sábado, 29 de dezembro de 2012

São Luís em parcas linhas


Foto - J Seixas
 
A minha cidade fede. A minha cidade é suja. A minha cidade é foda. Parece viver em farra e fofoca. Farofa. E faz de conta que é séria.

Para o fim de ano o circo tá pronto. Para azeitar os 400 anos de enrabação, festa para todos os gostos: evangélico, pop, samba e por ai vai. Tudo importado.

O reggae antes marginal afronta espaços de bacana. O mangue cada vez mais é sufocado pela especulação imobiliária. A cidade se verticaliza. Tanto mar. Tanta merda a boiar. Bacanas em exibição em novo point da cidade: Lagoa da Jansen.  

Super motos em fileira. Dondocas em salto alto. Num cantinho casas simples resistem. Perdi as contas de quantas administrações empreenderam empréstimos para sanear o espaço. Ainda assim ele fede, tal os salões dos palácios; qual as tramas dos bastidores da políticagem.

Sobram tambores e regueiros. Falta água todo dia. É o drama da ilha. Num bairro chegou a faltar por quase um mês. A cidade é cinematográfica. Tanta luz. Tanta propaganda para atrair turista e não existe água no chuveiro da praia.

É recorrente a explicação que a falta da água diária é por conta da indústria de alumínio estadunidense, Alumar, que consome além da água, energia subsidiada. E a gente ainda paga por isso.

Oh minha cidade sitiada. Entupida de Ribamares, mas somente um usufrui as benesses do miserável lugar.  

A minha cidade fede. A minha cidade é suja. E ainda faz festa.

 

Prefeitura de Belém não garante a limpeza e a segurança no Mercado de Carne do Ver o Peso


O Mercado de Carne integra o complexo do Ver o Peso. Em dezembro a primeira reforma fez aniversário. A estrutura que integra a arquitetura de ferro de Belém faz parte do portfolio do engenheiro Francisco Bolonha. O estilo é considerado neoclássico.

Os açougueiros agora contam com câmaras frigorificas. Os produtos são comercializados com mais higiene. Antes a carne ficava sobre estruturas de madeira. Exposta a ação das moscas.

Ao contrário da praça de alimentação que fica em lado oposto, mais próximo da baía do Guajará, o Mercado de Carne é silencioso, e não transitam tantos pedintes ou comerciantes de produtos piratas.

O passeio é agradável, e recomendável para a família, que pode fazer um lanche ou mesmo refeição, e ainda adquirir artesanato.  

No entanto, comerciantes que trabalham no local reclamam que a prefeitura não tem garantido a limpeza.

Uma senhora que tem um box no local, reclama que a prefeitura não mantém nem guardas municipais nem equipe de limpeza.

Para a manutenção do local os comerciantes costumam cotizar e contratar pessoas.
Fotos - Rosa Rocha - 2012

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

NOTA DE PESAR E REPÚDIO AO ASSASSINATO DO DIRIGENTE DO MST MAMEDE GOMES DE OLIVEIRA

(Exigimos profunda investigação e punição dos envolvidos)
toda morte matada,
toda morte morrida,
se for vida doada,
não é morte,
é vida
(Dom Pedro Casaldáliga)
A lista de camponeses, padres, freiras, sindicalistas, defensores de direitos humanos, homens e mulheres, assassinados no Estado do Pará enquanto lutavam por uma revolução econômica, social, cultural, política e ambiental, é longa. No domingo, dia 23 de dezembro, aproximadamente às 16h, mais um mártir se juntou a esta abominável relação. MAMEDE GOMES DE OLIVEIRA, 58 anos, assentado do projeto de assentamento “Mártires de Abril” e antigo coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), foi assassinado com dois tiros no peito quando estava em seu lote.
 
Mamede era um dos principais incentivadores da discussão sobre agroecologia no MST. Estudioso do tema e atencioso com todos que lá chegavam para pedir orientação, implementava na prática tudo o que teorizava. Criou, junto com sua companheira Teófila da Silva Nunes, o Lote Agroecológico de Produção Orgânica (LAPO), onde mostrava que a experiência da agroecológia já é uma realidade.
 
O assassinato de Mamede continua sem resposta. No dia do crime o camponês acabava de retornar de uma área onde estava trabalhando, localizada nos fundos de seu lote, quando, alertado por seu cão, percebeu que um desconhecido estava se dirigindo para o local onde ele estava anteriormente. Ainda interpelou o estranho, que não deu muita atenção e continuou seguindo caminho. Mamede então resolveu averiguar o que estava ocorrendo, momento em que foi alvejado com dois tiros no peito, disparados a partir de um revolver calibre 38.
 
Denuncia anônima indicou que 03 homens chegaram a casa onde foi preso Luiz Henrique Pinheiro, um dos indiciados como autor do assassinato. Luiz Henrique até o momento se recusa a falar sobre o ocorrido, os nomes dos envolvidos ou suas motivações. Com ele foi encontrado o revolver calibre 38, com duas cápsulas deflagradas, roupas sujas de sangue e uma mala já pronta para viagem. Quando a polícia chegou ao local os outros 02 homens já haviam desaparecido.
Como não foi roubado absolutamente nada de Mamede, que estava inclusive com seu telefone celular, está descartado o crime de latrocínio.
 
As organizações e movimentos sociais que subscrevem esta nota exigem que os órgãos responsáveis apurem este assassinato detalhadamente, investigando e punindo exemplarmente todos os envolvidos.
Estaremos atentos e acompanhando cada passo deste processo para que este crime não fique impune, seja enquadrado como crime “banal” ou, muito menos, caia no esquecimento, como tantos outros.

MAMEDE VIVE, SEMPRE, SEMPRE, SEMPRE!
Belém, 26 de dezembro de 2012

O educador Raimundo Gomes homenageia ativista do MST executado às vésperas do natal

Mamede de Oliveira foi assassinado no dia 23, na região metropolitana de Belém  
Raimundo Gomes da Cruz Neto

 
Hoje, às 10 horas, nos despedimos de mais um grande companheiro das nossas fileiras de lutas pela verdadeira reforma agrária e pela transformação da sociedade. Foi enterrado o corpo de Mamede Gomes de Oliveira, assassinado brutalmente na manhã do dia 23 de dezembro. O assassinato ocorreu no seu lote, a 200 metros de sua casa, no Projeto de Assentamento Mártires de Abril, município de Mosqueiro, Estado do Pará.

O assassino é casado com a filha de um também assentado, que não residia no Projeto de Assentamento, já foi identificado e preso mas, até o momento não revelou qual a sua motivação ou interesse para tirar a vida de Mamede, com o disparo de dois tiros fatais sem que a vitima pudesse se defender.

Para nós foi uma perda imensurável, por se tratar não apenas de um assentado, como deverá ser divulgado pela imprensa medíocre deste país, mas por tratar de um exemplar de homem que viveu para construção de uma humanidade, que ainda está por ser construída por todos (as) aqueles(as) que não se cansam e nem se entregam diante das barreiras impostas.

Mamede tinha 57 anos muito bem vividos como fazem todos (as) que desde cedo encaram o desafio de construir o próprio destino. Nasceu no Estado do Piauí, viveu sua juventude até adulto no Estado do Maranhão, no município de Pedreiras, no final da década de 1980 veio para o Pará, trajetória de muitos nordestinos, em busca da terra prometida.

Foi no ano de 1999 que militantes do MST e Mamede tiveram o grande prazer de se encontrarem, nas mobilizações realizadas na cidade de Ananindeua, área metropolitana de Belém do Pará, para ocupação dos latifúndios naquela região. Nesta época Mamede militava na Comunidade Eclesial de Base (CEB), com a experiência trazida do Maranhão. Experiência desenvolvida para enfrentar a opressão imposta pelas famílias latifundiárias, corruptas e assassinas daquele Estado, dentre elas a de José Sarney.

Com a luta organizada as famílias de trabalhadores conquistaram uma área de terra no município de Mosqueiro, que depois as famílias e o movimento fizeram ser criado um projeto de assentamento, pelo INCRA, o Projeto de Assentamento Mártires de Abril, em memória ao massacre de 17 de abril de 1996, na Curva do S, no município de Eldorado de Carajás, contra militantes do MST, realizado pela policia do Estado, quando governador Almir Gabriel.

Ali no assentamento Mamede se realizava e construía experiências e ensinamentos para companheiros (as) e para o mundo. Junto com sua esposa  D.Téo passaram a se dedicar em um grande projeto que viesse apontar para a transformação da sociedade. Homem culto, não abonava suas leituras  dos revolucionários, de Marx, os marxistas, ao poeta Maiakóvski.

Pelo seu afinado conhecimento e forma de lhe dar com as pessoas desempenhou importante papel como comunicador, educador e dirigente do movimento, sem nunca se propor a abandonar a luta e deixar de enfrentar as grandes dificuldades que se apresentavam no dia a dia.

A sua dedicação maior, sem desprezar a militância, a educação e acultura, mas fazendo destas uma interação necessária e produtiva,  foi com a agroecologia. Seu lote era um exemplo de diversificação de cultivos de plantas para fins medicinais, ornamentais e para produção de alimentos, e a criação de pequenos animais. Dedicação na transformação de plantas em produtos de uso medicinal e alimentício.

Mas como para a crueldade não há defesa e precaução suficiente par evitá-la quando ela nos ronda permanentemente,em um momento de vivência e dedicação com seu a fazer, Mamede foi covardemente assassinado quando reparava a situação de umas colméias.

Portanto, não foi só o MST, mas sim o mundo que perdeu, na flor da idade, um grande exemplar de homem educador, comunicador, dirigente, defensor e praticante da agroecologia, que acreditava na transformação da sociedade, com a destruição do capitalismo a partir  de acúmulos de fundamentações teóricas pelos indivíduos mas também necessariamente com a prática.

Lamentamos profundamente que a barbárie se alastra pelo mundo sem que nossas forças sejam suficientes para barrá-la. Lamentamos profundamente que diante da situação muitos(as) valiosos(as) lutadores(as) do povo se deixem levar pelos imbróglios da conjuntura política retrógrada e alienante que impera no país. Lamentamos profundamente pela perda de mais um comunista.

Como foi na casa de Mamede, quando da participação de um encontro estadual do MST, que tomei conhecimento do poeta russo Maiakóvski, em memória vou citar um dos poemas que de imediato me chamou a atenção:

E então que quereis?...

Fiz ranger as folhas de jornal

abrindo-lhes as pálpebras piscantes.

E logo

de cada fronteira distante

subiu um cheiro de pólvora

perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos

nada de novo há

no rugir das tempestades.

Não estamos alegres,

é certo,

mas também porque razão

haveríamos de ficar tristes?

O mar da história

é agitado.

As ameaças

e as guerras

haveremos de atravessá-las,

rompê-las ao meio,

cortando-as

como uma quilha corta

as ondas.

 

Mamede.

Presente!

Até a vitória sempre!

Marabá, 25 de dezembro de 2012.

Raimundo Gomes da Cruz Neto

Educador Popular CEPASP-Marabá

 

domingo, 23 de dezembro de 2012

Ativista do MST é executado com dois tiros no PA


Foto - Roberto Cunha
 F

Mamede Oliveira foi executado com dois tiros na manhã de hoje, no projeto de assentamento Mártires de Abril, na região metropolitana de Belém. A viúva, Dona Teo encontra-se na delegacia prestando depoimento. O enterro ocorre amanhã.

Até onde se base, o ativista não vinha recebendo ameaças. Conforme informações preliminares uma pessoa não conhecida chegou à casa de Oliveira pedindo para conhecer o apiário. E em seguida puxou a arma e disparou dois tiros contra o ativista.

Mamede e Teo desenvolviam uma experiência em agroecologia no lote do assentamento, que é homenagem aos sem terra executados no Massacre de Eldorado, sudeste do Pará.

Por conta da inciativa em agroecologia era recorrente a visita de pesquisadores para conhecer o lote da família.    

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Vale que Vale de Lúcio Flávio


Chove em Belém. O trânsito já caótico, ganha ares de apocalíptico.  À rua Aristides Lobo, região central da capital paraense, por conta de um acesso a um shopping, ele fica paralisado, próximo à Doca de Souza Franco. Ali reside o jornalista Lúcio Flávio Pinto.  

Na noite de ontem troquei uns dedos de prosa com o incansável escriba do interesse público na Amazônia. Ele contava que pela primeira vez o Jornal Pessoal (JP) teria recursos visuais em policromia. Trata-se de algumas fotos da região de Carajás. Tal arrojo onerou a edição em 40%.

Em 2012 o boletim pessoal de Lúcio Flávio somou 25 anos de existência. Trata-se da publicação mais longeva, em se tratando de periódico considerado alternativo no Brasil. Ao contrário das publicações em tempos de anos de chumbo, o JP é um jornal de uma dupla de irmãos: Lúcio e Luiz. Ao último cabe diagramar e ilustrar.   

A edição especial sai da gráfica Smith amanhã. Impressiona a disciplina do jornalista. Este ano lançou pelo menos umas três publicações, sem falar nos dossiês, que totalizam quatro números. E no quinzenário que não deixar de chegar às bancas. E ainda mantém o site do JP.  

Não bastasse, criou um blog dedicado a analisar as ações da Vale, uma das maiores empresas do mundo. AVale que Vale é o nome do espaço virtual. Aos interessados na agenda econômica e histórica no Pará, vale a pena incluir em sua lista de leitura.

 

 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Vale vai detonar patrimônio pré-histórico na Amazônia – deu no The New York Time

Para continuar em seu vertiginoso avanço de extrativismo mineral na Amazônia, a Vale deve detonar com valioso acervo de registros pré-históricos na região de Carajás, que abriga a maior mina de ferro do mundo. O alerta é do The New York Time.

Conforme a matéria, as cavernas e abrigos de pedras guardam registros de mais de oito mil anos de história. Leia a reportagem replicada pelo O Globo.  

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Carajás - Legislativo do MA realiza audiência sobre os passivos do polo de gusa


Não é a primeira vez que a Assembleia Legislativa do Maranhão (ALEMA) debate sobre o polo de gusa de Carajás, que desde 2008 passa por uma crise.  
A pauta tem sido recorrente sobre o setor, que a cada dia definha: carvão vegetal, desmatamento e a condição análoga à escravidão.
A audiência da Comissão de Meio Ambiente ocorre no dia12, às 15h, no Plenarinho da Alema. Mais uma vez a iniciativa parte de um conjunto de organizações da sociedade civil.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Noite de Iansã na Casa de Teuci


As velas deixaram o espaço mais quente. Havia vela em tudo que é canto no terreiro de Teuci na noite de segunda feira. A celebração era dedicada à Santa Bárbara. Iansã ou Oyá no sincretismo religioso.  Esposa de Ogum e de Xangô, o deus dos raios. Ela é considerada a senhora dos ventos e da tempestade. Deusa da espada do fogo, dona da paixão, da provocação e do ciúme.

Os ensinamentos explicam que a entidade feminina não nutre simpatia por afazeres domésticos. Possui mais inclinação para as batalhas e as lutas. Prefere os caminhos de risco e aventuras. Mantém relação com os Eguns (o espirito dos mortos). Eparrei é a sua saudação. Iansã é o Orixá do arrebatamento e da paixão. Tudo nele parece abissal. As zangas e os dramáticos arrependimentos.   

Vermelho e laranja enfeitam o lugar. São as cores do Orixá.  Logo na porta de acesso ao salão principal dois cálices de vinho festejam um ornamento da indumentária de Iansã, o chifre. As luzes de natal contrastam com a alvura dos trajes dos devotos que dançam em círculo em sentido anti-horário. Rosas vermelhas enfeitam o altar colocado em local estratégico no salão. Bem ao centro.  

O senhor negro encurvado pelo tempo e de pés descalços agita o xekerê  (cabaça com miçangas). As pernas são cambotas. Lembra o nativo marajoara. Três ogãs garantem a percussão nos tambores. Uma pequena procissão ao redor do quarteirão precedeu a celebração no terreiro. Cantos são entoados. Os tambores se agitam. Não tarda e os transes começam.  Eparrei.

O espaço no terreiro é generoso. Pelo menos umas cinco famílias compartilham o território. Os frequentadores que chegam mais cedo garantem estacionamento para o carro no vão que separa o portal principal ao acesso do salão. É como tem carro de bacana.  Sem falar nos carros que ficam no portão.

Não existe problema para acessar o terreiro. Em todas as ocasiões em que visitei o espaço nunca alguém veio inquirir sobre a minha presença. Os visitantes podem ocupar dois espaços. Um logo na entrada do salão. São bancos de madeira. E outro no terreiro propriamente dito. Os parentes e os mais próximos podem ficar em cadeiras de plástico.

Adultos, jovens e crianças formam o circulo. Cantam, dançam e batem palmas. Lembro  São Luís.  Os becos, as ruas, os tambores, o mar e encantarias. A Casa de Euclides.

Daqui a pouco tem mais tambor na Casa de Teuci em homenagem à Iansã.  

Especial Amazônia - Agência Pública - capítulo Rio Madeira

A Agência Pública de jornalismo investigativo realiza uma produção especial sobre a Amazônia. Carajás, no Pará foi o primeiro capítulo. O segundo   começou hoje, a série sobre o Rio Madeira. No dia 10 estreia a coletânea de reportagens sobre o Tapajós.
 
 
Leia abaixo a matéria de abertura sobre a série o Rio Madeira da jornalista Ana Aranha.
 
Uma briga entre peixes grandes revolta o curso do rio Madeira. As usinas hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio, segundo e terceiro maior potencial hidrelétrico do Programa de Aceleração do Crescimento, disputam cada megawatt a ser extraído das águas de Rondônia. Leia mais em Agência Pública

Vale - quem lucra?

Ana Castro
Uma empresa do porte da Vale traz benefícios para o Brasil de diversas maneiras. Mas, para que a mineradora possa ter lucros, o país também tem dado uma boa ajuda à empresa – a qual, por sinal, tem sido alvo de questionamentos. A empresa está envolvida em diversos processos judiciais e administrativos, envolvendo a cobrança de tributos e o questionamento em torno de isenções. Leia mais na Agência Pública

É possíve desenvolver a Amazônia de forma sustentável?


FGV, UFPA, Imazon,  Museu Goeldi, Vale, ISA, Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Agência Pública de Jornalismo Investigativo e MPF são agentes que debatem a partir do dia 05, quarta feira, no Hangar Centro de Convenções, a possibilidade de desenvolvimento sustentável na Amazônia. Grandes projetos, questão fundiária, experiências orientam a pauta do seminário organizado pelo Fórum Amazônia Sustentável. Conheça a programação AQUI

sábado, 1 de dezembro de 2012

Prêmio Benedito Nunes 2012

Tese do Dr Relivaldo Oliveira alinhava referências da Antropologia e Filosofia para analisar produções da literatura e cinema na Amazônia. É o segundo prêmio da tese. Em 2011 recebeu a comenda Vicente Salles de ensaio do IAP 
 
O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, professor Emmanuel Tourinho, e a professora Lilia Chaves, presidente da Comissão Julgadora Final do Prêmio Benedito Nunes, anunciaram, nesta quinta-feira, 29, que o premiado desta edição foi o professor Relivaldo Pinho de Oliveira, autor da tese Antropologia e Filosofia: Experiência e Estética na Literatura e no Cinema da Amazônia, orientada pelo prof. Ernani Pinheiro Chaves e apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFPA. Leia mais AQUI

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

União Europeia financia projeto para minimizar exclusão no sudeste do PA

O sul e o sudeste do Pará configuram uma fronteira agromineral. A pecuária extensiva e o extrativismo mineral conformam as realidades locais, marcadas pela expropriação das populações nativas e a população migrante.

Os processos econômicos engendraram desmatamento, violência e miséria, num cenário marcado pela hipertrofia do poder do capital, induzido e facilitado pelo Estado.   

Neste sentido, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) em parceria com a União Europeia, mediada com a Cafod, um instituição ligada à Igreja Católica, buscam em certa medida reverter o quadro de exclusão de parte da população expropriada pelos grandes projetos na região.
O lançamento ocorreu na semana passada no auditório da UFPA de Marabá.  

Ao longo de mais de quatro décadas de lutas pela terra, o sul e o sudeste paraense  concentram a maior parte de projetos de assentamento da reforma agrária do país (PA). São mais de 400.

Parte destes PA´s pode deixar de existir, caso uma série de obras de infraestrutura e projetos de extrativismo mineral sejam efetivados.

Caso o projeto da hidrelétrica de Marabá seja efetivado, conforme dados oficiais e  declarações de pesquisadores, mais de 120 PA´s deixarão de existir.

O estado, ao mesmo que reconhece algumas bandeiras dos movimentos sociais, como a efetivação dos PA´s, no sentido de minimizar os conflitos na luta pela terra, opera em direção oposta, incrementando a circulação do capital.  

A latitude conhecida como a mais violenta na luta pela terra do Brasil tem hoje perto de 120 ocupações, com um contingente de 10 mil pessoas.

Barcarena -- Norsk Hidro e Sindicato dos Químicos na berlinda


Oito trabalhadores da Alunorte denunciaram a empresa no Ministério Público do Trabalho. A denúncia é da Oposição Sindical e da Associação em Defesa dos Reclamantes e Vitimados por Doenças do Trabalho na Cadeia Produtiva do Alumínio (ADRVDT).

Eles acusam a empresa do grupo Norsk Hidro de não aceitar os laudos médicos após operação, e serem obrigados a trabalhar durante o pós operatório.

Uma nota que circula na grande rede informa que os operários buscaram o Sindicato dos Químicos, que não tomou partido da categoria.

Demissão – uma outra nota chama a atenção para a demissão do operário Ocimar Cunha Fontes. Há 17 anos na empresa Alunorte, Fontes foi diretor do Sindicato dos Químicos e faz parte da Oposição Sindical.

Fontes passa por sérios problemas de saúde há algum tempo, o que o obrigou a passar por duas cirurgias para sanar problemas na coluna e outra cirurgia no ombro.

Por conta da saúde debilitada ficou de licença no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A situação de saúde e insegurança na empresa animaram problemas psicológicos, acusam os denunciantes.

A Oposição Sindical e a ADRVDT avaliam que a demissão de Fontes tem motivações em sua atuação política.   
Os denunciantes acusam o setor médico da empresa Norsk Hidro em ignorar os laudos de ortopedistas e psiquiatras que indicam a incapacidade laboral de Fontes.


Sindicato dos Químicos – no blog da instituição, mais voltado para questões do direito do trabalhador, ainda que de forma tímida, a diretoria informa que denunciou a Norsk Hidro na Superintendência Regional de Trabalho do Pará. 
O órgão faz parte do staff do Ministério do Trabalho. A denúncia foi realizada no dia 20 de novembro.

A diretoria do sindicato acusa a empresa de assédio moral, condições de insalubridade e periculosidade no trabalho, entre outras coisas. E exige uma fiscalização na fábrica.
No blog do sindicato não há um encaminhamento que a superintendência irá tomar.

Barcarena em foco


Nunca na história deste país havia ouvido uma coisa dessas. No município de Barcarena, norte do Pará, as telhas da delegacia da cidade estão sendo lavadas.

O episódio foi narrado por uma professora.  A delegacia passa por reforma. O fato é no mínimo estranho.

A professora bateu fotos e promete postar  na grande rede. A preocupação da educadora é: o pessoal tá desviando a grana da reforma?

O município de Barcarena abriga as principais empresas da cadeia de alumínio do Brasil. A norueguesa Norsk Hidro é a controladora acionária, e tem como sócia a Vale, que até outro dia hegemonizava o investimento.  
São duas plantas industriais. Uma é responsável pela transformação da bauxita em alumina, e a segunda pela produção dos lingotes de alumínio.

Além da Norsk Hidro e Vale tem a francesa Imerys, que explora caulim.

No cenário de grandes empreendimentos ainda existem outras empresas. A força do capital tende a subjugar\cooptar algumas entidades de classe e o setor público em torno dos interesses corporativos.

Neste contexto alguns setores do campo  popular buscam uma articulação em torno de um Fórum. Na sexta feira passei umas horas com umas pessoas que integram a rede.

A pauta era refletir sobre comunicação, e indicar umas linhas de ação que os agentes que estão articulados em torno da rede possam implementar.
Ciberativismo, ocupação de alguns espaços locais de comunicação e produção de conteúdo para a rádio comunitária e comercial surgiram no fim do dia.

Os trabalhos são mediados pela ONG Instituto Internacional de Educação no Brasil (IEB).
 
Rosa Rocha e Maura Moraes completaram o escrete de mediadores da oficina no quente salão paroquial na Vila dos Cabanos. 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Pan Amazônia - educação para a construção de um pensamento crítico


Instituto forma primeira turma de especialização em agroecologia e debate relação entre universidade e movimentos sociais
Ativistas, educadores e agricultores do Maranhão, Pará, Rondônia, Matogrosso e Tocantins discutem até o dia 01 de dezembro a relação entre universidade e movimentos sociais na construção do pensamento crítico a partir da Pan Amazônia.

Na mesma ocasião ocorre o encerramento do curso de especialização em Educação do Campo e Agroecologia e Questão Agrária na Amazônia. Os discentes da primeira turma irão apresentar os trabalhos de conclusão de curso e participar das mesas de debates.

O evento ocorre no Instituto de Agroecologia Latino Americano Amazônico (IALA), no projeto de assentamento do MST Palmares II, no município de Parauapebas, sudeste do Pará.

80 pessoas é a estimativa de participantes. O professor francês François Hourtart será um dos palestrantes. Espera-se ainda a participação de ativistas de países da Panamazônia.

O reconhecimento da categoria camponês pelo Estado no sul e sudeste do Pará teve inicio na década de 1980, com a criação do primeiro projeto de assentamento no município de São João do Araguaia, o PA Castanhal Araras.
E ganhou maior proporção no fim dos anos 1990, pós Massacre de Eldorado. Nesta seara a educação talvez seja a dimensão mais relevante do processo de territorialização camponesa no sul e sudeste do Pará.

Turmas especiais de graduação foram efetivadas, e cursos técnicos voltados para a demanda camponeses realizados. E agora em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA) os movimentos sociais formam a primeira turma de especialização em agroecologia.

Amazônia profunda, site paulista lança série de reportagens sobre a região

Os grandes projetos e as implicações que os mesmos  provocam sobre as realidades das populações locais é o foco da série de reportagens da Agência Pública

Euclides da Cunha, Vicente Salles, Otávio Ianni, Fernando Henrique Cardoso, José de Souza Martins, Samuel Benchimol, Bertha Becker, Rosa Acevedo Marin, Jean Hébette, Márcio Souza, Zuenir Ventura, Milton Hatoum, Manuel Dutra, Ricardo Rezende, Ricardo Kotscho, Lúcio Flávio Pinto são alguns intelectuais que investiram\investem em narrativas sobre a (s) Amazônia (s) em diferentes campos.

Amazônia (s) é um dos principais assuntos numa infinidade de campos, tempos  e redes sociais e econômicas no mundo. Mas, ao longo dos séculos a sua condição tem sido colonial. Uma fonte de matéria prima, cujo estoque pode alterar a rota do mundo por conta da robusta biodiversidade. É ela a motivadora de interesses do setor de farmácia e cosméticos.

O saque sobre as riquezas da região a cada dia ganha um novo capítulo. Os minérios e a energia integram desde o século passado a agenda dos interesses de grandes corporações nacionais e internacionais.

Entre as legendas constam a Vale, a norueguesa Norsk Hidro que controla a cadeia de produção de alumínio, a francesa Imerys, que explora caulim, a Alcoa, também da cadeia do alumínio, a Camargo Correa, Alcoa, Vale e a franco-belga Tractebel-Suez, quase sempre consorciadas em empreendimentos para a geração de energia.  Tais projetos tendem a pressionar os territórios das populações ancestrais.  

A expropriação das populações locais tem sido a regra, ainda que algumas pessoas consigam alguma ocupação de segunda categoria em empresas terceirizadas, onde os principais postos são ocupados por pessoas com melhor qualificação vindas de outras regiões do país, e mesmo do exterior.  

No século passado há notícias de iniciativas jornalísticas que dedicaram profissionais, recursos e tempo em produções sobre a região. A revista Realidade, o jornal Movimento e o Estadão são alguns deles.

Os custos e o tempo necessário para uma boa produção são considerados alguns dos limitadores sobre a má cobertura midiática sobre a (s) Amazônia (s), que compreende 61% do território nacional.   

Nesta semana o site paulista  Agência Pública, um espaço voltado para a defesa dos direitos humanos e o interesse público inaugurou uma séria de reportagens sobre a (s)  Amazônia (s) do Brasil.

A experiente profissional Marina Amaral , ex Folha e revista  Caros Amigos e o fotógrafo americano Jeremy Bigwood assinam uma série sobre a região de Carajás, que abriga a principal reserva de minério de ferro do mundo. O extrativismo mineral que colabora para a saúde do superávit primário do país, ao mesmo aprofunda a pobreza no Pará.

A série de reportagem durou pouco mais de cinco meses, entre a produção de pauta, trabalho de campo, checagem de dados, produção e edição de conteúdo multimídia. Algo considerado fora da realidade para a rotina dos principais meios de comunicação do país.   

Na série sobre Carajás, o grande interesse é conhecer as múltiplas realidades da cadeia produtiva dos minérios. A jornalista percorreu no mês julho e agosto vários municípios do Pará e Maranhão.  

No Pará esteve em Marabá, Canaã dos Carajás e Parauapebas. Conheceu de perto a realidade medieval do processo de produção de carvão vegetal, que alimenta as empresas de produção de ferro gusa do Pará (Marabá) e Maranhão (Açailândia), e dinamiza a cadeia do trabalho escravo.  

O conteúdo de qualidade emerge como excelente fonte de informação sobre um Brasil profundo, às vezes invisível mesmo em espaços considerado do campo democrático. O mesmo pode e deve ser usado em espaços escolares de diferentes níveis. E ainda sindicatos de classe, representantes do setor industrial e patronal local.

A agenda de desenvolvimento para a Amazônia, baseada no uso intensivo dos recursos naturais, mantém o Estado como o principal indutor e facilitador. A opção desenvolvimentista favorece grandes corporações e tende a internalizar ainda mais as realidades de expropriação e pobreza das populações locais. Na economia, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), emerge como o principal agente.  

Além de Carajás, a equipe da Pública percorreu a região do rio Madeira e do rio Tapajós. A partir do dia 03 de dezembro o  conteúdo sobre o Madeira estará disponível. Leia o conteúdo AQUI

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Carajás - famílias aguardam resultado de processo contra guseira

Desvalorização de imóveis, danos morais, à saúde e ao bem estar. São esses alguns dos motivos pelos quais 21 famílias do bairro Piquiá de Baixo, em Açailândia (MA) processam a empresa Gusa Nordeste. A empresa faz parte de um grupo de cinco siderúrgicas que se instalaram na região na década de 80. Leia mais em Jnt

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Tá tudo cinza pós eleição

Tá tudo cinza pós pleito eleitoral. Ao menos em algumas cidades do Pará e outros estados.
Muitas deixaram de honrar compromissos com prestadores de serviços e fornecedores. E promoveram exoneração de servidores temporários.
E tudo fica pior quando o executivo municipal não foi reeleito ou fez seu sucessor. Em Marabá padecem funcionários efetivos e temporários.
Mesmo antes do encerramento da eleição, quando foi eleito o jornalista e deputado estadual João Salame (PPS), professores denunciavam o não pagamento de salários e do vale alimentação.  
Assim como em Belém, a saúde foi um dos pontos negativos do evangélico Maurino Magalhães (PR), que padece de ausência de conhecimento sobre o Estado laico.
Sobre o assunto em vários momentos públicos meteu os pés pelas mãos, sem falar nas acusações de improbidade administrativa que resultaram na detenção de dois de seus secretários.
E mesmo dno afastamento dele da poltrona do executivo, sob a ordem da justiça.
Agora a crise bate às portas do executivo do estado. Na ressaca da eleição, o governo tucano tem ordenado a suspensão de pagamento de fornecedores e prestadores de serviços, assim anuncia uma fonte que tem contrato com o estado.
O mesmo ocorre em Ananindeua, comandada em duas ocasiões pelo herdeiro de Jader Barbalho, Elder.  
Um empresário tem sofrido na busca em receber em pelos serviços prestados na área de saneamento e abastecimento de água.

Sem terra - Tribunal Federal revoga decisão de juiz federal de Marabá

O Tribunal Regional Federal, através de decisão publicada na semana passada, acatou recurso dos advogados da CPT e anulou a decisão do juiz federal de Marabá, que, condenou o casal de sem terra, Iranilde Teixeira e Abraão Rocha, a um pena de 6 meses de detenção por estarem residindo na antiga praça do mogno, localizada ao lado do prédio de Justiça Federal de Marabá. O juiz substituiu a pena privativa de liberdade por uma pena restritiva de direitos, impondo ao casal o pagamento de dois salários mínimos.

Abraão, Iranilde e seus três filhos menores, foram despejados pela Polícia Federal da Fazenda Tibiriçá no ano de 2005, onde estavam acampados. Sem terem para onde irem foram abandonados, junto com outras famílias, na Praça do Mogno, que pertencia ao INCRA. Como nunca conseguiram um lote de terra para morar, continuaram residindo no local e matricularam as crianças na escoa, uma delas, portadora de necessidades especiais. Quatro anos após, foram indiciados pela Polícia Federal, denunciados de Ministério Público Federal e condenados pela Justiça Federal pelo crime de ocupação ilegal de terra pública.

Os desembargadores do TRF, por unanimidade, entenderam que não houve crime, pois o artigo 20 da Lei nº 4.947/66 é claro quanto à configuração do crime de ocupação ilegal de terras públicas:“invadir com a intenção de ocupá-las, terras da União, dos Estados e dos municípios”. O TRF entendeu que a família permaneceu em um terreno público por que foi colocada ali por agentes públicos, não restando configurado a intenção de invadir.

O que mais chamou a atenção da CPT no caso, foi o fato de que na região sudeste existe alguns milhões de hectares de terras públicas ocupadas ilegalmente por grandes fazendeiros. No processo de ocupação ilegal, muitos fazendeiros cometeram um segundo crime ainda mais grave, a grilagem, ou seja, a falsificação de um documento público. No entanto, a CPT não tem conhecimento se algum fazendeiro já tenha sido condenado pela Justiça Federal de Marabá em razão da ocupação ilegal de terras públicas e pelo crime de grilagem. Talvez, a condenação da família sem terra, despejada na Praça do Mogno seja o primeiro caso de condenação proferida pela justiça federal de Marabá.
Não seria mais humano, mais justo e mais coerente com o papel desses órgãos de justiça, pedir a condenação do INCRA por não assentar a família do que simplesmente pedir a condenação daqueles que já são condenados na vida pela pobreza, o abandono e o descaso?
De acordo com levantamento feito pela CPT, existem hoje, 18 processos de autoria do INCRA, envolvendo 18 fazendas, tramitando na Justiça Federal de Marabá, requerendo devolução para o órgão fundiário de 108.401 hectares de terras públicas ilegalmente ocupadas por fazendeiros e grileiros na região. Cerca de 1.800 famílias estão acampadas, aguardando para serem assentadas nessas áreas. Mesmo o INCRA tendo comprovado nos processos sua propriedade sobre as terras e a Constituição Federal assegurar que não existe posse em terra pública, a Justiça Federal de Marabá, tem negado a imissão do INCRA na posse desses imóveis.

                                          
Marabá, 19 de novembro de 2012.

Comissão Pastoral da Terra – CPT diocese de Marabá.

domingo, 18 de novembro de 2012

Comissão da Verdade coleta relatos de camponeses e indígenas na região do Araguaia

Torturados, assassinados e alguns até forçados a perseguir guerrilheiros contra a própria vontade. Esses são os relatos de moradores de áreas rurais e de índios Suruí do Pará, da etnia Aikewara, durante audiência pública realizada ontem à tarde, em Marabá, pela Comissão Nacional da Verdade. As histórias que foram relatadas aconteceram durante o período da ditadura militar (1964-1985) em que o regime realizou a campanha de extermínio da guerrilha do Araguaia, grupo armado de oposição à ditadura que atuou na região. Leia mais AQUI

sábado, 17 de novembro de 2012

Araguaia - O diário de Ismael Machado

Adalgisa ergue as mãos em sinal de oração agradecendo. Quase caem lágrimas dos olhos. Ela tem as rugas, o sorriso, as vestes e a fala parecem com a de mães e avós que temos ou tivemos. Adalgisa é Adalgisa Moraes da Silva. Mais uma Silva quase anônima nesse país de silvas. Para mim é uma heroína que tive o prazer de conhecer em 2009, quando vim a primeira vez a São Domingos do Araguaia.

Naquela manhã de sol e mormaço ouvi o relato de Adalgisa sobre o período em que conviveu – e ajudou- com os guerrilheiros do Araguaia. Adalgisa e o marido, Frederico Lopes, foram alguns dos camponeses que simpatizaram com os paulistas, os militantes que se embrenharam nas matas do Araguaia tentando algo diferente naquele local.

Frederico foi preso e apanhou tanto, mas tanto dos militares, que ficou descompensado das ideias. Nunca mais conseguiu se recuperar. Quando retornou pra casa, costumava ter alucinações. Atacava Adalgisa, rasgava-lhe as roupas, batia. Resultado de dois anos de torturas.

Adalgisa quase chora agora porque conseguiu este ano receber o dinheiro da indenização a que tinha direito. Recebeu 140 mil reais e conseguiu construir uma casa de alvenaria- não é do jeito que eu queria, ela diz- bem diferente da casa de madeira bem pobre que conheci.

Adalgisa está um pouco surda. Tem mais de 80 anos. Comeu o pão que o diabo amassou para criar os 12 filhos sem ajuda de Frederico, preso. Como nunca deixou que os filhos virassem pedintes, fez de tudo um pouco.

Peço para Thiago fazer fotos deles no mesmo local onde em 2009 posaram para Tarso Sarraf. O cenário atrás deles é que mudou. A casa mudou.
 
Me despeço deles feliz. Embora seja duro ouvir o relato de Adalgisa e de soslaio observar o olhar perdido de Frederico, como se não estivesse totalmente ali. Frederico não anda mais, fala pouco. O olhar é quem fala por ele.

Foi Sezostrys que me levou novamente até a casa dos dois. Ao me despedir olho mais uma vez para o casal e sinto estar ali um pedaço da historia viva do país. É de gente como Adalgisa e Frederico que a história é feita. Só que raramente eles podem contá-la. Lembro do livro de Leonencio Nossa sobre o major Curió e o que ele diz, de mesmo a esquerda oficial tratá-los como massa, grupo de apoio, simpatizantes. Nunca como protagonistas, coisa que eles foram, com certeza. Adalgisa arriscou a vida, transportando munição para guerrilheiros. Frederico perdeu a razão e a lucidez.

Tenho muito mais respeito e admiração por eles do que por gente como João Amazonas.

Saímos de lá e decidimos ir até Marabá para apressar Paulinho Fonteles. Vamos até a aldeia Suruí, a 50 km de São Domingos.

Fiquei lembrando da longa conversa que tive com Pedro Matos, um senhor de mais de 70 anos, cheio de histórias boas pra contar. Matos é um Machado. Ao me ver sentado em uma cadeira de encosto em frente ao hotel, no inicio de noite, mp4 ao ouvido, pergunta se sou o repórter que está na cidade. Digo que sim e me apresento, como Ismael. Ele retruca: Machado? Digo que sim e ele diz que também é Machado.

E me pergunta se sei que a família Machado entrou no Brasil pelo Nordeste. Digo que sim, que meu pai era piauiense e minha mãe maranhense. Ele me fala de familiares ancestrais machadianos no Piauí. Percebo que a raiz pode e deve ser a mesma. ‘Há dois ramos dos machados, os pobres e os que enriqueceram’, diz ele. Digo que sou do galho pobre.

E ficamos conversando longo tempo.

Jantar em São Domingos do Araguaia é sonho. Só espetinhos de churrasco e olhe lá.

Mas já é dia seguinte e estamos pegando a estrada para ir a aldeia Suruí. Nos abastecemos de uns pães de queijo e água. Não sabíamos ainda, mas seria o almoço do dia.

Me resguardo da Roberta Miranda que grasna no carro ouvindo outras coisas no MP4.

A aldeia Sororó-Suruí fica no centro, creio eu, da reserva. Um campo de futebol fica bem no meio da aldeia, um barracão coberto de palha é o ponto de reunião e encontro. As casas são parecidas com as casas de conjunto habitacional, de alvenaria, pequenas.

Temos de esperar o cacique Mairá chegar para poder termos liberação para entrevistas. Se não fizermos isso podemos correr o risco de por tudo a perder. É esperada também a chegada da Comissão Nacional da Verdade. Só chegaria no miolo da tarde.

Ficamos por ali, gastando tempo, conversando amenidades. Os mais velhos me interessam mais porque sei que são eles que tem a história que vim buscar. A participação dos índios na guerrilha do Araguaia é um fato que só agora começa a ser contado. Quero ser um dos repórteres a contar essa história.

Não há como nós, bando de cabras safados, não ficarmos ouriçados com a beleza de uma moça índia que desfila pra lá e pra cá com um vestidinho verde curto. Thiago faz fotos disfarçadamente. ‘É casada’, nos alerta Sezostrys. Uai, ninguém quer casar com a moça, só olhar mesmo...

Thiago e Da Silva adquirem flechas. Depois Thiago me conta uma história curiosa a ver com a questão da umbanda e a flecha que acabara de ganhar. Mistérios do além terra, além consciência.

Com a chegada do povo da comissão, a coisa se encaminha. Depois da permissão do cacique, que concorrera a vereador, perdendo, começo a fazer entrevistas, colher relatos. Thiago bola as fotos que precisamos. Sugiro uma.

É fim de tarde, quase início de noite, quando saímos da aldeia. Na entrada da reserva, pedimos para Paulinho tirar uma foto, registro de nossa passagem no local.

Decidimos jantar em Marabá, já que a experiência da noite anterior estava viva. Ainda dá tempo de ver parte do segundo jogo do Paysandu. Sinto que perdemos a grande oportunidade de sair com uma vantagem enorme nessa semifinal. Depois encaramos uma caldeiradadecepcionante, Da Silva e eu.

Metade dela fica na terrina.
 
No hotel, cansado, vejo depois do banho o filme Iracema, uma transa amazônica. Vejo como se buscasse um pouco mais de sentido e reflexão para essa região estranha que vivo.

Temos mais o fim de semana de trabalho. E a volta para casa.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A partir do dia 16 Comissão da Verdade volta à região de Carajás para ouvir indígenas e camponeses

A Comissão Nacional da verdade chega ao Araguaia no próximo dia 16 para realizar uma série de atividades ligadas ao grupo de trabalho que investiga casos de violações de Direitos Humanos cometidos contra indígenas e camponeses durante o período da ditadura militar (1964-1985). Leia mais em CNV

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Justiça - juiz determina indisponibilidade dos bens do senador tucano Mário Couto

O juiz da 1ª vara da Fazenda Pública de Belém, Elder Lisboa, decretou liminarmente nesta segunda-feira (12) a indisponibilidade dos bens do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) Mário Couto Filho e dos servidores Dirceu Pinto Marques, Sandra Lúcia Feijó, Sandro Sousa Matos, Jorge Kleber Serra e Sérgio Duboc Moreira. A decisão é decorrente de Ação Civil Pública (ACP) ajuizada em janeiro deste ano pelo Ministério Público do Estado (MPE). Leia mais no site do MP-PA

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Estado lança Observatório sobre Belo Monte no dia 13 de novembro

A partir do dia 13 de novembro, os interessados sobre a construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte as dinâmicas socioeconômicas e ambientais que envolvem a obra terão um espaço eletrônico que vai congregar as diversas informações oficiais sobre o assunto em um só ambiente. Nesse dia, o Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (IDESP) lança o link oficial do “Observatório Belo Monte”, projeto que vem sendo discutido pelo órgão desde 2011. Leia mais no IDESP