sábado, 13 de dezembro de 2008

Terras de Daniel Dantas no Pará Seriam para lavar dinheiro

O banqueiro Daniel Dantas teria outros objetivos além da criação de gado, quando comprou terras no Estado do Pará. É o que afirma o delegado federal Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha, onde prendeu Dantas, o investidor Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, acusados de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.Protógenes esteve ontem, em Belém, para uma palestra na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PA), à convite do senador paraense José Nery (Psol), para tratar do tema ‘A Atualidade da Luta pela Ética na Política e contra a Corrupção no Brasil’.

Para ele, o banqueiro comprou as fazendas Maria Bonita, Cedro e Espírito Santo, localizada em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, que possuem mais de 100 mil cabeças de gado, para lavagem de dinheiro e também atrás da riqueza que estaria no subsolo das terras. O delegado disse que o Pará tem participação importante nas ligações obscuras do banqueiro.


“Existe indícios que essa compra de fazenda é para apenas esconder a real finalidade, que seria lavar dinheiro”, explicou Protógenes. “E também, existe uma situação maior, uma suspeita, que essas terras sejam ricas em minério no seu subsolo”. Para ele, as fazendas foram compradas estrategicamente. “Por isso essa velocidade e essa voracidade dele chegar e escolher determinadas fazendas, em determinadas regiões estratégicas com intenção, não no solo, mas no subsolo”, afirmou.


OPERAÇÃO Sobre a operação Satiagraha, Protógenes disse que foi uma das mais complexas que ele já participou, pois está cercada de discussões políticas. Ele chegou a participar das investigações de casos como a do deputado Hidelbrando Paschoal e investigou o ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf. “Na Satiagraha, são pessoas poderosas, que estão nos círculos de poder há mais de 20 anos”, explica. “Por causa disso, sofri pressões antes, durante e depois das investigações”.


Hoje, Protógenes está afastado das suas funções na Polícia Federal e é investigado pela própria PF por quebra de sigilo funcional, desobediência, usurpação de função pública, prevaricação, grampos e filmagens clandestinas. “Estão tentando desqualificar o trabalho que foi feito na primeira fase das investigações e tirar o foco do principal alvo, que é Dantas”, afirmou. “Existe um poder que dá suporte para ele, mais a população evoluiu e não pode mais ser tratada como idiotas”, diz.


O delegado afirmou que ainda acredita que a justiça condene o banqueiro. “Ele foi condenado pelo crime de corrupção, e ainda responde por uma segunda investigação dos crimes financeiros dele, de tamanha gravidade, que é gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, que estão sendo investigado”, opina. “A sentença do doutor Fausto de Sanctis (juiz que condenou Dantas) foi bem recebido pela sociedade”.
Diário do Pará-12-12-2008

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Crônica Tocantina

*Ed Wilson Araujo

Nas noites de insônia, quando a angústia entala na garganta, abro a janela para tragar o vento morno das madrugadas de dezembro. Levanto aquecido, calço os chinelos, atravesso o corredor estreito e espio na fresta a rua lá fora.

A cidade mórbida aguarda a manhã úmida chegar. Cruzo os dois lances de pista da rua 15 de Novembro, desço a ladeira da fábrica de gelo e alcanço o cais.

Subo a mais alta barranca e salto. O farfulhar da água nas encostas do rio convida a um mergulho. Para a morte? Não.

Deslizo sobre a lâmina d’água escura. Com a ponta do dedo indicador escrevo em letras fosforescentes esta crônica.

Cada palavra salta em relevo da folha lisa e fria, como uma teia envolvendo a madrugada. Sapos-cururus soltam suas onomatopéicas canções, fazendo os efeitos sonoros do texto.

Os bichos da noite, esses seres estranhos que fingem assustar a gente, participam da construção do enredo.

O motor da balsa, ao longe, ruge vagarosamente. Todos regem o manifesto escrito na teia d’água.

As corujas rasgam a escuridão com suas rajadas sonoras. Sinal de morte? Tudo vive e morre a cada momento. O agora não era. Passa a ser e já não é mais daqui a um milésimo de segundo.

No cair de um meteoro o rio é outro em sua própria filosofia.

Uma letra, um acento, um ponto, uma pausa... meu dedo vai tecendo as frases na folha d’água.

Ratos remexem o lixo no monturo. O esgoto escorre pelas bocas de lobo. Mucuras, lagartos, peixes... todos atentam ao manifesto feito na madrugada. O que querem? Por que falam? Só a manhã dirá.

Quando o sol nascer e as turbinas do avião anunciarem os primeiros passageiros cruzando o céu nevoento, o rio fará sua prece, em letras gigantes, dizendo:

Eu nasci a quilômetros daqui. Percorri várias cidades, desci barrancos, contornei montes, descansei nos remansos, desci nas cachoeiras, ultrapassei as corredeiras, moldei as pedras e agora corro livre o meu caminho.

Mas aqui e acolá, sinto as barreiras de concreto tentando represar-me. Jogam esgotos em mim, derrubam as matas ciliares, atiram sacos de lixo, resíduos tóxicos; enfim, tudo que não presta.

É como se eu fosse a cloaca do mundo. Querem fazer do meu leito um leito de morte, mas eu resisto. Cresço nas cheias, recolho-me no verão e acolho você nas minhas praias.

Ofereço os peixes para o seu alimento e a água que sacia sua sede. Só quero seguir meu rumo em paz.

Ao concluir seu manifesto, uma tromba d’água entrou em cena. De manhã bem cedo, o rio cresceu rapidamente, invadindo as ruas da cidade, lambendo as beiradas das calçadas, batendo às portas para que todos lessem sua súplica.

Do avião, os passageiros liam o manifesto em letras gigantes na superfície da água. Os peixes pulavam, os sapos em cântaros, as canoas dispersas amontoaram-se com a maresia, enfileiradas para apontar o caminho das letras dispostas de margem a margem.

Tambaquis, acarás, caranhas, piaus, tucunarés, piranhas, pintados, filhotes e outros bichos d’água vieram à tona convidar o povo para o ato público.

Procissões desceram a caminho do Porto da Balsa. Católicos, evangélicos, umbandistas... toda gente foi para a beira do rio assistir ao espetáculo dos peixes dançantes, sapos falantes, grilos, tracajás performáticos e canoeiros ligeiros.

Pintassilgos, rouxinóis, beija-flores e bem-te-vis formavam a sinfônica com vôos bailantes.

A cidade toda parou para assistir o dia em que o rio falou e disse.
*Jornalista, mestre em Educação, professor da Universiade Federal do Maranhão (UFMA), no campus de Imperatriz. Militante do Movimento de Rádios Comunitárias e do PT http://blogdoedwilson.blogspot.com/

Sutilezas capitais

Duas grandes corporações encontraram uma forma sutil de interagir com a realização do Fórum Social Mundial (FSM), que ocorre em Belém entre 27 de janeiro a 1º fevereiro de 2009.

A Vale que opera em várias regiões do Pará e possui orçamento superior ao do próprio estado e a Imerys Rio Capim Caulim bancam as páginas dos maiores jornais do estado dedicadas á cobertura do FSM.

Sabe-se que a diretoria da Vale chegou a flertar com a coordenação do FSM com a finalidade de ter a sua marca associada ao evento que deseja um outro rumo para o planeta. A Imerys opera no município de Barcarena, próximo a Belém.

A empresa francesa saiu do anonimato graças a uma sucessão de acidentes ambientais que afetou os rios do lugar e a vida das populações ribeirinhas. Os tanques de contenção dos resíduos transbordaram.

Faz quatro anos que os acidentes são registrados e a cada dia ganham maior proporção. O grave acidente que alcançou as manchetes internacionais foi registrado em julho do ano passado. A Imerys Rio Capim Caulim produz pigmentos para papéis.

A Vale é a mega mineradora que também opera a Ferrovia de Carajás, por onde o minério de ferro é carregado do sertão do Pará ao porto em São Luís, no Maranhão, de onde ganha o mercado mundial.

Os passivos da companhia mesclam dimensões ambientais e sociais. Além do minério de ferro a empresa explora bauxita a oeste do estado, matéria prima para a produção de alumínio.

O minério também é explorado no município de Paragominas, a nordeste do Pará, e chega a Barcarena onde mantém duas gigantescas fábricas de produção de lingotes de alumínio.

No caso de Paragominas, o minério é transportado via duto, cortando terras quilombolas no município de Moju. Em Parauapebas, sudeste do Pará, a Vale é recordista em queixas trabalhistas.

A produção de energia é outro interesse da corporação, que em associação com outras mastodontes, vem investindo em hidrelétricas. A energia é o principal insumo para a produção do alumínio.
Ao lado da Alcoa, Camargo Correa e da Tractebel erguem no rio Tocantins, fronteira do Maranhão com o estado do Tocantins, a hidrelétrica de Estreito.

Amazônia em traço
















Ricardo Borges é um chapa contemporâneo de universidade no Maranhão. Mora faz uma penca de tempo na capital do país com a musa conspiradora Irlanda, como nomeava a namorada, hoje esposa, quando nos tempos de produção de zines, na pacata São Luís. O casal soma dois rebentos.


Borges é jornalista e um craque no traço. Tem trabalhos publicados em jornalões, como o Correio Braziliense, e na imprensa sindical. O conjunto de charges foi publicado através da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES), onde presta assessoria.

Por esses dias o poetamigo mandou duas sínteses sobre a devastação da floresta amazônica. O talento de Borges em traço e letra pode conferido aqui www.rborges.net



Maior pacote de ações ambientais do MPF no Pará quer R$ 2 bi de desmatadores




Ações pedem o pagamento de danos pelo desvio de 71 mil carretas de madeira.

O Ministério Público Federal (MPF) no Pará ajuizou nesta sexta-feira, 12 de dezembro, a maior quantidade de ações por irregularidades ambientais que a instituição já encaminhou de uma só vez à Justiça Federal no Estado. São 107 empresas e 202 pessoas acusadas pelo desvio de 1,7 milhão de metros cúbicos de madeira, o equivalente à carga máxima de 71 mil carretas do tipo das mais encontradas no transporte ilegal de toras na região.


No total, o prejuízo cobrado dos acusados passa dos R$ 2 bilhões.As acusações abrangem dois principais alvos: as empresas que até 2007 deviam as maiores multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Estado e as empresas que se beneficiaram do esquema criminal que ficou conhecido como Ouro Verde II, descoberto em 2007 e que resultou na prisão de 30 envolvidos em adulterações no sistema eletrônico de créditos florestais do Ibama.


Além do ressarcimento pelos danos ambiental e moral causados à sociedade, a ação assinada por todos os procuradores da República em Belém solicita à Justiça que os acusados sejam obrigados a reflorestar a área desmatada, um total de 364 quilômetros quadrados de terra, quase o mesmo tamanho do município de Curitiba.

O município com maior número de empresas denunciadas é Paragominas, no sudeste paraense, onde também está sediado o empreendimento que, das 107 ações, é acusado de ser o responsável pelo maior prejuízo socioambiental, a U-Guazu Agropecuária. O MPF quer que a empresa pague R$ 90,8 milhões em indenização pelo desmatamento de uma área de 22 quilômetros quadrados, de onde foram retirados 88,3 mil metros cúbicos de madeira.

Praticamente metade do número de empresas denunciadas são objeto de outras investigações ou réus em processos abertos pelo MPF na região amazônica. A maioria absoluta já foi acusada de cometer fraudes em licenças ambientais, mas há também casos de trabalho escravo e fraudes previdenciárias e tributárias.Há casos de pessoas que foram acusadas por irregularidades de mais de uma empresa. Os sócios Valdinei Lima Ferreira e Neurivan Santana Virgolino são os campeões: foram acusados em cinco ações diferentes (processos contra as empresas de comércio de carvão Pedra Preta, Bela Vista, Águas Lindas, Rio Vermelho e Bom Jesus).

Outro pedido da ação, coordenada pelo procurador da República Daniel César Azeredo Avelino, é que a Justiça Federal suspenda a atuação das empresas condenadas. Tratam-se, na maioria das vezes, de casos de utilização abusiva da personalidade jurídica das empresas, o que permite aos seus dirigentes persistir na prática de infrações ambientais impunemente, já que, embora muitas das empresas tenham comprometido o capital social, não podem, em princípio, ter seus patrimônios pessoais atingidos pelas dívidas das pessoas jurídicas, ressalta o procurador.


Procuradoria da República no Pará

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Belém- Seminário internacional celebra 35 anos de pesquisa do NAEA


O Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), da Universidade Federal do Pará (UFPA), celebra 35 anos de ensino, pesquisa e extensão com o Seminário Internacional Amazônia e Fronteiras do Conhecimento, que iniciou ontem em Belém no hotel Hilton, e se encerra no próximo dia 11.

O evento tem por objetivos fomentar novas propostas de intercâmbio entre instituições de pesquisa e ensino de pós-graduação, divulgação e difusão dos conhecimentos a amplos segmentos da sociedade civil, socializar conhecimentos visando a aplicação em políticas públicas participativas orientadas ao desenvolvimento, fortalecer as atividades de pesquisa inter e intra-institucional com instituições públicas e privadas, nacionais e internacionais, no campo das ciências sociais e ambientais.


Hoje às 18 horas o seminário faz uma homenagem ao ambientalista Chico Mendes, assassinado há 20 anos em Xapuri, no Acre. A mesa será coordenada pela antropóloga Mary Alegretti, que colaborou com o seringalista e terá a participação dos pesquisadores Philip Fearnside (INPA), Susana Hecht (UCLA), Ligia Simonian (NAEA/UFPA) e Miguel Pinedo (Columbia University).

Sessão Especial Chico Mendes é destaque do Seminário



Para lembrar os 20 anos da morte do seringalista Chico Mendes, assassinado em 22 de dezembro de 1988, será exibido nesta quarta-feira (10), no Seminário Internacional Amazônia e Fronteiras do Conhecimento, o documentário Eu Quero Viver (1989), de Adrian Cowell.



O vídeo, realizado para a rede de televisão Central Television, faz parte de uma série sobre o desmatamento no sul de Rondônia e mostra a luta de Chico Mendes na segunda metade da década de 1980 pela preservação da Amazônia.



Através do documentário, a proposta da "União dos Povos da Floresta", que defendia a criação de reservas extrativistas ficou conhecida mundialmente, o que rendeu a Chico muitos prêmios, como o ?Global 500? da ONU, a maior premiação do meio ambiente, em 1987, na Inglaterra.

A luta de Chico Mendes, que deu origem ao mais expressivo fenômeno de organização de populações tradicionais pela defesa dos recursos naturais da Amazônia, será também o tema da Sessão Especial coordenada pela antropóloga Mary Alegretti, com a participação dos pesquisadores Philip Fearnside (INPA), Susana Hecht (UCLA), Ligia Simonian (NAEA/UFPA) e Miguel Pinedo (Columbia University).

Mary Alegretti trabalhou com Chico Mendes de 1981 a 1988 divulgando sua luta e suas propostas no Brasil e no mundo. Foi Secretária de Coordenação da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente de 1999 a 2003. Atualmente é consultora independente e professora visitante em diferentes universidades nos EUA: Yale, Chicago, Flórida e Wisconsin-Madison.
FONTE- ASCOM-NAEA/UFPA

Zoneamento Ecológico e Econômico do Oeste do Pará

O oeste do Pará é uma fronteira para onde se desloca as tensões na disputa pela terra antes concentradas no sul e sudeste do Estado. Para tentar estabelecer marcos legais o estado encaminhou projeto de lei do Zoneamento Ecológico e Econõmico da região, que ora é criticado pelo militante de defesa dos direitos humanos de Santarém, Pe. Edilberto Sena, como uma ferramenta de socorro aos predadeiros da natureza da região.
Está tramitando na assembléia legislativa do Estado do Pará um projeto de lei irresponsável com verniz de seriedade. É o projeto de lei que cria o Zoneamento Ecológico Econômico do Oeste do Pará. A governadora do Estado deixou para apresentar o projeto nos últimos dias do exercício anual.
Dentro de mais poucos dias os deputados sairão em recesso parlamentar e há uma pressão do rolo compressor nestes dias, para que seja aprovada a nova lei criminosa na assembléia legislativa.
Certamente se a Assembléia aprovar, a governadora sancionará como um cavalo de tróia como presente de Natal ao presente e ao futuro das populações do Pará.
O secretário de governo andou aqui pela região realizando pseudo audiências públicas, para dizer que consultou a sociedade civil antes de armar o truque da lei de Zoneamento Ecológico Eonômico. Foi feita denúncia, por parte da sociedade civil, de que o tal projeto é nefasto, anti ecológico e perverso à natureza e às populações nativas.
O artigo 10 por exemplo, diz que "as florestas existentes nas áreas protegidas no território paraense poderão ser utilizadas para fins de compensação de reserva legal". Isso mesmo, está por se tornar lei estadual tal absurdo.
É de um cinismo puro. O governo do Estado atende aos criminosos que destruíram além dos 20% de seus lotes, com o direito de compensação, utilizando florestas que já são áreas protegidas, isto é, parques nacionais, reservas extrativistas, florestas nacionais e semelhantes.
Como pode um governo que se diz popular e sério, tomar partido em favor de grileiros e devastadores de matas e florestas? Será que os deputados irão fazer o jogo da governadora? Será que venderão suas almas a troco de favores?
É preciso vigiar os votos dos deputados, especialmente dos seis da região Oeste do Pará.
Terão eles e elas coragem de defender a Amazônia e seus povos, mesmo contrariando a governadora que com tal projeto revela com que tem real compromisso?
É acompanhá-los nos próximos dias. E também outras organizações da região precisam denunciar esse crime hediondo contra o presente e o futuro do Pará.

Pe. Edilberto Sena- Rádio Rural de Santarém

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Maranhão - as vísceras do sertão


O Maranhão é o principal estado exportador de mão de obra escrava. No sul do estado grandes corporações como Bunge e Cargil hegemonizam o cultivo da monocultura da soja. A mesma região registra os maiores índices de desmatamento no estado e imensas fazendas controladas por sulistas em parceria com a família Sarney.

Açailândia e Balsas estão entre os municípios que mais desmatam no Maranhão, informam os dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Respectivamente os municípios estão no oeste e sul do estado, região de pré-Amazônia, onde incide o bioma Cerrado.

O primeiro município abriga um pólo de produção de ferro gusa; já o segundo um pólo de produção de soja. Ambos os empreendimentos gozaram de generosos incentivos fiscais do governo para a instalação.

No mundo erguido pelos grandes projetos, intensivos no uso dos recursos naturais, o rastro de passivos serpenteia na paisagem marcada do cerrado. A região que abroga várias nascentes de rios virou um solo onde germinam a degradação ambiental, a prática do trabalho escravo e a prostituição de crianças.

Antonio Gomes de Moraes, conhecido como “Criolo” é militante da Comissão Pastoral (CPT) de Balsas, sul do Maranhão e integra a frente de defesa do bioma Cerrado na região. Ele pinça um pouco do vasto mundo do sertão do Maranhão, o estado que exporta mais de 40% de toda mão de obra escrava liberta em do país.

Foto: R. Almeida- Antonio Gomes










FURO - Qual a área de atuação da diocese?

Antonio Gomes (AG)- Temos aqui na diocese de Balsas 18 municípios (Balsas, Mirador, Alto Parnaíba, Riachão, Feira Nova, Fortaleza dos Nogueiras, São Raimundo das Mangabeiras, Loreto, Benedito Leite, São Domingos do Azeitão, Nova Iorque, Sucupira do Norte, Fortaleza dos Nogueiras, São Félix de Balsas, Nova Colina, Tasso Fragoso, Sambaíba e Pastos Bons). Mas, o total abrange cerca de 28 cidades, limitando com os estados do Tocantins e Piauí, para onde se alastra a fronteira agrícola da soja.

FURO - Como se configura o cenário aqui na região sul do Maranhão?

AG - Os grandes projetos aqui na região, baseados na monocultura da soja, cana e as carvoarias configuram como os grandes desestabilizadores do mundo rural. A história começou aqui no fim de 1970, com a presença dos sulistas para o cultivo da soja. Depois vieram os paulistas e por último a turma do Mato Grosso. Isso se deu graças aos incentivos do governo.

FURO - Quais as empresas que estão aqui na região de Balsas?

AG - As maiores aqui são a Bunge e a Cargil.

FURO - Onde se concentra a monocultura de soja?

AG - Balsas, Tasso Fragoso e Alto Parnaíba são os municípios com maior incidência. Para se ter uma idéia somente a fazenda Agroserra, na fronteira dos municípios de São Raimundo das Mangabeiras e outra parte em Fortaleza dos Nogueiras, controla 230 mil hectares. A propriedade é da família Ticianeli, de origem paranaense. São três irmãos. Soubemos que a família Sarney possui ações no grupo. Creio que em 2005 cerca de 1.700 trabalhadores foram flagrados em condições degradantes de trabalho na produção da cana.
Foto:R.Almeida - paisagem do cerrado maranhense









FURO - Além da Agroserra, que outras fazendas possuem esse gigantismo?

AG - Carolina do Norte, Parnaíba, Nova Holanda, de propriedade da família Sarney. No momento são as que lembro, mas, tem mais.

FURO - Como fica o rio Balsas e a vegetação local?

AG - Outro dia fizemos umas imagens áreas. O rio Balsas se encontra totalmente degradado e a sua mata ciliar em destroços. O desmatamento aqui é o mais perverso possível. A prática é do correntão, que consiste em amarrar uma grande corrente em dois tratores para a derrubada da mata nativa, no caso aqui, o cerrado.

FURO - E como fica a madeira?

AG - A madeira é utilizada para a produção de carvão vegetal que alimenta as empresas de gusa.
Foto: R.Almeida - cair da tarde no cerrado do MA










FURO - A produção de carvão é indicada como fonte de trabalho escravo, aqui também é assim?

AG - Aqui temos trabalho escravo nas fazendas de grãos, cana e nas carvoarias. Em 2004 foram libertados 28 trabalhadores em São Raimundo das Mangabeiras na produção de carvão vegetal, em 2005 foram libertados mais 20 em Tasso Fragoso, em fazenda de soja. Em outubro foram soltos no município de Balsas em fazenda de soja mulheres e crianças.

FURO - Na questão além da destruição da mata ciliar e do cerrado, que outro passivo a monocultura da soja provoca?
Foto: R.Almeida - Criolo em reunião preparatória para o FSM, em Balsas/MA

AG - Temos a poluição. A monocultura de soja é tratada através de aviões. E na questão social registram-se a expropriação camponesa. O Maranhão é hoje o principal exportador de mão obra escrava. Muito se deve às monoculturas que expulsam as famílias camponesas. Para se ter uma idéia da tragédia do trabalho no estado, o Maranhão responde com 40% de toda mão de obra escrava libertada em todo o país. Isso se configura como um desastre social.

FURO - Qual o balanço que o senhor faz da soja na região?

AG - Venderam que Balsas ia ser o melhor lugar do mundo. Balsas é um bom lugar para poucas pessoas. Somente para os que possuem dinheiro. Para a gente fica o deserto, a terra e a água poluídos pelo veneno lançado pelos aviões.

FURO - Já ocorreu algum caso de óbito de animais ou pessoas por contaminação?

AG - Tivemos um caso num lugar chamdo de Vão da Salina, aqui em Balsas, houve o registro de óbito de animais. Em Loreto também tivemos registros de dois óbitos de crianças. O caso ocorreu na comunidade conhecida como Brejão, um projeto chamado Serra Vermelha, do ex-ministro da agricultura, Roberto Rodrigues. Em uma semana todas as famílias da comunidade tiveram o mesmo problema de saúde: vômito e diarréia. No fim da semana as duas crianças vieram a óbito no mesmo dia.

FURO - O que dizia o laudo médico?

AG - Os médicos se recusaram a informar a causa mortis. Sabe-se ainda da morte de animais no mesmo perímetro.

FURO - O senhor faz idéia da quantidade de veneno usado?

AG - Em um hectare de soja são colocados 509 quilos de produtos químicos durante todo o cultivo.

FURO - Como tem sido a ação dos movimentos sociais da região com relação a esses passivos sociais e ambientais?

AG - Nos anos de 1980 era mais atuante. Já nos anos de 1990, quando Fernando Henrique assume o governo, a gente avalia que engessou o movimento. Hoje os sindicatos estão bitolados em encaminhar aposentadorias rurais. É a burocratização do movimento e a perda do espírito de luta.
Foto: R.Almeida: a paisagem no cerrado após a colheita de grãos lembra um deserto.
FURO - Como é a ação da CPT na região?

AG - A nossa equipe é muito pequena para a dimensão física e dos problemas da região. A gente se empenha em tentar formar a militância.

FURO – Tem havido ocupações de terras?

AG - Nos anos de 2000 tem-se registro de algumas ocupações que esperam pela efetivação de projetos de assentamentos rurais. Isso de 2002 para cá. São os casos da fazenda Taboão, no município de São Raimundo das Mangabeiras, fazenda Sucupira e na fazenda Ponteira, ambas no município de Riachão. São mais de 200 famílias que estão na terra. Ainda pressionamos o INCRA para a efetivação dos projetos de assentamento.

FURO – Falando em INCRA, como funciona aqui na região?

AG - Em assembléia dos movimentos sociais aqui foi pedido o afastamento de quatro funcionários que estavam em conluio com os fazendeiros. Aqui a instituição é muito lenta.

FURO - Queria voltar ao assunto sobre trabalho escravo. E quanto aos acordos coletivos em que os sindicatos de trabalhadores rurais (STR’s) integram o grupo que trata do assunto, como se desenvolve?

AG - Primeiro que esses acordos coletivos de trabalho em sua maioria tem sido mero faz de conta para mascarar o trabalho escravo. Às vezes os STR’s funcionam mais como um desagregador dos trabalhadores. Voltemos ao caso da Agroserra. Em duas ocasiões houve manifestações dos trabalhadores contra a empresa. A fazenda produz soja e cana.

FURO - Quando a monocultura da cana chegou?

AG – A Agroserra que trouxe, tem 21 mil hectares cultivados, onde 16 mil são irrigados. É a morte do rio Neri. A empresa do outro lado detona as cabeceiras do rio Itapecuru. O lugar fica ali na reserva estadual do Mirador, uma ilha cercada de soja e agora cana por todos os lados. Mais de 500 famílias estão sendo retiradas da reserva. Quando da criação do parque na década de 1980, o governo se manifestou pela garantia do reassentamento das famílias, que nunca ocorreu.

GRUPO DE TEATRO DE AÇAILÂNDIA (MA) DENUNCIA TRABALHO ESCRAVO EM TURNÊ NA ESPANHA




Um grupo de 36 adolescentes e jovens do município de Açailândia, oeste do Maranhão vai participar de uma turnê pela Espanha com o espetáculo de teatro e música intitulado “Quilombagem”.

O grupo é ligado ao Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia, Maranhão (CDVDH). O espetáculo denuncia as condições de super-exploração de trabalho que passam milhares de brasileiros em pleno século 21.

O oeste do Maranhão é marcado pela implantação de grandes projetos, como o pólo de produção de ferro gusa. Os dados recentes do IBAMA indicam que Açailândia encontra-se entre os municípios com maior índice de desmatamento. A produção de carvão vegetal é a principal atividade onde os trabalhadores são escravizados no oeste do Maranhão.

A gênese do grupo se encontra na década de 1990, e tem como metodologia o Teatro do Oprimido. O objetivo inicial do grupo é que através da arte os jovens se mobilizassem para o conhecimento de seus direitos.

Quilombagem
Neste contexto, o espetáculo Quilombagem trata-se de um musical que recupera o sentido da luta contra a escravatura como um movimento no qual se incluem não apenas os negros fugitivos, mas também índios, mulatos, cafuzos, brasileiros, nordestinos, pobres e marginalizados, que tentam sobreviver às margens dos grandes projetos de desenvolvimento e pagam um alto preço pela ganância de empresários, coronéis e latifundiários.

De criação coletiva, o espetáculo é composto de poesias, dança, capoeira e meios audiovisuais. Obra em dois atos, frisa as semelhanças da escravidão colonial e a escravidão contemporânea, contextualizando a luta do povo pela sua libertação.

Compõem o elenco: 17 dançarinos; 12 capoeiristas, sendo 3 deles percussionistas, 7 atores, sendo 1 diretor de arte; 1 coreógrafo, 1 contra-regra, 2 figurinistas; 1 sonoplasta, 1 iluminador e 1 coordenadora geral. “Esperamos que fora do Brasil as pessoas possam entender essa mensagem e somar-se a nós nessa luta em defesa da vida e dos direitos humanos. Abram alas que queremos passar!, afirma Terezinha.”

Sobre o CDVDH – Açailândia – MA

O Centro de Defesa de Açailândia, além de fazer o trabalho de denúncia, realiza projetos de recuperação de crianças, adolescentes, jovens e adultos em situação de risco, valorizando a cultura popular e transformando-os em cidadãos conscientes de sua capacidade de transformar a realidade.

São mais de 5.000 crianças que, nestes anos, passaram pelo CDVDH de Açailândia e realizaram atividades de dança, teatro, capoeira e comunicação social e interiorizaram informação e formação sobre temáticas sociais, construindo um olhar crítico sobre o mundo.

Atualmente, as mesmas crianças e adolescentes que chegaram à entidade há mais de 10 anos se tornaram os jovens artistas capazes de colocar a arte a serviço de uma cultura libertadora. Com o apoio de profissionais e a assessoria de companhias brasileiras de teatro que comungam da mesma ideologia, os jovens artistas maranhenses participam de um processo coletivo de criação de espetáculos de alto nível e, em alguns casos, já conseguem viver, eles e suas famílias, do trabalho artístico e social que realizam.


ROTEIRO DE APRESENTAÇÕES:
ASTURIAS
Dia 08/12 – Teatro Filarmônica – Oviedo
Dia 09/12 – Teatro Jovellanos – Gijón
Dia 10/12 – Auditório de Mieres – Mieres
GALICIA
Dia 11/12 – Teatro Rosalía de Castro – A Coruña
Dia 13/12 – Santiago de Compostela
Dia 14/12 – Auditório Gustavo Freire – Lugo
ANDALUCÍA
Dia 16/12 – Teatro Lope de Vega – Sevilla
CATALUÑA
Dia 19/12 – Centre Artesá Tradicionárius – Barcelona
MADRI
Dia 21/12 – Teatro Colégio Maristas de Chamberí - Madri
Mais informações sobre o espetáculo: www.cdvdhacai.org.br
Enviado por Vanusia Gonçalves- CDVDH de Açailândia

A Amazônia e os direitos humanos

No próximo dia 10 de dezembro se celebra o sexagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para a maioria das pessoas ainda algo anuviado no horizonte. Ou como mal informam os programas dedicados ao cotidiano policial, uma ferramenta para a defesa de “bandido”.

Má fé e em elevado grau má formação e informação pesam para que a perspectiva do senso comum prevaleça. Poucos conhecem que a medida foi motivada contra as atrocidades cometidas na 2ª Grande Guerra.

Os sites das organizações associadas na defesa dos direitos humanos (http://www.dhnet.org.br/) esclarecem que o conteúdo da Carta, onde se abstiveram de votar a União Soviética e outros países comunistas a ela alinhados, tem como inspirações os princípios do que se chama Revolução Francesa.

A universalização dos valores de igualdade, da fraternidade e da liberdade é a dorsal do documento. A Carta é uma recomendação aos países signatários. Trabalho, seguridade social, direito à livre organização, comunicação e liberdade de expressão são alguns dos itens postos. Na Carta, a democracia é enfatizada como o regime menos obtuso.

A carta e a Amazônia

O regime de exceção, ao contrário dos valores indicados na Carta, engendrou uma cultura da força, da violência e violação dos princípios dos direitos humanos. A violência física, como cultura, ainda hoje tem eco em quartéis, cadeias e até mesmo no judiciário.

Não raro houve-se que “bandido” bom é “bandido” morto, por exemplo, e que as pessoas que denunciavam as violações ocorridas no regime de exceção, serem taxadas de “terroristas”, como o fez o juiz Gilmar Mendes, recentemente.

A prática da tortura, expediente em alta no regime militar, mesmo nos dias do século XXI ainda é denunciada em toda a parte do país. Na Amazônia, com a preponderância dos “homens de quepes”, a região passou por acentuadas transformação, como o incentivo do Estado para a instalação de grandes corporações do Centro-Sul do país e empresas estrangeiras.

A terra e os recursos nela existentes, que desde os tempos coloniais serviram como fonte de riqueza para poucos, permaneceram na mesma trilha. Extermínios de povos indígenas, chacinas e assassinatos de outras populações consideradas tradicionais ganharam maior proporção.

Há sinais de inversão da rota? O Pará é um ás dos mais variados exemplos de violências e violações dos direitos humanos. E, pelo que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), propugna a tendência será mantida.

Urge a manutenção do superávit primário, e assim as obras de infra-estrutura para o transporte de monoculturas, em particular a soja, o extrativismo mineral e geração de energia erguem-se como pilares da política para a região.

Em contrapartida, apenas 1% do já raquítico orçamento para a pesquisa é aplicado na região que soma mais de 50% do país. Os sombrios números de trabalho escravo, assassinatos de camponeses, indígenas, e pessoas a eles alinhados ainda carecem de um grande percurso para que venha a padecer de refluxo. Isso para não tocar nos desastres ambientais. Por enquanto, a atmosfera da força bruta e da grana ainda prevalece.

O exemplo recente de tal atmosfera foi o saque, o incêndio e o assalto que sofreu o IBAMA do município de Paragominas, que teve como protagonistas do ato criminoso madeireiros da região. Fato tratado com extrema generosidade pela mídia local. Se a mídia é generosa com o setor madeireiro, o mesmo não o faz com os movimentos camponeses e setores da Igreja Católica a eles alinhados.

Uma reunião com vistas à definição de agenda das organizações engajadas na Campanha Justiça nos Trilhos realizada em Belém, que visa rever os passivos sociais e ambientais da Estrada de Ferro de Carajás (EFC), motivou editoriais e reportagens parciais, o que fere o princípio do tratamento equânime. Em uma das pérolas os movimentos foram alçados a criminosos e os religiosos a pecadores.

A lenta lei, que em regra geral não costuma alcançar os mandantes de assassinatos de dirigentes camponeses e advogados, tem sido célere em processos que criminalizam dirigentes sociais e instituições e pessoas que defendemos direitos humanos no estado.

Assim, Batista Afonso, advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), chegou a ser condenado a 2.5 de prisão. Militantes do MST e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) estão sendo processados por buscarem seus direitos, religiosos e dirigentes são ameaçados de morte.

Lutemos para que cada lágrima rolada seja paga em dobro, como versou o poeta Chico.

Amigos do povo Zo’é

Foto: site www.amazoe.org.br


Rosa do Tapajós informa que um grupo de indigenistas e outros profissionais prestam suporte de forma voluntária para o povo Zo’é. O grupo mantém uma página na rede mundial de computadores: http://www.amazoe.org.br/.

Em uma das seções da página há o informe que, segundo o Decreto 1310-26/09/08, houve a regularização da faixa de proteção ambiental de 20 km como zonas intangíveis em todo o entorno da Terra Indígena Zo’é.

A faixa de proteção foi uma proposta pela Frente de Proteção Etnoambiental Cuminapanema –CGII e encaminhada pelo Ministério Público Federal-MPF- Procuradoria Geral da República.

A página mantém ainda a localização do povo Zo’é, notícias, artigos e informes tanto sobre o povo e outros irmãos da floresta.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Terra do Meio - terra em disputa

O Instituto Chico Mendes anunciou que vai realizar um levantamento sócio-econômico na Terra do Meio, região do Xingu, oeste do Pará. A região é considerada a derradeira reserva de mogno do planeta, alvo da cobiça de inumeráveis sujeitos sociais.

O grileiro tem preponderância, o caso emblemático é do Cecílio Rego. A região registra óbitos dos dirigentes sindicais Ademir Alfeu (Dema), Bartolomeu Silva (Brasília) e missionária Irmã Dorothy. O bispo Darwin, vencedor do prêmio Direitos Humanos das Américas,2008, há anos anda com escolta policial, por conta de constantes ameaças de morte.

A iniciativa do levantamento envolve um cipoal de ONG´s de grande porte e da região. Tarcisio Feitosa, vencedor do Goldman Prize - considerado o Nobel de meio ambiente - pelo seu trabalho para proteger a floresta tropical, no ano de 2006, sobre o contexto da região adverte:

01- Até hoje não foi liberado os créditos do Incra para essas famílias, no Riozinho há um garimpo ilegal de ouro funcionando a todo vapor, no Xingu as fazendas de gado mesmo com a ordem judicial não foram retiradas da área.

02 - Na última reunião promovida pelo Inchibio na área não deixaram as organizações de apoio participarem. E os técnicos do Inchibio disseram que as populações locais que estão dentro do Parque Nacional não podem tirar a castanha esse ano.

Amazônia : deu na Revista Fórum


Renato Rovai, editor da Revista Fórum visitou, desprovido de prentensão em revelar "um mundo selvagem" , como alerta, uma reserva ecológica no Amazonas.
A idéia é fazer uma panorâmica sobre o vasto mundo amazônico, ainda um universo desconhecido para a maioria dos brasileiros daqui e de outras regiões do país, antes da realização do FSM. que ocorre em janeiro em Belém,Pará.

Na primeira reportagem Rovai realiza um relato de viagem, descreve o cotidiano de alguns profisionais e aprende que em noites de lua a caça se esconde. No vasto mundo de águas, Rovai conheceu o rio Negro.

o Editor da revista Fórum conta que a "região escolhida para perceber um pouco da vida na floresta foi a Estação Ecológica do Arquipélago das Anavilhanas, composto por cerca de 400 ilhas e cuja área total é de aproximados 350 mil hectares."

Esta primeira matéria destaca as impressões da viagem, a vida indígena local e a história de profissionais de diferentes áreas que se deslocam para o desafio amazônico. Na segunda reportagem, da edição de dezembro, o desafio da educação e o trabalho às margens do rio Negro serão o centro da pauta, arremata Rovai.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Pará:Viagem ao mundo dos índios Zo’é - deu no Le Monde Diplomatique Brasil



Os índios Zo’é vivem no Baixo Amazonas, numa fronteira em que a exploração mineral e a monocultura de grãos ativada pela Cargil ameaçam a população indígena, ribeirinhos e agricultores. A região também registra remanescentes de quilombos.

A Vale e a Alcoa exploram bauxita, matéria prima para a produção de alumínio. Além das frentes da expansão das monoculturas e da mineração, para a região o governo federal agenda um pacote de hidrelétricas. Como se nota, todas as atividades são do setor primário, intensa no uso dos recursos da natureza. É a Amazônia extrativa, desde muito tempo.

O povo Zo’é é considerado isolado. Foi contatado somente em 1987, conta Beth Mindlin. Índios e índias podem ter mais de um par. Eles escaparam ao fundamentalismo evangélico e buscam com a cooperação de indigenistas a manutenção de sua cultura. Mauro Leonel recupera em artigo o contexto da região em que vivem os Zo’é. Aos interessados os artigos foram publicados na edição de novembro do Le Monde Diplomatique Brasil.

FSM - Notícias de Belém Expandida




60 dias para o FórumBelém Expandida permite a participação no FSM 2009 mesmo para as organizações que não estarão presentes fisicamente em Belém. O Consleho Internacional do FSM fez um chamado à participação no último mês de Setembro - http://www.forumsocialmundial.org.br/noticias_01.php?cd_news=2469&cd_language=1 Desde então, contatos foram feitos, um grupo de facilitação se estabelecey e Belém Expandida já é visível no OpenFSM.


Como está a mobilização para Belém Expandida?- 50 pessoas estão na lista de discussão e no espaço de de Belém Expandida: http://openfsm.net/projects/club-belemexpanded/team- 20 espaços fsm2009expanded foram criados para a América, Europa, África e Oriente Médio (outros estão sendo preparados): http://openfsm.net/projects/club-belemexpanded/list-en - 400 atividades foram registradas em Belém, indicando a intenção de conexões. A lista de organizações proponentes interessadas nas conexões permite que outras organizações entrem em contato. Veja a lista aqui: http://openfsm.net/projects/club-belemexpanded/belemcidade-list,


Como será feita a conexão entre os participantes de Belém Expandida?No território do FSM em Belém, o trabalho em curso pretende alocar salas com telefone e conexão de internet para os participantes de Belém Expandida, para permitir chats e video conferências. Se possível, técnicas mais sofisticadas de videoconferência serão usadas. Mais notícias nas próximas semanas. (info: http://openfsm.net/projects/tecnointercomfsm/project-home)


Como começar a participar de Belém Expandida? Para se envolver, não há registro preliminar, basta anunciar que a sua organização está interessada em participar de Belém Expandida. Para isto, você está convidado a preencher um parágrafo de texto e enviar à lista de discussão de Belém Expandida.


Siga as instruções: http://openfsm.net/projects/club-belemexpanded/english Depois do recebimento do seu anúncio, o grupo de facilitação de Belém Expandida irá entrar em contato.
FONTE- Boletim do FSM

FSM: Abertas inscrições para imprensa e atividades culturais




Já estão abertas as inscrições para imprensa e de proposição de atividades culturais para o Fórum Social Mundial 2009. As inscrições são gratuitas.Para inscrever uma atividade artístico-cultural, como teatro, cinema, música, literatura, artes visuais, dança, contação de histórias, entre outros, é necessário estar de acordo com a Carta de Princípios e com o Termo de Referência de Cultura do FSM. Esses documentos e o passo-a-passo de como fazer as inscrições podem ser acessados no link: http://www.fsm2009amazonia.org.br/forum-social-mundial/inscricoes/atividades-culturais


O período de inscrições para manifestações culturais segue até o dia 12 de dezembro. Imprensa: Podem se inscrever como imprensa, empresas de comunicação convencional, faculdades de jornalismo, profissionais free-lancers, comunicadores da mídia livre, alternativa e de organizações e entidades da sociedade civil organizada.

As inscrições para imprensa seguem até o dia 10 de janeiro e devem ser feitas no link: http://inscricoes.fsm2009amazonia.org.br/A inscrição e posterior credenciamento dará acesso livre às estruturas de apoio à imprensa e às coletivas. Informações: imprensa@fsm2009amazonia.org.br.
FONTE- Boletim do FSM

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Samba, Agoniza, Mas Não Morre


Existe um samba mais original para se cantarolar do que a pérola do mangueirense Nelson Sargento, no dia dedicado a essência da música brasileira?

Samba, agoniza mas não morre

Alguém sempre te socorre

Antes do suspiro derradeiro

Samba, negro forte destemido

Foi duramente perseguido

Nas esquinas, no botequim, no terreiro

Samba, inocente pé no chão

A fidalguia do salão

Te abraçou, te envolveu

Mudaram toda a sua estrutura

Te impuseram outra cultura

E você nem percebeu

Dantas e o capital financeiro-agrícola

Carlos Tautz
Efeito collateral da Satiagraha: a Polícia Federal descobriu indícios de que Daniel Dantas lavaria dinheiro através do investimento na mineradora Global Miner Exploration (GME), que ainda por cima operaria ilegalmente em áreas de proteção ambiental e em reservas indígenas no Pará.
Essa descoberta vem na sequência de outras revelações a respeito dos novos negócios de Dantas. O banqueiro, também proprietário de empresas de telefonia, está erguendo um verdadeiro império na pecuária de exportação e já seria o maior criador de gado no Brasil – talvez um dos maiores do mundo.
O Banco Opportunity, pertencente a Dantas, controla mais de 60% do capital da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, que possui pelo menos 500 mil cabeças de gado e atua no sul do Pará. Somadas, as áreas da Agropecuária chegam a 510 mil hectares – equivalente a três vezes a extensão do município de São Paulo, segundo apurou o jornal Valor Econômico.
Base do grupo, essa região paraense há décadas é palco de amplos e dramáticos conflitos agrários, assassinatos de sindicalistas e ambientalistas. É também o principal foco da grilagem e do trabalho escravo no Brasil. Concentra grandes propriedades que desrespeitam a legislação fundiária e ambiental.
O superintendente regional do Incra em Marabá (PA), Raimundo Oliveira, disse ao Valor que "o saldo desta pecuária "extremamente extensiva" são "áreas degradadas, solos empobrecidos e a pecuária demandando cada vez mais terras".
Segundo Oliveira, é raro encontrar uma propriedade que obedeça o percentual de 80% de reserva legal estabelecido por lei para a região. Aliás, o presidente nacional do Incra, Rolf Hackbart, e o Ministro Mangabeira Unger, vêm alertando para a urgência de se regularizar a situação fundiária no Brasil, em especial na região norte, onde se compra e se vende terra, quase sempre pública, sem qualquer controle.
Não é novidade a migração de empresas sofisticadas economicamente para o setor primário. A rigor, não há grupo financeiro no Brasil que não lastreie suas operações econômicas em atividades de extração intensiva de recursos naturais. É nesse contexto que as empresas de Daniel Dantas chegam à mineração e à pecuária praticadas em regiões de baixa institucionalidade, onde as relações – trabalhistas, de produção, ambientais etc – são típicas do século 17.
A "modernidade" dessa diversificação de atividades por parte de grande grupos empresariais está em outra perspectiva. As empresas financeiras superaram há muito a estratégia de adquirir vastas porções do território apenas como reserva de valor. Agora, elas utilizam a terra em um sistema de produção verticalizada, para alcançar rentabilidade em altíssima escala. Regra geral, o sistema se processa da seguinte maneira.
Uma grande empresa se capitaliza - vamos dizer, no setor financeiro – e adquire grandes áreas agrícolas (muitas vezes nessas áreas de sombra, onde não é clara a titularidade da propriedade) e passa a produzir commodities agrícolas ou minerais voltadas para atender ao mercado internacional. Muitas vezes, essa empresa agrícola vincula-se a um pequeno número de grandes atravessadores internacionais.
No setor de alimentos, por exemplo, não passam de meia dúzia. Empresas como a ADM, Cargill e Bunge, todas multinacionais, controlam o mercado global de comida. São esses traders (em associação com grupos menores, como o Grupo Maggi, do governador do Mato Grosso), em associação com as empresas financeiro-agrícolas que especulam em larga escala, que estão entre os culpados pela atual crise induzida do preço dos alimentos. Ao controlar toda a cadeia de produção – a produção primária, a intermediação e a especulação final –, alcançam uma rentabilidade sem precedente e o poder de definir a duração e a profundidade dos ciclos de disponibilidade e de preço das commodities.
Como no Brasil todos os insumos para as indústrias agrícolas ou são desregulados, ou são baratos, ou são gratuitos, grandes empresas, especuladores institucionais e individuais e aventureiros interessados exclusivamente na multiplicação imediata, desregrada e vertiginosa de seus recursos atuam desembaraçadamente. Contam com incentivos e fundos públicos subsidiados, como acontece agora a indústria do etanol, que não pára de atrair forasteiros de todos os tipos. Eles "investem" no Brasil com recursos disponibilizados pelo Banco do Brasil, BNDES etc etc.
A equação do capitalismo financeiro-agrícola, o legal e o ilegal, parte da ultraexploração dos recursos naturais, incluindo desflorestamento em alta escala, e chega ao controle do mercado internacional de matérias primas, utilizando tanto dinheiro lícito quanto ilegal. Ao longo dessa cadeia, recebe o apoio de alguma instância do Estado. Termina controlando a oferta mundial até de alimentos, enquanto os governantes têm a capacidade de afirmar que o preço da comida aumenta porque mais gente come. Será o caso de taparmos a boca dos pobres para manter a modicidade dos preços?
Carlos Tautz é jornalista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase)

Jornalista fala dos limites da sustentabilidade no Brasil e no mundo durante Amazontech 2008

Washington Novaes destacou a preservação ambiental versus os padrões de consumo

O jornalista Washington Novaes, um dos grandes nomes do jornalismo nacional e uma referência na área ambiental e na questão indígena, esteve em São Luís para participar do Amazontech 2008. Na ocasião, ele comandou a conferência máster, de tema “Limites da sustentabilidade no Brasil e no mundo”, que aconteceu no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana.


O jornalista colocou em pauta a preservação ambiental versus os padrões de produção e consumo. Washington Novaes iniciou sua conferência traçando um panorama do clima mundial, destacando que o consumo de energia vai acarretar uma série de mudanças climáticas no mundo todo.

Segundo a Agência Internacional de Energia, esse fenômenodo aumentará 71% no mundo até 2030, e a temperatura média mundial subirá 3 ºC até 2050. “Os países ricos vão ser os principais responsáveis por essas mudanças, pois eles são os maiores emissores de poluentes”, disse Novaes. O protocolo de Kyoto, que regulamentou em 1997 a Convenção do Clima, de 1992, estabeleceu que os países industrializados reduzam suas emissões em 5,2%, entre 2008 e 2012. Mas os Estados Unidos, um dos principais poluentes do mundo, não homologaram as regras da Convenção.

Para Washington Novaes, o problema central é que hoje não existem instituições, nem regras universais, capazes de promover as mudanças necessárias na escala global. “As reuniões de convenções da ONU exigem consenso para tomar decisões, o que acaba se tornando difícil devido aos interesses contraditórios” falou o jornalista. Após expor aos presentes o panorama climático mundial, o conferencista apontou tecnologias que já estão em desenvolvimento e visam o beneficiamento da sustentabilidade.

Entre as principais tecnologias ele destacou o seqüestro e sepultamento de carbono no fundo do mar ou campos de petróleo esgotados; células de combustível; veículos híbridos; energias eólica, solar, de marés e biocombustíveis. Durante a conferência, Washington Novaes ressaltou também que já há sinais de otimismo atualmente. “Avanços já podem ser sentidos principalmente nos países mais poluentes.
A Corte Suprema dos Estados Unidos determinou que o governo defina limites para emissões de produtoras de energia, veículos e grandes indústrias, a Alemanha determinou meta de redução de emissões até 2020 em 40% sobre 1990 e a Grã-Bretanha fixou redução de 80% das emissões até 2050”, reiterou Novaes.

Dados do último relatório planeta Vivo e do Greenpeace apontam que o consumo mundial é 30% além da capacidade de reposição do planeta nos recursos naturais. Está se deteriorando os ecossistemas naturais a um ritmo nunca visto na história da humanidade. Quase um terço das espécies conhecidas se extinguiu em três décadas.

O jornalista encerrou a conferência esboçando um cenário futuro para o Brasil, caso a humanidade continue no mesmo ritmo de consumo. Segundo dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisa), ao longo deste século, haverá um aumento de 6 a 8ºC na temperatura da Amazônia, de 3 a 4ºC na região Centro-Oeste, além de uma possível perda de 20 a 25% nos recursos hídricos do Semi-árido.

“Precisamos construir uma nova estratégia, e serviços e recursos naturais são o fator escasso no mundo, hoje, precisamos colocar essa realidade no centro e no início de uma estratégia que os valorize e ajude a construir a sustentabilidade”, completou Washington Novaes.


ASCOM UFMA
Rafael Arrais