sexta-feira, 31 de julho de 2020

Caso do professor Evandro Medeiros e a mineradora Vale: CPT e demais instituições analisam o processo

 A nota alerta sobre o processo de criminalização da luta popular por direitos 

Desde 2016 o professor Evandro Medeiros enfrenta uma batalha judicial contra a maior empresa de mineração do País e, pela segunda vez, foi absolvido pelo Poder Judiciário do Estado do Pará. As acusações feitas pela Vale ontra ele são referentes à suposta liderança da manifestação ocorrida no dia 20 de novembro de 2015, às margens da Estrada de Ferro Carajás, entre os bairros Araguaia e Nossa Senhora Aparecida, respectivamente conhecidos como “Fanta” e “Coca-cola”, no Município de Marabá/PA. O ato público realizado por professores e alunos da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) contou com a participação da população local e teve como objetivo prestar solidariedade às famílias de um bairro de Marabá, impactadas pela obra de duplicação da Ferrovia de Carajás e, também, às comunidades impactadas pela Vale em Mariana/MG, onde ocorreu o rompimento da Barragem de Fundão no dia 05 de novembro de 2015. Leia a íntegra AQUI


quinta-feira, 30 de julho de 2020

O simbolismo da vitória do professor Evandro Medeiros contra a mineradora Vale


"A vitória representa força dos movimentos sociais. A vitória também  é da universidade. É de todos nós" defende o professor.

Ver a imagem de origem
Prof, Evandro Medeiros. Foto de redes sociais. 

Manhã do dia 26 do corrente mês entra para a história do campo popular como o dia em que o professor venceu a mineradora Vale. Foi o dia em que a juíza Renata Guerreiro Milhomem de Souza, juíza da 1ª Vara Criminal da Comarca de Marabá, anunciou como improcedente as acusações da Vale contra o professor Evandro Medeiros (Unifesspa), do quadro do Programa de Educação do Campo, com sede no campus I.

A Vale acusou o educador de obstruir a ferrovia de Carajás, que liga as minas da empresa em Carajás aos portos em São Luís, no Maranhão. Em novembro de 2015 Medeiros era uma entre as quase 30 pessoas que integraram uma manifestação na periferia de Marabá, no sudeste do Pará.

O ato foi em solidariedade às famílias afetadas pelo crime ambiental da Vale em Mariana/MG.

A juíza Milhomem em sua sentença destaca que: “ A materialidade e autoria delitiva não restaram comprovadas. Isso porque, no dia dos fatos, ficou tão somente comprovado que o acusado, falando em um megafone, chamava a população para participar da manifestação”.

“[...] verifico que o acusado, longe de incitar a prática de qualquer crime, buscou, na realidade, expor, juntamente com os demais manifestantes, de maneira organizada e pacífica, apoiados no princípio constitucional do pluralismo político (fundamento estruturante do Estado democrático de direito), suas ideias, visões, concepções e críticas à atuação econômica e social da empresa Vale S.A, participando, como organizador ou não, desse evento social, amparado pelo exercício concreto dos direitos fundamentais de reunião, de livre manifestação do pensamento e de petição” destaca a juíza sobre o livre

A juíza Milhomem assentou a sua sentença nos princípios da defesa das ideias e da liberdade de expressão e de organização, onde argumenta que: “Com bem salientado pelo Eminente Ministro Celso de Melo no julgamento da ADPF n. 187: (...) a liberdade de expressão, considerada em seu mais abrangente significado, traduz, ela própria, o fundamento que nos permite formular idéias e transmiti-las com o intuito de provocar a reflexão em torno de temas que podem revelar-se impregnados de elevado interesse social. As idéias, (...), podem ser fecundas, libertadoras, subversivas ou transformadoras, provocando mudanças, superando imobilismos e rompendo paradigmas até então estabelecidos nas formações sociais. Leia a íntegra da sentença

O caso do professor não é o único que a Vale judicializou. No corredor de Carajás, como alertou uma matéria da Agência Pública, o total de pessoas processadas pela mineradora ultrapassa a casa de cem.

O educador conta que o processo de cinco de anos abalou toda a família. Impactou a mãe do professor, que temia que ele poderia sofrer algum atentado por conta da sua atuação política. Abalou os filhos pelas coisas que ouviam na escola, que o pai seria preso. Por cinco anos as crianças viveram esse drama. Notícias sobre o caso na imprensa, idas na delegacia para depoimentos.

Afetou a própria saúde do professor no percurso processual descobriu que tem hipertensão. “O ato de solidariedade ser tratado como crime, o Ministério Público ter aceitado a acusação da Vale, isso tudo provocou em nós um profundo sentimento de indignação e ao mesmo tempo de impotência. Isso tudo abala a gente de forma emocional e profissional” reflete Medeiros.

Para o professor a vitória se dá em vários planos. A pessoal, por conta em poder ter o mínimo de sossego familiar, sem o temor de ser preso e profissional. E o de caráter coletivo do conjunto de movimentos sociais que reivindicam em todos os locais onde a Vale opera respeito aos seus territórios e seus modos e vida, avalia o professor.

Medeiros reforça ainda que é uma vitória da universidade, por conta do empenho da mesma em fomentar pesquisa e projetos de extensão junto aos segmentos historicamente marginalizados da sociedade.

“ Hoje existe um clima em tentar promover o silenciamento de discentes, docentes e técnicos alinhados a estes segmentos. A vitória é simbólica também neste sentido, em valorizar o conhecimento que emancipa. Temos uma vitória que representa a todos”, acredita o educador.

 Números da Vale. AQUI

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Vale - professor vence processo contra a mineradora



Evandro Medeiros, professor da UNIFESSPA vence processo contra a mineradora Vale. Ele foi acusado em obstruir a linha férrea da empresa em ato de solidariedade às famílias atingidas pelo crime da Vale em Mariana/MG, em 2015. 

A sentença acaba de sair. A assessoria jurídica do educador, realizada pelo advogado José Batista Afonso, da Comissão Pastora da Terra (CPT) de Marabá/PA  deve emitir uma nota em instantes. Saiba mais  sobre o caso AQUI

Leia entrevista do professor concedida ao blog AQUI

Leia a sentença AQUI

sábado, 25 de julho de 2020

85 anos de Manoel da Conceição, o lavrador de utopias



Manoel Conceição - Foto|: Marcelo Cruz 

Oeste do Maranhão, dedo de prosa no Centro de Formação do Trabalhador Rural (Central), oeste maranhense, cidade de João Lisboa. Lisboa foi grande jornalista, historiador e político, filho de Pirapemas, juntinho de São Luís.

O oeste do estado é conhecida como Pré Amazônia maranhense, na ilharga entre a Amazônia e Cerrado. onde Balsas, já ao sul do estado, puxa Floriano, no Piauí. Balsas representa um polo de soja. O projeto atual é a expansão do monocultivo no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, ideia materializada no projeto MATOPIBA.

A soja dominada por migrantes do Sul detonou com o cerrado. É no Cerrado que os rios proliferam. A soja, ladeada por outros projetos expropriou camponeses, alimentou a gusa com carvão, que desenvolveu o trabalho escravo, que turbinou a riqueza em outras paragens, que alimentou o capital e semeou a fome.

A soja se instalou na região anos 1980. Neste período o território da região experimentou uma abissal reconfiguração por conta da instalação de grandes projetos (teerritorialilzação do capital)  baseados em polos de desenvolvimento, além da soja, polo de gusa e a cultura de eucalipto dominaram o ambiente.

Aqui Manoel da Conceição sentou na praça após ter corrido meio mundo. E, correu mesmo. Valendo!. No dia 24, no derradeiro sábado, o semeador de ideias, barricadas em defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras em diferentes frentes: sindical, ambiental, educação e sonhos somou 85 anos. A saúde não é das melhores. Mas, para quem encarou prisões, atentados, tortura e o exílio, o combatente segue de pé.

Fim dos anos de 1990 e início dos anos 2000 passei a ter contato com o educador popular inspirado na letra da luta de classes por conta de atividades da rede Fórum Carajás, no Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural (Centru). Iniciava-se a minha salvação como ser humano. 

Certa vez, num intervalo de reunião, regado a dois dedos de prosa e pinga, estava eu macambuzio. Mané indagou o motivo da amofinação, dei um despiste, acho. Ele retrucou: “Fique assim não. Você ainda é jovem. Ainda vai morrer várias vezes antes da vida findar. Vais morrer de mal de amor. Morrer de decepção de “amigos”, morrer de desencantamento com companheiros e políticos. Morrer de mil coisas. ”   Nunca esqueci da prosa.

No recente livro de memória lançado pelo igualmente combatente camponês Luiz Vila Nova, é recorrente a referência ao educador popular Manoel da Conceição, como estrategista sagaz na luta pela terra, Ouvi umas prosas dessas de táticas de guerrilha. Vila enxerga na prosa e na canção elementos poderosos de formação. É dele o verso que reza: "O risco que corre o pau corre o machado. Não temos o que temer. Aquele que mata, também pode morrer". 

No dia do natalício de Mané, na véspera do Dia do Trabalhador Rural, o MST fez uma ciranda remota em loa ao mestre. Falou peão de trecho, falou companheiros de batalha da luta sindical, falaram filhos, a esposa, a neta recitou poema. Falou gente de paletó e pé rachado da roça, dirigente sindical e educador. Falou João Pedro do MST, inté o governador.

Manezinho, o filho educador, assim o resumiu: “Mané é isso, coletividade e luta, Mestre da esperança, um educador popular, um mestre da vida. A luta contra todas as formas de opressão, dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, de negros e mulheres, de toda forma de   adversidade. O que nós estamos fazendo hoje, agora, é uma poesia coletiva. Mané é um semeador. “

Veja a live AQUI

Quando Mané somou 40 anos de luta, o IBASE publicou uma reportagem sobre o maranhense que foi um dos fundadores do PT nacional, da CUT, do Centru, Cetral, etc...Leia AQUI

segunda-feira, 20 de julho de 2020

95 anos de Clóvis Moura, pensador negro e nordestino que refletiu sobre a quilombagem

Clovis Moura principiou seus estudos militantes acerca da questão da resistência negra e escravista no Brasil na década de 1940, redigindo aos 34 anos “Rebeliões na Senzala”, obra que se tornaria um clássico da historiografia e análise sociológica marxista brasileira. Esta é a primeira de suas grandes obras, publicada em 1959, e declara guerra contra toda a interpretação simplista, rasteira e racista sobre a forma como os negros e negras enfrentaram o sistema de dominação escravista. O livro é o extremo oposto das teses contidas em “Casa Grande e Senzala” e, por sua profundidade crítica e analítica, encontrou grande resistência das organizações de esquerda e inclusive dentro do PCB na época e na chamada “Sociologia oficial” difundida pela academia. Considerado um autor importante para estudo das relações raciais no Brasil nos EUA, também foi traduzido em vários outros idiomas, tendo grande repercussão inclusive na China. Leia artigo completo AQUI

domingo, 19 de julho de 2020

Pará lidera mortes de quilombolas no país.


Organizações quilombolas e Ufopa monitoram a situação da pandemia em comunidades no estado



Até o dia 19, domingo, o Pará contabilizava 38 óbitos de quilombolas, 1495 casos confirmados, 1108 casos suspeitos, 969 casos recuperados e 02 pessoas internadas. O estado lidera os casos no Brasil, que soma 137.  

Os números constam no boletim  produzido pela Malungu (Coordenação Estadual das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Pará) e a Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará), a partir do Núcleo de extensão Sacaca, coordenado pela professora Luciana Carvalho, do curso de Antropologia.  

A coleta dos números é ativada a partir de uma rede mobilizada junto às lideranças comunitárias. Os dados podem ser bem maiores, esclarece a coordenação da iniciativa. O poder público não tem realizado ações e monitoramento com relação às populações indígenas, quilombolas e similares. Nem mesmo monitorar. 

O Pará tem aproximadamente 550 comunidades quilombolas, distribuídas em 65 municípios, com uma população estimada em 400 mil pessoas. Em todo o Brasil calcula-se em 5 mil comunidades de remanescentes de quilombos.

O quadro pode se agravar por conta dos vetos do governo federal ao socorro emergencial a indígenas e quilombolas. Acesso á agua, álcool gel, cesta básica, saúde, materiais de higiene, cesta básica  foram alguns dos pontos vetados pelo  do governo Bolsonaro no dia 08 de julho ao PL 1142/2020.

O projeto foi  construído a partir das representações politicas de indigenas e quilombolas em dialogo com os parlamentares Rosa Neide (PT/MT), Joênia Wapichana (Rede/RR) e  Rondolfo Rodrigues (Rede/AP). 

“A medida expressa  o que representa este governo para nós quilombolas. Um governo de morte. Uma ação de aquinilação do nosso povo”, reflete Valéria Carneiro, quilombola do município de Salvaterra, no Marajó, no estado do Pará, durante live que debateu a vulnerabilidade das comunidades quilombolas no estado. O evento remoto ocorreu na última sexta feira, dia 17.

O debate  é uma iniciativa da Malungu e do Núcleo Sacaca, que contou com a reflexão da professora Zélia Amador, emérita professora da UFPA, e uma referência nacional no combate ao racismo. Para a educadora a condição de vulnerabilidade e de empobrecimento das comunidades quilombolas resulta de uma construção econômica, política e social ancorada no racismo. Uma negação da vida.

O racismo, nos tira as oportunidades de vida digna, escolaridade, saúde e de uma cidadania plena. O racismo se estabeleceu com o colonizador. Foi a colonização que decidia quem era humano e quem não era. Desde sempre a nossa luta é cotidiana na afirmação na nossa humanidade. Desde a diáspora fomos transformados em mercadoria e em máquina. Não éramos pessoas.  A nossa luta é antirracista.  Todo dia”, interpreta Amador.

Sobre o Pará liderar os casos, ela avalia que os quilombolas não possuem condições materiais em se guardar. Muitas das vezes são obrigados a se deslocarem em busca de serviços nas sedes dos municípios. “O racismo é uma mazela que mata. Em pleno século XXI ainda lutamos para conquistar a nossa humanidade”, arremata.

Em plena contemporaneidade as comunidades quilombolas buscam ter acesso a água potável, serviço de saúde, as suas terras reconhecidas, educação, adequada à nossa realidade,  condições para a produção, alerta a quilombola Gilvania Silva, doutoranda da Unb e integrante da coordenação da Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas).

“Nenhum órgão de estado monitora as nossas situações de vulnerabilidade. Isso resulta de um racismo estrutural. Vivemos num governo de morte. Um governo genocida. Isso foi declarado logo no início do governo. Ele anunciou que não reconheceria terras de quilombos e indígenas. Esvaziou as instituições, cortou orçamento, cancelou concursos, nomeou pessoas sem compromisso e capacidade técnica para tratar das nossas demandas” avalia Silva.

Ao avaliar a situação de vulnerabilidade das comunidades quilombolas no Pará , José Galiza,  representante da Conaq no estado, calcula que a situação de empobrecimento, a localização, muitas das vezes de difícil acesso, a necessidade em buscar renda para além dos limites territoriais são elementos que favorecem a circulação do vírus.

Galiza acredita que pelo fato de algumas comunidades possuírem um grande apelo turístico, por conta dos recursos naturais com igarapés, rios e florestas, isso também colaborou para o aumento da pandemia nas comunidades.

‘Já estávamos a margem mesmo antes da pandemia. A crise só piorou tudo. Já éramos empobrecidos, com a pandemia, a pouca renda diminuiu ainda mais. Precisamos unir forças. Necessitamos de apoio de todos no combate do racismo”, encerra o quilombola do município de Acará.

Veridiana Nascimento, professora da Universidade Federal do Amapá (Unifap), enfermeira e voluntária no projeto, que pesquisou comunidades quilombolas na região do Trombetas, no Baixo Amazonas, avalia com preocupação o registro de 27 casos por dia de confirmação do vírus.

Para a pesquisadora o quadro de vulnerabilidade é um desdobramento de ausência de políticas públicas para as comunidades, que resulta em não instalação de unidades de saúde ou a prestação de serviço de um agente comunitário, sequer. “ Há locais que, assim como muitas favelas do país, não contam nem com água potável. Como ter medidas de prevenção de higiene e prevenção? ”, indaga Nascimento.

A live pode ser acessada AQUI

Debates territoriais: obra de grupo de pesquisa da UFOPA reflete sobre dinâmicas do Baixo Amazonas

A publicação reúne pesquisas oriundas de monografias de graduação e artigos de docentes e discentes da Ufopa, além de convidados externos, que trazem análises de políticas agrárias, agrícolas, aquícolas, educacionais, logísticas e ambientais e seus impactos no ordenamento territorial na região do Oeste paraense. Segundo o Censo Demográfico do IBGE (2010), a região abrange cerca de 500 mil km2, com uma população de mais de 800 mil habitantes. É um território dividido em duas porções: o Baixo Amazonas, localizado ao norte e de ocupação mais antiga; e o Tapajós, composto pelos eixos da Transamazônica e da BR-163. Baixe  o LIVRO

Vulnerabilidade Quilombola no PA: Ufopa, a partir do projeto Sacaca e comunidades debatem o tema

O pará lidera casos de Covid em comunidades quilombolas no país. 

O projeto de extensão “Sacaca e Malungu na luta contra o coronavírus nos territórios quilombolas do Pará” inicia o Ciclo de Debates “Vulnerabilidade histórica e futuro das comunidades quilombolas do Pará pós-pandemia”. A programação inicia-se nesta sexta-feira, 17h, com a mesa-redonda “Por que o Pará é "campeão" de casos de Covid-19 em comunidades quilombolas no Brasil?” no canal do Sacaca no Youtube. Leia mais AQUI

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Nada segura o trem da Vale, nem a pandemia


Ação de quilombolas do Maranhão contra a duplicação da Ferrovia/ Justiça nos Trilhos

O ranger do peso dos vagões sobre os trilhos é ouvido em quase toda a cidade de Marabá, sudeste paraense. O maior trem do mundo não cessa. Todos os dias, durante o dia todo os ruídos lembram do saque.

O trem carrega minério de ferro de melhor teor do mundo da Serra de Carajás, até São Luís, no Maranhão, de onde ganha o mercado asiático.  Faz mais de 30 anos.  

Tantos são os navios de grande porte, que as praias de São Luís lembram uma pintura de tempos coloniais, com a esquadra de naus a espreitar a cidadela.  A ferrovia que foi duplicada, tem perto de mil de quilômetros.

Carajás abriga umas 4 bilhões de toneladas de minérios. A estimativa era que o minério duraria uns quatro séculos. O mercado, as tecnologias de exploração reduziram para menos de cem anos.

O maior trem do mundo mede 3,3 quilômetros extensão, possui 330 vagões, puxados por quatro locomotivas, que varam perto de 30 cidades dos dois estados, e perto de 100 comunidades.

O site da firma informa que por ano transporta 120 milhões de toneladas. Cada vagão tem a capacidade de 104 toneladas. Para viabilizar o transporte a firma possui 10.7656 vagões e 217 locomotivas. 

Em 2011 foram necessário cinco rebocadores mobilizados de todo o país para atracar o Vale Brasil, navio com capacidade de carregar 400 mil toneladas de ferro rumo à China. 

Os portos de Roterdã e o de São Luís são os com capacidade de receber os navios de grande envergadura por conta da oscilação da maré.  A baía de São Marcos, em São Luís, desde séculos imemoriais afunda navios. 

Mesmo nos dias de hoje os acidentes persistem, e  tendem a provocar problemas ambientais por conta de vazamentos de óleo e minério. Em fevereiro deste ano a Marinha afundou o Stellar Banner, navio com capacidade de quase 300 mil toneladas da empresa sul-coreana Pollaris Shipping a serviço da Vale. 

E o trem danou-se naquelas brenhas do Pará e do Maranhão. Estados iguais em desgraça, onde  o barulho, a poeira, as casas rachadas, as mortes de pessoas e de animais não integram os cálculos contábeis da mineradora Vale.

Há uns quatro anos ela investiu 60 bilhões de reais para viabilizar a exploração da Serra Sul (S11D), localizada em Canaã dos Carajás.  O projeto é o mais expressivo no portfólio da mineradora que feriu de morte Mariana e Brumadinho, e nocauteou Itabira de Drummond.

Especialistas advertem que a estimativa de lucro para o último trimestre do ano é de U$$ 3 bilhões de dólares. No fim do ano passado ela anunciou a distribuição de U$$ 7,25 bilhões a seus acionistas.

Mais que o dobro que pagou em possíveis compensações às famílias impactadas pelos crimes ambientais em Minas Gerais. Por conta dos crimes, o conselho administrativo da firma havia colocado em suspensão a remuneração dos acionistas.

Os valores sempre estratosféricos do mercado aprofundam a condição colonial da região como exportador de produto primário.

Nesta peleja de Davi contra Golias, os coletivos Justiça nos Trilhos e Atingidos pela Vale atuam em rede no sentido em visibilizar os abusos da mineradora.  

A gênese do projeto consta nos anais da historia da ditadura civil-militar.. A política desenvolvimentista do regime representa um divisor de água na lógica do saque sobre a região. Ele ergueu institucionalidades, possibilitou políticas de crédito, promoveu a expropriação de comunidades indígenas, quilombolas e camponesas. E, continua na mesma toada. 

Por cá, vidas não importam.

A Vale é um estado dentro do estado do Pará. O minério de ferro representa o principal produto da balança comercial do estado, perto de 90%.

A região de Carajás da Vale não se coaduna com o universo da sociedade local, que coleciona os principais indicadores em desmatamento, morte de camponeses, trabalho escravo, péssimos números em educação, saneamento e por aí vai.

Nada cessa o trem da Vale. Crimes ambientais, indignação ou pandemia.   

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Tiros de canhão contra a pandemia


Belém antiga. Imagem da internet. 

Lá pelos idos de 1850, pós Cabanagem, poucos anos depois do lançamento do Manifesto Comunista, a cidade de Belém, naquela época denominada de Pará pelos visitantes de além riomar, era acometida por surtos epidêmicos de febre amarela e de varíola.  O porto teria sido o canal de viabilidade das chagas.  

A febre amarela precipitava sobre brancos e mamelucos, enquanto a varíola acometia índios, negros e mestiços. Iniciadas em abril, em plena estação chuvosa, as pestes duraram uns seis meses.

No portfólio de ações sanitárias do governo da época no combate das pragas, uma se destacava, disparar tiros de canhão no afã de purificar o ar, nos conta Bates.

O naturalista, que a partir de Liverpool – renomado porto de tráfico negreiro- aportou em searas Amazônicas, ao lado de Wallace, igualmente cientista,  percorreram o rio Amazonas por demorados anos. As informações acima constam em Um Naturalista no Rio Amazonas.

A obra além de relatar as exuberâncias da floresta tropical, externaliza toda ordem de leitura preconceituosa contra os povos ancestrais, por ele tratadas de indolentes, bárbaros, selvagens e congêneres. Mesma tratativa recebe a insurreição Cabanagem.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

2020, o São João mais triste


Foto: Bumba meu Boi de Maracanã. fonte: facebook do Batalhão de Ouro

No São João mais amofinado que o mundo já viu, acomodei ao alforje uma fieira de estrelas para modo de enfeitar a cumeeira do teu viver

No São João mais triste que o mundo já viu, nada de fogueira, arraiá de bandeiras, guarnicê ou brincadeiras

Nada de coco, coqueiro, Boi de Leonardo, Maracanã, Maioba, Ribamar, Coxinho, cacuriá...

No São João desprovido de matracas, pandeiros, o onça se perdeu no buraco fundo, aonde o vento faz a curva, na grota do Japão sem liberdade

No São João da ilha em baixo astral

Até a face da lua ficou caiada por gotas do banzo de África

No riomar de solidão

Melhor sair de fininho

Miudinho

Apito calado  

Ajuntar os versos noutro lugar

Águas em outro ribeirão

sábado, 20 de junho de 2020

Luta pela terra no Pará: tese recupera trajetória de ativistas mortos na década de 1980

Gringo, Benezinho ativistas sindicais e o advogado Paulo Fonteles são os casos tratados 



Professor Elias Sacramento. Fonte: foto da internet/site UFPA. 

Os anos da década de 1980 são os mais sangrentos na luta pela terra no estado do Pará. Trata-se do período da inserção econômica subordinada da Amazônia a outros centros mais desenvolvidos. A conjuntura era marcada pela apropriação do estado pelo grande capital.

A ordem do dia residia na instalação de grandes projetos marcados pela concentração de capital, sob o primado das rodovias da geopolítica da ditadura civil-militar de integração física. Tudo sob os auspícios da doutrina de segurança nacional de Golbery do Couto e Silva.

Uma toada regida pela expropriação dos povos da floresta de forma sistemática. Exploração da madeira, imposição da pecuária extensiva e mineração foram alguns dos polos econômicos eleitos como prioritários para alavancar o “desenvolvimento”. 

O estado autoritário impôs o terror aos moradores nativos e migrantes. Prisões, tortura, execuções e chacinas de seus opositores são ações que até os dias de hoje não foram reparadas.

Camponeses e seus aliados eram os eleitos como atravancadores do “progresso”, e assim como a floresta, deveriam ser eliminados. Nos anos de 1980 a ala mais reacionária dos fazendeiros edificou a União Democrática Ruralista (UDR), o braço armado do setor. Soma-se ao cenário da época, o espectro da Guerrilha do Araguaia, e a ameaça “comunista” na região.  

O major Curió é personagem central na definição de estratégias de repressão ao movimento sindical do campo naquele momento. A execução de Gringo tem relação com a eleição sindical em Conceição do Araguaia, onde ele era candidato a presidente.  

A tese de Elias Sacramento, apresentada no Departamento de História da UFPA, no dia, 17 do corrente mês, sob o título “É muito triste não conhecer o pai. A herança da violência e os familiares de Gringo, Benezinho e Paulo Fonteles” recupera fragmentos destes dias sangrentos do estado do Pará.

O professor e pesquisador também teve o pai assassinado durante a ditadura civil militar.  Sobre o pai, Sacramento dedicou a sua dissertação no mesmo departamento da UFPA, com o título Almas da Terra: a violência no campo paraense, apresentada em 2007. A dissertação e a tese contam com a orientação da professora Edilza Fontes.

Na tese o professor ilumina fatos de três casos de assassinatos de lideranças ligadas à luta pela terra no estado.  Dois casos dedicados a ativistas sindicais e sobre o advogado Paulo Fonteles, um dos fundadores da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH), assassinado em 1987.

O número 01 do Jornal Pessoal, editado pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto é dedicado à apuração do caso. A reportagem foi laureada com o   o Prêmio Fenaj de Jornalismo daquele ano. Leia AQUI  

Empresários do grupo Jonasa e Belauto eram tidos como suspeitos. Por isso o grupo Maiorana, responsável pela edição jornal do Liberal, não publicou a reportagem, o que provocou a criação do quinzenário do jornalista. Igualmente objeto de trabalhos de pós graduação.

Assim como Alex Lima, Elias disserta sobre a trajetória do agente pastoral da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em Conceição do Araguaia, Raimundo Ferreira Lima, conhecido por "Gringo". Leia matéria AQUI

Alex, filho do agente, apresentou a dissertação faz pouco dias, na Unifesspa. Filhos de gringo são professores ou ativistas sindicais, a exemplo da filha Nedyma Lima, que lidera o sindicato da educação em São Geraldo do Araguaia. 

Outro caso analisado por Elias é o assassinato do dirigente sindical Benedito Alves Bandeira, conhecido por "Benezinho", morto em 1984 e que teve sua atuação no município de Tomé-Açú e Acará.  Na ocasião a PM conseguiu prender os três pistoleiros. Revoltada com o caso, a população fez justiçamento contra eles. Sete filhos do sindicalista ficaram na orfandade. Veja documentário AQUI

No processo da pesquisa, Elias enfrentou certa resistência dos herdeiros, até eles conhecerem parte da trajetória do professor. 

Sacramento além de recuperar o enredo dos crimes envolvendo os ativistas pela reforma agrária, indagou sobre o destino dos filhos, como a família encarou o legado de luta, se houve reparo por parte do Estado e sobre os traumas provocados pelas  violências.

Integraram a banca examinadora os professores Francivaldo Alves Nunes(UFPA), Airton dos Reis Pereira (UEPA/Marabá) e Raimundo Amilson de Sousa Pinheiro (UEPA).


sexta-feira, 5 de junho de 2020

Fundação Palmares ameaça quilombolas do PA

Imagine se o governo resolve instalar dezenas de torres de energia de 44 metros de altura na porta da sua casa, e não pergunta a sua opinião? É o que pode acontecer com diversas comunidades quilombolas e ribeirinhas do norte do Pará, onde está prevista a construção de uma linha de transmissão de energia ligando os municípios de Óbidos, Juruti e Parintins. Ao dar o aval para o Ibama conceder a licença prévia ao empreendimento — antes que os moradores fossem consultados — a Fundação Cultural Palmares (FCP) parece atender ao pedido do Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de aproveitar a pandemia para “passar a boiada” na Amazônia. Leia a íntegra na Agência Pública

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Amazônia: pandemia em tempo de queimada

Verão na quebrada. Tempo de queimada nas terras griladas.



38º foi a estimativa de calor no sudeste paraense ontem. Sensação térmica pra mais de 40º. A chuva escasseia. Em condições normais, volta a baixar em novembro. É tempo de queimadas nas terras griladas. 

Não existe calçamento na maioria das ruas das cidades. O centro comercial de boa parte delas parece um formigueiro. Nesta temporada do ano a fumaça de queimadas impera. Soma-se ao ambiente a poeira das ruas. O calor é inclemente. 

É neste período que os postos de saúde são tomados por crianças e idosos com problemas respiratórios. Tudo por conta da fumaça e da poeira. É nesta conjuntura que o Estado resolveu abrir a porteira para o fluxo de pessoas no comércio, e almeja a retomada das aulas. Uma medida de matar???

Quilombolas da Amazônia repudiam ação da Fundação Palmares


FUNDAÇÃO PALMARES NÃO PODE TIRAR PROVEITO DA PANDEMIA E ATROPELAR OS DIREITOS QUILOMBOLAS!

A BOIADA NÃO VAI PASSAR!



Diante da impossibilidade de realizar a oitiva aos quilombolas por causa do isolamento social, a Fundação Palmares optou por dar o seu aval para que o processo de licenciamento ambiental siga para a próxima etapa sem a consulta que será, segundo a FCP, realizada posteriormente. As comunidades quilombolas sequer foram informadas de tal decisão. Leia a íntegra AQUI

domingo, 17 de maio de 2020

Morre aos 67 anos, em São Paulo, o jornalista Maklouf Carvalho


O jornalista paraense  perdeu a batalha para um  câncer no pulmão. O Cadete e o Capitão (sobre a vida militar de Bolsonaro) foi o último livro investigativo



“Resistir é o primeiro passo”, sob tal palavra de ordem circulou em Belém, capital do Pará, o Jornal Resistência. A Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) serviu-lhe de ventre para que o mesmo viesse ao mundo num sombrio 1978. A SDDH somava apenas um ano de vida.

Na vizinhança latina a esquadra Argentina levantava o troféu de campeã de futebol do Mundo. Cinco anos antes Allende era assassinado no Chile e Pinochet chefiava a ditadura no país.  No Brasil respirava-se o ocaso do milagre econômico. Uma tal de integração física da Amazônia ao resto do país regia a vida e a morte na taba. Com a proteção do guarda chuva do Estado, o capital adentrou na selva sem quase nenhum desconforto. Literalmente, sentou praça.

O boletim Resistência se constituiu como um marco da comunicação considerada alternativa no Pará, e circulou de forma regular entre 1978 e 1983. O advogado Luiz Maklouf Carvalho foi seu editor, falecido aos 67 anos, neste ultimo sábado, 16. A importância do boletim por ele editado consta na obra de Bernardo Kucinski, Jornalistas e Revolucionários (1991). Por divergências políticas, Carvalho polemizou com o autor em vários artigos.

O jornalista paraense migrou para São Paulo ainda na década de 1980, anos de grande recrudescimento da luta pela terra no estado do Pará.  Neste combate o jornalista perdeu o amigo, e um dos fundadores da SDDH, o advogado Paulo Fonteles. 

A reportagem investigativa  sobre o caso rendeu o livro Contido à bala.  Sobre o movimento de resistência armado à ditadura, escreveu sobre as mulheres que se engajaram, onde entre outras, trata da ex-presidenta Dilma. 

Além dos principais veículos de comunicação do eixo Rio-São Paulo, o jornalista contribui com o jornal Movimento, que há pouco foi agraciado com um livro sobre a sua trajetória. Iniciativa que o Resistência ainda aguarda.

Na década de 1990, quando terminava a graduação em São Luís, enviei via fax à redação da Folha de São Paulo, um resumo do meu trabalho de conclusão de curso na UFMA aos cuidados de Gilberto Dimenstein. Um escândalo do governo Roseana Sarney sobre um projeto de instalação um complexo de confecções com a China, denominado Chao-i, no município de Rosário, perto de São Luís era a pauta.  

Maklouf foi o escalado para a matéria, que foi publicada com direito à chamada de capa numa edição de domingo. O jornalista chegou a fazer contato via telefone para o local onde eu prestava serviço, mas, a secretária esqueceu de repassar o recado. Celebramos a cobertura com um vinho barato.   

O Cadete e o Capitão foi o derradeiro livro do paraense. Ele trata das peripécias do militar em processo militar cheio de reviravoltas, quando o militar projetou um ataque terrorista.   

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Grandes projetos e conflitos com populações tradicionais: livro é disponibilizado pela UFAM


 Livro com mais de 70 pesquisadores analisa situações de tensões nas Américas do Sul, Central, África e Índia. 



Perto de 70 pesquisadores/as de diferentes formações e países assinam artigos que buscam interpretar situações de conflitos entre grandes corporações de variadas matizes e as populações tradicionais nas Américas do Sul e Central, África e Índia, no volumoso livro Território, Cultura e Pueblos: megaprojetos, atos do Estado, Povos e Comunidades Tradicionais, disponibilizado no fim do mês passado no site do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, da  Universidade Federal da Amazônia (UFAM).

A obra com pouco mais de 700 páginas resulta do “II Seminário Internacional Megaprojetos, Atos de Estado, Povos e Comunidades Tradicionais”, realizado em outubro de 2018, na Universidade Autônoma do Ocidente, em Cali, Colômbia.

O livro homenageia o líder quilombola e defensor do direitos humanos Temístocles Machado Renteria, assassinado em 2018, aos 59 anos. A obra ilumina sobre a conjuntura da Amazônia brasileira, de países vizinhos e coirmãos de outros continentes. Em comum, todos são países da periferia do capitalismo. Estes marcados pela racionalidade econômica baseada em grandes projetos de mineração, agronegócios e obras de infraestrutura. 

Trata-se de projetos mediados ou induzidos pelo Estado, com vistas a acessar as riquezas naturais, e promover a expropriação das populações tradicionais, que tem tido como consequências, a mobilização destas a edificarem formas de estratégias e táticas de resistências.  

No caso amazônico, entre as inúmeras situações de tensões, constam artigos sobre a Base de Lançamento de Foguetes de Alcântara, no estado do Maranhão, que o governo federal, a partir de uma associação com o governo estadunidense de Trump, visa a promover outra expropriação de populações aquilombadas. No mesmo estado há registros sobre a comunidade de Cajueiro, ameaçada pelo capital Chinês, por conta de empreendimento portuário.

As populações quilombolas da região do Trombetas, no oeste do Pará, também são analisadas, por conta de projetos de infraestrutura voltados para atender o grande capital mundializado. Desde os anos de 1980 do século passado elas enfrentam problemas por conta da mineração da bauxita protagonizada pela Mineração Rio do Norte (MRN), atualmente sobre o controle da norueguesa Norsk Hidro. 

A mineração em Carajás, no sudeste paraense, iniciada no mesmo período da região do Trombetas, quando a Vale ainda era estatal, também é abordada na obra, quando a economia acreditava que a efetivação de polos de desenvolvimento (energia, mineração, madeira e pecuária) iria dinamizar a economia regional. 

Nos dias atuais, os especialistas hegemônicos depositam as suas fichas na implantação de Eixos de Integração e Desenvolvimento (EIDs), onde os corredores de circulação de mercadorias possuem papel central, a exemplo do Arco Norte, que impactará o Baixo Amazonas paraense, com projetos de grandes hidroelétricas, hidrovia, rodovia e ferrovia, além de complexos portuários. 

No conjunto do livro, campesinos, indígenas e quilombolas representam o centro de gravidade das situações de tensões entre o grande capital e as populações tradicionais.

A coordenação da iniciativa coube aos experimentados professores Alfredo Wagner Berno de Almeida (UFAM), Rosa Acevedo Marin (UFPA) e de Jesús Alfonso Lópes, da Universidad Autonoma do Occidente (Colômbia). A Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e a Universidade Autonoma do Occidente

“O temor de novos danos e perdas além do que já foi perdido semeia o pânico entre as famílias atingidas nestas situações mencionadas, que há pelo menos três ou quatro décadas padecem, aguardando os anunciados términos das obras” realça o professor Alfredo Wagner, em texto de apresentação.

Nesta complexa sociodiversidade contemplada no livro são tratados: comunidades afro-colombianas, palenques e raizales (Colômbia); quebradeiras de côco babaçu, seringueiros, castanheiros, quilombolas, piaçabeiros, peconheiros, vazanteiros e ribeirinhos (Brasil); povos Kokama e Tikuna (Colômbia, Peru, Brasil); Endorois, Camba e Turkana (Quênia); comunidades quilombolas (Brasil); povos de Narmada (Índia) e povos Gavião e Guajajara (Brasil), dentre outros.

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