentido anti-horário. Rosas vermelhas enfeitam o altar colocado em local estratégico no salão. Bem ao centro.  

O senhor negro encurvado pelo tempo e de pés descalços agita o xekerê  (cabaça com miçangas). As pernas são cambotas. Lembra o nativo marajoara. Três ogãs garantem a percussão nos tambores. Uma pequena procissão ao redor do quarteirão precedeu a celebração no terreiro. Cantos são entoados. Os tambores se agitam. Não tarda e os transes começam.  Eparrei.

O espaço no terreiro é generoso. Pelo menos umas cinco famílias compartilham o território. Os frequentadores que chegam mais cedo garantem estacionamento para o carro no vão que separa o portal principal ao acesso do salão. É como tem carro de bacana.  Sem falar nos carros que ficam no portão.

Não existe problema para acessar o terreiro. Em todas as ocasiões em que visitei o espaço nunca alguém veio inquirir sobre a minha presença. Os visitantes podem ocupar dois espaços. Um logo na entrada do salão. São bancos de madeira. E outro no terreiro propriamente dito. Os parentes e os mais próximos podem ficar em cadeiras de plástico.

Adultos, jovens e crianças formam o circulo. Cantam, dançam e batem palmas. Lembro  São Luís.  Os becos, as ruas, os tambores, o mar e encantarias. A Casa de Euclides.

Daqui a pouco tem mais tambor na Casa de Teuci em homenagem à Iansã.  

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Rio (Madeira) em Fúria - uma produção da Agência Pública


Especial Amazônia - Agência Pública - capítulo Rio Madeira

A Agência Pública de jornalismo investigativo realiza uma produção especial sobre a Amazônia. Carajás, no Pará foi o primeiro capítulo. O segundo   começou hoje, a série sobre o Rio Madeira. No dia 10 estreia a coletânea de reportagens sobre o Tapajós.
 
 
Leia abaixo a matéria de abertura sobre a série o Rio Madeira da jornalista Ana Aranha.
 
Uma briga entre peixes grandes revolta o curso do rio Madeira. As usinas hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio, segundo e terceiro maior potencial hidrelétrico do Programa de Aceleração do Crescimento, disputam cada megawatt a ser extraído das águas de Rondônia. Leia mais em Agência Pública

Ferrovia de Carajás por dentro- vídeo da Agência Pública


Vale - quem lucra?

Ana Castro
Uma empresa do porte da Vale traz benefícios para o Brasil de diversas maneiras. Mas, para que a mineradora possa ter lucros, o país também tem dado uma boa ajuda à empresa – a qual, por sinal, tem sido alvo de questionamentos. A empresa está envolvida em diversos processos judiciais e administrativos, envolvendo a cobrança de tributos e o questionamento em torno de isenções. Leia mais na Agência Pública

Mostra de Cinema e Direitos Humanos começa amanhã no Sesc


É possíve desenvolver a Amazônia de forma sustentável?


FGV, UFPA, Imazon,  Museu Goeldi, Vale, ISA, Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Agência Pública de Jornalismo Investigativo e MPF são agentes que debatem a partir do dia 05, quarta feira, no Hangar Centro de Convenções, a possibilidade de desenvolvimento sustentável na Amazônia. Grandes projetos, questão fundiária, experiências orientam a pauta do seminário organizado pelo Fórum Amazônia Sustentável. Conheça a programação AQUI

sábado, 1 de dezembro de 2012

Prêmio Benedito Nunes 2012

Tese do Dr Relivaldo Oliveira alinhava referências da Antropologia e Filosofia para analisar produções da literatura e cinema na Amazônia. É o segundo prêmio da tese. Em 2011 recebeu a comenda Vicente Salles de ensaio do IAP 
 
O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, professor Emmanuel Tourinho, e a professora Lilia Chaves, presidente da Comissão Julgadora Final do Prêmio Benedito Nunes, anunciaram, nesta quinta-feira, 29, que o premiado desta edição foi o professor Relivaldo Pinho de Oliveira, autor da tese Antropologia e Filosofia: Experiência e Estética na Literatura e no Cinema da Amazônia, orientada pelo prof. Ernani Pinheiro Chaves e apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFPA. Leia mais AQUI

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

União Europeia financia projeto para minimizar exclusão no sudeste do PA

O sul e o sudeste do Pará configuram uma fronteira agromineral. A pecuária extensiva e o extrativismo mineral conformam as realidades locais, marcadas pela expropriação das populações nativas e a população migrante.

Os processos econômicos engendraram desmatamento, violência e miséria, num cenário marcado pela hipertrofia do poder do capital, induzido e facilitado pelo Estado.   

Neste sentido, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) em parceria com a União Europeia, mediada com a Cafod, um instituição ligada à Igreja Católica, buscam em certa medida reverter o quadro de exclusão de parte da população expropriada pelos grandes projetos na região.
O lançamento ocorreu na semana passada no auditório da UFPA de Marabá.  

Ao longo de mais de quatro décadas de lutas pela terra, o sul e o sudeste paraense  concentram a maior parte de projetos de assentamento da reforma agrária do país (PA). São mais de 400.

Parte destes PA´s pode deixar de existir, caso uma série de obras de infraestrutura e projetos de extrativismo mineral sejam efetivados.

Caso o projeto da hidrelétrica de Marabá seja efetivado, conforme dados oficiais e  declarações de pesquisadores, mais de 120 PA´s deixarão de existir.

O estado, ao mesmo que reconhece algumas bandeiras dos movimentos sociais, como a efetivação dos PA´s, no sentido de minimizar os conflitos na luta pela terra, opera em direção oposta, incrementando a circulação do capital.  

A latitude conhecida como a mais violenta na luta pela terra do Brasil tem hoje perto de 120 ocupações, com um contingente de 10 mil pessoas.

Barcarena -- Norsk Hidro e Sindicato dos Químicos na berlinda


Oito trabalhadores da Alunorte denunciaram a empresa no Ministério Público do Trabalho. A denúncia é da Oposição Sindical e da Associação em Defesa dos Reclamantes e Vitimados por Doenças do Trabalho na Cadeia Produtiva do Alumínio (ADRVDT).

Eles acusam a empresa do grupo Norsk Hidro de não aceitar os laudos médicos após operação, e serem obrigados a trabalhar durante o pós operatório.

Uma nota que circula na grande rede informa que os operários buscaram o Sindicato dos Químicos, que não tomou partido da categoria.

Demissão – uma outra nota chama a atenção para a demissão do operário Ocimar Cunha Fontes. Há 17 anos na empresa Alunorte, Fontes foi diretor do Sindicato dos Químicos e faz parte da Oposição Sindical.

Fontes passa por sérios problemas de saúde há algum tempo, o que o obrigou a passar por duas cirurgias para sanar problemas na coluna e outra cirurgia no ombro.

Por conta da saúde debilitada ficou de licença no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A situação de saúde e insegurança na empresa animaram problemas psicológicos, acusam os denunciantes.

A Oposição Sindical e a ADRVDT avaliam que a demissão de Fontes tem motivações em sua atuação política.   
Os denunciantes acusam o setor médico da empresa Norsk Hidro em ignorar os laudos de ortopedistas e psiquiatras que indicam a incapacidade laboral de Fontes.


Sindicato dos Químicos – no blog da instituição, mais voltado para questões do direito do trabalhador, ainda que de forma tímida, a diretoria informa que denunciou a Norsk Hidro na Superintendência Regional de Trabalho do Pará. 
O órgão faz parte do staff do Ministério do Trabalho. A denúncia foi realizada no dia 20 de novembro.

A diretoria do sindicato acusa a empresa de assédio moral, condições de insalubridade e periculosidade no trabalho, entre outras coisas. E exige uma fiscalização na fábrica.
No blog do sindicato não há um encaminhamento que a superintendência irá tomar.

Barcarena em foco


Nunca na história deste país havia ouvido uma coisa dessas. No município de Barcarena, norte do Pará, as telhas da delegacia da cidade estão sendo lavadas.

O episódio foi narrado por uma professora.  A delegacia passa por reforma. O fato é no mínimo estranho.

A professora bateu fotos e promete postar  na grande rede. A preocupação da educadora é: o pessoal tá desviando a grana da reforma?

O município de Barcarena abriga as principais empresas da cadeia de alumínio do Brasil. A norueguesa Norsk Hidro é a controladora acionária, e tem como sócia a Vale, que até outro dia hegemonizava o investimento.  
São duas plantas industriais. Uma é responsável pela transformação da bauxita em alumina, e a segunda pela produção dos lingotes de alumínio.

Além da Norsk Hidro e Vale tem a francesa Imerys, que explora caulim.

No cenário de grandes empreendimentos ainda existem outras empresas. A força do capital tende a subjugar\cooptar algumas entidades de classe e o setor público em torno dos interesses corporativos.

Neste contexto alguns setores do campo  popular buscam uma articulação em torno de um Fórum. Na sexta feira passei umas horas com umas pessoas que integram a rede.

A pauta era refletir sobre comunicação, e indicar umas linhas de ação que os agentes que estão articulados em torno da rede possam implementar.
Ciberativismo, ocupação de alguns espaços locais de comunicação e produção de conteúdo para a rádio comunitária e comercial surgiram no fim do dia.

Os trabalhos são mediados pela ONG Instituto Internacional de Educação no Brasil (IEB).
 
Rosa Rocha e Maura Moraes completaram o escrete de mediadores da oficina no quente salão paroquial na Vila dos Cabanos. 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Pan Amazônia - educação para a construção de um pensamento crítico


Instituto forma primeira turma de especialização em agroecologia e debate relação entre universidade e movimentos sociais
Ativistas, educadores e agricultores do Maranhão, Pará, Rondônia, Matogrosso e Tocantins discutem até o dia 01 de dezembro a relação entre universidade e movimentos sociais na construção do pensamento crítico a partir da Pan Amazônia.

Na mesma ocasião ocorre o encerramento do curso de especialização em Educação do Campo e Agroecologia e Questão Agrária na Amazônia. Os discentes da primeira turma irão apresentar os trabalhos de conclusão de curso e participar das mesas de debates.

O evento ocorre no Instituto de Agroecologia Latino Americano Amazônico (IALA), no projeto de assentamento do MST Palmares II, no município de Parauapebas, sudeste do Pará.

80 pessoas é a estimativa de participantes. O professor francês François Hourtart será um dos palestrantes. Espera-se ainda a participação de ativistas de países da Panamazônia.

O reconhecimento da categoria camponês pelo Estado no sul e sudeste do Pará teve inicio na década de 1980, com a criação do primeiro projeto de assentamento no município de São João do Araguaia, o PA Castanhal Araras.
E ganhou maior proporção no fim dos anos 1990, pós Massacre de Eldorado. Nesta seara a educação talvez seja a dimensão mais relevante do processo de territorialização camponesa no sul e sudeste do Pará.

Turmas especiais de graduação foram efetivadas, e cursos técnicos voltados para a demanda camponeses realizados. E agora em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA) os movimentos sociais formam a primeira turma de especialização em agroecologia.

Amazônia profunda, site paulista lança série de reportagens sobre a região

Os grandes projetos e as implicações que os mesmos  provocam sobre as realidades das populações locais é o foco da série de reportagens da Agência Pública

Euclides da Cunha, Vicente Salles, Otávio Ianni, Fernando Henrique Cardoso, José de Souza Martins, Samuel Benchimol, Bertha Becker, Rosa Acevedo Marin, Jean Hébette, Márcio Souza, Zuenir Ventura, Milton Hatoum, Manuel Dutra, Ricardo Rezende, Ricardo Kotscho, Lúcio Flávio Pinto são alguns intelectuais que investiram\investem em narrativas sobre a (s) Amazônia (s) em diferentes campos.

Amazônia (s) é um dos principais assuntos numa infinidade de campos, tempos  e redes sociais e econômicas no mundo. Mas, ao longo dos séculos a sua condição tem sido colonial. Uma fonte de matéria prima, cujo estoque pode alterar a rota do mundo por conta da robusta biodiversidade. É ela a motivadora de interesses do setor de farmácia e cosméticos.

O saque sobre as riquezas da região a cada dia ganha um novo capítulo. Os minérios e a energia integram desde o século passado a agenda dos interesses de grandes corporações nacionais e internacionais.

Entre as legendas constam a Vale, a norueguesa Norsk Hidro que controla a cadeia de produção de alumínio, a francesa Imerys, que explora caulim, a Alcoa, também da cadeia do alumínio, a Camargo Correa, Alcoa, Vale e a franco-belga Tractebel-Suez, quase sempre consorciadas em empreendimentos para a geração de energia.  Tais projetos tendem a pressionar os territórios das populações ancestrais.  

A expropriação das populações locais tem sido a regra, ainda que algumas pessoas consigam alguma ocupação de segunda categoria em empresas terceirizadas, onde os principais postos são ocupados por pessoas com melhor qualificação vindas de outras regiões do país, e mesmo do exterior.  

No século passado há notícias de iniciativas jornalísticas que dedicaram profissionais, recursos e tempo em produções sobre a região. A revista Realidade, o jornal Movimento e o Estadão são alguns deles.

Os custos e o tempo necessário para uma boa produção são considerados alguns dos limitadores sobre a má cobertura midiática sobre a (s) Amazônia (s), que compreende 61% do território nacional.   

Nesta semana o site paulista  Agência Pública, um espaço voltado para a defesa dos direitos humanos e o interesse público inaugurou uma séria de reportagens sobre a (s)  Amazônia (s) do Brasil.

A experiente profissional Marina Amaral , ex Folha e revista  Caros Amigos e o fotógrafo americano Jeremy Bigwood assinam uma série sobre a região de Carajás, que abriga a principal reserva de minério de ferro do mundo. O extrativismo mineral que colabora para a saúde do superávit primário do país, ao mesmo aprofunda a pobreza no Pará.

A série de reportagem durou pouco mais de cinco meses, entre a produção de pauta, trabalho de campo, checagem de dados, produção e edição de conteúdo multimídia. Algo considerado fora da realidade para a rotina dos principais meios de comunicação do país.   

Na série sobre Carajás, o grande interesse é conhecer as múltiplas realidades da cadeia produtiva dos minérios. A jornalista percorreu no mês julho e agosto vários municípios do Pará e Maranhão.  

No Pará esteve em Marabá, Canaã dos Carajás e Parauapebas. Conheceu de perto a realidade medieval do processo de produção de carvão vegetal, que alimenta as empresas de produção de ferro gusa do Pará (Marabá) e Maranhão (Açailândia), e dinamiza a cadeia do trabalho escravo.  

O conteúdo de qualidade emerge como excelente fonte de informação sobre um Brasil profundo, às vezes invisível mesmo em espaços considerado do campo democrático. O mesmo pode e deve ser usado em espaços escolares de diferentes níveis. E ainda sindicatos de classe, representantes do setor industrial e patronal local.

A agenda de desenvolvimento para a Amazônia, baseada no uso intensivo dos recursos naturais, mantém o Estado como o principal indutor e facilitador. A opção desenvolvimentista favorece grandes corporações e tende a internalizar ainda mais as realidades de expropriação e pobreza das populações locais. Na economia, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), emerge como o principal agente.  

Além de Carajás, a equipe da Pública percorreu a região do rio Madeira e do rio Tapajós. A partir do dia 03 de dezembro o  conteúdo sobre o Madeira estará disponível. Leia o conteúdo AQUI

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Carajás - famílias aguardam resultado de processo contra guseira

Desvalorização de imóveis, danos morais, à saúde e ao bem estar. São esses alguns dos motivos pelos quais 21 famílias do bairro Piquiá de Baixo, em Açailândia (MA) processam a empresa Gusa Nordeste. A empresa faz parte de um grupo de cinco siderúrgicas que se instalaram na região na década de 80. Leia mais em Jnt

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Tá tudo cinza pós eleição

Tá tudo cinza pós pleito eleitoral. Ao menos em algumas cidades do Pará e outros estados.
Muitas deixaram de honrar compromissos com prestadores de serviços e fornecedores. E promoveram exoneração de servidores temporários.
E tudo fica pior quando o executivo municipal não foi reeleito ou fez seu sucessor. Em Marabá padecem funcionários efetivos e temporários.
Mesmo antes do encerramento da eleição, quando foi eleito o jornalista e deputado estadual João Salame (PPS), professores denunciavam o não pagamento de salários e do vale alimentação.  
Assim como em Belém, a saúde foi um dos pontos negativos do evangélico Maurino Magalhães (PR), que padece de ausência de conhecimento sobre o Estado laico.
Sobre o assunto em vários momentos públicos meteu os pés pelas mãos, sem falar nas acusações de improbidade administrativa que resultaram na detenção de dois de seus secretários.
E mesmo dno afastamento dele da poltrona do executivo, sob a ordem da justiça.
Agora a crise bate às portas do executivo do estado. Na ressaca da eleição, o governo tucano tem ordenado a suspensão de pagamento de fornecedores e prestadores de serviços, assim anuncia uma fonte que tem contrato com o estado.
O mesmo ocorre em Ananindeua, comandada em duas ocasiões pelo herdeiro de Jader Barbalho, Elder.  
Um empresário tem sofrido na busca em receber em pelos serviços prestados na área de saneamento e abastecimento de água.

Sem terra - Tribunal Federal revoga decisão de juiz federal de Marabá

O Tribunal Regional Federal, através de decisão publicada na semana passada, acatou recurso dos advogados da CPT e anulou a decisão do juiz federal de Marabá, que, condenou o casal de sem terra, Iranilde Teixeira e Abraão Rocha, a um pena de 6 meses de detenção por estarem residindo na antiga praça do mogno, localizada ao lado do prédio de Justiça Federal de Marabá. O juiz substituiu a pena privativa de liberdade por uma pena restritiva de direitos, impondo ao casal o pagamento de dois salários mínimos.

Abraão, Iranilde e seus três filhos menores, foram despejados pela Polícia Federal da Fazenda Tibiriçá no ano de 2005, onde estavam acampados. Sem terem para onde irem foram abandonados, junto com outras famílias, na Praça do Mogno, que pertencia ao INCRA. Como nunca conseguiram um lote de terra para morar, continuaram residindo no local e matricularam as crianças na escoa, uma delas, portadora de necessidades especiais. Quatro anos após, foram indiciados pela Polícia Federal, denunciados de Ministério Público Federal e condenados pela Justiça Federal pelo crime de ocupação ilegal de terra pública.

Os desembargadores do TRF, por unanimidade, entenderam que não houve crime, pois o artigo 20 da Lei nº 4.947/66 é claro quanto à configuração do crime de ocupação ilegal de terras públicas:“invadir com a intenção de ocupá-las, terras da União, dos Estados e dos municípios”. O TRF entendeu que a família permaneceu em um terreno público por que foi colocada ali por agentes públicos, não restando configurado a intenção de invadir.

O que mais chamou a atenção da CPT no caso, foi o fato de que na região sudeste existe alguns milhões de hectares de terras públicas ocupadas ilegalmente por grandes fazendeiros. No processo de ocupação ilegal, muitos fazendeiros cometeram um segundo crime ainda mais grave, a grilagem, ou seja, a falsificação de um documento público. No entanto, a CPT não tem conhecimento se algum fazendeiro já tenha sido condenado pela Justiça Federal de Marabá em razão da ocupação ilegal de terras públicas e pelo crime de grilagem. Talvez, a condenação da família sem terra, despejada na Praça do Mogno seja o primeiro caso de condenação proferida pela justiça federal de Marabá.
Não seria mais humano, mais justo e mais coerente com o papel desses órgãos de justiça, pedir a condenação do INCRA por não assentar a família do que simplesmente pedir a condenação daqueles que já são condenados na vida pela pobreza, o abandono e o descaso?
De acordo com levantamento feito pela CPT, existem hoje, 18 processos de autoria do INCRA, envolvendo 18 fazendas, tramitando na Justiça Federal de Marabá, requerendo devolução para o órgão fundiário de 108.401 hectares de terras públicas ilegalmente ocupadas por fazendeiros e grileiros na região. Cerca de 1.800 famílias estão acampadas, aguardando para serem assentadas nessas áreas. Mesmo o INCRA tendo comprovado nos processos sua propriedade sobre as terras e a Constituição Federal assegurar que não existe posse em terra pública, a Justiça Federal de Marabá, tem negado a imissão do INCRA na posse desses imóveis.

                                          
Marabá, 19 de novembro de 2012.

Comissão Pastoral da Terra – CPT diocese de Marabá.

domingo, 18 de novembro de 2012

Comissão da Verdade coleta relatos de camponeses e indígenas na região do Araguaia

Torturados, assassinados e alguns até forçados a perseguir guerrilheiros contra a própria vontade. Esses são os relatos de moradores de áreas rurais e de índios Suruí do Pará, da etnia Aikewara, durante audiência pública realizada ontem à tarde, em Marabá, pela Comissão Nacional da Verdade. As histórias que foram relatadas aconteceram durante o período da ditadura militar (1964-1985) em que o regime realizou a campanha de extermínio da guerrilha do Araguaia, grupo armado de oposição à ditadura que atuou na região. Leia mais AQUI

sábado, 17 de novembro de 2012

Araguaia - O diário de Ismael Machado

Adalgisa ergue as mãos em sinal de oração agradecendo. Quase caem lágrimas dos olhos. Ela tem as rugas, o sorriso, as vestes e a fala parecem com a de mães e avós que temos ou tivemos. Adalgisa é Adalgisa Moraes da Silva. Mais uma Silva quase anônima nesse país de silvas. Para mim é uma heroína que tive o prazer de conhecer em 2009, quando vim a primeira vez a São Domingos do Araguaia.

Naquela manhã de sol e mormaço ouvi o relato de Adalgisa sobre o período em que conviveu – e ajudou- com os guerrilheiros do Araguaia. Adalgisa e o marido, Frederico Lopes, foram alguns dos camponeses que simpatizaram com os paulistas, os militantes que se embrenharam nas matas do Araguaia tentando algo diferente naquele local.

Frederico foi preso e apanhou tanto, mas tanto dos militares, que ficou descompensado das ideias. Nunca mais conseguiu se recuperar. Quando retornou pra casa, costumava ter alucinações. Atacava Adalgisa, rasgava-lhe as roupas, batia. Resultado de dois anos de torturas.

Adalgisa quase chora agora porque conseguiu este ano receber o dinheiro da indenização a que tinha direito. Recebeu 140 mil reais e conseguiu construir uma casa de alvenaria- não é do jeito que eu queria, ela diz- bem diferente da casa de madeira bem pobre que conheci.

Adalgisa está um pouco surda. Tem mais de 80 anos. Comeu o pão que o diabo amassou para criar os 12 filhos sem ajuda de Frederico, preso. Como nunca deixou que os filhos virassem pedintes, fez de tudo um pouco.

Peço para Thiago fazer fotos deles no mesmo local onde em 2009 posaram para Tarso Sarraf. O cenário atrás deles é que mudou. A casa mudou.
 
Me despeço deles feliz. Embora seja duro ouvir o relato de Adalgisa e de soslaio observar o olhar perdido de Frederico, como se não estivesse totalmente ali. Frederico não anda mais, fala pouco. O olhar é quem fala por ele.

Foi Sezostrys que me levou novamente até a casa dos dois. Ao me despedir olho mais uma vez para o casal e sinto estar ali um pedaço da historia viva do país. É de gente como Adalgisa e Frederico que a história é feita. Só que raramente eles podem contá-la. Lembro do livro de Leonencio Nossa sobre o major Curió e o que ele diz, de mesmo a esquerda oficial tratá-los como massa, grupo de apoio, simpatizantes. Nunca como protagonistas, coisa que eles foram, com certeza. Adalgisa arriscou a vida, transportando munição para guerrilheiros. Frederico perdeu a razão e a lucidez.

Tenho muito mais respeito e admiração por eles do que por gente como João Amazonas.

Saímos de lá e decidimos ir até Marabá para apressar Paulinho Fonteles. Vamos até a aldeia Suruí, a 50 km de São Domingos.

Fiquei lembrando da longa conversa que tive com Pedro Matos, um senhor de mais de 70 anos, cheio de histórias boas pra contar. Matos é um Machado. Ao me ver sentado em uma cadeira de encosto em frente ao hotel, no inicio de noite, mp4 ao ouvido, pergunta se sou o repórter que está na cidade. Digo que sim e me apresento, como Ismael. Ele retruca: Machado? Digo que sim e ele diz que também é Machado.

E me pergunta se sei que a família Machado entrou no Brasil pelo Nordeste. Digo que sim, que meu pai era piauiense e minha mãe maranhense. Ele me fala de familiares ancestrais machadianos no Piauí. Percebo que a raiz pode e deve ser a mesma. ‘Há dois ramos dos machados, os pobres e os que enriqueceram’, diz ele. Digo que sou do galho pobre.

E ficamos conversando longo tempo.

Jantar em São Domingos do Araguaia é sonho. Só espetinhos de churrasco e olhe lá.

Mas já é dia seguinte e estamos pegando a estrada para ir a aldeia Suruí. Nos abastecemos de uns pães de queijo e água. Não sabíamos ainda, mas seria o almoço do dia.

Me resguardo da Roberta Miranda que grasna no carro ouvindo outras coisas no MP4.

A aldeia Sororó-Suruí fica no centro, creio eu, da reserva. Um campo de futebol fica bem no meio da aldeia, um barracão coberto de palha é o ponto de reunião e encontro. As casas são parecidas com as casas de conjunto habitacional, de alvenaria, pequenas.

Temos de esperar o cacique Mairá chegar para poder termos liberação para entrevistas. Se não fizermos isso podemos correr o risco de por tudo a perder. É esperada também a chegada da Comissão Nacional da Verdade. Só chegaria no miolo da tarde.

Ficamos por ali, gastando tempo, conversando amenidades. Os mais velhos me interessam mais porque sei que são eles que tem a história que vim buscar. A participação dos índios na guerrilha do Araguaia é um fato que só agora começa a ser contado. Quero ser um dos repórteres a contar essa história.

Não há como nós, bando de cabras safados, não ficarmos ouriçados com a beleza de uma moça índia que desfila pra lá e pra cá com um vestidinho verde curto. Thiago faz fotos disfarçadamente. ‘É casada’, nos alerta Sezostrys. Uai, ninguém quer casar com a moça, só olhar mesmo...

Thiago e Da Silva adquirem flechas. Depois Thiago me conta uma história curiosa a ver com a questão da umbanda e a flecha que acabara de ganhar. Mistérios do além terra, além consciência.

Com a chegada do povo da comissão, a coisa se encaminha. Depois da permissão do cacique, que concorrera a vereador, perdendo, começo a fazer entrevistas, colher relatos. Thiago bola as fotos que precisamos. Sugiro uma.

É fim de tarde, quase início de noite, quando saímos da aldeia. Na entrada da reserva, pedimos para Paulinho tirar uma foto, registro de nossa passagem no local.

Decidimos jantar em Marabá, já que a experiência da noite anterior estava viva. Ainda dá tempo de ver parte do segundo jogo do Paysandu. Sinto que perdemos a grande oportunidade de sair com uma vantagem enorme nessa semifinal. Depois encaramos uma caldeiradadecepcionante, Da Silva e eu.

Metade dela fica na terrina.
 
No hotel, cansado, vejo depois do banho o filme Iracema, uma transa amazônica. Vejo como se buscasse um pouco mais de sentido e reflexão para essa região estranha que vivo.

Temos mais o fim de semana de trabalho. E a volta para casa.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A partir do dia 16 Comissão da Verdade volta à região de Carajás para ouvir indígenas e camponeses

A Comissão Nacional da verdade chega ao Araguaia no próximo dia 16 para realizar uma série de atividades ligadas ao grupo de trabalho que investiga casos de violações de Direitos Humanos cometidos contra indígenas e camponeses durante o período da ditadura militar (1964-1985). Leia mais em CNV

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Justiça - juiz determina indisponibilidade dos bens do senador tucano Mário Couto

O juiz da 1ª vara da Fazenda Pública de Belém, Elder Lisboa, decretou liminarmente nesta segunda-feira (12) a indisponibilidade dos bens do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) Mário Couto Filho e dos servidores Dirceu Pinto Marques, Sandra Lúcia Feijó, Sandro Sousa Matos, Jorge Kleber Serra e Sérgio Duboc Moreira. A decisão é decorrente de Ação Civil Pública (ACP) ajuizada em janeiro deste ano pelo Ministério Público do Estado (MPE). Leia mais no site do MP-PA