terça-feira, 17 de julho de 2018

Publicação franco brasileira do curso de Pós Graduação em Geografia da USP repercute projeto Arenas Amazônicas


Os dois primeiros volumes podem ser baixados no blog Furo



A revista franco brasileira Confins, vinculada ao curso de pós graduação em Geografia da Universidade de São Paulo (USP) repercutiu em sua edição de número 36, a série Arenas Amazônicas. A iniciativa é animada pelo professor Rogerio Almeida, do curso de Gestão Pública e Desenvolvimento Regional, da Universidade Federal do Oeste do Pará. A coleção  é constituída por três volumes.

O primeiro volume enfoca parte das realidades das periferias da cidade de Belém e região metropolitana, com destaques para ações individuais e coletivas no campo da cultura, onde se sobressaem organizações de mulheres e do movimento negro. Este volume com o apoio do Banco da Amazônia acaba de ganhar uma versão impressa.

Grandes projetos e as formas de resistências das comunidades tradicionais onde os mesmos são impostos dão forma ao volume dois. O terceiro, ainda em fase de produção, tem como centro de gravidades formas de comunicação popular e alternativa em diferentes linguagens.

Os dos primeiros volumes podem ser baixados em PDF. As narrativas são jornalísticas. Boa parte do conteúdo foi publicado no site Carta Maior, e em espaços acadêmicos. Os jornalistas Daniel Leite Junior e Lilian assinam os primeiros volumes em parceria com Almeida, enquanto o projeto gráfico é de responsabilidade dos artistas Luciano Silva e Roger Almeida, da empresa RL|2 Design.

 Repercussão

A publicação internacional Confins é coordenada pelos professores Herve Thery e Neli de Mello-Thery, e conta com a qualificação A2, na plataforma da Capes, existe desde 2006.  Além da USP, o Instituto de Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional [IPPUR/UFRJ] em sua edição de número 10 faz referência ao projeto, bem como o boletim da Associação Brasileira de Pesquisadores em História da Mídia [Rede Alcar], na edição 56.


Além de veículos acadêmicos a produção foi publicizada em importantes veículos de mídia e redes, onde podemos sublinhar as revistas Carta Capital, Fórum, ambas com sede em São Paulo, Núcleo Piratininga de Comunicação/NPC/RJ, site Racismo Ambiental, Rede Justiça nos Trilhos/Direitos Humanos, Site Ecodebate/DF, Teia Popular de Comunicação.

 
Entre os veículos com sede em Belém, vale destacar o blog dedicado ao campo da cultura, o Holofote Virtual, coordenado pela jornalista Luciana Medeiros. Na derradeira edição da Feira do Livro de Belém a versão impressa do volume contou com uma sessão de autógrafos. Ainda na capital ocorreram sessões de autógrafos em espaços culturais Apoena e no Coisa de Negro, enquanto na cidade de Marabá o espaço Comuna Cepasp abrigou o diálogo.
 

sábado, 30 de junho de 2018

Pará, entre grilagens de terra, impunidades, arbitrariedades e balcões de negócios


Quem hoje é vivo corre perigo dos inimigos do verde, da sombra, o ar.


A parada fundiária/agrária é um dos maiores abacaxis no mundo Amazônia. E, em torno dele um catatau de redes de ilegalidades flutua. Este angu de caroço mobiliza escritórios advocatícios com más relações com a ética, grileiros de terras de variadas cepas e estampas daqui e de outras paragens, pistolagem travestida de empresa de segurança, funcionários públicos em desalinho com o interesse público, e um judiciário vigiante, ligeiro e engajado na manutenção e engorda do status quo. 

Tenho dito. Nada de novo no front. A grilagem de terras na região é um livro aberto escrito a sangue dos mais ferrados da cadeia alimentar dos dias e noites darwianas em que sobrevivemos. Sangue jorrado sobre as togas e ternos da fina flor da sociedade, em particular na década de 1980.  

Anos em que as ações da União Democrática Ruralista (UDR) desembestaram a matar gente. A tropa de elite dos fazendeiros foi forjada em terras do Goiás sob a batuta de Caiado. Nesta época Dorothy desenvolvia atividades justo na região onde mais se matou camponeses na Amazônia, o sudeste do Pará, na quebrada de Jacundá. Ali pertinho de Marabá.  Literalmente, o bicho comia. Até escritório de pistolagem havia. Sebastião da Terezona e Quincas Bonfim eram os “trezoitão” de fama.  

Levanto a bola para rabiscar porcas linhas sobre a prisão do migrante religioso, agente pastoral da Comissão Pastoral da Terra (CPT), padre Amaro. O maranhense foi parça da missionária estadunidense executada em 2005, Dorothy Stang. Com a execução da missionária, caiu no colo dele a pelota em tocar o barco na quebrada. 

Ele foi enquadrado e encarcerado por três meses sob acusações similares que tentaram colocar Stang para ver o sol nascer quadrado na escaldante cidade de Anapu, no ano de 2004. Num junho de 2004 o agronegócio a denunciou na justiça por formação de quadrilha, armar camponeses e esbulho possessório, e por aí vai. Ela depôs na “puliça” e tudo. No caso de Amaro, turbinaram com lavagem de dinheiro e abuso sexual. 

O crime Amaro reside em ser aliada dos mais desvalidos no sertão amazônico, em território agudamente disputado por grandes corporações de diferentes setores, entre eles os de infraestrutura, pecuária, mineração, etc. Assim como Amaro, tem um balaio de gente de várias frentes sendo enquadrada à régua e ao compasso da “lei” a serviço do deus mercado. 

No rosário de criminalização pela luta por direitos existem ativistas do MAB, MST, professores, assessores, advogados.  A quebra de braço entre as grandes empresas e as populações locais agrupa corporação do quilate da Vale, que literalmente manda no estado do Pará. Ela sozinha processa meio mundo de gente, são mais de 170 nos estados do Maranhão e no Pará. 

Com relação à justiça são emblemáticos alguns fatos ocorridos com relação às disputas territoriais nos grotões amazônicos no interstício da prisão do padre Amaro. O Massacre de Pau D´arco somou um ano de impunidade, os policiais envolvidos no episódio foram mandados para casa, o juiz Marco Aurélio Mello da suprema corte mandou soltar Regilvado Pereira Galvão, vulgo “Taradao”, o mandante da execução de Stang, condenado a 25 anos de prisão, e a “puliça” expulsou camponeses da região do Marajó de acampamento. 

O direito privado romano é foda. A peleja para se levar um acusado em matar camponeses e seus apoiadores é dura. Chega, em alguns casos, a durar mais de 20 anos, como os casos da família Canuto e de Expedito Ribeiro. Sejamos vigilantes. O rio não tá pra peixe. 

E, desde os anos 1990 tudo parece mais nublado nos cenários sobre a região. A nova fase do capital tende cada vez a subordinar as terras e as riquezas cá existentes aos seus interesses. Afinal, o que foi a medida em normatizar o uso de veneno? 

Rodovias, hidrovias, ferrovias para incrementar a cadeia da soja, um pacote de hidrelétricas de diferentes portes, mineração, e por aí vai, colocam em xeque o futuro da floresta, dos rios e as suas gentes. 

Como diz a canção: “ quem hoje é vivo corre perigo dos inimigos do verde, da sombra, o ar..”  Oxalá proteja Amaro e a todos nós!

Texto parido ao som do disco Deus é mulher – Elza Soares

quarta-feira, 27 de junho de 2018

2º Festival da Comunicação Sindical e Popular lança financiamento coletivo

A promoção é do Núcleo Piratininga de Comunicação [NPC/RJ], uma ONG linha de frente da comunicação popular do Brasil. Bora fortalecer!!!
 


O Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) e a Teia de Comunicação Popular do Brasil lançaram a plataforma de financiamento coletivo do 2º Festival da Comunicação Sindical e Popular, que será realizado no Rio de Janeiro (RJ) no dia 24 de julho. O festival faz parte do Calendário Oficial do Estado do Rio de Janeiro e a data marca o falecimento de Vito Giannotti, fundador do NPC. Leia mais AQUI

Volta Grande do Xingu - comunidades atingidas por grande projetos realizam seminário em Altamira

Grandes hidrelétricas e mineração industrial modificam as feições econômicas, espaciais, sociais e culturais da região da Volta Grande do Xingu, e animam situações de conflitos de toda ordem



Comunidades da Volta Grande do Xingu debatem nos dias 02 e 03 de julho, no Campus da UFPA, da cidade de Altamira os projetos de desenvolvimento para a região. Na pauta hidrelétrica de Belo Monte, mineração da canadense Belo Sun e o Polo Xingu. 

Além da conferência de abertura, rodas de conversa entre as populações impactadas pelos grandes projetos, consta na pauta reflexões sobre as políticas de desenvolvimento do governo e do setor empresarial. 

Com a implantação de Belo Monte, camponeses, indígenas, pescadores, extrativistas, populações de bairros periféricos foram removidos, e a feição espacial da cidade de Altamira modificada de forma radical.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Canaã dos Carajás – há mais de três anos cerca de 700 famílias pelejam em defesa de seus territórios contra a Vale


Manifesto das Brigadas Populares do Pará inventaria os três anos de luta dos camponeses acampados em Canaã dos Carajás



Nos acampamentos de ocupações de terras no campo encontramos pessoas e famílias  naturais de diversos Estados, de crianças a idosos, de diversos credos e religiões, com as mais diversas experiências e trajetórias, na sua maioria carregam a marca deixada pela opressão, dominação, espoliação e exploração.

Acampados(as) são  pessoas, em boa parte, que não sabem lidar com a realidade que se desafiaram a enfrentar mas decidiram diante das dificuldades que estão passando. Dificuldades por dificuldades optaram por encarar as do campo, depois de desiludidos com a possibilidade de se resolverem na cidade, é o que relatam muitos(as) acampados(as).

Encontramos pessoas endurecidas pelas injustiças que sempre sofreram, mergulhadas em eternos conflitos consigo e com o mundo, sem terem oportunidades para pelo menos sonharem com novas possibilidades, por que sempre lhes foram negadas. Encontramos também pessoas leves, amáveis e sonhadoras. O importante é que tem algo muito forte que faz a liga entre muitas das pessoas e famílias diferentes entre si nestes acampamentos, para além da vontade de conseguir a terra, se faz presente o espírito de solidariedade, a persistência e a esperança.

Em inúmeros acampamentos de pessoas e famílias no município de Canaã dos Carajás encontramos as diversas situações já citadas, com expressivo  espírito de solidariedade, persistência e esperança.

ACAMPAMENTO PLANALTO SERRA DOURADA
Umas cinco pessoas entenderam que diante da crise que atingia as pessoas pobres da Canaã a saída era ocupar terras improdutivas existente no município. Saíram a procura, e com pouco tempo de andança depararam com vasta área que desde o ano de 2000 tinha sido apropriada pela Vale, as margens da VS-40.

Em pouco tempo de conversas ao pé de ouvido arregimentaram umas 70 pessoas, entre homens e mulheres, que se colocaram a disposição para ocupar uma terra para trabalhar. Conseguiram um caminhão, e na madrugada do dia 14 de junho de 2015 partiram para o local. Além das pessoas que foram no caminhão, também foram pessoas de motocicletas.

No outro dia fizeram contatos com famílias da vila Serra Dourada, que de imediato se colocaram dispostas a fortalecerem a luta e verem seus sonhos realizados. Em pouco tempo muitos barracos formavam o acampamento. Com a notícia chegando à cidade muitas pessoas se deslocavam rumo ao acampamento a procura de uma oportunidade.

Uma comissão constituída, já com apoio do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Canaã, tratou de fazer o cadastro das famílias e estabelecer o número máximo de famílias no acampamento, que foi acordado em 350. Como as famílias chegavam em grupos a preocupação foi em formar uma coordenação com representantes dos grupos para facilitar os trabalhos organizativos no acampamento.

O sindicato, de imediato fez contato com a Comissão Pastoral da Terra - CPT e com o Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular - CEPASP, para contribuírem na defesa jurídica e no processo organizativo do acampamento, considerando as dificuldades que estariam por vir.

No dia dezesseis a CPT já estava trabalhando em defesa das famílias diante de uma liminar de despejo. Os advogados da CPT conseguiram argumentar e convencer o juiz de que a competência para tal situação deveria ser da Vara Agrária, para onde foi transferido o processo.  


ATAQUES DA EMPRESA E AS MOBILIZAÇÕES
Dentro de pouco tempo as famílias resolveram dividir a área pretendida em lotes de 25 hectares, considerar a área do acampamento em um lote 50 hectares. Em volta do acampamento foram demarcados pequenos lotes em áreas correspondentes a meio hectare, para as famílias do acampamento fazerem suas plantações de culturas temporárias e hortaliças.
A Vale, junto ao juiz da Comarca de Canaã, conseguiu 42 liminares de despejos contra famílias que ocuparam os lotes fora do acampamento, aumentando assim o trabalho dos advogados.

Diante da resistência das famílias a Vale acionou outros dispositivos: helicópteros sobrevoando toda a área ocupada, guardas armados rondando o acampamento e transitando na área, policia com oficial de justiça e funcionários da empresa ameaçando famílias e fotografando as pessoas e suas áreas.

O prefeito junto com representantes da empresa usaram a mídia local, fiéis serviçais (rádio e televisão) e carros de som nas ruas, para destratar e desmoralizar as famílias acampadas, colocando a sociedade local contra o movimento.

A saída para dialogar com a sociedade e contrapor a empresa, inicialmente foi elaborar notas e realizara manifestações pelas ruas da cidade mostrando a realidade dos fatos, desmontando as mentiras da Vale e seus aliados. Outra alternativa foi ocupar por várias vezes as rodovias que dão acesso a seus projetos.

A penúltima ocupação se deu no final do mês de novembro de 2017, quando o movimento ocupou a rodovia que dá acesso ao projeto S11D e o ramal ferroviário. Esta ocupação teve com saldo o acordo par suspensão do despejo das famílias do acampamento Planalto Serra Dourada e abertura de acordo para todas as áreas ocupadas.

DOS AVANÇOS

Durante os três anos, que completam neste 14 de junho, muitos foram os avanços individuais e coletivos alcançados pelos trabalhadores e trabalhadoras acampadas, vamos citar alguns: 1. A formação de politica organizativa acontecida com as manifestações, as audiência e ocupação do Fórum, a ocupação no INCRA, ocupação da prefeitura, participação em encontros com trabalhadores(as) de outras organizações, em Parauapebas, Marabá, Açailândia, Belém, Brasília, Rio de Janeiro e Recife; 2. Produção de vídeos e informativos escritos, com apoio do CEPASP, CPT, STTRC e Brigadas Populares; 3. Muitas famílias terem se fixado no acampamento e nas terras; 4. A significativa produção agrícola e criação de animais; 5. Experiências de comercialização em feiras populares; 6. A integração dos diversos acampamentos em lutas unificadas; 7. Compreenderam que é necessário lutar e que é possível enfrentar a opressão da Vale e acabar com o latifúndio no município; 8. Que é possível (re)construir a Canaã do povo, que foi tomada pela Vale; 9. Que é a agricultura que move a economia local, e não a mineração; 10. E que a mineração é a tragédia com degradação ambiental e social.  

Hoje são em torno de 700 famílias morando em acampamentos, na sua maioria produzindo e melhorando as condições da população pobre e da classe média da cidade, com a oferta de produtos diretamente das roças a preços menores que do mercado local.

As famílias demonstram que estão preparadas para continuarem resistindo, produzindo, comercializando, e para conquistar em definitivo as terras que ocupamos.
Viva a luta dos(as) trabalhadores(as) acampados(as)!
Viva o Acampamento Planalto serra Dourada!
Viva a revolução agrária!
Canaã dos Carajás, 14 de junho de 2018.
BRIGADAS POPULARES - PARÁ