sábado, 21 de abril de 2012

Tem Choro na Batista Campos amanhã - uma orquestra inteira

A Orquestra do Choro faz ensaio aberto amanhã na Praça Batista Campos, a partir das 10h. O projeto que nasceu ligado ao Instituto de Artes do Pará (IAP) em 2006, atualmente é vinculado ao Curro Velho. Ele nasceu com  o nome oficial de Choro do Pará. Pelo menos dois meses antecedem o ensaio aberto. 
Perto de 50 pessoas integram o grupo, que ganha corpo com jovens e músicos experimentados. Adamor do Bandolim e Zé Branco estão entre os mais calejados.  
Uma apresentação com pompa e circunstância ocorre no dia 28 no Teatro Maria Silva Nunes.  O ensaio de amanhã é uma homenagem ao gênero, que tem data oficial de celebração agendada no dia 23, segunda, dia de São Jorge.

Casa do Gilson- uma noite de choro


Jacó do Bandolim, Pixinguinha, Ernesto Nazaré desfilam na Casa do Gilson, um reduto do choro, que vez em quando concede uma canja ao samba de raiz. O espaço soma 24 anos de vida na cidade de Belém. Fica num bairro popular chamado Condor. Como outros bairros da capital do Pará, padece com as chuvas intensas.
Noite de sexta. O músico Yuri Guedelha articulou uns pares para celebrar, antecipadamente, o dia nacional dedicado ao gênero. Jovens mais experientes é a maioria do público. Ao contrário do sábado, onde as tardes são dedicadas ao samba de raiz, há espaço até para riscar um salão cimentado.
Não há conforto. Ventiladores tentam amenizar o calor. A música de primeira é o cartão postal do logradouro. Ali músicos e simpatizantes comungam na sexta ou aos domingos o instrumental do Gilson. No escrete três violões sete cordas, um bandolim, cavaquinho, pandeiro e surdo se espremem num palco modesto.
Além de músico, Gilson é artista plástico. Na entrada do espaço quadros do dono da casa ficam expostos e podem ser adquiridos. O ambiente é familiar. Quase nunca ocorre confusão. É comum a visita de políticos do campo democrático. Em particular em ano de eleição.
Tem gente que é habitué do lugar desde a fundação, quando tudo ainda era cercado de madeira. Os antigos frequentadores e músicos que já executaram a passagem estão celebrados em bonecos de papel, numa galeria póstuma suspensa.  Não raro músicos de outras latitudes quando baixam em Belém visitam a casa.

Tudo parece antigo. Até o garçom João. Um senhor baixinho de óculos. Um jeitão bem folgado. Faz graça com os frequentadores mais antigos. Tira as damas para dançar. Toma cerveja. E coisa e tal. A música segue entrecortada por causos e poemas. Um sarau. Guedelha anuncia as canções, os convidados e homenageados.
Catiá é um deles. É um senhor ranzinza. É baixinho. Encurvado pelo tempo, mas não usa óculos, assim como Geraldão. Ambos executam com maestria o sete cordas.  Eles são os homenageados. Somadas as idades dos dois, mais de século e meio. Catiá sempre anda de calça e camisa de botão. Geraldão é do tipo desleixado, bermuda e qualquer camisa o acodem.
No palco do Gilson muitas gerações. Tem Marcelo, um jovem magro que manda bem em tudo que tem corda.  Paulo Moura é mais antigo e domina o sete cordas, e tem outros jovens que não memorizei o nome. A flautista do grupo Charme do Choro tem cabelos pintados de vermelho. Outros jovens mais antigos cabelos caiados de branco. A música segue. Como segue a vida, a nau, a dor. A música segue. Por motivo de saúde Tereza não veio.
Um casal ataca na dança. Ele é baixinho e roliço. Parece mais velho que ela. Uma moça renascentista de uns quarenta e poucos. Tem um riso generoso. Mais alta que ele. Lembra uma matriarca italiana. É bem redonda. Uma fofura. Aos moldes da minha simpatia.
Um casal menos antigo invade a arena. Gente de academia. Executa passos milimetricamente ensaiados. Acho sem graça. Mas, todos parecem apreciar o desempenho, quase olímpico. A música segue. A noite se adianta. Eu também. E sigo. Com a pororoca de minhas dores, que não vale um lamento.    

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Centro histórico de São Luís

Iara - a menina que adora ler

A mãe tem feição indígena. Garante o sustento numa bodega simples, escondida numa viela próxima a uma BR. Entende-se melhor com os números. Desde os 17 anos de idade trata com o assunto. Pedreiro, aposentados, funcionários públicos e biscateiros frequentam o lugar.  A filha, ao contrário, parece uma jovem saída de romance parnasiano.
Iara, a rainha das águas, tem 16 anos. Nunca fumou. Mas, padece de enfisema e outras chagas da respiração.  É bem clarinha e magra. Cabelos encaracolados. Nos derradeiros dias tem se indisposto com Maquiável, O Príncipe. Até onde a minha ignorância deixa alcançar, - tão robusta - a obra é fundamental para se entender coisas sobre a política.  
Em tempos de hiperconectividade, Iara parece uma menina fora do comum, fora do eixo, fora do esquadro. A mãe da adolescente gasta tempo em visitas a sebos. Explica que o quarto é cheio de livros. Queixa-se dos preços dos livros novos.
A jovem que se declara incondicional admiradora de Clarice Lispector aguarda a digestão de O Príncipe para encarar Utopia de Tomas Morus.  Alan Poe já foi devorado pelo apetite literário da rainha das águas, que aprendeu inglês por conta própria, e exercita a língua estrangeira com os filhos do pastor da igreja que frequenta. Um estadunidense.
A menina que adora ler, quase nunca ver TV, surpreende com a intenção profissional. Ela deseja ser engenheira civil. As primeiras pedras para a construção do alicerce são as melhores, uma leitura bacana, ainda que ela confesse simpatia por Agatha Christie.

Justiça condena pecuaristas que fraudaram a Sudam a devolverem R$ 4,7 milhões

A Justiça Federal condenou a Agropecuária Pinguim S.A, seus acionistas – Rui Denardin, Armindo Dociteu Denardin e Ilvanir Dalazen Denardin – e a contadora Maria Auxiliadora Barra Martins a devolverem aos cofres públicos R$ 4,7 milhões desviados da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia).  Leia mais em MPF

Documetário sobre o Pasquim

Documentário em tom de bate-papo de botequim, realizado em 1999, revela os bastidores do tabloide O Pasquim. São dois volumes: “O Pasquim: A Revolução pelo Cartum” e “Humor com Gosto de Pasquim”. Este primeiro volume, aqui dividido em 4 partes, aborda o nascimento do jornal em Ipanema, os aspectos formais do cartum como foi empregado no jornal e a sua relevância cultural.

Hidrelétricas na Amazônia - pesquisa alerta sobre os impactos cumulativos

Uma das regiões de maior biodiversidade do planeta, a Amazônia está sofrendo grande pressão por conta da construção de hidrelétricas. Estudo [ Proliferation of Hydroelectric Dams in the Andean Amazon and Implications for Andes-Amazon Connectivity ] publicado nesta quarta-feira (18) na revista “PLoS ONE” revela que há projetos para 150 novas barragens nos seis maiores rios que conectam os Andes à Amazônia. Isto representa um aumento de 300% em relação às já existentes em uma área que se espalha por cinco países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Leia mais em Ecodebate

Choro no Gilson hoje - chorões pra mais de metro

Um choro de prima para elevar a alma

Belo Monte - trabalhadores rejeitam proposta e continuam em greve

Pedro Peduzzi
De acordo com o Sintrapav, a greve só será suspensa, caso o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) apresente uma nova proposta, já que a proposta final da CCBM foi rejeitada pelos trabalhadores. Ela previa, entre outras medidas, manter o período de intervalo das baixadas [período em que os trabalhadores podem visitar as famílias] em 180 dias, mas aumentando a duração de nove para 19 dias. Leia matéria da EBC replicada no IHU

Questão indígena - A Ditadura Militar e os Waimiri - atroari

“Os índios waimiri-atroari são desaparecidos políticos, como os demais que desapareceram no rio Araguaia”, defende Egydio Schwade (foto), ex-secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário – Cimi. É a partir desta denúncia que ele reivindica que o massacre contra aproximadamente dois mil índios waimiri-atroari, ocorrido no período da ditadura militar, faça parte da Comissão da Verdade, que tem a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas entre 1964 e 1985. Schwade participou do processo de alfabetização dos waimiri-atroari entre 1985 e 1987 e conta que, a partir de desenhos, os indígenas começaram a contar “as atrocidades que haviam ocorrido no período militar”. E enfatiza: “Eles desapareceram porque resistiram contra os projetos do governo militar. (...) Muitos indígenas foram mortos, uns com napalm, outros eletrocutados, uns com armas de fogo”. Leia mais no IHU

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A insustentabilidade da Vale - conheça o relatório

A Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale lançou no dia 18 de abril o Relatório de Insustentabilidade da Vale 2012. Trata-se de um documento inédito no Brasil, também conhecido como relatório sombra, que se utiliza da mesma estrutura do Relatório de Sustentabilidade da mineradora para contrapor, ponto a ponto, os eixos abordados pela empresa. Veja em anexo o relatório completo. Leia mais no Justiça nos Trilhos

Todo dia era dia de índio

MPT firma TAC com a HYDRO ALUNORTE beneficiando cerca de 1000 trabalhadores portuários

ALUNORTE – Alumina do Norte do Brasil S.A. firmou com o Ministério Público do Trabalho termo de ajustamento de conduta (TAC) no qual se compromete a cumprir integralmente a legislação trabalhista e previdenciária em vigor, em todo território nacional onde exerça atividades. A refinaria, que atua na cadeia produtiva do alumínio, assinou acordo extrajudicial depois que um inquérito civil público instaurado pelo MPT constatou irregularidade nos portos de Barcarena, a 40 km de Belém, onde está localizada a planta industrial da empresa. Leia mais no blog do Rogilson

MPF e Funai pedem retirada de invasores de terras do povo Kayapó no PA

O Ministério Público Federal e a Fundação Nacional do Índio pediram à Justiça Federal de Redenção que determine a reintegração de posse, em favor dos índios Kayapó, da Terra Indígena Kayapó, entre os municípios de Tucumã e Cumaru do Norte, no sudeste do Pará. Invasores não-índios chegaram ao local conhecido como Motayto, dentro da Terra Indígena. Leia a íntegra no MPF

Após oito anos, STF julga ação sobre titulação de terras quilombolas

Após oito anos tramitando, a ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra o Decreto 4.887/2003, que regulamenta a titulação dos territórios quilombolas, será julgada hoje (18) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O relator do processo é o ministro Cezar Peluso, que também é presidente do STF. Leia mais em Amazônia

Bispos criticam STF em assembleia da CNBB

O arcebispo de Campo Grande (MS), d. Dimas Lara Barbosa, e outros três bispos criticaram, durante a 50.ª Assembleia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP), os ministros do Supremo Tribunal Federal que aprovaram a interrupção da gestação de fetos portadores de anencefalia. Leia mais AQUI

Titularização de terras quilombolas ainda enfrenta resistências

Dezenas de quilombolas de várias partes do país comaram a desembarcar em Brasília no início desta semana. Eles querem garantir um bom quórum – e muito barulho – numa grande manifestação planejada para esta decisiva quarta-feira (18/04) em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Leia mais IHU

Trabalho escravo no MA - Crianças bebiam a mesma água que o gado

Crianças bebiam a mesma água que o gado na fazenda Bonfim, zona rural de Codó, Estado do Maranhão, de onde foram resgatadas sete pessoas de condições análogas às de escravo após denúncia de trabalhadores. Retirada de uma lagoa suja, ela era acondicionada em pequenos potes de barro e consumida sem qualquer tratamento ou filtragem, a não ser a retirada dos girinos que infestavam o lugar. Os empregados também tomavam banho nesta lagoa, e, como não havia instalações sanitárias, utilizavam o mato como banheiro. Leia matéria do blog de Sakamoto replicada no IHU

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Eldorado - manifestaçao em Marabá - registro de Lehu Wanio- assaltado do Facebook do Elho